Foi o diário da acção política de um deputado do PSD, eleito por Braga, e agora é-o de um cidadão que desejando contribuir activamente para a organização do bem comum, procura invadir esse âmbito (da política) com aquele gosto de vida nova que caracteriza a experiência cristã. O título "POR CAUSA DELE" faz referência ao manifesto com o mesmo título, de Comunhão e Libertação, publicado em Janeiro de 2003 (e incluído no Blog).
quinta-feira, outubro 03, 2013
Berlusconi e o "teatro" político italiano: questões sérias em cima do palco
É verdade que poucos políticos neste século (e já desde o anterior) darão tanto o flanco pela sua confusa vida pessoal (para não me alargar sobre a matéria...), a sua complexa vida empresarial e a sua complicada vida política, como Sílvio Berlusconi...e é verdade também os italianos são, em tudo, muito teatrais, e na política daquela grande nação, com facilidade se passa do drama á comédia, da ópera é opereta. Mas nem um facto nem o outro cancelam o facto de que do que se trata é de assuntos sérios, desafios verdadeiros, conflitos vitais.
Infelizmente os aspectos teatrais acima referidos e a distância que nos separa do contexto político e cultural italiano acabam por dificultar muito a compreensão do que se está a passar naquele grande país...se a isso juntarmos o descuido jornalístico, a preguiça na investigação e a preferência dada ao entretenimento, temos então um caldo que torna completamente incompreensível aos portugueses, àqueles que se interessam por política e aos que amam a Itália, o que se está a passar. Por isso vale a pena:
- saber das razões de Berlusconi para ter tentado provocar a queda do governo de Enrico Letta
- perceber que tentar distinguir a questão judicial da questão política é um esforço vão e perigoso naquele país e em especial no que a Sílvio Berlusconi respeita
- dar-se conta do que está na origem do recuo de Berlusconi e dos promissores desenvolvimentos que esse facto (a mudança dos equilíbrios no Pdl) que o origina (ao recuo) pode trazer
- e, já agora, ouvir e ver o próprio Sílvio Berlusconi no debate de ontem
Feito isso então sim, se pode ajuizar o que se passou, para além das generalidades e das generalizações. E, curiosamente, muito a aprender que seria muito útil acontecesse também na política portuguesa e no centro-direita em especial.
terça-feira, outubro 01, 2013
Da intolerância do lobby gay: um exemplo
Já uma vez no Prós e Contras sobre o casamento gay alertei para o facto da intolerância do lobby gay ser hoje em dia, na Europa ou no mundo ocidental em geral, uma ameaça maior á liberdade. Na verdade uma coisa é bater-se pelo direito a viver a própria vida como se entende e outra é atacar quem sobre a vida não tenha a mesma visão. Na verdade quer tem direito a firma Barilla a dizer "para nós a família é assim" como o lobby gay em dizer "nesse caso não vamos consumir o vosso produto". Já totalmente diferente é partir daí para acusações de homofobia...Tenho recebido ás dezenas notícias abaixo (quem quiser ir seguindo o assunto tem aqui um bom site não apenas a esse propósito). Fica este "exemplo":
Pasta firm Barilla boycotted over 'classic family' remarks

Guido Barilla, who controls the fourth-generation Barilla Group family business with his two brothers, sparked outrage among activists, consumers and some politicians when he said he would not consider using a gay family to advertise Barilla pasta.
"For us the concept of the sacred family remains one of the basic values of the company," he told Italian radio on Wednesday evening. "I would not do it but not out of a lack of respect for homosexuals who have the right to do what they want without bothering others … [but] I don't see things like they do and I think the family that we speak to is a classic family."
Asked what effect he thought his attitude would have on gay consumers of pasta, Barilla said: "Well, if they like our pasta and our message they will eat it; if they don't like it and they don't like what we say they will … eat another."
In response, Aurelio Mancuso, chairman of Equality Italia, accused Barilla of being deliberately provocative. "Accepting the invitation of Barilla's owner to not eat his pasta, we are launching a boycott campaign against all his products," he added.
