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domingo, fevereiro 08, 2015

A pretensão totalitária da igualdade (e da ideologia) de género



(esta fotografia foi tirada daqui)

A notícia de que o Governo chamou as empresas cotadas na Bolsa para as ameaçar (suave e disfarçadamente, já se sabe...) no caso não escolham mais gestoras em cargos de chefia é completamente incompreensível. Trata-se não só de uma intolerável ingerência da autoridade pública nos domínios do privado como está em clamoroso contra-ciclo com uma pretensa neutralidade da esfera pública no comportamento da economia privada. Denota além disso uma pretensão totalitária que a bem dizer só pode surpreender quem não esteja a par dos perigos da ditadura do politicamente correcto e em especial da ideologia do género.

Razões acrescidas pois para reler esta Nota da Conferência Episcopal Portuguesa sobre o assunto e esta entrevista de Diogo Costa Gonçalves ao mesmo propósito. Na verdade trata-se de um assunto que preocupa a Igreja católica e até levou o Papa Francisco a falar de colonização ideológica e desta forma (declarações originais aqui e aqui):

"Colonização ideológica
O Papa aproveitou ainda a conversa com os jornalistas para elaborar sobre um termo que usou durante a sua visita às Filipinas, em que criticou a "colonização ideológica".

"Sobre a colonização ideológica, dou apenas um exemplo que eu próprio vi: há 20 anos, em 1995, uma ministra da Educação pediu um empréstimo considerável, para construir escolas para os pobres. Deram-lhe o empréstimo, na condição de, nessas escolas, haver um livro para as crianças, muito bem preparado didacticamente, onde se ensinava a teoria do género. Isto é a colonização ideológica!"

"Entram num povo com uma ideia e colonizam o povo com uma ideia que muda, ou pretende mudar, uma mentalidade ou uma estrutura", critica o Papa, salientando que isto acontece sobretudo em países que precisam de auxílio financeiro ou humanitário. "Durante o sínodo, os bispos africanos lamentavam-se disto."

A atitude actual, diz Francisco, não é nova: "O mesmo já fizeram as ditaduras do século passado.""

Mas em Portugal é este o centro-direita que temos...colonizado ideologicamente pela esquerda...

quarta-feira, janeiro 21, 2015

O Papa e a procriação: uma belíssima ocasião de testemunho!



(esta fotografia, do Papa a falar com os jornalistas depois da sua viagem ás Filipinas foi retirada daqui)

As declarações do Papa sobre a questão da procriação dos católicos (na íntegra: "Algumas pessoas pensam... e desculpem-me as palavras, que para ser bons católicos temos de ser como coelhos. Não. Paternidade responsável. Isto é evidente") que se podem ver e ouvir aqui no site da RR têm sido uma belíssima ocasião de testemunho da alegria da experiência que os católicos (idealmente...) fazem e do entendimento vivencial da doutrina da Igreja Católica nestes temas,

Isso se conclui vendo o que hoje saiu no Público (muito completa, isenta e plural) e no i. Vamos ver agora como tratarão as declarações do Papa de hoje (reproduzidas na RR) em que este renova o elogio das famílias numerosas...

terça-feira, janeiro 20, 2015

O Papa Francisco, a Família, os filhos e a paternidade responsável




Anda para aí um sururu a propósito de declarações ontem do Papa Francisco. Há pouco e a um jornalista expliquei que tenho por princípio que não comento declarações do Papa ou de Bispos e Padres. Não é por mau feitio, mas porque declarações de Papa, Bispos e Padres, não são para eu comentar. São para as escutar e procurar perceber qual o desafio que colocam para a minha vida e para a minha conversão. Tenho-me dado bem com este sistema e isso reforça a minha Fé naquilo que a palavra quer dizer: o reconhecimento de uma Presença boa para mim e para a minha vida. Na minha circunstância essa Presença revela-se viva na Igreja Católica à qual pertenço, conduzida pelo Papa e pelos Bispos, abençoada com tantos santos e bons sacerdotes e comunidades de fiéis. Acresce que da minha experiência o que a Igreja recomenda é para mim origem de uma vida mais completa e feliz, onde tudo sabe melhor, apesar dos meus pecados e limites: a mulher, os filhos, a família, o trabalho, os amigos, etc.

Dito isto e porque, não desfazendo (como se diz nos filmes portugueses antigos...;-), a ignorância da comunicação social sobre o que a Igreja diz é muita, não fica desadequado recordar a Carta dos Direitos da Família (do tempo de João Paulo II) e em especial esta parte:

ARTIGO 3

Os esposos têm o direito inalienável de constituir uma família e de determinar o intervalo entre os nascimentos e o número de filhos que desejam, levando em consideração os deveres para consigo mesmos, para com os filhos que já têm, para com a família e a sociedade, numa justa hierarquia de valores e de acordo com a ordem moral objectiva que exclui o recurso à contracepção, à esterilização e ao aborto.

a) As actividades dos poderes públicos ou das organizações privadas, que tratam de limitar de algum modo a liberdade dos esposos nas suas decisões relativas aos filhos, constituem uma grave ofensa à dignidade humana e à justiça;

b) Nas relações internacionais, a ajuda económica concedida para o desenvolvimento dos povos não deve ser condicionada pela aceitação de programas de contracepção, esterilização ou aborto;

c) A família tem direito à ajuda da sociedade no que se refere ao nascimento ou à educação dos filhos. Os casais que têm uma família numerosa têm direito a uma ajuda adequada e não devem sofrer discriminações.  





quinta-feira, janeiro 15, 2015

José Ribeiro e Castro: os feriados e a coragem política



A luta de José Ribeiro e Castro pela restauração do feriado do 1º de Dezembro (levada ao ponto da fundação de um movimento que propõe a esse propósito uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos) é apenas um aspecto da categoria deste político democrata-cristão na verdadeira acepção da palavra e também uma belíssima demonstração da independência e coragem que um político pode ter. Além de que na sua carreira política sempre demonstrou através da sua actuação como o catolicismo pode e deve ter consequências na vida da cidade.

