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sexta-feira, abril 04, 2014

De partida para fim-de-semana: a Dívida portuguesa e Sarah Palin no Tonight Show

Recomendo a leitura do editorial de José António Saraiva no Sol de hoje. Chama-se "O Manifesto e os 'caloteiros'". O juízo parece-me acertado e só tenho uma coisa a acrescentar: alguém já se deu conta de que uma boa parte (a maior creio...?) da dívida portuguesa está nos bancos portugueses, ou seja, na mão dos aforradores portugueses, isto é, nas mãos de cada um de nós...? E que sendo esse dinheiro, essa poupança, nossa, um corte na dívida, significa na realidade, um corte no nosso património...?
(isto dito e por dever de amizade e admiração com a devida vénia a António Bagão Félix cujo serviço do bem comum e altíssima categoria intelectual e moral qualquer ilação negativa não deve recair sobre a sua pessoa e que me desculpem os leitores mas a amizade sempre me obrigará à ressalva...;-)

Mas como estamos de partida para fim-de-semana nada como iniciar desde já o descanso e divertir um pouco com esta pequena parte do Tonight Show com Sarah Palin e um lamento por nos faltarem em Portugal no centro-direita muitas personalidades assim: descontraídas, convictas, certas, descomplexadas e ainda por cima, bem bonitas...!



sexta-feira, outubro 18, 2013

Orçamento do estado para 2014: Pacheco Pereira e os outros




Acabo de ler na Sábado, mais um demolidor artigo de Pacheco Pereira, concentrado como sempre num ataque cerrado ao Governo. Confesso tenho dificuldade em entender as razões dessa agressividade...e espanta-me que um homem tão inteligente enverede por esse caminho, sobretudo porque nunca explica o que se poderia fazer de diferente e porque é que isso seria melhor...

Com ele estão outros como Manuela Ferreira Leite. Porquê? Para quê? Note-se que não acho que por ambos serem do PSD estão obrigados a apoiar o governo. Era só o que mais faltava...mas admira-me a violência, escandaliza-me a falta de alternativa e não consigo deixar de sentir uma indisfarçável revanche de histórias antigas, essas sim, bem partidárias...mas sobretudo tenho pena do desperdício de inteligência e energia que isso significa, pois o que me parece nos é pedido no centro-direita não é demolir este governo, mas uma critica construtiva que procura ajudar.

Sejamos realistas: este orçamento é de facto violento e abala muita coisa. Temo pelas suas consequências nas famílias e apiedo-me de quem mais directamente sofre com ele. Receio por mim e pelos meus. Mas quantas vezes será preciso dizer que:
a) Todos os anos gastamos em Portugal mais do que produzimos e
b) Temos uma dívida brutal a pagar e, para sobreviver,
c) Precisamos de continuar a financiar-nos junto de outros...!!??

Ou, mais prosaicamente: NÃO HÀ GUITO!! (sim, é uma pena, é injusto, é uma desgraça, é uma fatalidade, mas é o que é...)


terça-feira, abril 16, 2013

Espanha quer restringir acesso ao aborto: em Portugal, quando?

No momento em que uma movimentação popular colocou também este assunto na ordem do dia da Assembleia da República, em que o Governo, reunido com a Troika, se prepara para finalmente cortar mais na despesa pública, bons exemplos como os abaixo, da União Europeia, podem ser inspiradores. Assim o centro-direita se recorde da sua identidade e por mais não seja por racionalidade económica (a natalidade é também um problema económico) seja capaz de começar a limpar Portugal da herança de José Sócrates.


Espanha quer restringir acesso ao aborto
Inserido em 16-04-2013 12:36
PSOE ameaça exigir a denúncia da concordata com a Santa Sé caso o Governo insista em modificar a lei e "limitar os direitos das mulheres", protegendo o direito à vida.

O Governo espanhol quer restringir o acesso ao aborto legal. O ministro da justiça de Espanha, Alberto Ruiz Gallardón, afirmou segunda-feira que o Governo está a preparar uma nova lei que terá em conta que "a vida é um direito inalienável e não uma concessão".

Embora no papel a lei do aborto em Espanha não seja muito diferente da portuguesa, a interpretação feita é muito mais permissiva. Uma enorme quantidade de abortos é feita ao abrigo do "perigo físico ou psíquico" para a mulher, sendo que para tal basta uma declaração da mesma. Com a nova lei, garante o Governo, será necessário comprovar esses perigos para a saúde da mãe.

