Ténue fronteira
RR on-line, 20090202
Raquel Abecasis
A fronteira entre a verdade e a mentira pode parecer ténue, mas um Primeiro-ministro deve resistir à tentação de pisar o risco. Quem se queixa de campanhas negras e de insídias deve ser o primeiro a não facilitar, porque as facilidades pagam-se caras.
O Primeiro-ministro diz-se vítima de uma campanha negra na comunicação social, por causa de alegadas irregularidades na legalização do Freeport em Alcochete.
Não sei se há campanha negra ou não. Certamente, não será na comunicação social, que se tem limitado a publicar os dados recolhidos numa investigação judicial em curso, dados que, até ver, não foram desmentidos.
Mas é curioso que este Primeiro-ministro se queixe da comunicação social, ele que, como ninguém, tem gozado da benevolência e da apatia dos jornalistas.
Tem sido assim ao longo dos últimos três anos, sem que se faça uma investigação séria aos gastos em marketing e agências de comunicação que promovem os diversos anúncios das políticas do Governo.
Tem sido assim quando a cara do Primeiro-ministro aparece no material distribuído nas cerimónias de inauguração de equipamentos públicos, como aconteceu na semana passada.
E terá sido a contar com essa apatia que o Primeiro-ministro achou que podia vender gato por lebre e chamar a um estudo encomendado pelo Governo a ex-funcionários da OCDE um estudo daquela organização. A OCDE não gostou e fez questão de repor a verdade.
A fronteira entre a verdade e a mentira pode parecer ténue, mas um Primeiro-ministro deve resistir à tentação de pisar o risco. Quem se queixa de campanhas negras e de insídias deve ser o primeiro a não facilitar, porque as facilidades pagam-se caras.
Melhor do que ninguém, o engenheiro Sócrates sabê-lo-á, habituado como está a utilizar as técnicas de propaganda para, subtilmente ou nem tanto, veicular a sua propaganda e a do Governo. É que, para quem tão violentamente se indigna com aquilo a que chama insídia contra si, não deveria ser irrelevante a autoria de um estudo que o seu Governo encomendou.
Ao contrário do que se pensa.
Raquel Abecasis
Foi o diário da acção política de um deputado do PSD, eleito por Braga, e agora é-o de um cidadão que desejando contribuir activamente para a organização do bem comum, procura invadir esse âmbito (da política) com aquele gosto de vida nova que caracteriza a experiência cristã. O título "POR CAUSA DELE" faz referência ao manifesto com o mesmo título, de Comunhão e Libertação, publicado em Janeiro de 2003 (e incluído no Blog).
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quarta-feira, fevereiro 04, 2009
O Caso Sócrates: uma nota na RR de Raquel Abecasis
quarta-feira, janeiro 28, 2009
Sócrates, o Freeport e Pedro Lomba
O artigo de Pedro Lomba no Diário Económico é durissimo para Sócrates e parece-me resumir bem todas as dúvidas existentes nesta "pega" com o chefe do Governo. Vale a pena ler.
Embora me pareça irrealista pedir que Sócrates se lembre de uma das milhares de reuniões que teve enquanto Ministro do Ambiente...!?
Isto promete...Dava muito para saber o que pensará a Câncio disto...? ;-)
Embora me pareça irrealista pedir que Sócrates se lembre de uma das milhares de reuniões que teve enquanto Ministro do Ambiente...!?
Isto promete...Dava muito para saber o que pensará a Câncio disto...? ;-)
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Ainda Sócrates e o Freeport
Continuo convencido que os media e a sociedade em geral estão a tratar o caso Freeport e outros de forma paranóica e que o que é perfeitamente normal transforma-se nas páginas dos jornais em casos complicadissimos e conspirações gigantescas...
No entanto o artigo de João Miguel Tavares ontem no Diário de Notícias é também justissimo ao explicar porque é que a defesa assente no "querem-me fazer mal que eu bem os conheço" é completamente descabida. Vale a pena lê-lo.
Já agora não resisto a contar esta: há pelo menos uma identidade (semelhança) nitida entre Sócrates (o filósofo) e Sócrates (o primeiro-ministro): ambos nunca foram Engenheiros...! Genial ;-)
No entanto o artigo de João Miguel Tavares ontem no Diário de Notícias é também justissimo ao explicar porque é que a defesa assente no "querem-me fazer mal que eu bem os conheço" é completamente descabida. Vale a pena lê-lo.
