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sexta-feira, setembro 20, 2013

Ainda a entrevista do Papa Francisco





A entrevista do Papa Francisco ás revistas dos Jesuítas já está em português.

Sobre isso vale também a pena ler: o que se publicou hoje na Aciprensa e pela alegria que dá ver um jornal diário a retomar palavras essenciais do anúncio cristão (como, por exemplo “Deus está presente na vida de todas as pessoas, mesmo se essa vida tiver sido destruída por maus hábitos, por drogas ou seja o que for”) a notícia sobre a entrevista que saiu no Público, aqui. Apesar do erro de citação da entrevista...o Público "transcreve": "Sabemos qual é a opinião da Igreja e eu sou um filho da Igreja, mas não é preciso continuar a falar disto"...mas na entrevista está: "(...) mas não é necessário falar disso continuamente»."...enfim...! ;-)

A entrevista do Papa Francisco



Estou de partida para um fim-de-semana fora e por isso sem tempo para grandes desenvolvimentos, mas o Papa Francisco deu uma entrevista belíssima à Civiltá Católica que também aparece publicada no Avvenire, jornal da Conferência Episcopal Italiana. Vale muito a pena ler.

No âmbito dessa entrevista fala também do assunto do anúncio cristão e da relação deste com as chamadas questões fracturantes (aborto, casamento gay, etc.). Basicamente e nos termos da entrevista, reafirmando como não podia deixar de ser a sua filiação na Igreja, o que o Papa alerta é para a redução contemporânea do cristianismo a um moralismo, do anúncio cristão a uma proposta moral, que, isso não diz mas acrescento eu, é não apenas uma tentação eclesial como o resultado da pressão da mentalidade contemporânea que procurando ocultar o que a Igreja é, ou percebendo a resistência que encontra no facto cristão, tenta reduzi-la a isso.

Além disso e na mesma parte da entrevista e em termos muito bonitos o Papa fala da Misericórdia, da liberdade humana e do amor de Deus a cada um, independentemente da sua circunstância particular, da relação dos sacerdotes com as pessoas que lhe estão confiadas, da confissão e do pecado. A projecção que estas suas intervenções têm, a força do anúncio que faz, são de facto a confirmação daquilo que a propósito do seu pontificado, diz Bento XVI, ou seja, que se sente confortado em verificar a justeza da sua renúncia, a intervenção de Deus na Sua Igreja. Que bom é que finalmente a voz da Igreja seja escutada sem a oposição imediata de um preconceito pessoal ou institucional!

Tudo o resto, por parte da mentalidade dominante, dos seus meios de comunicação, é pó, tentativa de semear a confusão e sobretudo medo de se confrontar pessoalmente com a verdade do anúncio que temos para fazer ao mundo: Deus existe, ama-nos, e faz-se encontrar na pessoa física, real e viva, de Jesus, hoje, na Sua Igreja. Ou seja, com o mesmo anúncio que uma vez recebido por cada um, faz com que naquelas questões concretas, a nossa posição de cristãos seja a da valorização da Família, de defesa da Vida humana da concepção até á morte natural, de defesa do embrião humano (veja-se aqui o que disse o Papa Francisco num dos Angelus [e no qual anuncia também o dia da Evangelium Vitae no qual estiveram presentes portugueses dos movimentos cívicos a favor da Família e da Vida]), da afirmação que a família se baseia no casamento entre homem e mulher, etc.

Parto pois contente para o fim-de-semana! ;-)








quinta-feira, abril 11, 2013

Na morte de Robert Edwards (o "pai" do primeiro bebé-proveta)



O Público de hoje tem um interessante artigo por ocasião da morte de Robert G. Edwards, o "pai" do primeiro bebé-proveta.

Tenho um juizo critíco sobre a fertilização "in vitro". Não me alongarei aqui sobre o assunto mas remeto para a Encíclica Evangelium Vitae e para esta secção do site da Iniciativa Popular de Referendo à Procriação Medicamente Assistida de que fui director de campanha em 2006. A frase (descritiva da actividade neste campo de Robert Edwards) "Superou barreiras [científicas, tecnológicas e] éticas" ´que sucede ao título e antecede o texto do artigo, resume as minhas objecções.

