Uma iniciativa de realçar!
Com alegria me chega ao conhecimento de uma iniciativa de algumas pessoas da sociedade civil que tem recebido o apoio de muitos amigos das associações de defesa da vida. Trata-se do Abaixo Assinado Mais Vida Mais Família (lançado no passado Sábado, dia 24 de Janeiro, em Lisboa) cujo propósito é fazer sentir junto dos órgãos de decisão política que, ao contrário do que a barragem de fogo da comunicação social e dos abortistas, permitiria concluir, não recolhe o apoio de camadas significativas da população portuguesa, as propostas em discussão de referendo e de liberalização até ás 10 ou 12 semanas.
Este movimento civico tem, do ponto de vista operativo, como objecto único a promoção de um abaixo assinado (divulgarei o site onde se encontra, desde que disponível) de âmbito nacional dirigido aos órgãos de soberania com os seguintes objectivos:
1. Reafirmar que a valorização da vida humana deve continuar a merecer, no Código Penal, a protecção, a todo o tempo, da vida intra-uterina, através da definição como crime da sua violação;
2. Pedir que a Assembleia da República e o Governo, cada um dentro da sua competência específica legislativa e regulamentar, aprovem:
a) O reforço da vida e dignidade de cada ser humano, no decorrer da actual revisão constitucional;
b) Um regime legal de protecção jurídica de cada ser humano, na sua fase embrionária;
c) Iniciativas legislativas de promoção da família nos domínios fiscal, laboral, habitacional, da segurança social, da saúde e da educação;
d) E medidas concretas de defesa da vida e da dignidade de cada ser humano, em particular da mulher, muito em especial de apoio à mãe grávida em dificuldade, bem como ao recém-nascido.
Além de, na informação que me fizeram chegar, darem os seus contactos:
- Isabel Carmo Pedro (91 7334912)
- Teresa Adão da Fonseca (93 4855645)
- Luís Pereira de Almeida (93 7209125), este movimento anunciou já que são as seguintes, as associações que apoiam esta iniciativa:
- Associação Mais Família
- Associação Vida Norte
- Jovens Socialistas Católicos
- Associação Vida Universitária
- Federação Portuguesa pela Vida
- APMV - Associação Portuguesa de Maternidade e Vida
- APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas
- Juntos Pela Vida Associação
- Mulheres em Acção Associação.
Para um político é um conforto perceber que as posições que defende não são apenas pessoais mas correspondem a um movimento social que tem capacidade de mobilização, a virtude da indignação e a ousadia da sua própria afirmação. Por isso, força amigos!
Foi o diário da acção política de um deputado do PSD, eleito por Braga, e agora é-o de um cidadão que desejando contribuir activamente para a organização do bem comum, procura invadir esse âmbito (da política) com aquele gosto de vida nova que caracteriza a experiência cristã. O título "POR CAUSA DELE" faz referência ao manifesto com o mesmo título, de Comunhão e Libertação, publicado em Janeiro de 2003 (e incluído no Blog).
terça-feira, fevereiro 03, 2004
Num tempo e momento em que se procura sistematicamente deturpar a posição da Igreja Católica sobre a questão do aborto, usando e abusando de declarações dos seus responsáveis hierárquicos, são de saudar Notas como esta (do Bispo de Angra) em que a doutrina é reafirmada e esclarecida.
Sempre no entanto com esta nota que verifico cada vez mais verdadeira: para ser contra o aborto livre chega um uso adequado da razão (vide artigo recente de José António Saraiva no Expresso). A fé, "apenas" vem iluminar e confirmar a razão e, ao mesmo tempo, ajuda a fazer um juízo lúcido sobre as razões verdadeiras da atitude humana perante o aborto (próximo post com comunicado de Comunhão e Libertação).
A Nota é esta:
Diocese de Angra
NOTA PASTORAL
DEBATE SOBRE O ABORTO
1) Reacendeu-se, na sociedade portuguesa, o debate sobre o aborto. Embora, à primeira vista, possa parecer extemporâneo e com algum aproveitamento político, este debate é uma ocasião propícia para esclarecer ideias e aprofundar as questões.
De todos os quadrantes afirma-se que é uma questão de consciência. E está certo. Em tudo, é preciso agir em consciência. Só que para um católico, inclusive político, a consciência tem de ser formada à luz do ensinamento da Igreja, que importa, neste momento, explicitar.
A posição da Igreja é clara, como foi reafirmado ainda recentemente pelo Secretariado Permanente da CEP, a propósito da instrumentalização das declarações do Bispo do Porto. A Igreja opõe-se, seja ao aborto, como à sua despenalização, não sendo de sua competência determinar a pena, na ordem jurídica civil.
