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quinta-feira, abril 10, 2014

Des hommes et des dieux: que filme!

Revi ontem com os meus pais o filme "Dos homens e dos Deuses". Que filme extraordinário! Passa por ali toda a beleza  do Cristianismo: a presença missionária, a vida religiosa, a atracção de Deus, o amor a Jesus, a obediência e a oferta da  própria vida, o absurdo e a violência das guerras, em especial das feitas por "razões" religiosas, a magnífica história da Igreja Católica, a verdadeira natureza do martírio (que é aceite, mas não procurado), e um largo etc.
Além disso do ponto de vista cinematográfico está excepcionalmente bem realizado. As cenas focadas nas caras dos monges evocam as pinturas antigas italianas (a minha ignorância não me consente mais do que citar Caravaggio e Giotto...).

Vejam o trailer legendado em português:


Indo aos meus arquivos e sobre o filme encontrei estes dois textos:

A beleza do humano
Aura Miguel
RR on-line 12-11-2010 09:21
 Estreou ontem, nas salas de cinema, um filme extraordinário de Xavier Beauvois, sobre os monges cistercenses de Thibirine que, em 1996, foram mortos por fundamentalistas argelinos.
 O filme começa por mostrar a vida do mosteiro, perdido naquela longínqua aldeia do Atlas, e a profunda ligação que aqueles monges tinham com a população, que se manifestava em fortes laços de amizade.

Os monges levavam uma vida simples, com estudo, trabalho manual para garantir a sua sobrevivência, e muita oração. Quando estala a violência, contra cristãos estrangeiros, surge a questão: partir ou ficar.

O mais fascinante deste filme é ver como os monges franceses eram homens normais, frágeis como nós: claro que tinham medo e, numa primeira fase, queriam sair dali. Mas o superior da comunidade pediu-lhes tempo para reflectir e o resultado é um fascinante percurso de crescimento interior e humano que cada um desses homens cumpre, reforçado com a oração e o canto litúrgico. Humanamente, têm medo, mas tomam uma opção de amor e cada um decide ficar, sabendo que vai morrer.

O que fascina é que, apesar da debilidade que tinham, tomaram a sua vida a sério e arriscaram amar até ao fim.

filme não exalta o martírio nem cai na mística publicitária da morte bela. Nada disso. O que brota deste magnífico filme é a beleza do humano, sempre que a vida é vivida como dom.


Dos Homens e dos Deuses
A fé dos homens
 
A partir de uma história verdadeira de terrorismo, o francês Xavier Beauvois faz um filme sobre o que de mais humano há em nós
Vamos colocar a coisa assim, de modo bruto e peremptório, para não deixar dúvidas: é um dos grandes filmes do ano. O júri de Tim Burton em Cannes 2010 também achou que sim - deu-lhe o Prémio Especial do Júri - e França, onde se tornou num dos mais improváveis êxitos comerciais do ano, elegeu-o como o seu candidato ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2011.
"Dos Homens e dos Deuses", sexta longa do actor e realizador Xavier Beauvois (e primeira a estrear em sala em Portugal), traz uma daquelas advertências que assusta qualquer um: é "baseado em factos verídicos" - o rapto e assassínio de sete monges trapistas franceses durante a guerra civil argelina de 1996. Muitas vezes, essa advertência equivale ao afogamento no pântano das boas intenções mas, neste caso, corresponde a um dos mais notáveis filmes do ano. Que desacelera brutalmente de velocidade em relação a tudo aquilo que se propõe actualmente nas salas de cinema; que pega em temas "do momento" (a religião, o terrorismo, o fundamentalismo) e os usa como "ponte" entre o passado e o presente. Que abre portas para um olhar sobre a essência das coisas, que cria um momento de silêncio e contemplação para nos permitir olhar para o mundo e para o ser humano tal como ele é. O que torna então o filme de Beauvois tão contemporâneo, nestes dias em que o fundamentalismo religioso parece estar constantemente nas notícias, das controvérsias do Ground Zero nova-iorquino aos debates sobre a burqa?
É um filme de resistência: de resistência ao medo, de resistência ao desconhecido, de resistência a tudo aquilo que nos rouba a humanidade (e, por consequência, nos rouba também o divino que há em nós - porque a verdadeira fé, que implica sempre a dúvida, é algo de profundamente humano). Estes monges condenados, magnificamente interpretados por um elenco de conjunto onde não há vedetas que se safem, nunca são erguidos a mártires nem a heróis. Beauvois quer-nos apenas fazer compreender o porquê do destino destes homens de um modo que nunca separa os homens da sua fé nem da sua casa, uma comunidade monástica tão parte do próprio tecido da comunidade local que se torna tão argelina como aqueles que ali viviam, uma partilha de uma existência e um apego à terra que transcende divisões de classe, religião ou nacionalidade.
Haverá quem se lembre do "Grande Silêncio", o documentário de Phillip Gröning sobre os monges cartuxos que se tornou num pequeno fenómeno. Mas isso seria reduzir "Dos Homens e dos Deuses" àquilo que ele não é: um filme sobre a religião. Este não é um filme sobre os deuses, mas sim sobre os homens.


