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sábado, janeiro 17, 2015

Primárias no centro-direita: Santana Lopes soma e segue



(fotografia retirada daqui no site do Público)

Já aqui tenho manifestado o meu entusiasmo pelas primárias no centro-direita como forma mais adequada a que este Povo indique que candidatos prefere e não deixe a tarefa nas mãos dos directórios partidários. E por maioria de razão isso é verdade para o chamado Voto Católico (o que entendo por isso está aqui ou aqui e no blog ao longo dos anos...;-).

Nesse sentido a iniciativa de Santana Lopes (há hoje mais esta notícia no Público), com a coragem e ousadia e liberdade que o caracterizam, tem sido uma fortíssima ajuda a sairmos da "marmelada" em que, no centro-direita, nos encontrávamos. Bem-haja por isso!

Uma curiosidade: que esperarão Marcelo Rebelo e Sousa e outros por se atirarem para a frente...?

segunda-feira, janeiro 05, 2015

As presidenciais 2016: Santana Lopes e Marcelo Rebelo de Sousa



(imagem retirada daqui)

Tenho a maior das simpatias por Marcelo Rebelo de Sousa, estou convencido daria um excelente Presidente da República, mas sobretudo pelo que dele conheço e dos contactos raros que tenho com o mesmo, estimo nele a consciência que de si próprio tem como de um católico que está na política e para quem isso é um referencial. Tudo isto, claro,no seu estilo próprio e muitas vezes não correspondendo ao que por isso podíamos desejar ou esperar, mas todos somos assim: uma soma nem sempre coerente de qualidades e limites, aspirações e inconsequências. Admiro claro e também o sentido de humor, o magnetismo que exerce sobre o povo laranja (e hoje em dia, creio, todos os portugueses em geral, independentemente das respectivas convicções e opções políticas), a superior inteligência, a cultura e a capacidade política. E impossível esquecer o que lhe deve a oposição ao aborto legal seja pela introdução do referendo na matéria, seja em muitas tomadas de posição, das quais a mais recente foi de apoio explicito (e subscrição) da Iniciativa Legislativa de Cidadãos "Lei de Apoio à Maternidade e à Paternidade - Do Direito a Nascer".

No entanto no que respeita ás presidenciais não percebo o cálculo que está a fazer e os tempos políticos desta eleição que ontem preconizou na TVI (isto é que uma vez Guterres só para o Outono estará disponível para decidir se se apresenta, então assim deverá ser com o candidato de centro-direita). Nem a aparente dependência de uma decisão dos partidos de centro-direita a que parece subordinar a decisão, sua ou de outros, de uma candidatura presidencial desta área política. E pelo contrário neste ponto partilho completamente os juízos políticos de Santana Lopes no que respeita seja aos tempos e autonomia individual de decisão, de cada candidato, seja a naturalidade de que a primeira volta das presidenciais sejam as primárias a que o povo de centro-direita aspira e tem direito. Como hoje consta no Diário de Notícias e na Renascença. Num rasgo de coragem e ousadia que lhe é característico e que faz muito do seu valor.

Além disso também aqui já referi muitas vezes a apreciação que tenho por Santana Lopes, feita de uma estima pessoal e identificação política. Também neste estimo a consciência de si próprio como de um filho da Igreja Católica e uma intuição de bem que lhe vi muitas vezes como imediata e instintiva em muitas atitudes que tomou ao longo dos tempos. Aprecio ainda o seu magnetismo no mesmo povo laranja, a dignidade na derrota ou na injustiça que lhe foi feita nos seus tempos de Primeiro-ministro, e a capacidade executiva de que sempre deu provas, agora mais recentemente, num trabalho notável na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. E, last but not the least, a concepção que tem do desenho constitucional do presidente da república e do respectivo exercício de mandato. Sem esquecer que lhe sou grato pela experiência autárquica que fiz entre 2009 e 2013 de membro da Assembleia Municipal de Lisboa e por isso de presidente da Comissão de Intervenção Social e promoção da Igualdade de Oportunidades, um tempo do qual guardo a melhor das memórias e em que tanto aprendi além de me ter possibilitado contactar com tanta gente de outros quadrantes políticos com quem vivi a verdade de que "na política o outro é um bem".

