sexta-feira, abril 27, 2007

Artigo GENIAL de Pedro Vassalo: A (falta de) originalidade de Cavaco

A (falta de) originalidade de Cavaco

26.04.2007, Pedro Vassalo

Também ele vai ficar na história. Talvez mude de ideias "quando o levarem a ele". Talvez. Mas talvez seja tarde de mais
O projecto do BE associado, mais uma vez, ao PS sobre a utilização de restos de abortos para a investigação científica não pode espantar ninguém. Nos debates que antecederam o referendo ao aborto, e lembro especialmente um Prós e Contras, essa hipótese foi levantada pelos defensores do "não". Na altura, foram, naturalmente, acusados de usar um argumentário tenebroso, de imaginar um mundo de ficção que só existe em mentes tortuosas, de deitar mão a imagens fantasmagóricas e por aí fora. Pois bem, ora aí está o tal futuro de ficção que só existia na cabeça de alguns: os restos de humanos, por nascer, e cujos pais não os querem, vão ser usados em investigação científica. Nada disto espanta, nem surpreende, porque tudo isto era demasiado previsível. Há dias, na SIC, um spot de promoção afirmava, tendo por fundo imagens terríveis da II Guerra Mundial, que é importante lembrar o passado, porque todos aqueles crimes podem voltar a acontecer. O slogan não é exactamente este, mas o sentido é semelhante. E, de facto, há demasiadas atrocidades, causadas pelo Homem ao próprio Homem, aceites e sufragadas por vastas maiorias. Basta recuar uns 60 anos e ler a história da Europa. Aliás, por sinal, a mesma Europa que se recomenda ao mundo como campeã dos direitos e da liberdade. A este propósito, um amigo lembrou-me um texto de Brecht que explica a cegueira: "Ao princípio, levaram os comunistas, mas não me importei porque não era nada comigo; em seguida, foram os operários, mas não me afectou porque não sou operário; depois prenderam os sindicalistas, mas não me incomodou porque não sou sindicalista; chegou a vez dos padres, mas não me incomodou porque não religioso; agora levaram-me e quando percebi... já era tarde de mais." Não espanta a decisão do referendo do dia 11 de Fevereiro. Há séculos que a crueldade se renova. Mas surpreende outro facto. O que se sabe, em números redondos, é que um em quatro eleitores votou na alteração da lei. Resulta da matemática que os remanescentes três (em quatro) eleitores ou não queriam mudar a lei, ou não se interessaram. Seja como for, dificilmente se poderá falar numa maioria significativa. Seria, aliás, uma boa altura para os promotores do "sim" explicarem o slogan "abstenção é votar "não"". A ideia só os compromete a eles. Como era esperado, o parlamento votou a alteração da lei. Mas há, como se sabe, constitucionalistas de renome que defendem que essa mudança fere a Constituição. Esperava-se, por isso, e naturalmente, que a Presidência, no mínimo, indagasse sobre a legalidade da lei. Mas não. O Presidente preferiu optar pelo incompreensível. Assinou-a sem questionar e tratou de lembrar, propor, sugerir (escolham), uma série de alterações. Aconteceu o previsível: o Governo mandou às malvas a missiva presidencial, explicou-lhe que era tarde para ter opinião, que a decisão estava tomada e lembrou que o Presidente ou vetava o diploma ou o enviava para o Tribunal Constitucional. Sem mais! Custa perceber como o professor Cavaco Silva, avisado e prudente, se deixou enredar em tal trama. Resta uma hipótese, plausível, politicamente correcta e até astuta: o Presidente quer agradar a gregos e a troianos: dizer aos que votaram "não" que até nem concorda com a lei e aos que votaram "sim" que até a assinou. Admito que seja a jogada política mais correcta. Tem o pequeno problema de não ser original. Lembro-me de um governante que fez o mesmo, por um caso menor na altura, mas que, hoje em dia, dois mil anos depois, ainda se fala disso. Parece-me que Cavaco Silva também vai ficar na história. Talvez mude de ideias "quando o levarem a ele". Talvez. Mas também talvez seja tarde de mais, como descobriu Brecht.
Activista do "não"

sábado, abril 21, 2007

Lei da Política criminal e aborto livre: o triunfo da mentira!

Noticia hoje o DN que o "Aborto após 10 semanas deixa de dar prisão"...
Contra a opinião de um milhão e meio de votantes no Não e podemos acreditar que alguma parte dos dois milhões e duzentos mil votantes do Sim, o aborto em Portugal tornou-se completamente livre!
Além disso triunfou a mentira. Esta medida há muito que estava na gaveta mas só saiu dela quando já não era necessário explorar à saciedade o choradinho da prisão das mulheres...agora sim, pode-se dizer: hipócritas.
"Estão de parabéns" Maria de Belém e Fernanda Câncio, o do Gato Fedorento e Correia de Campos, o Duarte Vilar e a maltósia da APF, Sócrates e todos os outros que sendo do seu Governo podiam ter tido a coragem de se opôr a uma vergonha destas, Odete Santos (que juntamente com a Câncio e o do Gato fedorento são um caso á parte porque não tentam passar pelo que não são e não disfarçam quanto ao que pretendem) e o Francisco Anacleto Louçã, todos os patetas que no PSD se sentem modernos e uns poucos do PP com o mesmo "feeling". Conseguiram!
Cada triturar de um feto com qualquer idade e semanas, cada corte e esmagamento, cada pasta de sangue e carne, cada "corrida" de restos num cano do aspirador, cada dor de uma mulher que chora o filho que não teve e cada pesadelo que a acordará, cada desgosto de um homem e da sua família, cada circunstância fria e cada inconsciência verdadeira, cada um destes momentos daqueles que morrerão com o aborto livre "celebrará" esta vossa vitória.
Que consigam viver com e apesar dela, é o desejo humano sincero deste bloguista.

quarta-feira, abril 18, 2007

A Teologia da Libertação morreu: paz à sua alma :-)

São Paulo, domingo, 15 de abril de 2007
Modernidade deve ser atacada, diz sociólogo Para Francisco Borba, igreja, que criticou o capitalismo, foi incapaz de perceber os novos problemas impostos aos católicos "A Teologia da Libertação não percebeu o processo de evolução da religiosidade moderna que acontecia no continente", diz especialista.
DA REPORTAGEM LOCAL
"A igreja latino-americana deve compreender que, assim como assumiu uma posição crítica ao capitalismo e ao liberalismo, por sua desumanidade, deve também assumir uma posição crítica em relação à modernidade. Essa posição vai se desenhando como uma crítica à razão iluminista e sua pretensão de dar a verdade última sobre o homem." Essa é a verdadeira questão que deveria nortear os trabalhos da 5ª Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe, segundo o sociólogo Francisco Borba, 49, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP, órgão criado por d. Cláudio Hummes para promover o diálogo da igreja com meios acadêmicos.
Sua principal crítica à Teologia da Libertação é, portanto, a de não ter sido capaz de perceber os novos problemas que o mundo impôs aos católicos -aí incluídos os latino-americanos e os pobres. "[Essa corrente teológica] não percebeu adequadamente o processo de evolução da religiosidade moderna que acontecia no continente, particularmente a emergência das novas religiosidades urbanas", afirma o sociólogo da PUC. "Não gerou instrumentais adequados para trabalhar com a sede de sentido e de resposta existencial que marca o homem contemporâneo -inclusive o pobre." Leia a seguir, trechos da entrevista concedida por Borba à Folha. (RAFAEL CARIELLO)
FOLHA - Haverá divergências durante a realização da 5ª conferência? Quais serão as principais questões de conflito?
BORBA - Creio que é importante perceber que a questão não é mais a de um confronto entre progressistas e conservadores, nos moldes dos anos 60. Hoje, o episcopado está unido em relação a princípios como o reconhecimento da igreja como "povo de Deus", a importância da opção preferencial pelos pobres, o fim da "cristandade" e a necessidade de uma postura crítica e não atrelada aos governos. Também não é adequado contrapor uma igreja latino-americana, nascida da práxis social, a uma igreja romana, nascida dos dogmas da tradição. A percepção de que o magistério romano é o magistério universal da igreja é compartilhada por grande parte dos católicos latino-americanos. A polêmica real reside na forma de diálogo com a modernidade. O mundo está se tornando cada vez menos religioso, e a igreja deve se submeter aos princípios da modernidade, relativizando o seu próprio modo de ser? Ou o mundo permanece buscando a Deus, e a igreja deve dialogar com a modernidade numa postura crítica, denunciando a desumanidade presente na cultura moderna? Essa é a questão.
FOLHA - E com qual das duas idéias o sr. fica?
BORBA - A igreja latino-americana deve compreender que, assim como assumiu uma posição crítica ao capitalismo e ao liberalismo, por sua desumanidade, deve também assumir uma posição crítica em relação à modernidade. Essa posição vai se desenhando como uma crítica à razão iluminista e sua pretensão de dar a verdade última sobre o homem, e o anúncio da realização plena do amor como gesto de doação de si ao outro, e não de posse do outro.
FOLHA - Por que a conferência de Santo Domingo, de 1992, não teve o mesmo impacto das de Puebla e Medellín?
BORBA - Medellín correspondeu a uma grande mudança de paradigma na igreja latino-americana. Num contexto marcado por regimes ditatoriais, a igreja se afirmou a favor dos pobres e comprometida com a transformação da sociedade, saiu das sacristias e protegeu os perseguidos políticos. O contexto social em Puebla não era muito diferente. Em Santo Domingo, porém, as ditaduras já iam se tornando coisa do passado e os desafios da globalização e da pós-modernidade já despontavam. Esse contexto pedia uma mudança clara e firme de paradigma. Mas a comunidade católica ainda não estava preparada para isso, e um novo ponto de partida foi entendido como simples involução à temática religiosa e espiritual.
FOLHA - É correto dizer que Santo Domingo marca o enfraquecimento da Teologia da Libertação? Por quê?
BORBA - Creio que não. Melhor seria dizer que ela vem enfrentando dificuldades ao longo do tempo por duas insuficiências analíticas. Em primeiro lugar, não percebeu adequadamente o processo de evolução da religiosidade moderna que acontecia no continente, particularmente a emergência das novas religiosidades urbanas. Não gerou instrumentais adequados para trabalhar com a sede de sentido e de resposta existencial que marca o homem contemporâneo -inclusive o pobre. Por isso, não indicou caminhos alternativos ao crescimento do neopentecostalismo, e se contrapôs de modo não construtivo à emergência dos novos movimentos católicos. Em segundo, não teve categorias para enfrentar o desnorteamento das esquerdas após a queda do muro de Berlim, apesar da tentativa de voltar-se ao holismo ecológico. O mundo não-católico pode até olhar com simpatia sua mensagem de justiça social e religiosidade aberta, mas não tem por que aderir a ela. No mundo católico, um caminho que parte da experiência existencial para chegar ao compromisso social parece responder mais aos anseios atuais.
FOLHA - Aparecida deve fortalecer alguma linha teológica?
BORBA - Diria que o grande problema é desenvolver o que alguns chamam de uma "antropologia integral", onde a dimensão espiritual e a material se encontram de modo operativo, respondendo à sede de sentido e de beleza de todos nós e, ao mesmo tempo, lançando-nos num compromisso permanente com a transformação da sociedade.

Nestes tempos de absolutismo estatal...

