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segunda-feira, setembro 16, 2013

O Mordomo: é longa a estrada para a liberdade e o respeito da dignidade humana...!





Fui ver este filme na sexta-feira passada. Se o filme é curioso pela sua vertente de mostrar a Casa Branca vista do lado do serviço que implica, o seu valor maior e grande tema é a luta prolongada, corajosa, heroica, sofrida, da população afro-americana pela sua liberdade, o reconhecimento da sua dignidade e o direito á igualdade com a população branca. Em frente dos nossos olhos desfilam datas dos anos cinquenta e sessenta (!) e não se acredita que ainda então fosse tal a brutalidade, a desigualdade, a opressão, a humilhação (desde o não ser atendido por igual numa loja, a não se poder sentar no mesmo autocarro escolar ou andar nas mesmas escolas, ser agredido quando se reivindicava a liberdade ou tratado abaixo de cão por iguais em idade, profissão ou condição). Impressionante!

Além disso há outros pontos relevantes no filme e na história: dos movimentos civis, da passagem de alguns do pacifismo á violência (com os Panteras Negras), os diferentes presidentes americanos e como reagiam á questão racial (e não é que quem mais passos deu no bom sentido foi um que era católico, John Kennedy, e outro republicano e conservador, sim, Ronald Reagan*...? Bem feito para todos esses historiadores esquerdistas incapazes de reconhecer grandeza moral e política no outro lado das suas convicções!) e por fim um tema completamente humano, verdadeiro, doloroso mas passível de redenção, qual seja o da relação atribulada de um pai com um filho. Grande filme!

Pensando em tudo isto e em quão é longa e sofrida a estrada para a liberdade e o respeito da dignidade humana no fim do filme não pude deixar de pensar no empenho de alguns na defesa da Vida humana desde a concepção até á morte natural. Como hoje defrontamos por vezes a mesma hostilidade ou a mesma incompreensão, mas também ao mesmo tempo vivemos a mesma convicção e crença na humanidade que tiveram aqueles lutadores pelos direitos cívicos. E em relação ás crianças mortas pelo aborto ou os velhinhos e os doentes massacrados pela eutanásia também o nosso grito é o mesmo: porque não reconheces a sua humanidade...!?

Duas notas finais: o filme tem música do Rodrigo Leão (ver aqui) e pode-se ler sobre o Mordomo real: Eugene Allen.

* Apesar das críticas de que o Público se fez eco.

sábado, março 30, 2013

Sábado Santo e Eutanásia

Em bom rigor como publicou hoje o Pedro Aguiar Pinto nós os cristãos devíamos viver este dia (o Sábado Santo) como que suspensos, tentando pôr-nos na pele da tristeza imensa em que estavam hoje os díscipulos de Jesus, em silêncio, sentados ao lado de Nossa Senhora, procurando fazer-lhe companhia na Sua imensa dor, a deitar contas à vida (ao desfazer da companhia humana em torno de Jesus), sem esperança no amanhã e só saudade do passado...mas não somos capazes...

Na verdade vivemos já na doce antecipação da visita amanhã ao túmulo que sabemos vamos encontrar vazio, estamos já na alegria da Vígilia de hoje e no contente fim das penitências quaresmais...Deus nos perdoe por este baixar de braços nos últimos metros, neste decair da tensão da espera, nesta falta de amor...!

E nos perdoe também de publicar esta gracinha sobre a Eutanásia, recebida em email de amigo, e a cujo humor não resisti...;-)

Texto da agência Deustsche Welle:

"Rolando na internet: A eutanásia aplicada aos jovens 'Esse texto é muito criativo, trata de um assunto preocupante, porém, com bom humor!' João-Francisco Rogowski

Ontem à noite, minha mãe e eu estávamos sentados na sala falando de coisas da vida.... e do tema da eutanásia (desligar as máquinas, morrer logo, sem sofrer, quando se está desenganado)....

Disse: - "Mamãe, nunca me deixe viver em estado vegetativo, dependendo de máquinas e líquidos de uma garrafa de hospital. Se me vir nesse estado, desligue logo os aparelhos que me mantêm artificialmente com vida. "PREFIRO MORRER".

