Foi o diário da acção política de um deputado do PSD, eleito por Braga, e agora é-o de um cidadão que desejando contribuir activamente para a organização do bem comum, procura invadir esse âmbito (da política) com aquele gosto de vida nova que caracteriza a experiência cristã. O título "POR CAUSA DELE" faz referência ao manifesto com o mesmo título, de Comunhão e Libertação, publicado em Janeiro de 2003 (e incluído no Blog).
segunda-feira, março 11, 2013
Berlusconi ou do desprezo da esquerda pelo povo
Hoje Berlusconi tinha uma nova audiência em tribunal, uma das muitas da ofensiva contra ele da magistratura italiana. Um grupo numeroso de deputados e senadores, recém-eleitos pelo Popolo della Libertá, manifestou-se em solidariedade com ele, como mostra a fotografia acima.
A polémica, as reacções e o escândalo disto tudo estão a ser bem cobertos pelo Corriere dela Sera como se pode ver aqui.
A mim o que me escandaliza é além do moralismo contraditório da esquerda (estou farto de ver os próceres da liberdade sexual a perseguir a vida privada de Sílvio Berlusconi), a constatação de que esta de facto se está nas tintas para o povo e manifesta pelo seu voto (um terço dos eleitores, 10 milhões, votaram no seu partido, o PdL) um desprezo que não apenas é incompreensível (para quem ainda tiver ilusões sobre as convicções democráticas desse lado do sistema político...) como se arrisca a virar-se contra a própria...
Na verdade...e se não for mesmo possível encontrar uma solução para a actual crise italiana e tiver de haver novas eleições gerais e nestas o PdL superar os 0,4% que o afastam do PD e vencer inequivocamente as eleições? Vão continuar a chamar a Berlusconi e aos que se reconhecem no seu partido (o que não equivale dizer que se reconhecem na sua vida privada ou empresarial) "palhaços"? Muito me ria se fosse isso que acontecesse, que o PdL ganhasse as novas eleições...!
terça-feira, fevereiro 26, 2013
Berlusconi ou de como a realidade tem muita força
segunda-feira, fevereiro 25, 2013
Eleições em Itália: tudo em aberto
Vejo os sites das rádios e pelos vistos ainda está tudo em aberto. Di-lo a Renascença e omite-o cuidadosamente a TSF (ainda devem estar a recobrar do trauma...). Estando tudo em aberto é também cedo para embandeirar em arco com aquela que pode ter sido a grande surpresa para o wishful thinking das esquerdas, da generalidade da comunicação social e toda a comunidade europeia de bem-pensantes e politicamente correctos: o bom resultado do Partido da Liberdade de Berlusconi.
Correndo neste momento também eu o risco de tomar desejos por realidades (saber-me-ia muito bem ver a derrota dos juizes que o derrubaram, da imprensa que tentou destrui-lo a maior velocidade do que os limites do próprio o permitiriam bem como todos os que colaboraram em tirá-lo do poder da forma menos democrática de o fazer) reservo-me para amanhã...
E entretanto seguirei o desfecho no site da Tempi, revista de referência e que é a que melhor noticia a presença pública dos católicos em Itália.
sexta-feira, fevereiro 17, 2012
Baltazar Garzón e os riscos do moralismo individual e histórico
Confesso que sempre me irritou a cruzada moralista a que se entregam tantas magistraturas judiciais por esse mundo fora, sobretudo na Europa. Em Itália a coisa foi ao ponto de terem conseguido (com uma grande ajuda da vitima é verdade...) derrubar um governo legitimamente eleito e em Espanha foi um festival de revisionismo histórico embora muito orientado só para um dos lados (no caso, o lado republicano da guerra civil de Espanha ou a ditadura de Pinochet).
Depois embora admire a virtude, acho que esta é por definição humilde. Ora, a aura impoluta de que se arvoram e em que são arvorados alguns dos personagens idolatrados pelos media tem sempre este risco: no fim, no fundo, trata-se apenas de humanidades tão frágeis como as nossas, mas quando caem o estrondo é despropocionado à falta cometida, em consequência do moralismo protagonizado...nada como aquela consciência católica que levou um Padre meu amigo a observar perante o escândalo de alguns que "não há pecado nenhum, nenhuma barbaridade, que não esteja na potencialidade da minha humanidade. Se aconteceu com um ser humano, podia ter acontecido comigo. A Graça é o que precisamos e do que vivemos para que isso não nos aconteça"...
No caso concreto de Baltazar Garzón ter ido buscar um ancião, ditador de facto mas único na história do século XX que saiu pelo próprio pé, depois de submeter a sua ditadura a referendo da população, ou andar a querer julgar a história (como no caso da guerra civil de Espanha), sempre me pareceram coisas sem razão nem fundamento. E que agora acabam tristemente...
Dito isto reconheço (pensando nas ditaduras militares sul-americanas dos anos 70) que se fosse pai de uma rapariga de, digamos 16 ou 17 anos, presa e torturada por activismo político (ou até no limite por insurreição), tivesse ela sobrevivido ou não a esses mau-tratos, provavelmente (por falta da santidade que já vi e li de tantas e tantas vitimas de violências parecidas ou equivalentes) não descansaria enquanto, pelo menos, os autores dessas barbaridades fossem julgados e condenados, pouco me importando se já tinham ou não passado 40 anos sobre os factos, se já se tinham arrependido (no que não acreditaria) ou não fazia mais sentido por prescrição ou outra razão qualquer, julgá-los...mas reconheço também o que me moveria nesse caso: vingança. O que não é o mesmo que justiça...
terça-feira, novembro 22, 2011
Três artigos com muito interesse: Espanha, Itália (Berlusconi) e Homoparentalidade
De como Berlusconi não está morto mas com tempo e até 2013 se pode retomar a iniciativa politica e não deixar a Itália cair na armadilha socialista: aqui.