Alberto Ruiz Gallardón diz que a nova lei será mais próxima dos critérios estabelecidos pelo Tribunal Constitucional, que se pronunciou sobre a questão em 1985. "O nascituro é um bem jurídico protegido, que tem relevância na vida humana desde o momento da sua concepção, se bem que essa protecção não é absoluta", resumiu o ministro.

Segundo esta visão da vida humana, o aborto apenas será legal em casos em que os direitos do nascituro choquem com os da mãe. Aí, "o legislador tem de actuar", disse o ministro da Justiça. Mesmo nos casos de má formação, o aborto passará a ser ilegal, deu a entender Gallardón. "Não há uma vida menos valiosa que outra, nem muito menos como consequência de uma deficiência."

A nova proposta, que ainda não está finalizada, obriga ainda as menores a obter consentimento dos pais quando quiserem interromper uma gravidez e regula a objecção de consciência.

A reacção do PSOE a estas medidas não se fez esperar. O partido socialista espanhol avisa que caso o Governo "limite a liberdade das mulheres", exigirá a denúncia da concordata com a Santa Sé. A vice-secretária geral do partido, Elena Valenciano, acusa os bispos e o Governo de andar "de mão dada" nesta questão.


[notícia actualizada às 14h32]


domingo, abril 07, 2013

A comunicação ao país de Pedro Passos Coelho



(a fotografia acima, retirada do site do Público, é de Pedro Passos Coelho aquando da 5ª revisão do programa da Troika, conforme se pode concluir rapidamente pela comparação do seu aspecto com o actual, bem mais envelhecido, coitado...)

Terei ainda que relê-la e revê-la (aqui) mas pareceu-me bem na explicação das consequências da decisão do Tribunal Constitucional, contido na recriminação política do mesmo tribunal, certeiro na mensagem ao Partido Socialista, feliz a garantir que não haverá aumento de impostos, e sobretudo eficaz na exploração da situação: o Estado vai ter de reduzir a despesa e é bem-vinda a ajuda que a sociedade civil lhe der na reforma do mesmo Estado e na sugestão de reduções da despesa pública, mesmo se o anúncio da dita redução operar também na despesa social possa deixar qualquer um bem preocupado...

Com essa ressalva, assim vistas as coisas, a decisão do Tribunal Constitucional é capaz de ter dado um bom contributo à superação daquela que me parece ser a grande falha deste Governo no combate ao défice e à dívida: a tentativa de fazê-lo pelo lado das receitas e não das despesas. E, se desta vez finalmente o centro-direita acordar, também daqui ter vindo uma boa ajuda à desmontagem de algumas das consequências funestas das leis fracturantes do tempo de Sócrates: os custos induzidos pelo aborto oferecido a eito, pelo divórcio que maltrata a parte mais fraca, pela procriação artificial obstinada e desapiedada com a dignidade do embrião humano, pela falta de liberdade de escolha na educação, etc.



sábado, março 30, 2013

Da Dívida, do Memorando, da Alemanha e da Troika

Não faças aos outros o que não querias te fizessem a ti...!?



Esta fotografia está aqui no Facebook.

23 de Fevereiro de 1953 - 60 anos !!!!
Faz hoje 60 anos - Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs | Entre os países que perdoaram 50% da dívida alemã estão a Espanha, Grécia e Irlanda.

O Acordo de Londres de 1953 sobre a divida alemã foi assinado em 27 de Fevereiro, depois de duras negociações com representantes de 26 países, com especial relevância para os EUA, Holanda, Reino Unido e Suíça, onde estava concentrada a parte essêncial da dívida.

A dívida total foi avaliada em 32 biliões de marcos, repartindo-se em partes iguais em dívida originada antes e após a II Guerra.Os EUA começaram por propor o perdão da dívida contraída após a II Guerra. Mas, perante a recusa dos outros credores, chegou-se a um compromisso. Foi perdoada cerca de 50% (Entre os paises que perdoaram a dívida estão a Espanha, Grécia e Irlanda) da dívida e feito o reescalonamento da dívida restante para um período de 30 anos. Para uma parte da dívida este período foi ainda mais alongado. E só em Outubro de 1990, dois dias depois da reunificação, o Governo emitiu obrigações para pagar a dívida contraída nos anos 1920.

O acordo de pagamento visou, não o curto prazo, mas antes procurou assegurar o crescimento económico do devedor e a sua capacidade efectiva de pagamento.

O acordo adoptou três princípios fundamentais:
1. Perdão/redução substantial da dívida;
2. Reescalonamento do prazo da divída para um prazo longo;
3. Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor.