Assim sendo considero que qualquer um dos dois é um excelente candidato e nada impede ambos (e outros, se possível) se apresentem e se veja quem merece a preferência do povo de centro-direita (e neste do voto católico), para depois se apurar a vontade de todos os portugueses. Mas sobretudo deixem-nos (os directórios partidários) escolher, pelas almas, como diz o meu pai...;-)

Sobre Santana Lopes no meu Blog ver aqui.
Sobre Marcelo Rebelo de Sousa no meu Blog ver aqui.

quinta-feira, julho 04, 2013

Crise política: acordo PSD e CDS-PP




(a fotografia acima foi retirada do site da Renascença e creio reproduz outros momentos da coligação que governa o país e que se melhor poderia fazer, é sempre preferível a um regresso do Partido Socialista ao poder...)

Na comunicação social online anuncia-se um acordo entre o CDS e o PSD. Ainda bem! O país precisa deste Governo, de prosseguir no rumo encetado e de estabilidade política. No meio disto tudo é de assinalar    
a determinação e a abertura de Passos Coelho (disse que não desistia,não entrou em pânico, chamou o parceiro a jogo) e a habilidade política de Paulo Portas numa jogada arriscada que confundiu até os seus mais próximos, e que trará certamente benefícios para a presença do CDS no Governo, o seu papel na Coligação e possivelmente até vantagens para o país se for verdade que haverá nova estrutura de Governo, novos protagonistas nas suas estruturas e um rumo mais ousado nas suas políticas. Se assim for, tudo está bem quando acaba bem...

Duas observações mais:

- do bom rumo que as coisas possam agora tomar depende que as movimentações mais identitárias no interior do centro-direita ganhem progressivamente mais espaço nos respectivos partidos, colocando uma exigência progressiva sobre as actuais lideranças partidárias, empenhando-se nas autárquicas no apoio dos seus candidatos e ganhando espaço político correspondente á sua força social

- como sempre que razão tem Pedro Santana Lopes quando aqui observa como a comunicação social detesta ser desobedecida pela realidade...! ;-)



terça-feira, julho 02, 2013

As demissões de Vitor Gaspar e de Paulo Portas




Fora de Lisboa neste momento preparava-me para escrever sobre a demissão de Vitor Gaspar retomando as sábias palavras do meu amigo Pedro Aguiar Pinto, editor do Blog Povo. Na verdade e apesar das inumeras criticas que nos aspectos políticos que mais me preocupam (a defesa da Vida, a promoção da Família, as Liberdades Religiosa e de Educação, a Subsidiariedade) este Governo merece e pela correcção das quais não me canso, com todo um Povo de um país inteiro, de lutar, do ponto de vista humano acho que a qualquer dos Ministros do actual Governo o que se pode dizer é: "Obrigado, que Deus o guarde e vos ajude" tal o estado em que Portugal se encontra, o gigantismo da tarefa a que se propõem e o sacrifício que representa o desempenho das funções governativas.

Penso era isso que o Pedro tinha presente quando hoje na edição diária da Newsletter do Povo escreveu:

"Ontem saiu do governo o ministro Vítor Gaspar. Tenho por ele uma enorme admiração e respeito que é confirmada pela carta em que ele pede ao primeiro ministro a sua demissão. As qualidades humanas que ele revelou nestes dois anos e que revela nesta carta são raras. A ingrata tarefa a que se dedicou em nome de nós todos, com enorme incompreensão geral, só aumenta a minha admiração e gratidão. Espero que ele possa continuar a ajudar o país, de qualquer outro modo. Obrigado Vítor Gaspar."