Within hours, the hashtag 'boicotta-barilla' was trending on Twitter. The Barilla chairman issued a statement saying that he was sorry if his remarks had caused offence and that he had only been trying to draw attention to the "central role" played by women within the family.
"I apologise if my words generated misunderstandings or arguments, or if they offended the sensibilities of some people," he said.
The interview started by asking Barilla what he thought of an appeal made on Tuesday by the speaker of the lower house of parliament, Laura Boldrini, to change the often stereotypical image of women in Italian advertisements.
"There are some adverts … which, when I see them, I think, 'but would this advert be broadcast in other countries? In the United Kingdom would this advert be broadcast?" said Boldrini. "And the answer is certainly not. An advert in which the children and father are all sitting down and the mother is serving at the table cannot be accepted as normal."
Barilla responded by saying Boldrini did not understand the advertising world and women were fundamental to adverts.
He went on to discuss gay rights, saying that he "respected everyone" and was in favour of gay marriage, but against gay adoption.
The remarks provoked anger among many of the politicians who are trying to pass legislation against homophobic crimes.
The country, on whose politics the Catholic church has long exerted a conservative influence, lags behind many other European countries on gay rights. Far from moving towards the legalisation of gay marriage, Italy still does not recognise same-sex civil unions.
Alessandro Zen, an MP for the opposition Left Ecology Freedom party, said: "Here is another example of Italian homophobia. I am taking part in the [Barilla] boycott and invite other MPs – at least those who are not resigning – to do the same."
segunda-feira, março 11, 2013
Berlusconi ou do desprezo da esquerda pelo povo
Hoje Berlusconi tinha uma nova audiência em tribunal, uma das muitas da ofensiva contra ele da magistratura italiana. Um grupo numeroso de deputados e senadores, recém-eleitos pelo Popolo della Libertá, manifestou-se em solidariedade com ele, como mostra a fotografia acima.
A polémica, as reacções e o escândalo disto tudo estão a ser bem cobertos pelo Corriere dela Sera como se pode ver aqui.
A mim o que me escandaliza é além do moralismo contraditório da esquerda (estou farto de ver os próceres da liberdade sexual a perseguir a vida privada de Sílvio Berlusconi), a constatação de que esta de facto se está nas tintas para o povo e manifesta pelo seu voto (um terço dos eleitores, 10 milhões, votaram no seu partido, o PdL) um desprezo que não apenas é incompreensível (para quem ainda tiver ilusões sobre as convicções democráticas desse lado do sistema político...) como se arrisca a virar-se contra a própria...
Na verdade...e se não for mesmo possível encontrar uma solução para a actual crise italiana e tiver de haver novas eleições gerais e nestas o PdL superar os 0,4% que o afastam do PD e vencer inequivocamente as eleições? Vão continuar a chamar a Berlusconi e aos que se reconhecem no seu partido (o que não equivale dizer que se reconhecem na sua vida privada ou empresarial) "palhaços"? Muito me ria se fosse isso que acontecesse, que o PdL ganhasse as novas eleições...!
terça-feira, fevereiro 26, 2013
Berlusconi ou de como a realidade tem muita força
segunda-feira, fevereiro 25, 2013
Eleições em Itália: tudo em aberto
Vejo os sites das rádios e pelos vistos ainda está tudo em aberto. Di-lo a Renascença e omite-o cuidadosamente a TSF (ainda devem estar a recobrar do trauma...). Estando tudo em aberto é também cedo para embandeirar em arco com aquela que pode ter sido a grande surpresa para o wishful thinking das esquerdas, da generalidade da comunicação social e toda a comunidade europeia de bem-pensantes e politicamente correctos: o bom resultado do Partido da Liberdade de Berlusconi.
Correndo neste momento também eu o risco de tomar desejos por realidades (saber-me-ia muito bem ver a derrota dos juizes que o derrubaram, da imprensa que tentou destrui-lo a maior velocidade do que os limites do próprio o permitiriam bem como todos os que colaboraram em tirá-lo do poder da forma menos democrática de o fazer) reservo-me para amanhã...
