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terça-feira, julho 15, 2014

Padres pedófilos: quem dá os números ao Papa?




No La Stampa saiu este artigo que reproduzo abaixo.

"14/07/2014
Quem é que dá os números ao Papa?
Marco Tosatti

É difícil escrever sobre um objecto vago e com contornos difusos como é uma entrevista desmentida, ou melhor, desmentida em parte mas não no sentido global, como a que resultou da conversa entre Eugenio Scalfari e o Papa.
Mas há um ponto da conversa que merece atenção, porque levanta questões de grande peso. É o dos abusos.
Os padres que os cometeram serão mesmo 2% do total (ou seja mais de 8.000)?
Os números que se conhecem até hoje dizem o contrário.
MARCO TOSATTI

É difícil escrever sobre um objecto vago e com contornos difusos como é uma entrevista desmentida, ou melhor, desmentida em parte mas não no sentido global, como a que resultou da conversa entre Eugenio Scalfari e o Papa. Mas há um ponto da conversa que merece atenção, porque levanta questões de grande peso. É o dos abusos.

A certa altura, na sua reconstrução, Scalfari escreve, partindo da sua pergunta: Um fenómeno muito espalhado?

"Muitos dos colaboradores que lutam a meu lado asseguram-me com dados credíveis que a pedofilia dentro da Igreja se situa ao nível dos dois por cento. Este dado deveria tranquilizar-me mas devo dizer-lhe que de facto não me tranquiliza. Acho antes que é gravíssimo. Dois por cento dos pedófilos são sacerdotes e até bispos e cardeais. E outros, ainda mais numerosos, sabem mas calam, punem mas sem dizer o motivo. Considero que este estado de coisas é insustentável e é minha intenção enfrentá-lo com a severidade que requer.

A frase acaba assim, sem as aspas a fechar.

Mas é o valor de 2% relatado por Scalfari que gera grande perplexidade.

E temos que perguntar:
a) se o Papa realmente o disse;
b) quem é que lhe fez o cálculo;
c) se Scalfari o relatou fielmente.

Os padres no mundo são perto de 410 mil. Dois por cento quer dizer mais de 8 mil. Um dado que diverge com todos os dados conhecidos até hoje.

A UCCR (Unione di Cristiani Cattolici Razionali) pergunta num artigo recente: "Mas quantos são os padres implicados na pedofilia?

O Vaticano revelou os números oficiais perante a 52ª Comissão da ONU contra a tortura: entre 2004 e 2013 um total de 884 membros do clero foram reduzidos ao estado laical no âmbito do escândalo da pedofilia.

Outras medidas disciplinares foram aplicadas a 2.572 sacerdotes (em muitos casos por serem de idade avançada ou doentes).

Portanto, estes são os números sobre os quais se pode trabalhar.

Se somamos 884 com 2.572, no total temos 3.456 sacerdotes católicos pedófilos em dez anos.

Os padres católicos no mundo, segundo o departamento de estatística do Vaticano, são cerca de 410 mil, uma média aproximada entre os 405 mil do ano 2000 e os 413 mil do ano 2010, números próximos das médias dos anos 60 e 70.

O cálculo é fácil: os 4 mil padres pedófilos correspondem a 0,8% dos padres católicos no activo nos últimos 10 anos.

Certamente, um só caso de abuso já é demasiado, porém podemos verificar que não se trata de percentagens elevadas, mais, são decididamente moderadas em relação aos números que atingem pais, colegas, professores, treinadores e familiares em geral (a maior parte casados, portanto não celibatários)."

O professor Davide Cito, da Universidade Pontifícia da Santa Cruz, que trabalha neste campo com as instituições da Santa Sé fala de 400 casos que anualmente chegam a Roma para serem avaliados.

E sublinha que em 90% dos casos trata-se de vítimas masculinas adolescentes, dos 16 aos 18 anos; ou seja não são casos de pedofilia, mas de efebofilia, ligada ao fenómeno da homossexualidade.

Pode perguntar-se por que razão o Papa não faz esta diferença tão importante.