E entretanto tudo se precipitou: um amigo liga-me a contar da demissão de Paulo Portas (carta aqui), vejo que a posse da nova Ministra das Finanças se manteve, que os Ministros do CDS faltaram á mesma, que Passos Coelho foi hoje duas vezes a Belém, que fala ao país ás 20h00, etc...é muito cedo pois para conjecturas e para perceber o que se vai passar. Apenas para "tremer" perante a possibilidade de um regresso do Partido Socialista ao poder e para a confusão económica e financeira que tudo isto pode gerar. Mas também para pensar no cenário de eleições. E que, se calhar, aquele trabalho de reconstrução do centro-direita, que parecia ter de esperar pelas Presidenciais, pode ter de começar mais cedo...e aí estaremos (os do Voto Católico como ás vezes a comunicação social nos chama), prontos a dar razões e batalhar por estas, porque "há muito de bom e belo neste nosso mundo e vale a pena lutar por isso"...



quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Casamento homossexual em França

Podem dar as voltas que quiserem, mas como genialmente o evocaram há uns anos (numa sensibilização por ocasião eleitoral) os meus amigos do Blog O Inimputável:



A frase que tem este belíssimo poster é:

Nenhuma ideologia pode cancelar do espírito humano a certeza de que só existe casamento entre duas pessoas de sexo diferente.

Verdadeiro com leis ou sem elas.

sexta-feira, outubro 26, 2012

Até que enfim o voto de preferência!



(ao longo dos anos e por ocasião de eleições, sobretudo nacionais, tem havido diversas iniciativas sensibilizando para a importância do voto e neste das questões civilizacionais fundamentais. o cartaz acima, iniciativa creio próxima do Blog O Inimputável, é um óptimo exemplo disso. o voto de preferência dará nesta questão, um salto qualitativo: será possível apelar não apenas genéricamente, mas ao voto numa pessoa concreta, com quem os eleitores identificados com uma determinada preocupação poderão contar, comprometer, responsabilizar e no fim da legislatura, punir ou premiar)

A notícia no Sol de hoje de que a par da redução do número de deputados (sobre a qual tenho as maiores das dúvidas baseando-me na minha experiência esforçada e trabalhosa de deputado entre 2002 e 2005) o PSD se prepara para propor o voto de preferência (uma promessa eleitoral de Passos Coelho e uma das razões por que o apoiei) encheu-me de alegria pois há muitos anos o venho defendendo.
O voto de preferência não só é por sua natureza mais democrático (escolho o partido e o deputado que me representa) como termina de vez com aquelas listas fechadas onde ou se é hábil manobrador ou amiguinho do chefe ou não se tem hipótese (em o se desejando com verdade e frontalidade) de se submeter a própria pessoa e ideias à consideração do eleitorado. Por outro lado o voto de preferência termina também com a situação embaraçosa de uma vez eleito o deputado ser um pau-mandado às ordens da direcção do partido e ver-se na estranha situação de ter de apoiar medidas e políticas que estão no oposto das ideias em que acredita e com as quais chamou o voto dos seus apoiantes. Enfim, só vantagens…

Em termos mais macro o voto de preferência dá também poder ao eleitor sobre o deputado e a sua actuação parlamentar. O eleitor negoceia o seu apoio (votarei em ti se te propuseres a) e pode em fim de mandato correr com o mesmo se não tiver sido correspondido, sem por isso ter de mudar de partido. E também, simultaneamente, os grupos sociais ficam com a possibilidade de negociar a entrada nas listas de seus protagonistas em troca da mobilização eleitoral.
Contando que António José Seguro (que na última reforma do parlamento teve um papel decisivo na maior democraticidade do mesmo e em conferir mais poderes aos deputados) honre a sua tradição no que à estruturação do sistema político diz respeito, haja sensibilidade e bom senso e entendam-se os dois maiores partidos e avance de vez esta que pode ser a mãe de todas as reformas…!

Do lado civil (das movimentações cívicas em favor da Vida e da Família, das Liberdade de Educação e Religiosa, da Subsidiariedade) estaremos atentos. Num primeiro momento apoiando esta reforma (com todos os movimentos da sociedade civil que compartilhem connosco este juízo, independentemente das causas que defendam). Num segundo momento actuando-a no terreno, com as nossas forças, alegria e determinação.

terça-feira, outubro 23, 2012

Presidenciais 2016: a força do sistema...