2) O sentido da argumentação de fundo da Igreja é este: o fruto da concepção é um novo ser humano, que iniciou a sua própria existência. Precisa ser defendido, tanto mais quanto, no caso do aborto, é uma vítima inocente e indefesa. Um Estado de Direito tem de tutelar a vida, desde o começo até ao seu termo, com leis apropriadas.
“A Igreja opõe-se a todas as tentativas legais ditas de ‘despenalização’ do aborto, não porque queira acentuar a pena, mas porque todas elas supõem a legitimação da prática do aborto, que passe a constituir um direito da mulher grávida, com intervenção activa das estruturas de saúde pública. Mesmo quando o aborto se torna permitido, como nos casos previstos na lei actualmente em vigor, do ponto de vista religioso e na ordem canónica, o aborto continua a ser uma desordem moral. Nenhuma lei civil pode alterar a verdade fundamental do carácter inviolável da vida humana, como dever moral grave, já expresso no 5º Mandamento do Decálogo” (CEP, 2003/12/16).
O aborto é uma medida drástica, que não pode ser aceite, como método de contracepção, porque elimina uma vida.
Diz-se: “A mulher é dona do seu corpo”. Mas o ser concebido não é o seu corpo; é outro corpo e outro ser. Não se podem resolver os problemas complicados, em que pode vir a encontrar-se uma mulher grávida, à custa de outra vida.
3) Na cultura actual há tanta sensibilidade – e isso é sinal de avanço da civilização – na defesa da natureza e dos animais, na protecção das crianças, em relação aos crimes de abuso sexual. E os nascituros, quem os defende?
Isto não é uma questão religiosa. É uma questão de humanidade. A Igreja não faz outra coisa senão reforçar uma posição da razão humana, iluminando-a com a luz da Revelação Divina.
O que não significa insensibilidade relativamente ao drama das mulheres, que se vêem forçadas a recorrer ao aborto, como foi expresso pelo Bispo do Porto. Não basta condenar e penalizar o aborto. Urge criar condições, para que ele não aconteça. São precisas medidas políticas de apoio à família, à mulher grávida e às crianças. Importa agir e legislar em favor da vida.
4) Falando da participação dos católicos na vida política, esclarece a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, citando João Paulo II: “Quantos se encontram directamente empenhados nas esferas da representação legislativa, têm a “clara obrigação de se opôr” a qualquer lei, que represente um atentado à vida humana. Para eles, como para todo o católico, vale a impossibilidade de participar em campanhas de opinião em favor de semelhantes leis, não sendo a ninguém consentido apoiá-las com o próprio voto... (cf. Evangelium Vitae, n. 73).
“A consciência cristã bem formada não permite a ninguém favorecer com o seu voto a realização de um programa político ou até de uma única lei, em que os conteúdos fundamentais da fé e da moral estejam subvertidos pela apresentação de propostas alternativas ou contrárias a tais conteúdos.” (Congregação para a Doutrina da Fé, Católicos na vida Política, 2003, n.º 4).
Daqui a grande responsabilidade dos católicos, inclusive políticos, quando a acção política é confrontada com princípios morais irrenunciáveis, como é o caso do aborto e da sua despenalização. Exige-se a coerência da fé, em consonância com o ensinamento da Igreja.
+ António, Bispo de Angra
Angra, 30 de Janeiro de 2004.
Sempre no entanto com esta nota que verifico cada vez mais verdadeira: para ser contra o aborto livre chega um uso adequado da razão (vide artigo recente de José António Saraiva no Expresso). A fé, "apenas" vem iluminar e confirmar a razão e, ao mesmo tempo, ajuda a fazer um juízo lúcido sobre as razões verdadeiras da atitude humana perante o aborto (próximo post com comunicado de Comunhão e Libertação).
A Nota é esta:
Diocese de Angra
NOTA PASTORAL
DEBATE SOBRE O ABORTO
1) Reacendeu-se, na sociedade portuguesa, o debate sobre o aborto. Embora, à primeira vista, possa parecer extemporâneo e com algum aproveitamento político, este debate é uma ocasião propícia para esclarecer ideias e aprofundar as questões.
De todos os quadrantes afirma-se que é uma questão de consciência. E está certo. Em tudo, é preciso agir em consciência. Só que para um católico, inclusive político, a consciência tem de ser formada à luz do ensinamento da Igreja, que importa, neste momento, explicitar.
A posição da Igreja é clara, como foi reafirmado ainda recentemente pelo Secretariado Permanente da CEP, a propósito da instrumentalização das declarações do Bispo do Porto. A Igreja opõe-se, seja ao aborto, como à sua despenalização, não sendo de sua competência determinar a pena, na ordem jurídica civil.
