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domingo, fevereiro 08, 2015

A pretensão totalitária da igualdade (e da ideologia) de género



(esta fotografia foi tirada daqui)

A notícia de que o Governo chamou as empresas cotadas na Bolsa para as ameaçar (suave e disfarçadamente, já se sabe...) no caso não escolham mais gestoras em cargos de chefia é completamente incompreensível. Trata-se não só de uma intolerável ingerência da autoridade pública nos domínios do privado como está em clamoroso contra-ciclo com uma pretensa neutralidade da esfera pública no comportamento da economia privada. Denota além disso uma pretensão totalitária que a bem dizer só pode surpreender quem não esteja a par dos perigos da ditadura do politicamente correcto e em especial da ideologia do género.

Razões acrescidas pois para reler esta Nota da Conferência Episcopal Portuguesa sobre o assunto e esta entrevista de Diogo Costa Gonçalves ao mesmo propósito. Na verdade trata-se de um assunto que preocupa a Igreja católica e até levou o Papa Francisco a falar de colonização ideológica e desta forma (declarações originais aqui e aqui):

"Colonização ideológica
O Papa aproveitou ainda a conversa com os jornalistas para elaborar sobre um termo que usou durante a sua visita às Filipinas, em que criticou a "colonização ideológica".

"Sobre a colonização ideológica, dou apenas um exemplo que eu próprio vi: há 20 anos, em 1995, uma ministra da Educação pediu um empréstimo considerável, para construir escolas para os pobres. Deram-lhe o empréstimo, na condição de, nessas escolas, haver um livro para as crianças, muito bem preparado didacticamente, onde se ensinava a teoria do género. Isto é a colonização ideológica!"

"Entram num povo com uma ideia e colonizam o povo com uma ideia que muda, ou pretende mudar, uma mentalidade ou uma estrutura", critica o Papa, salientando que isto acontece sobretudo em países que precisam de auxílio financeiro ou humanitário. "Durante o sínodo, os bispos africanos lamentavam-se disto."

A atitude actual, diz Francisco, não é nova: "O mesmo já fizeram as ditaduras do século passado.""

Mas em Portugal é este o centro-direita que temos...colonizado ideologicamente pela esquerda...

sexta-feira, junho 06, 2014

Decisão do Tribunal Constitucional: não há guito!!!!




A recente decisão do Tribunal Constitucional indigna-me profundamente. O teor político do acórdão, a desconsideração da realidade do país, a ignorância dos tratados europeus que nos vinculam e o próprio entendimento jurídico, concorrem como razões poderosas para o facto.

Infelizmente a minha actual vida pessoal e profissional não me permite a mesma disponibilidade de outros tempos e por isso não posso fazer o que me apetecia e me parece era necessário: organizar uma manifestação em frente ao Palácio Ratton com apenas uma faixa a encabeçá-la dizendo "O que ainda falta para perceberem que não há guito...!?". Ou, em alternativa, ir a altas horas da madrugada, pintar na parede mais próxima "Não há Guito!"...(desde já declino qualquer responsabilidade se alguém mais indignado e excitado, decidir levar por diante esta minha divagação...;-)

Assim fico-me por este protesto e pela reprodução abaixo das palavras do Primeiro-ministro que subscrevo integralmente. Não resistindo porém a previamente observar que pena foi não se tivessem já tomado medidas quando a propósito das leis do aborto (em várias vezes) e da procriação medicamente assistida, se percebeu já que este é um Tribunal para quem a Constituição não diz exactamente o que dela consta, mas o que a ideologia (ou a mentalidade comum) de quem aprecia a constitucionalidade, dita...
Ressalvando também por uma questão de justiça que isto dito, qualquer um dos juízes me dá uma trepa em questões de direito e também é verdade que em parte do acima "quem te manda a ti sapateiro, tocar rabecão"...;-)