O pagamento devido em cada ano não pode exceder a capacidade da economia. Em caso de dificuldades, foi prevista a possibilidade de suspensão e de renegociação dos pagamentos. O valor dos montantes afectos ao serviço da dívida nao poderia ser superior a 5% do valor das exportações. As taxas de juro foram moderadas, variando entre 0 e 5 %.

A grande preocupação foi gerar excedentes para possibilitar os pagamentos sem reduzir o consumo. Como ponto de partida, foi considerado inaceitável reduzir o consumo para pagar a dívida.

O pagamento foi escalonado entre 1953 e 1983. Entre 1953 e 1958 foi concedida a situacao de carência durante a qual só se pagaram juros.

Outra característica especial do acordo de Londres de 1953, que não encontramos nos acordos de hoje, é que no acordo de Londres eram impostas também condições aos credores - e não só aos paises endividados. Os países credores, obrigavam-se, na época, a garantir de forma duradoura, a capacidade negociadora e a fluidez económica da Alemanha.

Uma parte fundamental deste acordo foi que o pagamento da dívida deveria ser feito somente com o superavit da balança comercial. 0 que, "trocando por miúdos", significava que a RFA só era obrigada a pagar o serviço da dívida quando conseguisse um saldo de dívisas através de um excedente na exportação, pelo que o Governo alemão não precisava de utilizar as suas reservas cambiais.

EM CONTRAPARTIDA, os credores obrigavam-se também a permitir um superavit na balança comercial com a RFA - concedendo à Alemanha o direito de, segundo as suas necessidades, levantar barreiras unilaterais às importações que a prejudicassem.

Hoje, pelo contrário, os países do Sul são obrigados a pagar o serviço da dívida sem que seja levado em conta o défice crónico das suas balanças comerciais

Marcos Romão, jornalista e sociólogo. 27 de Fevereiro de 2013.

segunda-feira, março 11, 2013

Troika: mais um ano mas não chegou a tempo




Parece certo que a Troika terá dado mais um ano ao programa de ajustamento para se chegar ao défice desejado. E também que pouco a pouco as condições do empréstimo (que é bom recordá-lo foi a única forma de Portugal não ter caído na bancarrota, o que teria sido incomparávelmente mais trágico...) se vão moderando entre a constatação de que somos um bom e cumpridor devedor e também que havia muitas condicionantes não previstas e efeitos indesejados nas medidas de austeridade. Tudo somado parece estar de parabéns este Governo e como um todo, o país e as suas gentes, as famílias e cada um de nós. Deus nos ajude daqui para a frente a sairmos do buraco em que nos precipitámos...

Mas um facto hoje tornado público no jornal Correio da Manhã (o de um pai desesperado, desempregado, que se suicidou ontem juntamente com o seu filho de tenra idade), um facto terrível, um drama sem nome, veio também mostrar o lado não-estatístico, puramente humano, da crise, da austeridade e das suas consequências. Ou seja, a distância que vai dos progressos que acima se constatam, à vida real das pessoas. Dos sucessos macro-económicos às vidas nossas, quotidianas, micro-económicas. E enquanto uma prece se eleva aos Céus por este pai e por este filho, pela mulher e mãe, pelas suas famílias e comunidades, junta-se uma outra por aqueles que nos conduzem, pela sua clareza e inteligência de juízo, pela sua capacidade de atender às vidas reais, a que nenhum manual de economia ou declaração política pode socorrer, para que sob a sua pesada missão (de nos conduzir seguros fora desta tempestade) possam também encontrar as formas de que o desespero não atinja as franjas mais frágeis e desprotegidas. Uma missão que não é só deles, mas nossa também, que àquela angústia (a pior que um homem pode sofrer, a de não ver como sustentar a sua família) não fomos também capazes de chegar e atender e pela amizade, companhia operativa e solidariedade activa, ocorrer...




sexta-feira, fevereiro 08, 2013

Cortes na despesa do Estado

Já aqui me referi ao assunto reproduzindo o artigo de minha modesta autoria que saiu no jornal Público. Aí se encontram muitas sugestões (e explicadas) para cortes na despesa do Estado.

Como na altura o artigo no que respeita a leis a rever e custos a poupar, fazia referência à Petição Defender o Futuro (notícias de ontem e hoje no Expresso e no Correio da Manhã) foi só num post scriptum que fiz menção à Lei de Protecção das Crianças e Jovens e á grande injustiça e inexplicável orientação da actuação da Segurança Social que ao abrigo daquela lei tem vindo progressivamente a retirar cada vez mais filhos às famílias estando disponível para gastar com o acolhimento dessas crianças entre 700 a 3.500 euros mensais (conforme numa instituição particular ou em estabelecimento do Estado) e não a empregar o mínimo de recursos em ajudar essas famílias a sair da pobreza (causa maior dessas retiradas) podendo assim conservar os seus filhos com elas.

