A trapalhada e a precipitação parlamentar do Partido Socialista (muito empurrada pelo BE) terminaram como era fatal: num estouro! A direcção de grupo parlamentar mais inepta de sempre (e totalmente nas mãos do Dr. Louçã) provocou o Presidente da República e entalou o Primeiro-Ministro...o que valeu ao país foram o sentido de responsabilidade do Presidente, a coragem do Primeiro-Ministro e a cultura democrática de ambos. Bem como a independência do Tribunal Constitucional. O futuro se verá...
Entretanto a Associação Juntos pela Vida, publicou o seguinte
COMUNICADO
1. A Associação Juntos pela Vida
· Saúda o Primeiro Ministro, Eng. José Sócrates e o PS pela decisão de não retirar aos portugueses a possibilidade de decidirem em referendo sobre a liberalização do aborto em Portugal.
· Saúda o Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio pela decisão de remeter ao Tribunal Constitucional a questão.
· Denuncia as posições totalitárias e anti-democráticas do PCP e do BE de forçarem a alteração da lei do aborto na Assembleia da República. Em especial o BE que em menos de dois meses defendeu uma posição e a sua contrária sem se aperceber do ridículo espectáculo que deu aos portugueses.
2. A Associação Juntos pela Vida continua empenhada em discutir soluções sociais para esta questão social e por isso desafia os deputados na AR a
· Adjudicarem o estudo sobre a realidade do aborto em Portugal conforme a resolução aprovada há mais de dois anos e que continua a sofrer um incomprensível “veto de gaveta” da AR;
· Debaterem em plenário a petição que mais de 217 mil portuguesas e portugueses dirigiram aos Senhores deputados solicitando mais e melhores políticas de apoio à família e à maternidade;
· Denuciarem as intenções poucos claras e nada fundamentadas do Ministério da Saúde em promover o negócio do aborto à custa dos impostos dos portugueses.
3. A Associação Juntos pela Vida opõe-se inteiramente à liberalização do aborto, violação directa do direito à vida da criança não nascida. Mais, opõe-se ao aborto enquanto agressão à mãe que o realiza, dado os laços inquebráveis que unem sempre e em qualquer circunstância família, mãe e filho.
4. A Associação Juntos pela Vida declara mais uma vez o seu compromisso em dar todo o apoio às mulheres, mães e famílias que dele precisem, para que em Portugal não se possa dizer “eu abortei pois não tinha outra solução”.
Lisboa, 28 de Outubro de 2005
Foi o diário da acção política de um deputado do PSD, eleito por Braga, e agora é-o de um cidadão que desejando contribuir activamente para a organização do bem comum, procura invadir esse âmbito (da política) com aquele gosto de vida nova que caracteriza a experiência cristã. O título "POR CAUSA DELE" faz referência ao manifesto com o mesmo título, de Comunhão e Libertação, publicado em Janeiro de 2003 (e incluído no Blog).
domingo, outubro 30, 2005
Aborto: referendo chumbado e Juntos pela Vida
terça-feira, outubro 25, 2005
Portugal e a depressão nacional
Recebido de um amigo, há já alguns dias:
"Vivemos, num país mesmo triste...até o Furacão Vince, quando se apercebeu que vinha para Portugal, passou rapidamente a Depressão."... :-)
"Vivemos, num país mesmo triste...até o Furacão Vince, quando se apercebeu que vinha para Portugal, passou rapidamente a Depressão."... :-)
segunda-feira, outubro 24, 2005
Aborto, referendo e Presidente da República
De um amigo, recebi este comentário, que subscrevo integralmente:
"Sampaio há três dias: “não cabe ao presidente pronunciar-se sobre rumores.”
Sampaio vária vezes: “quando no estrangeiro o presidente não comenta assuntos de política interna”
Nunca mais chegam as eleições?"... :-)
"Sampaio há três dias: “não cabe ao presidente pronunciar-se sobre rumores.”
Sampaio vária vezes: “quando no estrangeiro o presidente não comenta assuntos de política interna”
Nunca mais chegam as eleições?"... :-)
Aborto, Referendo e Presidente da República
Recebi este comentário, de um amigo, que subscrevo completamente:
"Sampaio há três dias: “não cabe ao presidente pronunciar-se sobre rumores.”
Sampaio vária vezes: “quando no estrangeiro o presidente não comenta assuntos de política interna”
Nunca mais chegam as eleições?"
"Sampaio há três dias: “não cabe ao presidente pronunciar-se sobre rumores.”
Sampaio vária vezes: “quando no estrangeiro o presidente não comenta assuntos de política interna”
Nunca mais chegam as eleições?"
domingo, setembro 25, 2005
A Televisão e os pirómanos (artigo de Pedro Afonso)
O meu amigo Pedro Afonso, Psiquiatra, enviou-me este artigo de sua autoria que penso, atenta a sua condição profissional, deve ser levado em conta:
A televisão e os pirómanos
Neste verão arderam mais de 180 000 hectares de terreno por todo o país. As várias televisões noticiaram a tragédia em longas horas de emissões. Para além dos excepcionais factores climatéricos, a falta de limpeza das matas, etc., parece existir um certo consenso que muitos dos incêndios tiveram “mão criminosa”.
Constata-se que tem havido frequentemente uma abordagem sensacionalista deste fenómeno por parte de alguma comunicação social, por exemplo, com jornalistas a colocarem em risco (a meu ver desnecessariamente) a sua própria vida ─ com fagulhas acesas por todo o lado, a tossirem em directo para os microfones intoxicados pelo fumo ─ , ou apresentando com dramatismo algumas vítimas desta calamidade.
É sabido que actualmente a luta pelas audiências conduz a um tipo de jornalismo que não relata somente a tragédia, como também procura expor (muitas vezes até à “náusea”) as reacções emocionais das vítimas dessa mesma fatalidade, criando deste modo uma espécie de “dupla notícia”.
Não pretendo defender qualquer tipo de censura, mas antes reflectir sobre a forma como a cobertura jornalística desta catástrofe, poderá ela própria estar a contribuir (involuntariamente) para aumentá-la.
Certamente, que para além de alguns interesses económicos que estarão por detrás de alguns fogos, e de outras motivações psicopáticas, muitos deles serão obra de pirómanos.
Sabemos que há situações especiais cujo tratamento jornalístico deverá obedecer a determinados critérios. Um dos exemplos clássicos é o suicídio. Após a notícia de um suicídio, surgem frequentemente fenómenos de imitação, com a ocorrência de vários suicídios em cadeia. Por isso, este é um assunto que deve ser tratado com a maior delicadeza e ponderação uma vez que pode colocar em risco pessoas que se encontram numa situação de grande fragilidade, necessitando apenas de um pretexto para porem termo à vida. Um dos famosos exemplos foi dado por Goethe, através da publicação do seu livro Os sofrimentos do jovem Werther (1774). O sucesso deste romance trouxe consigo uma série de graves problemas, já que influenciados pelo seu romantismo, jovens leitores por toda a Europa, lançaram-se nas suas paixões e tomados por um sentimento de liberdade acabaram por se suicidar em larga escala.
