Foi o diário da acção política de um deputado do PSD, eleito por Braga, e agora é-o de um cidadão que desejando contribuir activamente para a organização do bem comum, procura invadir esse âmbito (da política) com aquele gosto de vida nova que caracteriza a experiência cristã. O título "POR CAUSA DELE" faz referência ao manifesto com o mesmo título, de Comunhão e Libertação, publicado em Janeiro de 2003 (e incluído no Blog).
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sábado, junho 16, 2012
E na Natalidade...não se pensa? II
Hoje na última página do Público Vasco Pulido Valente a propósito da situação do ensino superior em Portugal (e a proliferação de cursos) conta no seu artigo (a que se refere este blog) que o actual Ministro da Educação terá mandado encerrar alguns cursos, entre os quais os de educadoras de infância e de professoras do ensino básico.
Não me deterei aqui (até por falta de informação suficiente) sobre a estranheza que me causa que a existência de cursos seja decidida por despacho ministerial e não por decisão das famílias que os procuram, ou não...
O que me interessa no caso é chamar a atenção para as consequências práticas da actual falta de natalidade no nosso país. No caso, o desemprego de quem ensinaria nessas faculdades e a falta de perspectiva para essas profissões, devido à pura e simples inexistência de crianças a nascer...
No mesmo sentido (deste alerta) apareceu e bem a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas a comentar a recomendação da OCDE para o aumento da idade da reforma. Diz a APFN no seu comunicado (por palavras minhas aqui no post): "a questão não está aí, mas na falta de crianças e por isso de contribuintes para o sistema". Bem observado!
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Vasco Pulido Valente
sexta-feira, dezembro 23, 2011
Passos Coelho e a emigração
Continua a saga em torno das declarações do Primeiro-Ministro com uma série de virgens ofendidas a rasgar as vestes de indignação...não há pachorra!
É que além de se estar a sobrevalorizar uma simples frase (ainda por cima razoável dentro do contexto) vem junto um "choradinho" para o qual não há paciência. Ampliado pelo dramatismo de "andámos nós a pagar a formação destes quadros" e "lá se vão os nossos melhores cérebros"...vejamos então:
"Andámos nós a pagar a formação destes quadros": pois andámos e mal. Andámos porque a tanto nos obriga os impostos que pagamos em vez de aliviando essa carga, nos deixarem a nós, ás familias portuguesas, usar os nossos recursos como entendemos, escolhendo a educação que queremos para os nossos filhos, e limitando-nos a contribuir solidariamente para aqueles que sem uma ajuda estatal não teriam acesso à educação...
Andámos nós a pagar porque numa negação total de todos os ideais de igualdade do 25 de Abril convencemo-nos todos de que toda a gente devia ter uma formação no ensino superior, em vez de apenas seguir esses estudos quem tenha essa vocação, e valorizando todas as profissões para as quais essas qualificações não são necessárias, e onde, inclusive, todos estes licenciados desempregados poderiam ganhar bem mais do que ganham os "quinhentistas" e até, quem sabe, seriam mais felizes...
"Lá se vão os nossos melhores cérebros": eis o que se encontra por demonstrar. Uma licenciatura (e na minha vida profissional sou disso testemunha com frequência) hoje em dia só prova que a pessoa foi capaz de ( e mesmo assim de vez em quando nem isso...) aplicar a força correcta no ponto preciso que lhe permitiu o acesso ao canudo, e mais nada. Entre os licenciados haverá cérebros e descerebrados como em todos os campos, sendo que estes últimos não são menos que os primeiros, apenas estão a ser usados para propósitos distintos dos que as suas capacidades profissionais lhes fariam prosseguir e aí com maior êxito do que serem usados "como cérebros".
Além de que só Deus sabe no que à promoção do país que isso proporcionará (esta vaga de emigração) como pode vir a ser uma vantagem de Portugal ter lá fora massa critica suficiente, conhecedora das qualidades e potencialidades do país, e capaz por isso de nos atrair investimentos, encomendas, ligações úteis.
Não resisto a uma última sobre os "cérebros": perguntem ao professor universitário que tenham por mais perto como escrevem, pensam, reagem, agem, estudam, procedem nos exames, uma parte desses cérebros, numa demonstração evidente da pobreza, indigência, falta de qualidade e desperdício de boa parte do ensino secundário público...