Então, minha mãe se levantou, olhou para mim com cara de admiração e desligou :
a TV,
o DVD,
o CABO DE INTERNET,
o PC,
o MP3/4,
o PLAY-STATION 2,
o PSP,
a WIRELESS,
o TELEFONE FIXO,
ME TIROU
o CELULAR,
o IPOD,
o BLACKBERRY
e RETIROU DA GELADEIRA
toda as COCA-COLAS e as CERVEJAS!!!

(...) !!!
QUASE MORRI !!!"


O Papa Francisco na Via Sacra e a defesa da Vida




Da reportagem que está no site da Renascença sobre a Via Sacra de ontem, em Roma, retirei isto:

21h09 - Começa a 12ª Estação da Via Sacra: Jesus morre na Cruz. Meditação faz um apelo: "Hoje rezamos para que todos aqueles que promovem o aborto tomem consciência de que o amor só pode ser fonte da vida. Pensamos também nos defensores da eutanásia e naqueles que incentivam técnicas e procedimentos que colocam em perigo a vida humana. Abri os seus corações, para que Vos conheçam de verdade, para que se comprometam na construção da civilização da vida e do amor".

Mais clarinho não há...!

Nota: a fotografia acima é do Papa ontem no fim da Via Sacra e retirada do site da Renascença.

terça-feira, novembro 13, 2012

Mesmo do Estado Vegetativo pode-se voltar...




Por isso e à cautela eu cá não embarco no canto das declarações antecipadas de vontade (ditas "testamento vital" na linguagem comum) e prefiro confiar nos médicos e em quem da família ou amigos, Deus na Sua Misericórdia, nesses dias, colocar a tomar conta de mim...!

E, entretanto, é bom ir colecionando estas histórias quando os eutanazistas nos vierem com a conversa do "vegetal"...não vá o alface ficar fresco de novo...;-)

(fonte: http://www.ptjornal.com/2012111312063/geral/mundo/esteve-12-anos-em-estado-considerado-vegetativo-e-acordou-do-coma.html)
 
Mundo 
Autor: Miguel Moreira 
Terça-feira, 13 Novembro 2012 12:57
 
Chama-se Scott Routley e desde os 27 anos estava em estado vegetativo, em virtude de um acidente de viação que provocou lesões profundas no cérebro. E 12 anos depois, já perto dos 40 anos, Routley acordou desse estado, comunicando por ressonância.

Fruto da persistência de um professor de medicina, Adrian Owen, docente na Universidade de Ontário, Scott Routley regressou à vida, depois de 12 anos preso a uma cama de hospital, sem qualquer atividade cerebral, ligado a uma máquina de suporte de vida que o mantinha vivo.

Em estado vegetativo, Scott não dava sinal de um dia poder regressar à vida, em virtude das graves lesões que tinha no cérebro – provocadas por um acidente de viação que ocorreu em 2000. Trata-se da primeira vez que um doente nessa condição consegue ‘regressar à vida’.

Desde aquele ano, Scott Routley apresentava escassíssimas probabilidades de recuperar, mas um professor de medicina decidiu persistir, com um tratamento revolucionário que promete reescrever os livros de neurologia. O nascer de novo de Scott é uma verdadeira descoberta da ciência.

“No futuro, poderemos melhorar a qualidade de vida deste tipo de doentes”, refere Adrian Owen, à BBC. O professor de medicina destaca o facto de Scott Routley ter recuperado toda a consciência, já que foi sujeito a um questionário, sendo que as respostas foram processadas com normalidade, facto atestado pela análise à atividade cerebral.

“A mesma pergunta foi colocada várias vezes, sendo possível perceber que Scott Routley escolhe sempre a mesma resposta. Por isso, está perfeitamente consciente”, acrescenta o professor Adrian Owen. O canadiano acordou do coma “sem dores”, segundo o próprio garante aos médicos, com quem comunica.