Mas não sou insensível ao problema da infertilidade e tenho pena não seja conhecida em Portugal a Naprotecnologia a que se refere também o vídeo abaixo. Nem do ponto de vista pessoal (em relação a Robert Edwards) sou indiferente à sensibilidade humana e boas intenções que terão presidido à sua actividade científica e médica. Mas cá está...o Coração não chega. É necessário, como ensinou tantas vezes Bento XVI, o uso da Razão. Na sua mais pura acepção, atendendo à totalidade dos factores...

 



quinta-feira, março 14, 2013

Os três últimos Papas numa mesma fotografia!

Acabadinha de receber de uma rede europeia de providas. Olhando para o Papa João Paulo II (ainda tão novo) e lembrando as imagens ontem do Beato João Paulo II a elevar ao Cardinalato o actual Papa Francisco, este, nesta fotografia ainda seria "apenas" Bispo.

terça-feira, março 12, 2013

A Eleição do Papa: os olhos do mundo postos em Deus




Fora de Portugal, em trabalho, tive ocasião de verificar agora que todos os canais de informação estavam ligados em directo a São Pedro (no sentido geográfico e literal do termo) enquanto as imagens fixavam a chaminé de onde acabou por sair o fumo negro, significando assim que os Cardeais nesta primeira votação, como era prevísivel, ainda não elegeram o novo Papa.

Independentemente da natural curiosidade e expectativa o que mais me impressiona é o significado profundo desta cobertura jornalista: o mundo está com os olhos postos na eleição do Papa, isto é, na Igreja Católica, isto é em Deus. Como é poderosa a Sua presença e como é grande a Sua atractividade!

Isso deixa-me de facto de coração cheio. E também contente de mediante a iniciativa de "Adopção de um Cardeal" ter-me sido dada uma forma, simples mas de grande significado, de participar no Conclave rezando por um Cardeal (que me foi atribuído aleatóriamente, no caso um Emérito do Chile) para que seja dócil ao Espírito Santo e vote naquele que Deus deseja colocar à frente da Sua Igreja, do Seu povo.

quinta-feira, janeiro 03, 2013

Os Bispos e a defesa da Vida e da Família



Neste momento em que se encontra praticamente concluída a recolha de assinaturas da Petição Defender o Futuro (só faltam 217 para que a Petição seja entregue na Assembleia da República e tendo reunido o número minimo de subscrições seja obrigatoriamente apreciada no parlamento e discutida em plenário) a discussão das leis fracturantes do tempo de José Sócrates regressa à agenda política e com ela a posssibilidade de uma reapreciação desses diplomas conduzir à respectiva revisão ou revogação (uma vez que contra os mesmos na altura votaram os grupos parlamentares da actual maioria).

Num contexto diferente (o da educação na Fé dos crentes e do contributo para o diálogo civil em Portugal) na última semana vem-se sucedendo intervenções lúcidas e corajosas dos nossos Bispos na defesa da Vida e da Família, na linha aliás das constantes intervenções nesse sentido do Papa Bento XVI.

A do Patriarca de Lisboa está aqui.


A de D. Manuel Felício (Bispo da Guarda) está aqui.


E a de D. Manuel Clemente (Bispo do Porto) está aqui.




segunda-feira, abril 23, 2012

Eleições em França: muito me ria se Sarkozy ganha...



É impressionante como a esquerda, sobretudo a mediática, confunde desejos com realidade e tantas vezes leva ao colo candidatos, partidos e posições políticas, independentemente da sua força real no terrreno ou a importância de pessoas e ideias concorrentes da direita...

Uma das manifestações desse irrealismo foi o entusiasmo com Hollande e Mélenchon, o certificado de óbito político passado a Nicolas Sarkozy e a tentativa desesperada de ignorar o eleitorado que se revê em Marine Le Pen. Mas a realidade tem muita força e impôs-se ao preconceito das esquerdas políticas e mediáticas.

