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sábado, março 30, 2013

Da Dívida, do Memorando, da Alemanha e da Troika

Não faças aos outros o que não querias te fizessem a ti...!?



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23 de Fevereiro de 1953 - 60 anos !!!!
Faz hoje 60 anos - Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs | Entre os países que perdoaram 50% da dívida alemã estão a Espanha, Grécia e Irlanda.

O Acordo de Londres de 1953 sobre a divida alemã foi assinado em 27 de Fevereiro, depois de duras negociações com representantes de 26 países, com especial relevância para os EUA, Holanda, Reino Unido e Suíça, onde estava concentrada a parte essêncial da dívida.

A dívida total foi avaliada em 32 biliões de marcos, repartindo-se em partes iguais em dívida originada antes e após a II Guerra.Os EUA começaram por propor o perdão da dívida contraída após a II Guerra. Mas, perante a recusa dos outros credores, chegou-se a um compromisso. Foi perdoada cerca de 50% (Entre os paises que perdoaram a dívida estão a Espanha, Grécia e Irlanda) da dívida e feito o reescalonamento da dívida restante para um período de 30 anos. Para uma parte da dívida este período foi ainda mais alongado. E só em Outubro de 1990, dois dias depois da reunificação, o Governo emitiu obrigações para pagar a dívida contraída nos anos 1920.

O acordo de pagamento visou, não o curto prazo, mas antes procurou assegurar o crescimento económico do devedor e a sua capacidade efectiva de pagamento.

O acordo adoptou três princípios fundamentais:
1. Perdão/redução substantial da dívida;
2. Reescalonamento do prazo da divída para um prazo longo;
3. Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor.

O pagamento devido em cada ano não pode exceder a capacidade da economia. Em caso de dificuldades, foi prevista a possibilidade de suspensão e de renegociação dos pagamentos. O valor dos montantes afectos ao serviço da dívida nao poderia ser superior a 5% do valor das exportações. As taxas de juro foram moderadas, variando entre 0 e 5 %.

A grande preocupação foi gerar excedentes para possibilitar os pagamentos sem reduzir o consumo. Como ponto de partida, foi considerado inaceitável reduzir o consumo para pagar a dívida.

O pagamento foi escalonado entre 1953 e 1983. Entre 1953 e 1958 foi concedida a situacao de carência durante a qual só se pagaram juros.

Outra característica especial do acordo de Londres de 1953, que não encontramos nos acordos de hoje, é que no acordo de Londres eram impostas também condições aos credores - e não só aos paises endividados. Os países credores, obrigavam-se, na época, a garantir de forma duradoura, a capacidade negociadora e a fluidez económica da Alemanha.

Uma parte fundamental deste acordo foi que o pagamento da dívida deveria ser feito somente com o superavit da balança comercial. 0 que, "trocando por miúdos", significava que a RFA só era obrigada a pagar o serviço da dívida quando conseguisse um saldo de dívisas através de um excedente na exportação, pelo que o Governo alemão não precisava de utilizar as suas reservas cambiais.

EM CONTRAPARTIDA, os credores obrigavam-se também a permitir um superavit na balança comercial com a RFA - concedendo à Alemanha o direito de, segundo as suas necessidades, levantar barreiras unilaterais às importações que a prejudicassem.

Hoje, pelo contrário, os países do Sul são obrigados a pagar o serviço da dívida sem que seja levado em conta o défice crónico das suas balanças comerciais

Marcos Romão, jornalista e sociólogo. 27 de Fevereiro de 2013.

terça-feira, janeiro 15, 2013

Economia portuguesa: afinal as perspectivas são boas ou não?




A pergunta nasceu-me do conflito entre as notícias hoje divulgadas sobre as previsões do Banco de Portugal e o documento abaixo, que recebi de um amigo, em que são reproduzidas observações da OCDE sobre a evolução da economia portuguesa...em que ficamos afinal? No meio desta confusão quem nos pode ajudar a ver claro?