À luta pelo feriado de José Ribeiro e Castro se refere esta notícia no Público bem como o artigo de opinião deste que ontem saiu no mesmo jornal.Vale a pena ler pelo tema mas também pelo que mostra de experiência da política nas suas vertentes legislativa e de fundo. Como vale também e muito o artigo dele sobre a mesma questão no Observador de hoje e que comprova uma vez mais uma outra riquíssima faceta de José Ribeiro e Castro: o domínio e a imaginação literárias ao serviço das ideias. Muito bom!

segunda-feira, janeiro 05, 2015

As presidenciais 2016: Santana Lopes e Marcelo Rebelo de Sousa



(imagem retirada daqui)

Tenho a maior das simpatias por Marcelo Rebelo de Sousa, estou convencido daria um excelente Presidente da República, mas sobretudo pelo que dele conheço e dos contactos raros que tenho com o mesmo, estimo nele a consciência que de si próprio tem como de um católico que está na política e para quem isso é um referencial. Tudo isto, claro,no seu estilo próprio e muitas vezes não correspondendo ao que por isso podíamos desejar ou esperar, mas todos somos assim: uma soma nem sempre coerente de qualidades e limites, aspirações e inconsequências. Admiro claro e também o sentido de humor, o magnetismo que exerce sobre o povo laranja (e hoje em dia, creio, todos os portugueses em geral, independentemente das respectivas convicções e opções políticas), a superior inteligência, a cultura e a capacidade política. E impossível esquecer o que lhe deve a oposição ao aborto legal seja pela introdução do referendo na matéria, seja em muitas tomadas de posição, das quais a mais recente foi de apoio explicito (e subscrição) da Iniciativa Legislativa de Cidadãos "Lei de Apoio à Maternidade e à Paternidade - Do Direito a Nascer".

No entanto no que respeita ás presidenciais não percebo o cálculo que está a fazer e os tempos políticos desta eleição que ontem preconizou na TVI (isto é que uma vez Guterres só para o Outono estará disponível para decidir se se apresenta, então assim deverá ser com o candidato de centro-direita). Nem a aparente dependência de uma decisão dos partidos de centro-direita a que parece subordinar a decisão, sua ou de outros, de uma candidatura presidencial desta área política. E pelo contrário neste ponto partilho completamente os juízos políticos de Santana Lopes no que respeita seja aos tempos e autonomia individual de decisão, de cada candidato, seja a naturalidade de que a primeira volta das presidenciais sejam as primárias a que o povo de centro-direita aspira e tem direito. Como hoje consta no Diário de Notícias e na Renascença. Num rasgo de coragem e ousadia que lhe é característico e que faz muito do seu valor.

Além disso também aqui já referi muitas vezes a apreciação que tenho por Santana Lopes, feita de uma estima pessoal e identificação política. Também neste estimo a consciência de si próprio como de um filho da Igreja Católica e uma intuição de bem que lhe vi muitas vezes como imediata e instintiva em muitas atitudes que tomou ao longo dos tempos. Aprecio ainda o seu magnetismo no mesmo povo laranja, a dignidade na derrota ou na injustiça que lhe foi feita nos seus tempos de Primeiro-ministro, e a capacidade executiva de que sempre deu provas, agora mais recentemente, num trabalho notável na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. E, last but not the least, a concepção que tem do desenho constitucional do presidente da república e do respectivo exercício de mandato. Sem esquecer que lhe sou grato pela experiência autárquica que fiz entre 2009 e 2013 de membro da Assembleia Municipal de Lisboa e por isso de presidente da Comissão de Intervenção Social e promoção da Igualdade de Oportunidades, um tempo do qual guardo a melhor das memórias e em que tanto aprendi além de me ter possibilitado contactar com tanta gente de outros quadrantes políticos com quem vivi a verdade de que "na política o outro é um bem".

Assim sendo considero que qualquer um dos dois é um excelente candidato e nada impede ambos (e outros, se possível) se apresentem e se veja quem merece a preferência do povo de centro-direita (e neste do voto católico), para depois se apurar a vontade de todos os portugueses. Mas sobretudo deixem-nos (os directórios partidários) escolher, pelas almas, como diz o meu pai...;-)

Sobre Santana Lopes no meu Blog ver aqui.
Sobre Marcelo Rebelo de Sousa no meu Blog ver aqui.

domingo, janeiro 04, 2015

D. Manuel Clemente: temos de novo um Cardeal Patriarca em Lisboa!



A notícia do dia é, bem entendido, que o senhor D. Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa, vai ser feito Cardeal pelo Papa Francisco. Na Igreja, bem vivida, os cargos e honrarias servem só para uma coisa: que a Glória de Cristo se veja e cada homem, nosso irmão, possa encontrar Jesus. É esta forma de estar, acompanhada de uma comovente proximidade e amizade, que temos visto no Patriarca de Lisboa, e que constitui o principal motivo da nossa alegria com este facto.

Parabéns senhor D. Manuel! Que Deus que a mais esta missão o chamou, o guarde e proteja, e continue a contar connosco, com a nossa companhia e oração.

(mais informação sobre este assunto na RR, aqui)



quarta-feira, dezembro 24, 2014

Por Causa Dele: Um Santo Natal!


E com um abraço de agradecimento aos Mórmon que produziram este vídeo!



E outro aos do Catholics Come Home que tão bem aqui reproduzem a relação entre o Pai Natal e Jesus:

domingo, abril 27, 2014

Na Canonização de João Paulo II: uma belíssima homenagem do May Feelings


O Papa João Paulo II é o Papa da minha conversão. "Conheci-o" (melhor seria dizer embati com a sua personalidade, obra e fé) em Maio de 1982 aquando de uma peregrinação a pé a Fátima de estudantes da Universidade Católica de Lisboa, conduzida pelo Padre João Seabra.