E entretanto seguirei o desfecho no site da Tempi, revista de referência e que é a que melhor noticia a presença pública dos católicos em Itália.
segunda-feira, outubro 22, 2012
Espanha: e se a Europa se partir toda...?
Os resultados das eleições de ontem no País Basco bem como a subida de tom soberanista na Catalunha tudo conjugado com o referendo que terá lugar na Escócia vem pôr-nos perante um cenário há menos de um ano impensável: se alguns países da União Europeia se partirem o que vai suceder a esta? E quais os reflexos disso na actual crise económica e financeira?
Para um euro-céptico o cenário de uma maior pluralidade de protagonistas na União só pode agradar. Mais vozes são mais dificilmente controláveis por Bruxelas do que o contrário. E povos que acabem de chegar à independência serão menos susceptíveis de aceitar Merkeladas como a do direito de veto de Bruxelas aos orçamentos nacionais...
Mas sobretudo o que se está a passar hoje no Reino Unido, em Espanha e na Bélgica (onde a separação entre a Flandres e a Walónia é cada vez mais um facto) ou em Itália (com a oposição do Norte ao Sul), vem demonstrar que em política não há cenários adquiridos e cada vez mais os povos percebem que não estão condenados a ficar nas mãos das suas elites nem dos seus propósitos utópicos (no caso de uma Europa única centralizada em Bruxelas). E ou estas percebem isso ou então ficaremos nas mãos de movimentos populistas com todos os consequentes riscos...
segunda-feira, junho 25, 2012
Jovem mãe italiana morreu de cancro para dar a luz ao filho
A notícia chegou-me na Newsletter Valores Inegociáveis (todo um programa...! ;-)
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Posted: 24 Jun 2012 06:21 PM PDT
“No
sábado 16, na igreja de Santa Francisca Romana, da capital italiana, foi
celebrado o funeral da jovem Chiara Petrillo, falecida (quarta-feira 13)
depois de dois anos de sofrimento provocado por um tumor.A cerimônia não teve nada de fúnebre: foi uma grande festa em que participaram cerca de mil pessoas, lotando a igreja, cantando e aplaudindo desde a entrada do caixão até a saída. A extraordinária história de Chiara se difundiu pela internet com um vídeo no YouTube, que registrou mais de 500 visualizações em apenas um dia. A luminosa jovem romana de 28 anos, com o sorriso sempre nos lábios, morreu porque escolher adiar o tratamento que podia salvá-la. Ela preferiu priorizar a gravidez de Francisco, um menino desejado desde o começo de seu casamento com Enrico. Não era a primeira gravidez de Chiara. As duas anteriores acabaram com a morte dos bebês logo após cada parto, devido a graves malformações. Sofrimentos, traumas, desânimo. Chiara e Enrico, porém, nunca se fecharam para a vida. Depois de algum tempo, chegou Francisco. As ecografias agora confirmavam a boa saúde do menino, mas, no quinto mês, Chiara teve diagnosticada pelos médicos uma lesão na língua. Depois de uma primeira intervenção, confirmou-se a pior das hipóteses: era um carcinoma. Começou uma nova série de lutas. Chiara e o marido não perderam a fé. Aliando-se a Deus, decidiram mais uma vez dizer sim à vida. Chiara defendeu Francisco sem pensar duas vezes e, correndo um grave risco, adiou seu tratamento para levar a maternidade adiante. Só depois do parto é que a jovem pôde passar por uma nova intervenção cirúrgica, desta vez mais radical. Vieram os sucessivos ciclos de químio e radioterapia. Francisco nasceu sadio no dia 30 de maio de 2011. Mas Chiara, consumida até perder a vista do olho direito, não conseguiu resistir por mais do que um ano. Na quarta-feira passada, por volta do meio dia, rodeada de parentes e de amigos, a sua batalha contra o dragão que a perseguia, como ela definia o tumor em referência à leitura do apocalipse, terminou. Mas na mesma leitura, que não foi escolhida por acaso para a cerimônia fúnebre, ficamos sabendo também que uma mulher derrota o dragão. Chiara perdeu um combate na terra, mas ganhou a vida eterna e deixou para todos um testemunho