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quinta-feira, abril 11, 2013

Na morte de Robert Edwards (o "pai" do primeiro bebé-proveta)



O Público de hoje tem um interessante artigo por ocasião da morte de Robert G. Edwards, o "pai" do primeiro bebé-proveta.

Tenho um juizo critíco sobre a fertilização "in vitro". Não me alongarei aqui sobre o assunto mas remeto para a Encíclica Evangelium Vitae e para esta secção do site da Iniciativa Popular de Referendo à Procriação Medicamente Assistida de que fui director de campanha em 2006. A frase (descritiva da actividade neste campo de Robert Edwards) "Superou barreiras [científicas, tecnológicas e] éticas" ´que sucede ao título e antecede o texto do artigo, resume as minhas objecções.

Mas não sou insensível ao problema da infertilidade e tenho pena não seja conhecida em Portugal a Naprotecnologia a que se refere também o vídeo abaixo. Nem do ponto de vista pessoal (em relação a Robert Edwards) sou indiferente à sensibilidade humana e boas intenções que terão presidido à sua actividade científica e médica. Mas cá está...o Coração não chega. É necessário, como ensinou tantas vezes Bento XVI, o uso da Razão. Na sua mais pura acepção, atendendo à totalidade dos factores...

 



quarta-feira, janeiro 16, 2008

Manifesto de apoio ao Papa

UNIVERSIDADE LA SAPIENZA,
OUTRA VERGONHA
PARA ITÁLIA
Os Papas puderam falar em qualquer lugar do mundo (Cuba, Nicarágua, Turquia, etc.). O único lugar onde o Papa não pode falar é na Universidade La Sapienza, uma universidade, que além do mais, foi precisamente fundada por um pontífice.
Isto põe em evidência dois factos muito graves:
1) a incapacidade do governo italiano de garantir o direito de expressão em território italiano a um Chefe de Estado estrangeiro, que é além do mais Bispo de Roma e guia espiritual de um bilião de pessoas. Em compensação, grupos minoritários, conseguem o apoio, inclusivamente de instâncias institucionais, para impedir o que a esmagadora maioria das pessoas espera e deseja;
2) a decadência cultural da universidade italiana, que torna possível que um ateneu como a La Sapienza corra o risco de se tornar numa "descarga" ideológica.
Como cidadãos e como católicos estamos indignados por tudo o que aconteceu e estamos entristecidos por Bento XVI a quem nos sentimos ainda mais ligados, reconhecendo nele o defensor - por força da sua fé - da razão e da liberdade.
Comunhão e Libertação
15 de Janeiro de 2008

Porque o Papa nao vai a La Sapienza

[transcrevo o email que recebi da lista electrónica "Povo"]
Queridos amigos:
Os recentes acontecimentos em Roma, onde o Papa tinha sido convidado para a abertura do ano académico na Universidade “La Sapienza”, no próximo dia 17, estiveram na origem do cancelamento desta visita. O papa enviará o discurso que tinha preparado para a ocasião, mas não estará presente.
O que é que, então aconteceu?
67 professores subscreveram uma carta ao reitor, Fabricio Guarini pedindo-lhe que cancele o convite que havia endereçado, já que consideram a presença do papa “incongruente” com a laicidade da Universidade. Entre eles figuram Andrea Frova, autor de um livro acerca de Galileu e a Igreja; Luciano Maiani, presidente do Comité Nacional de Investigação (CNR); Carlo Bernardini, Giorgio Parisi y Carlo Cosmelli.
No texto da carta, os profesores referem-se a um facto ocorrido há 18 anos: " No dia 15 de Março de 1990, o então cardeal joseph Ratzinger, num discurso na cidade de de Parma, citou Feyerabend e disse: 'Na época de Galileu, a Igreja permaneceu muito mais fiel à razão que o próprio Galileu. O juízo contra Galileu foi razoável e justo'. São palavras que, enquanto cientistas fiéis à razão (...), nos ofendem e humilham".
Esta carta encontrou eco entre os estudantes da Universidade que ameaçaram manifestar-se no dia da abertura do ano académico e da visita do Papa, tendo entrementes invadido as instalações da Reitoria. Os estudantes de física anunciaram para os próximos dias uma “semana anticlerical”.
O Vaticano, tendo em vista, este cenário, cancelou a visita papal.
Para que possamos julgar com a razão, a mesma que os 67 cientistas dizem ter sido ofendida e humilhada, convido-vos a ler esta entrevista a Giorgio Israel, professor catedrático de Matemática na Universidade de Roma “La Sapienza”.
Aprendamos todos com isto!
Um abraço amigo
Pedro Aguiar Pinto