A sua força e humanidade, fé e convicção, orientou uma inteira geração de católicos, orgulhosos de o serem, e que continuam hoje a viver a Igreja como a mais fascinante das aventuras, o mais acolhedor dos lugares, o mais prometedor dos caminhos possíveis.

Tive pois hoje um dia de festa. Mas sobretudo um apelo à minha responsabilidade de ter vivido em comunhão com este Santo e de seguir o seu caminho que não é outro senão o da minha conversão. E para se perceber o que este gigante representa para nós, os católicos, mas também para todos os homens de boa-vontade, aqui fica este maravilhoso vídeo editado pelo May Feelings:


quinta-feira, abril 24, 2014

Papa Francisco: aborto e liberdade de educação




VATICAN CITY, April 11, 2014 (LifeSiteNews.com) – Human life is “sacred and inviolable” and “every civil law is based on the recognition of the first and most fundamental right, the right to life,” Pope Francis told an Italian pro-life organization today.
The pope thanked the Movimento per la Vita, one of Italy’s leading political pro-life groups, for their work, urging them to continue “with courage and love” for life “in all its phases.”
“It is therefore necessary to reiterate the strongest opposition to any direct attack on life, especially innocent and defenseless, and her unborn child in the womb is the innocent par excellence,” the pope told the gathering of politicians and pro-life activists at the Vatican today.
“If you look at life as something that is consumed,” the pope said, “it will also be something that sooner or later you can throw away, with abortion to begin with.”
Human life, however, is “a gift from God” and if it is accepted as such, “then you have before you a valuable and intangible asset, to be protected by all means and not to be discarded.” 
In a different tack from previous popes, Pope Francis took the opportunity to link the pro-life message of the Church to his critique of the global economy, a major theme of this pontificate. “This economy kills. It considers the human being in himself as a commodity; a commodity that you can use and then throw away.” He added, quoting his own recent document Evangelii Gaudium, “We started the culture of ‘waste’ that, indeed, is promoted” through abortion in which “even life is discarded.”
One of the “most serious risks” of the modern world, he said, “is the divorce between economics and morality.” In a world offering “a market equipped with every technological innovation, elementary ethical standards of human nature more and more neglected.”
In his brief address, Pope Francis quoted the document Gaudium et Spes of the Second Vatican Council, that says, “Life once conceived, must be protected with the utmost care; abortion and infanticide are abominable crimes.” He encouraged pro-life workers to fight for life “with a style of closeness” to women so that “every woman feels regarded as a person, heard, accepted, accompanied.”
In a speech on Friday to the International Catholic Child Bureau (BICE), the pope also spoke of the need to reaffirm the rights of parents to decide “the moral and religious education of their children” and reject all forms of “educational experimentation with children and young people.”
Every child, he said, has the right to grow up in a family “with a father and a mother” capable of creating “a suitable environment for the child’s development and emotional maturity.” The Pope also warned against the effort to push a “dictatorship of one form of thinking” on children comparing these to the “horrors of the manipulation of education that we experienced in the great genocidal dictatorships of the twentieth century.”
These totalitarian impulses, he said, “have not disappeared; they have retained a current relevance under various guises and proposals.” 
The pope’s comments on Friday follow a push from parliamentarians and parents’ rights groups against the recent wave of incursions of “gender ideology” into Italy’s schools. A group of MPs has introduced a bill into Parliament to reinforce the constitutional protection of parent’s right to guide the “ethical” content of their children’s education, even in state-funded schools.



quinta-feira, abril 10, 2014

Des hommes et des dieux: que filme!

Revi ontem com os meus pais o filme "Dos homens e dos Deuses". Que filme extraordinário! Passa por ali toda a beleza  do Cristianismo: a presença missionária, a vida religiosa, a atracção de Deus, o amor a Jesus, a obediência e a oferta da  própria vida, o absurdo e a violência das guerras, em especial das feitas por "razões" religiosas, a magnífica história da Igreja Católica, a verdadeira natureza do martírio (que é aceite, mas não procurado), e um largo etc.
Além disso do ponto de vista cinematográfico está excepcionalmente bem realizado. As cenas focadas nas caras dos monges evocam as pinturas antigas italianas (a minha ignorância não me consente mais do que citar Caravaggio e Giotto...).

Vejam o trailer legendado em português:


Indo aos meus arquivos e sobre o filme encontrei estes dois textos:

A beleza do humano
Aura Miguel
RR on-line 12-11-2010 09:21
 Estreou ontem, nas salas de cinema, um filme extraordinário de Xavier Beauvois, sobre os monges cistercenses de Thibirine que, em 1996, foram mortos por fundamentalistas argelinos.
 O filme começa por mostrar a vida do mosteiro, perdido naquela longínqua aldeia do Atlas, e a profunda ligação que aqueles monges tinham com a população, que se manifestava em fortes laços de amizade.

Os monges levavam uma vida simples, com estudo, trabalho manual para garantir a sua sobrevivência, e muita oração. Quando estala a violência, contra cristãos estrangeiros, surge a questão: partir ou ficar.

O mais fascinante deste filme é ver como os monges franceses eram homens normais, frágeis como nós: claro que tinham medo e, numa primeira fase, queriam sair dali. Mas o superior da comunidade pediu-lhes tempo para reflectir e o resultado é um fascinante percurso de crescimento interior e humano que cada um desses homens cumpre, reforçado com a oração e o canto litúrgico. Humanamente, têm medo, mas tomam uma opção de amor e cada um decide ficar, sabendo que vai morrer.