Não sei ler sondagens, senão superficialmente, pelo seu valor "facial", e por isso não sei qual a validade da que hoje o jornal i publica sobre as presidenciais em 2016. Não me surpreende no entanto o predomínio de Marcelo Rebelo de Sousa correspondente com a enorme influência que este hoje tem, através dos seus comentários na TVI, sobre a classe política e a opinião pública em geral.

No entanto surpreendeu-me uma coisa: nas últimas presidenciais que resultaram na eleição de Cavaco falou-se muito antes da respectiva candidatura em potenciais candidatos alternativos na área do centro-direita. Três nomes estiveram sempre "na baila": Bagão Félix, José Ribeiro e Castro e Pedro Santana Lopes.

Curiosamente nos candidatos possíveis do centro-direita cujos nomes foram sondados pelo jornal i, nenhum deles consta...!? Ou muito me engano ou o "sistema" tem muita força e nem a quatro anos das ditas eleições, se quer arriscar que estes nomes constem das pré-grelhas de partida. Assim a arma utilizada para impedi-lo é a clássica: ignorem-se, faça-se silêncio, se não falarmos nisso pode ser não aconteça...

Não por acaso qualquer desses possiveis candidatos eram também, na época, aqueles em que o chamado voto católico se revia e nos quais vislumbrava uma possibilidade de ruptura no centro-direita e com a "mornice" de Cavaco...conclusão: mesmo se passados uns anos tanto mudou e até 2016 ainda mais pode mudar, diz-me de quem não falas e eu dir-te-ei de quem receaste tu pudesse ter vindo uma mudança...

quarta-feira, agosto 08, 2012

Católicos e Política: porquê votar

O tema é inesgotável e creio já o ter referido aqui algumas vezes. Não tenho outra ambição política, aliás, do que esta: contribuir para uma presença assim em Portugal. Vindo este post agora à baila porque uma amiga minha acaba de me enviar a tradução que lhe tinha pedido deste juízo da comunidade mexicana de Comunhão e Libertação publicado a propósito das eleições que tiveram lugar naquele país este mês de Julho. "Reza" assim:


PORQUÊ VOTAR? É O MOMENTO DA PESSOA

Em Julho o México será chamado a eleger o Presidente e o Parlamento.

«Não existe a possibilidade de construir sobre o amanhã. Só existe a possibilidade de construir sobre o desejo presente…» Luigi Giussani

Dentro de poucos dias, terão lugar as eleições federais no nosso país. Os candidatos à Presidência da República, os Senadores e os Deputados serão eleitos através de um processo democrático em que o povo do México decidirá a quem dar o seu voto.

É o momento da pessoa, a possibilidade de manifestar com clareza quem somos e o que desejamos. Na sua carta sobre as próximas eleições, os Bispos mexicanos convidam-nos «a participar pessoalmente na vida pública» e a não nos subtrairmos ao empenho que implica o «multifacetado e diversificado agir no campo económico, social, legislativo, administrativo e cultural, destinado a promover o bem comum de forma orgânica e institucional».

É uma provocação oportuna porque para a maioria das pessoas prevalecem o desencorajamento e a desconfiança nas propostas dos partidos políticos. De onde vem esta negligência? A nossa consistência de seres humanos depende do poder que está em causa? Nenhum de nós deseja ser manipulado ou submetido a um mecanismo central que pretende determinar todos os aspectos e as expressões da vida dos homens. Qual é, então, a alternativa? Quais são as raízes da nossa dignidade?

Cristo revelou-nos que o valor infinito de cada homem encontra o seu fundamento na nossa relação directa com o Mistério, com Deus. Por isso, nada, nem um poder político, nem o poder de um grupo social ou da família nos determina. Somos livres e, como tal, somos responsáveis pela nossa vida e pela vida da sociedade.

