Foi o diário da acção política de um deputado do PSD, eleito por Braga, e agora é-o de um cidadão que desejando contribuir activamente para a organização do bem comum, procura invadir esse âmbito (da política) com aquele gosto de vida nova que caracteriza a experiência cristã. O título "POR CAUSA DELE" faz referência ao manifesto com o mesmo título, de Comunhão e Libertação, publicado em Janeiro de 2003 (e incluído no Blog).
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domingo, fevereiro 01, 2015
Manifestações: todas iguais mas umas mais iguais que as outras...
Em Fevereiro de 2014 o colectivo La Manif Pour Tous organizou uma gigantesca manifestação em Paris contra os casamento e adopção gay. Centenas de milhares de pessoas como se pode ver na fotografia acima e nesta notícia aqui. Foi uma festa cuja alegria, colorido e determinação, a todos em França espantou. Aqui em Portugal quase ninguém ouviu falar no assunto...(mesmo se ele foi notícia nas páginas do interior do Público, justiça lhe seja feita...)
Ao que parece ontem em Madrid também o Podemos promoveu uma manifestação muito concorrida. E que foi logo motivo de capa hoje no Público e no Diário de Notícias. As manifestações são todas iguais mas realmente há algumas que são mais iguais que outras...:-(
E por falar em manifestações que valem menos que outras veja o que quanto ás portuguesas se tem passado em posts anteriores deste Blog nomeadamente sobre as Caminhadas pela Vida e a manifestação que a Plataforma Cidadania e Casamento promoveu aquando da discussão do casamento de pessoas do mesmo sexo.
Mais sobre a Manif Pour Tous no respectivo canal do YouTube.
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terça-feira, janeiro 27, 2015
Grécia: a vitória do Syriza, a Europa, a adopção gay e a religião
(esta imagem foi retirada daqui, do site Greek news for a global audience: the Press project)
Confesso estou curioso com os efeitos que terá um governo Syriza na Grécia dividido entre as palavras normalmente avisadas de Passos Coelho que a esse propósito disse tratar-se de "um conto para crianças, que não existe [a respectiva proposta política de gestão da dívida]" (ver aqui) e o que a realidade mostrará como prova de força entre a força autónoma dos povos e a eurocracia de Bruxelas (que tanto e tão bons fieis servidores tem na classe política portuguesa)...na linha aliás das reservas que neste Blog muitas vezes exprimi quanto ao rumo desta Europa burocrática e sem alma...
Também com curiosidade espero para ver que gestão da agenda fracturante fará Alexis Tsipras e qual a reacção dos seus entusiastas seguidores em Portugal...um pouco do que se sabe do assunto está aqui (uma notícia da sua reacção prudente à temática da adopção gay). A seguir...
Adenda à tarde: lendo o Diário de Notícias dei-me conta que na sua tomada de posse hoje, Alex Tsipras decidiu não jurar sobre a Bíblia como é de tradição na Grécia. Bem entendido é um acto de liberdade e nesse ponto nada a dizer, se não respeitar. Mas sintomático: um homem que não crê exista nada acima dele...por definição, um perigo (para ele próprio, para o seus e para os seus conterrâneos)...;-) A noticia no Público diz assim:
"E a agenda seguiu em ritmo de corrida a partir daí: o líder do Syriza encontrou-se com o chefe da Igreja Ortodoxa da Grécia, o arcebispo Ieronimos, para lhe dar conta da decisão de fazer uma tomada de posse civil, algo que nunca tinha acontecido na Grécia. Tsipras, que vive em união de facto, algo digno de nota num país conservador, tem ainda assim boas relações com Ieronimos, até por causa do apoio social da igreja durante a crise."
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sexta-feira, janeiro 23, 2015
Adopção gay: afinal sempre não se pode confiar nos comunistas...