Um pirómano tem um comportamento incendiário deliberado, repetitivo e que não visa o lucro, sabotagem, retaliação ou qualquer forma de expressão política. O acto incendiário é normalmente precedido de um aumento de tensão ou activação afectiva. Estes indivíduos experimentam um prazer intenso, uma gratificação e alívio da tensão quando ateiam incêndios. Podem ser indiferentes às consequências dos fogos ou sentirem mesmo uma satisfação pela perda de bens e haveres. São frequentemente espectadores do incêndio, mostrando interesse nos vários aspectos relacionados com o fogo, podendo inclusivamente participarem na sua extinção. Deste modo, existe por parte do indivíduo, uma fascinação, atracção e curiosidade pelo incêndio e seu contexto situacional.
Em suma, o pirómano não pode ter maior prazer do que assistir a uma reportagem televisiva pormenorizada da sua “obra”: o fogo.
Estou convicto que este verão assistimos pela televisão a um concurso nacional de pirómanos! Imagino-os colados ao ecrã do televisor tentando perceber qual deles é que conseguiu atear o maior incêndio! Por isso, há que repensar no futuro sobre a forma como deve ser feita a reportagem jornalística deste tipo de catástrofe, de modo a não amplificar o próprio fenómeno piromaníaco.
Ao contrário do que acontece com as bruxas, no caso dos pirómanos é preciso acreditar neles, porque existem de facto!
Pedro Afonso
pedromafonso@netcabo.pt
A televisão e os pirómanos
Neste verão arderam mais de 180 000 hectares de terreno por todo o país. As várias televisões noticiaram a tragédia em longas horas de emissões. Para além dos excepcionais factores climatéricos, a falta de limpeza das matas, etc., parece existir um certo consenso que muitos dos incêndios tiveram “mão criminosa”.
Constata-se que tem havido frequentemente uma abordagem sensacionalista deste fenómeno por parte de alguma comunicação social, por exemplo, com jornalistas a colocarem em risco (a meu ver desnecessariamente) a sua própria vida ─ com fagulhas acesas por todo o lado, a tossirem em directo para os microfones intoxicados pelo fumo ─ , ou apresentando com dramatismo algumas vítimas desta calamidade.
É sabido que actualmente a luta pelas audiências conduz a um tipo de jornalismo que não relata somente a tragédia, como também procura expor (muitas vezes até à “náusea”) as reacções emocionais das vítimas dessa mesma fatalidade, criando deste modo uma espécie de “dupla notícia”.
Não pretendo defender qualquer tipo de censura, mas antes reflectir sobre a forma como a cobertura jornalística desta catástrofe, poderá ela própria estar a contribuir (involuntariamente) para aumentá-la.
Certamente, que para além de alguns interesses económicos que estarão por detrás de alguns fogos, e de outras motivações psicopáticas, muitos deles serão obra de pirómanos.
Sabemos que há situações especiais cujo tratamento jornalístico deverá obedecer a determinados critérios. Um dos exemplos clássicos é o suicídio. Após a notícia de um suicídio, surgem frequentemente fenómenos de imitação, com a ocorrência de vários suicídios em cadeia. Por isso, este é um assunto que deve ser tratado com a maior delicadeza e ponderação uma vez que pode colocar em risco pessoas que se encontram numa situação de grande fragilidade, necessitando apenas de um pretexto para porem termo à vida. Um dos famosos exemplos foi dado por Goethe, através da publicação do seu livro Os sofrimentos do jovem Werther (1774). O sucesso deste romance trouxe consigo uma série de graves problemas, já que influenciados pelo seu romantismo, jovens leitores por toda a Europa, lançaram-se nas suas paixões e tomados por um sentimento de liberdade acabaram por se suicidar em larga escala.
Um pirómano tem um comportamento incendiário deliberado, repetitivo e que não visa o lucro, sabotagem, retaliação ou qualquer forma de expressão política. O acto incendiário é normalmente precedido de um aumento de tensão ou activação afectiva. Estes indivíduos experimentam um prazer intenso, uma gratificação e alívio da tensão quando ateiam incêndios. Podem ser indiferentes às consequências dos fogos ou sentirem mesmo uma satisfação pela perda de bens e haveres. São frequentemente espectadores do incêndio, mostrando interesse nos vários aspectos relacionados com o fogo, podendo inclusivamente participarem na sua extinção. Deste modo, existe por parte do indivíduo, uma fascinação, atracção e curiosidade pelo incêndio e seu contexto situacional.
Em suma, o pirómano não pode ter maior prazer do que assistir a uma reportagem televisiva pormenorizada da sua “obra”: o fogo.
Estou convicto que este verão assistimos pela televisão a um concurso nacional de pirómanos! Imagino-os colados ao ecrã do televisor tentando perceber qual deles é que conseguiu atear o maior incêndio! Por isso, há que repensar no futuro sobre a forma como deve ser feita a reportagem jornalística deste tipo de catástrofe, de modo a não amplificar o próprio fenómeno piromaníaco.
Ao contrário do que acontece com as bruxas, no caso dos pirómanos é preciso acreditar neles, porque existem de facto!
Pedro Afonso
pedromafonso@netcabo.pt
Sobre a Ota: história de dois aeroportos
De um bom amigo, meu colega na legislatura anterior, recebi este texto que a ser verdadeiro (não o pude confirmar e não é de sua autoria), seria trágico. Publico-o porque não tendo mais do que o bom senso para me orientar e fiando-me no que fui lendo, considero esta história da Ota, um verdadeiro disparate. Estando porém com muito gosto disposto a ser convencido do contrário (porque este tipo de projectos arrastam sempre muitos sectores económicos e, nesse sentido, são bons) até porque muito aliviado ficaria se não fosse um novo elefante branco...
Mas o texto diz isto:
"Uma história de 2 aeroportos:
Áreas: - Aeroporto de Málaga: 320 hectares;
- Aeroporto de Lisboa: 520 hectares.
Pistas: - Aeroporto de Málaga: 1 pista;
- Aeroporto de Lisboa: 2 pistas.
Tráfego (2004): - Aeroporto de Málaga: 12 milhões de passageiros, taxa de crescimento, 7% a 8%ao ano.
- Aeroporto de Lisboa: 10,7 milhões de passageiros, taxa de crescimento4,5% ao ano.
Soluções para o aumento de capacidade:
Málaga: - 1 novo terminal, investimento de 191 milhões de euros, capacidade 20milhões de passageiros/ano. O aeroporto continua a 8 Km da cidade e continua a ter uma só pista.
Lisboa: - 1 novo aeroporto, 3.000 a 5.000 milhões de euros, solução faraónica a40Km da cidade."
É de causar calafrios, não é?
Mas o texto diz isto:
"Uma história de 2 aeroportos:
Áreas: - Aeroporto de Málaga: 320 hectares;
- Aeroporto de Lisboa: 520 hectares.
Pistas: - Aeroporto de Málaga: 1 pista;
- Aeroporto de Lisboa: 2 pistas.
Tráfego (2004): - Aeroporto de Málaga: 12 milhões de passageiros, taxa de crescimento, 7% a 8%ao ano.
- Aeroporto de Lisboa: 10,7 milhões de passageiros, taxa de crescimento4,5% ao ano.
Soluções para o aumento de capacidade:
Málaga: - 1 novo terminal, investimento de 191 milhões de euros, capacidade 20milhões de passageiros/ano. O aeroporto continua a 8 Km da cidade e continua a ter uma só pista.
Lisboa: - 1 novo aeroporto, 3.000 a 5.000 milhões de euros, solução faraónica a40Km da cidade."