2) O sentido da argumentação de fundo da Igreja é este: o fruto da concepção é um novo ser humano, que iniciou a sua própria existência. Precisa ser defendido, tanto mais quanto, no caso do aborto, é uma vítima inocente e indefesa. Um Estado de Direito tem de tutelar a vida, desde o começo até ao seu termo, com leis apropriadas.
“A Igreja opõe-se a todas as tentativas legais ditas de ‘despenalização’ do aborto, não porque queira acentuar a pena, mas porque todas elas supõem a legitimação da prática do aborto, que passe a constituir um direito da mulher grávida, com intervenção activa das estruturas de saúde pública. Mesmo quando o aborto se torna permitido, como nos casos previstos na lei actualmente em vigor, do ponto de vista religioso e na ordem canónica, o aborto continua a ser uma desordem moral. Nenhuma lei civil pode alterar a verdade fundamental do carácter inviolável da vida humana, como dever moral grave, já expresso no 5º Mandamento do Decálogo” (CEP, 2003/12/16).
O aborto é uma medida drástica, que não pode ser aceite, como método de contracepção, porque elimina uma vida.
Diz-se: “A mulher é dona do seu corpo”. Mas o ser concebido não é o seu corpo; é outro corpo e outro ser. Não se podem resolver os problemas complicados, em que pode vir a encontrar-se uma mulher grávida, à custa de outra vida.
3) Na cultura actual há tanta sensibilidade – e isso é sinal de avanço da civilização – na defesa da natureza e dos animais, na protecção das crianças, em relação aos crimes de abuso sexual. E os nascituros, quem os defende?
Isto não é uma questão religiosa. É uma questão de humanidade. A Igreja não faz outra coisa senão reforçar uma posição da razão humana, iluminando-a com a luz da Revelação Divina.
O que não significa insensibilidade relativamente ao drama das mulheres, que se vêem forçadas a recorrer ao aborto, como foi expresso pelo Bispo do Porto. Não basta condenar e penalizar o aborto. Urge criar condições, para que ele não aconteça. São precisas medidas políticas de apoio à família, à mulher grávida e às crianças. Importa agir e legislar em favor da vida.
4) Falando da participação dos católicos na vida política, esclarece a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, citando João Paulo II: “Quantos se encontram directamente empenhados nas esferas da representação legislativa, têm a “clara obrigação de se opôr” a qualquer lei, que represente um atentado à vida humana. Para eles, como para todo o católico, vale a impossibilidade de participar em campanhas de opinião em favor de semelhantes leis, não sendo a ninguém consentido apoiá-las com o próprio voto... (cf. Evangelium Vitae, n. 73).
“A consciência cristã bem formada não permite a ninguém favorecer com o seu voto a realização de um programa político ou até de uma única lei, em que os conteúdos fundamentais da fé e da moral estejam subvertidos pela apresentação de propostas alternativas ou contrárias a tais conteúdos.” (Congregação para a Doutrina da Fé, Católicos na vida Política, 2003, n.º 4).
Daqui a grande responsabilidade dos católicos, inclusive políticos, quando a acção política é confrontada com princípios morais irrenunciáveis, como é o caso do aborto e da sua despenalização. Exige-se a coerência da fé, em consonância com o ensinamento da Igreja.
+ António, Bispo de Angra
Angra, 30 de Janeiro de 2004.
Finalmente de regresso e agora determinado à fidelidade...
Excelente artigo o de António José Saraiva sobre a morte do jogador do Benfica!
Sempre me impressionou, particularmente nos últimos anos, a dificuldade de aceitarmos a morte, as constantes censuras às pessoas, ao sistema, à organização, por alguém ter morrido, por uma tragédia ter provocado mortes...como se tudo estivesse nas nossas mãos...
Não sabemos o que fazer da vida, quando não aceitamos a morte...
Por isso aqui transcrevo esse artigo, com a devida vénia:
O mito da imortalidade
«Todas estas interrogações, todas estas perguntas, reflectem uma coisa: temos dificuldade em aceitar a morte.»
NÃO acontece muitas vezes.
O jogador acabara de ser punido com um cartão amarelo - e tinha ainda os olhos de milhares de espectadores em cima e as câmaras da televisão apontadas para ele.
Então, curvou-se para a frente, pôs as mãos nos joelhos e tombou para trás.
Pelo modo como o corpo caiu percebeu-se logo que já era um corpo sem vida - visto que não se protegeu, deixando a cabeça bater no chão sem um gesto de defesa.
A comoção foi geral - no campo e em casa.
Mas, passados os primeiros momentos de incredulidade, as perguntas começaram a surgir.
As insinuações.
Primeiro veladas - mas cada vez mais explícitas à medida que o tempo passava.