É por isso que aguardo com expectativa a reunião de amanhã do Conselho de Ministros (da qual se espera decisões concretas sobre o corte de 4 mil milhões na despesa do Estado). Para verificar se o Governo está ou não interessado em ter mais Estado Social com menor custo no Orçamento...disso serão sinais indesmentíveis quer o fim da injustiça acima (a esse propósito vale a pena apoiar e acompanhar a iniciativa cívica Mães para Sempre) quer o fim da subsidiação do aborto legal, pondo termo á isenção de taxas moderadoras e também à concessão a 100% de licença de parentalidade de entre 15 e 30 dias. A ver vamos, de que é capaz este desvitalizado centro-direita que temos em Portugal...

terça-feira, janeiro 15, 2013

Economia portuguesa: afinal as perspectivas são boas ou não?




A pergunta nasceu-me do conflito entre as notícias hoje divulgadas sobre as previsões do Banco de Portugal e o documento abaixo, que recebi de um amigo, em que são reproduzidas observações da OCDE sobre a evolução da economia portuguesa...em que ficamos afinal? No meio desta confusão quem nos pode ajudar a ver claro?

OCDE – ECONOMIA PORTUGUESA COM PERSPECTIVAS DE MELHORIA REFORÇADAS

- Indicador avançado regista uma variação positiva em termos homólogos pela primeira vez em largos meses
- Perspectiva da recessão se dissipar nos próximos seis a nove meses

14.01.2013

A mais recente actualização dos indicadores avançados, referente ao mês de Novembro  e hoje divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), continua a apontar para uma progressiva melhoria da conjuntura económica, fazendo-o agora de forma mais marcada. Os indicadores avançados da OCDE tentam antecipar pontos de inflexão da actividade económica em relação à tendência.
Portugal

·         Pelo oitavo mês consecutivo, o indicador registou uma subida mensal (de 0,30%, a maior nesse período).

·         Pela primeira vez em largos meses, o indicador avançado para a economia nacional registou uma variação positiva em termos homólogos (0,71%).

·         O seu valor está, agora, em 99,44, já muito próximo da média de longo prazo, fixada em 100 pontos.

·         Todos estes dados apontam para a perspectiva de a recessão, que dura há sete trimestres consecutivos, se dissipar nos próximos seis a nove meses.

·         Os últimos dados estatísticos do INE sobre a evolução real da economia reportam-se ao terceiro trimestre de 2012 e descrevem um agravamento da recessão: o PIB caiu 3,5% em termos homólogos (mais do que a queda de 3,1% registada no segundo trimestre). Ainda assim, registou uma diminuição de 0,9% face ao trimestre anterior, menor do que a queda de 1% observada no segundo trimestre.
Europa e resto do mundo

 Os indicadores avançados da OCDE apontam, por outro lado, para uma estabilização das perspectivas económicas na maioria das grandes economias mundiais. É o caso, em particular, da AlemanhaFrança, cujos indicadores voltaram a exibir uma variação positiva, determinante para que também a Zona Euro, como um todo, tenha registado uma melhoria nas suas perspectivas económicas.
Também no Brasil e no Japão "os sinais de uma estabilização do crescimento parecem emergir".

Para os Estados Unidos e Reino Unido, a OCDE refere que os respectivos indicadores sugerem a perspectiva de um "crescimento económico sustentado".
Na China e na Índia, "os sinais de presença de um ponto de viragem é mais forte", enquanto Canadá e Rússia continuam com "perspectivas de crescimento fracas".

Link para os indicadores avançados:
http://www.oecd.org/std/leadingindicatorsandtendencysurveys/compositeleadingindicatorsclisoecdjanuary2013.htm



domingo, dezembro 30, 2012

Então e no aborto, porque não cortam despesas...?



No Público de hoje sob o título "Governo é "insensível" por pedir aos portugueses que previnam doenças" é-nos dado conta de um apelo do Secretário de Estado Adjunto da Saúde (fotografia acima retirada do site do Público) a que os portugueses cuidem melhor da sua saúde para evitar a sobrecarga do Serviço Nacional de Saúde porque, por exemplo, e cito, o "Tabaco custa anualmente ao sistema de saúde 500 millhões, o álcool 200 e a diabetes tipo 2 cem milhões."