Nos anos setenta na sequência da revolução circulou muito o livro cuja capa reproduzo acima. Devo confessar que nunca o li mas pelos meios onde andei posso asseverar que era anti-comunista, de certeza...;-)
Vem isto na sequência da posição que o PCP ontem tomou no debate da adopção gay, votando a favor dos projectos apresentados. Duvido tenha sido por convicção e suspeito que foi pior. Ou seja, por conveniência,na disputa do eleitorado com o PS de um lado e o BE do outro...O que, sinceramente,não é o que se espera de um partido com aqueles pergaminhos de sempre se bater pelas suas convicções, por antiquadas ou antipáticas, que estas possam ser ou soar.
Uma convicção (essa que tenho sobre a fiabilidade do PCP) que suspeito é partilhada por Alexandre Soares dos Santos que terá dito (cito a partir do jornal Sol) "A única coisa séria que existe em Portugal é o Partido Comunista" (excluindo a Igreja Católica, suponho e espero...;-) Uma convicção que também levou um Padre que muito estimo a afirmar em 1997 "O PCP é o único partido preocupado com a vida real das pessoas".
Mas enfim, já nada é o que era dantes e pelos vistos já nem nos comunistas se pode confiar...:-( Ou seja, de facto, o título do livro acima estava definitivamente errado...não devo ter perdido nada em não o ler...lol!
Para memória fica aqui o link para a intervenção da deputada Rita Rato com quem já me tenho cruzado em debates sobre temas sociais.
Concluindo: entre os católicos e os comunistas pelos vistos já só resta aquela convivência numa corrente da CGTP e a rejeição da legalização da prostituição. E do ponto de vista social o mesmo poder de angariação de assinaturas e coragem de descer à rua...ou seja, lá se foi o cato-comunismo do Século XX...lol!
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sexta-feira, janeiro 02, 2015
Causas fracturantes, António Costa e o centro-direita
A entrevista hoje da nova presidente da ILGA no Público mostra bem uma das grandes consequências que teria uma vitória de António Costa nas próximas eleições: todos os pontos da agenda gay se realizariam e como tristemente se sabe, não haveria ponto de retorno com uma posterior maioria do centro-direita...
Isso foi aliás um dos pontos mais claros no meu debate com a Isabel Moreira na TVI sobre adopção gay.
Resta agora saber se a futura coligação do centro-direita está disposta a levar estes temas tão a sério como o lobby gay e todos os seus aliados...estes próximos meses serão assim decisivos para o Povo da Família que constitui o núcleo duro dos votantes da coligação. A seguir...
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sexta-feira, março 14, 2014
Depois do chumbo da co-adopção é chegado o tempo do referendo da adopção
CHUMBO DA CO-ADOPÇÃO É UM DESAFIO AO PARLAMENTO:
ESTÁ ABERTO O CAMINHO AO REFERENDO À ADOPÇÃO POR UNIÕES DO MESMO SEXO
O chumbo do projecto-lei
da Co-adopção na Assembleia da República foi uma vitória da Democracia, da
família e sobretudo das crianças portuguesas mais carenciadas.
Decidiram os deputados
não ter legitimidade para legislar sobre um tema que tinha uma agenda oculta:
com a desculpa de se discutir a co-adopção, tentaram alguns deputados do
Partido Socialista fazer aprovar a adopção de crianças por pessoas do mesmo
sexo. Sem consultar e ouvir o povo português.
Ficou claro no acórdão do
Tribunal Constitucional que a co-adopção e adopção por uniões do mesmo sexo
radicam na mesma questão. Por isso o chumbo do projecto-lei hoje põe fim à
falsa questão da co-adopção mas abre a porta ao debate sobre adopção por
pessoas do mesmo sexo.
Nessa medida queremos
reafirmar hoje que o povo português tem o direito a pronunciar-se com o seu
voto sobre qualquer alteração legal que viole o direito das nossas crianças a
um pai e a uma mãe.
Neste dia em que o nosso
parlamento reafirmou o valor da democracia, voltamos a defender a necessidade
de um referendo sobre a parentalidade por pessoas do mesmo sexo. Com a mesma
convicção que animou o Manifesto Pró-referendo da co-adopção e da adopção gay,
que esta semana foi conhecido, vimos hoje desafiar o parlamento a ouvir o povo
português sobre tão relevante matéria que interpela o país e o futuro da nossa
sociedade.