Através deste estudo a doentes em estado vegetativo foi possível descobrir que as pessoas registam memórias mesmo após o coma. A prova reside num facto: um doente em situação semelhante à de Scott respondeu afirmativamente à pergunta: “A sua irmã tem uma filha?”. A criança nasceu cinco anos depois do acidente.

Não são mistérios da ciência, mas a ciência a desbravar caminhos numa área ainda oculta, mas cada vez menos oculta.

sábado, julho 28, 2012

A Lei do Testamento Vital

Já aqui escrevi sobre esta questão do Testamento Vital. Hoje o Expresso noticia que "Testamento Vital já pode ser feito nos notários". A mesma antecipa a entrada em vigor da nova Lei que o veio prever. Vale a pena a propósito desta ler o comunicado que sobre o assunto emitiu esta semana a Federação Portuguesa pela Vida.

Pessoalmente não tenciono fazê-lo. Na verdade confio nos Médicos e na minha família e sobretudo em Deus que saberá em cada ocasião bastar-me com aquilo que eu preciso...Maximamente (e talvez o faça para dar testemunho junto do Notário, das autoridades e dos médicos e até da minha família) o único texto que considero razoável é o que é proposto pela Conferência Episcopal Espanhola. Tudo o resto parecem-me fantasias impostas por modas, medos e modos solitários de viver a vida...

Nota: sobre este assunto publicou a Conferência Episcopal Portuguesa esta Nota em 2009.

quinta-feira, maio 10, 2012

Testamento Vital

Lê-se hoje na imprensa (jornal i) que depois de recebido o parecer da Comissão Nacional de Protecção de Dados se encaminha para o seu termo a discussão na especialidade e na Comissão Parlamentar de Saúde dos projectos de lei relativos às Directivas Antecipadas de Vontade ou Testamento Vital.
Quando se começou a falar desta matéria em Portugal e falando com um médico amigo fui confirmado em que não só para certas forças políticas esta é uma ante-câmara de discussão e introdução disfarçada da Eutanásia (como se conclui do útil mapa comparativo feito pela Comissão e que se encontra aqui) como aquilo que se visa prevenir (o encarniçamento terapêutico bem como outras situações limite de saúde) já encontram a sua resposta na ética e práticas médicas.
Mas, sobretudo, e como ele explicava o "Testamento Vital" (entre aspas porque para um jurista o emprego da palavra Testamento tem na nossa ordem júridica, um significado incompatível com o objecto da futura lei) é como "te perguntarem no fim de uma feijoada ao almoço, o que vais querer jantar"...isto é, na ocasião, a pessoa encontra-se incapaz de prever o futuro e a fome e desejo que terá (e quando) mais tarde. Analogicamente, em situação de boa saúde, dispor sobre o que queremos ou não quando esta nos faltas e/ou em condições limite que são aos milhares em possibilidade, é completamente imprevisivel e até, diria, arriscado (posso dispor que não quero isto ou aquilo e na altura perante a aflição e eventualmente até sem me poder expressar a única coisa que eu pretenda seja sair com vida sem me importar com o caminho até lá). Como ele me explicava: "podes agora dizer que não queres ser ligado a um ventilador, mas mais tarde, estendido no meio da estrada, em perigo de vida, e sendo esse o único meio de safar-te, só me agradecerás se eu não levar em consideração esse teu desejo então expresso"...
Mas, enfim, as coisas são o que são e os projectos de lei estão aí e o processo recebendo como sempre a participação e protecção dos "moderados de serviço" (inclusive com a pretensão boazinha do "assim eles não poderão fazer passar a Eutanásia...). Assim sendo esperemos a Assembleia da República decida pelo melhor...
Nota: há uma confusão nos projectos do centro-direita que merece reflexão: sendo verdade que a hidratação e a alimentação em casos limite podem significar uma agressão (em linguagem não médica: estômago e intestinos tão desfeitos que já não processam nada e provocam mais mal-estar) estes não são "tratamentos" mas cuidados de suporte de vida (a par da higiene pessoal), cuja admissibilidade de se dispôr sobre eles, significa em termos práticos o acesso por decisão individual à Eutanásia...veja-se nesta questão este importante documento retirado do site do Vaticano e recorde-se a história da Eluana...

quarta-feira, março 07, 2012

Cardeal Monteiro de Castro: e se tiver razão...?