É de causar calafrios, não é?
sábado, setembro 24, 2005
Candidatura à Presidência da República de Luís Botelho Ribeiro
Luís Botelho Ribeiro, Professor na Universidade do Minho, decidiu candidatar-se à Presidência da República. Conheço-o de há uns anos para cá no âmbito da movimentação civica de defesa da Vida. Estivemos já juntos numa "operação" recente e conheço-lhe a generosidade e o empenho que põe nas coisas em que acredita.
O que me parece mover esta candidatura é sobretudo um desejo de participação civica, de que Portugal não desista de si próprio e que os políticos e os partidos que nos goveram não detenham o monopólio da possibilidade de expressão pública e exercício do poder. Depois existem algumas ideias mais originais (tipo a deslocação da Presidência da República para Guimarães) que tem sobretudo a movê-las o desejo de chamar a atenção para problemas reais do país (no exemplo, a excessiva concentração de poder em Lisboa).
Comprometido como estou desde há muito com uma outra (e ainda não anunciada ;-) candidatura presidencial não o poderei apoiar. No entanto desejo-lhe as maiores felicidades, sobretudo nesta fase de angariação das indispensáveis 7.500 assinaturas!
Para quem quiser saber mais: http://www.botelhoribeiro.org/
O que me parece mover esta candidatura é sobretudo um desejo de participação civica, de que Portugal não desista de si próprio e que os políticos e os partidos que nos goveram não detenham o monopólio da possibilidade de expressão pública e exercício do poder. Depois existem algumas ideias mais originais (tipo a deslocação da Presidência da República para Guimarães) que tem sobretudo a movê-las o desejo de chamar a atenção para problemas reais do país (no exemplo, a excessiva concentração de poder em Lisboa).
Comprometido como estou desde há muito com uma outra (e ainda não anunciada ;-) candidatura presidencial não o poderei apoiar. No entanto desejo-lhe as maiores felicidades, sobretudo nesta fase de angariação das indispensáveis 7.500 assinaturas!
Para quem quiser saber mais: http://www.botelhoribeiro.org/
quarta-feira, setembro 14, 2005
Por uma política autárquica de família!
A Associação Famílias emitiu ontem esta carta aberta que aqui reproduzo por nela estarem incluídos os prinicpais pontos de uma política como a reivindicada no título deste post.
Parabéns ao Dr. Carlos Gomes (o presidente da Associação) pela iniciativa!
Carta Aberta a todos os Candidatos Autárquicos
Associação Famílias Setembro de 2005
Caro Candidato:
Aproxima-se o período de campanha eleitoral que culmina em 9 de Outubro com a (re)eleição de (novas) equipas de gestão das autarquias. Por isso, e na sequência daquela, ultimam-se os programas eleitorais que, espera-se, irão merecer a leitura atenta por parte de todos os eleitores. Espera-se, consequentemente, que os projectos sejam claros e os compromissos neles contidos sejam cumpridos. Por outro lado, o exercício consciente da cidadania pressupõe que os eleitores se informem e esclareçam antes do acto eleitoral. São estas duas condições essenciais da liberdade.
Como instituição voltada para a Família, sociedade anterior ao Estado e seu fundamento, queremos interpelar todos os interessados (Partidos, Coligações ou Independentes), a questionarem-se sobre qual o papel e importância que desejam atribuir às famílias, todas as famílias. Numa perspectiva convergente dos princípios da subsidiariedade, da solidariedade e complementaridade queremos propor, sugerir, algumas medidas que poderiam e deveriam estar incluídas em todos os projectos eleitorais preocupadas com o bem comum, com o bem de cada individuo e com o das famílias.
Assim, propomos que a nível autárquico, as preocupações acima sugeridas, possam revestir, entre outras, as seguintes sugestões:
- apoiar e incentivar a promoção de medidas de preparação para a conjugalidade e parentalidade;
- criar ou apoiar a criação de gabinetes de aconselhamento, orientação e mediação familiares;
- promover medidas que favoreçam a conciliação entre o trabalho e a vida familiar (p.ex. encerramento das actividades comerciais ao Domingo);
- apoiar a criação de uma rede de serviços de proximidade de apoio à maternidade (creches, apoio domiciliário, lavandarias sociais, etc);
- divulgar, de forma sistemática, os direitos/deveres da Família;
- fomentar e apoiar medidas para as crianças e jovens de famílias mais carenciadas, em áreas de formação pedagógica e social;
- desenvolver e apoiar medidas que beneficiam cidadãos em risco de exclusão social (idosos, deficientes, etc);
- criar dinâmicas de promoção da cultura, do desporto e de lazer para serem vividas e participadas em Família (acesso facilitado a actividades culturais, desportivas ou de lazer a Famílias, de acordo com o agregado familiar);
- melhorar as acessibilidades de todos os locais dependentes das autarquias, sobretudo para os deficientes;
- inscrever, como obrigatório, nos procedimentos de aprovação de novos equipamentos sociais, culturais, desportivos, de lazer ou familiares, a garantia efectiva da acessibilidade a todos os cidadãos de forma autónoma;
- dinamizar e/ou apoiar planos municipais de prevenção das toxicodependências e de violência familiar em articulação com outras entidades públicas ou privadas;
- celebrar e/ou apoiar a celebração das grandes datas relacionadas com as Famílias: DIA DO PAI, DIA DA MÃE, DIA INTERNACIONAL DA FAMÍLIA e DIA NACIONAL DOS AVÓS;
- desenvolver projectos para a erradicação da pobreza;
- dar particular atenção para os gravíssimos problemas da habitação e desemprego;
- incentivar a igualdade de oportunidades para mulheres e homens.
Estas são algumas medidas que nos permitimos sugerir aos Candidatos Autárquicos. Esperamos que o nosso contributo, livre e espontâneo, mereça a atenção daqueles e que a Família ocupe nos seus programas a centralidade fundamental desta comunidade, tal como refere a DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS e a nossa CONSTITUIÇÃO.
Braga, 2005 / Setembro/ 13
Parabéns ao Dr. Carlos Gomes (o presidente da Associação) pela iniciativa!
Carta Aberta a todos os Candidatos Autárquicos
Associação Famílias Setembro de 2005
Caro Candidato:
Aproxima-se o período de campanha eleitoral que culmina em 9 de Outubro com a (re)eleição de (novas) equipas de gestão das autarquias. Por isso, e na sequência daquela, ultimam-se os programas eleitorais que, espera-se, irão merecer a leitura atenta por parte de todos os eleitores. Espera-se, consequentemente, que os projectos sejam claros e os compromissos neles contidos sejam cumpridos. Por outro lado, o exercício consciente da cidadania pressupõe que os eleitores se informem e esclareçam antes do acto eleitoral. São estas duas condições essenciais da liberdade.
Como instituição voltada para a Família, sociedade anterior ao Estado e seu fundamento, queremos interpelar todos os interessados (Partidos, Coligações ou Independentes), a questionarem-se sobre qual o papel e importância que desejam atribuir às famílias, todas as famílias. Numa perspectiva convergente dos princípios da subsidiariedade, da solidariedade e complementaridade queremos propor, sugerir, algumas medidas que poderiam e deveriam estar incluídas em todos os projectos eleitorais preocupadas com o bem comum, com o bem de cada individuo e com o das famílias.