Lisboa, 14 de Março de
2014
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Um Manifesto pelo Referendo da Co-Adopção e da Adopção por uniões do mesmo sexo
MANIFESTO PRÓ-REFERENDO DA CO-ADOPÇÃO
E DA ADOPÇÃO POR UNIÕES DO MESMO SEXO
No dia 17 de
Maio de 2013 foi aprovado na Assembleia da República o Projecto-Lei nº 278/XII
que consagra a possibilidade de co-adopção por cônjuge ou unido de facto do
mesmo sexo. À inesperada aprovação desta proposta seguiu-se a discussão da
mesma na especialidade. Durante as audições públicas na Iº Comissão a grande
maioria dos especialistas ouvidos manifestou-se contra este projecto.
Considerando
que o debate sobre este projecto-lei foi inexistente (na sociedade civil e nos
programas dos Partidos) e tendo em conta o parecer dos especialistas ouvidos na
Assembleia da República, decidiu o grupo parlamentar do Partido Social Democrata
aprovar uma proposta de referendo sobre este tema.
As alterações
propostas por este diploma modificam profundamente a posição do Estado em
relação à família. Até hoje o Direito da Família tinha por fim conceder
enquadramento e protecção legal à família, procurando assegurar os direitos
desta como um todo e os direitos de cada um dos seus membros, especialmente os
das crianças.
Com esta
alteração a família perderia a sua autonomia pois o Estado estaria a
instituir-se a si mesmo como fonte das relações familiares. A família deixaria
de ser uma realidade própria, independente do Estado, anterior ao Estado, para
passar a ser aquilo que o Legislador entendesse, ficando refém da doutrina
ideológica daqueles que, a cada momento, governassem.
Uma tal
inversão das relações entre Estado e família não pode ser feita sem um profundo
debate público e sem um alargado consenso social.
Na verdade, este
projecto apresentado por alguns deputados do Partido Socialista não estava
previsto no seu programa eleitoral. Também não existiu nenhuma referência a
este assunto nos programas eleitorais do PSD, do CDS/PP, da CDU e do BE. De
facto esta matéria esteve ausente na campanha eleitoral para as eleições
legislativas de 2011.
Acresce que,
o Tribunal Constitucional no seu Acórdão de 19 de Fevereiro de 2014 (Acórdão
n.º176/2014) vem reconhecer que a matéria é referendável, que o tempo é
oportuno, que existe controvérsia legal que o fundamente, que co-adopção e
adopção não são conceitos isolados, que o que está em causa é saber se a uma
criança pode ser dada a parentalidade de duas mulheres ou dois homens.
Por isso
consideramos que os deputados eleitos para esta legislatura não têm
legitimidade para aprovar este projecto-lei. Uma decisão de tão grande alcance
não pode ser tomada sem que o Povo, de quem os deputados são representantes,
tenha a possibilidade de demonstrar nas urnas a sua vontade sobre esta matéria.
Se os
proponentes desta lei não estão dispostos a discutir este projecto em campanha
eleitoral, devidamente integrado num programa eleitoral, então o Povo tem o
direito de exercer a sua soberania através de um Referendo.
Temos
consciência da gravíssima crise que o país atravessa e sabemos que a realização
de um Referendo comporta custos elevados. Mas este é o preço a pagar pelo
desrespeito pelo processo democrático que os deputados que aprovaram este
projecto-lei demonstraram. Aprovar esta lei sem ouvir o Povo é violar uma
conquista de Abril: a Democracia baseada na Soberania Popular exercida através
do voto livre. E por isso referendar este projecto é a melhor maneira de dignificar
os 40 anos da Democracia em Portugal.