Notas finais: estas linhas são um desabafo que em nada responsabiliza o Dr. Passos Coelho que não tem culpa nenhuma que eu saia em sua defesa (não que dela precise) por sentir que há uma injustiça que lhe está a ser feita.
São apenas três exemplos (talvez ridicularizáveis) mas sabiam que:
a) Em São Paulo neste momento uma grande sociedade internacional de Advogados está a recusar clientes novos por não ter recursos humanos suficientes para lhes fazer face?
b) Que Moçambique está a crescer a 7% ao ano (bem sei a base é baixa, mas o crescimento é sempre crescimento)
c) Que no suplemento de emprego do Expresso já são quase tantos os anuncios para empregos no estrangeiro (nomeadamente Angola) quanto os dos nacionais?
É que além de se estar a sobrevalorizar uma simples frase (ainda por cima razoável dentro do contexto) vem junto um "choradinho" para o qual não há paciência. Ampliado pelo dramatismo de "andámos nós a pagar a formação destes quadros" e "lá se vão os nossos melhores cérebros"...vejamos então:
"Andámos nós a pagar a formação destes quadros": pois andámos e mal. Andámos porque a tanto nos obriga os impostos que pagamos em vez de aliviando essa carga, nos deixarem a nós, ás familias portuguesas, usar os nossos recursos como entendemos, escolhendo a educação que queremos para os nossos filhos, e limitando-nos a contribuir solidariamente para aqueles que sem uma ajuda estatal não teriam acesso à educação...
Andámos nós a pagar porque numa negação total de todos os ideais de igualdade do 25 de Abril convencemo-nos todos de que toda a gente devia ter uma formação no ensino superior, em vez de apenas seguir esses estudos quem tenha essa vocação, e valorizando todas as profissões para as quais essas qualificações não são necessárias, e onde, inclusive, todos estes licenciados desempregados poderiam ganhar bem mais do que ganham os "quinhentistas" e até, quem sabe, seriam mais felizes...
"Lá se vão os nossos melhores cérebros": eis o que se encontra por demonstrar. Uma licenciatura (e na minha vida profissional sou disso testemunha com frequência) hoje em dia só prova que a pessoa foi capaz de ( e mesmo assim de vez em quando nem isso...) aplicar a força correcta no ponto preciso que lhe permitiu o acesso ao canudo, e mais nada. Entre os licenciados haverá cérebros e descerebrados como em todos os campos, sendo que estes últimos não são menos que os primeiros, apenas estão a ser usados para propósitos distintos dos que as suas capacidades profissionais lhes fariam prosseguir e aí com maior êxito do que serem usados "como cérebros".
Além de que só Deus sabe no que à promoção do país que isso proporcionará (esta vaga de emigração) como pode vir a ser uma vantagem de Portugal ter lá fora massa critica suficiente, conhecedora das qualidades e potencialidades do país, e capaz por isso de nos atrair investimentos, encomendas, ligações úteis.
Não resisto a uma última sobre os "cérebros": perguntem ao professor universitário que tenham por mais perto como escrevem, pensam, reagem, agem, estudam, procedem nos exames, uma parte desses cérebros, numa demonstração evidente da pobreza, indigência, falta de qualidade e desperdício de boa parte do ensino secundário público...
Notas finais: estas linhas são um desabafo que em nada responsabiliza o Dr. Passos Coelho que não tem culpa nenhuma que eu saia em sua defesa (não que dela precise) por sentir que há uma injustiça que lhe está a ser feita.
São apenas três exemplos (talvez ridicularizáveis) mas sabiam que:
a) Em São Paulo neste momento uma grande sociedade internacional de Advogados está a recusar clientes novos por não ter recursos humanos suficientes para lhes fazer face?
b) Que Moçambique está a crescer a 7% ao ano (bem sei a base é baixa, mas o crescimento é sempre crescimento)
c) Que no suplemento de emprego do Expresso já são quase tantos os anuncios para empregos no estrangeiro (nomeadamente Angola) quanto os dos nacionais?
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