segunda-feira, dezembro 16, 2013

"Pai por acaso", ou como não existe "material biológico" isolado de uma humanidade






Na sexta-feira passada fui ver este filme. Foi uma dessas escolhas ao acaso mas que se revelou feliz.

Porque através do tema (533 pessoas geradas por procriação artificial procuravam o dador de esperma utilizado nos respectivos processos) aquilo que resulta evidente é que ao contrário do que disse uma vez o Vale de Almeida num debate no Prós e Contras sobre co-adopção, não existe essa coisa de "simples" material biológico sem que uma humanidade esteja envolvida. E quem diz uma humanidade, diz uma pessoa concreta, diz um pai (no caso da doação de esperma) ou uma mãe (no caso de doação de um óvulo). E as razões são simples:

- a vida de uma pessoa gera-se no momento em que o espermatozoide se funde com o óvulo e nesse momento se constitui uma célula que leva já uma identidade genética única, produto da fusão das anteriores e
- toda a vida, toda a filiação, grita por uma paternidade e uma maternidade
- a família corresponde ao ambiente natural de desenvolvimento e salvo raras excepções é um desejo profundo do coração humano

O filme, não sendo uma fita de promoção pró-vida ou pró-família (isto é concebido e produzido militantemente nesse sentido) acaba por o demonstrar em alguns diálogos, atitudes e expressões. Que tornam por isso o filme objecto deste post e de uma recomendação (acompanhada do aviso que a classificação para maiores de 12 anos é claramente desadequada, não porque se veja o que não se deve, mas porque os diálogos são adultos e os miúdos que vimos na sala se chatearam que nem uns perus...;-)

Mais informação útil sobre a procriação artificial pode ser encontrada aqui (site da campanha pró-referendo em que participei em 2006) e aqui (uma alternativa natural de procriação medicamente assistida que vem tendo êxito até em casais que anteriormente recorreram aos métodos artificiais)

quarta-feira, novembro 20, 2013

"Dá Tempo ao Tempo": viajar no tempo é viver o tempo que nos é dado


Ao contrário do costume só no fim deste post coloco o trailer do filme "Dá Tempo ao Tempo" porque como muitas vezes sucede este não faz justiça ao filme que anuncia. Na verdade este trailer reduz-se a uma parte pouco significativa do enredo e só se tem gosto em vê-lo porque na sequência do gosto pelo filme, até de uma versão reducionista do mesmo se gosta...