Lisboa, 4 de Março
de 2014
A. Lourenço
Martins/Afonso Cunha Duarte/Alfonso Fungairinho Bringas/Alice Maria
Meyer-Pantin Cordovil/Ana de Seabra Menano Figueiredo Sanches/Ana Filipa Mestre
Dias/Andre Pina Almeida/António Godinho Mónica/Antonio Pinheiro Torres/Artur
Mesquita Guimarães/Carlos Alberto Apolo Lopes/Carlos Jorge Moreira
Antunes/Carlos Manuel Ramos Leitão/Catarina Matos Correia de Nicolau
Campos/César Bessa Monteiro, jr./Clemente Cardoso Pinto/Daniel Serrão/Diogo
Pacheco de Amorim/Diogo Tovar/Duarte Brito Goes/Fernando Adão da
Fonseca/Fernando Almeida/Fernando Maymone Martins/Fernando Soares Loja/Filipa
Durães Conceição Rocha Mendes/Gonçalo Maleitas Correia/Graça Passanha/Inês
Avelar dos Santos/Inês Quadros Fonseca/Joana Maria Brito Fontes/João de Paiva
Boléo Tomé/João Luís César das Neves/João Manuel Pontes dos Santos/João Miguel
Alexandre da Fonseca/João Miguel Aires de Campos/João Paulo Camilo Malta/José
António Veloso/José Lobo Moutinho/José Maria Seabra Duque/Júlia Margarida Ramos
Marçal/Lúcia Mittermayer Saraiva/Luis Manuel de Almeida e Castro/Luís Alves da
Costa/Luis Vieira Duque/Luís Villas-Boas/Madalena Maymone Martins/Manuel Braga
da Cruz/Manuel Faria Blanc/Margarida Pereira da Silva/Maria do Carmo Perestrello
Diniz/Maria do Rosário Lupi Bello/Maria Francisca Vasconcelos e Sousa/Maria
Isabel Rosa Renaud/Maria Isabel Vilaça Pessanha Moreira/Maria Isilda
Pegado/Maria José Vilaça/Maria Luísa Osório de Castro/Maria Manuela dos Santos
Alves/Maria Paula Padrel de Oliveira/Mariana Piteira Santos/Matilde Sousa
Franco/Michel Renaud/Miguel Brito Correia/Miguel Nuno Reis Cunha/Nuno Álvares
de Sá Potes Cordovil/Nuno Gonçalves Morgado/Nuno Magalhães Guedes/Patrícia
Moraes Sarmento/Paula Pimentel/Paulo Adragão/Pedro António Vaz Cardoso/Pedro
Vassalo/Pedro Vaz Patto/Ricardo Saldanha/Rosa Maria do Carmo Joaquim dos
Santos/Rui Gonçalves/Simão Pedro Patrício Empis/Sofia Alegria Barahona de
Lemos/Sofia Costa Guedes/Sofia Garrett/Teresa Tovar/Teresa margarida Aires de Campos/Tiago
Caires Teixeira/Vasco Mina
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segunda-feira, março 10, 2014
Co-Adopção: quem tem medo do referendo?
Co-adopção: quem tem medo do referendo?
ANTÓNIO PINHEIRO TORRES Público, 10/03/2014
Na política, como na vida, o medo é sempre mau conselheiro.
Por circunstâncias da minha vida tornei-me uma testemunha privilegiada da experiência democrática dos referendos. Integrei a liderança de um dos lados em dois deles (aborto em 1998 e 2007) e fui director de campanha de duas Iniciativas Populares de Referendo (2006 e 2010). Pude assim assistir e participar na fantástica libertação de energias cívicas que todas essas ocasiões proporcionaram.
Independentemente do lado que cada um então integrou, o debate intenso e apaixonado, a mobilização de uma inteira sociedade, as realidades associativas que estes suscitaram, o conhecimento aprofundado dos temas subjacentes, foram frutos constantes dessas experiências. Constato porém que apesar disso no corrente debate sobre a realização de um referendo sobre a co-adopção e a adopção gay, o instituto mete medo a muitos.
Mete medo, primeiro que tudo, a quem no fundo lhe deu causa quando abusando do mandato parlamentar, porque sem programa que o autorizasse, decidiu impor a sua vontade (minoritária no próprio partido) invocando uma consciência que o eleitorado não sufragou. Na verdade e em Portugal vota-se numa lista de candidatos e não, como em outros países e sistemas, em candidatos escolhidos pelo método da preferência, e onde, aí sim, os candidatos dão a conhecer a sua consciência e os eleitores a sufragam ou não com o seu voto.