Convém recordar o filme (e o livro) "Henrique V" de Shakespeare (Edição Campo das Letras, 2004, Porto):
"O dever de cada súbdito é dever do rei, mas a alma de cada súbdito é só dele".
Já agora recomendo:
Apresentação do livro acima
Pela minha sobrinha Maria da Madre de Deus Pacheco de Amorim na
Sociedade Histórica para a Independência de Portugal
(Palácio da Independência, Lisboa)
Na próxima sexta-feira, 20 de Abril, 21h30.
Título da apresentação:
"À procura do rosto de Shakespeare: uma introdução à leitura de Henrique V".

Mais uma: Imposto automóvel contra as famílias numerosas!

Imposto automóvel contra famílias numerosas

A APFN protesta veementemente contra a prevista revisão do Imposto Automóvel que irá agravar significativamente o custo dos monovolumes e viaturas de 9 passageiros, agravando ainda mais a inconcebível política anti-natalista do sistema fiscal português.
A APFN não consegue perceber (e desafia quem quer que seja, nomeadamente o Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças, a explicar devagarinho, se conseguir) como é que é possível, num dos poucos países europeus que continua a baixar a sua taxa de natalidade, adoptarem-se medidas ainda mais gravosas contra o cada vez menor número de casais que, contra tudo e contra todos, insistem em ter três ou mais filhos!
Será que, para o Primeiro-Ministro e para o Ministro das Finanças, um défice de 55.000 nascimentos por ano (33%!) ainda é pouco?
A APFN reclama que o Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças expliquem a todo o país, e não apenas às famílias numerosas, porque é que, por um lado, queixam-se (com toda a razão) da baixa taxa de natalidade e do impacto negativo na sustentabilidade do país e, por outro, na prática, adoptam medidas que apenas irão agravar esse défice.
Como qualquer família numerosa sabe, e não é preciso ser-se uma grande inteligência para que outros o percebam, são raríssimos os automóveis em que caibam três cadeirinhas no banco traseiro. Mesmo nesse caso, é impossível soltarem-se as crianças em situação de emergência, porque as cadeirinhas ficam de tal forma apertadas que é dificílimo colocar-se e soltar-se o cinto de segurança. Por esse motivo, mesmo as famílias com três filhos vêem-se obrigadas a adquirir viaturas com maior lotação, uma vez que cada criança ocupa muito mais espaço que um adulto.
A APFN reclama que seja aplicado às famílias com três ou mais filhos o regime adoptado para emigrantes, isto é, isenção de IA na aquisição de uma viatura por família, com tempo mínimo de permanência de 4 anos, medida esta que aliviará um pouco o impacto do nascimento de um terceiro filho ou de ordem superior no orçamento familiar.
18 de Abril de 2007
APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas

Estados Unidos: acabou o aborto aos 9 meses!

Caros amigos: esta é uma decisão histórica.
Muitos dos que estiveram em Janeiro, em Lisboa, na Faculdade de Letras, com os americanos da Justice Foundation recordar-se-ão da dramática e repugnante visualização do que era o “aborto antes do nascimento” (aos 9 meses!).
Pois bem…acabou-se.
Deus seja louvado!

Assunto: De hoje: "Supreme Court Upholds Partial Birth Abortion Ban Act"
Supreme Court Upholds Partial Birth Abortion Ban Act
Wednesday, April 18, 2007

WASHINGTON — The Supreme Court upheld the nationwide ban on a controversial abortion procedure Wednesday, handing abortion opponents the long-awaited victory they expected from a more conservative bench.
The 5-4 ruling said the Partial Birth Abortion Ban Act that Congress passed and President Bush signed into law in 2003 does not violate a woman's constitutional right to an abortion.
The opponents of the act "have not demonstrated that the Act would be unconstitutional in a large fraction of relevant cases," Justice Anthony Kennedy wrote in the majority opinion.
The decision pitted the court's conservatives against its liberals, with President Bush's two appointees, Chief Justice John Roberts and Justice Samuel Alito, siding with the majority.
Justices Clarence Thomas and Antonin Scalia also were in the majority.
It was the first time the court banned a specific procedure in a case over how — not whether — to perform an abortion.
Abortion rights groups have said the procedure sometimes is the safest for a woman. They also said that such a ruling could threaten most abortions after 12 weeks of pregnancy, although government lawyers and others who favor the ban said there are alternate, more widely used procedures that remain legal.

Subject: Boas noticias nos EUA

http://www.foxnews.com/story/0,2933,266724,00.html

segunda-feira, abril 16, 2007

Protesto contra a campanha publicidade do Novas Oportunidades

Em protesto contra a incrivel campanha de publicidade do programa Novas Oportunidades, fui ao site respectivo e enviei de lá este mail:

Exmos. Senhores

Venho pelo presente protestar veementemente contra a campanha de publicidade que se tem realizado no âmbito deste louvável programa das Novas Oportunidades.
A mensagem que passa é a de que existem profissões e destinos humanos menores, o que muito me espanta vindo de um governo de matriz socialista.
Além disso o que caracteriza um pais desenvolvido é precisamente a valorização de todas as profissões (e da qualificação necessária para as mesmas), sendo sintoma de sub-desenvolvimento a insistência em graus académicos que, depois, apenas mergulham as pessoas na frustação e infelicidade.
O que necessitamos inclusive é de mais profissionais técnicos e não de licenciados, sendo que, hoje me dia, profissões como as técnicas (e aquelas fruto das escolas profissionais) são aquelas que maiores rendimentos proporcionam aos seus praticantes que inclusivamente ganham melhor e são mais bem sucedidos que muitos licenciados.
Pessoalmente sou testemunha de como muitos miudos que se arrastavam nos bancos dos liceus, enveredando pelos cursos profissionais estudam hoje com um empenho e interesse que não tinham no ensino clássico.
Espanta-me como é possível vir para a rua uma campanha destas e um pedido de desculpas é o minimo que se impõe.
Com os meus melhores cumprimentos
António Pinheiro Torres
Advogado e ex.deputado da IX Legislatura

quinta-feira, abril 12, 2007

Páscoa: Cristo na rua ao encontro das pessoas (na Maia e em Nova Iorque)

Todos os anos e há muitos anos que no Domingo de Páscoa integro um dos grupos do compasso (da visita Pascal) na freguesia de origem da minha mulher, em Vermoim, Maia, arredores do Porto.
É uma experiência comovedora essa da visita Pascal: um grupo de pessoas que leva a Cruz de Cristo, uma caldeira de Água benta, uma pagela com a Oração da Páscoa desse ano, uma campaínha para se fazer anunciar e um cesto de amêndoas, e na área da freguesia que lhe coube, vai de casa em casa, de apartamento em apartamento (aqueles que desejam receber-nos assinalam-no colocando uns verdes à porta de casa ou procurando-nos na entrada dos prédios), anunciar que Cristo ressuscitou.
E é impressionante as lágrimas de tantos quando recebem Jesus e beijam a Cruz, o olhar de esperança enquanto ouvem a oração (a que se vai respondendo com um "Aleluia, Aleluia!"), os doentes e acamados (alguns deficientes), o que representa dar com uma porta fechada ("Não te quero receber oh Deus", terrível! :-(, as famílias que nascem e também as que se desfazem de um ano para o outro, enfim, uma ocasião de anúncio sem paralelo e que ajuda quem o faz a viver a Páscoa com mais consciência e gratidão.
Vem isto a propósito de um vídeo que encontrei e em que se mostra diversas procissões eucaristicas em plena rua de Nova Iorque. Lindo!Vejam! Está em http://www.dailymotion.com/video/x4979_jesus-a-newyork. Cheguei lá através do Blog http://www.superdocious.blogspot.com/.
Cristo ressuscitou: Aleluia!

Promulgação lei do aborto: comunicado Juntos pela Vida

APENAS UMA MENSAGEM DE BOAS INTENÇÕES???

Decidiu o Senhor Presidente da República promulgar a Lei 19/X, enviando uma mensagem à Assembleia da República.

Vimos declarar o seguinte:

A lei emanada da Assembleia da República em consequência do referendo ao aborto no passado dia 11 de Fevereiro defrauda todos os portugueses, os que votaram e os que o não fizeram: aqueles que se abstiveram e que, por qualquer razão, se coibiram da pronúncia sobre a alteração da lei do aborto; aqueles que votaram NÃO, mas sobretudo os que optaram pelo voto SIM, confiantes numa lei equilibrada, que salvaguardasse alguns dos valores civilizacionais que geraram consenso durante a campanha eleitoral, como sejam o direito à vida do bebé por nascer e o acompanhamento das mulheres, nomeadamente a apresentação de alternativas, decorrentes da certeza de que é sempre preferível para todos os intervenientes o apoio e a ajuda para que a mulher possa levar a sua gravidez por diante.

Na mensagem enviada à A.R., sublinha todas as razões da campanha cívica do NÃO: não obstante os condicionalismos políticos no resultado referendário, como sejam a elevada abstenção e o facto de que apenas 25% dos portugueses se pronunciaram claramente pela alteração da lei, não podem os titulares do poder regulamentar olvidar que:
a) Há diversos interesses a ter em conta no processo que agora se avizinha, sendo o PR muito claro quanto à necessidade de informação abrangente para poder a mulher proceder ao "consentimento informado" – visionamento de ecografia, informação sobre os métodos abortivos e as consequências reais do aborto na sua saúde física e psíquica.
b) O papel do profissionais de saúde, nomeadamente dos médicos, para que não sejam excluídos da decisão, podendo ser agentes fundamentais da dissuasão da dramática decisão pelo aborto; frisa ainda a incongruência da decisão legislativa quanto à exclusão dos objectores de consciência, que deverão de facto ter um papel preponderante nas unidades de saúde que pratiquem abortos.
c) As políticas de natalidade e de apoio à maternidade são agora, mais que nunca, uma urgência na nossa sociedade, para que a vida intra-uterina possa ver o baluarte do direito à vida como uma realidade e não como letra morta. Relembramos a Petição Mais Vida Mais Família com cerca de 217 mil subscritores que jaz no Parlamento desde Março de 2004.

Não deixamos porém de criticar a decisão do Presidente da República: é lamentável que a democracia deva deixar-se esmagar por manobras ideológicas, deixando a pouco e pouco que se eliminem diante dos nossos olhos os valores fundamentais que foram e são bandeira da génese da própria sociedade democrática.
Esta decisiva mensagem poderá ser também ela letra morta no quadro legislativo, sem qualquer obrigação vinculativa.
Face à magnitude dos problemas levantados pelo PR não basta apenas enviar uma mensagem de boas intenções que, na prática, não tem qualquer eficácia prática.

Esta lei é má, é uma falsa solução para os problemas que, como sempre dissemos, persistirão: o aborto deve ser combatido nas suas causas porque, como diz o Senhor Presidente da República, "é um mal social a prevenir" e não a proclamar!

Cá estaremos, mais uma vez, quando virmos acontecer em Portugal o que por toda a Europa se tem tornado nítido: o aumento do número de abortos, as vidas das nossas mulheres feridas pela chaga do aborto e um Portugal sem filhos.