Na verdade olhando para os resultados eleitorais o que se constata é que neste momento a(s) direita(s) têm maioria nas presidenciais e por isso Sarkozy pode ganhar...! Muito me ria...

Nota: dois discursos de Sarkozy são para mim causa da maior simpatia com este. Um é o discurso da tomada de posse intitulado "Vou reabilitar o trabalho". O outro é este pronunciado em São João de Latrão. Extraordinários!

domingo, março 22, 2009

O que o Papa realmente disse (sobre o preservativo) e em que contexto

É impressionante darmo-nos conta do poder de confusão dos media e da hostilidade ao Papa e à Igreja que saltam à (aparente) menor oportunidade! Ainda por cima como dizia o meu Pároco (o Cónego Álvaro Bizarro da Paróquia de Nossa Senhora do Carmo no Lumiar) na sua homilia de hoje: "o que o Papa propõe é algum mal ou um bem?".
Leiam esta carta que ontem saiu no Público:

Carta de Amparo Gironés do Porto hoje (Sábado, 21 de Março de 2009) na secção Cartas ao Director do Público

Visita de Bento XVI aos Camarões

Gostava de manifestar a minha perplexidade perante os ecos nos meios de comunicação, e não só, da famosa “condenação do preservativo” proferida por Bento XVI. Não sei se a maior parte dos jornalistas terá tido o incómodo de ir ler directamente as tais condenações. Dá a impressão que bastantes não. Por exemplo, a última página do Público do dia 18 de Março diz: “Por que não a opção pelo silêncio num tema tão sensível?”.
Fui ler todos os discursos do Papa nos Camarões: todos! Em nenhum deles fala do preservativo. Fala, sim, da dignidade da pessoa de uma maneira tão bela e realista como é característico dos seus discursos.
De onde vem então a conversa sobre os preservativos? De uma sessão de perguntas postas por jornalistas de vários países durante a viagem de avião. E claro que, se um jornalista pergunta directamente sobre um tema, é de boa educação responder (fica claro que Bento XVI não tinha previsto em nenhum discurso abordar o tema dos preservativos dessa maneira. O objectivo da viagem a África foi, como ele disse ao chegar aos Camarões: “Vim aqui para apresentar a Instrumentum laboris para a Segunda Assembleia Especial, que terá lugar em Roma no próximo mês de Outubro”).
A resposta que o Papa deu ao jornalista Philippe Visseyrias da France 2 foi a seguinte (peço desculpa por citar uma tradução em espanhol):
“(…) no se puede solucionar este flagelo solo distribuyendo profilácticos: al contrario, existe el riesgo de aumentar el problema. La solución puede encontrar-se sólo en un doble empeño: el primero, una humanización de la sexualidad, es decir, une renovación espiritual y humano que traiga consigo una nueva forma de comportarse uno con el otro, y segundo, una verdadera amistad también y sobre todo hacia las personas que sufren, la disponibilidad incluso con sacrificios, con renuncias personales, a estar con los que sufren. Y estos son factores que ayudan y que traen progresos visibles. (…)”
Aonde está a condenação? Essas palavras podem ser interpretadas como uma condenação? Muitos dos jornalistas que ainda hoje repetem os mesmos tópicos terão lido essas palavras? Mesmo o jornalista António Marujo, depois de várias criticas, no fim do artigo do mesmo dia 18 diz: “Bento XVI pode ter razão noutra coisa: o preservativo não é “a” solução do problema…”. Não é isso o único que o Papa diz nessa fatídica resposta? O próprio autor do artigo cita a directora do instituto angolano contra a sida, Dulcinea Serrano: “Comportamentos como a fidelidade e a abstinência também jogam um papel importante na redução das novas infecções”…Não se parece isto mais ao que o Papa disse?
Será justo que a resposta a um entre vários jornalistas anule completamente os ensinamentos e o conteúdo de uma viagem inteira?