No âmbito da comemoração dos 40 anos do PSD, realizou-se esta quarta-feira, dia 4 de Junho, a primeira conferência distrital do ciclo “A Social-Democracia para o Século XXI”, que teve lugar em Coimbra e reuniu um vasto conjunto de participantes e oradores.
Dedicada ao tema a “Democracia e as Novas Representações”, esta primeira conferência contou com as Intervenções de Francisco Pinto Balsemão, António Costa Pinto e Fernando Negrão, tendo sido debatido um vasto conjunto de questões relacionadas com o futuro da democracia e da participação dos cidadãos no processo democrático, como seja o voto electrónico, o voto obrigatório (ou enforced), as imposições às limitações de mandatos, entre outros temas.
Presente na sessão, o Presidente do Partido, Pedro Passos Coelho comentou, durante a abertura dos trabalhos, os vários temas em discussão e os desafios que se põem à social- democracia, aludindo ainda ao actual momento político nacional e, mais concretamente, à recente deliberação do Tribunal Constitucional, matéria que lhe mereceu o seguinte comentário:
“(…) Uma coisa é não concordarmos com determinadas leis, termos divergência políticas grandes quanto à natureza da legislação que é aprovada, outra coisa é dizer que essa legislação é inconstitucional. Claro que quando as coisas são confundidas, nós tenderemos a dizer que o uso que é feito das prerrogativas dos juízes e do tribunal são desvirtuadas, mas isso não se resolve acabando com o tribunal, evidentemente. Resolve-se escolhendo melhor os juízes. E aqui, creio também, que todos temos responsabilidades nessa matéria. Quem recorrendo a princípios tão gerais e difíceis de definir e de densificar, determina a inconstitucionalidade de determinados diplomas, em circunstâncias tão especiais da vida do país, quem está nesta posição, deveria ter um escrutínio muito maior do que aquele que foi feito até hoje. Significa, por exemplo, nos Estados Unidos da América, que aqueles que são escolhidos para este efeito, para julgar este tipo de matérias tem realmente um escrutínio extremamente exigente. Nós não temos sido, se calhar, tão exigentes quanto deveríamos. Mas creio que a nossa discussão deveria estar mais orientada para essa finalidade de saber como é que uma sociedade com transparência e maturidade democrática pode conferir tamanhos poderes a alguém que não foi escrutinado democraticamente, em vez de estar a defender alterações radicais no próprio sistema.”
Pode ver-se a intervenção na íntegra aqui.


terça-feira, março 25, 2014

Manifesto da Realidade: porque apoio este Governo

O PSD-Lisboa teve a iniciativa brilhante de lançar a campanha a que chamou Manifesto da Realidade por oposição aos Manifesto dos 70 e Manifesto dos 74 economistas estrangeiros, surgido em apoio ao primeiro.
Com a devida declaração de interesses de que nutro por Antonio Bagão Félix uma grande amizade e profunda admiração, não me parece o respectivo manifesto pudesse ter acolhimento maior do que teve. Por uma simples razão: é verdade teremos nos próximos anos, aqui e lá, de gerir a nossa dívida com a maior prudência e zelo, mas isso  já o nosso Governo está a fazer e continuará. Como deve: no âmbito dos encontros e negociações com os credores e não na praça pública. Existem exemplos concretos de que já o fez, aliás. Infelizmente nesse manifesto (com outra devida vénia a António Bagão Félix renovando a declaração de interesses acima) quem se encontra, com excepções, são ou responsáveis por essa mesma dívida, ou ressabiados com a actual direcção do PPD/PSD ou seus inimigos fidagais (Louçã à cabeça). Isto é, não é a partir do manifesto que se pode ajudar o país a sair da actual situação em que se encontra...
É por esta entre outras que apoio este Governo apesar de nos campos em que mais me empenho (Família e Vida) ser de uma tibieza que brada aos céus...
Quanto ao vídeo da campanha Manifesto da Realidade,aqui está:


terça-feira, julho 02, 2013

A crise política e a comunicação de Passos Coelho




Gostei da comunicação ao país que hoje Pedro Passos Coelho fez. Na situação em que o país se encontra foi confortante ver que o nosso primeiro-ministro não desiste e a atitude dele pareceu-me claramente mais adequada ao que precisamos do que a de Paulo Portas.

Pelas notícias que vão chegando, nomeadamente a da demissão de todos os membros do Governo que pertencem ao CDS pode ser que isso não chegue para o Governo se aguentar, mas se assim for e no momento próprio, cada um terá de assumir as suas responsabilidades.

Ainda a propósito da intervenção hoje do primeiro-ministro ocorreram-me duas frases de Santa Teresa de Ávila. A primeira de que nada a assustava mais do que não fazer o que devia ser feito. E a segunda: "Podemos. E se não pudermos, poderemos"...