OCDE – ECONOMIA PORTUGUESA COM PERSPECTIVAS DE MELHORIA REFORÇADAS

- Indicador avançado regista uma variação positiva em termos homólogos pela primeira vez em largos meses
- Perspectiva da recessão se dissipar nos próximos seis a nove meses

14.01.2013

A mais recente actualização dos indicadores avançados, referente ao mês de Novembro  e hoje divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), continua a apontar para uma progressiva melhoria da conjuntura económica, fazendo-o agora de forma mais marcada. Os indicadores avançados da OCDE tentam antecipar pontos de inflexão da actividade económica em relação à tendência.
Portugal

·         Pelo oitavo mês consecutivo, o indicador registou uma subida mensal (de 0,30%, a maior nesse período).

·         Pela primeira vez em largos meses, o indicador avançado para a economia nacional registou uma variação positiva em termos homólogos (0,71%).

·         O seu valor está, agora, em 99,44, já muito próximo da média de longo prazo, fixada em 100 pontos.

·         Todos estes dados apontam para a perspectiva de a recessão, que dura há sete trimestres consecutivos, se dissipar nos próximos seis a nove meses.

·         Os últimos dados estatísticos do INE sobre a evolução real da economia reportam-se ao terceiro trimestre de 2012 e descrevem um agravamento da recessão: o PIB caiu 3,5% em termos homólogos (mais do que a queda de 3,1% registada no segundo trimestre). Ainda assim, registou uma diminuição de 0,9% face ao trimestre anterior, menor do que a queda de 1% observada no segundo trimestre.
Europa e resto do mundo

 Os indicadores avançados da OCDE apontam, por outro lado, para uma estabilização das perspectivas económicas na maioria das grandes economias mundiais. É o caso, em particular, da AlemanhaFrança, cujos indicadores voltaram a exibir uma variação positiva, determinante para que também a Zona Euro, como um todo, tenha registado uma melhoria nas suas perspectivas económicas.
Também no Brasil e no Japão "os sinais de uma estabilização do crescimento parecem emergir".

Para os Estados Unidos e Reino Unido, a OCDE refere que os respectivos indicadores sugerem a perspectiva de um "crescimento económico sustentado".
Na China e na Índia, "os sinais de presença de um ponto de viragem é mais forte", enquanto Canadá e Rússia continuam com "perspectivas de crescimento fracas".

Link para os indicadores avançados:
http://www.oecd.org/std/leadingindicatorsandtendencysurveys/compositeleadingindicatorsclisoecdjanuary2013.htm



quinta-feira, janeiro 10, 2013

Portugal mais longe da bancarrota!


A informação chegou de um amigo meu com quem partilho intervenções comuns no PSD em Lisboa. Embora ele não indique a fonte, considerando se trata de pessoa séria, com formação nesta área e cujo trabalho passa pela análise destas e de outras informações da mesma natureza, posso dar por fiáveis os dados apresentados. É um quadro que reproduz a avaliação feita a nível profisisonal e internacional do risco de falhanço no pagamento de dívida, por diversos países. E diz assim:


Entity Name
Risco de Default (%)
Greece
97.48
Argentina
67.25
Cyprus
59.40
Pakistan
46.71
Venezuela
37.20
Ukraine
33.27
Illinois/State of
31.25
Iraq
29.85
Egypt
29.44
Portugal
29.14

No mesmo email ele envia um quadro de evolução dos CDS (Credit Default Swap) de, por ordem de pior para melhor, Grécia, Chipre, Portugal, Irlanda e Itália. É impressionante verificar ao longo do tempo a convergência do nosso país com aqueles dois últimos países. A quem me pedir posso enviar esse quadro.

Ou seja: há melhoras! E embora muitas vezes nós não vejamos como nem quando, é possível, vamos, sair do actual estado cataléptico em que nos encontramos. Faça cada um o que deve e chegaremos lá!