Associação Juntos Pela Vida Associação
Lisboa, 10 de Abril de 2007

quarta-feira, abril 11, 2007

O PS, o aborto e a cara de morcego mentiroso

No filme "Anastacia" o morcego de estimação de Rasputine em determinada parte da história diz uma mentira descarada. Para tentar convencer o destinatário da veracidade da mesma, faz olhinhos e pergunta: "acha que eu tenho cara de morcego mentiroso?" (que é precisamente a cara que ele tem, morcego que é e mentiroso que está a ser... ;-)
Vem isto a propósito das carinhas de morcego mentiroso que fizeram hoje Ministros e deputados do PS quando comentavam a mensagem do PR na promulgação da lei do aborto...incrivel! Mas eles acham mesmo que nós acreditamos?
Ou aquelas carinhas são mesmo o retrato chapado da hipocrisia dos abortistas, decididos a não ligar puto ao que o PR diz e sabendo perfeitamente que, como aconteceu no caso da PMA, Belém assobiará para o lado e consentirá em tudo o que lhe apresentarem não por hipocrisia ou mentira, mas só por falta de jeito, ingenuidade e mau conselho (para quem achar que exagero veja o bando de meliantes que compõe o Conselho Nacional da Procriação Medicamente Assistida e a representação desgraçada escolhida pelo PSD...).
Sim, este post está um bocado em tom chateado, mas a paciência tem limites e às vezes a tampa salta...! Lol!

terça-feira, abril 10, 2007

A Lei do Aborto e a Mensagem do Presidente

A Mensagem do Presidente agora divulgada acolhe quase integralmente todas as objecções que o Não foi sucessivamente manifestando desde que a AR aprovou a incrível lei do aborto livre.
É verdade que era impossível que de uma decisão má pudesse resultar o que quer que seja de positivo, mas a lei agora promulgada ultrapassa tudo e defrauda totalmente todo o eleitor do Sim que sinceramente se opõe ao aborto, mas se deixou enganar pela chantagem emocional da "prisão das mulheres".
É claro que pensando o Presidente o que pensa, natural teria sido que tivesse devolvido a lei ao parlamento ainda que este seja suficientemente descarado e fundamentalista (do aborto livre) para o afrontar. Mas se não o fez, o minimo que se espera é que seja consequente com o seu teor e pressione o Primeiro-Ministro para que a regulamentação seja menos desequilibrada e atente melhor aos valores em conflito...
Quanto aos 21 deputados do PSD que aprovaram esta lei, bem podem limpar as mãos à parede...

terça-feira, abril 03, 2007

"Não votar é votar Não" Louçã dixit

Neste momento em que se aguarda a decisão do PR sobre a lei do aborto, aqui vai o meu contributo para a reflexão em curso:
"Ficar em casa e não votar só serve para que a perseguição policial às mulheres continue. Não participar é aceitar que a perseguição possa um dia bater à tua porta. Não votar é votar Não"
Quem o disse?
Francisco Anacleto Louçã numa sessão do Sim!
Voz mais insuspeita não há... :-)

segunda-feira, abril 02, 2007

Concentração pela Vida e pela Verdade (31 de Março): valeu a pena!


Correu bem a nossa Concentração de Sábado. Estavamos mais de uma centena de pessoas (só flores de papel distribuímos 300, mas temos de descontar o já nosso habitual "efeito crianças":-) Gente do núcleo central da campanha, das associações da Federação e dos grupos cívicos do Não. Uma muito composta e representativa delegação do milhão e meio de eleitores que votaram contra a liberalização do aborto.

Depois de um discurso bem estruturado da Isilda Pegado (demonstrando como em estritos termos juridicos não restam dúvidas sobre a ilegitimidade da lei e como a abstenção está a ser usada em completo sentido inverso do seu significado) fomos ao Palácio de Belém entregar o Manifesto pela Vida e pela Verdade que 30 e tal das associações e grupos haviam subscrito. Aí o acento é sobretudo sobre o abuso do legislador em relação ao resultado do referendo e do debate público havido: o completo desiquilibrio, através da supressão de formas realistas e eficazes de dissuassão do aborto, entre a excepção ao direito à vida e algum respeito pela sua tutela constitucional.

De regresso de Belém foi comovente constatar que todos aqueles companheiros de caminho nos aguardavam ainda...por quanto tempo continuaremos a lutar? Não sei, mas se calhar tem razão a minha filha Madalena (11 anos) que anteontem dizia a uma minha amiga: "enquanto o meu pai não desistir, não vamos ter descanso"...! :-)

domingo, abril 01, 2007

Muito bom comunicado do PP sobre não-envio pelo PR da lei do aborto para o Tribunal Constitucional

Com a liberdade de quem coloca acima da questão partidária, a da pertença à causa da Vida e da Família, transcrevo com aplauso o comunicado de José Ribeiro e Castro, do CDS-PP, sobre o não envio pelo Presidente da República, da lei do aborto, para o Tribunal Constitucional:

A lei do aborto e a fiscalização preventiva da sua constitucionalidade

Surpreendeu-nos a notícia de que o Presidente da República deixou passar o prazo para promover a fiscalização preventiva da constitucionalidade da lei do aborto.
O facto representa um momento não só de desapontamento, mas de profunda divergência do CDS com o Presidente da República, Prof. Cavaco Silva, que se acentuará no caso de o Presidente, em devido tempo, não vir a usar do veto político.
A lei aprovada pela maioria de esquerda no Parlamento afastou-se claramente daquilo que, no rescaldo do referendo, o Presidente da República recomendou nas declarações que proferiu em 14 de Fevereiro, apontando para a conveniência de “estabelecer consensos alargados".
Como é sabido, a lei não reuniu sequer na Assembleia o consenso do campo que votou “Sim” no referendo de 11 de Fevereiro, uma vez que, nomeadamente, entre outros pontos, foi afastado o sistema de aconselhamento obrigatório segundo o modelo alemão, que havia sido prometido por muitos, incluindo altos responsáveis do PS. A lei aprovada representa que os socialistas e o eng.º Sócrates se afastaram do que haviam garantido aos portugueses, inclusive na própria noite dos resultados do referendo. O PS prometera um “Sim” moderado e acabou por promover e estabelecer o regime do “Sim” radical.
A lei é, assim, claramente merecedora de um gesto de divergência do Presidente da República.
A direcção do CDS tem estudado com constitucionalistas a possibilidade de, se necessário, vir a promover a fiscalização abstracta, a título sucessivo, da constitucionalidade da lei pelos canais que tiver ao seu alcance.
Lisboa, 30 de Março de 2007
Presidente do CDS/Partido Popular,
José Ribeiro e Castro

quarta-feira, março 28, 2007

Relato do encontro de CL com o Papa (na Zenit)

Papa alenta Comunhão e Libertação a «testemunhar beleza de ser cristão»
Ao encontrar-se com 80 mil participantes de uma peregrinação promovida por este movimento CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 27 de março de 2007 (ZENIT.org).-
Bento XVI convidou o movimento eclesial Comunhão e Libertação a «testemunhar a beleza de ser cristãos», seguindo os passos de seu fundador -- e grande amigo de Joseph Ratzinger -- Mons. Luigi Giussani.
Deixou esta mensagem aos seus membros neste sábado, ao receber mais de 80 mil participantes em uma peregrinação promovida por essa Fraternidade, por ocasião do vigésimo quinto aniversário de seu reconhecimento pontifício.
O encontro celebrou-se na praça de São Pedro, no Vaticano, num ambiente de festa que reflectia a longa amizade que une este Papa a Comunhão e Libertação, desde a época em que era professor universitário na Alemanha.
O primeiro pensamento do pontífice, no seu discurso, dirigiu-se a Mons. Giussani, a cujo funeral presidiu, sendo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em nome de João Paulo II, em 24 de fevereiro, há dois anos, na catedral de Milão.
Segundo o bispo de Roma, através de Mons. Giussani, o Espírito Santo suscitou um movimento «para testemunhar a beleza de ser cristão numa época nem que se difundia a opinião de que o cristianismo era algo cansativo e opressor».
«Mons. Giussani empenhou-se então em voltar a despertar entre os jovens o amor a Cristo, ‘Caminho, Verdade e Vida’, repetindo que só Ele é o caminho para a realização dos desejos mais profundos do coração do homem e que Cristo não nos salva sem respeitar nossa humanidade, mas através dela.»
«Desde o início ficou tocado, ferido, pelo desejo de beleza, mas não de uma beleza qualquer. Buscava a Beleza em si, a Beleza infinita que encontrou em Cristo», constatou. «O acontecimento que mudou a vida do fundador ‘feriu’ também a de muitíssimos seus filhos espirituais. E deu lugar às múltiplas experiências religiosas e eclesiais que formam a história de vossa grande e articulada família espiritual», declarou.
Deste modo, disse, Comunhão e Libertação oferece «uma possibilidade de viver de maneira profunda e actualizada a fé cristã, por um lado, com total fidelidade e comunhão com o sucessor de Pedro e com os pastores que asseguram o governo da Igreja; e por outro, com uma espontaneidade e uma liberdade que permitem novas e proféticas realizações apostólicas e missionárias».
Na sua intervenção, o Papa recordou também com emoção os encontros que Mons. Giussani tinha mantido com João Paulo II, em particular a audiência em que deixou a esse movimento a mensagem: «ide por todo o mundo e levai a verdade, a beleza e a paz que se encontram em Cristo Redentor». «Monsenhor Giussani fez daquelas palavras o programa de todo o movimento, e para Comunhão e Libertação foi o início de uma estação missionária que vos levou a oitenta países», recordou Bento XVI. «Hoje convido-vos a seguir por esse caminho, com uma fé profunda, personalizada e firmemente arraigada no Corpo vivo de Cristo, a Igreja, que torna Jesus contemporâneo entre nós», concluiu.
Comunhão e Libertação é um movimento eclesial cuja finalidade é a educação cristã madura de seus próprios seguidores e a colaboração com a missão da Igreja em todos os âmbitos da sociedade contemporânea. Nasceu na Itália em 1954, quando Mons. Giussani deu vida, a partir do liceu clássico «Berchet» de Milão, a uma iniciativa de presença cristã chamada «Juventude Estudantil». As siglas actuais, Comunhão e Libertação (CL), aparecem pela primeira vez em 1969. Sintetizam o convencimento de que o acontecimento cristão, vivido na comunhão, é o fundamento da autêntica libertação do homem. Um instrumento fundamental dos seguidores do movimento é a catequese semanal denominada «Escola de comunidade».

Petição lembra valores cristãos da Europa

Em menos de duas semanas 2603 cidadãos portugueses subscreveram esta Petição:

Nós, o povo da Europa, aqui afirmamos os nossos valores partilhados e reconhecidos na União Europeia de hoje e de amanhã assentes num legado cultural e histórico de matriz Cristã: respeito da dignidade humana e do direito, solidariedade e subsidiaridade, liberdade e responsabilidade. Nós defendemos também a garantia da liberdade de religião, do respeito dos crentes e não-crentes e do diálogo institucional com as Igrejas.
Assinado a 25 de Março de 2007, no 50º aniversário do Tratado de Roma, o acto fundador da União Europeia.

Fui com muito gosto um dos subscritores de uma iniciativa que coincide com a Petição Deus e a Europa em cuja promoção participei em Novembro de 2003 juntamente com o José Ribeiro e Castro, o Joaquim Galvão e o José Pedro Ramos Ascensão, entre outros. Também na mesma altura foi subscrito por quase metade dos membros do parlamento europeu o Manifesto de Bruxelas que ia no mesmo sentido. A Petição Deus e a Europa teve então 80 mil assinaturas, angariadas em apenas um mês, e esteve na origem da posição então tomada pelo Governo português de apoio a esta inserção no Preâmbulo da Constituição Europeia de uma referência às raízes cristãs da Europa.

Trata-se de um combate que ainda não terminou e que mesmo que não venha a ser ganho, será sempre uma vitória. Como disse então o João Luís César das Neves: "depois deste debate já não é possível olhar para aquele Preâmbulo sem se recordar esta discussão. A ausência de referência ao cristianismo, gritará o nome de Cristo, como a sua tumba vazia no dia da Ressurreição!".

Estou de regresso de Roma: estive com o Papa (eu e uns milhares do Cl)!

