Mostrar mensagens com a etiqueta maternidade de substituição. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta maternidade de substituição. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, fevereiro 06, 2015

Barrigas de Aluguer: talvez o que se precise seja outra coisa...



Hoje no parlamento votaram-se as barrigas de aluguer. Venceu o bom-senso e o projecto foi derrotado. Mas o melhor comentário foi o de um companheiro de partido (o PPD/PSD) que me escreveu:

"Caro amigo 
Será que não é possível apresentar um projecto de lei para cabeças de aluguer ?? Parece que seria mais  útil e pelos vistos necessário pois clientela não deve faltar"

Melhor dito,não há...lol!

terça-feira, junho 24, 2014

PPD/PSD: um partido ou uma barriga de aluguer política?





Saiu ontem este meu artigo no Público. O original está aqui.

PPD/PSD: um partido ou uma barriga de aluguer política?


A Lei que regula a Procriação Medicamente Assistida (PMA) foi aprovada, em 2006, na Assembleia da República com indicação de voto contra do PSD. Foi posteriormente promulgada pelo Presidente da República que, em mensagem enviada ao parlamento, manifestou inúmeras e fundadas reservas a este diploma.
Em Janeiro de 2012 foram apresentados dois Projectos Lei (um do BE e outro do PS) a que se juntou, surpreendentemente, um terceiro da iniciativa do PSD, propondo alterações àquela lei. Ainda que com condicionantes que variavam de documento para documento, em todos estes Projectos de Lei se encontrava a admissibilidade dos negócios jurídicos de maternidade de substituição/barrigas de aluguer, (considerados nulos e penalmente sancionados na Lei 32/2006) e a admissão explícita do uso de embriões humanos, para investigação científica (o que inexplicavelmente tem sido ocultado da opinião pública portuguesa).
Submetidos nessa altura a votação, estes projectos, o do BE foi chumbado, e os do PSD e PS desceram à especialidade sem votação na generalidade. Na verdade a revolta no grupo parlamentar do PSD contra esta iniciativa de um pequeno e identificado grupo, aliás muito influente na respectiva direcção, explica que o partido tenha preferido não submeter o seu projecto a votação.
Seguiu-se-lhe então entre Julho e Outubro de 2012 um conjunto de audições no âmbito da Comissão Parlamentar onde se constatou entre os especialistas a mesma, funda e expressiva, divisão que existe sobre o tema no conjunto da sociedade portuguesa. Desde então o processo legislativo esteve suspenso até que agora regressa à agenda por mão daquele pequeno grupo de deputados do PSD que, ao arrepio do eleitorado e do partido, pretendem levar por diante a sua agenda de experimentalismo social.
Na verdade a barriga de aluguer é uma opção de Bioética profundamente fracturante. Ao permitir, ainda que gratuitamente na aparência, a mercantilização do corpo da mulher, o que há muito é vedado pelas ordens jurídicas nacional e internacional, reduz a mãe portadora à condição de “coisa” como acontecia na escravatura. E como muito bem, denunciou o próprio PCP “na maternidade de substituição intervém de forma profunda (o que não acontece com os dadores de gâmetas que não intervém de nenhuma forma no processo da gravidez) uma outra mulher, o que introduz um conjunto de potenciais conflitos e questões éticas que não podem ser ignoradas” (pela voz do Deputado Bernardino Soares na Sessão de 19 de Janeiro de 2012).
Além disso ao permitir que crianças venham a ter três mães (genética, gestação e social) a chamada maternidade de substituição nega a relação de geração física e de afectos, estabelecida durante a gravidez, entre mãe e filho, e cuja importância para o desenvolvimento da criança está cientificamente comprovada (vejam-se a propósito as declarações de Eduardo de Sá, conhecido psicólogo clínico, psicanalista e professor universitário). Sem esquecer que as Propostas de Lei ao negarem direitos do filho, quanto à plena informação genética, permitem negócios jurídicos, onde todos podem sair prejudicados, sem que a lei possa acautelar os interesses das pessoas em questão.
As questões acima, porque socialmente fracturantes, requerem um amplo debate na sociedade o que não aconteceu com a apresentação dos presentes projectos de Lei. Saliente-se que o PSD não apresentou ao eleitorado, em sede de programa eleitoral, qualquer proposta nesta área e nem o Conselho Nacional ou Congresso deste partido, em qualquer das suas reuniões após as últimas eleições legislativas, discutiu este assunto. E argumentos de telenovela, representações convincentes de indignação e exploração despudorada de bons sentimentos não justificam uma deriva legislativa deste calibre.
A iniciativa do BE e do PS tem rastro político, visa dividir o PSD e criar fracturas ao nível da coligação. Alinhar com os partidos da oposição significa andar a reboque de uma minoria expressivamente derrotada nas últimas eleições e servir uma agenda política que não é a do PPD/PSD. A não ser que a ambição política deste partido, depois de um momentâneo juízo em vésperas das eleições europeias, se reduza, nestas matérias, à de se transformar numa barriga de aluguer política do BE e dos sectores mais radicais do partido socialista…?