Teria a assistência sido a melhor?
Haveria no estádio o equipamento médico necessário para acorrer a casos destes, concretamente um «desfibrilhador»?
Não teria a ambulância demorado tempo demais?
A noite encarregar-se-ia de responder a todas as perguntas.
A assistência tinha sido impecável.
Fora feito tudo o que as regras aconselhavam: desde colocar o jogador de lado à massagem cardíaca no próprio local.
O «desfibrilhador» existia.
A ambulância entrou em campo quando a equipa médica lhe deu ordem para entrar, ou seja, quando entendeu ser o momento adequado para transportar o jogador para o hospital.
Esgotado o tema da assistência em campo, vieram então outras dúvidas.
Serão os exames aos atletas de alta competição tão completos quanto deveriam ser?
Não haverá negligência médica?
Não se poderia fazer mais?
Todas estas interrogações, todas estas perguntas, reflectem uma coisa: temos dificuldade em aceitar a morte.
Queremos encontrar sempre para ela uma justificação exterior - não admitindo que resulte de uma coisa inelutável: a vulnerabilidade da condição humana.
Queremos sempre acreditar que, se a assistência tivesse sido melhor, se houvesse mais um aparelho, se a ambulância tivesse demorado menos uns minutos, se, se, se, aquela morte poderia não ter acontecido.
No fundo, queremos convencer-nos de que a morte nunca é inevitável.
Que há sempre uma maneira de lhe escapar.
De a enganar.
De uma forma ou de outra - para nossa própria defesa - queremos todos acreditar no mito da imortalidade.
E então quando alguém morre no meio de um estádio, à vista de todos, com as câmaras de televisão em cima, custa-nos ainda mais a acreditar que aquilo é mesmo real.
Fehér era um atleta alto e belo.
Se há seres que parecem destinados à imortalidade, ele era um deles.
Quem pode portanto aceitar que na sua morte não tenha havido alguma coisa que falhou?
Que ela se deveu apenas ao facto de a condição humana ser, por natureza, frágil?
P.S. O realizador da SportTV que transmitia o jogo recusou pôr no ar imagens do rosto transfigurado de Fehér após o colapso. «Quero toda a gente fora da cara», ordenou aos operadores de câmara. Parabéns. O seu nome é Ricardo Espírito Santo.
jsaraiva@mail.expresso.pt
Excelente artigo o de António José Saraiva sobre a morte do jogador do Benfica!
Sempre me impressionou, particularmente nos últimos anos, a dificuldade de aceitarmos a morte, as constantes censuras às pessoas, ao sistema, à organização, por alguém ter morrido, por uma tragédia ter provocado mortes...como se tudo estivesse nas nossas mãos...
Não sabemos o que fazer da vida, quando não aceitamos a morte...
Por isso aqui transcrevo esse artigo, com a devida vénia:
O mito da imortalidade
«Todas estas interrogações, todas estas perguntas, reflectem uma coisa: temos dificuldade em aceitar a morte.»
NÃO acontece muitas vezes.
O jogador acabara de ser punido com um cartão amarelo - e tinha ainda os olhos de milhares de espectadores em cima e as câmaras da televisão apontadas para ele.
Então, curvou-se para a frente, pôs as mãos nos joelhos e tombou para trás.
Pelo modo como o corpo caiu percebeu-se logo que já era um corpo sem vida - visto que não se protegeu, deixando a cabeça bater no chão sem um gesto de defesa.
A comoção foi geral - no campo e em casa.
Mas, passados os primeiros momentos de incredulidade, as perguntas começaram a surgir.
As insinuações.
Primeiro veladas - mas cada vez mais explícitas à medida que o tempo passava.
Teria a assistência sido a melhor?
Haveria no estádio o equipamento médico necessário para acorrer a casos destes, concretamente um «desfibrilhador»?
Não teria a ambulância demorado tempo demais?
A noite encarregar-se-ia de responder a todas as perguntas.
A assistência tinha sido impecável.
Fora feito tudo o que as regras aconselhavam: desde colocar o jogador de lado à massagem cardíaca no próprio local.
O «desfibrilhador» existia.
A ambulância entrou em campo quando a equipa médica lhe deu ordem para entrar, ou seja, quando entendeu ser o momento adequado para transportar o jogador para o hospital.
Esgotado o tema da assistência em campo, vieram então outras dúvidas.
Serão os exames aos atletas de alta competição tão completos quanto deveriam ser?
Não haverá negligência médica?
Não se poderia fazer mais?
Todas estas interrogações, todas estas perguntas, reflectem uma coisa: temos dificuldade em aceitar a morte.