"Dá Tempo ao Tempo" partindo de uma história mais original do que parece (a possibilidade de se viajar no mesmo) é um filme maravilhoso sobre a vida, com um toque muito humano, uma deliciosa atmosfera familiar e uma filosofia de fundo que vale a pena ver representada. Põe também questões quanto á cadência de eventos nas nossas vidas e do valor ou não da modificação de circunstâncias passadas. Por fim é finalmente um daqueles filmes em que dá vontade de estar casado (ou se é confirmado no mesmo estado) o que é sensação rara com que se saia dos filmes hoje em dia (em geral um convite á aventura e ao devaneio, a momentos que não sustentam a vida ou cujo ambiente embora sedutor, não ajuda nada a viver a realidade). Por fim, saliente-se o humor inteligente.

Poder-se-ia ter ido mais longe? Talvez (e por isso recordo abaixo "O Feitiço do Tempo"). Tal como ás vezes a linguagem é um bocadito "livre" mas nada de mais, ao nível de série da Fox...;-)

Ficam pois aqui os trailers mas vão mesmo é ao Corte Inglês (com umas tapas antes, então, o programa não podia ser mais agradável).







sexta-feira, setembro 27, 2013

Blue Jasmine, Bernard Madoff e um grande filme de Woody Allen

 
 
 
Fui ver ontem este filme extraordinário de Woody Allen (dizia a minha mulher que o melhor dele de sempre...?) com uma interpretação fora de série da Cate Blanchett que, se dependesse de mim, recebia já antecipadamente o competente Óscar.
 
A história que é contada faz referência ao caso real de Bernard Madoff, a quem já fiz referência neste blog, responsável pelo maior Ponzi scheme da história dos Estados Unidos, uma dramática consequência da pirataria financeira, da ganância dos ricos da América, da sempre repetida e incompreensível falha da regulação dos mercados financeiros e da respectiva fiscalização e também do deslumbramento do mundo dos multimilionários (alguns dos quais ficaram sem nada em consequência desta fraude!). Um caso impressionante sobre o qual tenho lido muito o que também ajuda a compreender o meu entusiasmo pelo filme.
 
A personagem de Cate Blanchett retoma assim a figura real de Ruth Madoff e o que mais toca é o que acontece, significa, provoca, descer dos mais altos patamares da high-society americana, para uma situação de perseguida pelos media, pela opinião pública, pelos prejudicados pela fraude e o contraste entre o mundo dos ricos e o meio de onde se provinha na origem. Para não falar da destruição familiar que um caso como estes traz consigo. Mas ao mesmo tempo é isso que torna o personagem fascinante. Recomendo vivamente!

quinta-feira, setembro 19, 2013

Gaiola Dourada: grande filme!



Fui ver o Gaiola Dourada com a família toda. Grande filme! O trailer pode ser visto aqui e é esta a página oficial do filme.

aqui falei sobre emigração e não sei se também sobre a mesma de origem portuguesa em França, uma realidade que por razões familiares se me tornou próxima e motivo de admiração, ternura e respeito. O filme retoma tudo isso: o empenho no trabalho, o sacrifício associado, a comunidade nascida desse movimento migratório, a saudade do país, seus costumes e tradição, os valores familiares, a graça do confronto de culturas, a origem que possamos dizer sem pestanejar que a 1ª cidade portuguesa é Lisboa, a 2ª é Paris e a 3ª é o Porto...;-)

O filme tem dinâmica (prende), cor, humanidade, é decente (o que é uma novidade nos dias que correm) e celebra a pertença à Pátria de uma forma inteligente, vivida e em alguns momentos, mesmo comovente. Recomendo vivamente!

Nota final: além disso o filme educa no olhar que devemos ter e viver na relação com os imigrantes que vivem entre nós e que nas suas escala, diferença e cultura específica, vivem esta mesma realidade. E o valor inestimável da dignidade humana e a constatação somos todos filhos do mesmo Deus e por isso irmãos entre nós.

quarta-feira, maio 02, 2012

Amigos Improváveis: realismo e humanidade

Ontem fui jantar fora e ao cinema com a minha mulher. Fomos ver o "Amigos Improváveis". Muito bom e com o interesse acrescido de ser baseado numa história real. Muito bom porque não só de uma grande humanidade e com uma bonita (e improvável) história de amizade, mas também pelo retrato que é dos bons resultados do realismo e de aceitar viver na realidade em vez de nos nossos sonhos (o que, ao contrário do que a mentalidade dominante prega, é mil vezes mais aventuroso, interessante e fonte de consolação, do que lutar contra a mesma e tentar viver no que não existe). Recomendo vivamente!