Membro do Conselho de Jurisdição Distrital de Lisboa do PPD/PSD

terça-feira, janeiro 17, 2012

Ribeiro e Castro critica "Maioria de Aluguer"

Estão excelentes as declarações de José Ribeiro e Castro hoje no Público! Podem ler-se aqui.
Estive a ver um estudo de Direito comparado sobre a questão das Barrigas de Aluguer e nos 27 países da União Europeia a chamada Maternidade de Substituição é expressamente proibida em 15 (com discussões sobre o assunto num deles), nem sequer se lhe refere a legislação de 9 (novamente com um em que se discute o assunto mas para colocar uma proibição expressa) e é admitida (com restrições) em apenas 3...
Realmente e como noutras circunstâncias (eleitorais) o referia Alberto João Jardim, se esta legislação passar por via do PSD: "o país endoidou..."!

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Barrigas de Aluguer e PSD: Sócrates afinal tinha razão...?

A apresentação pelo PSD de um projecto favorável à introdução das Barrigas de Aluguer (e à entrega para a investigação cientifica de embriões "excedentários", em flagrante violação, parece-me, da Convenção de Oviedo de que Portugal é um dos países subscritores), matéria que não constava sequer do seu programa eleitoral 2011, faz com que me ocorra a pergunta se o Eng.º Sócrates estava errado só na economia, mas certo no resto...!?
Na verdade não me ocorre outra expressão para esta iniciativa do que a de "um tiro nos pés" (mais precisamente no seu eleitorado) ou então a de "manobra de diversão" (enquanto a comunicação social estiver entretida com isto, não se falará de Maçonaria...).
É extraordinário que seja o centro-direita que venha agora permitir uma extensão da lei da procriação medicamente assisitida (à época objecto de tantas reservas do Presidente da República na sua promulgação) que nem sequer uma das maiores maiorias de esquerda ousou em 2006...!
Estou curioso por ver que observações isso suscitará aos comentadores de serviço sobre como é possível uma maioria política permitir-se a perda de um dos grandes poderes em política, qual seja o de ter a iniciativa e não andar a reboque de ninguém...
Nota final: temos em Portugal, infelizmente, muitos exemplos do resultado da "moderação" em política: abre-se uma fresta, escancara-se a porta, a enxurrada tudo submerge...foi assim com o aborto (e dizem-no melhor do que nós figuras importantes do Sim quando expressam a sua desilusão com os resultados da lei de 2007), muito antes com a pílula do dia seguinte (era só para "casos rarissimos", vende-se hoje em dia na ordem das centenas de milhar), e se não houver juizo assim será com a Maternidade de Substituição (designação eufemistica das Barrigas de Aluguer, na "melhor" da tradição da Ideologia do Género).
E, claro, "até ao lavar dos cestos é vindima"...;-)