Isto dito, o Governo podia ser melhor e fazer mais do que faz? Sim. Reformando o Estado a sério, assumindo outros valores nas questões civilizacionais, agindo mais eficazmente do ponto de vista político e com uma maior ligação aos sectores sociais da sua base de apoio. Mas isso não é razão para o querer derrubar, mas sim ser com o mesmo mais exigente e ajudar a que seja feito o que deve ser feito. Quem o percebe não se pode deixar de rever na comunicação de hoje, parece-me...



As demissões de Vitor Gaspar e de Paulo Portas




Fora de Lisboa neste momento preparava-me para escrever sobre a demissão de Vitor Gaspar retomando as sábias palavras do meu amigo Pedro Aguiar Pinto, editor do Blog Povo. Na verdade e apesar das inumeras criticas que nos aspectos políticos que mais me preocupam (a defesa da Vida, a promoção da Família, as Liberdades Religiosa e de Educação, a Subsidiariedade) este Governo merece e pela correcção das quais não me canso, com todo um Povo de um país inteiro, de lutar, do ponto de vista humano acho que a qualquer dos Ministros do actual Governo o que se pode dizer é: "Obrigado, que Deus o guarde e vos ajude" tal o estado em que Portugal se encontra, o gigantismo da tarefa a que se propõem e o sacrifício que representa o desempenho das funções governativas.

Penso era isso que o Pedro tinha presente quando hoje na edição diária da Newsletter do Povo escreveu:

"Ontem saiu do governo o ministro Vítor Gaspar. Tenho por ele uma enorme admiração e respeito que é confirmada pela carta em que ele pede ao primeiro ministro a sua demissão. As qualidades humanas que ele revelou nestes dois anos e que revela nesta carta são raras. A ingrata tarefa a que se dedicou em nome de nós todos, com enorme incompreensão geral, só aumenta a minha admiração e gratidão. Espero que ele possa continuar a ajudar o país, de qualquer outro modo. Obrigado Vítor Gaspar."

E entretanto tudo se precipitou: um amigo liga-me a contar da demissão de Paulo Portas (carta aqui), vejo que a posse da nova Ministra das Finanças se manteve, que os Ministros do CDS faltaram á mesma, que Passos Coelho foi hoje duas vezes a Belém, que fala ao país ás 20h00, etc...é muito cedo pois para conjecturas e para perceber o que se vai passar. Apenas para "tremer" perante a possibilidade de um regresso do Partido Socialista ao poder e para a confusão económica e financeira que tudo isto pode gerar. Mas também para pensar no cenário de eleições. E que, se calhar, aquele trabalho de reconstrução do centro-direita, que parecia ter de esperar pelas Presidenciais, pode ter de começar mais cedo...e aí estaremos (os do Voto Católico como ás vezes a comunicação social nos chama), prontos a dar razões e batalhar por estas, porque "há muito de bom e belo neste nosso mundo e vale a pena lutar por isso"...



sexta-feira, abril 12, 2013

A remodelação do Governo



Estou agradado com a remodelação anunciada. Por si mesma mas também por um motivo marginal: é como muitos outros actos do Primeiro-ministro um gesto livre, de um homem que é de facto livre, e que não obedece senão ao entendimento que ele tem das necessidades do Governo e de Portugal e suponho também com a anuência de Paulo Portas. E se isso desagradar aos comentadores (mesmo àqueles que eu não perco, cuja opinião ouço "religiosamente" ou a quem acho especial "graça"), aos jornalistas e a toda a "fauna" política, tanto pior para eles...! Sinto-me confortado por isso.

Numa nota marginal diz o que me poderia apetecer dizer se confrontado com criticas, este texto abaixo hoje recebido da lista electrónica Povo, editada pelo meu amigo Pedro Aguiar Pinto (que se pode subscrever através daqui seguindo o correio electrónico do Blog):

"A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) Catarina Martins considerou hoje que a "substituição" de Miguel Relvas por Luís Marques Guedes e Miguel Poiares Maduro prova que não há ninguém que queira participar neste Governo. IMPORTA-SE DE REPETIR? Ninguém? Só o homem com o melhor currículo académico, que era até agora Director do Global Governance Programme e Professor de Direito no Instituto Universitário Europeu, em Florença, e Professor Convidado da Yale Law School, nos EUA. Não precisava de se vir maçar e levar com pessoas que fazem comentários desta leviandade, que tocam as raias da burrice. Da senhora Catarina Martins pode dizer-se que é ninguém, se ela fosse para um governo poderia dizer-se ninguém quis, agora de Miguel Poiares Maduro é tudo o que não se pode dizer. Antigo advogado-geral do Tribunal Europeu de Justiça, deu aulas em várias universidades europeias e não só. Passou pelo Colégio da Europa (Bruges); pela Universidade Católica e também pela Nova, em Lisboa;  pela London School of Economics; pela Chicago Law School; pelo Instituto Ortega y Gasset (Madrid) e  Instituto de Estudos Europeus de Macau.
Integrou recentemente um grupo de alto nível europeu para a liberdade e pluralismo na comunicação social. Queriam melhor que isto?