Queremos encontrar sempre para ela uma justificação exterior - não admitindo que resulte de uma coisa inelutável: a vulnerabilidade da condição humana.
Queremos sempre acreditar que, se a assistência tivesse sido melhor, se houvesse mais um aparelho, se a ambulância tivesse demorado menos uns minutos, se, se, se, aquela morte poderia não ter acontecido.
No fundo, queremos convencer-nos de que a morte nunca é inevitável.
Que há sempre uma maneira de lhe escapar.
De a enganar.
De uma forma ou de outra - para nossa própria defesa - queremos todos acreditar no mito da imortalidade.
E então quando alguém morre no meio de um estádio, à vista de todos, com as câmaras de televisão em cima, custa-nos ainda mais a acreditar que aquilo é mesmo real.
Fehér era um atleta alto e belo.
Se há seres que parecem destinados à imortalidade, ele era um deles.
Quem pode portanto aceitar que na sua morte não tenha havido alguma coisa que falhou?
Que ela se deveu apenas ao facto de a condição humana ser, por natureza, frágil?
P.S. O realizador da SportTV que transmitia o jogo recusou pôr no ar imagens do rosto transfigurado de Fehér após o colapso. «Quero toda a gente fora da cara», ordenou aos operadores de câmara. Parabéns. O seu nome é Ricardo Espírito Santo.
jsaraiva@mail.expresso.pt
terça-feira, janeiro 13, 2004
Para este dia em que se realiza mais uma sessão do julgamento de Aveiro, preparei este artigo de opinião que o Público não reproduz (limita-se a referir duas frases na notícia sobre o assunto). Reproduzo então aqui:
Aveiro: Estardalhaço e razões
Hoje 13 de Janeiro devemos ter direito ao estardalhaço mediático do costume: manifestações à porta do Tribunal e declarações inflamadas nos media. Esperando que este artigo fure a barreira de silêncio que a comunicação social constrói em torno das nossas posições, elenco em dez pontos as razões do Não ao aborto livre.
1.Choca-nos a violência dos impropérios que chovem sobre nós. Essa atitude mata a possibilidade de se dar e ouvir razões. Afinal, quem está sempre disponível para condenar?
2.No aborto a questão central para nós é o direito à vida da criança por nascer. Não repugna aos abortistas que um ser humano seja esquartejado, aspirado ou envenenado e depois lançado num caixote de lixo?
3.O direito à Vida é uma questão civilizacional. Consagrado na Declaração Universal dos Direitos do Homem, na Declaração dos Direitos da Criança e na Constituição Portuguesa. Defender a Vida é defender o Estado de Direito.
4.Depois do bebé a maior vítima do aborto é a mulher que o pratica. O trauma físico e psicológico encontra-se mesmo já identificado em termos médicos. O aborto livre é uma agressão à mulher, aos seus direitos e aos princípios da igualdade.
5.O grande desafio do aborto é também um desafio social: aceitamos viver numa sociedade onde não há lugar para aquela criança que foi gerada?
6. Os defensores do Não, ao contrário dos seus opositores, não cruzaram os braços depois do referendo. Desde Junho de 1998 nasceram já duas dezenas de associações com linhas telefónicas de apoio, balcões de atendimento e encaminhamento de ajuda, centros de acolhimento para crianças e grávidas em risco, acções de planeamento familiar e educação sexual. Que fez o Sim?
7.A criminalização é para nós justa mas instrumental. Ao direito penal compete e bem, sancionar quem desrespeite o direito à vida, e aos tribunais julgar, atendendo (como acontece com todos os ilícitos penais) às circunstâncias de quem e em que o crime é praticado.
8.Mas o aborto não pode nunca transformar-se num direito. E nenhuma circunstância justifica que em plena liberdade (independentemente de coacção) seja praticado este crime. Não tergiversamos neste ponto (da penalização) e não cedemos à pressão da mentalidade comum (como não cederam os que se opuseram à escravatura e à pena de morte).
9.Incoerências dos abortistas: às onze (ou treze, conforme as semanas que se propõem) semanas já é licito e justo condenar uma mulher? Quem se quer isentar de pena: as mulheres ou também os “médicos” e as “parteiras”?
10.Nunca nos entenderá, nem entenderá a nossa posição, quem não perceber que este é o nosso compromisso: “Não parar enquanto nas nossas sociedades for possível encontrar uma mulher que diga: eu abortei porque não encontrei quem me ajudasse”!
António Pinheiro Torres, fundador dos Juntos pela Vida, deputado do PSD
Aveiro: Estardalhaço e razões
Hoje 13 de Janeiro devemos ter direito ao estardalhaço mediático do costume: manifestações à porta do Tribunal e declarações inflamadas nos media. Esperando que este artigo fure a barreira de silêncio que a comunicação social constrói em torno das nossas posições, elenco em dez pontos as razões do Não ao aborto livre.