Regressei ontem de Roma. O motivo foi o encontro com o Papa do movimento Comunhão e Libertação ao qual pertenço no passado Sábado. Uma audiência particular (toda a Praça de S. Pedro e um pedaço da Via della Conciliazione) por ocasião do 25º aniversário do reconhecimento pontificio da nossa Fraternidade.
Um momento grande de encontro com Pedro, de confirmação de um caminho de santidade e de certeza de que Cristo reina e vence. Vim de lá com vontade de amá-Lo mais.
Depois aproveitei e fiz umas férias com as minhas 3 filhas e a minha mulher. Uns dias belíssimos numa cidade extraordinária, onde se tropeça na História e o embate com a Beleza é constante.
Quem quiser conhecer Luigi Giussani (fundador deste movimento) pode começar pelo You Tube: http://www.youtube.com/watch?v=fN6XF_CoeE8 e/ou pedir-me um convite para o encontro da próxima sexta-feira, em Lisboa, com Julian Carrón, um Padre espanhol, que lhe sucedeu na condução do movimento.

Apresentadora de TV alemã causa polémica com revolução "antifeminista"


Apresentadora de TV alemã causa polêmica com revolução "antifeminista"

BERLIM, 23 Mar. 07 (ACI) .- Uma das jornalistas alemãs mais respeitadas e populares da televisão nacional, converteu-se em uma porta-bandeira da revolução "antifeminista" e assegura contar com o apoio de muitas mulheres para quem o êxito profissional não compensa a perda de uma genuína vida familiar.
Eva Herman é autora do best-seller "The Eva-Principle: Towards a New Feminity" (O Princípio de Eva: Para uma Nova Feminilidade). Acaba de publicar seu segundo livro "Querida Eva Herman" onde recolhe cartas de mulheres que apóiam seu rechaço da propaganda da auto-satisfação feminista.
Herman admitiu que lamenta ter se divorciado três vezes e tem publicado seu rechaço ao aborto.
Conforme recolhe a agência LifeSiteNews.com, Herman aborda o aborto como uma violação da mulher e culpa às leis abortistas de minimizar o trauma deste procedimento até fazê-lo equivalente a uma entrevista com o dentista.
Suas publicações rechaçam os objetivos feministas de emancipação, êxito profissional e auto-satisfação e propõe em troca os "fins radicais" da maternidade, o cuidado do lar e a associação matrimonial.
De acordo com os meios alemães, os livros de Herman formam parte de uma nova onda de antifeminismo na Alemanha, marcada por um crescente número de mulheres profissionais que rechaçam o êxito de uma carreira profissional para recuperar a vida familiar e a maternidade.
Herman alenta às mulheres a trocar os ambientes trabalhistas pelo "colorido mundo das crianças" e pede para descobrir seu "destino na nutrição do ambiente caseiro".
Segundo LifeSiteNews.com, Alemanha tem uma das taxas de natalidade mais baixas da Europa, com 1,3 filhos por mulher. A crise reprodutiva do país despertou os argumentos de um "novo feminismo", já que apesar dos maciços esforços governamentais por alentar às mulheres para que tenham mais filhos, os números não mudam.
http://www.eva-herman.de/

quinta-feira, março 22, 2007

240 mil pílulas do dia seguinte!!! Exijo um pedido de desculpas!

No Público de hoje confirma-se o que já era sabido: em 2006 foram vendidas 240 mil pílulas do dia seguinte (um aumento de 62% em relação a 2005)!
Exijo um pedido de desculpas:
a) aos "crentes" dos partidos do centro que defenderam a sua introdução no mercado ou nos acharam na altura uns exagerados quando diziamos que o consumo seria epidémico;
b) a todos os que promoveram a sua entrada em Portugal dizendo que a sua utilização seria "rara" e "apenas em circunstâncias excepcionais"...
c) aos médicos, cientistas "independentes", "autoridades morais" e outros que tais, que colaboraram na embusteirice;
d) aos membros da Comissão de Medicamentos do INFARMED que em circunstâncias inexplicáveis decidiram que o Norlevo seria de venda livre e não de receita obrigatória como o Tetragynon (o que provocou a demissão do então Presidente dessa Comissão, Dr. Serafim Guimarães)
e) a todos os jornalistas da escola da Fernanda Câncio que se deliciam a "anunciar" essas e outras belas ideias (como as da pílula abortiva ou dos sitíos onde se faz aborto clandestino) não percebendo que uma coisa é a notícia e outra o panegirico que resulta da conciliação entre essa abordagem e outras questões (como as do aborto livre ou em breve da eutanásia-não deve faltar muito para aparecer o choradinho dos suicidios clandestinos e dos medicamentos que à surrelfa dão o mesmo resultado...)
f) a todos os que estão a ler isto e que daqui a uns anos vão fazer uma cara muito surpreendida quando os números do aborto legal foram também esmagadores...
Tou realmente farto de uma malta que ignora a realidade (o que em certa medida é natural: quem está junto destas populações somos nós e desde 2000 que vemos como o fenómeno cresce) e ainda por cima nos atira para cima uma cara de "autoridade moral"! Como diz a minha mãe: arre, que a estupidez já é demais!
240 mil são 20 mil por mês, quase 700 por dia, 28 por hora.
É impossível determinar quantas vezes a pílula foi tomada "em vazio" (isto é: não houve fecundação, apenas a relação sexual), mas se num cálculo muito/muito modesto, dissermos que em apenas 10% dos casos a mulher estava grávida (ou para ser politicamente correcto: tinha havido fecundação), isso quer dizer 24 mil "coisas humanas" (para utilizar a expressão de Lidia Jorge e evitar polémicas...) que não chegaram a nidar (e depois desenvolver-se e depois nascer)!

segunda-feira, março 19, 2007

Política e Padre António Vieira: desassombrado!

"Toda a política sem a lei de Deus, é ignorância, engano, desacerto, desgoverno, erro, ruína"

Em Sermão da Sexta-feira da Quaresma, 1662

E mai nada!

Viva o Norte, viva o Minho! (texto de Miguel Esteves Cardoso)

A minha mulher é do Norte.
Casei em Caminha (no Minho, no Norte)
A minha família é do Norte (Pai do Porto, Mãe de Braga).
O Futebol Club do Porto é do Norte.
No Norte o Não é mais forte.
Passo férias no Minho há 44 anos.
O Minho é o melhor do Norte.
Tenciono acabar os meus dias em Afife (no Minho, no Norte).

Eis um belíssimo texto sobre o Norte:

«Primeiro, as verdades.O Norte é mais Português que Portugal.As minhotas são as raparigas mais bonitas do País. O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela.As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantesque já se viram.Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo àvista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca.Verde- rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se brancoao olhar. Até o granito das casas.Mais verdades.No Norte a comida é melhor.O vinho é melhor.O serviço é melhor. Os preços são mais baixos.Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar umaninharia.Estas são as verdades do Norte de Portugal.Mas há uma verdade maior.É que só o Norte existe. O Sul não existe. As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira,Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta.Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista?No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntosfalam de Portugal inteiro.Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país.Não haja enganos.Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal.Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal.Mas o Norte é onde Portugal começa.Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo.Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muitopequenina. No Norte.Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa.Mais ou menos peninsular, ou insular. É esta a verdade.Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especialmas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso àparte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam doAlentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível aque chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muitoestragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem nãoquer a coisa.O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho. Tem esse defeito e essa verdade.Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é mpecável,porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses)nessas coisas.O Norte é feminino. O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulherportuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dánas vistas sem se dar por isso.As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-sesozinhos.Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham defrente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas,graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidaspelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coramquando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de umapanela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm osolhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dosbrincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada comoconduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas.São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Nortedeveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. EmViana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão,numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente. Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial.Só descomposturas, e mimos, e carinhos.O Norte é a nossa verdade.Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte sóporque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho quepreferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada portuguêsescolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.Depois percebi.Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de asdefenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o
"O Norte".Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a suapertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a umaterra maior, é comovente.No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Pontede Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita.O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os- Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parecevago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, paraas árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, paraadivinhar.O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nóstodos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm e dizer "Portugal" e "Portugueses". No Norte dizem-no a toda a hora, com amaior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos.
Como se fosse só um nome.
Como "Norte".
Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros.
Porque é que não é assim que nos chamamos todos? »

quinta-feira, março 15, 2007

"Despedida" ontem do Senhor D. Manuel Clemente

Foi belissima a Missa de ontem em S. Vicente de Fora (de "despedida" do Senhor D. Manuel Clemente que vai para Bispo do Porto)!
Um momento de comunhão e alegria como só existe na Igreja! A consciência de que ninguém se afasta quando parte em Missão e que quanto mais "atracados" a Cristo mais próximos estamos (ainda que fisicamente distantes).
Belas as palavras do Patriarca (percebe-se ali uma amizade especial e que é de sempre) e belas as palavras do Senhor D. Manuel Clemente (a falar do realismo cristão, deste mistério de se poder dizer "a realidade é Cristo" e da presença concreta, carnal e palpável, do Senhor da História, nos rostos daqueles que são a Sua Misericórdia para connosco).
Antes (assisti ao cortejo no exterior) a beleza de ver desfilar uma centena de Padres: rostos tão diferentes, mas homens que têm em comum o terem sido eleitos por Ele (por Ele!) para serem sua presença no mundo. Lindo!
Em muitos momentos da liturgia (perante tanta beleza, a grandeza do que vivemos e na presença da qual sempre estamos, a caridade infinda que nasce da Igreja, os Santos que tivemos ao longo dos tempos, a Fé simples do povo ali presente, etc.) pensava: que podem contra isto os Louçã e os Correia de Campos, a Câncio e a Belém, a Laicidade e República ou a APF, aquela gente triste e gasta, massacrada pela vida e descrente de que possa haver mais e melhor, que encontravamos nos debates públicos na campanha do referendo? Nada, rigorosamente nada.

As minhas filhas e o referendo do aborto

Tenho pena de ainda não ter aprendido a colocar imagens aqui no Blog...
Gostava de mostrar um cartão (acompanhado de uma flor, agora já murcha...) e de um auto-colante da campanha (que diz: "Sou feliz porque nasci. Obrigado Pais") que me apareceu colado na porta do nosso quarto, do lado de fora, uns dois dias depois de 11 de Fevereiro passado. Foram as minhas filhas (17, 15 e 11 anos, respectivamente) que o puseram lá.
Diz assim:
"Independentemente da opinião deste mundo estúpido,nós estamos felizes por termos nascido, e por terem passado dificuldades para nos darem a vida, e ainda mais por nos terem ensinado o dom da vida. É tudo o que importa. Obrigado!"
Lindo! É mesmo tudo o que importa. Fiquei comovido.
E como os abortistas não têm filhos e não querem que nasçam mais crianças, daqui a uns anos falamos...
Notas: em Portugal neste momento entre 7 a 10% das famílias entram na classificação de "numerosas" (aquelas em que há 3 ou mais filhos). Essas mesmas famílias são aquelas em que vivem 25% das crianças portuguesas! Eleitoralmente, isto está no papo :-)
Se a isso acrescentarmos a observação daquele americano especialista em demografia (numa entrevista à revista Visão): "ninguém é capaz de dizer que mutação cultural vai suceder nas nossas sociedades, quando são as pessoas religiosas as que têm (mais) filhos", é fácil de prever que os vencedores de hoje terão um reinado muito curto :-)

segunda-feira, março 12, 2007

Joana Amaral Dias e a liberdade

Bom artigo o de Joana Amaral Dias, hoje no DN, sobre a progressiva perda de liberdade que se está a dar na nossa sociedade com os sitemas policial, de cruzamento de dados e outras medidas de "higiene" pessoal ou social: http://dn.sapo.pt/2007/03/12/opiniao/sisi_a_controladora.html
Por um lado é pena que Joana Amaral Diasnão perceba que também no direito à Vida se joga uma questão de liberdade (qualquer dia por razões económicas, de higiene e outras, é o Estado que decide quem pode nascer e quando...), mas por outro estou convencido que não faltarão muitas décadas para vivermos num daqueles sistemas totalitários (descritos por Aldous Huxley entre outros) e nesse momento serão os católicos e os do BE os principais protagonistas da guerrilha da liberdade humana...
Mas se o bom senso e um uso adequado da razão fossem já a regra, podíamos evitar ter de chegar a esse dia...