verdadeiro de santidade. ![]() “Uma nova Gianna Beretta Molla”, definiu-a o cardeal vigário de Roma, Agostino Vallini, que prestou homenagem pessoalmente a Chiara, a quem conhecera havia poucos meses, juntamente com Enrico. “A vida é um bordado que olhamos ao contrário, pela parte cheia de fios soltos”, disse o purpurado. “Mas, de vez em quando, a fé nos faz ver a outra parte”. É o caso de Chiara, segundo o cardeal: “Uma grande lição de vida, uma luz, fruto de um maravilhoso desígnio divino que escapa ao nosso entendimento, mas que existe”. “Eu não sei o que Deus preparou para nós através desta mulher”, acrescentou, “mas certamente é algo que não podemos perder. Vamos acolher esta herança que nos lembra o justo valor de cada pequeno gesto do cotidiano”. “Nesta manhã, estamos vendo o que o centurião viveu há dois mil anos, ao ver Jesus morrer na cruz e proclamar: Este era verdadeiramente o filho de Deus”, afirmou em sua homilia o jovem franciscano frei Vito, que assistiu espiritualmente Chiara e a família no último período. “A morte de Chiara foi o cumprimento de uma prece. Depois do diagnóstico de 4 de abril, que a declarou doente terminal, ela pediu um milagre: não a própria cura, mas o milagre de viver a doença e o sofrimento na paz, junto com as pessoas mais próximas”. “E nós”, prosseguiu frei Vito, visivelmente emocionado, “vimos morrer uma mulher não apenas serena, mas feliz”. Uma mulher que viveu desgastando a vida por amor aos outros, chegando a confiar a Enrico: “Talvez, no fundo, eu não queira a cura. Um marido feliz e um filho sereno, mesmo sem ter a mãe por perto, são um testemunho maior do que uma mulher que venceu a doença. Um testemunho que poderia salvar muitas pessoas…”. A esta fé, Chiara chegou pouco a pouco, “seguindo a regra assumida em Assis pelos franciscanos que ela tanto amava: pequenos passos possíveis”. Um modo, explicou o frade, “de enfrentar o medo do passado e do futuro perante os grandes eventos, e que ensina a começar pelas coisas pequenas. Nós não podemos transformar a água em vinho, mas podemos começar a encher os odres. Chiara acreditava nisto e isto a ajudou a viver uma vida santa e, portanto, uma morte santa, passo a passo”. Todas as pessoas presentes levaram da igreja uma plantinha, por vontade de Chiara, que não queria flores em seu funeral. Ela preferia que cada um recebesse um presente. E no coração, todos levaram um “pedacinho” desse testemunho, orando e pedindo graças a esta jovem mulher que, um dia, quem sabe, será chamada de beata Chiara Corbela”.
Fonte: http://www.zenit.org/article-30612?l=portuguese
acessado em 21 de junho de 2012.
Vídeos relacionados:
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sexta-feira, fevereiro 17, 2012
Baltazar Garzón e os riscos do moralismo individual e histórico
Confesso que sempre me irritou a cruzada moralista a que se entregam tantas magistraturas judiciais por esse mundo fora, sobretudo na Europa. Em Itália a coisa foi ao ponto de terem conseguido (com uma grande ajuda da vitima é verdade...) derrubar um governo legitimamente eleito e em Espanha foi um festival de revisionismo histórico embora muito orientado só para um dos lados (no caso, o lado republicano da guerra civil de Espanha ou a ditadura de Pinochet).
Depois embora admire a virtude, acho que esta é por definição humilde. Ora, a aura impoluta de que se arvoram e em que são arvorados alguns dos personagens idolatrados pelos media tem sempre este risco: no fim, no fundo, trata-se apenas de humanidades tão frágeis como as nossas, mas quando caem o estrondo é despropocionado à falta cometida, em consequência do moralismo protagonizado...nada como aquela consciência católica que levou um Padre meu amigo a observar perante o escândalo de alguns que "não há pecado nenhum, nenhuma barbaridade, que não esteja na potencialidade da minha humanidade. Se aconteceu com um ser humano, podia ter acontecido comigo. A Graça é o que precisamos e do que vivemos para que isso não nos aconteça"...
