Por muito pouca margem Hollande ganhou a Sarkozy...leio no Público que apenas metade dos eleitores de Marine Le Pen votaram nele de onde se conclui que uma natural teimosia política (a vontade de afirmação de um espaço próprio na perspectiva das legislativas somado a um não querer perder a face) vai ter este custo elevado: vão apanhar com um presidente socialista e ver o que é bom...
Assinalo-o porque o fenómeno (votar por "questões de princípio" ou preconceitos humanos) não ocorre só em França nem com eleitorados de extrema-direita. Também em Portugal os puristas de serviço costumam ficar todos contentes com o facto de terem deixado bem vincada a sua posição e dessa forma, muitas vezes, desarmam iniciativas mais abrangentes que não deixariam o resultado final ser tão fraquinho ou embaraçoso...sucede na extrema-esquerda portuguesa com muita frequência e às vezes nas movimentações civicas da Vida e Família com algumas das suas franjas marginais. Sucede aliás em todos os campos e momentos políticos.
Quer isto dizer que não se deva às vezes vincar posições (vide o que aconteceu com o eleitorado do Não ao aborto na última eleição presidencial em relação a Cavaco [250 mil eleitores não alinharam com ele])? Não. Nesse caso, por exemplo era mesmo preciso dar uma lição aos barões do centro-direita e demonstrar que as decisões políticas (no caso a falta de reacção à agenda fracturante dos socialistas) podem ter consequências. Ou seja, havia um ganho político concreto. Ora, no caso acima, não houve ganho político nenhum já que a mesma afirmação de força (independentemente do que se pense de quem dela beneficia, no caso o Front National) poderá ter expressão plena nas legislativas e já se sabe (e ainda bem) que o centro-direita não quer nem pode dar mais a quem se revê em Le Pen...
Claro que como sempre acontece na vida, com mais ou menos feridas, a França há-de sobreviver a Hollande, como já sobreviveu a Miterrand, e nada na política é definitivo ou "mortal"...;-)
Foi o diário da acção política de um deputado do PSD, eleito por Braga, e agora é-o de um cidadão que desejando contribuir activamente para a organização do bem comum, procura invadir esse âmbito (da política) com aquele gosto de vida nova que caracteriza a experiência cristã. O título "POR CAUSA DELE" faz referência ao manifesto com o mesmo título, de Comunhão e Libertação, publicado em Janeiro de 2003 (e incluído no Blog).
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segunda-feira, maio 07, 2012
Sarkozy: é uma pena...
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sexta-feira, maio 04, 2012
Sarkozy: um combatente
De acordo com o Público de hoje: "Uma sondagem do Instituto LH2 revela que Hollande foi considerado o mais convicente, sério e simpático dos dois e Sarkozy o mais dinâmico, credível e competente e com maior estatura de Presidente da República". Ou seja, lá como cá durante seis anos, a Miss Simpatia é sempre o candidato socialista mas no que toca a fiabilidade é preciso votar no candidato do centro-direita...
Estou muito curioso por ver o que se vai passar no Domingo e se, no fim, Sarkozy consegue a empresa dificil (mas tão necessária) de dar a volta ao resultado (das sondagens). O que não é impossível porque suspeito que feita a declaração de princípios de Marine Le Pen (que declarou ir votar branco) o seu eleitorado acabará por votar em Sarkozy e o disparate de François Bayrou (sempre me impressionaram aqueles que nos momentos decisivos não sabem distinguir entre o seu campo e o dos outros) não trará mais votos do que ele próprio ao candidato socialista. Mas isso pode ser também um wishfull thinking...
De qualquer das formas ficará sempre a constatação: Nicolas Sarkozy é um combatente e com este muito teriam a aprender tantos dos nossos líderes do centro-direita...
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terça-feira, abril 24, 2012
Eleições americanas: a imposição dos media
Agora que com Santorum fora de jogo nada parece poder evitar que Mitt Romney seja o candidato dos republicanos às presidenciais americanas, os media procuram estabelecer (melhor se diria impor) as regras do debate e o que pode ou não ser defendido por este candidato em campanha...
Sem perceber que o que gera os fenómenos que depois não percebem (como e sem comparação possivel mas apenas para exemplificar o que aconteceu com Marine Le Pen em França) é precisamente que os eleitores estão fartos da conversa enrolada dos "moderados de serviço" e cada vez mais decididos a arriscar (algumas vezes, sobretudo na Europa, infelizmente, é verdade) nos candidatos que "partem a louça toda".
Isto é, a autenticidade e a energia política estão a dar frutos e quem se quiser afastar destas arrisca-se a ficar como os tolos a meio da ponte perdendo o seu espaço natural e não ganhando nada fora deste (domesticamente veja-se o caso de Cavaco que sem ganhar votos à esquerda, perdeu 500 mil à sua direita, com predominio nos conselhos onde o Não no último referendo do aborto havia ganho...).
Concluindo: o que poderá eventualmente fazer Romney vencer é quanto mais republicano este for. Porque para assegurar os valores democratas Obama chega e sobra...!
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segunda-feira, abril 23, 2012
Eleições em França: muito me ria se Sarkozy ganha...
É impressionante como a esquerda, sobretudo a mediática, confunde desejos com realidade e tantas vezes leva ao colo candidatos, partidos e posições políticas, independentemente da sua força real no terrreno ou a importância de pessoas e ideias concorrentes da direita...
Uma das manifestações desse irrealismo foi o entusiasmo com Hollande e Mélenchon, o certificado de óbito político passado a Nicolas Sarkozy e a tentativa desesperada de ignorar o eleitorado que se revê em Marine Le Pen. Mas a realidade tem muita força e impôs-se ao preconceito das esquerdas políticas e mediáticas.
Na verdade olhando para os resultados eleitorais o que se constata é que neste momento a(s) direita(s) têm maioria nas presidenciais e por isso Sarkozy pode ganhar...! Muito me ria...
Nota: dois discursos de Sarkozy são para mim causa da maior simpatia com este. Um é o discurso da tomada de posse intitulado "Vou reabilitar o trabalho". O outro é este pronunciado em São João de Latrão. Extraordinários!
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