Sobre o aborto (ver meu artigo sobre esse assunto aqui no Blog) e a despesa respectiva, nem uma palavra...ou, pelo menos, um apelo à prevenção do mesmo...nada...

Ora, e para citar uma fonte insuspeita (e que se enganou no numero de abortos que serviram de base ao cálculo como se pode ver por aqui em que se usam apenas os números que a Direcção-geral de Saúde coloca no Portal da Saúde Reprodutiva ), o aborto custou pelo menos (só no Orçamento da Saúde e apenas no que respeita ao custo tabelado e por isso não incluindo todos os restantes custos) 45 milhões de euros. Ou seja, como diz o jornal i, apenas em 2011 (e sem contar com aquele lapso do jornal [trocando por miúdos, num ano em que os abortos foram 20.290, vide a página sete deste relatório da DGS, o jornal baseia o seu cálculo em 16.148...!?]) 11,5 milhões de euros...

Isto para não falar nos custos na Segurança Social (licenças de parentalidade por exemplo)...razão pela qual há já dois anos atrás a Federação Portuguesa pela Vida estimou aqueles custos (totais, de Julho de 2007 a Fevereiro de 2011) em 100 milhões de euros.

Mas como já é tradição no Ministério da Saúde, os responsáveis a estes costumes dizem nada...
apesar de em Outubro de 2011 ao Ministro ter saído esta "pérola": "O ministro da Saúde afastou hoje a possibilidade de alterar a lei da Interrupção Voluntária da Gravidez, pois embora reconheça os "custos significativos" que tem para o Serviço Nacional de Saúde, lembra que foi uma decisão dos portugueses."

Perdoai-lhes Senhor que não sabem o que fazem...!

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Refundar o Estado: excelente artigo de Paulo Marcelo




Recomendo vivamente a leitura do artigo de anteontem de Paulo Marcelo no Diário Económico intitulado Refundar o Estado. Está lá tudo: o desafio real do corte adicional de 4 mil milhões na despesa, as pistas que se podem seguir, a mudança de mentalidades a que apela, o diagnóstico da situação actual, os princípios que importa respeitar. A não perder e a ler aqui. Muito bom!

domingo, dezembro 02, 2012

Redução de Freguesias ou de nomes de Santos?



Tenho muitas dúvidas sobre a redução do número de freguesias que me parece fruto de reacção típica de consultor chamado por empresa em dificuldade...mas aqui como noutros assuntos temos de confiar em quem nos governa, sugerir melhoras ao que for proposto e explicar direitinho aquilo que o Governo quer mas nem sempre é capaz de deixar claro o conteúdo ou as razões...

Pelo que me apercebi no Municipio de Lisboa e salvo injustiça da minha parte, a redução das freguesias resultou de um acordo político entre o PSD e o PS mas as freguesias propriamente ditas não foram chamadas à discussão por aí além...

Mas como sempre o diabo está nos detalhes...ou senão vejam este email de um amigo meu arquitecto:

" Em relação à nossa conversa sobre os nomes das freguesias de Lisboa, há um fenómeno que não pode passar despercebido: a redução da proporção de freguesias com nomes religiosos.

Assim, das atuais 53 freguesias, pode-se dizer que 32 têm nomes religiosos numa proporção de 60% do total dos nomes.

Das novas 24 freguesias, apenas 6 têm nomes religiosos, o que revela uma proporção de 25% do total dos nomes.

Em conclusão, os nomes religiosos serão apenas 18,75% dos nomes atuais (passam de 32 para 6) e a sua proporção em relação ao número total de nomes foi reduzida em mais de 50%. "

O que me leva à pergunta acima (que eu tenha conhecimento só por Santana Lopes levantada em termos públicos)...quer-se reduzir freguesias ou o número de nomes de Santos...?

terça-feira, novembro 27, 2012

No dia da aprovação do Orçamento do Estado para 2013...