Mete medo a todos aqueles para quem o referendo só é adequado se servir os próprios propósitos: exige-se quando não se gostou do resultado do anterior, nega-se quando se tem maioria no parlamento (ou se sonha ou deseja com muita força tê-la). Os mesmos que se agitam contra o referendo da co-adopção e da adopção gay são aqueles que em 2006 o recusaram na procriação artificial (pedido por 82 mil cidadãos) e em 2010 o recusaram no casamento gay (pedido por 92 mil cidadãos). Como já o tinham recusado em 2001 para a despenalização do consumo da droga (65 mil cidadãos) e berrarão contra o mesmo em qualquer tema da sua agenda de experimentação social.
Mete medo também a quem prefere prosseguir objectivos em terreno propício (os media, os corredores do parlamento, os esconsos das instituições governamentais) a vir a campo, de cara descoberta, terçando razões, esgrimindo argumentos, testemunhando a sua experiência, indo ao encontro das pessoas reais que habitam as nossas aldeias, vilas e cidades, e humildemente submetendo-se ao juízo que estas venham a fazer sobre a questão em disputa. Ou seja, têm medo, todos aqueles que independentemente da sua orientação, posicionamento e pertenças, estão tão convencidos da sua superioridade moral e politicamente correcta, que consultar o povo é uma maçada insuportável.
Mete medo, porque acontecendo o debate, existe a possibilidade de que aí se torne claro que com a co-adopção não se visa mais do que dar cobertura legal a duas práticas que uma lei do tempo do Partido Socialista proíbe: a inseminação artificial e as barrigas de aluguer. Ou dar cobertura legal a adopções individuais obtidas em fraude á lei (que interdita estas, por uma lei do tempo do Partido Socialista, quando por uniões do mesmo sexo). Ou, pior, com o debate, fique bem demonstrado que não existe qualquer problema com o cuidado ou a tutela legal das crianças que vivem integradas nessas uniões, mesmo na circunstância mais dramática da morte, como quem tem a prática dos tribunais e do direito dos menores e da família, bem sabe e testemunha.
Mete medo, por fim, o facto de se poderem realizar dois debates num só (que se trata de um só tema dizem-no os próprios proponentes do projecto no seu preâmbulo). E, mete medo no debate da adopção gay se possa tornar evidente como estando uma criança numa instituição para ser adoptada e existindo um casal (um homem e uma mulher) para a adoptar não há dúvida nenhuma (porque a psicologia assim o diz e, o bom senso o torna evidente) que não faz qualquer sentido entregar essa criança a uma união do mesmo sexo. Não porque estas sejam incapazes de cuidar de uma criança mas porque não se justifica oferecer a uma criança abandonada, senão o melhor e o ideal. E porque se sabe que não faltam casais (homem e mulher) dispostos a acolhê-las.
Mas na política, como na vida, o medo é sempre mau conselheiro. E quando se aproximam os 40 anos do 25 de Abril não vejo melhor forma de celebrá-lo na sua vertente de liberdade política do que realizando este referendo em que o medo do debate de uns não se sobreponha à vontade livre e maioritária que todos poderemos ser chamados a exprimir.
Dirigente de movimento cívicos desde 1997
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quarta-feira, janeiro 22, 2014
De regresso ao Blog um mês depois: em cheio na Co-Adopção e de acordo com Sócrates...
Na Ecclesia saíram estas minhas declarações (reproduzo-as abaixo).
Correspondem ao que eu disse salvo no início quanto à legitimidade da AR em convocar um referendo. E a referência à lei da adopção deve-se entender como à da adopção gay bem entendido.
Claro que o parlamento tem toda a legitimidade para ter aprovado a proposta de referendo (questão diferente sendo a qualificação política e de oportunidade da dita...) e a única pena é que na história constitucional e parlamentar portuguesa só os convoque por iniciativa dos senhores deputados (fui director de campanha de duas Iniciativas Populares de Referendo [ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à procriação medicamente assistida] que excederam bem o mínimo de 75 mil assinaturas e que no parlamento foram liminarmente rejeitadas...).