1.Choca-nos a violência dos impropérios que chovem sobre nós. Essa atitude mata a possibilidade de se dar e ouvir razões. Afinal, quem está sempre disponível para condenar?
2.No aborto a questão central para nós é o direito à vida da criança por nascer. Não repugna aos abortistas que um ser humano seja esquartejado, aspirado ou envenenado e depois lançado num caixote de lixo?
3.O direito à Vida é uma questão civilizacional. Consagrado na Declaração Universal dos Direitos do Homem, na Declaração dos Direitos da Criança e na Constituição Portuguesa. Defender a Vida é defender o Estado de Direito.
4.Depois do bebé a maior vítima do aborto é a mulher que o pratica. O trauma físico e psicológico encontra-se mesmo já identificado em termos médicos. O aborto livre é uma agressão à mulher, aos seus direitos e aos princípios da igualdade.
5.O grande desafio do aborto é também um desafio social: aceitamos viver numa sociedade onde não há lugar para aquela criança que foi gerada?
6. Os defensores do Não, ao contrário dos seus opositores, não cruzaram os braços depois do referendo. Desde Junho de 1998 nasceram já duas dezenas de associações com linhas telefónicas de apoio, balcões de atendimento e encaminhamento de ajuda, centros de acolhimento para crianças e grávidas em risco, acções de planeamento familiar e educação sexual. Que fez o Sim?
7.A criminalização é para nós justa mas instrumental. Ao direito penal compete e bem, sancionar quem desrespeite o direito à vida, e aos tribunais julgar, atendendo (como acontece com todos os ilícitos penais) às circunstâncias de quem e em que o crime é praticado.
8.Mas o aborto não pode nunca transformar-se num direito. E nenhuma circunstância justifica que em plena liberdade (independentemente de coacção) seja praticado este crime. Não tergiversamos neste ponto (da penalização) e não cedemos à pressão da mentalidade comum (como não cederam os que se opuseram à escravatura e à pena de morte).
9.Incoerências dos abortistas: às onze (ou treze, conforme as semanas que se propõem) semanas já é licito e justo condenar uma mulher? Quem se quer isentar de pena: as mulheres ou também os “médicos” e as “parteiras”?
10.Nunca nos entenderá, nem entenderá a nossa posição, quem não perceber que este é o nosso compromisso: “Não parar enquanto nas nossas sociedades for possível encontrar uma mulher que diga: eu abortei porque não encontrei quem me ajudasse”!
António Pinheiro Torres, fundador dos Juntos pela Vida, deputado do PSD
segunda-feira, janeiro 12, 2004
Como ainda não sei colocar um endereço de correio electrónico neste Blog (aceitam-se informações), aqui vai um, criado para o efeito: pinheirotorres@hotmail.com
Já agora: como se pode inserir um contador?
Obrigado desde já pelos contributos!
Já agora: como se pode inserir um contador?
Obrigado desde já pelos contributos!
Muito importante foi a entrevista do Professor Oliveira e Silva na revista Pública, no Domingo (ontem). Uma conclusão certeira (a Educação Sexual interdisciplinar em Portugal não está a resultar) e algum bom senso (não é bom, em termos de saúde pública, não se trata de moral!, começar a vida sexual muito cedo). Depois algum irrealismo (a insistência na pílula do dia seguinte, apesar de em várias linhas se manifestar assustado com o crescimento do respectivo consumo e enumerar vários dos seus males!) e uma insistência em " mais do mesmo" (como aconteceu em França). Apesar de tudo revela uma consciência nova e, vindo de onde vem, é totalmente insuspeito...começa a abrir-se o debate.
Amanhã (13 de Janeiro) teremos uma nova sessão do julgamento que decorre em Aveiro. Adivinho o estralhadaço que os abortistas vão fazer: manifestações à porta do Tribunal (sempre hesitámos em estar presentes, apesar de perdermos a hipótese de comunicação correspondente, porque, ao contrário dos partidários do Sim, temos um respeito verdadeiro pelas pessoas que são julgadas!) e declarações inflamadas na comunicação social (alguns artigos de opinião e muito espaço nas "notícias" que serão publicadas).
Escrevi um artigo sobre a questão que espero seja publicado num jornal diário. Se assim não acontecer amanhã publicá-lo-ei aqui (sempre o farei, aliás, mesmo quando tiver a "sorte" de o ver em letra de imprensa).
