Foi o diário da acção política de um deputado do PSD, eleito por Braga, e agora é-o de um cidadão que desejando contribuir activamente para a organização do bem comum, procura invadir esse âmbito (da política) com aquele gosto de vida nova que caracteriza a experiência cristã. O título "POR CAUSA DELE" faz referência ao manifesto com o mesmo título, de Comunhão e Libertação, publicado em Janeiro de 2003 (e incluído no Blog).
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quinta-feira, outubro 03, 2013
Berlusconi e o "teatro" político italiano: questões sérias em cima do palco
É verdade que poucos políticos neste século (e já desde o anterior) darão tanto o flanco pela sua confusa vida pessoal (para não me alargar sobre a matéria...), a sua complexa vida empresarial e a sua complicada vida política, como Sílvio Berlusconi...e é verdade também os italianos são, em tudo, muito teatrais, e na política daquela grande nação, com facilidade se passa do drama á comédia, da ópera é opereta. Mas nem um facto nem o outro cancelam o facto de que do que se trata é de assuntos sérios, desafios verdadeiros, conflitos vitais.
Infelizmente os aspectos teatrais acima referidos e a distância que nos separa do contexto político e cultural italiano acabam por dificultar muito a compreensão do que se está a passar naquele grande país...se a isso juntarmos o descuido jornalístico, a preguiça na investigação e a preferência dada ao entretenimento, temos então um caldo que torna completamente incompreensível aos portugueses, àqueles que se interessam por política e aos que amam a Itália, o que se está a passar. Por isso vale a pena:
- saber das razões de Berlusconi para ter tentado provocar a queda do governo de Enrico Letta
- perceber que tentar distinguir a questão judicial da questão política é um esforço vão e perigoso naquele país e em especial no que a Sílvio Berlusconi respeita
- dar-se conta do que está na origem do recuo de Berlusconi e dos promissores desenvolvimentos que esse facto (a mudança dos equilíbrios no Pdl) que o origina (ao recuo) pode trazer
- e, já agora, ouvir e ver o próprio Sílvio Berlusconi no debate de ontem
Feito isso então sim, se pode ajuizar o que se passou, para além das generalidades e das generalizações. E, curiosamente, muito a aprender que seria muito útil acontecesse também na política portuguesa e no centro-direita em especial.
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segunda-feira, março 11, 2013
Berlusconi ou do desprezo da esquerda pelo povo
Hoje Berlusconi tinha uma nova audiência em tribunal, uma das muitas da ofensiva contra ele da magistratura italiana. Um grupo numeroso de deputados e senadores, recém-eleitos pelo Popolo della Libertá, manifestou-se em solidariedade com ele, como mostra a fotografia acima.
A polémica, as reacções e o escândalo disto tudo estão a ser bem cobertos pelo Corriere dela Sera como se pode ver aqui.
A mim o que me escandaliza é além do moralismo contraditório da esquerda (estou farto de ver os próceres da liberdade sexual a perseguir a vida privada de Sílvio Berlusconi), a constatação de que esta de facto se está nas tintas para o povo e manifesta pelo seu voto (um terço dos eleitores, 10 milhões, votaram no seu partido, o PdL) um desprezo que não apenas é incompreensível (para quem ainda tiver ilusões sobre as convicções democráticas desse lado do sistema político...) como se arrisca a virar-se contra a própria...
Na verdade...e se não for mesmo possível encontrar uma solução para a actual crise italiana e tiver de haver novas eleições gerais e nestas o PdL superar os 0,4% que o afastam do PD e vencer inequivocamente as eleições? Vão continuar a chamar a Berlusconi e aos que se reconhecem no seu partido (o que não equivale dizer que se reconhecem na sua vida privada ou empresarial) "palhaços"? Muito me ria se fosse isso que acontecesse, que o PdL ganhasse as novas eleições...!