Que o apoio ao Governo não nos faça perder o sentido de humor...;-)



Até porque o problema do desrespeito do princípio da subsidiariedade é este mesmo...!

segunda-feira, novembro 12, 2012

Merkel



Da visita de Merkel hoje não desejo senão que os nossos dirigentes políticos (no Governo e na Presidência) saibam tirar o melhor partido dela. Qual seja esse melhor partido, confesso, não sei. Mas confio eles saberão...Que Deus os ajude!


sábado, novembro 10, 2012

Ainda o "caso" Isabel Jonet




O que está a acontecer com Isabel Jonet e que tem suscitado na blogosfera um coro de solidariedade com ela, impressionante pela extensão, insuspeitabilidade e variedade, tem duas facetas que vale a pena destacar:

A primeira é como quem está empenhado na acção social se expõe com liberdade e generosidade mas se sujeita a num instante passar de bestial a besta. Muitas vezes alerto numa das instituições que ajudei a fundar e em que estou empenhado e que goza de um prestígio que lhe é conferido pela respectiva qualidade de trabalho e dedicação dos seus profissionais, que é estatisticamente improvável (embora possível por graça de Deus, essa é a nossa esperança!) que um dia não nos aconteça, com culpa ou sem ela, um mau passo (o que nem sequer é o caso acima) e que nesse momento tantos dos que nos louvam, serão os primeiros a condenar-nos sem sequer tentar conhecer mesmo o facto ocorrido, levar em conta a nossa história e ter aquela noção de que elas só não acontecem a quem não faz nada...

A segunda é como Isabel Jonet e quem com ela trabalha no Banco Alimentar está neste momento a experimentar uma bem-aventurança, aquela de "bem-aventurados os que sofrem pela causa da justiça" (o que no caso dela e suponho, sem muito risco, de quase todos os que trabalham lá, equivale à bem-aventurança de  "quem sofre por Minha causa"). Muito mais modestamente e na minha vida política (como deputado do PSD) por causa da minha pertença à Igreja católica, passei alguns apertos e desprezos, e recordo-me bem como foi naquele momento que aquele sermão de Jesus se fez carne na minha vida. E como misteriosamente dar-me conta disso foi uma fonte de certeza e alegria a um ponto que não quereria deixar de ter passado o que passei...! Nessa medida estou convencido que desta "crise" quer o Banco Alimentar, quer a sua presidente, vão sair disto mais fortes.

Nota final: se dúvidas houvesse, olhando para quem ataca Isabel Jonet, não é dificil perceber "de que lado" estar...no fundo, no fundo, o poder do mundo só estava à espreita de uma ocasião para atacar um obra cuja origem sabe bem qual é, mas cuja actividade não era possível denegrir. Foi só ter a "ocasião" e ei-los a cair-nos em cima...




sexta-feira, novembro 09, 2012

Isabel Jonet tem razão!



As declarações de Isabel Jonet (que se encontram na íntegra aqui no site do Blog Povo) na SIC a 6 de Novembro suscitaram um coro de indignações completamente disparatadas, injustas e intolerantes.

Disparatadas porque nem o Banco Alimentar é uma instituição pública em que qualquer um possa intervir (é uma instituição particular, governada pelos seus sócios que escolhem os seus dirigentes) nem as afirmações da respectiva presidente (o núcleo fundamental, que despertou o protesto, sendo, como as reproduz o Público: "“os portugueses vivem muito acima das possibilidades” e que, por isso, vão ter que “aprender a viver com menos”. “Vamos ter que empobrecer muito, vamos ter que viver mais pobres”, ") o justificam: são verdadeiras, razoáveis e adequadas a todos as ouvirmos!

Injustas porque olhando para a obra do Banco Alimentar e da sua presidente é dificil encontrar mácula que se lhe possa apontar e é o cúmulo do desplante insinuar que da parte dela possa exisitir qualquer indiferença aos pobres. A sua obra neste ponto fala por ela e pelos que trabalham com ela (e a quem aproveito para manifestar a minha solidariedade!).

Intolerantes "cela va de soi". A ditadura do politicamente correcto é implacável mas não se pode deixar de combatê-la com firmeza, afirmando a liberdade de cada um pensar e dizer o que bem entender. Neste ponto é brilhante o artigo de Henrique Monteiro que encontrei agora no site do Expresso online. Subscrevo linha a linha.

quinta-feira, novembro 08, 2012

Angela Merkel



A capa da Sábado de hoje é um perfeito disparate e voluntaria ou involuntariamente insere-se na campanha em curso de convocação de um motim em Lisboa aquando da visita da Chanceler alemã. Um disparate porquê?

Porque a sugestão implícita (bora atirar tomates à alemoa) contribui para o excitamento em curso nos media portugueses, sempre desejosos de ver, testemunhar e documentar, toda a violência que possa surgir nas ruas a propósito da crise actual...