O Papa Bento XVI recordou-no-lo recentemente na sua homilia em Silao, «A história de Israel narra também grandes proezas e batalhas, mas quando se trata da sua vida mais autêntica, do seu destino mais decisivo, isto é, da salvação, mais do que em suas próprias forças, Israel depõe a sua esperança em Deus, que pode criar um coração novo, sensível e submisso. Hoje, isto pode recordar a cada um de nós e aos nossos povos que, quando se trata da vida pessoal e comunitária na sua dimensão mais profunda, não bastam as estratégias humanas para nos salvar».

O coração do homem é o selo irredutível de que é feito o homem e, por isso, nenhum poder conseguirá eliminar definitivamente o nosso desejo de infinito.  Os novos movimentos juvenis, como o "#Yosoy132" são testemunhos disso mesmo, ainda que na sua generalidade.

Um coração puro é um “eu” desperto, o único sujeito capaz de enfrentar de forma criativa até a circunstância das eleições. Cada pessoa deve responder: entre todas as propostas políticas que são apresentadas, qual leva em consideração este “eu”, este desejo que cada pessoa tem de alcançar o transcendental, a realização plena? Qual delas coloca no centro do seu conteúdo e da sua acção a pessoa e não a sua ideologia? Qual delas, pelo contrário, em vez de cortar a consciência, procura que esta se escancare e favorece as condições para que cada pessoa seja protagonista da própria história?

Isto exigirá um trabalho intenso de reflexão e verificação, que vá para além da superficialidade da propaganda mediática, do isolamento e da indiferença em que podemos cair, dando por adquirido que já tudo estará decidido a favor de um candidato. É preciso ter presente que a iniciativa das pessoas e das realidades sociais que daí decorrem - famílias, empresas, obras educativas - não se limita à circunstância das eleições mas abraça toda a vida quotidiana: a nossa família, o nosso trabalho, os negócios, a cultura. Somos nós os construtores desta sociedade através do nosso empenhamento quotidiano.

Sem isto, falar de mudança seria apenas mais uma ilusão.

O voto só faz sentido como parte deste empenhamento maior. Por isso, é preciso votar, porque o nosso país se constrói no presente.

Este é o momento da pessoa!

terça-feira, maio 22, 2012

Aborto: de uma lei desgraçada à desgraça da aplicação




O efeito conjugado da Petição promovida pela Federação Portuguesa pela Vida e entregue em Fevereiro do ano passado na Assembleia da República, da revelação dos resultados da aplicação da lei do aborto pela Direcção Geral de Saúde, e da tomada de iniciativa pelo CDS-PP, provocaram a vinda à tona de um debate que existe de facto na sociedade portuguesa e provar que o aborto não é de forma alguma um caso encerrado.

Disso é uma manifestação entre outras o Fórum TSF de hoje sobre o aborto e taxas moderadoras (uma forma limitada de olhar para o problema já que neste momento e pelo menos o que tem de estar em causa é a inteira regulamentação da lei) e também o inegável pânico das intervenções dos movimentos do Sim.

Uma coisa é certa: mais passa o tempo, mais fica infelizmente demonstrada a razão que assistia ao Não no último referendo e que, mais tarde ou mais cedo, será nesse campo que a discussão se colocará. Assim o percebam os estados-maiores do centro-direita (em especial as actuais direcções parlamentares), porque o núcleo duro do seu eleitorado, há muito o tem claro, como se viu no Sábado passado na Caminhada pela Vida.

segunda-feira, maio 07, 2012

Sarkozy: é uma pena...

Por muito pouca margem Hollande ganhou a Sarkozy...leio no Público que apenas metade dos eleitores de Marine Le Pen votaram nele de onde se conclui que uma natural teimosia política (a vontade de afirmação de um espaço próprio na perspectiva das legislativas somado a um não querer perder a face) vai ter este custo elevado: vão apanhar com um presidente socialista e ver o que é bom...

Assinalo-o porque o fenómeno (votar por "questões de princípio" ou preconceitos humanos) não ocorre só em França nem com eleitorados de extrema-direita. Também em Portugal os puristas de serviço costumam ficar todos contentes com o facto de terem deixado bem vincada a sua posição e dessa forma, muitas vezes, desarmam iniciativas mais abrangentes que não deixariam o resultado final ser tão fraquinho ou embaraçoso...sucede na extrema-esquerda portuguesa com muita frequência e às vezes nas movimentações civicas da Vida e Família com algumas das suas franjas marginais. Sucede aliás em todos os campos e momentos políticos.

