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terça-feira, julho 09, 2013

A crise política, os Bispos e os aplausos a políticos nos Jerónimos



Reuniu hoje em Fátima o Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa. Sobre a crise política a notícia abaixo retirada da Ecclesia dá conta do pensamento dos Bispos portugueses.

Sobre a questão dos aplausos (a Cavaco Silva e Passos Coelho) ouvidos nos Jerónimos no Domingo passado e em outra notícia sobre a reunião acima, na mesma Ecclesia, diz-se:

"No final do encontro, o secretário do organismo, padre Manuel Morujão, rejeitou as críticas ao patriarca por causa das palmas com que foram recebidos vários responsáveis políticos, este domingo, dentro do Mosteiro dos Jerónimos.
"As pessoas, foram de um templo ou dentro de um templo, são livres. Mal estaria que o mestre de cerimónias organizasse palmas ou vaias", observou.
Segundo o sacerdote, estas foram situações que “aconteceram espontaneamente” e partiram de pessoas que se manifestaram “respeitosamente”.
“O povo quis exprimir-se. Temos de deixar que ele se exprima, de uma maneira respeitosa”, precisou o responsável, para quem "o respeito da liberdade das pessoas não deve ser condicionado"."

  

Igreja/Portugal: Bispos pedem soluções para «sobressaltos» políticos

Conselho Permanente da Conferência Episcopal sublinhou «urgência» em responder às necessidades da população

Presidencia.pt |
Fátima, Santarém, 09 jul 2013 (Ecclesia) – O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) pediu hoje em Fátima que os líderes políticos encontrem soluções para os “sobressaltos” do país, em “consonância” com "as aspirações e dificuldades" do povo e com “urgência”.
“Todas as crises são de grande preocupação para a Igreja, porque estas oscilações, estas ondas no mar da vida social e política, criam sempre pobres”, disse o padre Manuel Morujão aos jornalistas, no final da reunião do Conselho Permanente da CEP.
O sacerdote jesuíta aludiu aos “sobressaltos na política e na sociedade portuguesa", numa referência indireta às recentes demissões e indefinições na formação do Governo, sublinhando que é preciso "saber responder a estes sobressaltos com soluções positivas, o mais possível consensuais".
“O que nós pedimos é a procura séria do bem comum, ninguém fica bem na fotografia quando o povo português fica pior”, alertou, pedindo que a população fique “bem, olimpicamente bem”.
O secretário da CEP deixou votos de que “funcionem” os órgãos de soberania “eleitos democraticamente” em Portugal para encontrar "soluções justas, apropriadas para cada caso".
O sacerdote elogiou os portugueses como “um povo realista” que "não espera varinhas mágicas que tragam soluções ótimas para todos, já" e tem consciência de que a situação em Portugal e na Europa “é complexa”.
Para o responsável, esse realismo também tem de levar a “não adiar, para não deixar correr as coisas”.
“Que isto seja apenas o degrau para subirmos mais alto na qualidade do serviço a prestar”, apelou.
O padre Manuel Morujão citou o Papa Francisco, que na segunda-feira, durante a visita à ilha italiana de Lampedusa, avisou para uma “globalização da indiferença”, pedindo, pelo contrário, a “globalização da solidariedade”.
O responsável aludiu ainda ao bem comum como um “princípio irrenunciável da Doutrina Social da Igreja”.
“Pensemos em primeiríssimo e olímpico lugar no bem comum de toda a nação, isto é , do povo português, e só depois no meu partido, o meu grupo social, a classe que eu possa defender - talvez com toda a justiça-, ver que isso tem de ser sempre secundarizado”, precisou.
Segundo porta-voz da CEP, o organismo olhou para os problemas do país no sentido de procurar “respostas aos questionamentos do povo português”.
“Nós esperamos de quem está a governar-nos que seja modelo que estimule todos também a procurar soluções”, acrescentou.
O Conselho Permanente da CEP esteve reunido em Fátima para o primeiro encontro após a eleição de um novo presidente e vice-presidente para o organismo, respetivamente D. Manuel Clemente (patriarca de Lisboa) e D. António Marto (bispo de Leiria-Fátima).
Os bispos anunciaram que o seu Observatório Social vai começar a trabalhar em duas dioceses, “para ter informação atualizada do que existe e das necessidades experimentadas”, de forma a dar uma resposta “quanto possível capaz” às “muitas e prementes” urgências sentidas na sociedade.
O organismo vai ser orientado pelos polos de Braga e Porto da Universidade Católica Portuguesa.
O Conselho Permanente é um órgão delegado da assembleia dos bispos católicos em Portugal, com funções de preparar os seus trabalhos e dar seguimento às suas resoluções, reunindo ordinariamente todos os meses.
OC

Nacional | Agência Ecclesia | 2013-07-09 | 15:07:24 | 3283 Caracteres | Conferência Episcopal Portuguesa



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quinta-feira, julho 04, 2013

Crise política: acordo PSD e CDS-PP




(a fotografia acima foi retirada do site da Renascença e creio reproduz outros momentos da coligação que governa o país e que se melhor poderia fazer, é sempre preferível a um regresso do Partido Socialista ao poder...)