Assim, propomos que a nível autárquico, as preocupações acima sugeridas, possam revestir, entre outras, as seguintes sugestões:
- apoiar e incentivar a promoção de medidas de preparação para a conjugalidade e parentalidade;
- criar ou apoiar a criação de gabinetes de aconselhamento, orientação e mediação familiares;
- promover medidas que favoreçam a conciliação entre o trabalho e a vida familiar (p.ex. encerramento das actividades comerciais ao Domingo);
- apoiar a criação de uma rede de serviços de proximidade de apoio à maternidade (creches, apoio domiciliário, lavandarias sociais, etc);
- divulgar, de forma sistemática, os direitos/deveres da Família;
- fomentar e apoiar medidas para as crianças e jovens de famílias mais carenciadas, em áreas de formação pedagógica e social;
- desenvolver e apoiar medidas que beneficiam cidadãos em risco de exclusão social (idosos, deficientes, etc);
- criar dinâmicas de promoção da cultura, do desporto e de lazer para serem vividas e participadas em Família (acesso facilitado a actividades culturais, desportivas ou de lazer a Famílias, de acordo com o agregado familiar);
- melhorar as acessibilidades de todos os locais dependentes das autarquias, sobretudo para os deficientes;
- inscrever, como obrigatório, nos procedimentos de aprovação de novos equipamentos sociais, culturais, desportivos, de lazer ou familiares, a garantia efectiva da acessibilidade a todos os cidadãos de forma autónoma;
- dinamizar e/ou apoiar planos municipais de prevenção das toxicodependências e de violência familiar em articulação com outras entidades públicas ou privadas;
- celebrar e/ou apoiar a celebração das grandes datas relacionadas com as Famílias: DIA DO PAI, DIA DA MÃE, DIA INTERNACIONAL DA FAMÍLIA e DIA NACIONAL DOS AVÓS;
- desenvolver projectos para a erradicação da pobreza;
- dar particular atenção para os gravíssimos problemas da habitação e desemprego;
- incentivar a igualdade de oportunidades para mulheres e homens.
Estas são algumas medidas que nos permitimos sugerir aos Candidatos Autárquicos. Esperamos que o nosso contributo, livre e espontâneo, mereça a atenção daqueles e que a Família ocupe nos seus programas a centralidade fundamental desta comunidade, tal como refere a DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS e a nossa CONSTITUIÇÃO.
Braga, 2005 / Setembro/ 13
segunda-feira, setembro 12, 2005
30 dias sobre a morte de um santo (Padre Gomes do Algarve)
Faz hoje 30 dias que morreu um santo. O Padre Jerónimo Gomes, fundador do SOS Vida, do Algarve. Um homem que levando a sério o empenho no Não ao aborto de 1997 e 1998, se muniu de um telemóvel disponível 24 sobre 24 horas, e se dedicou a ajudar as grávidas em dificuldades que o procuravam. Resultado? Cerca de três centena e meia de bébés salvos do aborto, uma equipe de profissionais em seu torno, alguns (pouco) meios, entre os quais uma carrinha equipada de aparelho de ecografia.
Como quase todos os santos não tinha um feitio fácil...e não ficou isento de alguns erros (como aquele de publicar uns folhetos com aquelas imagens falsas de taiwan em que se viam alguns asiáticos a comer fetos, pretensamente abortados). Mas essa era também a sua grandeza e a raiz da sua santidade: uma entrega total à Igreja, presença de Deus no mundo, à causa da defesa da vida, que arrastou a sua vontade e a sua capacidade de risco. Só quem fica quieto em sua casa é que não comete erros!
Santo? Sim. Pela obra e também porque santo não é o homem que peca, mas o que, mais rapidamente, depois do pecado, se dá conta do mesmo, se arrepende e diz: "Mas Tu, ó Cristo, és tudo!".
Agora no céu, junto do Senhor da Vida, pode o Padre Gomes continuar empenhado nesta nossa comum batalha, olhando por nós. Essa será a intenção da Missa que o Padre Duarte celebrará, na sua Paróquia do Alto do Luniar, hoje (12 de Setembro, segunda-feira) às 18h15.
Nota: não é preciso ser católico para defender a Vida, mas num país como Portugal, constata-se que a os católicos constituem a maioria das fileiras pró-vida. Se formos a um país protestante, a maioria do pró-vida, também o será. E por aí adiante quanto a países muçulmanos, ateus, budistas, etc. O pró-vida é sempre um retrato do país.
Como quase todos os santos não tinha um feitio fácil...e não ficou isento de alguns erros (como aquele de publicar uns folhetos com aquelas imagens falsas de taiwan em que se viam alguns asiáticos a comer fetos, pretensamente abortados). Mas essa era também a sua grandeza e a raiz da sua santidade: uma entrega total à Igreja, presença de Deus no mundo, à causa da defesa da vida, que arrastou a sua vontade e a sua capacidade de risco. Só quem fica quieto em sua casa é que não comete erros!
Santo? Sim. Pela obra e também porque santo não é o homem que peca, mas o que, mais rapidamente, depois do pecado, se dá conta do mesmo, se arrepende e diz: "Mas Tu, ó Cristo, és tudo!".
Agora no céu, junto do Senhor da Vida, pode o Padre Gomes continuar empenhado nesta nossa comum batalha, olhando por nós. Essa será a intenção da Missa que o Padre Duarte celebrará, na sua Paróquia do Alto do Luniar, hoje (12 de Setembro, segunda-feira) às 18h15.
Nota: não é preciso ser católico para defender a Vida, mas num país como Portugal, constata-se que a os católicos constituem a maioria das fileiras pró-vida. Se formos a um país protestante, a maioria do pró-vida, também o será. E por aí adiante quanto a países muçulmanos, ateus, budistas, etc. O pró-vida é sempre um retrato do país.
domingo, setembro 11, 2005
Hoje, 12 de Setembro, filme "A Vida no Ventre" no National Geographic
Da Associação das Famílias Numerosas recebi esta notícia.
Num momento em que a sanha abortista está particularmente empenhada na realização de um referendo e em que provavelmente serão incapazes de dedicar uma palavra ao grande interessado nesta discussão (o bébé, maior ou mais pequeno, que está na barriga da sua mãe), filmes como estes (que resultam da colocação de uma câmara de filmar no interior de uma mulher grávida) tornam evidente que a grande questão do referendo será: "que protecção acha deve ter a vida humana em Portugal?".
Exmos Senhores
É com grande alegria que se avisa que o extraordinário documentário "Vida no Ventre", produzido pela National Geographic, com imagens espectaculares da vida intra-uterina, desde a concepção até ao nascimento, vai ser de novo apresentado no canal National Geographic, na TV Cabo, na próxima segunda-feira, 12 de Setembro, às 20:00 (http://www.tvcabo.pt/TV/ProgramacaoTv.aspx?programId=1542303&channelSigla=NG ).
É uma excelente oportunidade para se gravar e divulgar essa gravação, sobretudo a quantos continuam a afirmar que a vida humana começa mais tarde, pelo que deve ser permitido matar-se essa vida, contra toda a evidência científica que salta aos olhos de todos neste documentário!
Recomenda-se, ainda, que mostrem aos vossos filhos e outras crianças, para que vejam como eram "dentro da barriga da Mãe".
A versão em qualidade internet pode ser vista no nosso site em http://http://www.apfn.com.pt/documentario/index.htm .
DIVULGUEM!