Maria Teixeira Alves"

segunda-feira, abril 08, 2013

Ainda a saída de Miguel Relvas




Hoje, no Público, Miguel Esteves Cardoso fala sobre a saída de Miguel Relvas num tom curioso mas que a mim me parece mais humano do que tudo o que sobre o assunto se escreveu. E que tem mais presentes todos os factores, ou seja, corresponde a um mais capaz exercício da razão. Do que sabe Deus anda bem carente o actual debate político em Portugal!

Repesco acima a ligação para o artigo (republicado no Blog Povo do meu amigo Pedro Aguiar Pinto) porque quando ouvia o seu discurso de saída dei-me de repente conta de que este foi, objectivamente, um dos maiores responsáveis pela actual solução política em Portugal (primeiro ao proporcionar a eleição de Passos Coelho no PSD e depois da vitória eleitoral do partido que originou o actual Governo) e que se o barco chegar a bom porto (assim o espero!) esse mérito ninguém lho poderá tirar...

Como muitas vezes que escrevi sobre Miguel Relvas repito que o faço com total liberdade. Não só com a convicção de que o ataque de carácter é um mau instrumento político (o carácter e suas consequências, em última instância, é sempre um problema de cada um com Deus e queira Este com o próprio confessor, como uma vez a propósito de Berlusconi escrevia Vittorio Messori) como profundamente convencido que os comentários que a sua actuação política poderiam merecer ao não serem formulados enfraquecem o centro-direita e a pressão que deve ser exercida sobre a actual maioria para honrar a respectiva tradição política, ter mais coragem na sua afirmação e convicção na sua prática. Precisamente aquelas qualidades políticas que não faltaram a Margaret Tatcher e que pelas mesmas e pela respectiva obra hoje aqui recordo com esta simples menção...

domingo, abril 07, 2013

A comunicação ao país de Pedro Passos Coelho



(a fotografia acima, retirada do site do Público, é de Pedro Passos Coelho aquando da 5ª revisão do programa da Troika, conforme se pode concluir rapidamente pela comparação do seu aspecto com o actual, bem mais envelhecido, coitado...)

Terei ainda que relê-la e revê-la (aqui) mas pareceu-me bem na explicação das consequências da decisão do Tribunal Constitucional, contido na recriminação política do mesmo tribunal, certeiro na mensagem ao Partido Socialista, feliz a garantir que não haverá aumento de impostos, e sobretudo eficaz na exploração da situação: o Estado vai ter de reduzir a despesa e é bem-vinda a ajuda que a sociedade civil lhe der na reforma do mesmo Estado e na sugestão de reduções da despesa pública, mesmo se o anúncio da dita redução operar também na despesa social possa deixar qualquer um bem preocupado...

Com essa ressalva, assim vistas as coisas, a decisão do Tribunal Constitucional é capaz de ter dado um bom contributo à superação daquela que me parece ser a grande falha deste Governo no combate ao défice e à dívida: a tentativa de fazê-lo pelo lado das receitas e não das despesas. E, se desta vez finalmente o centro-direita acordar, também daqui ter vindo uma boa ajuda à desmontagem de algumas das consequências funestas das leis fracturantes do tempo de Sócrates: os custos induzidos pelo aborto oferecido a eito, pelo divórcio que maltrata a parte mais fraca, pela procriação artificial obstinada e desapiedada com a dignidade do embrião humano, pela falta de liberdade de escolha na educação, etc.



quarta-feira, abril 03, 2013

A "Censura" que falta



A Moção de Censura que hoje (agora, neste momento) se debate no parlamento é um gesto completamente inútil do ponto de vista político. Inútil porque atenta a composição do parlamento não poderia nunca surtir o seu efeito útil. Inútil porque não há o mais pequeno vislumbre do que o Partido Socialista entende se poderia fazer de diferente. Inútil porque concentrada apenas em alguns pontos da política do Governo, conquanto importantes, e não dirigida à totalidade da mesma, explorando as contradições do centro-direita português e onde, infelizmente o "centrão" se encontra e nada muda.

