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segunda-feira, março 11, 2013

Berlusconi ou do desprezo da esquerda pelo povo



Hoje Berlusconi tinha uma nova audiência em tribunal, uma das muitas da ofensiva contra ele da magistratura italiana. Um grupo numeroso de deputados e senadores, recém-eleitos pelo Popolo della Libertá, manifestou-se em solidariedade com ele, como mostra a fotografia acima.

A polémica, as reacções e o escândalo disto tudo estão a ser bem cobertos pelo Corriere dela Sera como se pode ver aqui.

A mim o que me escandaliza é além do moralismo contraditório da esquerda (estou farto de ver os próceres da liberdade sexual a perseguir a vida privada de Sílvio Berlusconi), a constatação de que esta de facto se está nas tintas para o povo e manifesta pelo seu voto (um terço dos eleitores, 10 milhões, votaram no seu partido, o PdL) um desprezo que não apenas é incompreensível (para quem ainda tiver ilusões sobre as convicções democráticas desse lado do sistema político...) como se arrisca a virar-se contra a própria...

Na verdade...e se não for mesmo possível encontrar uma solução para a actual crise italiana e tiver de haver novas eleições gerais e nestas o PdL superar os 0,4% que o afastam do PD e vencer inequivocamente as eleições? Vão continuar a chamar a Berlusconi e aos que se reconhecem no seu partido (o que não equivale dizer que se reconhecem na sua vida privada ou empresarial) "palhaços"? Muito me ria se fosse isso que acontecesse, que o PdL ganhasse as novas eleições...!

terça-feira, fevereiro 26, 2013

Berlusconi ou de como a realidade tem muita força




É verdade que a personagem abunda em limites e não é difícil elencar-lhe defeitos e fazer troça de muitas das suas histórias. Como dizia alguém há uns tempos (no fim do seu último governo) "começa a tornar-se difícil defender o Berlusca”…Mas daí a chamar-lhe comediante, equiparando-o a Beppe Grillo, vai uma grande distância, que hoje com ligeireza é ultrapassada no editorial do Público.

No fundo uma manifestação mais daquela mentalidade de esquerda que não permite entender nada e que induz os maiores enganos e depois estas estranhas surpresas, como muito bem o diz hoje o editorial do Corriere della Sera onde é feito um impressionante mea-culpa do mainstream mediático, cultural, político e europeu. As principais citações desse artigo estão aqui na Tempi a mais segura forma de seguir o que se passa a par do Facebook de Silvio Berlusconi.

O artigo é muito clarividente e prenuncia já, explicita ou implicitamente, o que vai acontecer nos tempos próximos: o insulto ao centro-direita italiano, o lançar de culpas ao eleitorado (que não soube votar bem, isto é, na esquerda [tipo, como diz a malta nova agora, referendo europeu]), o recomeço das campanhas pessoais contra Berlusconi e o reactivar dos processos judiciais, em vez de se reconhecer que há em Itália um povo que se reconhece, com liberdade (esta palavra tão usada mas cuja realidade é tão temidas pela esquerda), no centro-direita, que pede menos impostos, mais liberdade (económica, política, religiosa), respeito pelos valores e tradições que fizeram a Europa, a defesa da Vida e da Família nos planos político e legislativo, etc. E que apesar da perda de tempo dos 18 anos de governo de Berlusconi (salvo a bem sucedida experiência na Lombardia) não desiste de exigir o que necessita às suas lideranças e tem bem claro que a esquerda não é nem nunca foi a solução para problema nenhum, nem sequer os seus, como se vê pela amostra e nos resultados de Beppe Grillo (um caminho que não leva a lado nenhum, de um moralismo insuportável [quanto tempo iremos esperar pela derrocada do “a honestidade vai ficar na moda”…], mas que é uma forma de protesto extrema que nasce da incapacidade dos políticos responderem às necessidades dos povos).

A propósito do que se passou vale também muito a pena ler este artigo sobre a eleição ou não de alguns católicos de referência na política italiana, este sobre os grandes perdedores da noite (de Di Pietro, o juiz das Mãos Limpas que estilhaçou o sistema político italiano há vinte anos atrás, a Fini, ingloriamente desaparecido na sopa morna do centro de Monti) e este de Giuliano Ferrara, director do Il Foglio, que explica sabiamente que Berlusconi não é uma excrescência a eliminar mas uma pessoa que, com todos os seus defeitos (uma frase quase inevitavelmente associada ao seu nome…), “construiu uma maioria capaz de superar o horizonte de todos os erros e todas as loucuras (incluindo as suas)” e que Berlusconi é uma parte de Itália "e sem esta, não se governa".

Quanto ao futuro? Deus o dirá. Mas uma coisa é certa: passa por Berlusconi e passa bem. E para o centro-direita em Portugal fica mais um exemplo de como um povo que sabe de onde vem e ao que vai, necessita lideranças fortes, determinadas e sem medo do politicamente correcto. Dêem a esse povo em Portugal primárias nos partidos para escolha dos candidatos, círculos uninominais e voto de preferência num círculo nacional, e verão como é possível de facto e correspondente às expectativas de todos (esquerda e direita) um sistema mais democrático, políticas sufragadas e políticos sindicáveis, premiáveis e castigáveis…
Nota irresistível: coitadas daquelas miúdas do Femen…tanto frio para nada…


segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Eleições em Itália: tudo em aberto



Vejo os sites das rádios e pelos vistos ainda está tudo em aberto. Di-lo a Renascença e omite-o cuidadosamente a TSF (ainda devem estar a recobrar do trauma...). Estando tudo em aberto é também cedo para embandeirar em arco com aquela que pode ter sido a grande surpresa para o wishful thinking das esquerdas, da generalidade da comunicação social e toda a comunidade europeia de bem-pensantes e politicamente correctos: o bom resultado do Partido da Liberdade de Berlusconi.

Correndo neste momento também eu o risco de tomar desejos por realidades (saber-me-ia muito bem ver a derrota dos juizes que o derrubaram, da imprensa que tentou destrui-lo a maior velocidade do que os limites do próprio o permitiriam bem como todos os que colaboraram em tirá-lo do poder da forma menos democrática de o fazer) reservo-me para amanhã...

E entretanto seguirei o desfecho no site da Tempi, revista de referência e que é a que melhor noticia a presença pública dos católicos em Itália.