Cumprimentos
Num momento em que a sanha abortista está particularmente empenhada na realização de um referendo e em que provavelmente serão incapazes de dedicar uma palavra ao grande interessado nesta discussão (o bébé, maior ou mais pequeno, que está na barriga da sua mãe), filmes como estes (que resultam da colocação de uma câmara de filmar no interior de uma mulher grávida) tornam evidente que a grande questão do referendo será: "que protecção acha deve ter a vida humana em Portugal?".
Exmos Senhores
É com grande alegria que se avisa que o extraordinário documentário "Vida no Ventre", produzido pela National Geographic, com imagens espectaculares da vida intra-uterina, desde a concepção até ao nascimento, vai ser de novo apresentado no canal National Geographic, na TV Cabo, na próxima segunda-feira, 12 de Setembro, às 20:00 (http://www.tvcabo.pt/TV/ProgramacaoTv.aspx?programId=1542303&channelSigla=NG ).
É uma excelente oportunidade para se gravar e divulgar essa gravação, sobretudo a quantos continuam a afirmar que a vida humana começa mais tarde, pelo que deve ser permitido matar-se essa vida, contra toda a evidência científica que salta aos olhos de todos neste documentário!
Recomenda-se, ainda, que mostrem aos vossos filhos e outras crianças, para que vejam como eram "dentro da barriga da Mãe".
A versão em qualidade internet pode ser vista no nosso site em http://http://www.apfn.com.pt/documentario/index.htm .
DIVULGUEM!
Cumprimentos
Artigo sobre Pedro Santana Lopes
No "Correio da Manhã" de 11 de Agosto passado, Luís Filipe Menezes escreveu um artigo genial, intitulado "Sonho de noite de Verão". O link para esse artigo é: http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=169940&idselect=109&idCanal=109&p=0 . A ideia é simples, brilhante: descrever tudo o que se está a passar no país, mas como protagonistas, não os actuais membros do Governo, mas os do XVIº Governo Constitucional (chefiado por Santana Lopes). Tipo: "o PM Santana Lopes foi de férias para o Quénia e o Ministro Bagão Félix demitiu-se três semanas depois de apresentar as contas portuguesas em Bruxelas"... :-)
O efeito é imediato: se factos actuais tivessem tido por protagonistas os membros do Governo Santana Lopes, o que não teria sido!!! "PM mata gazela rara no Quénia e assunto será debatido na ONU"... ou "Se nem o Ministro das Finanças está com ele mais do que umas poucas semanas, e em desacordo com o plano de investimentos, como podem os portugueses dormirem sossegados?"... etc., etc.
A conclusão não pode ser outra senão a de que o Governo Santana Lopes foi alvo da maior barragem de fogo dos media, de que há memória na história da democracia portuguesa. E por isso não me desaparece esta sensação de que do ponto de vista político, a dissolução da Assembleia da República, foi um golpe de estado constitucional. E que, do ponto de vista humano, Santana Lopes foi vitima de uma injustiça desproporcionada a qualquer fraqueza de que possa ser acusado.
O efeito é imediato: se factos actuais tivessem tido por protagonistas os membros do Governo Santana Lopes, o que não teria sido!!! "PM mata gazela rara no Quénia e assunto será debatido na ONU"... ou "Se nem o Ministro das Finanças está com ele mais do que umas poucas semanas, e em desacordo com o plano de investimentos, como podem os portugueses dormirem sossegados?"... etc., etc.
A conclusão não pode ser outra senão a de que o Governo Santana Lopes foi alvo da maior barragem de fogo dos media, de que há memória na história da democracia portuguesa. E por isso não me desaparece esta sensação de que do ponto de vista político, a dissolução da Assembleia da República, foi um golpe de estado constitucional. E que, do ponto de vista humano, Santana Lopes foi vitima de uma injustiça desproporcionada a qualquer fraqueza de que possa ser acusado.
domingo, abril 17, 2005
A limitação de mandatos políticos
A discussão em torno da proposta de limitação de mandatos dos políticos, mostra bem o ponto as que chegamos e a falta de respeito por si próprios que os políticos têm. A ideia peregrina que a corrupção e outros fenómenos menos recomendáveis se combatem limitando o tempo do mandato dos políticos, diz pelo menos duas coisas: para quem nos governa, a possibilidade de corrupção tem a sua variável dominante no tempo (e não no carácter de quem corrompe e é corrompido, nem no sistema legal e administrativo que facilita essas ocorrências) e os políticos, pelo menos pelo decorrer do tempo, são todos corruptos...!
Isto para já não falar na liberdade que é retirada ás pessoas de elegerem quem muito bem entendem e pelo tempo que o entenderem!
Enquanto formos por este caminho, não vamos a lado nenhum...!
Isto para já não falar na liberdade que é retirada ás pessoas de elegerem quem muito bem entendem e pelo tempo que o entenderem!
Enquanto formos por este caminho, não vamos a lado nenhum...!
Na véspera do Conclave: "Experimentar e sentir a Igreja"
Na véspera do Conclave percebo como se torna importante rezar por cada um dos Cardeais que dele fazem parte. Dessa mesma responsabilidade também nos fala o nosso Patriarca de Lisboa nesta mensagem extraordinária que nos enviou de Roma e que eu aqui transcrevo:
Experimentar e sentir a Igreja
Estes dias em Roma têm sido de uma beleza e profundidade envolventes. Não têm sido um discurso; temos sentido e experimentado o mistério da Igreja, na sua profunda humanidade, embrenhada na história humana, mas ao mesmo tempo movida por aquela força do Espírito que a define como peregrina da eternidade. Estamos todos envolvidos numa experiência comovente: quanto mais profundas e misteriosas as coisas são, mais simples se tornam. E essa simplicidade, própria de quem acredita e de quem confia, revela-se como uma espécie de inocência recuperada.
Experimentámos e sentimos a Igreja como um povo que caminha, no meio dessa multidão imensa, que é a humanidade: um povo que, quando uma força misteriosa o atrai e o dinamiza, avança, sem nada o fazer parar. João Paulo II teve esse dom e essa força, de pôr a Igreja a caminho. Aquelas multidões que, em filas imensas, vindas de toda a parte, atravessaram a cidade durante dias seguidos, movidas apenas pelo desejo de contemplarem, pela última vez, o rosto daquele Papa que um dia, sabe-se lá quando, tinha tocado o seu coração e mudado as suas vidas, eram um símbolo vivo do destino da Igreja no mundo contemporâneo. A Igreja pode ser essa avalanche imparável de multidões tocadas por Jesus Cristo, que se põem a caminhar, desejosas de contemplar o seu rosto e que atravessam a humanidade, gritando a esperança. Deixou de haver lugar para um cristianismo acomodado e passivo. Quem acredita no Senhor ressuscitado, põe-se a caminho, torna-se multidão, traça sulcos de esperança na humanidade e na história, grita com o testemunho silencioso desse caminhar, que o homem é peregrino da eternidade e que Cristo ressuscitado é o termo do homem e da história.
Experimentámos a Igreja na sua humanidade, na qual age e se exprime a força de Deus. O divino no humano! Eis o mistério de Cristo, Filho de Deus feito homem, exprimindo na sua humanidade toda a força criadora e transformadora da divindade; eis o mistério da Igreja, que continua a exprimir, no realismo da sua humanidade, na sua maneira humana de ser e de fazer, a força transformadora do Espírito de Cristo ressuscitado. A “paixão” e a morte de Karol Wojtyla, o Pastor e profeta que muitos olhavam como o “anjo de Deus”, fizeram-nos sentir essa profunda humanidade da Igreja. Não há excepções para o drama humano da vida e da redenção. É preciso atravessar a fronteira da morte, dignificada pela esperança, como expressão de vida oferecida, grão de trigo lançado à terra, na esperança da fecundidade misteriosa da própria morte.