Para abrir o apetite, fica aqui o Trailer:

terça-feira, abril 03, 2012

Sem fazer nada no estrangeiro e reencontra-se um primeiro amor...

Sim, é verdade. 25 anos de casado, em férias com a família no estrangeiro, dias seguidos a curar uma gripe mortal e sem fazer integralmente nada, uma sensação de descanso como há muito tempo não tinha apesar de uma "culpa" muito difusa (sempre tanto para fazer...), e, de repente, uma bela noite, em casa dos amigos diplomatas que viemos visitar, encontrei-a de novo...! Linda como sempre, loira, olhos claros. Sim, de novo a mesma paixão...! Ou senão veja esta fotografia e digam-me como pode um homem resistir...;-)


Bom, chama-se Beatrice Marcillac, hoje em dia aproxima-se dos seus 55 anos e Deus apiedado de tanta beleza poupou-a a uma carreira de actriz (por este post no 31 da Armada descobri trabalha em imobiliário), pelo que ficará para sempre na memória de pelo menos uma geração (a minha, nascida no início dos anos sessenta) como a imemorial Marion-des-Neiges da série os Pequenos Vagabundos (que tenho estado a rever todas as noites, completamente deleitado e não apenas pela razão acima já que a série é uma combinação irresistivel de aventuras, amizade, espírito de grupo, natureza e temas de sempre como o dos Templários). Ont est de son adolescence comme ont est de son pays...;-)

Mais memorabilia do tema no YouTube e aqui.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Demi Moore: de St. Elmos Fire ao abandono pelo namorado

Hoje objecto de noticias pelo seu internamento à conta de "abuso de substâncias" (já saiu, diz aqui).

Ou muito me engano ou vai ter muita dificuldade em recuperar do abandono de casa do Ashton Kutcher, outro actor, seu namorado, e consideravelmente mais novo (não quero exagerar, mas aí uns 20 anos de diferença, pelo menos).
Eram estes dois (o casal):




Porque é que isto me impressiona? Por duas razões:

1. Uma mulher que suponho desejadissima pelas boas e más razões e por quem muitos dariam tudo, jaz só e abandonada, inconsolável por não ter ao seu lado, quem quer...e nada adianta o cortejo de admiradores...
2. Esta actriz faz parte das minhas memórias cinéfilas naquela série de filmes extraordinários realizados por John Hughes e depois no grande St. Elmos Fire*



*E como dizia alguém, em minha adaptação livre,: "é-se da sua adolescência, como se é do seu país"...;-)

terça-feira, janeiro 24, 2012

Óscares: finalmente a lista de nomeados...!

Fui buscá-la aqui.



Não há grandes surpresas. O dramático é os filmes que ainda não vi, ou porque não tive tempo (A Toupeira) ou porque ainda não chegaram (A Dama de Ferro)...! :-(

segunda-feira, janeiro 02, 2012

180: um filme extraordinário! A ver absolutamente...!

São 32 minutos mas muito bem utilizados apesar da reacção que costuma originar a analogia e da estranheza que pode sentir quem não esteja habituado à abordagem evangélica da questão religiosa (no meu caso, católico de quatro costados, estou afeiçoado...;-). Para mim ambas as questões atrás são duas razões mais para estimar este filme:



O site dos promotores do filme está aqui.