Na comunicação social online anuncia-se um acordo entre o CDS e o PSD. Ainda bem! O país precisa deste Governo, de prosseguir no rumo encetado e de estabilidade política. No meio disto tudo é de assinalar    
a determinação e a abertura de Passos Coelho (disse que não desistia,não entrou em pânico, chamou o parceiro a jogo) e a habilidade política de Paulo Portas numa jogada arriscada que confundiu até os seus mais próximos, e que trará certamente benefícios para a presença do CDS no Governo, o seu papel na Coligação e possivelmente até vantagens para o país se for verdade que haverá nova estrutura de Governo, novos protagonistas nas suas estruturas e um rumo mais ousado nas suas políticas. Se assim for, tudo está bem quando acaba bem...

Duas observações mais:

- do bom rumo que as coisas possam agora tomar depende que as movimentações mais identitárias no interior do centro-direita ganhem progressivamente mais espaço nos respectivos partidos, colocando uma exigência progressiva sobre as actuais lideranças partidárias, empenhando-se nas autárquicas no apoio dos seus candidatos e ganhando espaço político correspondente á sua força social

- como sempre que razão tem Pedro Santana Lopes quando aqui observa como a comunicação social detesta ser desobedecida pela realidade...! ;-)



terça-feira, julho 02, 2013

A crise política e a comunicação de Passos Coelho




Gostei da comunicação ao país que hoje Pedro Passos Coelho fez. Na situação em que o país se encontra foi confortante ver que o nosso primeiro-ministro não desiste e a atitude dele pareceu-me claramente mais adequada ao que precisamos do que a de Paulo Portas.

Pelas notícias que vão chegando, nomeadamente a da demissão de todos os membros do Governo que pertencem ao CDS pode ser que isso não chegue para o Governo se aguentar, mas se assim for e no momento próprio, cada um terá de assumir as suas responsabilidades.

Ainda a propósito da intervenção hoje do primeiro-ministro ocorreram-me duas frases de Santa Teresa de Ávila. A primeira de que nada a assustava mais do que não fazer o que devia ser feito. E a segunda: "Podemos. E se não pudermos, poderemos"...

Isto dito, o Governo podia ser melhor e fazer mais do que faz? Sim. Reformando o Estado a sério, assumindo outros valores nas questões civilizacionais, agindo mais eficazmente do ponto de vista político e com uma maior ligação aos sectores sociais da sua base de apoio. Mas isso não é razão para o querer derrubar, mas sim ser com o mesmo mais exigente e ajudar a que seja feito o que deve ser feito. Quem o percebe não se pode deixar de rever na comunicação de hoje, parece-me...