O que fascina é que, apesar da debilidade que tinham, tomaram a sua vida a sério e arriscaram amar até ao fim.

filme não exalta o martírio nem cai na mística publicitária da morte bela. Nada disso. O que brota deste magnífico filme é a beleza do humano, sempre que a vida é vivida como dom.


Dos Homens e dos Deuses
A fé dos homens
 
A partir de uma história verdadeira de terrorismo, o francês Xavier Beauvois faz um filme sobre o que de mais humano há em nós
Vamos colocar a coisa assim, de modo bruto e peremptório, para não deixar dúvidas: é um dos grandes filmes do ano. O júri de Tim Burton em Cannes 2010 também achou que sim - deu-lhe o Prémio Especial do Júri - e França, onde se tornou num dos mais improváveis êxitos comerciais do ano, elegeu-o como o seu candidato ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2011.
"Dos Homens e dos Deuses", sexta longa do actor e realizador Xavier Beauvois (e primeira a estrear em sala em Portugal), traz uma daquelas advertências que assusta qualquer um: é "baseado em factos verídicos" - o rapto e assassínio de sete monges trapistas franceses durante a guerra civil argelina de 1996. Muitas vezes, essa advertência equivale ao afogamento no pântano das boas intenções mas, neste caso, corresponde a um dos mais notáveis filmes do ano. Que desacelera brutalmente de velocidade em relação a tudo aquilo que se propõe actualmente nas salas de cinema; que pega em temas "do momento" (a religião, o terrorismo, o fundamentalismo) e os usa como "ponte" entre o passado e o presente. Que abre portas para um olhar sobre a essência das coisas, que cria um momento de silêncio e contemplação para nos permitir olhar para o mundo e para o ser humano tal como ele é. O que torna então o filme de Beauvois tão contemporâneo, nestes dias em que o fundamentalismo religioso parece estar constantemente nas notícias, das controvérsias do Ground Zero nova-iorquino aos debates sobre a burqa?
É um filme de resistência: de resistência ao medo, de resistência ao desconhecido, de resistência a tudo aquilo que nos rouba a humanidade (e, por consequência, nos rouba também o divino que há em nós - porque a verdadeira fé, que implica sempre a dúvida, é algo de profundamente humano). Estes monges condenados, magnificamente interpretados por um elenco de conjunto onde não há vedetas que se safem, nunca são erguidos a mártires nem a heróis. Beauvois quer-nos apenas fazer compreender o porquê do destino destes homens de um modo que nunca separa os homens da sua fé nem da sua casa, uma comunidade monástica tão parte do próprio tecido da comunidade local que se torna tão argelina como aqueles que ali viviam, uma partilha de uma existência e um apego à terra que transcende divisões de classe, religião ou nacionalidade.
Haverá quem se lembre do "Grande Silêncio", o documentário de Phillip Gröning sobre os monges cartuxos que se tornou num pequeno fenómeno. Mas isso seria reduzir "Dos Homens e dos Deuses" àquilo que ele não é: um filme sobre a religião. Este não é um filme sobre os deuses, mas sim sobre os homens.


quarta-feira, abril 09, 2014

Páscoa e Confissão

Nestes tempos de preparação para a Páscoa é uma ajuda lembrar-nos do que é a Confissão. Vejam este vídeo extraordinário:


quinta-feira, março 13, 2014

Na morte do Senhor D. José Policarpo, Patriarca Emérito de Lisboa




Nunca conheci pessoalmente o Senhor D. António Ribeiro, o primeiro Patriarca de Lisboa da minha vida, (no sentido de que de cuja existência me dei conta...). Com ele só recordo ter vivido duas coisas: uma que já aqui contei no Blog (num post na morte do Senhor D. António Reis Rodrigues) e outra que muito me impressionou e que foi ter visto o senhor ás portas de Roma (nas últimas portagens) a receber as dezenas e dezenas de camionetes que transportavam os peregrinos (que em 1983 fomos agradecer ao Papa João Paulo II a sua primeira visita a Portugal) numa espera que lhe custou uma boa quantidade de horas entre a primeira que chegou e a última. Foi para mim um exemplo impressionante do que era um Pastor.

Com o Senhor D. José a primeira recordação que tenho foi o anúncio de que havia sido nomeado Arcebispo-coadjutor do Senhor D. António Ribeiro (o que queria dizer lhe sucederia). A notícia chegou-me pelo Padre que mais estimo e impressionou-me o brilho e entusiasmo do seu olhar quando nos contou, estávamos, um grupo de amigos, reunidos na sua Paróquia a fazer Escola de Comunidade.

E depois veio o primeiro encontro pessoal com ele. Ainda o Patriarcado era no Campo Santana. Fins de 1997. O assunto era o aborto. Daí em diante, quando nos encontrámos o assunto foi sempre a nossa intervenção de católicos na cidade . Contávamos o que andávamos a fazer, respondíamos ás suas perguntas e escutávamos o seu juízo. Escrevo no plural porque creio rara vez terá sido a que não estive acompanhado nesses encontros por outros com quem partilho a condução dos movimentos cívicos pela Vida e pela Família e a intervenção na política.

Que recordações guardo? A primeira e mais forte a de um Homem de Deus e um Pastor consciente da sua missão. Muito inteligente e com uma grande preocupação cultural. Com um sentido do relativismo da época histórica (que aos tempos se sucedem outros tempos) e também em relação com isso um homem "de Estado" mas em relação à instituição Igreja portuguesa. Muito prático e realista (tinha presente as condicionantes operacionais e logísticas de qualquer iniciativa). Um empreendedor que sabia reconhecer os seus sucessos e insucessos. Um homem da sua época em termos de geração, amizades e preocupações. Agudo no juízo sobre as questões que nos preocupavam. De trato simples e franco nos comentários que fazia sobre situações ou pessoas.