No caso concreto de Baltazar Garzón ter ido buscar um ancião, ditador de facto mas único na história do século XX que saiu pelo próprio pé, depois de submeter a sua ditadura a referendo da população, ou andar a querer julgar a história (como no caso da guerra civil de Espanha), sempre me pareceram coisas sem razão nem fundamento. E que agora acabam tristemente...
Dito isto reconheço (pensando nas ditaduras militares sul-americanas dos anos 70) que se fosse pai de uma rapariga de, digamos 16 ou 17 anos, presa e torturada por activismo político (ou até no limite por insurreição), tivesse ela sobrevivido ou não a esses mau-tratos, provavelmente (por falta da santidade que já vi e li de tantas e tantas vitimas de violências parecidas ou equivalentes) não descansaria enquanto, pelo menos, os autores dessas barbaridades fossem julgados e condenados, pouco me importando se já tinham ou não passado 40 anos sobre os factos, se já se tinham arrependido (no que não acreditaria) ou não fazia mais sentido por prescrição ou outra razão qualquer, julgá-los...mas reconheço também o que me moveria nesse caso: vingança. O que não é o mesmo que justiça...
terça-feira, novembro 22, 2011
Três artigos com muito interesse: Espanha, Itália (Berlusconi) e Homoparentalidade
De como Berlusconi não está morto mas com tempo e até 2013 se pode retomar a iniciativa politica e não deixar a Itália cair na armadilha socialista: aqui.
Um juizo implacável sobre a Espanha de Zapatero e todo um programa que a nova maioria do PP tem pela frente (um artigo do meu amigo Mário Mauro, eurodeputado da Forza Itália, um amigo de Portugal e dos católicos que por cá tentam construir uma presença de serviço do bem comum, especialista em liberdade de educação, orador no primeiro encontro do Fórum para a Liberdade de Educação).
Um artigo brilhante do Padre Gonçalo Portocarrero sobre a ideologia de género e a insidiosa ofensiva gay da homoparentalidade, saído no blog do Padre Nuno Serras Pereira.
domingo, novembro 23, 2008
Ministro Finanças Itália: "Papa previu colapso dos mercados"
Já não sei quem dizia que a Igreja é perita em humanidade. É quem mais sabe sobre quem é o homem, do que ele é capaz, de quais as consequências das suas acções, etc. Não deve surpreender-nos que assim seja: sendo, a Igreja, criada por Deus, a presença histórica do Criador no mundo por Si criado, quem melhor do que Ele saberá dizer da Sua criação?
Vem isto a propósito das declarações acima do Ministro das Finanças de Itália (reproduzidas no Jornal de Negócios) e do facto de o Papa ter previsto, numa conferência em 1985, a actual crise dos mercados (alguns trechos do discurso dele abaixo mas tenho o ficheiro respectivo em espanhol que enviarei a quem me pedir).
Publicado 20 Novembro 2008 12:40
Economia
Diz ministro italiano das Finanças: Papa previu colapso dos mercados em 1985
O Papa Benedito XVI foi o primeiro a prever a crise no sistema financeiro mundial, uma "profecia" que data de um documento que escreveu quando ainda era cardeal, afirmou hoje o ministro italiano das Finanças, Giulio Tremonti.