Mais: em 2010 o "grande inquisidor" vaticano, agora bispo em Malta, Charles J. Scicluna, colaborador de Bento XVI na grande batalha lançada por aquele papa contra o fenómeno dos abusos de todo o tipo, dizia:

"Nos últimos nove anos (2001-2010) fizemos a avaliação das acusações relativas a 3 mil casos de sacerdotes diocesanos e religiosos que se referem a delitos cometidos nos últimos 50 anos. Podemos dizer que em geral 60% destes casos são sobretudo actos de efebofilia, ou seja devidos à atracção sexual por adolescentes do mesmo sexo, 30% são relações heterossexuais e 10% são actos de verdadeira e própria pedofilia, isto é determinados por uma atracção sexual por menores impúberes. Os casos de padres acusados de pedofilia verdadeira e própria são, assim, cerca de 300 em nove anos. Trata-se sempre de demasiados casos – obviamente – mas temos de reconhecer que o fenómeno não é tão generalizado como se faz crer".


Então é caso para perguntar: se Scalfari – coisa que falta demonstrar – recordou a resposta com rigor, quem é que dá os números ao Papa?"

Termino este post com um grande, comovido e grato, abraço a todos os Padres com quem me cruzei na minha vida. Grato pelas Missas, pela Comunhão, pela amizade, pelas Confissões, por todos os sacramentos, pela companhia, por tudo. Obrigado pelas vossas vidas e sacerdócio!



quarta-feira, dezembro 12, 2012

Pedofilia, Catalina Pestana e a Igreja Católica



As declarações de Catalina Pestana suscitaram esta reacção da Conferência Episcopal Portuguesa: forte, corajosa, humilde e esclarecedora. E também este artigo brilhante de um dos directores do Expresso, o Henrique Monteiro que reproduzo abaixo e que encontrei no Blog Logos do Padre Nuno Serras Pereira.
Vale também a pena sobre o tema da Igreja Católica e a pedofilia ver este dossier.

Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2012

Catalina, a pedofilia e a cumplicidade - por Henrique Monteiro
In Expresso

Ontem, uns tantos leitores criticaram-me por pedir a uma senhora que se calasse (refiro-me ao que escrevi sobre Cândida Almeida). Mas hoje vou pedir a uma senhora que fale - Catalina Pestana.

Esta senhora disse ao 'Pùblico' que conhecia vários casos de pedofilia na Igreja. Só em Lisboa, diz ela, conhece cinco. E acrescentava, a propósito do escândalo no seminário do Fundão, que tinha reunido no ano passado com o porta-voz da Conferência Episcopal, padre Manuel Morujão, e com o então presidente da Conferência, o bispo D. Jorge Ortiga para denunciar esses casos.

Acontece que o padre Morujão vem dizer que é mentira. Que nem sequer conhece a senhora e nunca reuniu com ela. E adianta: ela que diga os nomes. Pessoalmente, reforço a ideia: ela que diga os nomes. Já as jornalistas do 'Público' que com ela falaram (Alexandra Campos e Sandra Rodrigues) lhe haviam perguntado por que razão não tinha denunciado os casos às autoridades. E citam a resposta: "Não somos da polícia!" (Catalina referia-se a si própria e ao psiquiatra Álvaro Carvalho, que a acompanharia nas denúncias).

Catalina, já no caso Casa Pia, dizia saber de tudo. Mas que se saiba só atuou depois das denúncias. Provavelmente, pensou que "não era polícia". O mesmo se passa agora. Ora, à segunda vez poderemos considerar cumplicidade com o crime o facto de estar calada? Não sou jurista, mas acho que ela deve falar antes que alguém a considere como tal...

É que, se na Casa Pia bastou ao Estado (de quem a instituição depende) ter pago uma indemnização às vítimas para se pôr fora do processo, no caso do Seminário do Fundão e da Igreja Católica já se sabe que a tolerância não será a mesma. Isso agrava a cobardia de Catalina, que parece querer lançar uma mancha geral sobre a instituição, em vez de denunciar os casos concretos que diz conhecer.