Estou-lhe por isso muito grato. Pelo privilégio desses encontros. Pelo que nessa relação, com tudo o que uma relação implica,  aprendi sobre a Igreja. E me fez desejar a unidade com os pastores a quem Deus confia a sua Igreja, estimar a missão que lhes está confiada e também perceber que o que se nos pede, a nós fieis católicos, é uma amizade empenhada e verdadeira com os senhores, para ajudar a que seja visível no mundo o que nós encontrámos e  todo o coração humano anseia: Jesus Cristo, Redentor do Homem.

Senhor D. José: rezarei por si. Reze por nós também. Por aqueles que estamos a procurar servir o Bem Comum na cidade dos homens. Pelas nossas famílias e pelas iniciativas em que estamos empenhados. Obrigado!

segunda-feira, dezembro 23, 2013

Visita de Natal (esta entre Papas)




Pode-se ver mais aqui. Que ternura e que beleza a unidade na Igreja Católica!
Uma coisa que os nossos adversários ou simples outros, muitos de fora e alguns da casa, tem tanta dificuldade em entender, levar a sério e, idealmente, estimar....

A lição do papa Francisco sobre o sentido do Natal (por Julián Carrón)



Com os meus votos de um Santo Natal e Boas Entradas a todos os meus leitores e amigos aqui deixo o texto da carta em epígrafe do Padre Julián Carrón (sucessor de D. Giussani na condução do movimento Comunhão e Libertação) que saiu no jornal la Repubblica.

23 de dezembro de 2013

Pág. 43

A carta

A lição do papa Francisco sobre o sentido do Natal

Julián Carrón
 
Caro Diretor,

Considerando a urgência quotidiana da vida, que é comum a todos e parece anular qualquer esperança, o Natal terá ainda alguma palavra a dizer? É somente uma recordação que inspira bons sentimentos ou é a notícia de um fato capaz de incidir na vida real?
«A razão da nossa esperança é a seguinte: Deus está ao nosso lado. Contudo, existe algo ainda mais surpreendente. A presença de Deus no meio da humanidade não se concretizou num mundo ideal, idílico, mas neste mundo real. Ele quis habitar na nossa história como ela é, com todo o peso dos seus limites e dos seus dramas, para nos elevar da poeira das nossas misérias, das nossas dificuldades, dos nossos pecados» (Francisco, Audiência Geral, 18 de Dezembro de 2013). Para me preparar para o grande acontecimento do Natal, durante estes dias tenho repetido a mim mesmo muitas vezes estas palavras do Santo Padre.


O Mistério gosta de desafiar-nos constantemente «neste mundo real», sem hesitar nas coisas que faz! Para isso Deus escolhe aquelas circunstâncias que melhor podem revelar aos nossos olhos quem Ele é e a extraordinária novidade que pode originar no mundo. E isso deveria alegrar cada um de nós, porque significa que então não existe situação, momento da vida, ou história, que possa impedir Deus de gerar uma coisa nova. E como nos desafia?
 
Enquanto espera o Natal, a Igreja relê os grandes episódios da vida do povo de Israel e nos mostra como Deus intervém na história. Por exemplo, apresentando-nos duas pessoas estéreis, incapazes de conceber: uma mulher de Soreá e Isabel (que virão a ser as mães de Sansão, defensor do povo judaico, e de João Batista, precursor de Cristo; cf. Juízes 13,2-7.24-25a e Lucas 1,5-25), duas mulheres que não conseguem "arrumar" de algum modo as coisas, nenhuma genialidade que possuam pode torná-las mães. É impossível, é uma coisa impossível aos homens. É desta maneira que o Senhor nos quer fazer entender que a Ele tudo é possível e, por consequência, que é possível não se desesperar, que ninguém pode dizer-se abandonado, esquecido ou condenado à própria situação, vendo nesta uma justificativa para não esperar mais. Não há nada impossível para Alguém que realiza coisas como estas: fazer com que duas mulheres estéreis se tornem mães. A imprevisível maternidade delas representa o maior desafio para a razão e para a liberdade de cada um. Não existe situação, não existe relação e convivência humana que não possam mudar. E se alguém, pensando na sua história, já se resignou, hoje novamente o Senhor desafia a sua falta de esperança.



«A tua súplica foi atendida», diz o anjo a Zacarias, «Tua esposa Isabel te dará um filho, ao qual porás o nome de João». O Evangelho define isto como «boa nova», porque nós não estamos condenados ao ceticismo nem somos aniquilados pelo fracasso de todos os nossos esforços. E não há apenas a promessa, há também o seu cumprimento, porque depois vai realmente ter o filho! Estes episódios, para quem conserva ao menos um fio de ternura por si mesmo, anunciam que é possível mudar, porque a Deus tudo é possível; para Ele basta encontrar em nós a disponibilidade de coração.

Se nós deixarmos entrar esta força de Deus, a nossa vida, como a de Zacarias, vai se encher de alegria: «Terás alegria e júbilo». Que não é somente para nós; também nos é dada para os outros: «Muitos irão se regozijar pelo seu nascimento». E esta alegria demonstra quem é Deus, quem é que está em ação no meio de nós. João «será cheio do Espírito Santo» e começará a mudar o que toca.


 



É deste modo que a liturgia da Igreja nos introduz à contemplação de uma outra mulher, desta vez virgem, de nome Maria, à qual aconteceu algo não menos misterioso que às duas mulheres estéreis: o acontecimento da Encarnação por obra do Espírito Santo, que Maria simplesmente consentiu dizendo sim. Com o Natal o Senhor nos traz este feliz anúncio. Acolhê-lo depende de cada um de nós, da nossa disponibilidade simples para nos deixarmos surpreender por Ele, que com a Sua iniciativa nos alcança constantemente aqui e agora, «neste mundo real».