Para o que não existia legitimidade era para o parlamento ter votado o projecto de lei da co-adopção. Daí o meu total acordo com estas declarações de Sócrates na legislatura anterior e quando era primeiro-ministro...(para vê-las é preciso fechar a caixa de publicidade que aparece [neste momento ao Big Brother...])
Correspondem ao que eu disse salvo no início quanto à legitimidade da AR em convocar um referendo. E a referência à lei da adopção deve-se entender como à da adopção gay bem entendido.
Claro que o parlamento tem toda a legitimidade para ter aprovado a proposta de referendo (questão diferente sendo a qualificação política e de oportunidade da dita...) e a única pena é que na história constitucional e parlamentar portuguesa só os convoque por iniciativa dos senhores deputados (fui director de campanha de duas Iniciativas Populares de Referendo [ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à procriação medicamente assistida] que excederam bem o mínimo de 75 mil assinaturas e que no parlamento foram liminarmente rejeitadas...).
Para o que não existia legitimidade era para o parlamento ter votado o projecto de lei da co-adopção. Daí o meu total acordo com estas declarações de Sócrates na legislatura anterior e quando era primeiro-ministro...(para vê-las é preciso fechar a caixa de publicidade que aparece [neste momento ao Big Brother...])
Adoção: Lei a referendar é «inútil»
António Maria Pinheiro Torres explica que o sistema jurídico português já engloba as questões da adoção e coadoção
D.R. |
Lisboa, 17 jan 2014 (Ecclesia) – O advogado António Maria Pinheiro Torres, disse hoje em declarações à Agência ECCLESIA que a lei da adoção e coadoção é “inútil” e que o parlamento “não estava mandatado para decidir a existência de um referendo sobre a matéria”.
“Esta lei da coadoção é uma lei inútil porque o sistema jurídico português já tem as respostas para a questão que se põe no que diz respeito ao cuidar das crianças e ao mesmo tempo é um engano porque se pretende estabelecer a filiação a crianças que foram concebidas através de formas de procriação artificial que são proibidas pela lei portuguesa, quer seja pela inseminação artificial ou pela barriga de aluguer”, explica o advogado.
Por outro lado esta lei iria “premiar as pessoas que recorreram às adoções individuais fazendo parte duma relação com outra pessoa do mesmo sexo”, acrescenta.
A proposta da JSD foi aprovada com 103 votos favoráveis da bancada parlamentar, 92 votos contra e 26 abstenções.
Esta decisão deixa dúvidas quanto à sua viabilidade dado que “a Assembleia da República não se encontrava mandatada para decidir sobre esta matéria da adoção e coadoção uma vez que esta não fazia parte do programa dos partidos e não tinha sido sujeita a sufrágio”, diz o advogado António Maria Pinheiro Torres.
Ainda assim e tendo em conta que o referendo foi aprovado esta manhã na Assembleia da República, “caso se confirme o referendo vai ser uma oportunidade de debate e de ouvir a opinião dos portugueses sobre um tema que é estruturante sobre como se estabelece a filiação de uma criança”, salienta o advogado e membro da Federação Portuguesa pela Vida.
“Não tem nada a ver com o cuidar das crianças porque em relação às pessoas do mesmo sexo que tem crianças a seu cargo a lei portuguesa tem sabido responder com os devidos instrumentos legais e portanto nem é isso que está em causa neste possível referendo”, explica o advogado.
A ser de imediato aprovada na Assembleia da República a lei da adoção e coadoção de crianças por pessoas do mesmo sexo seria “antidemocrática porque não foi sujeita ao sufrágio de todos os portugueses” e sendo assim na opinião de António Maria Pinheiro Torres o referendo ir para a frente vai dar possibilidade “a um debate e a um esclarecimento importante” sobre a matéria em discussão.