Amparo Gironés, Porto

Nota: ao lado desta carta encontra-se uma outra também muito boa do Padre Alfredo Dinis, director da Faculdade de Filosofia de Braga, que enviarei a quem ma pedir.

quarta-feira, junho 18, 2008

As Férias segundo Joseph Ratzinger (Bento XVI)

TEMPO DE FÉRIAS

Poder descansar (*)

Os discípulos colocaram a Jesus o problema do stress e do descanso.
Os discípulos regressavam da primeira missão, muito entusiasmados com a experiência e com os resultados obtidos. Não paravam de falar sobre os êxitos conseguidos. Com efeito, o movimento era tanto que nem tinham tempo para comer, com muitas pessoas à sua volta.
Talvez esperassem ouvir algum elogio por tanto zelo apostólico. Mas Jesus, em vez disso, convida-os a um lugar deserto, para estarem a sós e descansarem um pouco.

Creio que nos faz bem observar neste acontecimento a humanidade de Jesus. A sua acção não dizia só palavras de grandeza sublime, nem se afadigava ininterruptamente por atender todos os que vinham ao seu encontro. Consigo imaginar o seu rosto ao pronunciar estas palavras. Enquanto os apóstolos se esforçavam cheios de coragem e importância que até se esqueciam de comer, Jesus tira-os das nuvens. Venham descansar!
Sente-se um humor silencioso, uma ironia amigável, com que Jesus os traz para terra firme. Justamente nesta humanidade de Jesus torna-se visível a divindade, torna-se perceptível como Deus é.
A agitação de qualquer espécie, mesmo a agitação religiosa não condiz com a visão do homem do Novo Testamento. Sempre que pensamos que somos insubstituíveis; sempre que pensamos que o mundo e a Igreja dependem do nosso fazer, sobrestimamo-nos.
Ser capaz de parar é um acto de autêntica humildade e de honradez criativa; reconhecer os nossos limites; dar espaço para respirar e para descansar como é próprio da criatura humana.

Não desejo tecer louvores à preguiça, mas contribuir para a revisão do catálogo de virtudes, tal como se desenvolveu no mundo ocidental, onde trabalhar parece ser a única atitude digna. Olhar, contemplar, o recolhimento, o silêncio parecem inadmissíveis, ou pelo menos precisam de uma explicação. Assim se atrofiam algumas faculdades essenciais do ser humano.

O nosso frenesim à volta dos tempos livres, mostra que é assim. Muitas vezes isso significa apenas uma mudança de palco. Muitos não se sentiriam bem se não se envolvessem de novo num ambiente massificado e agitado, do qual, supostamente, desejavam fugir.
Seria bom para nós, que continuamente vivemos num mundo artificial fabricado por nós, deixar tudo isso e procurarmos o contacto com a natureza em estado puro.

Desejaria mencionar um pequeno acontecimento que João Paulo II contou durante o retiro que pregou para Paulo VI, quando ainda era Cardeal. Falou duma conversa que teve com um cientista, um extraordinário investigador e um excelente homem, que lhe dizia: "Do ponto de vista da ciência, sou um ateu...". Mas o mesmo homem escrevia-lhe depois: "Cada vez que me encontro com a majestade da natureza, com as montanhas, sinto que Ele existe".

Voltamos a afirmar que no mundo artificial fabricado por nós, Deus não aparece. Por isso, temos necessidade de sair da nossa agitação e procurar o ar da criação, para O podermos contactar e nos encontrarmos a nós mesmos.

(*) Card. J. Ratzinger "Esplendor da Glória de Deus" Editorial Franciscana, 2007, pág. 161.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Ainda o Papa e os Bispos portugueses: entrevista Bispo de Setúbal

Entrevista ao Bispo de Setúbal, a propósito da visita «ad limina» que decorreu há poucos dias.

D. Gilberto afirma que se tratou de um encontro que confirma na fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, na comunhão da Igreja e no desejo de dar testemunho do Senhor. Destaca a experiência de comunhão e de universalidade vivida durante aqueles dias, acolhendo os desafios da esperança e da caridade de Papa Bento XVI.