Com assuntos destes, não se pode fazer política, nem brincar, e menos ainda levantar o dedo só para aparecer nos jornais.

quarta-feira, junho 08, 2011

David Cameron e a sexualização precoce

Parece-me bem a intenção do Primeiro-Ministro britânico de tomar medidas contra a sexualização precoce das crianças e adolescentes. A notícia vem hoje na Sábado e também no Público.
Encontrei-a aqui e também aqui com mais alguns desenvolvimentos.
Não faltará quem fale já em "cruzada" ou "moralismo" mas a verdade é que muitos dos problemas que sofrem as nossas sociedades (pedofilia, gravidez adolescente, violência sexual, etc.) tem a sua origem neste vale tudo e mostra tudo em que presentemente vivemos.
O que não implica qualquer censura ou proibição (a liberdade de cada um editar, produzir e consumir o que entender, não deve ser coibida, salvaguardados os direitos humanos e os principios de ordem pública) mas apenas que a exposição a essas coisas não aconteça de forma espontânea mas apenas a quem a procura (isto é, não se está a dizer que se proibam materiais pornográficos, apenas que esses não devem estar expostos ou ser exibidos junto a outros da mesma natureza mas diferente propósitos: numa banca de jornais, por exemplo).
Claro que em Portugal se fossem Passos Coelho ou Portas a propor a mesma coisa, caía o Carmo e a Trindade...

quinta-feira, agosto 12, 2010

Polanski, abuso de menores e padres...

A notícia tem barbas (faz amanhã um mês) mas a alegria que se viveu nos meios de comunicação, do pensamento dominante e do circo cultural, com a libertação do Polanski (a quem é verdade devemos a descoberta da Nastassia Kinski a segunda actriz que "amei perdidamente" depois de ter deixado a Raquel Welsh ;-) não pode deixar de escandalizar pela diferença de critérios e motivações que mostra...!
Imaginem que a mesma história tinha sido com um Padre...alguém acha que lhe perdoavam isto? Mesmo como é o caso que a história tenha pelo menos 32 anos (a condenação de Polanski por abuso de uma rapariga de 13 anos data de 1978) e a própria vitima já lhe tenha perdoado? Tá-se mesmo a ver, os justiceiros de serviço, não descansariam em que se cumprisse o mandato de captura e o mesmo Padre fosse arrastado até tribunal e depois para os respectivos calabouços...é ou não assim?

domingo, agosto 01, 2010

Abuso de menores: impressionante carta de um Padre Missionário

A carta que se segue foi escrita pelo padre salesiano uruguaio Martín Lasarte, que trabalha em Angola, e endereçada a 6 de Abril ao jornal norte-americano The New York Times. Nela expressa a sua perplexidade diante da onda mediática despertada pelos abusos sexuais de alguns sacerdotes a par do desinteresse que o trabalho de milhares religiosos suscita nos meios de comunicação.
Eis a carta:

Querido irmão e irmã jornalista:

Sou um simples sacerdote católico. Sinto-me orgulhoso e feliz com a minha vocação. Há vinte anos vivo em Angola como missionário. Sinto grande dor pelo profundo mal que pessoas, que deveriam ser sinais do amor de Deus, sejam um punhal na vida de inocentes. Não há palavras que justifiquem estes atos. Não há dúvida de que a Igreja só pode estar do lado dos mais frágeis, dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a proteção e prevenção da dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta.
Vejo em muitos meios de informação, sobretudo em vosso jornal, a ampliação do tema de forma excitante, investigando detalhadamente a vida de algum sacerdote pedófilo. Assim aparece um de uma cidade dos Estados Unidos, da década de 70, outro na Austrália dos anos 80 e assim por diante, outros casos mais recentes...
Certamente, tudo condenável! Algumas matérias jornalísticas são ponderadas e equilibradas, outras exageradas, cheias de preconceitos e até ódio.
É curiosa a pouca notícia e desinteresse por milhares de sacerdotes que consomem a sua vida no serviço de milhões de crianças, de adolescentes e dos mais desfavorecidos pelos quatro cantos do mundo
Penso que ao vosso meio de informação não interessa que eu precisei transportar, por caminhos minados, em 2002, muitas crianças desnutridas de Cangumbe a Lwena (Angola), pois nem o governo se dispunha a isso e as ONGs não estavam autorizadas; que tive que enterrar dezenas de pequenos mortos entre os deslocados de guerra e os que retornaram; que tenhamos salvo a vida de milhares de pessoas no Moxico com apenas um único posto médico em 90.000 km2, assim como com a distribuição de alimentos e sementes; que tenhamos dado a oportunidade de educação nestes 10 anos e escolas para mais de 110.000 crianças...
Não é do interesse que, com outros sacerdotes, tivemos que socorrer a crise humanitária de cerca de 15.000 pessoas nos aquartelamentos da guerrilha, depois de sua rendição, porque os alimentos do Governo e da ONU não estavam chegando ao seu destino.
Não é notícia que um sacerdote de 75 anos, o padre Roberto, percorra, à noite, a cidade de Luanda curando os meninos de rua, levando-os a uma casa de acolhida, para que se desintoxiquem da gasolina, que alfabetize centenas de presos; que outros sacerdotes, como o padre Stefano, tenham casas de passagem para os menores que sofrem maus tratos e até violências e que procuram um refúgio.
Tampouco que Frei Maiato com seus 80 anos, passe casa por casa confortando os doentes e desesperados.
Não é notícia que mais de 60.000 dos 400.000 sacerdotes e religiosos tenham deixado sua terra natal e sua família para servir os seus irmãos em um leprosário, em hospitais, campos de refugiados, orfanatos para crianças acusadas de feiticeiros ou órfãos de pais que morreram de Aids, em escolas para os mais pobres, em centros de formação profissional, em centros de atenção a soropositivos. .. ou, sobretudo, em paróquias e missões dando motivações às pessoas para viver e amar.
Não é notícia que meu amigo, o padre Marcos Aurelio, por salvar jovens durante a guerra de Angola, os tenha transportado de Kalulo a Dondo, e ao voltar à sua missão tenha sido metralhado no caminho; que o irmão Francisco, com cinco senhoras catequistas, tenham morrido em um acidente na estrada quando iam prestar ajuda nas áreas rurais mais recônditas; que dezenas de missionários em Angola tenham morrido de uma simples malária por falta de atendimento médico; que outros tenham saltado pelos ares por causa de uma mina, ao visitarem o seu pessoal. No cemitério de Kalulo estão os túmulos dos primeiros sacerdotes que chegaram à região... Nenhum passa dos 40 anos.
Não é notícia acompanhar a vida de um Sacerdote “normal” em seu dia a dia, em suas dificuldades e alegrias consumindo sem barulho a sua vida a favor da comunidade que serve. A verdade é que não procuramos ser notícia, mas simplesmente levar a Boa-Notícia, essa notícia que sem estardalhaço começou na noite da Páscoa. Uma árvore que cai faz mais barulho do que uma floresta que cresce.
Não pretendo fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes. O sacerdote não é nem um herói nem um neurótico. É um homem simples, que com sua humanidade busca seguir Jesus e servir os seus irmãos. Há misérias, pobrezas e fragilidades como em cada ser humano; e também beleza e bondade como em cada criatura...
Insistir de forma obsessiva e perseguidora em um tema perdendo a visão de conjunto cria verdadeiramente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico na qual me sinto ofendido.
Só lhe peço, amigo jornalista, que busque a Verdade, o Bem e a Beleza. Isso o fará nobre em sua profissão.
Em Cristo,
Pe. Martín Lasarte, SDB.

sábado, abril 03, 2010

Bispos saem em defesa dos nossos Padres

Neste tempo em que abriu a época de caça aos padres, como escrevia um insuspeito colunista do DN, é reconfortante ler esta noticia da Ecclesia:

Bispos saem em defesa dos seus padres
D. António Marto condena «crimes hediondos», mas pede confiança. D. Manuel Clemente condena «generalizações» indevidas e defende celibato

Vários Bispos do nosso país saíram em defesa dos seus padres, condenando o clima de desconfiança que se vive por causa dos recentes escândalos de pedofilia envolvendo membros do clero católico em diversos países.

A ocasião escolhida foi a homilia da Missa Crismal, que anualmente reúne o clero de cada Diocese, na manhã de Quinta-feira Santa.

D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima e vice-presidente da Conferência Episcopal, falou num “momento doloroso” marcado pelo “sofrimento e a vergonha por crimes hediondos de alguns sacerdotes e a suspeição generalizada resultante da exploração mediática de tais casos”.

“O pecado de alguns não ofusca a abnegação e a fidelidade de que a imensa maioria dos sacerdotes e religiosos dá prova quotidiana e que as nossas comunidades testemunham e reconhecem”, atirou.