Hoje no Público Laura Ferreira dos Santos (a Odete Santos do debate da Eutanásia...;-) atira-se "como gato a bofe" ao Cardeal Monteiro de Castro. A "razão" são as declarações que foram notícia no Correio da Manhã (aqui) e no Público (aqui) aquando da sua nomeação. E que suscitaram uma barragem de fogo do politicamente correcto sobretudo do lado da ideologia da igualdade de género (um género de igualdade para o qual, sinceramente, não há paciência...;-)

Lendo o artigo de Laura Ferreira dos Santos ocorreu-me no entanto uma pergunta: e se, por acaso (se quiserem uma hipótese em um milhão), as vocações do homem e da mulher forem de facto distintas e a ida desta última para o mercado de trabalho (em geral) tiverem sido de facto um erro...? E se, de facto, o plano original de Deus ou do acaso ou da natureza, ou de qualquer outra fonte, tivesse sido uma diferença e nessa estivesse compreendida a dedicação da mulher à casa, á família, à prole...?

Olhando para o panorama actual isto parece de facto um disparate e/ou uma utopia. Mas, e se não for...? E, por cima da resposta que se dê ao assunto, porque não se pode falar sobre isso, interrogarmo-nos e reflectirmos?  Um pouco mais de liberdade é o que necessitamos. Homens e Mulheres...



sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Eutanásia: Viva la Muerte!

"Viva la Muerte!" terá sido o grito de um dos generais franquistas numa célebre conferência durante o tempo da guerra civil de Espanha dada ou assistida (já não me recordo...) pelo grande escritor e poeta espanhol Miguel de Unamuno.



É o que me ocorre quando li esta notícia que me foi enviada por um dos past-presidents da Associação dos Médicos Católicos:

Holanda abre em março primeira clínica de eutanásia

por DN.PT

Hoje

Associação para a Morte Voluntária espera receber um milhar de pedidos por ano, referentes a pessoas que viram o médico de família recusar o seu pedido por motivos éticos ou deontológicos. Primeira clínica abre em março, em Haia.
A eutanásia é legal na Holanda no caso de os doentes sofrerem de uma doença incurável, vivam com dores insuportáveis e façam o pedido conscientemente. Todos os pedidos têm que ser avaliados por uma comissão e peritos independentes, de acordo com a lei de 2002. Caso não sejam cumpridos estes requisitos, os responsáveis podem ser condenados a 12 anos de prisão.

A clínica da Associação para a Morte Voluntária vai dispor de seis equipas móveis que vão contatar os pacientes que viram recusado o seu pedido por parte dos médicos de família. A Federação de Médicos criticou a decisão de abrir a clínica, já em março, dizendo que os elementos da clínica não conhecem o historial médico completo dos pacientes. A associação diz que irá colaborar com os médicos de família, quando for possível.

A clínica será financiada com o apoio dos fundos dos sócios da associação, mas os responsáveis esperam que, no futuro, possa ser coberto pelo sistema de saúde

sexta-feira, janeiro 27, 2012

Conselho da Europa: Eutanásia deve ser sempre proibida!

Noticia fresquinha chegada da European Dignity Watch, sobre uma decisão de há dois dias do Conselho da Europa.
Ver mais aqui.

Council of Europe: Euthanasia Must Always Be Prohibited!

Yesterday, on January 25, 2012, the Parliamentary Assembly of the Council of Europe (PACE) adopted a Resolution stating that “Euthanasia must always be prohibited.” This articulates a strong principle for life and against euthanasia, given that, for the first time, euthanasia has been so clearly rejected by a European political institution.

This is a third major victory for life and dignity of the weakest, after the 2010 resolution that strengthened freedom of conscience for doctors and medical staff and after the European Court of Human Rights asserted last year that there is no right to euthanasia or assisted suicide under the European Convention.