sábado, novembro 26, 2011

Alguns filmes a ver

Chegado aquela idade confortável de parte dos filhos já estarem crescidos tem-se multiplicado as ocasiões de ir jantar fora e ao Cinema com a minha mulher. Numa vida tão empenhada como a nossa, esses momentos são uma grande ajuda depois à vida do dia a dia.
Recentemente vimos dois que recomendamos (os links são para os trailers no yutube) e que é bom vão ver depressa porque sendo muito decentes não vão estar muito tempo em cartaz...:
50/50: uma história muito humana de doença e amizade. Começa com uma linguagem desbragada mas depois acerta o tom...;-) Mais um esforço de juízo sobre os factos e dava um dos melhores filmes dos últimos tempos
Não sei como ela consegue: com aquela actriz (aqui não irritante) do Sexo e a Cidade, num papel delicioso de mulher casada e com filhos e embrenhada na sua carreira. Neste filme o salto acima é dado e mais não digo para não estragar revelando o fim...

terça-feira, outubro 27, 2009

O Solista: um filme extraordinário!

Vão ver O Solista! Um filme extraordinário sobre a amizade e a misericórdia. Altissima sensibilidade humana, imagens impressionantes (os sem abrigo), o Pai-Nosso mais bonito que vi no cinema, extraordinário!
O site do filme é este.

Notas de leitura do Público de hoje (Padre preso e Saramago)

Confesso continuo fascinado com a história do Pároco de Covas do Barroso...! Ou muito me engano ou isto ainda vai acabar no cinema...entretanto a história está assim.
Tudo o que acontece é sempre para um bem! Os disparates de Saramago, fizeram explodir a verdade e suscitaram alguns textos geniais (como os de Pulido Valente, sempre virulento, e do Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, sempre bem humorado, que reproduzo aqui abaixo). Veja-se também o "Saramago e a insustentável leveza da ignorância" de Richard Zimler (no P2 do Público) ou Daniel de Oliveira no Expresso do último Sábado.

Uma farsa

Por Vasco Pulido Valente – PUBLICO – 23.Out.2009

O problema com o furor que provocaram os comentários de Saramago sobre a Bíblia (mais precisamente sobre o Antigo Testamento) é que não devia ter existido furor algum. Saramago não disse mais do que se dizia nas folhas anticlericais do século XIX ou nas tabernas republicanas no tempo de Afonso Costa. São ideias de trolha ou de tipógrafo semianalfabeto, zangado com os padres por razões de política e de inveja. Já não vêm a propósito. Claro que Saramago tem 80 e tal anos, coisa que não costuma acompanhar uma cabeça clara, e que, ainda por cima, não estudou o que devia estudar, muito provavelmente contra a vontade dele. Mas, se há desculpa para Saramago, não há desculpa para o país, que se resolveu escandalizar inutilmente com meia dúzia de patetices.

Claro que Saramago ganhou o Prémio Nobel, como vários "camaradas" que não valiam nada, e vendeu milhões de livros, como muita gente acéfala e feliz que não sabia, ou sabe, distinguir a mão esquerda da mão direita. E claro que o saloiice portuguesa delirou com a façanha. Só que daí não se segue que seja obrigatório levar a criatura a sério. Não assiste a Saramago a mais remota autoridade para dar a sua opinião sobre a Bíblia ou sobre qualquer outro assunto, excepto sobre os produtos que ele fabrica, à maneira latino-americana, de acordo com o tradição epigonal indígena. Depois do que fez no PREC, Saramago está mesmo entre as pessoas que nenhum indivíduo inteligente em princípio ouve.

Oregime de liberdade, aliás relativa, em que vivemos permite ao primeiro transeunte evacuar o espírito de toda a espécie de tralha. É um privilégio que devemos intransigentemente defender. O Estado autoriza Saramago a contribuir para o dislate nacional, mas não encomendou a ninguém? principalmente a dignatários da Igreja como o bispo do Porto - a tarefa de honrar o dislate com a sua preocupação e a sua crítica. Nem por caridade cristã. D. Manuel Clemente conhece com certeza a dificuldade de explicar a mediocridade a um medíocre e a impossibilidade prática de suprir, sobre o tarde, certos dotes de nascença e de educação. O que, finalmente, espanta neste ridículo episódio não é Saramago, de quem - suponho - não se esperava melhor. É a extraordinária importância que lhe deram criaturas com bom senso e a escolaridade obrigatória.