No Porto, D. Manuel Clemente defendeu a “condição celibatária”, admitindo que “a mentalidade geral parece contrariá-la, encontrando em graves contrafacções de alguns clérigos o reforço da sua crítica, como se o celibato sacerdotal fosse inadequado ao ministério e até um óbice à maturidade pessoal”.

O Bispo do Porto mostrou-se seguro de que, com o tempo, “virá ao de cima a verdade dos factos, decerto mais «verdadeira» do que as generalizações absolutamente indevidas, que entretanto se propalam, com gritante injustiça”.

“A grande maioria do clero vive de modo sereno e feliz o seu celibato «pelo reino dos céus», assim participando na própria condição existencial e pastoral de Jesus Cristo, como Ele a quis viver também”, prosseguiu.

D. Jacinto Botelho, Bispo de Lamego, frisou que "a Igreja sofre nos últimos tempos uma dolorosíssima provação que não pode deixar-nos insensíveis".

"Amemos muito a nossa Mãe, a Igreja, santa, mas também pecadora, e rezemos por todas as vítimas inocentes, porventura irremediavelmente marcadas para toda a vida; amemos a Mãe Igreja e rezemos e sacrifiquemo-nos por todos os culpados que por vocação deveriam apresentá-la pura e imaculada, e com o seu torpe comportamento a conspurcam", disse.

"Amemos a Santa Igreja e rezemos por aqueles que com falsidades a insidiam, infamando-a e caluniando-a, na pessoa dos que, por vocação, ministerialmente a servem, com o exclusivo objectivo de desacreditá-la", alertou ainda.

Condenação precipitada

O Bispo de Viseu, por seu lado, sublinhou que “nada justifica a condenação precipitada, superficial e unilateral, a generalização fácil e injusta ou a marginalização tendenciosa e abusiva”.

Numa carta escrita aos padres da Diocese, D. Ilídio Leandro admite que “a Igreja, enquanto Instituição temporal e enquanto formada por homens e mulheres, frágeis e sujeitos a quedas e a pecados, tem muitos limites e imperfeições”.

Já na homilia da Missa Crismal, falou em dias nos quais “a Igreja é vista com tamanha desconfiança e em que todo o mal é aumentado, generalizado e provocador de escândalos, com um juízo desproporcionadamente injusto – ainda que o mal seja sempre mal e seja sempre de lamentar e de reparar”.

Em apoio dos seus padres saiu também D. Manuel Pelino, Bispo de Santarém, segundo o qual, “devido a alguns escândalos lamentáveis cria-se um ambiente de suspeita e de acusação que pesa sobre todos”.

“Embora os acusados sejam raras excepções que não desfazem a dignidade do sacerdócio, todos carregamos com o pecado da Igreja e da sociedade, como Cristo carrega com os pecados do mundo”, afirmou.

Nestes “momentos conturbados e agressivos em relação ao clero”, D. Manuel Pelino assegura que “a Igreja aposta na verdade, pois só a verdade nos torna livres e nos ajuda a praticar a justiça”.

No Algarve, D. Manuel Neto Quintas reconheceu "fragilidades" e deixou um apelo: "Conhecer Cristo, em ambiente de intimidade e amizade, particularmente na oração pessoal, como resposta à leitura orante da Palavra, supera tudo o que possamos desejar ou aspirar, inclusive as nossas debilidades".

D. Albino Cleto, Bispo de Coimbra, aludiu na sua homilia à “fraqueza dos irmãos que caíram”.

“Confessamo-la, dela pedimos perdão e por eles rezamos. Afinal, todos nós somos débeis; se eles se mancharam na baixeza de actos, escandalosos para quem os padeceu, quem de nós poderá negar as suas falhas em outros campos: porventura o abandono da oração, a rudeza no trato, o descuido na preparação do ensino?”, perguntou.

Na Madeira, D. António Carrilho quis deixar “uma palavra de reconhecimento e muito apreço pela vida e ministério” de cada um dos padres presentes, “nomeadamente pela generosidade da vossa entrega e dedicação ao Povo de Deus, pelo esforço de fomentar uma comunhão sempre maior no nosso presbitério, por todo o vosso empenho em viver o sacerdócio e testemunhar a alegria”.

Na Sé de Lisboa, D. José Policarpo apelou a um “ministério da alegria” na sociedade contemporânea.