quarta-feira, março 07, 2007

Primeiro-Ministro preocupado com a demografia

PM novamente preocupado com a demografia

A APFN congratula-se por o Primeiro-Ministro ter manifestado hoje a sua preocupação com a crise demográfica em Portugal, crise essa que se irá agravar por Portugal se ter tornado o primeiro país do mundo a liberalizar o aborto em plena crise demográfica, aumentando, assim, o número de recordes em originalidades nacionais.
A APFN estranha que o PM tenha defendido o exclusivo recurso à "importação" de emigrantes para vencer esta crise, versão moderna da vinda de bebés de Paris no bico de cegonhas. Com efeito, as estatísticas mostram que, não só é cada vez menor o número de emigrantes que procuram Portugal, como é cada vez maior o número dos que regressam aos seus países e de jovens portugueses que saem para o estrangeiro, uma vez que Portugal continua a praticar uma cada vez mais acentuada política anti-natalista e anti-família, em flagrante contraste com a esmagadora maioria dos nossos parceiros europeus.
A APFN apela ao Primeiro-Ministro para que, enquadrado num plano global de apoio à natalidade para fazer frente ao cada vez mais pronunciado Inverno demográfico:
1 - Motive os municípios portugueses a seguirem as melhores práticas de apoio às famílias com filhos que já foram adoptadas por um número crescente de municípios portugueses, e de que a Câmara Municipal de Vila Real é o melhor exemplo;
2 - Que, no quadro do Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos dê primeira prioridade ao aumento da natalidade em Portugal, designadamente:
Fim de todas as medidas discriminatórias contra as famílias com filhos, designadamente na extravagante discriminação fiscal entre casados e divorciados (mais uma das originalidades lusas)
Adopção em Portugal das melhores medidas anti-discriminatórias e de apoio às famílias com filhos praticadas, com sucesso, na Europa, e de que a França é o melhor exemplo comprovado, uma vez que o número médio de filhos por casais aí imigrados é precisamente igual aos desejados e desejáveis 2.1;
A APFN manifesta toda a sua disponibilidade para colaborar neste desafio a que o país tem que responder com sucesso, uma vez que o mínimo que um país pode pretender para o século XXI é existir quando este chegar ao fim.
6 de Março de 2007
APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas

domingo, março 04, 2007

Arrumando papeis: "O Referendo, a Política e o Futebol", um artigo de Pedro Afonso

Uma tarde de Domingo é uma boa altura para arrumar papeis...passam diante dos meus olhos umas centenas de folhas de papel em que estão os quase quatro meses da campanha do Não (Novembro a Fevereiro). Alguma nostalgia e a eterna dúvida se era possível ter feito melhor, fazendo de outra forma qualquer...?
Entre esses papeis, este artigo do Pedro Afonso, retirado de www.mulheresemaccao.org. Num momento do debate em que os políticos retomaram as rédeas dos trabalhos, é bom recordar a total natureza civil do movimento do Não.


O referendo, a política e o futebol

Regra geral, os debates nos órgãos de comunicação social estão limitados a duas áreas temáticas: a política e o futebol. Os intervenientes, por sua vez, também não variam muito. No fundo, se percorrermos os vários canais de televisão, as rádios e os jornais, vamos encontrar quase sempre os mesmos protagonistas. A juntar-se a eles, temos os comentadores desportivos e políticos. O círculo encerra-se e, ao fim de algum tempo de os ouvir, quase que adivinhamos aquilo que cada um vai dizer. Numa palavra, torna-se um perfeito enfado depararmos sempre com as mesmas caras e os mesmos discursos.

O cidadão comum sabe, porém, que o seu dia-a-dia tem muitos outros problemas, mas que só chegam à agenda da comunicação social quando adquirem contornos dramáticos ou de escândalo. A rotina instalou-se e a realidade é-nos retratada de uma forma filtrada e parcial. Essa realidade, no entanto, vai muito além daquilo que nos é mostrado e dos temas que conseguem ter tempo de antena. Há outros assuntos importantes, e existem ainda outros intervenientes, para além dos habituais, e que merecem ser escutados.

Tivemos recentemente um exemplo disso, com o referendo sobre o aborto. Assistimos a uma sociedade civil mobilizada, viram-se novas caras, ouviram-se outras opiniões, o que acabou por ser uma lufada de ar fresco na monotonia em que se tornaram os debates na comunicação social.

Mas, o mais interessante foi observar que muitas das pessoas que intervieram durante esta campanha tinham diversas profissões: médicos, advogados, professores, biólogos, sociólogos, etc. Talvez por essa razão, as suas intervenções pareciam-nos mais genuínas e mais motivadas por convicções pessoais do que por interesses políticos. A confusão instalou-se, chegando ao ponto de se verificar que algumas pessoas tradicionalmente posicionadas à direita, defenderam o “Sim”, e outras (embora em menor número), habitualmente mais conotadas com um pensamento de esquerda, defenderam o “Não”. Por outro lado, os políticos sentiram o incómodo desta intromissão por parte da sociedade, num palco que lhes é habitualmente reservado. Diria mesmo que, em muitos casos, os próprios políticos fizeram o papel de outsiders, tal era a preparação e a qualidade da argumentação de muitos dos outros protagonistas deste referendo.

A comunicação social percebeu isso. E, apesar de, no início o ter feito timidamente, acabou por dar tempo de antena a estes novos interlocutores da sociedade civil. Finalmente surgiram caras novas e discursos diferentes. Sentiu-se que algumas destas intervenções estavam mais perto das pessoas. Pareciam ser mais genuínas, uma vez que não apresentavam uma linguagem demasiado fechada  normalmente utilizada pelos políticos.

As regras do jogo mediático alteraram-se temporariamente. Por essa razão, muitos dos comentadores ficaram pouco à vontade. As suas análises e artigos de opinião foram, em muitos casos, pobres em termos de conteúdo argumentativo, contudo repletos de carga ideológica, chegando mesmo a desaparecer a linha que separa o comentário da própria actuação política. Ao mesmo tempo, percebia-se que muitas vezes não estavam à altura de criticar as inúmeras intervenções proferidas por uma sociedade civil muito bem capacitada em várias áreas (por exemplo, no direito e na medicina). Aliás, aquele não era definitivamente o tipo de comentário que estavam habituados a fazer, visto exigir uma preparação técnica superior que só a especialização permite.

Julgo, por fim, que se abriu uma brecha neste círculo fechado. Foi uma lição e um sinal dos tempos. Chegou a altura de quebrar este autismo. A sociedade civil precisa de intervir mais, é preciso dar-lhe esse espaço porque todos temos a ganhar com isso.

Pedro Afonso - Psiquiatra

sábado, março 03, 2007

Salas de chuto: que chatice a ONU dizer o contrário!

Como é natural a ONU veio declarar que a existência de salas de chuto (como aquelas que em Portugal por via da alucinação socialista serão abertas em breve) é incompatível com os compormissos internacionais de combate à droga, materializados numa série de tratados, subscritos entre outros países, por Portugal.
Que responde o militante do PCP João Goulão, presidente do IDT, sempre tão pressurosos em citar experiências internacionais quando estas coincidem com o seu preconceito ideológico?
Que não importa a opinião da ONU e que em Portugal se vai avançar com as salas de injecção assistida...!
Elucidativo.
Nota para quem quiser mais informação sobre o assunto: www.referendo-droga.org (era o site do Movimento pró-referendo da droga que existiu entre 2000 e 2001 e que é um repositório de muita informação sobre esta matéria).

Da ingenuidade dos admirados com o Sim ao aborto

Se não fosse triste, daria vontade de rir a admiração que alguns agora revelam perante a forma como o Sim radical tomou conta das operações, mostrando a verdadeira face dos abortistas: o que eles querem mesmo é que as mulheres abortem, que nenhuma dificuldade exista e que se lixe (para não haver discussão, uso a expressão da Lídia Jorge) a "coisa humana".
A que me refiro? Entre outros, o último artigo de Pedro Lomba no DN e às declarações de Miguel Relvas (deputado do PSD), no parlamento (admirado por constatar que nunca passou disso, nas mãos dos bloquistas e amigos: de uma cereja no cimo do bolo, um burguês utilizado para exibição pela frente proletária, um guardanapo de papel utilizado e deitado fora quando já não é necessário).
Para os que seguem menos estes assuntos (abençoados!):
1. A maioria de esquerda na AR tornou facultativo o aconselhamento da mulher que quer abortar (excluindo mesmo desse aconselhamento os médicos que se tiverem manifestado como objectores de consciência...!)
2. Os deputados do PSD usados pelo movimento do Sim foram excluídos das negociações e elaboração da lei do aborto...
Há gente que nunca aprende mesmo...!

Igreja e Maçonaria: não há novidades.

Convém sempre lembrar o assunto, porque muitas vezes reina a confusão...:

Não há novidades por parte da Igreja sobre pertença à maçonaria
Declara o regente da Penitenciaria Apostólica ROMA, sexta-feira, 2 de março de 2007

(ZENIT.org).- Pode um católico entrar na maçonaria? A esta pergunta respondeu negativamente o congresso celebrado nesta quinta-feira na Faculdade Pontifícia Teológica São Boaventura. O encontro, celebrado em colaboração com o Grupo de Pesquisa e Informação Sócio-religiosa da Itália (GRIS), foi presidido pelo bispo Gianfranco Girotti O.F.M. Conv., regente do Tribunal da Penitência Apostólica, que declarou que o juízo da Igreja sobre esta matéria não mudou.
A Igreja, recordou, sempre criticou as concepções e a filosofia da maçonaria, considerando-as incompatíveis com a fé católica. O último documento oficial de referência é a «Declaração sobre a Maçonaria», assinado pelo então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Joseph Ratzinger, em 26 de novembro de 1983.
O texto afirma que os princípios da maçonaria «sempre foram considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja; em conseqüência, a afiliação à mesma continua proibida pela Igreja». «Os fiéis que pertençam a associações maçônicas se encontram em estado de pecado grave e não podem acudir à santa comunhão», acrescenta a declaração assinada pelo atual Papa. O sacerdote Zbigniew Suchecki O.F.M. Conv., especialista na matéria, recordou o número 1374 do Código de Direito Canônico, que diz que quem se inscreve em uma associação que maquina contra a Igreja deve ser castigado com uma pena justa; quem promove ou dirige essa associação, deve ser castigado com proibição.
«As tentativas de expressar as verdades divinas da maçonaria se fundamentam no relativismo e não coincidem com os fundamentos da fé cristã», afirmou o especialista na matéria.
No encontro, participaram expoentes das associações maçônicas e grandes professores.
Dom Girotti fez referência às declarações de alguns sacerdotes que publicamente se declaram membros da maçonaria, e pediu a intervenção de «seus diretores superiores», sem excluir que «da Santa Sé possam vir medidas de caráter canônico».
ZP07030204