The resolution passed yesterday states in §5: “Euthanasia, in the sense of the intentional killing by act or omission of a dependent human being for his or her alleged benefit, must always be prohibited.”

sexta-feira, julho 01, 2011

Ora aí está a eutanásia...pela mão de Maria Filomena Mónica

Como era fatal (o aborto ilegal era o cimento que ainda mantinha de pé a muralha da civilização, cheia de buracos é um facto) aí está o debate da eutanásia. Agora com uma ajuda da Maria Filomena Mónica.
O lançamento do seu livro é um dos acontecimentos da semana e convém estar atento ao que daqui vai sair...
Não fora a ligação de Maria Filomena Mónica a António Barreto seria de estranhar que o lançamento do livro fosse um evento promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.
Foi de facto premonitório que o primeiro Encontro Vida que se sucedeu ao referendo do aborto de 2007 tivesse a Eutanásia como tema...

sábado, fevereiro 21, 2009

Notas de leitura do Publico de hoje: do Sábado e da Eutanásia

Um Sábado maravilhoso é aquele em que se dorme de manhã, dá voltas antes do almoço com a mulher, almoça-se e vê-se um filme de aventuras com o filho rapaz (para registo hoje foi "As Minas do Rei Salomão" de há já uns bons anos, com o Richard Chamberlain e a Sharon Stone muito novinha em estreia como actriz...).
Segue-se-lhe a leitura dos jornais de fim-de-semana (por um lado um entretenimento, mas também uma distracção e uma perda de tempo, mas como dizia o outro "se for uma tentação, ao menos que não lhe consiga resistir"...;-)
Algumas notas depois de ler o Público:
- bem o Presidente da CIP a dizer que não há nem regulação nem supervisão que nos safem dos vigaristas profissionais
- mal um médico que se atira ao Pedro Vaz Patto por causa do caso Eluana e da eutanásia. Anda aí uma embriaguez de morte que não sei se haverá Guronsan suficiente para curar a respectiva ressaca
- idem para o Francisco Teixeira da Mota em que se percebe o ponto fundamental dos eutanasistas: se houver sofrimento, cortem-me o pio, por favor...ora, uma sociedade com esta repugnância do sofrimento (em si natural e até desejável desde que não paralisante como é o caso) começa a matar os velhinhos, segue pela meia-idade e acaba como na Holanda a matar crianças...!
Era melhor que todos os Sábados fossem como este (com fados à noite! ;-) mas nunca será demais abdicar deles para dizer e fazer tudo para que se ouça um rotundo Não!

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Ainda o caso Eluana: um artigo do Pedro Vaz Patto