Jornal de Negócios Online
negocios@mediafin.pt
CarlaPedro
cpedro@mediafin.pt
O Papa Benedito XVI foi o primeiro a prever a crise no sistema financeiro mundial, uma profecia que data de um documento que escreveu quando ainda era cardeal, afirmou hoje o ministro italiano das Finanças, Giulio Tremonti.“A previsão de que uma economia indisciplinada iria colapsar devido às suas próprias regras” pode ser encontrada num texto escrito por cardeal Joseph Ratzinger, que se tornou Papa em Abril de 2005, referiu ontem Tremonti, citado pela Bloomberg.Ratzinger apresentou em 1985 um documento intitulado “Market Economy and Ethics”, num evento dedicado à Igreja e à economia. O então cardeal disse que o declínio observado ao nível da ética poderia “levar a um colapso das leis do mercado”.No passado dia 7 de Outubro, o Papa salientou, a propósito da crise nos mercados, que o dinheiro não vale nada e que a única realidade sólida é a palavra de Deus.O jornal oficial do Vaticano, o Osservatore Romano, criticou no mesmo dia o modelo de mercado livre por ter crescido demasiado, e da forma errada, nas últimas duas décadas, sublinhou a Bloomberg.Recorde-se que os mercados accionistas estão em queda generalizada a nível mundial, com a Europa a cair hoje mais de 2% na maioria das principais bolsas.
Alguns trechos do discurso do então cardeal Ratzinger:
Durante mucho tiempo la ética económica se consideró, por consiguiente, expresión hueca, dado que en la economía se trataría de efectividad y no de moralidad.
Era la lógica interna del mercado la que nos debía liberar de la necesidad de tener que apoyarnos en la mayor o menor moralidad de los diferentes agentes del mercado.
El juego correcto de las reglas del mercado era lo que mejor garantizaría el progreso y la justicia distributiva.
Los grandes éxitos que esta teoría logró en determinados terrenos impidieron durante mucho tiempo advertir cuáles eran sus límites.
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Pese a que este criterio de las leyes del mercado apunta a la libertad de los diferentes agentes económicos y en tal sentido merece el calificativo de libertario, es esencialmente determinista.
Presupone que el libre juego de las fuerzas del mercado, tal cual son los hombres y el mundo, sólo puede actuar en un sentido, o sea en función de la autorregulación de la oferta y la demanda, es decir, en función de la efectividad y del progreso económico.
Este determinismo, donde el hombre -con una libertad aparente- en el fondo no actuaría sino en función de las leyes inalterables del mercado, presupone también una condición muy distinta y quizás aún más asombrosa: que las supuestas leyes naturales del mercado son esencialmente buenas y que propenden necesariamente hacia lo bueno.
Sin la intención de penetrar en un análisis detallado, quiero recalcar una frase de Peter Soslowski que va al centro de las cuestión: "La economía no es gobernada sólo por leyes económicas, sino que está determinada por hombres".
Aun cuando la economía de mercado se basa en la integración del individuo a una determinada red de normas, no puede hacer superfluo al hombre excluyendo su libertad ética del quehacer económico.
Hoy se tienen cada vez más evidencias de que el desarrollo de la economía mundial también guarda relación con la evolución de la familia humana, y que para el desarrollo de la comunidad internacional cobra sustancial significación el desarrollo de las fuerzas espirituales del hombre.
También las fuerzas espirituales son un factor económico: las reglas del mercado sólo funcionan cuando existe un consenso moral básico que las sostiene.
segunda-feira, novembro 17, 2008
O assassinio de Eluana Englaro: comunicado de Medecina e Persona
ELUANA ENGLARO: O PRIMEIRO CASO DE HOMICÍDIO LEGAL EM ITÁLIA
Só podia ser este o título de um comunicado de imprensa que diga a verdade sobre toda a história de Eluana. Visto que em Itália não existe uma lei sobre a eutanásia, o homicídio de Eluana é levado a cabo pela via legal, ou seja, é obtido através da autorização dos juízes. A partir de hoje poder-se-á matar – basta que se queira – doentes estáveis, crónicos, incuráveis: pacientes em estado vegetativo, pacientes em condições terminais, idosos que já não são úteis à sociedade. No fundo, poder-se-á matar quem quer que “presumivelmente” tenha pedido para morrer, e que se encontre numa situação em que não pode mudar de ideias ou de pedir ajuda, mediante a suspensão de água e comida, talvez depois da consulta de um juiz.
Era esta a sociedade que queríamos, na qual queremos viver?
Os juízes
- Deslegitimaram a Constituição Italiana
- Agiram contra o Código Civil e contra o Código Penal
Eles não serão imputáveis: são imunes graças à autoridade que lhes é reconhecida. Eles não serão imputáveis: mas quem mata sê-lo-á.