Entrevista a Dom Gilberto Reis, Bispo de Setúbal, a propósito da visita «ad limina» que ocorreu entre o dia 3 a 12 de Novembro em Roma.

Portal Diocesano: A última visita «ad limina» foi há oito anos e na altura o Dom Gilberto era bispo de Setúbal há um ano. Como foi esta visita, comparativamente, e como tem sido daí para cá?
D.Gilberto: A visita «ad limina» é sempre com Pedro – seja no rosto de João Paulo II ou de Bento XVI. Encontro que confirma na fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, na comunhão da Igreja e no desejo de dar testemunho do Senhor. Nestes últimos anos, a Igreja de Setúbal continuou a crescer de muitas formas. Registo o empenho na formação dos leigos e dos formadores e o empenho no cuidado do Seminário e das vocações. A par disso gostaria de sublinhar o investimento feito no aprofundamento feito na palavra de Deus e da Eucaristia com os dois triénios dedicados a estes temas.
Portal Diocesano: Passou pelas várias congregações, o que reteve de essencial?
D.Gilberto: O mais relevante foi a experiência de universalidade da Igreja, da variedade dos órgãos da Cúria Romana e da riqueza do corpo eclesial de Cristo: um corpo tão grande e tão belo que nunca se esgota em nenhuma expressão e em nenhum órgão.
Portal Diocesano: Na mensagem aos Bispos portugueses, o Papa fala “da participação comunitária e nas formas de integração”. Como será na Diocese de Setúbal?
D.Gilberto: O Santo Padre insiste naquilo que é central no Vaticano II: a Igreja, mistério de comunhão com Deus e dos homens entre si. Na nossa Diocese não é diferente das outras dioceses. Muito se tem feito nestes 32 anos de vida, como Diocese, mas há um longo trabalho a realizar sobretudo na mudança de mentalidades. É fácil criar estruturas de comunhão, mas se falta a mentalidade de comunhão, pouco se alcança. Vamos continuar a encontrar meios que nos façam crescer em Igreja-comunhão. Nesse sentido, peço a todos que nos deixemos interpelar pelo desafio do Santo Padre e manifesto muita confiança em todos, nomeadamente no clero e em todos os leigos.
Portal Diocesano: O Papa Bento XVI lembra igualmente que é “preciso mudar o estilo de organização da comunidade eclesial portuguesa […] sendo estabelecida bem a função do clero e laicado, na corresponsabilidade”. O que lhe apraz dizer?
D.Gilberto: Na resposta anterior já deixei elementos que respondem a esta pergunta. Agradeço ao Santo Padre este desafio. Quanto mais conseguirmos que as nossas comunidades sejam lugar, escola e experiência de comunhão, em que todos ajudam e são ajudados a crescer na fé, na esperança e na caridade, tanto mais daremos testemunho de Jesus. Como é belo encontrar uma comunidade em que o padre, pelo seu ministério, ajuda cada um dos fiéis da sua paróquia a descobrir o seu caminho próprio e a desenvolvê-lo, a pô-lo ao serviço do bem comum, de forma orgânica e harmónica. Como é belo e urgente alcançar isto.
Portal Diocesano: “A primeira missão da Igreja é falar de Deus”, afirmou o Sumo Pontífice. Como se fala de Deus na Diocese de Setúbal?
D.Gilberto: Fala-se de Deus, ou melhor, anuncia-se Deus Amor:
a) pelo cuidado dos pobres, dos doentes, dos marginais, dos jovens que têm fome e sede de sentido;
b) pela palavra esclarecida e oportuna, palavra dita de muitas formas;
c) pela oração;
d) pelo testemunho de vida pessoal e comunitária que mostra que, quando Deus é acolhido, é fonte de alegria, de paz, de vida;
Todas estas palavras se completam, mas se falta o testemunho do amor, nada feito. A este propósito, dou graças a Deus por tantos e tão belos testemunhos do amor de Deus que vou encontrando pela diocese inteira.
Portal Diocesano: Qual a mensagem do Bispo para a Diocese depois desta visita? Que desafios deixa esta visita?
D.Gilberto: O desafio da esperança: esperança porque na diocese, como o Santo Padre disse, há muitos sinais de esperança. Esperança, antes de mais, porque Jesus, que nos enviou e colocou aqui, está connosco, é o Ressuscitado e vencedor da morte. Depois, o desafio da caridade: tudo em nós e nas comunidades e serviços exprima, eduque e leve à caridade com que Deus nos santificou no baptismo. Sem este amor de Deus e de uns para com os outros, não amaremos Deus nem nos realizaremos como Igreja e como pessoas. Por fim, o desafio mais concreto, mas difícil, de sermos fiéis e Igreja que escuta, medita, ensina, celebra, vive e testemunha a palavra de Deus.
Se não escutarmos a palavra de Jesus, nos muitos sinais da Sua linguagem, no sermos Igreja, não chegaremos à eucaristia, não seremos luz e fermento, não descobriremos o mistério da vocação de especial consagração, nomeadamente a vocação sacerdotal.
Ajudemo-nos uns aos outros a ser discípulos de Jesus para sermos suas testemunhas e apóstolos.