Se o pedirmos e passarmos a estar disponíveis para aquilo que o Senhor está prestes a fazer no meio de nós com o Natal, muitos à nossa volta se alegrarão pelo "nosso" renascimento. Só esta novidade poderá convencer cada homem da credibilidade do anúncio cristão que chegou até ele. Basta pensar em quantos homens de todas as culturas hoje se alegram, a ponto de se sentirem mais provocados do que nunca, com a existência de alguém como o Papa Francisco, em quem o Mistério encontrou essa disponibilidade de coração.
 
O autor é Presidente da Fraternidade de Comunhão e Libertação (aqui em baixo com o Papa Francisco)

 

terça-feira, dezembro 17, 2013

quarta-feira, novembro 27, 2013

A Exortação Apostólica do Papa Francisco "A Alegria do Evangelho"



Acabou de sair a Exortação Apostólica "Evangelii Gaudium" (A Alegria do Evangelho) que pode ser encontrada no site do Vaticano em diversas possibilidades de leitura (do seu texto). A este propósito é indispensável ler o que a Renascença vai publicando sobre o assunto. Destaco este trecho das declarações de D. António Vitalino, Bispo de Beja:

Segundo D. António Vitalino muitos dos desafios lançados por Francisco se dirigem não só à Igreja, mas também aos políticos: “É uma interpelação muito forte aos políticos, aos governos, para que não tomem só medidas a partir dos interesses do capital, mas tomem medidas a partir da dignidade da pessoa humana, do bem comum, da família, e claro que aqui, mesmo nos nossos orçamentos, não podemos pôr de parte que em primeiro lugar tem de estar a dignidade da pessoa, o bem comum, a família, e não os interesses de alguns”, considera.
Só hoje vou começar a lê-la mas desde já reproduzo o que de outros amigos empenhados na Defesa da Vida, já recebi:

"213 Entre estes seres frágeis, de que a Igreja quer cuidar com predileção, estão também os nascituros, os mais inermes e inocentes de todos, a quem hoje se quer negar a dignidade humana para poder fazer deles o que apetece, tirando-lhes a vida e promovendo legislações para que ninguém o possa impedir. Muitas vezes, para ridiculizar jocosamente a defesa que a Igreja faz da vida dos nascituros, procura-se apresentar a sua posição como ideológica, obscurantista e conservadora; e no entanto esta defesa da vida nascente está intimamente ligada à defesa de qualquer direito humano. Supõe a convicção de que um ser humano é sempre sagrado e inviolável, em qualquer situação e em cada etapa do seu desenvolvimento. É fim em si mesmo, e nunca um meio para resolver outras dificuldades. Se cai esta convicção, não restam fundamentos sólidos e permanentes para a defesa dos direitos humanos, que ficariam sempre sujeitos às conveniências contingentes dos poderosos de turno. Por si só a razão é suficiente para se reconhecer o valor inviolável de qualquer vida humana, mas, se a olhamos também a partir da fé, «toda a violação da dignidade pessoal do ser humano clama por vingança junto de Deus e torna-se ofensa ao Criador do homem».

214. E precisamente porque é uma questão que mexe com a coerência interna da nossa mensagem sobre o valor da pessoa humana, não se deve esperar que a Igreja altere a sua posição sobre esta questão. A propósito, quero ser completamente honesto. Este não é um assunto sujeito a supostas reformas ou «modernizações». Não é opção progressista pretender resolver os problemas, eliminando uma vida humana. Mas é verdade também que temos feito pouco para acompanhar adequadamente as mulheres que estão em situações muito duras, nas quais o aborto lhes aparece como uma solução rápida para as suas profundas angústias, particularmente quando a vida que cresce nelas surgiu como resultado duma violência ou num contexto de extrema pobreza. Quem pode deixar de compreender estas situações de tamanho sofrimento?"

Clarinho, clarinho...



sexta-feira, outubro 11, 2013

Na morte de D. Antonio Marcelino



Morreu o Senhor D. Antonio Marcelino. Já muitos se pronunciaram sobre ele, desde Pedro Santana Lopes (aqui) a muitos outros como se pode verificar na Ecclesia. Dele recordo sobretudo:

- o empenho na luta pela liberdade de educação não apenas em termos teóricos mas na rua com todas as movimentações cívicas que nos últimos anos afirmaram publicamente a urgência desta mãe de todas as reformas de que Portugal necessita
- a afirmação num encontro há muitos anos atrás de que "a maioria dos casamentos celebrados na Igreja são nulos"
- o apoio que sempre expressou ás iniciativas dos leigos no campo político, em particular na defesa da Vida e da Família e, por fim
- o "sem papas na língua" como abordava a questão da maçonaria e o posicionamento dos católicos em face a esta (veja-se aqui neste Blog)

Que o Senhor a Quem tanto e tão bem serviu, o acolha na Sua Misericórdia, e que em comunhão com Este nos continue a acompanhar, servos inúteis que somos, mas sempre em caminho para a mesma Glória a que estamos todos destinados!


sexta-feira, setembro 20, 2013

Sobre a entrevista do Papa: excelente artigo do George Weigel

Com a devida vénia ao Blog Logos de onde o retirei:

On Pope Francis's interview: The Christ-Centered Pope - by George Weigel

In EPPC 
Perhaps the most revealing detail in Pope Francis’s lengthy interview, conducted by the Italian Jesuit Antonio Spadaro and published yesterday in English translation in the Jesuit journal America, is the pontiff’s reflection on one of his favorite Roman walks, prior to his election:
When I had to come to to Rome, I always stayed in [the neighborhood of the] Via della Scrofa. From there I often visited the Church of St. Louis of France, and I went there to contemplate the painting of “The Calling of St. Matthew” by Caravaggio. That finger of Jesus, pointing at Matthew. That’s me. I feel like him. Like Matthew. . . . This is me, a sinner on whom the Lord has turned his gaze.
The Calling of St. Matthew is an extraordinary painting in many ways, including Caravaggio’s signature use of light and darkness to heighten the spiritual tension of a scene. In this case, though, the chiaroscuro setting is further intensified by a profoundly theological artistic device: The finger of Jesus, pointing at Matthew, seems deliberately to invoke the finger of God as rendered by Michelangelo on the Sistine Chapel ceiling. Thus Caravaggio, in depicting the summons of the tax collector, unites creation and redemption, God the Father and the incarnate Son, personal call and apostolic mission.
 