Na verdade há pontos onde o governo merecia senão uma "censura" pelo menos uma advertência. Refiro-me à inexistente política de Família, à falta de coragem em enfrentar a mentalidade dominante e cortar a eito na revolução civilizacional do governo de Sócrates, à falta de iniciativa nas reformas das leis do aborto (cujos resultados catastróficos estão à vista de todos) ou do divórcio-expresso (considerado o aumento exponencial da conflitualidade nos tribunais de família) ou das crianças e jovens em risco (a coberto da qual a estrutura da Segurança Social prospera em funcionários, custos e mau procedimento em relação às famílias mais necessitadas), etc.

Mas como a realidade tem muita força e a política, como a natureza, tem o horror do vazio, essa Moção de Censura, esta advertência do eleitorado do centro-direita, foi colocada no parlamento sob a forma da Petição Defender o Futuro, através da qual o parlamento (e desejavelmente o Governo por chamada da Assembleia da República) é chamado a uma revisão do caminho andado, pela avaliação das leis ditas fracturantes. Amanhã na 1ª Comissão (Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias) da AR essa moção de censura será apresentada. Aos partidos agora a função de se colocarem perante ela, em especial os da maioria. A seguir...


terça-feira, abril 02, 2013

Pressões sobre o Tribunal Constitucional: não há pachorra...!



Se há coisa que não tenho pachorra na política é para rodriguinhos...destes é o exemplo o rasgar de vestes com as declarações de Pedro Passos Coelho apelando à responsabilidade do Tribunal Constitucional na apreciação da constitucionalidade de algumas disposições do Orçamento de Estado para 2013...

Na verdade esse rasgar de vestes não só é hipócrita (veja-se quantas atitudes semelhantes em circunstâncias diferentes outros políticos portugueses já tiveram) como faz passar os juízes do Tribunal Constitucional por virgens impolutas ou facilmente impressionáveis que ficariam em estado de nervos com esta ou qualquer outra declaração, num ou outro sentido...

Das duas uma: ou estes juízes, e muito bem do ponto de vista do próprio desempenho funcional, ficam indiferentes (o que lhes é pedido é o confronto do diploma com a Constituição e nada mais, como bem observou o Prof. Jorge Miranda) ou então, mal, por birra fazem o contrário do pedido ou então, mal também, atemorizam-se. Nestas duas últimas hipóteses comprovar-se-ia que valeria a pena (o que eu não acredito) "apertar com eles" e, nesse caso, também, o Primeiro-ministro fez o que devia em defesa do seu programa e do seu entendimento do que é melhor para o país. Está claro o conceito...!?


segunda-feira, março 11, 2013

Troika: mais um ano mas não chegou a tempo




Parece certo que a Troika terá dado mais um ano ao programa de ajustamento para se chegar ao défice desejado. E também que pouco a pouco as condições do empréstimo (que é bom recordá-lo foi a única forma de Portugal não ter caído na bancarrota, o que teria sido incomparávelmente mais trágico...) se vão moderando entre a constatação de que somos um bom e cumpridor devedor e também que havia muitas condicionantes não previstas e efeitos indesejados nas medidas de austeridade. Tudo somado parece estar de parabéns este Governo e como um todo, o país e as suas gentes, as famílias e cada um de nós. Deus nos ajude daqui para a frente a sairmos do buraco em que nos precipitámos...

Mas um facto hoje tornado público no jornal Correio da Manhã (o de um pai desesperado, desempregado, que se suicidou ontem juntamente com o seu filho de tenra idade), um facto terrível, um drama sem nome, veio também mostrar o lado não-estatístico, puramente humano, da crise, da austeridade e das suas consequências. Ou seja, a distância que vai dos progressos que acima se constatam, à vida real das pessoas. Dos sucessos macro-económicos às vidas nossas, quotidianas, micro-económicas. E enquanto uma prece se eleva aos Céus por este pai e por este filho, pela mulher e mãe, pelas suas famílias e comunidades, junta-se uma outra por aqueles que nos conduzem, pela sua clareza e inteligência de juízo, pela sua capacidade de atender às vidas reais, a que nenhum manual de economia ou declaração política pode socorrer, para que sob a sua pesada missão (de nos conduzir seguros fora desta tempestade) possam também encontrar as formas de que o desespero não atinja as franjas mais frágeis e desprotegidas. Uma missão que não é só deles, mas nossa também, que àquela angústia (a pior que um homem pode sofrer, a de não ver como sustentar a sua família) não fomos também capazes de chegar e atender e pela amizade, companhia operativa e solidariedade activa, ocorrer...