Mas também na densidade destes dias que antecedem a escolha do futuro Papa, se experimenta essa humanidade da Igreja, através da qual Deus continua a agir na história.
Aqui estamos nós, 115 homens que Deus há muito chamou e consagrou para o serviço do seu Povo, a preparar na simplicidade da fé, um acto profundamente humano: votar para escolher aquele que, certamente, Deus já escolheu. Mas não estamos à espera que Deus nos mande um anjo a anunciar a sua escolha. Ele quer que a sua escolha se exprima na nossa. É tudo tão simples e tão sereno. Temos apenas de fazer o que nos é pedido, na simplicidade da nossa consciência, acreditando profundamente que é o Senhor quem conduz o seu Povo.
Este sentir da humanidade da Igreja é um desafio para todo o Povo de Deus, neste início do terceiro milénio e tem a ver com a nova evangelização. A Igreja toda é chamada a acreditar que, pela sua maneira de agir e de estar no mundo, Deus passa ou não passa, porque a acção da Igreja é a única maneira de o Espírito de Deus agir na história dos homens. O Reino de Deus é anunciado e cresce, na medida da nossa determinação em seguirmos, em tudo, o Senhor que nos chamou. A fidelidade dos cristãos é o sal que tempera e a luz que ilumina os novos caminhos da esperança e da salvação.
E, finalmente, sentimos a Igreja na beleza da santidade. Todos tivemos a sensação de que, naquelas exéquias, estávamos a venerar um santo. Os cartazes que, no meio daquela multidão, pediam a beatificação imediata de João Paulo II, não eram episódicos; eram, antes, expressão de uma vaga de fundo, a que os meios de comunicação têm dado voz e que não deixa ninguém indiferente. O Papa que tantas vezes falou da vocação da Igreja à santidade, é um santo. Há já notícias de milagres. Independentemente do ritmo do processo de beatificação, que só o próximo Papa poderá decidir, a vida e a morte de João Paulo II foram um forte apelo à santidade.
Na vigília dos jovens, em S. João de Latrão, na véspera do funeral, um jovem, com a ousadia a que lhe dão direito a idade e a emoção própria do momento, pediu aos cardeais, aos bispos, aos padres, que sejam santos, que lhes dêem o exemplo da santidade. Certamente, sem pensar nisso, aquele jovem compreendeu, à luz do testemunho de João Paulo II, a coordenada principal da evangelização dos jovens: entusiasmá-los a percorrer o caminho da santidade, pois só por aí vale verdadeiramente a pena ser cristão, ser diferente, viver a vida com todas as promessas que ela encerra. Dizemos todos os domingos: creio na Igreja santa. Essa Igreja é a nossa, aquele povo onde entrámos quando nos decidimos a seguir Jesus. Caminhar para a santidade, não exclui, nem dificuldades, nem fragilidades. Basta acreditar e confiar, para aprender a amar “a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”.
Nestes dias estamos todos a sentir e experimentar a Igreja. É ela que vai continuar; só a ela pertence verdadeiramente o futuro.
Roma, 11 de Abril 2005
† José, Cardeal Patriarca
Experimentar e sentir a Igreja
Estes dias em Roma têm sido de uma beleza e profundidade envolventes. Não têm sido um discurso; temos sentido e experimentado o mistério da Igreja, na sua profunda humanidade, embrenhada na história humana, mas ao mesmo tempo movida por aquela força do Espírito que a define como peregrina da eternidade. Estamos todos envolvidos numa experiência comovente: quanto mais profundas e misteriosas as coisas são, mais simples se tornam. E essa simplicidade, própria de quem acredita e de quem confia, revela-se como uma espécie de inocência recuperada.
Experimentámos e sentimos a Igreja como um povo que caminha, no meio dessa multidão imensa, que é a humanidade: um povo que, quando uma força misteriosa o atrai e o dinamiza, avança, sem nada o fazer parar. João Paulo II teve esse dom e essa força, de pôr a Igreja a caminho. Aquelas multidões que, em filas imensas, vindas de toda a parte, atravessaram a cidade durante dias seguidos, movidas apenas pelo desejo de contemplarem, pela última vez, o rosto daquele Papa que um dia, sabe-se lá quando, tinha tocado o seu coração e mudado as suas vidas, eram um símbolo vivo do destino da Igreja no mundo contemporâneo. A Igreja pode ser essa avalanche imparável de multidões tocadas por Jesus Cristo, que se põem a caminhar, desejosas de contemplar o seu rosto e que atravessam a humanidade, gritando a esperança. Deixou de haver lugar para um cristianismo acomodado e passivo. Quem acredita no Senhor ressuscitado, põe-se a caminho, torna-se multidão, traça sulcos de esperança na humanidade e na história, grita com o testemunho silencioso desse caminhar, que o homem é peregrino da eternidade e que Cristo ressuscitado é o termo do homem e da história.
Experimentámos a Igreja na sua humanidade, na qual age e se exprime a força de Deus. O divino no humano! Eis o mistério de Cristo, Filho de Deus feito homem, exprimindo na sua humanidade toda a força criadora e transformadora da divindade; eis o mistério da Igreja, que continua a exprimir, no realismo da sua humanidade, na sua maneira humana de ser e de fazer, a força transformadora do Espírito de Cristo ressuscitado. A “paixão” e a morte de Karol Wojtyla, o Pastor e profeta que muitos olhavam como o “anjo de Deus”, fizeram-nos sentir essa profunda humanidade da Igreja. Não há excepções para o drama humano da vida e da redenção. É preciso atravessar a fronteira da morte, dignificada pela esperança, como expressão de vida oferecida, grão de trigo lançado à terra, na esperança da fecundidade misteriosa da própria morte.
Mas também na densidade destes dias que antecedem a escolha do futuro Papa, se experimenta essa humanidade da Igreja, através da qual Deus continua a agir na história.
Aqui estamos nós, 115 homens que Deus há muito chamou e consagrou para o serviço do seu Povo, a preparar na simplicidade da fé, um acto profundamente humano: votar para escolher aquele que, certamente, Deus já escolheu. Mas não estamos à espera que Deus nos mande um anjo a anunciar a sua escolha. Ele quer que a sua escolha se exprima na nossa. É tudo tão simples e tão sereno. Temos apenas de fazer o que nos é pedido, na simplicidade da nossa consciência, acreditando profundamente que é o Senhor quem conduz o seu Povo.
Este sentir da humanidade da Igreja é um desafio para todo o Povo de Deus, neste início do terceiro milénio e tem a ver com a nova evangelização. A Igreja toda é chamada a acreditar que, pela sua maneira de agir e de estar no mundo, Deus passa ou não passa, porque a acção da Igreja é a única maneira de o Espírito de Deus agir na história dos homens. O Reino de Deus é anunciado e cresce, na medida da nossa determinação em seguirmos, em tudo, o Senhor que nos chamou. A fidelidade dos cristãos é o sal que tempera e a luz que ilumina os novos caminhos da esperança e da salvação.