Um juizo implacável sobre a Espanha de Zapatero e todo um programa que a nova maioria do PP tem pela frente (um artigo do meu amigo Mário Mauro, eurodeputado da Forza Itália, um amigo de Portugal e dos católicos que por cá tentam construir uma presença de serviço do bem comum, especialista em liberdade de educação, orador no primeiro encontro do Fórum para a Liberdade de Educação).
Um artigo brilhante do Padre Gonçalo Portocarrero sobre a ideologia de género e a insidiosa ofensiva gay da homoparentalidade, saído no blog do Padre Nuno Serras Pereira.
sexta-feira, junho 10, 2011
Uma observação: Madoff
E, numa outra perspectiva, acho que há um pessimismo exagerado na maior parte das intervenções de Maria José Morgado. No entanto o artigo desta que hoje saíu no Expresso "A Síndroma de Madoff" é de facto impressionante sobre a impunidade prática do crime de colarinho branco e sobre a vergonha que é o sistema europeu de justiça quando comparado com o americano...vale a pena ler.
terça-feira, maio 31, 2011
A perda de Milão e Berlusconi
É verdade que como me dizia um amigo, citando uns comuns amigos italianos, "está cada vez mais dificil defender o Berlusconi", mas é de repudiar vivamente uma campanha moralista conduzida por quem (a esquerda)sempre defendeu o maior dos desregramentos moral e social, que morre de fúria por não ter conseguido derrubar o homem em eleições e no fundo o que mais teme é o bom senso do Premier em algumas questões fracturantes...
Como não o conseguiram derrubar democraticamente, eis que usam os tribunais e os media, numa campanha de desgaste a que não resisitiria o mais santo dos homens, quanto mais Berlusconi...
Pode ser dificil de entender mas, salvo a clara ilegalidade (eventual abuso de poder ou infracção de normas penais) pouco importa se Berlusconi se porta bem ou mal nas festas que entende fazer. Dos pecados não deve curar a politica ou a sociedade, mas apenas ele e o seu confessor...mais vale um mulherengo que decida bem, do que um "santinho" que decida mal! (veja-se a esse propósito a óptima entrevista de Vittorio Messori aqui)
domingo, fevereiro 17, 2008
Pela moratória universal do aborto: grande Berlusconi!
Itália: Berlusconi começa campanha eleitoral contra o aborto
In http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=318345
O chefe da direita italiana Silvio Berlusconi introduziu terça-feira o tema ultra-sensível do aborto logo no início da campanha eleitoral, apoiando uma moratória universal e defendendo a ideia do reconhecimento do direito à vida «desde a sua concepção».
Berlusconi disse ao semanário Tempi que as Nações Unidas deviam reconhecer como direito humano o direito à vida desde a «concepção até à morte natural», usando a mesma terminologia que o Vaticano para expressar a sua oposição ao aborto.
Algumas horas depois Berlusconi suavizou as suas declarações defendendo que este assunto devia «ficar fora» da campanha eleitoral».
«Penso que o reconhecimento do direito à vida desde a sua concepção até à morte natural poderia ser um princípio da ONU, como para a moratória sobre a pena de morte adoptada depois de um longo e difícil debate», declarara Berlusconi citado hoje de manhã pelos jornais que retomavam uma breve declaração feita pelo candidato a um suplemento cultural do Tempi.
Nessa declaração afirmava: «Sobre este assunto, a regra da nossa coligação política é a liberdade de consciência».
Os media deram uma ampla cobertura a esta declaração vendo nela o começo da caça aos votos dos católicos para as eleições legislativas antecipadas de 13 e 14 de Abril.
A ideia de uma moratória sobre o aborto, a exemplo da que existe para a pena de morte apoiada por uma resolução recente da ONU, foi lançada em Itália pelo jornalista de direita Giuliano Ferrara e bem recebida pelo episcopado.
Todavia, hoje, durante a gravação da emissão televisiva «Porta a porta», Silvio Berlusconi relativizou as suas declarações afirmando que o aborto era um tema que «devia ficar fora desta campanha eleitoral» e que esta questão «não devia regressar à arena política».
O aborto é autorizado em Itália desde 1978 mas a Igreja católica continua a usar a sua influência na classe política e nos meios médicos para relançar o debate sobre as condições de aplicação da lei.
A senadora Paola Binetti, que pertence ao partido democrata de Walter Veltroni (esquerda) e membro da Opus Dei, saudou hoje no Corriere della Sera a tomada de posição de Silvio Berlusconi. «Ele disse ao mundo católico que não deve ter medo dele e que a vida não sofrerá agressões por parte do seu partido».
Em contrapartida, uma outra personalidade de esquerda, a dirigente radical Emma Bonino, qualificara sexta-feira no semanário Espresso a campanha para uma moratória sobre o aborto «como um circo político» cujo «único objectivo é fazer uma cruzada ideológica para impor a divisão, particularmente no centro-esquerda».
Diário Digital / Lusa
13-02-2008 0:25:00



