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segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Angola suspende actividades da IURD




Como se pode presumir (sou católico, apostólico, romano) não tenho qualquer ligação com a IURD nem portuguesa nem angolana, mas a notícia de hoje no Público, de que as autoridades daquele país suspenderam a actividade da mesma e de mais seis outras confissões evangélicas, por causa de uma tragédia que ocorreu em Luanda, na última passagem de ano, deixa-me preocupado.

E deixa-me preocupado porque independentemente de todas as considerações que possam ser feitas sobre a idoneidade, seriedade, verdadeiras motivações e actuação, dessas franjas evangélicas (um mundo muito vasto e no qual muitas vezes este tipo de igrejas-seita são mal-vistas), o que está em causa é o princípio da liberdade religiosa, a primeira e mais fundamental das liberdades, sem a qual todas as outras não existem. E defender a liberdade dos outros, como tantas vezes já aqui escrevi, é defender a liberdade de todas e a minha (de católico) também. E isso independentemente de qualquer reconhecimento, retribuição ou consideração, por parte das mesmas em face da Igreja católica.

Outro assunto são toda a espécie de ilicitos que podem ser praticados em qualquer das confissões religiosas, respectivas igrejas e, em especial, ministros e responsáveis. Nesse ponto há que fazer respeitar a lei e sancionar qualquer crime. Pois a actividade religiosa não pode revestir-se de nenhuma espécie de imunidade civil. Mas vejo com dificuldade que essa necessária sanção deva passar pela proibição da respectiva actividade na sua vertente religiosa...

sábado, fevereiro 18, 2012

Exorcismos no Patriarcado de Lisboa e Sympathy for the Devil

O Patriarcado de Lisboa publicou recentemente a segunda parte das ‘Normas Pastorais para a Celebração dos Sacramentos e Sacramentais’. O assunto ter-me-ia passado despercebido não fora a referência que num programa da Canção Nova foi feita ao que aí se diz sobre exorcismos e à projecção que isso teve.

Como se diz em Angola "esta é a maka e temos de viver com ela": a existência do maligno e não abstractamente mas como um ser que odeia Deus, nos quer mal por nós, os homens, sermos o que Deus mais ama, e age na história, nossa, de cada um, nas fraquezas da nossa liberdade, e dos povos...daí a utilidade da Oração de São Miguel Arcanjo.

Vem isto a propósito ou traz à colação a canção "Sympathy for the Devil" que é simultâneamente atraente como composição musical (embora como me dizia uma amiga no Estádio de Alvalade quando fomos ver os Rolling Stones "agora já não dá para a cantar tão distraídamente como dantes o fazíamos"...;-) e clara como discrição do que esse ser é e do que faz e de como nos engana (ou nós nos deixamos enganar quando sucumbimos á aparência de bem e satisfação que ele nos apresenta...). Reouçam:

sexta-feira, dezembro 23, 2011

Passos Coelho e a emigração

Continua a saga em torno das declarações do Primeiro-Ministro com uma série de virgens ofendidas a rasgar as vestes de indignação...não há pachorra!
É que além de se estar a sobrevalorizar uma simples frase (ainda por cima razoável dentro do contexto) vem junto um "choradinho" para o qual não há paciência. Ampliado pelo dramatismo de "andámos nós a pagar a formação destes quadros" e "lá se vão os nossos melhores cérebros"...vejamos então:
"Andámos nós a pagar a formação destes quadros": pois andámos e mal. Andámos porque a tanto nos obriga os impostos que pagamos em vez de aliviando essa carga, nos deixarem a nós, ás familias portuguesas, usar os nossos recursos como entendemos, escolhendo a educação que queremos para os nossos filhos, e limitando-nos a contribuir solidariamente para aqueles que sem uma ajuda estatal não teriam acesso à educação...
Andámos nós a pagar porque numa negação total de todos os ideais de igualdade do 25 de Abril convencemo-nos todos de que toda a gente devia ter uma formação no ensino superior, em vez de apenas seguir esses estudos quem tenha essa vocação, e valorizando todas as profissões para as quais essas qualificações não são necessárias, e onde, inclusive, todos estes licenciados desempregados poderiam ganhar bem mais do que ganham os "quinhentistas" e até, quem sabe, seriam mais felizes...
"Lá se vão os nossos melhores cérebros": eis o que se encontra por demonstrar. Uma licenciatura (e na minha vida profissional sou disso testemunha com frequência) hoje em dia só prova que a pessoa foi capaz de ( e mesmo assim de vez em quando nem isso...) aplicar a força correcta no ponto preciso que lhe permitiu o acesso ao canudo, e mais nada. Entre os licenciados haverá cérebros e descerebrados como em todos os campos, sendo que estes últimos não são menos que os primeiros, apenas estão a ser usados para propósitos distintos dos que as suas capacidades profissionais lhes fariam prosseguir e aí com maior êxito do que serem usados "como cérebros".
Além de que só Deus sabe no que à promoção do país que isso proporcionará (esta vaga de emigração) como pode vir a ser uma vantagem de Portugal ter lá fora massa critica suficiente, conhecedora das qualidades e potencialidades do país, e capaz por isso de nos atrair investimentos, encomendas, ligações úteis.
Não resisto a uma última sobre os "cérebros": perguntem ao professor universitário que tenham por mais perto como escrevem, pensam, reagem, agem, estudam, procedem nos exames, uma parte desses cérebros, numa demonstração evidente da pobreza, indigência, falta de qualidade e desperdício de boa parte do ensino secundário público...
Notas finais: estas linhas são um desabafo que em nada responsabiliza o Dr. Passos Coelho que não tem culpa nenhuma que eu saia em sua defesa (não que dela precise) por sentir que há uma injustiça que lhe está a ser feita.
São apenas três exemplos (talvez ridicularizáveis) mas sabiam que:
a) Em São Paulo neste momento uma grande sociedade internacional de Advogados está a recusar clientes novos por não ter recursos humanos suficientes para lhes fazer face?
b) Que Moçambique está a crescer a 7% ao ano (bem sei a base é baixa, mas o crescimento é sempre crescimento)
c) Que no suplemento de emprego do Expresso já são quase tantos os anuncios para empregos no estrangeiro (nomeadamente Angola) quanto os dos nacionais?

quarta-feira, outubro 28, 2009

Angolagate e o fado da UNITA

A noticia do Público de hoje sobre o Angolagate é uma peça importante para perceber como nasce e onde se desenvolve a tenaz internacional que se fechou sobre a UNITA e a derrotou sem apelo nem agravo.
Se é verdade que também a esta se podem assacar responsabilidades e (muitas) inabilidades pelo decurso da guerra civil, não o é menos que nesses ultimos anos de guerra a mesma, e os povos que nela se abrigavam e confiavam, foram vitimas de uma conspiração que contou com o assentimento de interesses bem concretos, alguma ignorância e muito alheamento, no Ocidente em especial.
E o fado triste de a paz se ter sucedido à morte de Savimbi (uma das grandes figuras africanas do século) e a democracia que foi assegurada pelos resistentes ao marxismo aquando do seu exercicio, nas ultimas eleições, ter reduzido a mesma UNITA a uma expressão menor, são exemplos impressionantes dos desencontros da história...