Regressão

Pedro Vaz Patto
29. 11. 2008

Retirado do Blog:
http://oinimputavel.blogspot.com/

Em Itália, continua a grande mobilização que pretende evitar a morte de Eluana Englaro, a jovem em estado vegetativo persistente que o tribunal autorizou que deixasse de ser alimentada e hidratada: tomadas de posição, vigílias de oração, apelos à consciência de quem possa colaborar nessa morte, recusa de instituição hospitalares públicas e privadas em fazê-lo, recurso ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem por parte de associações de familiares de doentes em situações análogas.
Talvez haja quem considere exagerada esta mobilização em torno de uma pessoa inconsciente desde há vários anos. Mas talvez não seja assim tão exagerada a dimensão desta mobilização…
Está em jogo uma morte atroz (de modo algum, uma morte “natural” ou uma “morte digna”): à fome e à sede, com um agonia que se prolongará durante vários dias. Não é certo que Eluana não experimente o sofrimento nessa agonia (há mesmo estudos que parecem apontar noutro sentido). E nunca uma morte atroz deixará de o ser por ser inconsciente.
A vida de qualquer pessoa, de uma deficiente grave como Eluana (os doentes em estado vegetativo persistente padecem de uma grave deficiência, não estão “mortos”), como a de um “sem-abrigo” que em França morreu de frio por estes dias, é sempre um dom preciso, porque cada pessoa é «única e irrepetível».
Mas há algo mais em jogo neste caso. No fundo, autorizar a morte de Eluana é dizer que os deficientes graves são um fardo de que podemos livrar-nos. Não é certamente a pretensão de minorar o seu sofrimento que pode justificar essa morte (pois ou se considera que não sofre por estar inconsciente, ou, se se considera que pode experimentar a dor, nunca poderia aceitar-se que sofra terrivelmente morrendo à fome e à sede). Daí que se compreenda bem a mobilização de familiares de doentes na situação de Eluana. Todos estes doentes, e todas as pessoas deficientes, são atingidos com a sua morte.
Como já alguém recordou a propósito deste caso, foi o cristianismo que, na Antiguidade, contribuiu para abolir o costume de matar ou abandonar, à nascença, crianças deficientes e deu origem a instituições hospitalares e de assistência destinadas a pessoas até então vistas como um fardo insuportável. É também a fé cristã que move as religiosas que têm cuidado de Eluana e que pretendem continuar a fazê-lo. Esta extraordinária revolução de mentalidade tem marcado a nossa civilização até hoje.
Parece que estamos agora a desbaratar este preciso legado de civilização, parece que estamos a regredir. Desde que se autorizou, em muitos países, o aborto “eugénico”, de nascituros deficientes e, já nalguns países, a chamada “eutanásia precoce” de recém-nascidos com graves e fatais doenças. Ou quando já há filósofos e médicos influentes a defender o infanticídio de recém-nascidos deficientes, seguindo a mesma lógica que conduziu à legalização do aborto de nascituros deficientes.
A morte de Eluana é outro passo neste sentido. Não é, pois, exagerado realçar o perigo desta regressão civilizacional.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Caso Englaro: Vaticano lamenta condenação à morte

Caso Englaro: Vaticano lamenta condenação à morte

O presidente do Conselho Pontifício para a Família, Cardeal Ennio Antonelli, lamentou a decisão do Supremo Tribunal da Itália, que autorizou o corte da alimentação assistida a Eluana Englaro. O veredicto põe fim a mais de uma década de disputa em torno da situação desta mulher de 37 anos, que um acidente de viação colocou em coma irreversível desde 1992.
Para o Cardeal Antonelli, Eluana Englaro “foi condenada a morrer de fome e de sede porque vive num estado vegetativo há muitos anos”.
“Esperamos que no último momento haja uma reviravolta e que a ideologia não obscureça totalmente as consciências”, atirou.
Para a Santa Sé, o “critério ético geral” é que a administração de água e alimento, mesmo se feitas por vias artificiais, “representa um meio natural de conservação da vida e não um tratamento terapêutico”, mesmo quando o “estado vegetativo” se prolongar.
Em Setembro de 2007, a Congregação para a Doutrina da Fé, em resposta a duas questões dirigidas pela Conferência Episcopal dos Estados Unidos ao organismo vaticano, emitiu uma nota onde refere que “a administração de alimento e água não é um peso nem para o paciente nem para a família”.
A Congregação afirma que “os doentes em «estado vegetativo» respiram espontaneamente, digerem de forma natural os alimentos, realizam outras funções metabólicas e encontram-se numa situação estável. Não conseguem porém alimentar-se sozinhos. Se não lhes são subministrados o alimento e os líquidos, morrem, e a causa da sua morte não é uma doença ou o “estado vegetativo”, mas unicamente a inanição e a desidratação”.
O documento em causa sublinha ainda que a “subministração artificial de água e alimento” não acarretam um ónus pesado nem para o doente nem para os parentes, “não comporta excessivos custos e está ao alcance de qualquer mediano sistema de saúde”. Esta não é “nem pretende ser, uma terapia resolutiva, mas uma cura ordinária para a conservação da vida”.
O encargo pode ser considerado se o estado do paciente se prolongar no tempo, mas indica que este é “um ónus semelhante ao de cuidar de um tetraplégico, de um doente mental grave, de um Alzheimer avançado. São pessoas que precisam de uma assistência contínua durante meses e até anos”. No entanto, o princípio “não pode ser interpretado, por razões óbvias, no sentido de ser lícito abandonar a si próprios os doentes, cujo cuidado acarrete um ónus consistente para a sua família, deixando-os portanto morrer”.
A Declaração sobre a eutanásia, publicada pela Congregação para a Doutrina da Fé a 5 de Maio de 1980, estabeleceu a distinção entre meios proporcionados e desproporcionados e entre tratamentos terapêuticos e cuidados normais devidos ao doente, sublinhando que em caso de morte iminente, “é lícito em consciência tomar a decisão de renunciar a tratamentos que dariam somente um prolongamento precário e penoso da vida, sem contudo interromper os cuidados normais, que são devidos ao doente em tais casos”.
A 15 de Novembro de 1985, o Papa João Paulo II, recordando a Declaração sobre a eutanásia, afirmou claramente que, em virtude do princípio da proporcionalidade dos cuidados, não se pode dispensar “o empenho terapêutico destinado a assegurar a vida nem a assistência com meios normais de apoio vital”, de que faz parte certamente a subministração de alimento e líquidos, e observa que não são lícitas as omissões destinadas a “abreviar a vida para poupar do sofrimento o doente ou os parentes”.
Em 1995, o Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde lembrava que “a alimentação e a hidratação, mesmo artificialmente ministradas, fazem parte dos cuidados normais que são sempre devidos ao doente, quando não resultam onerosos para ele: a sua indevida suspensão pode representar uma verdadeira e própria eutanásia”.
Internacional Octávio Carmo 17/11/2008 12:42 3804 Caracteres
209 Santa Sé