domingo, março 03, 2013

Manifestações Que se Lixe a Troika



Tenho a maior das simpatias pelas iniciativas cívicas e fico contente haja ainda no meu país quem não adormeça na modorra e seja capaz de reagir, sair à rua e protestar. É bom ver que por todas as razões há quem esteja acordado e decidido a acordar os outros. Ou seja, parabéns aos organizadores da manifestação, mesmo se estes embalados reivindicam aqui multidões maiores do que as que tiveram de facto como se pode concluir lendo este artigo do Público. Mas o entusiasmo é compreensível e a tendência promissora.

Dito isto suscitam-se-me as seguintes dúvidas:

1. Quem se manifestou está consciente de que o país esteve à beira da bancarrota e que tivemos de pedir dinheiro emprestado e que, como é natural, não só não podíamos continuar a gastar o que gastávamos, como temos de pagar o que devemos, juro e capital?
2. Quem se manifestou faz a menor das ideias de que solução alternativa eventualmente existe? E existe de facto alternativa?
3. Quem se manifestou ao longo dos anos tem votado? E em quem? Que políticas tem sufragado ou abstido de de sufragar ou propor?
4. Quem se manifestou pensa no seu perfeito juízo que o Governo devia cair só porque se manifestou? Isto é, que os Governos devem aceder ao poder ou de lá sair, porque há maiores ou menores manifestações?
5. Quem se manifestou está disponível para se empenhar quotidianamente na vida política e dar o litro pela sua indignação e pela sua revolta e por aquilo em que acredita?
6. Quem se manifestou se pensa sinceramente (e sobretudo se tem evidência penal relevante) que os políticos são todos uns gatunos e uma cambada a correr do poder rapidamente, porque não acciona os meios judiciais adequados, apresentando queixas e provas?
7. Quem se manifestou está também por seu lado à espera que alguém, outros políticos, lhe resolva os problemas, ou está disposto (conforme muitos exemplos de subsidariedade que aqui dei) a tomar nas próprias mãos a solução de muitos desses problemas?

Muito gostava eu de ter resposta a estas perguntas...!

Nota: juro que não me move nas perguntas acima nenhuma inveja pela cobertura mediática que tem qualquer iniciativa destes movimentos e que é sistematicamente negada a qualquer iniciativa civica a favor da Vida e da Família, mesmo quando estas muito numerosas percorreram a Avenida da Liberdade (no exemplo a manifestação a favor de um referendo ao casamento gay)...;-)




quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Miguel Relvas ontem no ISCTE



O que aconteceu ontem a Miguel Relvas no ISCTE (o vídeo está aqui) é completamente intolerável pelo que representa de violação da liberdade de expressão e negação de qualquer debate político saudável em Portugal. Não se contesta o direito de oposicionistas ao Governo frequentarem qualquer tipo de encontro público e neste, de acordo com as regras da respectiva organização, pariciparem no debate, colocarem questões (até as mais agrestes) e manifestarem com respeito pelas regras democráticas a sua oposição. Mas fazerem-no como fizeram, impedindo o Ministro de falar, perseguindo-o pelos corredores e obstruindo a realização do encontro da TVI, é completamente inadmissível.

Uma vez mais (a experiência de muitos anos para alguma coisa há-de servir bem como o ter vivido os anos quentes do PREC em oposição à tentativa comunista de tomada do poder) Miguel Relvas esteve bem, sereno e com frontalidade e paciência. Como bem esteve a sua segurança (contida e eficaz), salvo no ponto de se ter percebido andaram completamente à nora para encontrarem uma saída segura, o que não corresponde à ideia que me faço da competência das forças de segurança...