Setúbal, 16 de Novembro de 2005
Pe. Marco Luis

Foi um encontro cordial que D. Gilberto Reis, Bispo de Setúbal teve com o Papa Bento XVI. Encontro individual que se realizou na sexta-feira, dia 9 de Novembro à tarde.O Sumo Pontífice olha para a Diocese de Setúbal com esperança.
D. Gilberto afirma que «o Papa estava dentro das grandes linhas da diocese, certamente através da leitura do relatório que foi enviado, como preparação da visita. O Santo Padre foi perguntando por varias situações humanas e eclesiais da nossa diocese, fundamentalmente. Também lhe disse que rezamos por ele e perguntei-lhe se podia dizer à diocese que dava bênção especial para a diocese e em particular para o clero, jovens, irmãs contemplativas. Ele disse que sim.»
Quanto ao que se tem feito na Diocese de Setúbal «gostou de ouvir falar do triénio dedicado à Eucaristia e do triénio da Sagrada Escritura, que ainda estamos a viver.»
O Bispo de Setúbal falou ao Papa Bento XVI da baixa percentagem da prática dominical em Setúbal, que ele aliás já sabia. Igualmente referiu as várias iniciativas da diocese, «ao que ele disse que eram sinais de esperança muito bonitos, que nos fazem pensar no futuro com muita esperança.»
D. Gilberto, na alegria que as fotografias do encontro bem revelam, falou ao Papa de várias realidades eclesiais: «Disse-lhe que temos bons catequistas, falei-lhe do empenho na sua formação, concretamente este ano e no ano passado, igualmente do empenho na pastoral das vocações, referindo a dificuldade de apresentar Cristo neste mundo com cultura própria, com dificuldades em acolher o Evangelho» ao que Bento XVI respondeu «que há que continuar a anunciar Cristo e ter esperança.»

domingo, novembro 18, 2007

O Papa e a crise actual da Igreja

Neste momento em que tantos julgando saber de tudo se pronunciam sobre o significado do que o Papa disse aos Bispos portugueses é bom recordar este despacho da Zenit de 7 de Dezembro de 2006:

Resposta à crise atual da Igreja, segundo Papa

Anunciar a grandeza do amor de Deus que se experimenta na oração

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 7 de dezembro de 2006 (ZENIT.org).- A resposta à crise que a Igreja experimenta, particularmente no Ocidente, consiste em anunciar e fazer redescobrir a grandeza do amor experimentada na oração, considera Bento XVI.
O Santo Padre analisou com os bispos suíços os desafios da evangelização hoje em várias reuniões que manteve entre 7 e 9 de novembro, que vieram a Roma para concluir sua visita qüinqüenal «ad limina apostolorum», interrompida em 2005 pela doença de João Paulo II.
Suas duas intervenções, assim como uma homilia, são sumamente reveladoras, pois o Papa as pronunciou sem papéis, em sua língua materna, o alemão. Posteriormente, foram traduzidas pela Santa Sé (podem ser vistas na seção de documentação do serviço deste 7 de dezembro de Zenit).
O Papa começou sua intervenção conclusiva com uma profissão de humildade, ao explicar que não havia encontrado o tempo para preparar seus discursos como ele queria: «apresento-me com esta pobreza, mas talvez ser pobre em todos os sentidos convém também a um Papa neste momento da história da Igreja».
«Em todo caso, agora não posso pronunciar um grande discurso, como conviria depois de um encontro com estes frutos», afirmava. Para enfrentar a crise atual da Igreja, recordou que «quando ia eu para Alemanha, nas décadas de 1980 e 1990, me pediam entrevistas e sempre me davam por antecipado as perguntas». «Tratava-se da ordenação de mulheres, da anticoncepção, do aborto e de outros problemas como estes, que voltam continuamente à atualidade», explicou. «Se nos deixamos arrastar por estas discussões, então a Igreja se identifica com alguns mandamentos ou proibições, e nós somos etiquetados de moralistas com algumas convicções passadas de moda, e a verdadeira grandeza da fé não se aprecia», constatou. «Por isso -- assegurou --, creio que é fundamental destacar continuamente a grandeza de nossa fé, um compromisso do qual não devemos permitir que essas situações nos afastem.» Desde esta perspectiva se entendem os grandes documentos deste pontificado, em particular, sua encíclica «Deus caritas est» e o anúncio para a primavera de um livro centrado em Jesus.
«Deus é “Logos” e Deus é “Amor”, até o ponto de que se fez totalmente pequeno, assumindo um corpo humano, e ao final se entregou como pão em nossas mãos», explicou.
«Sabemos que Deus não é uma hipótese filosófica; não é algo que “talvez” exista; mas que nós o conhecemos e ele nos conhece. E podemos conhecê-lo cada vez melhor se permanecermos em diálogo com Ele», indicou.
Por isso, propôs, a pastoral deve ter como «missão fundamental ensinar a orar e aprender pessoalmente cada vez mais».
«Muitos buscam a meditação em alguma outra parte, porque pensam que no cristianismo não podem encontrar a dimensão espiritual -- constatou. Nós devemos mostrar-lhes de novo que esta dimensão espiritual não só existe, mas também é a fonte de tudo.»
«Com este fim, devemos multiplicar essas escolas de oração, onde se ensine a orar juntos, onde se possa aprender a oração pessoal em todas suas dimensões: como escuta silenciosa de Deus, como escuta que penetra em sua Palavra, que penetra em seu silêncio, que sonda sua ação na história e em minha pessoa.»
«Este íntimo estar com Deus e, portanto, a experiência da presença de Deus, é o que nos permite experimentar continuamente, por dizer assim, a grandeza do cristianismo, e depois nos ajuda também a atravessar todos os detalhes que, certamente, devemos viver e realizar, dia a dia, sofrendo e amando, na alegria e na tristeza.».
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quinta-feira, novembro 15, 2007

O discurso do Papa aos Bispos portugueses

Pode encontrar-se em: http://www.ecclesia.pt/videobentoxvi.wmv.

Sobre o significado das palavras do Papa e sendo ainda cedo para medir o justo alcance e sobretudo o desafio que representam para todos nós, os católicos, há esta nota da Lusa que retoma declarações belíssimas obtidas junto do Opus Dei.
Transcrevo e partilho:

Religião: Bento XVI lançou desafio a todos os cristãos portugueses - Opus Dei
Fonte: Lusa12 de Novembro de 2007, 18:43
Lisboa, 12 Nov (Lusa) - A Opus Dei considera que o Papa Bento XVI lançou a todos os cristãos portugueses, mais do que uma crítica, um desafio para a intensificação da aplicação do Concílio Vaticano II, disse hoje à Lusa uma fonte daquela instituição católica.
No seu discurso final aos bispos, que marcou o encerramento da visita "Ad Limina" da hierarquia católica portuguesa ao Vaticano, no domingo, Bento XVI defendeu um novo estilo de organização da Igreja em Portugal.
"É preciso mudar o estilo de organização da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros para se ter uma Igreja ao ritmo do Concílio Vaticano II, na qual esteja bem estabelecida a função do clero e do laicado", afirmou o Papa.
Bento XVI considerou que este novo modelo eclesial é a "rota certa a seguir", mas sem valorizar em demasia as questões organizativas da própria Igreja.
Para a Opus Dei, na sua intervenção o Papa lançou a todos os cristãos portugueses, e não só aos bispos, um desafio que é muito mais um estímulo do que uma crítica, apelando à intensificação da aplicação do II Concílio do Vaticano, que "sempre foi, aliás, uma preocupação muito viva dos bispos portugueses".
O desafio lançado por Bento XVI, refere a Opus Dei, inclui três elementos: "Devolver a Deus a primazia", "Que os padres sejam padres e que os leigos sejam leigos" e a "Comunhão na Igreja".
No que respeita ao primeiro elemento - "Devolver a Deus a primazia" -, a instituição católica refere que "tem-se tentado construir o mundo prescindindo de Deus, agora é altura de voltar a colocá-lo no 'prime time' do quotidiano".
Relativamente ao segundo elemento - "Que os padres sejam padres e que os leigos sejam leigos " -, a Opus Dei explica que os cristãos leigos (profissionais de todos os sectores, homens e mulheres, casados e solteiros, sãos e doentes, ricos e pobres) são responsáveis por tornar Deus presente nas famílias e na sociedade.
"É a sua competência. Mas para 'dar' Deus têm de 'ter' Deus. Para isso, são imprescindíveis os padres. São os padres que permitem aos leigos encontrar Deus na Eucaristia e nos restantes sacramentos, através do ensino e pregação, e com a assistência pessoal a cada um. É a sua competência", refere um documento da Opus Dei enviado à Lusa.
Já no que se refere à "Comunhão da Igreja", a Opus Dei explica que é boa a diversidade de experiências e caminhos, podendo aprender todos uns dos outros, em sintonia plena com os bispos.
A Opus Dei é uma instituição da Igreja Católica fundada por Josemaria Escrivã de Balaguer e que colabora com as igrejas locais, organizando encontros de formação cristã (aulas, retiros, atendimento sacerdotal) destinados a quem tenha o desejo de renovar a sua vida espiritual e o seu apostolado.
GC.
Lusa/Fim

sábado, novembro 10, 2007

A alegria e paz do Papa Bento XVI-um testemunho da Aura Miguel

Através da lista electrónica Povo acabo de receber este texto que muito me impressionou a mim que ando sempre afogado e aflito em tarefas, mobilizações, reuniões e iniciativas...:

A serenidade e alegria que tanto desejamos não é questão de idade.

Os bispos de Portugal estão em Roma. Um a um são recebidos pelo Papa para falar da sua diocese. Cada encontro dura cerca de 15 minutos. E é marcado também pela maneira de ser de cada prelado e pela diversidade das terras que representam. É, por isso, grande a variedade da Igreja portuguesa, como num mosaico…
Há, no entanto, uma coisa que todos os bispos – um a um – sublinham impressionados, quando saem da audiência: é a alegria e disponibilidade de Bento XVI. O seu sorriso e a serenidade com que o Papa acolhe cada um é surpreendente. Isto mesmo já tinham notado os italianos, no dia em que Bento XVI celebrou 80 anos. Aquele rosto tão tranquilo e cheio de certezas é o reflexo de algo maior do que ele, que vem de dentro, de alguém que, depois de velho, aceitou o vertiginoso desafio de conduzir a Igreja e confirmar os seus irmãos na fé.
Está provado. A serenidade e alegria que tanto desejamos não é questão de idade. Na sua raiz está uma promessa de plenitude que muitos já experimentam e da qual Bento XVI é um poderoso sinal.
Aura Miguel