That is who Jorge Mario Bergoglio is: a radically converted Christian disciple who has felt the mercy of God in his own life and who describes himself, without intending any dramatic effect, as “a sinner whom the Lord has looked upon.” Having heard the call to conversion and responded to it, Bergoglio wants to facilitate others’ hearing of that call, which never ceases to come from God through Christ and the Church.
 
And that, Bergoglio insists, is what the Church is for: The Church is for evangelization and conversion. Those who have found the new pope’s criticism of a “self-referential Church” puzzling, and those who will find something shockingly new in his critical comments, in his recent interview, about a Church reduced “to a nest protecting our mediocrity,” haven’t been paying sufficient attention. Six years ago, when the Catholic bishops of Latin America and the Caribbean met at the Brazilian shrine of Aparecida to consider the future, the archbishop of Buenos Aires, Bergoglio, was one of the principal intellectual architects of the bishops’ call to put evangelization at the center of Catholic life, and to put Jesus Christ at the center of evangelization. The Latin American Church, long used to being “kept,” once by legal establishment and then by cultural tradition, had to rediscover missionary zeal by rediscovering the Lord Jesus Christ. And so the Latin American bishops, led by Bergoglio, made in their final report a dramatic proposal that amounted to a stinging challenge to decades, if not centuries, of ecclesiastical complacency:
The Church is called to a deep and profound rethinking of its mission. . . . It cannot retreat in response to those who see only confusion, dangers, and threats. . . . What is required is confirming, renewing, and revitalizing the newness of the Gospel . . . out of a personal and community encounter with Jesus Christ that raises up disciples and missionaries. . . .
A Catholic faith reduced to mere baggage, to a collection of rules and prohibitions, to fragmented devotional practices, to selective and partial adherence to the truths of faith, to occasional participation in some sacraments, to the repetition of doctrinal principles, to bland or nervous moralizing, that does not convert the life of the baptized would not withstand the trials of time. . . . We must all start again from Christ, recognizing [with Pope Benedict XVI] that “being Christian is . . . the encounter with an event, a person, which gives life a new horizon and a decisive direction.”
The 21st-century proclamation of Christ must take place in a deeply wounded and not infrequently hostile world. In another revealing personal note, Francis spoke of his fondness for Marc Chagall’s White Crucifixion, one of the most striking religious paintings of the 20th century. Chagall’s Jesus is unmistakably Jewish, the traditional blue and white tallis or prayer-shawl replacing the loincloth on the Crucified One. But Chagall’s Christ is also a very contemporary figure, for around the Cross swirl the death-dealing political madnesses and hatreds of the 20th century. And so the pope’s regard for Chagall’s work is of a piece with his description of the Catholic Church of the 21st century as a kind of field hospital on a battlefield strewn with the human wreckage caused by false ideas of the human person and false claims of what makes for happiness. Thus Francis in his interview on the nature of the Church:
I see clearly that the thing the Church needs most today is the ability to heal wounds and to warm the hearts of the faithful; it needs nearness, proximity. I see the Church as a field hospital after battle. It is useless to ask a seriously injured person if he has high cholesterol and about the level of his blood sugars! You have to heal his wounds. Then we can talk about everything else. Heal the wounds, heal the wounds.
And how are the wounds of late-modern and postmodern humanity to be healed? Through an encounter with Jesus Christ, the Son of the living God. “The most important thing, “ Francis insisted in his interview, “is the first proclamation: Jesus Christ has saved you.” The Church of the 21st century must offer Jesus Christ as the answer to the question that is every human life (as John Paul II liked to put it). The moral law is important, and there should be no doubt that Francis believes and professes all that the Catholic Church believes and professes to be true about the moral life, the life that leads to happiness and beatitude. But he also understands that men and women are far more likely to embrace those moral truths — about the inalienable right to life from conception until natural death; about human sexuality and how it should be lived — when they have first embraced Jesus Christ as Lord. That, it seems to me, is what the pope was saying when he told Antonio Spadaro that “proclamation in a missionary style focuses on the essentials, on the necessary things.” These are what make “the heart burn: as it did for the disciples at Emmaus. . . . The proposal of the Gospel must be more simple, profound, radiant. It is from this proposition that the moral consequences then flow.”
 
Francis underscores that “the teaching of the Church is clear” on issues like abortion, euthanasia, the nature of marriage, and chastity and that he is “a son of the Church” who accepts those teachings as true. But he also knows that “when we speak about these issues, we have to talk about them in a context.” That “context” is Jesus Christ and his revelation of the truth about the human person. For as the Second Vatican Council taught inGaudium et Spes, its Pastoral Constitution on the Church in the Modern World, “It is only in the mystery of the Word made flesh that the mystery of man truly comes clear. For Adam, the first man, was the type of him who was to come. Christ the Lord, Christ the new Adam, in the very revelation of the mystery of the Father and of his love, fully reveals man to himself and brings to light his most high calling.”
 
Thus Pope Francis, the pastor who is urging a new pastoral style on his fellow bishops and fellow priests, insists that every time the Church says “no,” it does so on the basis of a higher and more compelling “yes”: yes to the dignity and value of every human life, which the Church affirms because it has embraced Jesus as Lord and proclaims him to a world increasingly tempted to measure human beings by their utility rather than their dignity.
 