Com episódios como este (onde se cruzou a oposição ao governo com a aversão a Relvas e à sua história pessoal) diminuem cada vez mais as possibilidades de qualquer pessoa pensar em empenhar-se seriamente na vida política, assumir cargos de responsabilidade e sujeitar-se ao ritmo exigente, alucinante e muito empenhativo (com sacrificio da vida pessoal e familiar), do serviço da causa pública. Isto dito, como já algumas vezes o sublinhei, com total liberdade já que não tenho quaisquer relações politicas ou partidárias ou pessoais com o visado por estas acções de protesto. Mas percebo claramente que defender a liberdade de um, é defender a liberdade de todos.

Notas finais: muito bem o comunicado do Governo que se seguiu a estes incidentes. Não só na determinação como na solidariedade com um dos seus membros. E, pode ser me engane, mas esta radicalização violenta da oposição ao governo vai fazer mais pela unidade do centro-direita do que a débil actuação das respectivas direcção partidárias. Ao povo destes partidos estava a fazer falta que fosse evidente a diferença com a esquerda. Esta "agressão" e a incapacidade de dar e debater razões ajuda a tornar claro o que nos separa.

quinta-feira, janeiro 17, 2013

Austeridade: as novas funções do Multibanco

Que o apoio ao Governo não nos tire o humor e a possibilidade de uma boa gargalhada, é a condição de homem livre, sobretudo neste momento em que realmente isto está mesmo a doer...;-)

 
Ou então esta:
 
 
Lol! (para não chorar...)

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Sondagem eleitoral: PSD e CDS sobem!


 

A sondagem que hoje o jornal i publica é uma lufada de ar fresco no panorama político actual porque dá um sinal claro de que afinal a sociedade portuguesa ainda não perdeu o seu tradicional bom senso. Na verdade a subida de intenções de voto nos dois partidos da maioria vem revelar que, no fundo, no fundo, uma parte significativa dos eleitores sabem que este percurso de dificuldades tem de ser feito e confiam o Governo é capaz de conduzir o país e ultrapassar este cabo das tormentas...

Claro que subsistem muitas sombras: a decisão do Tribunal Constitucional sobre os pedidos de fiscalização da constitucionalidade do Orçamento de Estado, artigos de figuras gradas do PSD como Mota Amaral, as debilidades próprias do nosso centro-direita (impreparado, sem ideologia e ideias políticas claras, inábil na comunicação, com alguns "pecadilhos" pessoais, etc.), e a redução da política à economia e às finanças, etc.

E também (sombras) nos próprios resultados da sondagem: o PS ganharia as eleições, a actual maioria perde-a (a absoluta) e os três partidos de esquerda tem-na (um cenário de pesadelo!)...a ver, vamos. Mas o interesse do país parece-me claro: um regresso da esquerda ao poder colocar-nos-ia no sentido figurado e estrito da expressão numa autêntica tragédia grega...

quarta-feira, janeiro 02, 2013

Orçamento do Estado e Cavaco Silva: qual o caminho?



Tenho sempre aqui manifestado confiança no Governo e na condução que faz das políticas sociais, económica e financeira. Quanto à familiar, por inexistente, estamos falados (sobre este tema ver o que disse o Patriarca de Lisboa ontem no Dia Mundial da Paz)...

Essa confiança deriva de sinais objectivos (quase todos das intervenções e entrevistas de Carlos Moedas e outras das de Vitor Gaspar), da necessidade de como sociedade temos de acreditar que quem governa fá-lo com intenção de servir o bem comum e usando o melhor das suas capacidades, da minha confessada perplexidade perante as propostas em jogo e também de uma esperança de quem sabe que Deus não abandona o seu povo e por isso, em última instância, tudo acaba bem e corre para onde deve correr.

No entanto confesso que às vezes assalta-me a dúvida...e essa é para mim o resultado da comunicação ontem do Presidente da República. De muitas das suas afirmações pode concluir-se que talvez não seja este o caminho, ou que o caminho só pode piorar, ou que há que mudar de caminho, pelo menos em alguns pontos. Ou não? E se nesses pontos ele tiver razão?

Aqui do meu canto de militante partidário e também dirigente de movimentos da sociedade civil parece-me que o caminho para nós, que não governamos, só pode ser um: tentar suprir as lacunas, explicar o que não é claro nem explicado, sugerir aprofundamentos do caminho, reforçar a aliança com o governo para que todos um dia saíamos incólumes, ou pelo menos tanto quanto, deste "pesadelo" absurdo em que estamos mergulhados (a crise financeira também e a crise moral, primeiro). E rezar. Por quem nos governa. Para que Deus lhes dê coragem perante as dificuldades, engenho perante os obstáculos, inteligência nas decisões. Para isso contam comigo.