Membro da Federação Portuguesa pela Vida, António Maria Pinheiro Torres garante, em declarações feitas hoje à Agência ECCLESIA, que a organização vai estar na luta pelo “Não” caso o referendo se realize, estando garantida “uma mobilização que além dos católicos, vai certamente envolver pessoas de outras confissões religiosas e mesmo sem confissão religiosa mas que percebem o que é o melhor interesse das crianças”.
A resolução da Juventude Social Democrata foi aprovada hoje, após o debate quinzenal com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e propõe um referendo com duas perguntas sobre adoção e coadoção por casais do mesmo sexo: "Concorda que o cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo possa adotar o filho do seu cônjuge ou unido de facto?” e “Concorda com a adoção por casais, casados ou unidos de facto, do mesmo sexo?".
Após a aprovação no parlamento, a convocação do referendo tem de passar pela fiscalização preventiva obrigatória do Tribunal Constitucional e, em última instância, depende ainda da decisão do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
MD
“Esta lei da coadoção é uma lei inútil porque o sistema jurídico português já tem as respostas para a questão que se põe no que diz respeito ao cuidar das crianças e ao mesmo tempo é um engano porque se pretende estabelecer a filiação a crianças que foram concebidas através de formas de procriação artificial que são proibidas pela lei portuguesa, quer seja pela inseminação artificial ou pela barriga de aluguer”, explica o advogado.
Por outro lado esta lei iria “premiar as pessoas que recorreram às adoções individuais fazendo parte duma relação com outra pessoa do mesmo sexo”, acrescenta.
A proposta da JSD foi aprovada com 103 votos favoráveis da bancada parlamentar, 92 votos contra e 26 abstenções.
Esta decisão deixa dúvidas quanto à sua viabilidade dado que “a Assembleia da República não se encontrava mandatada para decidir sobre esta matéria da adoção e coadoção uma vez que esta não fazia parte do programa dos partidos e não tinha sido sujeita a sufrágio”, diz o advogado António Maria Pinheiro Torres.
Ainda assim e tendo em conta que o referendo foi aprovado esta manhã na Assembleia da República, “caso se confirme o referendo vai ser uma oportunidade de debate e de ouvir a opinião dos portugueses sobre um tema que é estruturante sobre como se estabelece a filiação de uma criança”, salienta o advogado e membro da Federação Portuguesa pela Vida.
“Não tem nada a ver com o cuidar das crianças porque em relação às pessoas do mesmo sexo que tem crianças a seu cargo a lei portuguesa tem sabido responder com os devidos instrumentos legais e portanto nem é isso que está em causa neste possível referendo”, explica o advogado.
A ser de imediato aprovada na Assembleia da República a lei da adoção e coadoção de crianças por pessoas do mesmo sexo seria “antidemocrática porque não foi sujeita ao sufrágio de todos os portugueses” e sendo assim na opinião de António Maria Pinheiro Torres o referendo ir para a frente vai dar possibilidade “a um debate e a um esclarecimento importante” sobre a matéria em discussão.
Membro da Federação Portuguesa pela Vida, António Maria Pinheiro Torres garante, em declarações feitas hoje à Agência ECCLESIA, que a organização vai estar na luta pelo “Não” caso o referendo se realize, estando garantida “uma mobilização que além dos católicos, vai certamente envolver pessoas de outras confissões religiosas e mesmo sem confissão religiosa mas que percebem o que é o melhor interesse das crianças”.
A resolução da Juventude Social Democrata foi aprovada hoje, após o debate quinzenal com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e propõe um referendo com duas perguntas sobre adoção e coadoção por casais do mesmo sexo: "Concorda que o cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo possa adotar o filho do seu cônjuge ou unido de facto?” e “Concorda com a adoção por casais, casados ou unidos de facto, do mesmo sexo?".
Após a aprovação no parlamento, a convocação do referendo tem de passar pela fiscalização preventiva obrigatória do Tribunal Constitucional e, em última instância, depende ainda da decisão do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
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Nacional | Agência Ecclesia | 2014-01-17 | 17:12:39 | 3373 Caracteres |
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