Francis’s radical Christocentricity — his insistence that everything in the Church begins with Jesus Christ and must lead men and women to Jesus Christ — also sheds light on his statement that there is a hierarchy of truths in Catholicism or, as he put it, that “the dogmatic and moral teachings of the Church are not all equivalent.” That does not mean, of course, that some of those those teachings are not really, well, true; but it does mean that some truths help us make sense of other truths. The Second Vatican Council reclaimed this notion of a “hierarchy of truths” in Unitatis Redintegratio, its Decree on Ecumenism, and it’s an important idea, the pope understands, for the Church’s evangelical mission.
 
If you don’t believe in Jesus Christ as Lord — if you’ve never heard the Gospel — then you aren’t going to be very interested in what the Catholic Church has to say in Jesus’s name about what makes for human happiness and what makes for decadence and unhappiness; indeed, you’re quite likely to be hostile to what the Church says about how we ought to live. By redirecting the Church’s attention and pastoral action to the Church’s most basic responsibility — the proclamation of the Gospel and the invitation to friendship with Jesus Christ — Pope Francis is underscoring that a very badly disoriented 21st century will be more likely to pay attention to evangelists than to scolds: “We need to proclaim the Gospel on every street corner, preaching the good news of the kingdom and healing, even with our preaching, every kind of disease and wound. . . . The proclamation of the saving love of God comes before moral and religious imperatives.” The Church says “yes” before the Church says “no,” and there isn’t any “no” the Church pronounces that isn’t ultimately a reflection of the Church’s “yes” to Jesus Christ, to the Gospel, and to what Christ and the Gospel affirm about human dignity.
 
It’s going to take some time for both the Church and the world to grow accustomed to an evangelical papacy with distinctive priorities. Those who imagine the Catholic Church as an essentially political agency in which “policy” can change the way it changes when a new governor moves into an American statehouse will continue — as they did within minutes of the release of the America interview — to misrepresent Pope Francis as an advocate of doctrinal and moral change, of the sort that would be approved by the editorial board of the New York Times. This is nonsense. Perhaps more urgently, it is a distraction.
 
Jorge Mario Bergoglio is determined to redirect the Church’s attention, and the world’s attention, to Jesus Christ. In this, his papacy will be in continuity with those of John Paul II and Benedict XVI. Pope Francis is going to be radically Christ-centered in his own way, though, and some may find that way jarring. Those willing to take him in full, however, rather than excising 17 words from a 12,000-word interview, will find the context in which those 17 words make classic Catholic sense. “We cannot insist only on issues related to abortion, gay marriage, and the use of contraceptive methods,” the pope told his interviewer. Why? Because it is by insisting on conversion to Jesus Christ, on lifelong deepening of the believer’s friendship with him, and on the Church’s ministry as an instrument of the divine mercy that the Church will help others make sense of its teaching on those matters — with which the New York Times, not the Catholic Church, is obsessed — and will begin to transform a deeply wounded culture.
 

O Papa Francisco e o aborto: "Papa diz que defesa da vida “é uma verdadeira prioridade do magistério”"


Também sobre este encontro, vale a pena ler isto.


Papa diz que defesa da vida “é uma verdadeira prioridade do magistério”
Inserido em 20-09-2013 12:20
 
Francisco considera que o paradoxo dos tempos modernos é que as pessoas estão a reivindicar novos direitos, mas ninguém salvaguarda o mais importante de todos: o direito à vida.
 
O Papa referiu-se esta sexta-feira em termos muito claros ao drama do aborto e ao direito à vida, deixando muito claro que a protecção da vida é “uma verdadeira prioridade do magistério, particularmente no caso da vida indefesa, isto é, os deficientes, os doentes, os nascituros, as crianças, os idosos".

Numa audiência uma delegação de médicos católicos, Francisco foi mais longe e disse que as crianças que são “condenadas ao aborto” têm “o rosto do Senhor”, tal como os idosos cujo direito à vida não é respeitado.

Falou ainda da maternidade como “missão fundamental da mulher”, em todo o mundo, lamentando que seja nos países mais ricos que “muitas vezes a maternidade não é adequadamente considerada e promovida”.

As suas palavras surgem no dia seguinte à publicação de uma entrevista a um conjunto de revistas jesuítas, na qual afirmou que a Igreja não pode falar apenas de temas como o aborto, casamento homossexual ou contracepção.

Na audiência, o Papa sublinhou a importância do direito à vida, que não é matéria de fé, mas de ciência. "Radica na razão. Nenhuma vida é mais sagrada, mais importante que outra”, afirmou Francisco.

A mensagem é particularmente importante numa altura em que tudo aparenta ter um preço. “As coisas têm preço, podem ser vendidas, mas não as pessoas, elas não têm preço”.

O paradoxo dos tempos modernos, considera o Papa, é que as pessoas estão a reivindicar novos direitos, mas ninguém salvaguarda o mais importante de todos: o direito à vida.

[Notícia actualizada às 12h37]


Ainda a entrevista do Papa Francisco





A entrevista do Papa Francisco ás revistas dos Jesuítas já está em português.

Sobre isso vale também a pena ler: o que se publicou hoje na Aciprensa e pela alegria que dá ver um jornal diário a retomar palavras essenciais do anúncio cristão (como, por exemplo “Deus está presente na vida de todas as pessoas, mesmo se essa vida tiver sido destruída por maus hábitos, por drogas ou seja o que for”) a notícia sobre a entrevista que saiu no Público, aqui. Apesar do erro de citação da entrevista...o Público "transcreve": "Sabemos qual é a opinião da Igreja e eu sou um filho da Igreja, mas não é preciso continuar a falar disto"...mas na entrevista está: "(...) mas não é necessário falar disso continuamente»."...enfim...! ;-)