Temos que nos perguntar: “Como é possível que, actualmente, o culpado, o que mata, não seja imputável?”. A resposta está contida na atitude de piedade cruel – típica do nosso tempo – por detrás da qual se esconde uma lógica de todo nova na história. É a mesma lógica utilizada na segunda guerra mundial: hoje, através da mesma lógica ideológica, em nada diferente daquela, eliminam-se os mais débeis e os indefesos.
Venceu uma interpretação do direito da pessoa entendido como “autodeterminação” que representa uma deformação em relação ao que é afirmado pelo Código de Deontologia médica e pela própria Constituição.
Levaram a melhor a má consciência, e a possibilidade de arbítrio sobre quem seja digno de viver e quem o não seja.
Esta lógica desafiou a sabedoria da soberania popular que deu origem à nossa Constituição, e a cultura que daí nasceu.
Esta lógica acabou por prevalecer.
O que aconteceu torna-se ainda mais preocupante porque agora já nenhuma lei poderá ser respeitada: alguns juízes contornam a lei – até as que existem – e criam uma nova era, a era da ética do mais forte sobre o mais débil, com o auxílio do direito. Mas não tínhamos partido de uma justiça igual para todos?
Não deveria ser ainda hoje este o objectivo da justiça?
Que vergonha.
Medicina e Persona
13 novembre 2008
Itália: autorizado judicialmente o homicidio de Eluana Englaro
Solidariedade. Clínica oferece-se para tratar Eluana "sem pedir nada em troca"
Associação de deficientes interpõe recurso junto de Tribunal de Estrasburgo
O Supremo Tribunal de Itália autorizou ontem os médicos a desligarem os sistemas de apoio à vida [leia-se: provocar a morte por fome e desidratação] de Eluana Englaro, de 37 anos, em coma desde Janeiro de 1992 devido a um acidente automóvel.
A decisão do Supremo vem confirmar uma sentença do Tribunal de Relação de Milão, proferida em Julho, em que autorizava o pai de Eluana, Beppino Englaro, a pôr fim à vida da filha. Este classificou a decisão como prova da existência do "Estado de Direito" em Itália.
Uma associação de pessoas deficientes vai recorrer do acórdão do Supremo para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, em Estrasburgo, enquanto a instituição religiosa onde Eluana é assistida desde 1993 se ofereceu para continuar a fazê-lo a título gratuito. A clínica Beato Luigi Talamoni, de Milão, divulgou um comunicado anunciando que as freiras que tratam Eluana se oferecem para continuar a acompanhá-la "sem pedir nada em troca". "Se há quem a considere morta, que deixe Eluana connosco, que a sentimos viva".
Para Beppino Englaro, a sua filha "morreu no dia do acidente". Em declarações ao La Repubblica, Englaro afirmou que os magistrados "souberam colocar-se no lugar de Eluana" e entender o "seu estado vegetativo irreversível, estado que não existe na natureza, ao passo que a medicina pode levar ao extremo a alimentação forçada e a terapia, mesmo quando estas já não servem para nada".
Opinião contrária foi expressa pelo subsecretário de Estado do Interior, Alfredo Mantovano, que definiu a decisão do Supremo como "uma forma velada de eutanásia e de homicídio consentido". A Constituição italiana, ainda que interdite o fim voluntário da vida, concede aos pacientes o direito a recusarem tratamento. A questão é se este quadro legal se aplica ao caso de Eluana.
Também o Vaticano condenou a atitude da justiça italiana. "É uma derrota para Eluana, uma jovem que vive, que respira de maneira autónoma, que desperta e dorme, que tem vida", afirmou o presidente da Academia Pontifícia para a Vida, Rino Fisichella, à Rádio Vaticano. Por seu lado, o responsável da Pastoral para a Saúde, cardeal Lozano Barragán, equiparou o acórdão do Supremo italiano à condenação de Eluana "a um fim monstruoso", a um "homicídio, em que a vão deixar morrer de fome e sede".