Nota: resisti aqui heroicamente a ironizar sobre a bondade da escolha de candidato a presidente da república que os dois principais partidos do centro-direita fizeram nas últimas eleições...devem ser resquícios do espírito natalício...;-)
Mas que tal umas primárias antes das próximas eleições presidenciais...?

quinta-feira, dezembro 27, 2012

A mensagem de Natal de Passos Coelho




Creio foi a capa do Diário de Notícias de hoje que de novo me chamou a atenção para o envelhecimento (em apenas um ano e meio) do nosso primeiro-ministro. Já algumas vezes em casa ou com amigos tinha falado disto e é de facto impressionante o desgaste (sobretudo nas actuais circunstâncias) do exercício da governação. Não é em vão, embora esta situação seja apenas um reflexo, que em todas as Orações de Fieis de todas as Missas se reza por quem governa, pelas autoridades públicas, etc. É de facto uma função nobre a da política, uma grande responsabilidade o serviço do bem comum.

E se, em si, o aspecto do nosso primeiro-ministro, não é um facto político, nem evidência da correcção das suas políticas, pelo menos, deixa em transparecer o esforço que o homem tem dispendido nesta missão a que se propôs e, nessa medida, da bondade (no sentido de autenticidade) da forma como o expressa. Estranho pois assim parte da tempestade desencadeada pela sua mensagem de Natal (refiro-me às inventivas violentas e às agressões de carácter). Pode-se discordar da política dele e do Governo (não é o meu caso, ou pelo menos a minha esperança), mas não se pode duvidar da sinceridade com que ele se lhe refere...

Quanto á mensagem propriamente dita creio que dá por sabido algumas coisas (conquistas, progressos, melhorias) que seria melhor serem explicadas, repetidas e retomadas. No Expresso de há uma semana Carlos Moedas fê-lo muito bem. A mim, pelo menos, tranquilizou-me, quanto á parte económica e financeira do país...(porque já na parte das políticas públicas de família, considerada a respectiva inexistência, não há nada que me tranquilize...!)




terça-feira, novembro 27, 2012

No dia da aprovação do Orçamento do Estado para 2013...


Que o apoio ao Governo não nos faça perder o sentido de humor...;-)



Até porque o problema do desrespeito do princípio da subsidiariedade é este mesmo...!

segunda-feira, novembro 12, 2012

Merkel



Da visita de Merkel hoje não desejo senão que os nossos dirigentes políticos (no Governo e na Presidência) saibam tirar o melhor partido dela. Qual seja esse melhor partido, confesso, não sei. Mas confio eles saberão...Que Deus os ajude!


quinta-feira, novembro 08, 2012

Angela Merkel



A capa da Sábado de hoje é um perfeito disparate e voluntaria ou involuntariamente insere-se na campanha em curso de convocação de um motim em Lisboa aquando da visita da Chanceler alemã. Um disparate porquê?

Porque a sugestão implícita (bora atirar tomates à alemoa) contribui para o excitamento em curso nos media portugueses, sempre desejosos de ver, testemunhar e documentar, toda a violência que possa surgir nas ruas a propósito da crise actual...

Porque a indignação contra a Merkel é tonta. A Chanceler é verdade é o rosto dos nossos credores e nessa medida dos apertos que estamos a passar, mas é um direito dos credores imporem as suas condições quando emprestam dinheiro e a verdade é que, por culpa grande dos socialistas e menor de todos os partidos que passaram pelo poder, Portugal quando pediu ajuda estava pura e simplesmente falido e sem a possibilidade de pagar salários, aos fornecedores e fazer face às suas responsabilidades. Tudo o resto é uma fantasia...

Dito isto também não tenho a certeza que o Governo português esteja a fazer tudo quanto se pode para espernear e contestar o aperto imposto. Como também tenho dúvidas que os juros que estão a ser cobrados (vide entrevista de Paulo Teixeira Pinto a que faço referência neste Blog) não sejam decididamente usurários e bem demonstrativos da falácia e fantasia que são os discursos políticos portugueses sobre a União Europeia...Mas esses e outros problemas não se resolvem recebendo mal a senhora, que além do mais é uma senhora e por isso não se lhe pode bater nem com uma flor...;-)