O assassinio de Eluana Englaro: comunicado de Medecina e Persona

Sobre o assassinato (através da morte por fome e sede) de Eluana Englaro deu origem ao seguinte comunicado de Medecina e Persona:

ELUANA ENGLARO: O PRIMEIRO CASO DE HOMICÍDIO LEGAL EM ITÁLIA

Só podia ser este o título de um comunicado de imprensa que diga a verdade sobre toda a história de Eluana. Visto que em Itália não existe uma lei sobre a eutanásia, o homicídio de Eluana é levado a cabo pela via legal, ou seja, é obtido através da autorização dos juízes. A partir de hoje poder-se-á matar – basta que se queira – doentes estáveis, crónicos, incuráveis: pacientes em estado vegetativo, pacientes em condições terminais, idosos que já não são úteis à sociedade. No fundo, poder-se-á matar quem quer que “presumivelmente” tenha pedido para morrer, e que se encontre numa situação em que não pode mudar de ideias ou de pedir ajuda, mediante a suspensão de água e comida, talvez depois da consulta de um juiz.
Era esta a sociedade que queríamos, na qual queremos viver?

Os juízes
- Deslegitimaram a Constituição Italiana
- Agiram contra o Código Civil e contra o Código Penal

Eles não serão imputáveis: são imunes graças à autoridade que lhes é reconhecida. Eles não serão imputáveis: mas quem mata sê-lo-á.
Temos que nos perguntar: “Como é possível que, actualmente, o culpado, o que mata, não seja imputável?”. A resposta está contida na atitude de piedade cruel – típica do nosso tempo – por detrás da qual se esconde uma lógica de todo nova na história. É a mesma lógica utilizada na segunda guerra mundial: hoje, através da mesma lógica ideológica, em nada diferente daquela, eliminam-se os mais débeis e os indefesos.
Venceu uma interpretação do direito da pessoa entendido como “autodeterminação” que representa uma deformação em relação ao que é afirmado pelo Código de Deontologia médica e pela própria Constituição.
Levaram a melhor a má consciência, e a possibilidade de arbítrio sobre quem seja digno de viver e quem o não seja.
Esta lógica desafiou a sabedoria da soberania popular que deu origem à nossa Constituição, e a cultura que daí nasceu.
Esta lógica acabou por prevalecer.
O que aconteceu torna-se ainda mais preocupante porque agora já nenhuma lei poderá ser respeitada: alguns juízes contornam a lei – até as que existem – e criam uma nova era, a era da ética do mais forte sobre o mais débil, com o auxílio do direito. Mas não tínhamos partido de uma justiça igual para todos?
Não deveria ser ainda hoje este o objectivo da justiça?
Que vergonha.