Com Patrícia Jesus e agências
domingo, fevereiro 17, 2008
Pela moratória universal do aborto: grande Berlusconi!
Itália: Berlusconi começa campanha eleitoral contra o aborto
In http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=318345
O chefe da direita italiana Silvio Berlusconi introduziu terça-feira o tema ultra-sensível do aborto logo no início da campanha eleitoral, apoiando uma moratória universal e defendendo a ideia do reconhecimento do direito à vida «desde a sua concepção».
Berlusconi disse ao semanário Tempi que as Nações Unidas deviam reconhecer como direito humano o direito à vida desde a «concepção até à morte natural», usando a mesma terminologia que o Vaticano para expressar a sua oposição ao aborto.
Algumas horas depois Berlusconi suavizou as suas declarações defendendo que este assunto devia «ficar fora» da campanha eleitoral».
«Penso que o reconhecimento do direito à vida desde a sua concepção até à morte natural poderia ser um princípio da ONU, como para a moratória sobre a pena de morte adoptada depois de um longo e difícil debate», declarara Berlusconi citado hoje de manhã pelos jornais que retomavam uma breve declaração feita pelo candidato a um suplemento cultural do Tempi.
Nessa declaração afirmava: «Sobre este assunto, a regra da nossa coligação política é a liberdade de consciência».
Os media deram uma ampla cobertura a esta declaração vendo nela o começo da caça aos votos dos católicos para as eleições legislativas antecipadas de 13 e 14 de Abril.
A ideia de uma moratória sobre o aborto, a exemplo da que existe para a pena de morte apoiada por uma resolução recente da ONU, foi lançada em Itália pelo jornalista de direita Giuliano Ferrara e bem recebida pelo episcopado.
Todavia, hoje, durante a gravação da emissão televisiva «Porta a porta», Silvio Berlusconi relativizou as suas declarações afirmando que o aborto era um tema que «devia ficar fora desta campanha eleitoral» e que esta questão «não devia regressar à arena política».
O aborto é autorizado em Itália desde 1978 mas a Igreja católica continua a usar a sua influência na classe política e nos meios médicos para relançar o debate sobre as condições de aplicação da lei.
A senadora Paola Binetti, que pertence ao partido democrata de Walter Veltroni (esquerda) e membro da Opus Dei, saudou hoje no Corriere della Sera a tomada de posição de Silvio Berlusconi. «Ele disse ao mundo católico que não deve ter medo dele e que a vida não sofrerá agressões por parte do seu partido».
Em contrapartida, uma outra personalidade de esquerda, a dirigente radical Emma Bonino, qualificara sexta-feira no semanário Espresso a campanha para uma moratória sobre o aborto «como um circo político» cujo «único objectivo é fazer uma cruzada ideológica para impor a divisão, particularmente no centro-esquerda».
Diário Digital / Lusa
13-02-2008 0:25:00
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Manifesto de apoio ao Papa
OUTRA VERGONHA
PARA ITÁLIA
Os Papas puderam falar em qualquer lugar do mundo (Cuba, Nicarágua, Turquia, etc.). O único lugar onde o Papa não pode falar é na Universidade La Sapienza, uma universidade, que além do mais, foi precisamente fundada por um pontífice.
Isto põe em evidência dois factos muito graves:
1) a incapacidade do governo italiano de garantir o direito de expressão em território italiano a um Chefe de Estado estrangeiro, que é além do mais Bispo de Roma e guia espiritual de um bilião de pessoas. Em compensação, grupos minoritários, conseguem o apoio, inclusivamente de instâncias institucionais, para impedir o que a esmagadora maioria das pessoas espera e deseja;
2) a decadência cultural da universidade italiana, que torna possível que um ateneu como a La Sapienza corra o risco de se tornar numa "descarga" ideológica.
Como cidadãos e como católicos estamos indignados por tudo o que aconteceu e estamos entristecidos por Bento XVI a quem nos sentimos ainda mais ligados, reconhecendo nele o defensor - por força da sua fé - da razão e da liberdade.
Comunhão e Libertação
15 de Janeiro de 2008