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Notas pessoais sobre o resultado do Referendo

Vencidos mas não convencidos e ainda mais determinados

Com uma velocidade impressionante a vida normal reocupou o seu espaço: 2ª de manhã, levantar “o circo” deixado na Associação Comercial de Lisboa, à tarde regresso à advocacia. 3ª de manhã tratar do visto para viagem profissional e depois escritório. 3ª à noite embarquei para o Sal e depois para Santiago (Cabo Verde) de onde regressei sexta de madrugada. Ao fim da tarde e finalmente partida com a família para uns dias no Minho!
Na minha ausência um jantar ontem com 150 pessoas envolvidas na campanha e uma denúncia de que (como prevíramos) afinal não queriam aconselhamento nenhum…alguém tinha dúvidas? Que dizem agora todas aquelas almas "bem-intencionadas"?
Um destes dias, na RTP África, apareceu a Clínica de Oiã a reconhecer que faz 600 abortos por ano. Adivinhem como votaram os que o fazem? Cá por mim estou disponível para subscrever uma participação criminal…
Mas uma palavra sobre o que se passou em 11 de Fevereiro:
Não há como negar que aconteceu uma coisa que é muito má. Não negá-lo e ir até ao fundo deste sentimento é uma responsabilidade a que não podemos escapar. Mas o surpreendente é que quem o faz experimenta uma grande paz. Uma paz que nasce da serenidade de quem deu o seu melhor (andámos 10 anos a empatá-los, queridos amigos, e vendemos cara a nossa pele!) e também de quem sabe que tudo o que acontece, não nos pertence: vitória e derrota, conquista e perda, tristeza e alegria.
Desse balanço nasce também outra responsabilidade: que me chama esta circunstância a cumprir? Quais as novas exigências que me são feitas? Do que faço, o que é que acrescenta valor e constrói? Que vou e onde fazer a partir de agora?
Uma coisa que me impressionou foi a pergunta de um jornalista, no fim da noite de 11 de Fevereiro: “como é que perderam e o ambiente aqui (na Associação Comercial de Lisboa) parecia ser de quem ganha?”. A mesma constatação repetiu-se aliás em todos os jornais do dia seguinte. Não falam apenas da nossa serenidade, mas também da nossa alegria. Na resposta que lhe dei falei só dos elementos objectivos: a paz de quem deu tudo, o facto de ter crescido o campo do Não (temos mais votos, sabemos mais do assunto, estamos mais presentes no país inteiro), a continuidade que está sempre assegurada desta movimentação, porque tem origem em pessoas e realidades, que já cá estavam antes do referendo e vão continuar. Um exemplo: só durante a campanha nasceram duas novas associações.
Um outro perguntava: sente-se humilhado? Respondi que não: estava antes honrado de me ter sido dada a possibilidade de me ter batido por aquilo em que acreditava.
Conforme os dias passam, e depois de ter acordado meio estremunhado, com a sensação de um estranho em terra estranha, vai crescendo em mim um desejo de andar para a frente que já tem contornos precisos: arrumar os dossiers da campanha (apresentar contas, guardar as bases de dados, arrumar o material), encontrar uma sede permanente maior para a Federação e rapidamente reunir “as tropas”: para estar juntos, fazer o balanço e abraçar novas tarefas.
E recordo-me do que uma vez li num livro. É a fala do Barão, um dos personagens principais, a quem estavam a propor uma iniciativa ousada e difícil: “Impossível? Alguém disse impossível? Então temos de reunir já os mapas e preparar as nossas próximas campanhas!”.
É assim que me sinto meus caros leitores. Era só o que faltava se um referendo me tirava a vontade de lutar e servir!
Nota final: é mais fácil daqui a uns anos mostrar que o aborto legal é um disparate do que agora. O pessoal é assim: só vendo…
Junto o texto do Evangelho de dia 12 de Fevereiro como foi difundido pelo “Evangelho Quotidiano”. Impressionante.

2ª feira da VI semana comumHoje a Igreja celebra : Santa Eulália de Barcelona, virgem e mártir, +304 Santo : “Porque é que esta geração exige um sinal?” Evangelho segundo S. Marcos 8,11-13.Apareceram os fariseus e começaram a discutir com Ele, pedindo-lhe um sinal do céu para o pôr à prova. Jesus, suspirando profundamente, disse: «Porque pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo: sinal algum será concedido a esta geração.» E, deixando-os, embarcou de novo e foi para a outra margem. Da Bíblia Sagrada Comentário ao Evangelho do dia feito por : Santo (Padre) Pio de Pietrelcina (1887-1968), capuchinho CE,57 ; Ep 3,400s (Um Pensamento)
“Porque é que esta geração exige um sinal?”
O mais belo acto de fé é o que sai dos teus lábios em plena obscuridade, no meio dos sacrifícios, dos sofrimentos, o esforço supremo de uma vontade firme em fazer o bem. Como um raio, este acto de fé dissipa as trevas da tua alma; no meio dos relâmpagos da tempestade, ela eleva-te e conduz-te a Deus.A fé viva, a certeza inquebrantável e a adesão incondicional à vontade do Senhor, eis a luz que alumia os passos do povo de Deus no deserto. É esta mesma luz que resplandece a cada instante em todo o espírito agradável ao Pai. Foi também esta luz que conduziu os magos e os fez adorar o Messias recém-nascido. É a estrela profetizada por Balaão (Nm 24,17), o archote que guia os passos de todo o homem que procura Deus.Ora esta luz, esta estrela, este archote, são igualmente o que ilumina a tua alma, o que dirige os teus passos para te impedir de vacilar, o que fortifica o teu espírito no amor de Deus. Tu não a vês, tu não a compreendes, mas isso não é necessário. Tu só verás trevas, certamente não as dos filhos da perdição, mas sim as que rodeiam o Sol eterno. Tem por certo que esse Sol resplandece na tua alma; o profeta do Senhor cantou a seu respeito: “na tua luz é que vemos a luz” (SL 36,10).

Impressionante, não é?

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Balanço de uma campanha: vale a pena dizer Não!

Vale a pena dizer Não

Debates e sessões de esclarecimento, encontros com a comunicação social e eventos de carácter científico, grandes encontros populares de encerramento no Porto e Lisboa, Évora e Braga. As grandes manifestações dos dois últimos fins-de-semana: milhares de pessoas na Fonte Luminosa, e, depois em Vila Real e Viseu, Faro, Porto e Setúbal. Apetece antecipar o balanço, tirar conclusões.

Revejo as sessões públicas em que me foi possível compreender pelo menos uma coisa: podemos paradoxalmente ser todos contra o aborto, mas há quem só o queira tornar legal. Preferimos que não haja nem legal nem clandestino. Não se percebe porque haja de ser tolerada uma realidade ilegal e branqueados os que vivem da exploração da fragilidade do outro. Dotados de inteligência e razão, somos convidados a encontrar outras soluções e não ceder ao conformismo e à resignação.

Recordámos sem cessar a humanidade do embrião ou feto a que todos, quando acontece em nossas casas, chamamos filho. Ninguém se pode sentir autorizado a dispor sobre a vida, parafraseando Lídia Jorge, “dessa coisa humana”… Quando aborta, uma mulher vê destruída não apenas essa “coisa”, mas também, com uma assustadora probabilidade, a própria vida. E, revendo o “Happy Birthday” de um rapper norte-americano (disponível no You Tube), também a vida do seu pai e de todos à roda. Mesmo que seja legal (como o é nos Estados Unidos e, em alguns estados, até aos 9 meses). Repetimos à saciedade as palavras de Clara Pinto Correia: o aborto não resolve problema nenhum e “apenas torna a vida pior do que, para alguns, ela já é”.

Procurámos explicar porque é que o juízo sobre um facto (o aborto), não é um juízo sobre a mulher que aborta. Que a lei penal não usa a qualificação do sujeito (criminoso ou criminosa) mas palavras objectivas: facto, acto, conduta, ilícito. Que a lei protege a vida do bebé e da mãe quando é a sua última defesa contra a pressão de quem a quer fazer abortar. Que a lei aponta uma estrada e a sua validade não se mede pela verificação de infracções. Que a lei que protege a vida humana, com as excepções das normas introduzidas em 1984, não é mais severa do que a que protege a propriedade informática, o ambiente ou o bom-nome de cada um. Denunciámos por isso a incoerência daqueles que não evitaram quando podiam o que qualificam como o “escândalo dos julgamentos” (nascido da forma como os usam). E que se a resposta no referendo fosse sim o “escândalo dos julgamentos” prosseguiria para toda a mulher que abortasse fora de estabelecimento oficial ou autorizado até às 10 semanas e para toda a que abortasse depois dessa aleatória data. Dúvidas houvessem e o Eng.º Sócrates se encarregou, nos últimos dias, de nos confirmar que a pergunta é sobre a liberalização…

Vimos juntarem-se a nós amigos novos. Muita gente de muitos lados. Verificámos como é possível a coexistência de perspectivas diferentes, ângulos diversos, histórias separadas, axiologias variadas. Em comum: dizer Não à liberalização.

Verificámos estupefactos como se vende uma proposta coxa como se fosse o melhor dos mundos. Limitámo-nos a testemunhar o que nos tem acontecido ver ao longo destes últimos anos: milhares de mulheres e crianças salvas. Aqui reclamámos: se umas dezenas de associações fizeram o que fizeram, o que não faria um Governo que estivesse disposto a aplicar em politicas adequadas, o que está disponível para gastar, por uma cegueira ideológica muito datada, no aborto livre e legal!

Aceitámos discutir tudo e suportámos pacientemente todos os insultos. Fomos moderados escutando as objecções de quem as quis formular. Demos as nossas razões em todo o lado e perante todas as audiências. Á nossa volta vimos crescer um povo e uma cultura da Vida. Independentemente do resultado (o beco fechado da vitória do Sim ou o caminho aberto a todas as possibilidades da vitória do Não), depois de uma mobilização cívica sem precedentes, a Vida cresceu em Portugal. Razões de sobra para dizer que valeu a pena.

António Pinheiro Torres
Mandatário dos Juntos pela Vida

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

De como se ameaça o povo se ele não votar "bem"...

Assisto incrédulo a como o Primeiro-Ministro e os partidários do Sim se permitem ameaçar o povo se ele não votar "bem"...
1. Se o povo não ocorrer ao referendo (uma das poucas hipóteses que têm de expressão política fora do sistema dos partidos), não há mais referendos para ninguém...! Isto é: quem muito legitimamente desejar abster-se porque não quer mudar a lei actual, mas não se sente confortável a votar Não, fica a saber: o Eng. Sócrates tira-lhe (a ele e a nós todos) o referendo! "Bem feita que devias votar Sim"...
2. Se o povo votar Não também fica a saber que o Eng. Sócrates quer tudo ou nada: aborto livre ou nada. Isto é: afinal o que o Sim quer, não é o fim dos julgamentos e da ameaça da prisão (a que a proposta ontem dos independentes do Não, acolhida pelo PSD e pelo PP, já dá resposta). O que quer mesmo é o aborto livre. Se o povo não lhes dá? Afinal dizem: "estamos nas tintas para os julgamentos e a ameaça da prisão".
É bonito de se ver este apego à democracia. Que só serve se coincidir com a vontade deles, está visto...!

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Às vezes o coração não bate nunca...