E, finalmente, sentimos a Igreja na beleza da santidade. Todos tivemos a sensação de que, naquelas exéquias, estávamos a venerar um santo. Os cartazes que, no meio daquela multidão, pediam a beatificação imediata de João Paulo II, não eram episódicos; eram, antes, expressão de uma vaga de fundo, a que os meios de comunicação têm dado voz e que não deixa ninguém indiferente. O Papa que tantas vezes falou da vocação da Igreja à santidade, é um santo. Há já notícias de milagres. Independentemente do ritmo do processo de beatificação, que só o próximo Papa poderá decidir, a vida e a morte de João Paulo II foram um forte apelo à santidade.
Na vigília dos jovens, em S. João de Latrão, na véspera do funeral, um jovem, com a ousadia a que lhe dão direito a idade e a emoção própria do momento, pediu aos cardeais, aos bispos, aos padres, que sejam santos, que lhes dêem o exemplo da santidade. Certamente, sem pensar nisso, aquele jovem compreendeu, à luz do testemunho de João Paulo II, a coordenada principal da evangelização dos jovens: entusiasmá-los a percorrer o caminho da santidade, pois só por aí vale verdadeiramente a pena ser cristão, ser diferente, viver a vida com todas as promessas que ela encerra. Dizemos todos os domingos: creio na Igreja santa. Essa Igreja é a nossa, aquele povo onde entrámos quando nos decidimos a seguir Jesus. Caminhar para a santidade, não exclui, nem dificuldades, nem fragilidades. Basta acreditar e confiar, para aprender a amar “a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”.
Nestes dias estamos todos a sentir e experimentar a Igreja. É ela que vai continuar; só a ela pertence verdadeiramente o futuro.
Roma, 11 de Abril 2005
† José, Cardeal Patriarca
terça-feira, abril 12, 2005
Celebridades e VIP's (um artigo de Pedro Afonso)
Os VIP's Light
Podemos considerar um VIP (very important person) aquele que se eleva acima da medida humana comum pelas suas qualidades e características. Estas pessoas acabam por ser dignas de admiração e são elevadas à condição de heróis, tal como acontecia na Grécia antiga. Todas as culturas tiveram os seus heróis e, as suas façanhas simbolizam passagens da vida terrena, quer sejam vividas por todos ou apenas por alguns indivíduos.
Estamos habituados a associar ao estatuto de VIP, pessoas que se distinguem no campo das artes, desporto, política, cultura, medicina, etc. Embora os critérios para aquisição desta distinção sejam subjectivos, há pelo menos dois aspectos fundamentais: o seu carácter excepcional e invulgar e o seu esforço e trabalho.
Curiosamente, assistimos à criação (invenção) de um novo tipo "de pessoa muito importante": o VIP Light. Estes VIP's ligeiros, superficiais, suaves, descafeinados e com poucas calorias estão a invadir diariamente as nossas televisões, jornais e revistas. Na maioria dos casos não se lhe conhece obra, para além de terem surgido nalgum programa de televisão tipo reality show. A sua ascensão é meteórica e adquirem rapidamente - sem se saber muito bem porquê - o estrelato.
Este fenómeno dá-nos a ilusão que não já não é preciso ser herói, basta ter um pouco de sorte e aparecer num local que promova a sua imagem. Os antigos VIP's que simbolizavam algo de inatingível, e que ficavam a meio caminho entre os homens e os deuses, estão fora de moda! Ou seja, qualquer um de nós mesmo que não tenha feito nada de extraordinário pode ser um VIP; o acesso foi democratizado! De uma forma muito fácil o personagem fabrica-se através da comunicação social.
Estes "heróis de plástico" reflectem a criação de uma pseudocultura, acompanhada com interesse, por exemplo, por algumas revistas (daquelas que têm pouco texto para não cansar a cabeça!). As suas vidas, mesmo por vezes violando alguns princípios de dignidade humana, tornam-se públicas. Seguem-se os vários episódios da sua existência: viagens, festas, dramas sentimentais, intrigas, escândalos, etc. Lamentavelmente, é isto que vende numa sociedade cada vez mais materialista, consumista e vazia do ponto de vista moral.
No fundo, estes VIP's Light são como os Kleenex: usam-se e deitam-se fora. Quando o publico se cansa de uns, logo se arranja outros para os substituírem e o espectáculo continua!
Esta ideia colectiva obsessiva de acompanhar com superficialidade a vida dos VIP's Light não é edificante. Este hábito perturbador (quase voyeurista) que se tem enraizado na nossa sociedade, não nos leva a lado nenhum. Em lugar de nos centramos mais na nossa vida interna e privada, perdemo-nos nesta viagem estéril que serve apenas para passar o tempo.
Torna-se importante reencontrar-mos os nossos verdadeiros heróis, que sirvam de modelos de referência e que mereçam de facto ser perpetuados na nossa memória. Na verdade, muitos deles vivem vidas simples (mas nobres) e nunca irão aparecer nos programas de televisão, nem nas revistas ou jornais. Se calhar, nós até conhecemos pessoalmente alguns.
Pedro Afonso
Podemos considerar um VIP (very important person) aquele que se eleva acima da medida humana comum pelas suas qualidades e características. Estas pessoas acabam por ser dignas de admiração e são elevadas à condição de heróis, tal como acontecia na Grécia antiga. Todas as culturas tiveram os seus heróis e, as suas façanhas simbolizam passagens da vida terrena, quer sejam vividas por todos ou apenas por alguns indivíduos.
Estamos habituados a associar ao estatuto de VIP, pessoas que se distinguem no campo das artes, desporto, política, cultura, medicina, etc. Embora os critérios para aquisição desta distinção sejam subjectivos, há pelo menos dois aspectos fundamentais: o seu carácter excepcional e invulgar e o seu esforço e trabalho.
Curiosamente, assistimos à criação (invenção) de um novo tipo "de pessoa muito importante": o VIP Light. Estes VIP's ligeiros, superficiais, suaves, descafeinados e com poucas calorias estão a invadir diariamente as nossas televisões, jornais e revistas. Na maioria dos casos não se lhe conhece obra, para além de terem surgido nalgum programa de televisão tipo reality show. A sua ascensão é meteórica e adquirem rapidamente - sem se saber muito bem porquê - o estrelato.
Este fenómeno dá-nos a ilusão que não já não é preciso ser herói, basta ter um pouco de sorte e aparecer num local que promova a sua imagem. Os antigos VIP's que simbolizavam algo de inatingível, e que ficavam a meio caminho entre os homens e os deuses, estão fora de moda! Ou seja, qualquer um de nós mesmo que não tenha feito nada de extraordinário pode ser um VIP; o acesso foi democratizado! De uma forma muito fácil o personagem fabrica-se através da comunicação social.
Estes "heróis de plástico" reflectem a criação de uma pseudocultura, acompanhada com interesse, por exemplo, por algumas revistas (daquelas que têm pouco texto para não cansar a cabeça!). As suas vidas, mesmo por vezes violando alguns princípios de dignidade humana, tornam-se públicas. Seguem-se os vários episódios da sua existência: viagens, festas, dramas sentimentais, intrigas, escândalos, etc. Lamentavelmente, é isto que vende numa sociedade cada vez mais materialista, consumista e vazia do ponto de vista moral.
No fundo, estes VIP's Light são como os Kleenex: usam-se e deitam-se fora. Quando o publico se cansa de uns, logo se arranja outros para os substituírem e o espectáculo continua!