Para o Cardeal-Patriarca, essa alegria “brota da experiência da reconciliação e do perdão”.

“Numa sociedade de violência e de dificuldade em perdoar, este serviço da Igreja é bálsamo para tanta dor, semente de transformação progressiva da sociedade, redescoberta da alegria de viver”, declarou.

Nacional | Octávio Carmo | 2010-04-01 | 16:35:37 | 6486 Caracteres | Semana Santa

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sexta-feira, março 26, 2010

Pedofilia: duas verdades inconvenientes

Na pedofilia e/ou o abuso de menores (são duas realidades diferentes em sentido estrito, mas aqui para o caso, ficam por junto) é esmagadoramente proponderante a natureza homossexual da respectiva prática (por isso, como com graça mas também alguma tristeza me dizia um Padre meu amigo, referindo-se à discussão do celibato que estupidamente acompanha às vezes a reflexão sobre os abusos sexuais de membros do clero, "o problema desses Padres não é não poderem casar, porque não é uma mulher que eles querem...").
Uma sociedade que desde os anos 60 exalta a sexualidade, que não põem nenhuma barreira à sua exposição, que injecta doses brutais da mesma em jovens e adolescentes, que deixa que irrompam torrentes de excitação dos meios de comunicação social, de repente, fica muito admirada quando acontecem casos horriveis como esses dos abusos de menores. No entanto é preciso estar muito distraído ou então nunca ter visto nada, ou, paradoxalmente, ser totalmente e por Graça, muito santo, para estranhar a relação causa-efeito entre as duas coisas.

Marcello Pera denuncia um ataque sem precedentes ao cristianismo

Com aquela liberdade de quem não é católico, mas apenas um homem (entre outros títúlos Senador em Itália) que é capaz de fazer um uso adequado e até às suas últimas consequências, da razão humana.

"Uma agressão ao Papa" por Marcello Pera, Publicado no Corriere della Sera 17.III.10

Caro Director do «Corriere della Sera»:

A questão dos sacerdotes pedófilos ou homossexuais, que rebentou recentemente na Alemanha, tem como alvo o Papa. E, dadas as enormidades temerárias da imprensa, cometeria um grave erro quem pensasse que o golpe não acertou no alvo - e um erro ainda mais grave quem pensasse que a questão morreria depressa, como morreram tantas questões parecidas. Não é isso que se passa. Está em curso uma guerra.

Não propriamente contra a pessoa do Papa porque, neste terreno, tal guerra é
impossível: Bento XVI tornou-se inexpugnável pela sua imagem, pela sua serenidade, pela sua limpidez, firmeza e doutrina; só aquele sorriso manso basta para desbaratar um exército de adversários. Não, a guerra é entre o laicismo e o cristianismo.

Os laicistas sabem perfeitamente que, se aquela batina branca fosse tocada, sequer, por uma pontinha de lama, toda a Igreja ficaria suja,e se a Igreja ficasse suja, suja ficaria igualmente a religião cristã.
Foi por isso que os laicistas acompanharam esta campanha com palavras de ordem do tipo: «Quem voltará a mandar os filhos à igreja?», ou «Quem voltará a meter os filhos numa escola católica?», ou ainda: «Quem internará os filhos num hospital ou numa clínica católica?» Há uns dias, uma laicista deixou escapar uma observação reveladora: «A relevância das revelações dos abusos sexuais de crianças por parte de sacerdotes mina a própria legitimação da Igreja Católica como garante da educação dos mais novos.»

Pouco importa que semelhante sentença seja desprovida de qualquer base de prova, porque a mesma aparece cuidadosamente latente: «A relevância das revelações»; quantos são os sacerdotes pedófilos? 1%? 10%? Todos?
Pouco importa também que a sentença seja completamente ilógica; bastaria substituir «sacerdotes» por «professores», ou por «políticos», ou por «jornalistas» para se «minar a legitimação» da escola pública, do parlamento, ou da imprensa. Aquilo que importa é a insinuação, mesmo que feita à custa de um argumento grosseiro: os sacerdotes são pedófilos, portanto a Igreja não tem autoridade moral,portanto a educação católica é perigosa, portanto o cristianismo é um engano e um perigo. Esta guerra do laicismo contra o cristianismo é uma guerra campal; é preciso recuar ao nazismo e ao comunismo para se encontrar outra igual. Mudam os meios, mas o fim é o mesmo: hoje, como ontem, aquilo que se pretende é a destruição da religião. Ora, a Europa pagou esta fúria destrutiva ao preço da própria liberdade.