A afirmação espantosa e contra toda a evidência de Mário de Sousa no Público de hoje de que "às dez semanas não bate um coração", só tem uma explicação: passou-se de vez (veja-se algumas das coisas espantosas que este costuma afirmar em diversas secções do www.referendo-pma.org ) ou então falava de coração no sentido de Giussani: como aquele complexo de anseios profundos de cada homem (beleza, felicidade, paz, bondade, etc.) e nesse caso reconhecia que às vezes, parece, este não bate nunca...!?
Será o caso? ;-)

Da vantagem do aborto não ser liberalizado e da vergonha do clandestino

Os meus apontamentos de campanha estão completamente anárquicos, mas é o preço que paga quem está no centro da campanha (não se chega a "gozá-la" e tem-se pouco tempo para escrever), mas de vez em quando lá vai um copy paste, como este de um mail de uma amiga:

Num estudo realizado nos EUA, 72% das mulheres interrogadas afirmaram
categoricamente que se o aborto fosse ilegal nunca o teriam feito; 24%
exprimiram dúvidas sobre se o teriam feito ou não; Somente 4% das
interrogadas afirmaram que teriam feito o aborto ainda que ele fosse ilegal.
(Cf. Aborted Women: Silent No More, David Reardon, Chi­cago, Loyola University
Press, 1987)".

Já agora, um comentário adicional: o aborto clandestino, na dimensão que se diz ter em Portugal, só é possível porque o Governo não se empenha decididamente contra ele. Não havia necessidade (como dizia o outro) de ser tão acessível e, nessa medida, quem o tolera, divulga e, desta maneira, o promove, é objectivamente responsável (ainda que subjectivamente não o deseje) pelas histórias dramáticas que as páginas de campanha do Sim (no "Diário de Notícias") vem contando. Como também, acrescente-se, da difusão de todas as formas quimicas de o praticar.
Por último: nunca vi campanha de publicidade tão barata como a da clínica dos Arcos. O que aquela mulher se deve rir, à custa do provincianismo de quem a erigiu em "opinion maker"...!

Crianças maltratadas e aborto (na Rússia)

Um dos "argumentos" dos abortistas é que as desgraças que acontecem infelizmente com tantas crianças, não teriam lugar com o aborto livre até às 10 semanas (isto é, se as suas vidas fossem suprimidas, não viriam a sofrer o que sofrem...!).
este artigo de hoje no Correio da Manhã, referente à Rússia (um país onde os abortos pela primeira vez na história dos países com aborto livre SUPLANTARAM o número de nascimentos, já colo aqui essa notícia!) vem demonstrar que os maus tratos infantis não se evitam com o aborto livre. leiam só:

2007-02-02 - 00:00:00Rússia - Hospital investigadoBebés amordaçados por causa do choroÉ um caso que está a chocar a Rússia. A Procuradoria russa está a investigar acusações segundo as quais o pessoal de um hospital da localidade de Yekaterinburg amordaçava bebés. O motivo era simples: evitar ouvir as crianças a chorar.
d.r.O ‘crime’ dos bebés foi chorar
De acordo com a BBC, o caso só veio a público depois de um paciente ter escutado os choros ‘atenuados’ dos bebés, todos eles órfãos. A testemunha ocular recorreu ao seu telemóvel e gravou tudo, sendo visível nas imagens uma série de bebés, em fila, com as bocas tapadas, ao que parece com fita adesiva. Refira-se que o paciente chegou a aproximar--se de uma enfermeira para lhe pedir explicações, sendo que esta o aconselhou a meter-se na sua vida. No entanto, o paciente conseguiu comprovar, posteriormente, que as fitas haviam sido retiradas das bocas das crianças. A referida funcionária já não trabalha no hospital, tendo sido já aberta uma investigação criminal. A unidade hospitalar alega que os bebés foram silenciados da referida forma por dispor de muito pouco pessoal para cuidar das crianças. Saliente-se que este caso está a merecer uma ampla cobertura por parte dos meios de Comunicação Social russos e internacionais.MILHÕES DE CRIANÇAS NA RUAO caso envolvendo estes bebés sem pais ocorre numa altura em que é cada vez mais preocupante o drama dos chamados ‘órfãos sociais’ existentes na Rússia. Apesar de ninguém saber ao certo o seu número, são em elevado número os que vivem nas ruas, longe dos pais, alcoólicos, a cumprirem penas de prisão ou sem condições económicas. Segundo números oficiais, há entre 100 mil e cinco milhões de crianças abandonadas na Rússia.
Paulo Madeira com agências

Justiça Popular: um artigo de Paulo Geraldo

Justiça popular

Nos casos em que crianças pequenas foram maltratadas e assassinadas, foi muito difícil impedir que multidões iradas exercessem a chamada "justiça popular" sobre os presumíveis culpados, frequentemente familiares, e conseguir que fossem julgados pelas autoridades. Ainda bem que se conseguiu impedi-lo, porque também uma pessoa carregada de culpas é uma vida, e tem sucedido muitas vezes que os anos passados na prisão purificam essas vidas e as nobilitam.
Mas essa reacção popular, instintiva e pouco pensada, mostra bem como trazemos dentro de nós uma aversão natural a actos desse género.
Sempre que uma pessoa adulta faz consciente e voluntariamente um mal a uma criança, manifesta que não é senão lixo humano. Independentemente de esse adulto ser homem ou mulher, rico ou pobre, famoso ou desconhecido, poderoso ou não. Independentemente do que diga qualquer lei que os homens façam.
A gravidade de um mal que se faça será maior sempre que a vítima for mais inocente e mais indefesa. E matar é o pior de todos os males, porque ao tirar a vida a alguém se lhe tira, com ela, todos os outros bens.
O início da vida humana é uma questão pacífica. Na comunidade científica não existe nenhuma polémica sobre este assunto. A vida começa no momento da concepção, conforme se aprende em todos os livros de medicina de todas as universidades do mundo. Qualquer mulher grávida sabe que tem dentro de si o seu filho, que é habitada pela presença de um outro ser. Nenhum saber humano, da biologia à filosofia, passando pela experiência, chega a uma conclusão diferente.
O aborto é bastante mais grave do que o que se fez nesses casos infelizes que referi no início. O feto nem sequer pode gritar ou tentar fugir. É mais indefeso. E é mais inocente: não teve nem mesmo tempo para dizer uma pequena mentira, para partir um copo, para uma birra, para tentar escapar-se a lavar os dentes antes de dormir.
É bom que nos sintamos tocados pelo sofrimento de outras pessoas. Pelo das mulheres que têm dentro de si um filho que não desejam, evidentemente. Tal como pelo dos que estão doentes, dos que perderam um filho, dos que não podem ter filhos, dos que perderam a mãe, dos que não vêem, dos que não andam, dos que não se mexem...
Mas não é admissível permitir que os sofrimentos de alguém, ou outros interesses seus, se resolvam com a morte de uma pessoa inocente. A civilização cresceu sobre o fundamento de que isso não deve nunca ser feito. Só assim os homens se juntaram e fizeram aldeias e cidades e países. Só assim se associaram a outros homens em vez de se juntarem a lobos.
A humanidade uniu-se para se libertar de Hitler. E condenou o seu pensamento de suprimir os seres humanos "inconvenientes", que incluía o aborto. E declarou solenemente: "A criança, dada a sua imaturidade física e mental, precisa de protecção e cuidados especiais, incluindo protecção legal apropriada, tanto antes como depois do nascimento". (Declaração dos Direitos da Criança - aprovada em Assembleia Geral da ONU em 20.11.1959, sublinhado meu).
Agora sabemos que Hitler não morreu: que procura dominar, desta vez sem espingardas, as leis e as mentalidades; que se infiltra nos lugares de onde se pode governar e influenciar os homens.
Há uma coisa em que nunca se deve tocar: a vida do inocente. Os problemas devem resolver-se sem tocar no intocável, para que a civilização continue.
Certamente, assim dará mais trabalho; mas para isso temos a inteligência e a capacidade de amar. Possuímos capacidades maravilhosas: somos capazes de minorar sofrimentos, de fazer nascer sorrisos, de tornar becos sem saída em alamedas floridas. Basta que não nos contentemos com andar pelo mundo olhando apenas para nós mesmos, dirigindo todos os nossos gestos para o nosso umbigo.

(Paulo Geraldo)

terça-feira, janeiro 30, 2007

Caminhada pela Vida no Domingo passado: eramos 15 mil!

Vejam neste vídeo colocado no Youtube a realidade da Caminhada pela Vida em Lisboa (mais de 20.000 pessoas), neste dia 28 de Janeiro. Uma realidade que os media não "viram" (na medida em que se tivesse estado igual multidão pelo Sim, a comunicação social rebentaria de fotografias, reportagens e referências...).
http://www.youtube.com/watch?v=rOKNGtZgAAw

De uma amiga recebi este mail:

Assunto: Reuters.com - Anti-abortion march in Portugal - 1/28/2007 9:32:53 PM - 15.000 PESSOAS

Segundo a Reuters: 15.000 pessoas na Caminhada pela Vida em Lisboa a 28 de Jan

Homenagem à isenção e qualidade jornalista em Portugal ...!

No fim da Caminhada fui ao site da Agencia Lusa e qual o meu espanto quando dei de caras com a reportagem que referia estarem 2.000 pessoas, fui ao Portugal Diário 7.000 a 8.000. Rendida achei melhor aguardar pelas edições em papel do dia seguinte.

E no dia seguinte, nada de novo a registar.

É lamentavel, mas o que safa os Portugueses que estamos interessados em ler FACTOS é o acesso à Internet que nos dá acesso à informação, e não à opinião ou à manipulação.

Se querem ter uma aproximação sobre QUANTAS PESSOAS foram à Caminhada pela Vida não nos resta alternativa senão ir ao site de uma das Agências de Informação mais prestigiadas do mundo, a agência Reuters.

Foi a fonte que mais se aproximou dos números relatados por inúmeros agentes da PSP aos quais fui perguntando e me respondiam com unanimidade 20.000 a 25.000 pessoas!

Reuters.com - Anti-abortion march in Portugalhttp://today.reuters.com/tv/videoStory.aspx?storyID=67c334e8f21641f8927a7a6f16c1585ebc258674

Democracia?
Livre acesso à informação?
ou Ditad.... é melhor nem escrever senão lá vem a censura, as escutas telefónicas ou o desvio de emails!

Breves apontamentos da campanha do Não

Verifico com pena que quem está tão imerso numa campanha, não consegue encontrar uns minutos para um post...
Alguns apontamentos:
- a nossa campanha está a correr bem e a mensagem a passar;
- independentemente do resultado final, a cultura da vida cresce;
- o resultado é hoje uma incógnita (o que é estraordinário visto a vantagem do Sim e os meios partidários que usam, contra os nossos simples esforços de cidadãos);
- entre nós a unidade cresce e é evidente.
- independentemente do resultado, no dia 12 continuamos nas nossas associações o que sempre fizemos: estender a mão e não apontar o dedo, dar espaço à Vida.
- é um privilégio para qualquer um (do Sim ou do Não) poder bater-se pelos ideais em que acredita e participar numa campanha política (no sentido nobre do termo: como serviço do bem comum). Sinto-me honrado por fazer parte deste momento da história do meu país (porque, não tenhamos ilusões: o resultado de 11 de Fevereiro marcará o país para o bem ou para o mal na questão central da Vida e Dignidade humanas em Portugal).

quinta-feira, janeiro 18, 2007

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Mulher condenada em Tribunal por causa de Ovos de Cegonha (e o aborto, senhores?)

Mulher Condenada em Tribunal por causa de Ovos de Cegonha

Saberão os nossos leitores [do boletim Infovitae] que em Portugal é crime partir (abortar) ovos de cegonha (independentemente do número de semanas de gestação).