Quer isto dizer que não se deva às vezes vincar posições (vide o que aconteceu com o eleitorado do Não ao aborto na última eleição presidencial em relação a Cavaco [250 mil eleitores não alinharam com ele])? Não. Nesse caso, por exemplo era mesmo preciso dar uma lição aos barões do centro-direita e demonstrar que as decisões políticas (no caso a falta de reacção à agenda fracturante dos socialistas) podem ter consequências. Ou seja, havia um ganho político concreto. Ora, no caso acima, não houve ganho político nenhum já que a mesma afirmação de força (independentemente do que se pense de quem dela beneficia, no caso o Front National) poderá ter expressão plena nas legislativas e já se sabe (e ainda bem) que o centro-direita não quer nem pode dar mais a quem se revê em Le Pen...

Claro que como sempre acontece na vida, com mais ou menos feridas, a França há-de sobreviver a Hollande, como já sobreviveu a Miterrand, e nada na política é definitivo ou "mortal"...;-)

domingo, abril 15, 2012

Presidenciais USA: mais uma prova de como os media estão tão fora...


Quem leia a imprensa portuguesa no que se refere às primárias republicanas é levado a pensar que Rick Santorum é mais ou menos o equivalente a José Pinto Coelho (do PNR) e Mitt Romney um politico que nos temas fracturantes está mais ou menos alinhado na mediana entre Paulo Portas (actual...) e Pedro Passos Coelho...! A origem da confusão parece-me estar em que o sistema intelectual de esquerda português não é estúpido (isto é, ainda que confusamente, adverte o perigo do momento em que o centro-direita português se verá confrontado com o mesmo conflito de identidade). Ora, quando isso coexiste com uma profunda ignorância jornalistica está reunido o caldo favorável à confusão acima identificada.

Mas na verdade, nada mais longe da realidade...a existir comparação (e pedindo perdão pela incompletude a ambos) a de Rick Santorum poderia ser com qualquer um dos protagonistas do chamado "voto católico" e a de Mitt Romney (no que às questões fracturantes respeita) com Manuel Monteiro (do PND) ou Paulo Portas (nos seus melhores dias...).

A prova do acima referido está aqui no site de Romney, já que quando a Rick Santorum, não é necessária demonstração tal a "peste" que o mesmo é para a classe jornalistica (onde como uma vez ouvi a um ex-director de um diário "se o universo eleitoral português se reduzisse aos portadores de carteira de jornalista, o Bloco de Esquerda tinha maioria absoluta"...;-)

domingo, agosto 28, 2011

Católicos e política: um artigo óptimo de Henrique Raposo

Excelente artigo no Expresso de Henrique Raposo sobre a ataraxia política de muitos católicos: veja-se no site online deste jornal.
Com a devida vénia aqui está o texto respectivo:

Os católicos e a política
Henrique Raposo (www.expresso.pt)
8:00 | Sexta feira, 26