Já agora não resisto a contar esta: há pelo menos uma identidade (semelhança) nitida entre Sócrates (o filósofo) e Sócrates (o primeiro-ministro): ambos nunca foram Engenheiros...! Genial ;-)
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segunda-feira, janeiro 26, 2009
Sócrates e Freeport
Como é lógico dar-me-ia algum prazer que Sócrates caisse com o caso Freeport (apesar de nunca me agradar a desgraça pessoal) mas estou convencido que o homem está inocente.
Que ele tenha sabido por um tio que havia uns ingleses desesperados por pensarem ter de gastar 4 milhões para obter um licenciamento e se tenha prontificado a recebê-los não me parece nada mal, antes pelo contrário. E também que classifique como "abuso de confiança" que um primo seu tenha depois vindo pedir contratos para a sua agência de publicidade por ter facilitado o contacto também me parece normal. Como normal me parece que este (o primo) o tenha feito (isto é, lembrar aos ingleses o grande favor que lhes tinha feito, isto é proporcionar diligências e contactos que desbloquearam um investimento de vulto, e que não lhes ficava mal dar-lhe alguns contratos - o que pelos vistos até estes nem fizeram)desde que não tenha dito que o fazia por indicação ou a proveito de Sócrates.
É que se assim não for, não há mais homem politico nenhum que se prontifique a, no interesse publico (como pelos vistos foi entendido era a existência do Freeport) desbloquear seja o que for e entramos num regime paranóico em que ninguém pode tentar fazer o que quer que seja.
Desde que sejam respeitadas as formalidades legais (concursos, legislação, etc.) e não haja ninguém (dirigente político ou partido) a receber dinheiro por isso, mal estava que a pessoa já não se possa mexer e defender interesses comerciais...! E mal está se um Ministro ou responsável governamental não pode ser abordado por privados que demonstrando as suas razões procurem obter uma decisão qualquer. Imaginem o que seria se ninguém pudesse esclarecer ninguém...
Ainda mais uma: percebo que haja regiões do país com determinados tipos de protecção (ambiental ou outras), mas não pode o mesmo Governo que as decidiu reconsiderar e mudá-las, ou até decidir com base de que no caso concreto é mais interessante proteger as populações (desenvolvimento económico, emprego, etc.) do que proteger as cegonhas ou os pássaros de bico amarelo...!?
Acho que Sócrates deve ser corrido por muitas razões (agenda fracturante, estatismo, etc.) mas a não ser que realmente tivesse "empochado" alguma coisa, não por isto.
Que ele tenha sabido por um tio que havia uns ingleses desesperados por pensarem ter de gastar 4 milhões para obter um licenciamento e se tenha prontificado a recebê-los não me parece nada mal, antes pelo contrário. E também que classifique como "abuso de confiança" que um primo seu tenha depois vindo pedir contratos para a sua agência de publicidade por ter facilitado o contacto também me parece normal. Como normal me parece que este (o primo) o tenha feito (isto é, lembrar aos ingleses o grande favor que lhes tinha feito, isto é proporcionar diligências e contactos que desbloquearam um investimento de vulto, e que não lhes ficava mal dar-lhe alguns contratos - o que pelos vistos até estes nem fizeram)desde que não tenha dito que o fazia por indicação ou a proveito de Sócrates.
É que se assim não for, não há mais homem politico nenhum que se prontifique a, no interesse publico (como pelos vistos foi entendido era a existência do Freeport) desbloquear seja o que for e entramos num regime paranóico em que ninguém pode tentar fazer o que quer que seja.
Desde que sejam respeitadas as formalidades legais (concursos, legislação, etc.) e não haja ninguém (dirigente político ou partido) a receber dinheiro por isso, mal estava que a pessoa já não se possa mexer e defender interesses comerciais...! E mal está se um Ministro ou responsável governamental não pode ser abordado por privados que demonstrando as suas razões procurem obter uma decisão qualquer. Imaginem o que seria se ninguém pudesse esclarecer ninguém...
Ainda mais uma: percebo que haja regiões do país com determinados tipos de protecção (ambiental ou outras), mas não pode o mesmo Governo que as decidiu reconsiderar e mudá-las, ou até decidir com base de que no caso concreto é mais interessante proteger as populações (desenvolvimento económico, emprego, etc.) do que proteger as cegonhas ou os pássaros de bico amarelo...!?
Acho que Sócrates deve ser corrido por muitas razões (agenda fracturante, estatismo, etc.) mas a não ser que realmente tivesse "empochado" alguma coisa, não por isto.
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