Este link é sobre uma senhora que foi condenada por ter derrubado ninhos com ovos de cegonha:

http://www.diramb.gov.pt/data/basedoc/TXT_JN_8888_1_0001.htm

terça-feira, janeiro 16, 2007

Incrível! Reino Unido: Embriões híbridos de animais e humanos em discussão pública

Aprendi com o meu pai que nada nos deve espantar no Cinema porque a realidade ultrapassa-o sempre em fantasia, imaginação e incredibilidade...
Apetece-me esfregar (peço desculpa pela veemência da expressão...) esta notícia do Público, de 12 de Janeiro, nas caras confiantes e animadas de todos os "moderados, equilibrados e progressistas", que fui encontrando ao longo da discussão sobre a lei da procriação medicamente assistida...
"Que não" diziam eles, exageros destes não eram possíveis...leiam só:

Reino Unido Embriões híbridos de animais e humanos em discussão pública

Criar embriões que sejam uma mistura de células de humano e de outro animal seria legal no Reino Unido, mas a autoridade que regula as experiências deste tipo prefere lançar um debate público antes de as autorizar. Num comunicado ontem divulgado, a Autoridade para a Fertilidade e Embriologia Humanas do Reino Unido (HFEA, na sigla em inglês) diz que poderia permitir a criação de embriões híbridos, solicitada por cientistas do Kings College de Londres e do Instituto de Células Estaminais do Nordeste de Inglaterra (Newcastle), para investigar as potencialidades terapêuticas das células estaminais assim criadas. Mas a HFEA prefere que a sociedade se pronuncie sobre este tema, e só depois emitir um parecer. "No Outono, quando a consulta estiver terminada, vamos considerar os pedidos", disse a directora da HFEA, Angela McNab. Fraude Equipa dos EUA que colaborou com Hwang em causaA equipa de Gerald Schatten, o cientista norte-americano que colaborava com o sul-coreano Hwang Woo-suk, acusado de falsificar artigos sobre a clonagem de embriões humanos para obter células estaminais, está a lidar com outras acusações de falsificação. Em causa estão imagens de um artigo científico submetido para publicação na revista Nature, em que a sua equipa relatava ter obtido culturas de células estaminais a partir de embriões e macaco, anunciou uma porta-voz da Universidade de Pittsburgh, à qual Schatten está ligado, citada pela agência noticiosa AP. O artigo em causa nunca chegou a ser publicado, e as suspeitas não caem directamente sobre Schatten, mas sobre um membro da sua equipa, o sul coreano Park Jong-hyu, que também integrava a equipa de Hwang. Estas revelações surgem no contexto de um inquérito interno da Universidade de Pittsburgh, cujas conclusões não foram ainda tornadas públicas - a notícia surge em resultado de uma investigação própria da AP.

Aborto: A Maior das Humilhações (um artigo do Padre Nuno Serras Pereira)

A Maior das Humilhações

Nuno Serras Pereira
11. 01. 2007

Em 1998, Luz de Vasconcellos e Souza convidou-me para um café, depois de jantar, em casa de seus pais. Para além da Luz, estavam sua mãe, Sofia de Melo Breyner Andresen, Pedro Líbano Monteiro (não confundir com o antigo quadro do BCP, de quem é parente) e parece-me que também um jovem, de que agora não recordo nem a fisionomia nem o nome.

Conversou-se sobre assuntos vários entre os quais, surgiu naturalmente, pela sua proximidade, o do referendo sobre a liberalização do aborto. Sofia também esse tema com a simplicidade e profundidade luminosas que lhe eram habituais. De tudo o que lhe ouvi, o que mais me marcou foi uma pequena partilha que culminou numa breve sugestão. Disse: “Uma vez mostraram-me fotografias de fetos abortados. O que mais me impressionou foi o seu ar de humilhação (ou de humilhados). Espalhem imagens dessas com a frase: «aqueles que ninguém quis amar»”.

Já não recordo, ao certo, quais as razões ou circunstâncias que nos levaram a não concretizar a proposta que brotou do seu desabafo. Mas ela gravou-se-me de tal sorte na mente que ainda hoje a recordo como se me tivesse sido feita há 10 minutos.

De facto, a humilhação não consiste em ser julgado por ter prevaricado, por ter cometido um crime, a grande humilhação, a maior das humilhações é não ser reconhecido e respeitado por aquilo que se é, um ser humano, uma pessoa; é ser aniquilado, na fase de maior vulnerabilidade, pela decisão despótica de quem o gerou; é ser vítima da renúncia geral à sua protecção e da conjura comum para o destruir.

Aborto: uma frase de Mahatma Ghandi

"Parece-me tão claro como o dia, que o aborto é um crime.»

Apoiar a Família em vez do aborto: um exemplo da Alemanha

Na campanha do Não fizemos um desafio ao Governo: está disponível em caso de vitória da Vida a utilizar os mesmos recursos destinados ao aborto legal até às 10 semanas, no apoio às famílias e às grávidas em dificuldade?
Porque não têm coragem de responder?
Não é melhor financiar nascimentos do que abortos?

Casais recebem para ter filhos
2007/01/08 20:33 Sara Marques - http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=759443&div_id=291
Países com natalidade baixa atribuem incentivos. Subsídios de nascimento, abonos, compensação para os pais que queiram deixar o emprego, licenças de maternidade e ajudas na educação, são algumas medidas. Em Portugal nascem cada vez menos bebés

O ano começou com uma boa notícia para as futuras mães da Alemanha. Para incentivar a natalidade, o Governo decidiu atribuir um subsídio, que pode chegar aos 25 mil euros.
Nas últimas décadas, as taxas de nascimento na Alemanha caíram a um ponto que autoridades consideram «alarmante». A taxa de fertilidade média é de 1,37 filho por casal, bem abaixo da média de 2,1 considerada necessária para manter a população em nível estável.
A legislação previa que pais que decidissem ter filhos podiam receber até 7,2 mil euros por um período máximo de dois anos. A partir de 1 de Janeiro, com a entrada em vigor da nova lei, podem receber até dois terços do salário durante um ano, no valor máximo de 25,2 mil euros.
Medidas semelhantes têm vindo a ser adoptadas em vários países. A França, país que possui uma das taxas de natalidade mais altas da Europa, anunciou recentemente um pacote de medidas para conciliar a maternidade com a vida profissional e estimular as mulheres a terem um terceiro filho.
As francesas que derem à luz um terceiro filho poderão usufruir, se assim desejarem, de uma licença de maternidade mais curta (de três anos para um) mas mais bem remunerada, com cerca de 750 euros por mês.
A estas medidas somam-se auxílios mais elevados para as despesas com as crianças, creches gratuitas, descontos em restaurantes, supermercados, cinemas e transportes públicos e ainda actividades extra-escolares a preços reduzidos.
O regime de Segurança Social francês prevê vários subsídios para as famílias, entre os quais o de nascimento (830 euros), o de base (166 euros por mês, até aos três anos) e o de início de aulas para os agregados desfavorecidos - 265 euros. Além disso, há também benefícios fiscais para os casais com filhos.
Actualmente, a França tem uma taxa de natalidade de 1,9 filho por mulher e é, depois da Irlanda, o país da Comunidade Europeia com os melhores índices.
Na Suécia considerado pela ONU como «o melhor sítio do mundo para ter filhos», um dos pais pode ficar em casa por um ano com 80 por cento do ordenado. A assistência pré-natal é gratuita e há uma rede de creches privadas de preços controlados.
Fernando Castro, presidente da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN), disse ao PortugalDiário que em países nórdicos como Suécia, Dinamarca e Noruega há ainda uma compensação estatal, caso um dos pais decida desempregar-se ou sub-empregar-se para ficar em casa com os filhos.
Em Espanha, os pais têm direito a subsídio de risco na gravidez, abono de família que aumenta a partir do segundo filho e subsídio de nascimento para o terceiro filho e seguintes.
Em Portugal, o abono de família é determinado em função dos rendimentos, não sendo atribuído aos agregados familiares com um rendimento superior a 1875 euros mensais. No primeiro ano o valor é maior e vai diminuindo conforme a criança fica mais velha. E não existem apoios para a educação, a guarda de crianças ou famílias monoparentais.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2005 nasceram 109.457 crianças em Portugal. Com um índice de fecundidade de 1,4 filhos por mulher, que tem vindo a diminuir, «Portugal continua a não assegurar a renovação de gerações e o défice de nascimentos ronda os 55 mil por ano», explicou o presidente da APFN.
O Algarve é a zona do país onde se regista um aumento mais constante da taxa de natalidade nos últimos anos, segundo dados do INE. 16 por cento dos bebés que nasceram em 2003 no Algarve são filhos de mãe estrangeira, na maioria de mulheres ucranianas e brasileiras.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Um poema impressionante (dedicado aos abortistas)

Que me chegou por mail. A origem parece ser http://sol.sapo.pt/blogs/filosorfico/default.aspx de Renato de Azevedo

SEM NOME

Era tão pequeno,
que ninguém o via.
Dormia, sereno,
enquanto crescia.
Sem falar, pedia
-porque era semente-
ver a luz do dia,
como toda a gente.
Não tinha usurpado
a sua morada.
Não tinha pecado.
Não fizera nada.
Foi sacrificado
enquanto dormia.
Esterilizado
com toda a mestria.
Antes que a tivesse,
taparam-lhe a boca,
- tratado, parece,
qual bicho na toca.
Não soltou vagido.
Não teve amanhã.
Não ouviu: «-Querido...»
Não disse: «-Mamã...»
Não sentiu um beijo.
Nunca andou ao colo.
Nunca teve o ensejo
de pisar o solo,
pezito descalço,
andar hesitante,
sorrindo, no encalço
do abraço distante.
Nunca foi à escola,
de sacola ao ombro,
nem olhou estrelas
com olhos de assombro.
Crianças iguais
à que ele seria,
não brincou com elas,
nem soube que havia.
Não roubou maçãs,
não ouviu os grilos,
não apanhou rãs
nos charcos tranquilos.
Nunca teve um cão,
vadio que fosse,
a lamber-lhe a mão,
à espera de um doce.
Não soube que há rios
e ventos e espaços.
E invernos e estios.
E mares e sargaços,
e flores e poentes,
E peixes e feras
- as hoje viventes
e as de antigas eras.
Não soube do mundo.
Não viu a magia.
Num breve segundo,
foi neutralizado
com toda a mestria:
Com as alvas batas,
máscaras de entrudo,
técnicas exactas,
mãos de especialistas
negaram-lhe tudo
(o destino inteiro...)
- porque os abortistas
nasceram primeiro.

10 semanas: um compromisso entre o infanticidio e o direito à vida!

Lê-se e não se acredita...:
"É necessário um compromisso entre o direito à vida e o direito ao planeamento familiar. Não há planeamento familiar eficaz sem a possibilidade de, como solução de recurso, abortar. Efectivamente, todos os meios contraceptivos falham, por vezes, seja por razões técnicas seja por falha humana. O direito à vida sugeriria que a vida humana deveria ser protegida desde o instante da concepção. O direito ao planeamento familiar requeriria a possibilidade de abortar até ao fim da gravidez -- tal como de facto é permitido nalguns países -- ou até mesmo de efectuar infanticídios -- tal como é praticado noutros países. O aborto até às dez semanas de gravidez é um compromisso bastante restritivo, mas ainda assim realista, entre essas duas posições extremas. Ele permite garantir que o planeamento familiar efectivo é possível, mas sem uma violação intolerável do direito à vida."
Passaram-se!!!!????
Esta "preciosidade" está em "argumentos do sim" do www.euvotosim.org. Não é notável!?