É incrível que sobretudo a Alemanha, que bate continuamente no peito pela memória desse preço que infligiu a toda a Europa, se esqueça dele, hoje que é democrática, recusando-se a compreender que,destruído o cristianismo, é a própria democracia que se perde. No passado, a destruição da religião comportou a destruição da razão; hoje, não conduz ao triunfo da razão laica, mas a uma segunda barbárie.

No plano ético, é a barbárie de quem mata um feto por ser prejudicial à «saúde psíquica» da mãe. De quem diz que um embrião é uma «bola de células», boa para fazer experiências. De quem mata um velho porque este já não tem família que cuide dele. De quem apressa o fim de um filho, porque este deixou de estar consciente e tem uma doença incurável. De quem pensa que progenitor «A» e progenitor «B» é o mesmo que «pai» e «mãe». De quem julga que a fé é como o cóccix, um órgão que deixou de participar na evolução, porque o homem deixou de precisar de cauda. E por aí fora. Ou então, e considerando agora o lado político da guerra do laicismo contra o cristianismo, a barbárie será a destruição da Europa. Porque, eliminado o cristianismo, restará o multiculturalismo, de acordo com o qual todos os grupos têm direito à sua cultura. O relativismo, que pensa que todas as culturas são igualmente boas. O pacifismo, que nega a existência do mal.

Mas esta guerra contra o cristianismo seria menos perigosa se os cristãos a compreendessem; pelo contrário, muitos deles não percebem o que se está a passar. São os teólogos que se sentem frustrados com a supremacia intelectual de Bento XVI. Os bispos indecisos, que consideram que o compromisso com a modernidade é a melhor maneira de actualizar a mensagem cristã.

Os cardeais em crise de fé, que começam a insinuar que o celibato dos sacerdotes não é um dogma, e que talvez fosse melhor repensar essa questão.
Os intelectuais católicos que acham que a Igreja tem um problema com o feminismo e que o cristianismo tem um diferendo por resolver com a sexualidade. As conferências episcopais que se enganam na ordem do dia e, enquanto auguram uma política de fronteiras abertas a todos, não têm a coragem de denunciar as agressões de que os cristãos são alvo, bem como a humilhação que são obrigados a suportar por serem colocados, todos sem descriminação, no banco dos réus. Ou ainda os chanceleres vindos do Leste, que exibem um ministro dos negócios estrangeiros homossexual, ao mesmo tempo que atacam o Papa com argumentos éticos; e os nascidos no Ocidente, que acham que este deve ser laico, que o mesmo é dizer anti-cristão. A guerra dos laicistas vai continuar, quanto mais não seja porque um Papa como Bento XVI sorri, mas não recua um milímetro.

Mas aqueles que compreendem esta intransigência papal têm de agarrar na situação com as duas mãos, não ficando de braços cruzados à espera do próximo golpe. Quem se limita a solidarizar-se com ele, ou entrou no horto das oliveiras de noite e às escondidas, ou então não percebeu o que está ali a fazer.

sexta-feira, abril 11, 2008

Desde 1960 até hoje como enlouqueceu o mundo...!

Chegou-me este por email que pedi a uma amiga traduzisse. Fazendo hoje anos, ofereço eu um presente aos leitores deste Blog reatando a escrever no mesmo...! :-)

Desde 1960 até hoje

Exemplo 1

Dois rapazes começam uma briga depois da escola.
Versão 1960 – A multidão junta-se. O Marc ganha. O Jean e o Marc dão um aperto de mão e ficam amigos.
Versão 2008 – É chamada a polícia, a brigada SWAT chega e prende Philippe-Olivier e Charles-Cédrik.
Confiscam todos os telemóveis presentes e os vídeos da briga são usados como prova.
São ambos acusados de facto e são suspensos da escola, ainda que o instigador tenha sido o Philippe-Olivier.
Organizam-se conferências sobre o assunto, para além de uma reunião de pais, e uma minoria opõe-se ao projecto.
É criada uma mesa de pilotagem que formará as mesas de concertação necessárias para aprovar a decisão dos 6 comités que terão a missão de estudar os factos. 6 vídeos da briga são difundidos na internet.
Entretanto, o Philippe-Olivier e o Charles-Cédrik são libertados com uma fiança de 2000 $ cada um e uma promessa de comparência.