Porque a indignação contra a Merkel é tonta. A Chanceler é verdade é o rosto dos nossos credores e nessa medida dos apertos que estamos a passar, mas é um direito dos credores imporem as suas condições quando emprestam dinheiro e a verdade é que, por culpa grande dos socialistas e menor de todos os partidos que passaram pelo poder, Portugal quando pediu ajuda estava pura e simplesmente falido e sem a possibilidade de pagar salários, aos fornecedores e fazer face às suas responsabilidades. Tudo o resto é uma fantasia...

Dito isto também não tenho a certeza que o Governo português esteja a fazer tudo quanto se pode para espernear e contestar o aperto imposto. Como também tenho dúvidas que os juros que estão a ser cobrados (vide entrevista de Paulo Teixeira Pinto a que faço referência neste Blog) não sejam decididamente usurários e bem demonstrativos da falácia e fantasia que são os discursos políticos portugueses sobre a União Europeia...Mas esses e outros problemas não se resolvem recebendo mal a senhora, que além do mais é uma senhora e por isso não se lhe pode bater nem com uma flor...;-)



segunda-feira, outubro 29, 2012

Refundação do programa de ajustamento: a reforma do Estado



Tenho vindo aqui a escrever que a Crise é uma oportunidade de mudança. É-o a nível individual e familiar mas também a nivel político macro. Neste Blog tenho apontado exemplos de como perante as dificuldades em casos concretos tem sido encontradas soluções inventivas que coloco sob a etiqueta de "subsidiariedade" com isso querendo significar que perante a incapacidade do Estado em responder a necessidades específicas, as comunidades naturais (locais, de classe, outras) tem sabido responder, em tempo mais adequado, de forma mais económica e com maior satisfação dos seus destinatários.

O anúncio por Passos Coelho da necessidade de uma reforma mais profunda do Estado, coordenada com as afirmações do Ministro das Finanças, de que os portugueses tem de se definir quanto ao que pedem ao Governo, com a consciência de que isso exige uma atitude complementar de definir o que estão dispostos a pagar com os seus impostos, é um passo em frente naquela que pode ser a maior e mais decisiva, "revolução" deste período político. Só receio que ao contrário do desejável, o Partido Socialista não esteja (porque não sabe, porque não pode, porque não quer, porque isso é o contrário do que pretende) à altura do desafio...

Mas sabe Deus como é isso que é necessário...! 

quarta-feira, outubro 24, 2012

Abono de Família: uma boa notícia



No meio deste bombardeamento a que nos encontramos sujeitos (este terrível Orçamento do Estado para 2013, as perspectivas pessimistas quanto à situação económica, as dúvidas angustiantes entre a confiança no Governo e a desconfiança de todos os outros, a aflição com o próprio trabalho e o sustento da família, etc.) haja de vez em quando boas notícias...

É o caso da hoje saída no Público de que a alteração do escalão do abono de família irá poder ser pedida a qualquer momento para acudir a situações de desemprego ou ao aumento do agregado familiar. É sabido que os montantes não são famosos mas para muitas famílias o que poderão receber nessas circunstâncias faz toda a diferença. Num momento em que todas as prestações sociais sofrem cortes e reduções, haja uma que escapa incólume e até é melhorada...

Notas finais:

- muito se poderia dizer sobre o abono de família e como este em bom rigor devia ser universal e independente do rendimento uma vez que haver natalidade, bébés, é do interesse de todos e tudo o que se faça no sentido de o apoiar é pouco, para uma sociedade que está a envelhecer a olhos vistos e cuja segurança social não deve ter mais do que umas reduzidas dezenas de anos de vida

- ao mesmo tempo e a contra-corrente do acima escrito, não se pode deixar de reconhecer que o Ministro das Finanças hoje, no parlamento, foi de uma verdade cristalina: os portugueses, nós todos, temos de decidir o que queremos do Estado e assim o que estamos dispostos a pagar-lhe. Mas seria bom acrescentar:

a) devíamos ser dispensados de contribuir para o que não usamos e o melhor exemplo está na educação e na saúde
b) há serviços que decididamente o Estado não deve prestar não só por não serem da natureza da sua missão mas também porque quando o faz é mais caro do que os particulares (um exemplo: no acolhimento de menores em risco)
c) ao anterior se acrescentando que o Estado só deve fazer aquilo que a sociedade por si própria não é capaz de fazer e que o principio da subsidiariedade além de razoável e de bom senso, é um imperativo para se conseguir reduzir os custos
d) há muita disfuncionalidade nos gastos do Estado: veja-se o que falta aos doentes oncológicos e abunda nas mulheres que abortam...