Entretanto o nosso trabalho continua, nas duas dezenas de associações nascidas depois de Junho de 1998: acções de planeamento familiar e educação sexual, linhas telefónicas de apoio, centros de acolhimento para grávidas e crianças, balcões de atendimento e encaminhamento de ajuda. As pessoas reais (as que existem mesmo, não as dos discursos!) precisam de ser ajudadas para escapar ao drama do aborto e bem perdidas estavam se estivessem à espera dos "humanitários" despenalizadores de serviço...
Escrevi um artigo sobre a questão que espero seja publicado num jornal diário. Se assim não acontecer amanhã publicá-lo-ei aqui (sempre o farei, aliás, mesmo quando tiver a "sorte" de o ver em letra de imprensa).
Entretanto o nosso trabalho continua, nas duas dezenas de associações nascidas depois de Junho de 1998: acções de planeamento familiar e educação sexual, linhas telefónicas de apoio, centros de acolhimento para grávidas e crianças, balcões de atendimento e encaminhamento de ajuda. As pessoas reais (as que existem mesmo, não as dos discursos!) precisam de ser ajudadas para escapar ao drama do aborto e bem perdidas estavam se estivessem à espera dos "humanitários" despenalizadores de serviço...
Entre os movimentos cívicos em que me encontro empenhado, saliento:
Na defesa da Vida (e desde 1997, data em que integrei o respectivo grupo fundador): Juntos pela Vida, cujo site é: www.terravista.pt/enseada/1881
Nas questões da droga (integrei o grupo executivo do respectivo movimento pró-referendo, quando em 2000 ou 2001, o Governo, então do Partido Socialista, despenalizou o consumo de drogas, este movimento acabou por recolher apenas 65.000 assinaturas, uma vez que o assunto tendo saído de agenda, perdeu o seu impacto inicial): www.referendo-droga.org
Na exigência de uma referência expressa ao cristianismo no Preâmbulo do novo Tratado Europeu: www.referencia-cristianismo.org (conforme consta do respectivo site, este movimento, em apenas quatro semanas angariou quase 71.000 assinaturas)
Além disso faço também parte do núcleo fundador (sou Presidente do respetivo Conselho Fiscal) da Ajuda de Berço, um centro de acolhimento para crianças abandonadas ou em risco, do recém-nascido, aos 3 anos, que tem um site onde através de um simples clique é possível ajudar financeiramente a Associação:
www.jazzcidadania.org/colo
Enfim, um conjunto de iniciativas em cuja experiência baseio algumas das posições que venho tomando.
Na defesa da Vida (e desde 1997, data em que integrei o respectivo grupo fundador): Juntos pela Vida, cujo site é: www.terravista.pt/enseada/1881
Nas questões da droga (integrei o grupo executivo do respectivo movimento pró-referendo, quando em 2000 ou 2001, o Governo, então do Partido Socialista, despenalizou o consumo de drogas, este movimento acabou por recolher apenas 65.000 assinaturas, uma vez que o assunto tendo saído de agenda, perdeu o seu impacto inicial): www.referendo-droga.org
Na exigência de uma referência expressa ao cristianismo no Preâmbulo do novo Tratado Europeu: www.referencia-cristianismo.org (conforme consta do respectivo site, este movimento, em apenas quatro semanas angariou quase 71.000 assinaturas)
Além disso faço também parte do núcleo fundador (sou Presidente do respetivo Conselho Fiscal) da Ajuda de Berço, um centro de acolhimento para crianças abandonadas ou em risco, do recém-nascido, aos 3 anos, que tem um site onde através de um simples clique é possível ajudar financeiramente a Associação:
www.jazzcidadania.org/colo
Enfim, um conjunto de iniciativas em cuja experiência baseio algumas das posições que venho tomando.
Na origem do título do meu Blog está este Manifesto de Comunhão e Libertação, razão suficiente para que aqui o reproduza:
POR CAUSA DELE: O Centro da liberdade
Há cerca de um ano, por ocasião das eleições legislativas, o Manifesto por nós
apresentado terminava assim:
“Não é tanto a esperança num projecto político que nos move a este
compromisso, mas sim a confiança inabalável no acontecimento cristão, de que
somos parte e testemunha. É este acontecimento vivo que dá a força e a razão
para arriscar e que nos torna serenos diante dos erros e fracassos, mas também
certos de uma vitória que, não sendo nossa, se exprime na unidade que nos
constitui.”
Um ano depois, reconhece-se uma mudança apesar de uma cortina de fumo
fundada na ideologia e no desespero, que não deixa transparecer a positividade
de muitas das novas políticas, bem como a maior liberdade que estas oferecem.
Ainda assim, atravessamos um momento difícil da História do nosso País. Por
todo o lado é visível o desmoronar programado das bases de sustento da nossa
cultura – nada escapa à pressão sistemática de uma comunicação social apostada
em criar um público homologado e embrutecido, sequioso de espectáculo a
qualquer preço. Poder, dinheiro, ideologia, prazer ou comodidade de vida são os
novos ídolos.