Exemplo 2

Um aluno distrai a aula e perturba os outros alunos.
Versão 1960 – O Paul é mandado ao gabinete da direcção e é castigado. 5 réguadas.
Volta para a sala, senta-se tranquilamente e não volta a perturbar a aula.
Versão 2008 – O Guillaume-Charles toma uma dose massiva de Ritalin. É mandado para a terapia.
Ele torna-se um zombie e os testes de atenção deficiente são severamente positivos.
A Escola recebe um financiamente adiconal porque o Guillaume-Charles tem uma deficiência. O Guillaume-Charles conseguiu e abandonou a escola.

Exemplo 3

Uma criança atira um copo ao carro de um vizinho. O seu pai, furioso, procura-o e prega-lhe uma grande palmada.
Versão 1960 – O Jaques tomará mais atenção da próxima vez. Ele cresce com normalidade, vai para o Liceu e torna-se um homem de negócios prósperos.
Versão 2008 – O pai de René-Roi é preso por maltratar os filhos. O filho é retirado ao pai. Para o seu bem, é colocado numa família de acolhimento.
Ele junta-se a um gang de rua.
A psicóloga sugere à sua irmã, a Renée-Reine, que declare que o pai também a maltratava a ela.
Ela testemunha no processo e o pai vai preso.
A mãe das crianças tem uma relação secreta com a psicóloga.
A psicóloga consegue ser promovida.

Exemplo 4

Um estudante do liceu leva cigarros para a escola.
Versão 1960 – O Yves fuma um cigarro com o vigilante e discute o jogo de hóquei do dia anterior.
Versão 2008 – Chama-se a polícia e o Claude-Philippe é expulso da escola por posse de drogas.
O seu carro é fiscalizado por causa das drogas e das armas.

Exemplo 5

Um aluno imigrante chumba a Francês no Liceu.
Versão 1960 – O Gino assiste a aulas de apoio de francês. Ele passa no teste e é aceite na Faculdade.
Versão 2008 – O caso de Sum Noo Gaye é entregue às autoridades locais de defesa dos direitos do homem.
São publicados artigos nos jornais nacionais para explicar que «A simples noção de obrigação de obter uma nota de passagem a Francês é discriminatória para os imigrantes e constitui um atentado aos seus direitos, devido a esta atitude racista.»
A liga dos direitos e liberdades inicia uma campanha contra o governo e o seu sistema escolar, bem como contra o Gabinete da Língua Francesa.
Um julgamento dum tribunal federal é aceite e declara que o ensino do francês será, dali em diante, interdito nas escolas públicas.
O Sum Noo Gaye obtém o seu diploma, mas acaba a trabalhar na segunda divisão, no Ouest-De-L’Île, porque ele não sabe falar francês.

Exemplo 6

Um rapaz jovem coloca restos de petardos numa garrafa velha de tinta que estava vazia e faz saltar um formigueiro.

Versão 1960 – As formigas morrem.
Versão 2008 – É feito um apelo à GRC e à brigada anti-terrorista e o jovem rapaz é acusado de actividades terroristas.
Uma equipe de inspectores interrogam os pais, os irmãos e a sua irmã e são colocados numa lista de supervisão.
São confiscados todos os computadores de casa e como medida de segurança, é interdito aos avós que vão à sua casa na Flórida.

Exemplo 7

Uma criança de 8 anos cai no chão durante o recreio e magoa-se num joelho.
O professor aproxima-se e fala carinhosamente com ele e faz-lhe uma festinha no cabelo para o reconfortar.
Versão 1960 – A criança fica calma e continua a brincar.
Versão 2008 – É feita uma queixa porque o educador acariciou uma parte do corpo da criança diferente daquela onde a criança tinha a ferida.
O educador é acusador de ser um predador sexual e perde o emprego.
Ele enfrenta três anos de prisão.
A criança passa por cinco anos de terapia.
A criança torna-se homossexual.

E ainda achas que o mundo está a evoluir bem?