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terça-feira, fevereiro 26, 2013
Berlusconi ou de como a realidade tem muita força
É verdade que a personagem abunda em limites e não é difícil
elencar-lhe defeitos e fazer troça de muitas das suas histórias. Como dizia
alguém há uns tempos (no fim do seu último governo) "começa a tornar-se difícil
defender o Berlusca”…Mas daí a chamar-lhe comediante, equiparando-o a Beppe Grillo, vai uma grande distância, que hoje com ligeireza é ultrapassada no
editorial do Público.
No fundo uma manifestação mais daquela mentalidade de
esquerda que não permite entender nada e que induz os maiores enganos e depois
estas estranhas surpresas, como muito bem o diz hoje o editorial do Corriere della Sera onde é feito um impressionante mea-culpa do mainstream mediático, cultural,
político e europeu. As principais citações desse artigo estão aqui na Tempi a mais segura forma de seguir o que se passa a par do Facebook de Silvio Berlusconi.
O artigo é muito clarividente e prenuncia já, explicita ou implicitamente, o que vai
acontecer nos tempos próximos: o insulto ao centro-direita italiano, o lançar
de culpas ao eleitorado (que não soube votar bem, isto é, na esquerda [tipo,
como diz a malta nova agora, referendo europeu]), o recomeço das campanhas
pessoais contra Berlusconi e o reactivar dos processos judiciais, em vez de se
reconhecer que há em Itália um povo que se reconhece, com liberdade (esta
palavra tão usada mas cuja realidade é tão temidas pela esquerda), no centro-direita, que pede
menos impostos, mais liberdade (económica, política, religiosa), respeito pelos
valores e tradições que fizeram a Europa, a defesa da Vida e da Família nos
planos político e legislativo, etc. E que apesar da perda de tempo dos 18 anos
de governo de Berlusconi (salvo a bem sucedida experiência na Lombardia) não
desiste de exigir o que necessita às suas lideranças e tem bem claro que a
esquerda não é nem nunca foi a solução para problema nenhum, nem sequer os
seus, como se vê pela amostra e nos resultados de Beppe Grillo (um caminho que
não leva a lado nenhum, de um moralismo insuportável [quanto tempo iremos
esperar pela derrocada do “a honestidade vai ficar na moda”…], mas que é uma
forma de protesto extrema que nasce da incapacidade dos políticos responderem
às necessidades dos povos).
A propósito do que se passou vale também muito a pena ler
este artigo sobre a eleição ou não de alguns católicos de referência na
política italiana, este sobre os grandes perdedores da noite (de Di Pietro, o
juiz das Mãos Limpas que estilhaçou o sistema político italiano há vinte anos
atrás, a Fini, ingloriamente desaparecido na sopa morna do centro de Monti) e
este de Giuliano Ferrara, director do Il Foglio, que explica sabiamente que
Berlusconi não é uma excrescência a eliminar mas uma pessoa que, com todos os
seus defeitos (uma frase quase inevitavelmente associada ao seu nome…), “construiu
uma maioria capaz de superar o horizonte de todos os erros e todas as loucuras
(incluindo as suas)” e que Berlusconi é uma parte de Itália "e sem esta, não se governa".
Quanto ao futuro? Deus o dirá. Mas uma coisa é certa: passa
por Berlusconi e passa bem. E para o centro-direita em Portugal fica mais um
exemplo de como um povo que sabe de onde vem e ao que vai, necessita lideranças
fortes, determinadas e sem medo do politicamente correcto. Dêem a esse povo em
Portugal primárias nos partidos para escolha dos candidatos, círculos uninominais
e voto de preferência num círculo nacional, e verão como é possível de facto e
correspondente às expectativas de todos (esquerda e direita) um sistema mais
democrático, políticas sufragadas e políticos sindicáveis, premiáveis e
castigáveis…
Nota irresistível: coitadas daquelas miúdas do Femen…tanto
frio para nada…
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