quinta-feira, outubro 18, 2012

Manifestações: as declarações do Patriarca de Lisboa




Como ainda hoje o Baptista Bastos no Diário de Notícias voltou ao tema e nos últimos dias foram ouvidos tantos disparates sobre estas declarações do Patriarca de Lisboa, justifica-se que se volte ao tema. Na verdade parece-me que quase ninguém (que eu tenha dado por isso mas também estive uma semana fora...) se deu ao trabalho de as ler não na superfície das frases mas do que estas significaram: em Portugal o poder político é livre de decidir e a formação desse poder, em democracia representativa, dá-se nas eleições. Por isso (não se negando as manifestações tenham valor político, como participação civica, demonstração de força de mobilização e termómetro político) quem desejar outras políticas ditadas por outro poder tem bom remédio: em eleições vota e elege outros (ou candidata-se), subordinando-se à vontade maioritária, com maior ou menor disposição e bom humor, quando esta lhe é adversa.

Olhando para as manifestações (que como manifestação cívica já aqui exaltei) dá-me vontade de perguntar quantos daqueles manifestantes se deram ao trabalho de votar quando a isso foram chamados, ao trabalho prévio de olharem para as propostas e os protagonistas, e/ou estão dispostos a participar na vida partidária que, em Portugal, é condição de participação na democracia representativa. Se isso não for feito de pouco servem as manifestações de facto...

Por outro lado e referindo-me à constatação do Patriarca de que uma revolução não serviria para nada, esta não só é evidente (quem governaria, a fazer o quê e em nome de quem...?) como deveras disparatadas as alusões a movimentos revolucionários que sempre suscitam as declarações de alguns militares de Abril (ont est de sa révolution comme ont est de son pays...;-) ou até as notícias de reuniões de militares (sempre queria vê-los a tomar o poder e o que é que faziam com ele...!).

Ainda uma nota final sobre o artigo do Baptista Bastos: é engraçado como quem não faz parte da Igreja (mas será sempre bem-vindo! ;-) tem sempre um duplo critério: ou as declarações servem os próprios propósitos e então os Bispos são óptimos, ou dizem coisas que não entenderem ou que entendendo não concordam e logo os Bispos são péssimos ou então não estão a dizer as coisas que Jesus lhes mandaria dizer (o mesmo Jesus para cuja presença na história que é a Igreja eles, os criticos, se estão nas tintas quando não lhe são hostis...).

Haja pachorra e aturemo-nos uns aos outros como Ele nos atura...;-)





sexta-feira, outubro 12, 2012

Crise: a voz da Igreja II

D. Jorge Ortiga

"Solidariedade é a resposta para a desorientação do país"

Semana Social 2012 decorre entre 23 e 25 de Novembro
  • Áudio Apresentação Semana Social 2012
Na apresentação da Semana Social 2012, o Arcebispo de Braga aponta à construção de um futuro mais justo, sem perder de vista os problemas que, dia a dia, afligem a sociedade.
11-10-2012 19:51 por André Rodrigues

A solidariedade é a resposta para os problemas que a sociedade portuguesa enfrenta. A ideia foi defendida esta quinta-feira por D. Jorge Ortiga durante a apresentação da Semana Social 2012, que decorre entre 23 e 25 de Novembro no Porto.

É uma oportunidade para os cristãos debaterem o lugar da esperança num país desorientado pela crise. Na apresentação da Semana Social 2012, D. Jorge Ortiga aponta à construção de um futuro mais justo, sem perder de vista os problemas que, dia a dia, afligem a sociedade.
“Os cristãos vão reflectir sobre os mais candentes problemas do desemprego, da pobreza e da desigualdade crescentes, do envelhecimento da população e dos riscos porque passam as famílias. Ao mesmo tempo, não é possível encarar seriamente estas realidades sem considerar a reformulação do Estado Social, quer em termos de equidade, quer em termos de eficiência e eficácia”, defende o Arcebispo de Braga.
Para o responsável da Comissão Episcopal da Pastoral Social, a desorientação de um país em crise só se contorna na medida em que a sociedade se predisponha à entreajuda.
“A solidariedade talvez constitua a mais urgente e profunda reposta à situação de desorientação que Portugal vive. É preciso abandonarmos os remendos e a cosmética e procurarmos fundar melhores dias sustentados na participação, na justiça, no poder como serviço e na procura do bem comum”, afirma ainda D. Jorge Ortiga.
Pontos de vista para discutir entre 23 e 25 de Novembro na Semana Social 2012, um encontro que convida os cristãos a darem lugar à esperança em tempos difíceis.