Caim Bolchevique

Gonçalo Portocarrero de Almada

Muito se tem escrito e dito sobre o mais recente opúsculo do Nobel português mas, na realidade, não se percebe a razão, porque nesta sua última ficção literária, o escritor iberista não apresenta nada de novo. Pelo contrário, é mais do mesmo. Com efeito, não é de estranhar que o autor do falso «Evangelho segundo Jesus Cristo» manifeste, mais uma vez, o seu desdém pela Bíblia, palavra de um Deus em que não crê, e que, por isso, de novo arremeta contra as religiões em geral e a católica em particular, sua inimiga de longa data e muita estimação.

É verdade que alguns cristãos ficaram incomodados pela recorrente deturpação dos textos sagrados e pela falta de respeito pela liberdade religiosa que uma tal atitude evidencia. Mas reconheça-se, em abono da verdade, que o criador desta mistificação, com laivos auto-biográficos, não podia ter sido mais sincero nem coerente com a teoria política que tão devotamente segue. Com efeito, que outra personagem, que não Caim, poderia personificar melhor a ideologia em que se revê o galardoado autor?! Não é o irmão de Abel a melhor expressão bíblica do que foi, e é, o comunismo para a humanidade?

O ilustre premiado com o ignóbil prémio Nobel acredita que Caim nunca existiu, o que é, convenhamos, um acto de muita fé para quem se confessa ateu, até porque não tem qualquer evidência científica dessa suposta inexistência em que tão dogmaticamente crê. Mas decerto não ignora a realidade histórica de muitos outros Cains – Lenine, Estaline, Mao, Pol Pot e outros diabretes de menor monta – todos eles sobejamente conhecidos pelas atrocidades a que associaram os seus nomes e a sua comum ideologia.

À conta do Caim bíblico, agora reabilitado, por obra e graça deste seu oficioso defensor, pretende redimir os não poucos Cains que lhe são doutrinal e eticamente afins, mas a verdade é que o pretenso carácter mítico daquele não faz lendários os crimes destes seus comparsas mais modernos, até porque esta sanha fratricida ainda hoje impera, impunemente, na China, no Tibete, no Vietname, na Coreia do Norte, em Cuba, etc.

Mas não é só Caim que é um mito para o ortodoxo militante comunista, pois Deus também não existe (em todo o caso seria sempre um segundo Deus, porque o primeiro é, como é óbvio, o próprio escritor), e a Igreja Católica mais não é do que uma aberração. Mas, se assim é de facto, porque se incomoda tanto com a inexistente divindade e a pretensamente caduca instituição eclesial?! Será que, apesar de não acreditar em bruxas, no entanto nelas crê e teme?! Ou, melhor ainda, será que se está finalmente a converter, senão num cristão convicto, pelo menos num ateu não praticante?! Deus, que crê também nos que n’Ele não crêem, o queira…

Sem a Bíblia seriamos diferentes? Sem dúvida. Melhores? Duvido, porque todas as grandes tiranias do século XX – o fascismo, o nazismo e o comunismo – foram e são visceralmente ateias e, pelo contrário, todas as grandes gestas de justiça social são cristãs, como católica é também a maior rede mundial de assistência aos mais necessitados. Mas uma coisa é certa: sem o marxismo seriamos hoje muitos mais, concretamente mais cem milhões de mulheres e homens, tantos quantas foram as vítimas do comunismo em todo o mundo (cf. Stéphane Courtois, Le livre noir du communisme, Robert Laffont, 1998, pág. 14).

domingo, outubro 25, 2009

Um Padre preso...!?

O meu pai sempre me disse (quando falavamos sobre cinema) "a realidade ultrapassa a ficção". A noticia do Público de hoje ("Padre septuagenário detido por suspeita de posse de armas, munições e explosivos") é um desses casos...!
Que se terá passado? Que história é esta? Temos de confessar que se vissemos isto no cinema elogiariamos a imaginação do realizador...;-)