Ratzinger falou sobre Galileu? Leiam-no (http://edicola.avvenire.it/ee/avvenire/default.php?pSetup=avvenire&curDate=20080115&goTo=A04

O Professor Giorgio Israel não assinou a carta e explica porquê. “Foi construída a partir de estilhaços de um discurso”
Por Paolo Viana
É uma espécie de sindrome Wikipedia isto que está a provocar tanto desconcerto nos físicos da Spienza que se opõem à intervenção do Papa na inauguração do ano académico. Com uma ponta de ironia, Giorgio Israel, docente de história da matemática, explica porque é decididamente contrário ao apelo dos seus colegas da faculdade de Ciências contra Ratzinger: “é melhor uma pessoa documentar-se e raciocinar em vez de, com tanta frequência retirar trechos do contexto, o que facilmente conduz a equívocos”. Quem escreveu o apelo conta o Papa, fundam-no numa citação de uma frase de Feyerabend, e teriam feito melhor se tivessem lido todo o discurso do então cardeal Ratzinger, porque assim teriam compreendido que este Papa, de facto, não atacava nem a ciência, nem a razão”.
Israel não disse mais, mas a suspeita de um documento nascido de uma leitura expedita de documentos decarregados da internet, ficou no ar.
E os seus colegas, indignam-se, sobressaltam-se, ofendem-se e o senhor sorri?
Digamos que cruzo os braços e espero que os protestos se eclipsem rapidamente por decência.
Deverão, contudo, dar-se conta de ter escrito uma carta absurda, citando um discurso do Papa que mostra exactamente o contrário do que eles sustentam.
Seja mais preciso.
Os subscritores do apelo ao reitor acusam o Papa citando uma sua citação e precisamente a frase de um filósofo da ciência em que se diz que na época de Galileu a Igreja foi mais fiel à ciência que o próprio Galileu e que, por isso, o processo àquele cientista foi razoável e justo. Se, em vez de nos indignarmos por uma presumível afronta ao método racional, lêssemos o discurso integral do então cardeal Ratzinger em que aparece esta citação, poderíamos perceber como no seu discurso esta vem interpretada no sentido exactamente oposto ao que sustentam os contestadores.
O cardeal, hoje Papa Bento XVI, falava da crise de confiança da ciência em si própria e demonstrava que, enquanto durante séculos se acreditou que o processo a Galileu era a prova do carácter obscurantista da Igreja, de facto, no âmbito da cultura científica tinham emergido posições diversas, as quais sustentavam que Galileu não tinha fornecido provas demonstrativas do heliocentrismo e que Feyerabend tinha chegado ao ponto de sustentar que o ponto de vista da Igreja era mais racional.
Ratzinger quis mostrar com esse discurso que a ciência estava a perder a confiança em si própria e, e facto, defendia o ponto de vista de Galileu. Outros que ataquem a ciência...
Como é possível que no mundo científico ninguém tenha retirado este significado?
Digamos que não o apanharam os signatários da carta. Como também não apanharam o sentido das palavras de Ratzinger, que, no discurso de Parma disse explicitamente que a sua intenção não era a de expôr reivindicações e sublinhou que a fé não cresce a partir do ressentimento e da recusa da modernidade.
Pode-se dizer o mesmo do mundo científico italiano?
Não creio. Estou convencido que esta é uma minoria, ainda que nela se encontre o presidente da CNR. O peso específico das assinaturas não é menospreável, mas os números da contestação são modestos. Trata-se de seis dezenas de pessoas numa faculdade de seiscentos docentes e num ateneu que conta com milhares de professores. Dito isto, sim, isto resulta de atitudes hostis. É, por exemplo, o fastídio de alguns ambientes que não suportam que o Papa fale de ciência. De resto, num país onde Oddifreddi (um matemático italiano ateu e anti-católico) vende 200000 cópias de um livro contra a religião, (...) porque espantar-se?
Estes fenómenos reflectem o facto de que uma parte do mundo científico namora este laicismo ateu e que à esquerda, poucos se sentem no dever de se opôr a estes excessos.
“É uma minoria no mundo académico, pese embora que entre eles apareça o presidente da Comissão Nacional de Investigação. É ressentimento: não suportam que o Papa fale de ciência”.