segunda-feira, setembro 24, 2012

A Crise e os Bispos portugueses


Missão da Igreja num país em crise

Nota do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa

1. O momento socioeconómico que Portugal atravessa está a ser difícil para muitos portugueses. A Igreja é sensível ao sofrimento de todos, particularmente dos mais pobres e dos desempregados, independentemente da fé que professam. A Igreja faz parte da sociedade e, com a visão do homem e da vida que lhe é própria, é chamada a contribuir para o bem das pessoas e da comunidade nacional como um todo. A principal resposta da Igreja para o momento atual tem sido dada pelas suas instituições de solidariedade social, como prática ativa da caridade.
A Igreja e a comunidade política
2. Quando celebramos 50 anos do início do Concílio Vaticano II, é oportuno recordar o seu ensinamento, tantas vezes confirmado pelo Magistério posterior, sobretudo dos Papas. A Igreja é um Povo, uma comunidade estruturada e organizada, que assume como dever a procura do bem-comum de toda a sociedade. Esse é também o fim da comunidade política. “No campo que lhe é próprio, a comunidade política e a Igreja são independentes e autónomas uma da outra. Mas ambas, embora a títulos diferentes, estão ao serviço da vocação pessoal e social dos mesmos homens” (Gaudium et Spes, nº 76).
Segundo a doutrina do Magistério, a Igreja como comunidade intervém na sociedade a três níveis: os cristãos leigos, guiados pela sua consciência cristã, têm toda a liberdade de participação e intervenção política; as associações da Igreja, com particular relação à hierarquia, devem intervir tendo em conta o diálogo com os seus pastores; os sacerdotes e bispos têm como ministério anunciar o Evangelho e a doutrina da Igreja para todos, de modo que ela possa ser acolhida, nomeadamente no que diz respeito à sua doutrina social.
A Igreja e o atual momento da sociedade portuguesa
3. A doutrina social da Igreja, que temos sempre o dever de anunciar, ilumina a realidade, interpela a consciência dos intervenientes na coisa pública e sugere atitudes que exprimam valores.
- Prioridade na busca do bem-comum. Esta primazia da busca do bem-comum de toda a sociedade atinge todas as pessoas e todos os corpos sociais. É o caminho para construir uma unidade de objetivos, no respeito das diferenças: governo e oposição, partidos políticos, associações de trabalhadores e de empresários, etc. As diferenças são legítimas, mas a unidade na procura do bem-comum é sempre necessária e indispensável. A superação das legítimas divergências, num alargado consenso nacional, supõe sabedoria e generosidade lúcida.
- Direito ao trabalho. Este não deve ser concebido apenas como forma de manutenção económica, mas como meio de realização humana. O desemprego é, certamente, um dos aspetos mais graves desta crise, o que supõe, para a sua superação, um equilíbrio convergente de vários elementos: criatividade nas empresas, caminhos ousados no financiamento, diálogo social em que pessoas e grupos decidam dar as mãos, apesar das suas diferenças.
- Estabilidade política. É exigida pela própria natureza da democracia e da responsabilidade dos seus atores, requerendo a busca permanente do maior consenso social e político. Numa democracia adulta, as “crises políticas” deverão ser sempre exceção. Em momentos críticos, podem comprometer soluções e atrasar dinamismos na sua busca. Todos sabemos que, para superar as presentes dificuldades, não existem muitos caminhos de solução. Compete aos políticos escolhê-los, estudá-los e apresentá-los com sabedoria.
- Respeito pela verdade. O discurso público tem de respeitar a verdade do dinamismo das situações e da procura de soluções.
- Generosidade na honestidade. O bem da comunidade nacional exige de todos generosidade para não dar prioridade à busca de interesses particulares e a honestidade para renunciar a caminhos pouco dignos de procura desses interesses. Só com generosidade se pode alcançar um bem maior.
Renovação cultural
4. Esperamos que a presente situação faça avançar a verdadeira compreensão sobre alguns elementos decisivos do mundo económico-financeiro em que estamos inseridos:
- Os sistemas económico-financeiros. Portugal, membro da União Europeia e da Zona Euro, está inserido no quadro das economias liberais, vulgarmente designadas de capitalismo. A Igreja sempre defendeu, entre as expressões da liberdade, a liberdade económica, desde que as suas concretizações se submetam aos objetivos do bem-comum. Os próprios lucros das pessoas, das empresas e dos grupos devem orientar-se para o bem-comum de toda a sociedade.
- O equilíbrio entre finanças e economia. O Papa Bento XVI concretizou o pensamento da Igreja, salientando que as finanças devem ser um instrumento que tenha em vista a melhor produção de riqueza e o desenvolvimento. Importa que a economia e as finanças se pratiquem de modo ético a fim de criar as condições adequadas para o desenvolvimento da pessoa e dos povos.
- Os mercados. Sujeitos a uma dimensão ética de serviço à humanidade, os mercados não podem separar-se do dinamismo económico, transformando-se em fontes autónomas de lucro que não reverte, necessariamente, para o bem-comum da sociedade.
A superação da crise supõe uma renovação cultural. A Igreja quer contribuir para esta renovação com os valores que lhe são próprios: a dignidade da pessoa humana, a solidariedade como vitória sobre os diversos egoísmos, a equidade nas soluções e na distribuição dos sacrifícios, atendendo aos mais desfavorecidos, a verdade nas afirmações e análises, a coragem para aceitar que momentos difíceis podem ser a semente de novas etapas de convivência e de sentido coletivo da vida. Nós, os crentes, contamos para isso com a força de Deus e a proteção de Nossa Senhora.
Fátima, 17 de setembro de 2012

Documentos | Conferência Episcopal Portuguesa | 2012-09-17 | 15:43:00 | 5651 Caracteres | Conferência Episcopal Portuguesa



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