Neste contexto, é fácil absorver a desorientação geral e cair ou no lamento
amargo sobre a tristeza e sem-sentido dos nossos dias, ou num optimismo
superficial que não resiste à passagem do tempo. Só uma posição que não
censure o drama e reconheça a beleza de uma humanidade em caminho, para
quem a contradição não seja pretexto para perder de vista o ideal encarnado,
pode dizer alguma coisa de verdadeiramente novo.
A nossa esperança só pode agarrar-se a esta Presença que nos é recordada pelo
Natal – “Um acontecimento que nos surpreende cada ano”. Nada se pode
substituir ao seguimento que Cristo nos pede. E Ele pede que o homem o siga
também exteriormente, socialmente (como nos recordava a Escola de
Comunidade: cfr. Na Origem da pretensão Cristã, p 71).
“Cristo coloca a sua própria pessoa no centro dos sentimentos naturais. Ele
coloca-se, de pleno direito, como a sua verdadeira raíz.”
“Ou O aceitamos e torna-se amor ou O recusamos e torna-se hostilidade”.
Janeiro 2003
COMUNHÃO E LIBERTAÇÃO
POR CAUSA DELE: O Centro da liberdade
Há cerca de um ano, por ocasião das eleições legislativas, o Manifesto por nós
apresentado terminava assim:
“Não é tanto a esperança num projecto político que nos move a este
compromisso, mas sim a confiança inabalável no acontecimento cristão, de que
somos parte e testemunha. É este acontecimento vivo que dá a força e a razão
para arriscar e que nos torna serenos diante dos erros e fracassos, mas também
certos de uma vitória que, não sendo nossa, se exprime na unidade que nos
constitui.”
Um ano depois, reconhece-se uma mudança apesar de uma cortina de fumo
fundada na ideologia e no desespero, que não deixa transparecer a positividade
de muitas das novas políticas, bem como a maior liberdade que estas oferecem.
Ainda assim, atravessamos um momento difícil da História do nosso País. Por
todo o lado é visível o desmoronar programado das bases de sustento da nossa
cultura – nada escapa à pressão sistemática de uma comunicação social apostada
em criar um público homologado e embrutecido, sequioso de espectáculo a
qualquer preço. Poder, dinheiro, ideologia, prazer ou comodidade de vida são os
novos ídolos.
Neste contexto, é fácil absorver a desorientação geral e cair ou no lamento
amargo sobre a tristeza e sem-sentido dos nossos dias, ou num optimismo
superficial que não resiste à passagem do tempo. Só uma posição que não
censure o drama e reconheça a beleza de uma humanidade em caminho, para
quem a contradição não seja pretexto para perder de vista o ideal encarnado,
pode dizer alguma coisa de verdadeiramente novo.
A nossa esperança só pode agarrar-se a esta Presença que nos é recordada pelo
Natal – “Um acontecimento que nos surpreende cada ano”. Nada se pode
substituir ao seguimento que Cristo nos pede. E Ele pede que o homem o siga
também exteriormente, socialmente (como nos recordava a Escola de
Comunidade: cfr. Na Origem da pretensão Cristã, p 71).
“Cristo coloca a sua própria pessoa no centro dos sentimentos naturais. Ele
coloca-se, de pleno direito, como a sua verdadeira raíz.”
“Ou O aceitamos e torna-se amor ou O recusamos e torna-se hostilidade”.
Janeiro 2003
COMUNHÃO E LIBERTAÇÃO
Procuro verificar se finalmente consegui iniciar o meu blog...o registo realizei-o durante o Natal entre a imediatez de procurar responder ao indulto pelo Presidente da República de uma "parteira" de abortos (a quem escrevi uma carta aberta que aguarda publicação por um jornal diário...é impressionante a cintura de silêncio que a comunicação social conseguiu erguer em torno das posições do Não ao aborto livre!) e a calma e disponibilidade daqueles dias.
Procurarei neste dar conta da minha actividade política, como deputado independente pelo PSD, eleito pelo Círculo Eleitoral de Braga e também como integrante de diversos movimentos cívicos (que divulgarei em próximo post) e também das posições públicas correspondentes.
Aguardo com curiosidade os comentários e perguntas dos meus futuros leitores!
Procurarei neste dar conta da minha actividade política, como deputado independente pelo PSD, eleito pelo Círculo Eleitoral de Braga e também como integrante de diversos movimentos cívicos (que divulgarei em próximo post) e também das posições públicas correspondentes.
Aguardo com curiosidade os comentários e perguntas dos meus futuros leitores!
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