Há sempre um ponto que me desgosta em muitos amigas e amigos católicos: é a distância em relação ao debate público e político, é o nojo fácil pela política. Isso é visível, por exemplo, no Facebook. Ali podemos ver milhentas pessoas a assumir com orgulho a identidade católica e, ao mesmo tempo, a desprezar a identidade política. Na secção "religious views", surge triunfante a palavra "católica". Na secção "political views", surge um pobre e fácil "não uso disso" ou um "são todos iguais", etc. Na revista Communio (Setembro 1988), o omnipresente Francisco Lucas Pires escreveu um artigo que é, para mim, a melhor resposta a esta pobreza apolítica de um certo catolicismo.
Nesta prosa, intitulada "Pureza de Coração e Vida Política", Lucas Pires afirma que existem duas maneiras de um cristão lidar com a esfera política. A primeira passa por aceitar que os princípios e regras da esfera política são de "outro tipo" e que, por isso, o cristão só deve ter preocupações com a salvação da sua consciência. Ou seja, o cristão deve criar uma redoma à sua volta, retirando-se assim dos debates da Cidade. Nesta via, o cristão julga-se tão puro, que não quer sujar as mãos na realidade. "Sim, sou muito católico, mas não quero nada com a política, são todos iguais".
Como já perceberam, Francisco Lucas Pires critica esta primeira via, e defende uma alternativa. Para o ex-líder do CDS e inspirador de boa parte do PSD atua l, um cristão tem o dever de lutar na Cidade, tem o dever de fazer opções públicas e políticas. Porque o leigo não é o padre a viver fora da Cidade. O leigo tem de viver no mundo, tem de produzir e/ou participar numa narrativa normativa para a Cidade, mesmo quando essa Cidade é dura e suja. Sim, a política namora com o pecado e com a mentira, mas - precisamente por causa disso - a política é o terreno propício para se apurar a "pureza de coração". Só podemos testar a nossa pureza num mundo imperfeito e duro. A redoma apolítica é uma via fácil e pouco cristão.
Portanto, numa lógica algo parecida à de T.S. Eliot, Lucas Pires diz que o cristão tem de tentar influenciar o espaço público, tem de levar os seus valores cristãos para a Cidade. O cristão não tem apenas de salvar a sua consciência: também tem de salvar a sua cultura. O cristão não é apenas um ser metafísico, também é um ser historicamente situado. No fundo, não deve existir uma separação entre a obediência moral (a Cristo, a Deus) e a vida política e colectiva aqui na Cidade dos homens. Pelo contrário: deve existir uma tensão criadora entre a ética cristã e a realidade política.

domingo, maio 29, 2011

O voto católico que não existe mas do qual se fala...

O Público retoma hoje numa sondagem (da qual não divulga os dados técnicos mas que no texto refere ter "uma amostra reduzida e com pouco tempo de máquina, por dificuldades de financiamentos") num artigo que intitula "o voto católico não existe" da autoria de António Marujo.
O artigo é interessante de ler e desperta o apetite pela questão (nomeadamente para umas jornadas "Catolicismo e fronteiras políticas" dias 30 e 31 de Maio em Lisboa e em que tenho uma pena gigante de não poder assistir...).
Particularmente curioso (e desmentindo um pouco o tom geral do artigo) o quadro de relação entre a frequência de actos de culto por voto nos partidos políticos nas eleições para a AR em 2009, que coincide com a observação empirica de quem tem estado envolvido nas movimentações civicas da Vida e Família e na sua envolvente geral politica e partidária...
Num artigo meu que saiu no Público em 21 de Janeiro deste ano e a esse propósito escrevi:
"Conforme muitas e credenciadas vozes vêm afirmando, não se pode dizer que exista um eleitorado, ou um voto, católico, nem sequer simplesmente cristão, se por essa designação entendermos uma expressão eleitoral unitária de quem se afirma como sendo parte dessa confissão religiosa: ao longo dos anos e em Portugal ,os católicos exprimem-se em diferentes partidos e votam por diversas opções. Se atendermos aos resultados eleitorais, pode mesmo duvidar-se se muitos dos cristãos se darão ao trabalho de confrontar a sua escolha política com os princípios da sua fé (conforme a hierarquia da Igreja católica e algumas iniciativas de leigos sempre convidam nas vésperas de qualquer acto eleitoral) ...
Este facto, porém, não contradiz que dentro desse eleitorado que professa o cristianismo, ou no quadro mais amplo, e abrangendo quem não partilha essa fé, do centro-direita, não se venha afirmando ao longo dos anos um corpo eleitoral com um volume de voto estável (vejam-se o milhão e meio de votos "não" nos referendos do aborto). Com manifestações cívicas quantitativamente impressivas (petições populares a um ritmo médio de dois em dois anos que reúnem entre 80 e 200 mil assinaturas) e até, em alguns actos eleitorais, esporádicos movimentos uniformes (como a transferência de voto para o PP nas últimas Europeias)."
Ora, deste último ponto de vista, "eppure si muove"...;-)