Medicina e Persona
13 novembre 2008

Itália: autorizado judicialmente o homicidio de Eluana Englaro

O Diário de Notícias publicou a seguinte notícia que resume em breves linhas o caso escandaloso do homicidio em Itália autorizado por decisão judicial de Eluana Englaro:

Solidariedade. Clínica oferece-se para tratar Eluana "sem pedir nada em troca"

Associação de deficientes interpõe recurso junto de Tribunal de Estrasburgo

O Supremo Tribunal de Itália autorizou ontem os médicos a desligarem os sistemas de apoio à vida [leia-se: provocar a morte por fome e desidratação] de Eluana Englaro, de 37 anos, em coma desde Janeiro de 1992 devido a um acidente automóvel.
A decisão do Supremo vem confirmar uma sentença do Tribunal de Relação de Milão, proferida em Julho, em que autorizava o pai de Eluana, Beppino Englaro, a pôr fim à vida da filha. Este classificou a decisão como prova da existência do "Estado de Direito" em Itália.
Uma associação de pessoas deficientes vai recorrer do acórdão do Supremo para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, em Estrasburgo, enquanto a instituição religiosa onde Eluana é assistida desde 1993 se ofereceu para continuar a fazê-lo a título gratuito. A clínica Beato Luigi Talamoni, de Milão, divulgou um comunicado anunciando que as freiras que tratam Eluana se oferecem para continuar a acompanhá-la "sem pedir nada em troca". "Se há quem a considere morta, que deixe Eluana connosco, que a sentimos viva".
Para Beppino Englaro, a sua filha "morreu no dia do acidente". Em declarações ao La Repubblica, Englaro afirmou que os magistrados "souberam colocar-se no lugar de Eluana" e entender o "seu estado vegetativo irreversível, estado que não existe na natureza, ao passo que a medicina pode levar ao extremo a alimentação forçada e a terapia, mesmo quando estas já não servem para nada".
Opinião contrária foi expressa pelo subsecretário de Estado do Interior, Alfredo Mantovano, que definiu a decisão do Supremo como "uma forma velada de eutanásia e de homicídio consentido". A Constituição italiana, ainda que interdite o fim voluntário da vida, concede aos pacientes o direito a recusarem tratamento. A questão é se este quadro legal se aplica ao caso de Eluana.
Também o Vaticano condenou a atitude da justiça italiana. "É uma derrota para Eluana, uma jovem que vive, que respira de maneira autónoma, que desperta e dorme, que tem vida", afirmou o presidente da Academia Pontifícia para a Vida, Rino Fisichella, à Rádio Vaticano. Por seu lado, o responsável da Pastoral para a Saúde, cardeal Lozano Barragán, equiparou o acórdão do Supremo italiano à condenação de Eluana "a um fim monstruoso", a um "homicídio, em que a vão deixar morrer de fome e sede".
Com Patrícia Jesus e agências

quarta-feira, novembro 12, 2008

Eutanásia: uma embriaguez de morte

Hoje no Público três páginas sobre o assunto no suplemento respectivo. Dias antes dois arigos: uma provocação de Rui Nunes da Associação Portuguesa de Bioética (que raio lhe deu para ter começado sózinho um debate que ninguém pedia e com um interesse tão grande nele?) e uma boa resposta da Isabel Neto da Associação Nacional dos Cuidados Paliativos (para ver uma história dos cuidados paliativos em Portugal: http://www.historiamedicinapaliativa.ubi.pt/index2.htm).
Lê-se e não se acredita. Vem-me à mente aquela "embriaguez da morte" em que parece estar mergulhada a nossa civilização...
Como não há razões para esperar nada, desespera-se e busca-se um último conforto e satisfação: a morte. Que tristeza!
Mas é bom começarmos já a ir buscar os mapas, limpar as armas e estudar o terreno. Na calma de hoje está já a véspera de mais uma batalha, onde nos encontraremos mais determinados que nunca!