Esta ideia colectiva obsessiva de acompanhar com superficialidade a vida dos VIP's Light não é edificante. Este hábito perturbador (quase voyeurista) que se tem enraizado na nossa sociedade, não nos leva a lado nenhum. Em lugar de nos centramos mais na nossa vida interna e privada, perdemo-nos nesta viagem estéril que serve apenas para passar o tempo.
Torna-se importante reencontrar-mos os nossos verdadeiros heróis, que sirvam de modelos de referência e que mereçam de facto ser perpetuados na nossa memória. Na verdade, muitos deles vivem vidas simples (mas nobres) e nunca irão aparecer nos programas de televisão, nem nas revistas ou jornais. Se calhar, nós até conhecemos pessoalmente alguns.
Pedro Afonso
quarta-feira, abril 06, 2005
Conselho
Enviado pelo João Muñoz: "Vive cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta.".
Blog dos Uzabuzo
Trata-se do Blog de uma banda formada por colegas da minha filha mais velha. Um dos membros é filho de um dos meus grandes amigos do São João de Brito.
A parte das fotografias tem mais graça para quem os conhece (embora seja sempre giro ver o ambiente) mas as letras essas merecem leitura atenta: cenas do quotidiano ou sentimentos, em rima simples mas musical. Impecável!
O endereço é: http://www.uzabuzo.blogspot.com/
A parte das fotografias tem mais graça para quem os conhece (embora seja sempre giro ver o ambiente) mas as letras essas merecem leitura atenta: cenas do quotidiano ou sentimentos, em rima simples mas musical. Impecável!
O endereço é: http://www.uzabuzo.blogspot.com/
terça-feira, abril 05, 2005
Patriarca de Lisboa: Aborto será imoral mesmo com referendo
Aborto será imoral mesmo com referendo
in: Jornal de Notícias, 05-04-2005
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. José Policarpo, afirmou ontem que o aborto permanecerá uma imoralidade mesmo se for legalizado através de um referendo. "Qualquer lei que permita o aborto cria uma separação entre a legalidade e a moralidade, pois o aborto voluntariamente procurado, mesmo que legal, continua a ferir a moralidade natural e as exigências da consciência", disse D. José Policarpo na abertura da Assembleia Plenária da CEP, que começou ontem em Fátima. Rejeitando as críticas de insensibilidade face ao aborto clandestino, D. José Policarpo reclama que este seja "tipificado através do estudo já anunciado" no passado. Para a Igreja, o problema do aborto clandestino não é uma "questão que possa resolver-se pela cedência e pela tolerância, mas sim pela coragem partilhada".D. José Policarpo mostrou-se disponível para o diálogo sobre o aborto, mas sem pôr em causa a sua posição inicial. "Creio poder afirmar que, tanto pessoalmente, como o conjunto do Episcopado, já demos provas suficientes de abertura dialogante", mas "a nossa firmeza nesta matéria é apenas motivada pela nossa convicção de que na procriação humana existe uma vida humana desde o primeiro momento", afirmou.Interromper essa vida "violentamente é a expressão mais grave do desrespeito que a vida humana merece e exige de nós", concluiu.
in: Jornal de Notícias, 05-04-2005
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. José Policarpo, afirmou ontem que o aborto permanecerá uma imoralidade mesmo se for legalizado através de um referendo. "Qualquer lei que permita o aborto cria uma separação entre a legalidade e a moralidade, pois o aborto voluntariamente procurado, mesmo que legal, continua a ferir a moralidade natural e as exigências da consciência", disse D. José Policarpo na abertura da Assembleia Plenária da CEP, que começou ontem em Fátima. Rejeitando as críticas de insensibilidade face ao aborto clandestino, D. José Policarpo reclama que este seja "tipificado através do estudo já anunciado" no passado. Para a Igreja, o problema do aborto clandestino não é uma "questão que possa resolver-se pela cedência e pela tolerância, mas sim pela coragem partilhada".D. José Policarpo mostrou-se disponível para o diálogo sobre o aborto, mas sem pôr em causa a sua posição inicial. "Creio poder afirmar que, tanto pessoalmente, como o conjunto do Episcopado, já demos provas suficientes de abertura dialogante", mas "a nossa firmeza nesta matéria é apenas motivada pela nossa convicção de que na procriação humana existe uma vida humana desde o primeiro momento", afirmou.Interromper essa vida "violentamente é a expressão mais grave do desrespeito que a vida humana merece e exige de nós", concluiu.
segunda-feira, abril 04, 2005
Oração permanente pelo Santo Padre na Igreja de S. Nicolau, Lisboa - Horário das celebrações
O Senhor Patriarca, após a morte do Santo Padre, convidou a Igreja de Lisboa à oração: “Devemos agradecer a Deus o pontificado de João Paulo II”. A Igreja de São Nicolau continuará aberta, nos dias de luto pelo Santo Padre, até Domingo dia 10 de Abril das 8h às 2h da manhã com Exposição Solene do Santíssimo Sacramento para adoração dos fiéis. Além das celebrações nos horários habituais, informamos os horários de outros tempos específicos de oração comunitária:
Segunda-feira, 4 de Abril, os consagrados rezam pelo Papa
21h30 – Terço meditado
22h30 – Missa
Terça-feira, 5 de Abril, os movimentos e obras rezam pelo Papa
21h30 – Terço meditado
22h30 - Missa
Quarta-feira, 6 de Abril, as famílias rezam pelo Papa
21h30 – Terço meditado
22h30 – Missa
Quinta-feira, 7 de Abril, os jovens rezam pelo Papa
21h30 – Terço meditado
22h30 – Missa
Sexta-feira, 8 de Abril, os sacerdotes rezam pelo Papa
21h30 – Ofício de Defuntos
22h30 – Missa presidida pelo Senhor Bispo D. Manuel Clemente
Sábado, 9 de Abril
21h30 – Terço meditado
21h30 - Celebração Ecuménica
Domingo, 10 de Abril
21h30 – Terço meditado
22h30 – Missa presidida pelo Senhor Bispo D. Tomás Silva Nunes
No vínculo da fé e da esperança, convido todos a participar nestas celebrações unindo-nos na certeza da Ressurreição.
Na alegria do Senhor Ressuscitado, aceite saudações fraternas,
Padre Mário Rui Leal Pedras(Pároco de São Nicolau)
Segunda-feira, 4 de Abril, os consagrados rezam pelo Papa
21h30 – Terço meditado
22h30 – Missa
Terça-feira, 5 de Abril, os movimentos e obras rezam pelo Papa
21h30 – Terço meditado
22h30 - Missa
Quarta-feira, 6 de Abril, as famílias rezam pelo Papa
21h30 – Terço meditado
22h30 – Missa
Quinta-feira, 7 de Abril, os jovens rezam pelo Papa
21h30 – Terço meditado
22h30 – Missa
Sexta-feira, 8 de Abril, os sacerdotes rezam pelo Papa
21h30 – Ofício de Defuntos
22h30 – Missa presidida pelo Senhor Bispo D. Manuel Clemente
Sábado, 9 de Abril
21h30 – Terço meditado
21h30 - Celebração Ecuménica
Domingo, 10 de Abril
21h30 – Terço meditado
22h30 – Missa presidida pelo Senhor Bispo D. Tomás Silva Nunes
No vínculo da fé e da esperança, convido todos a participar nestas celebrações unindo-nos na certeza da Ressurreição.
Na alegria do Senhor Ressuscitado, aceite saudações fraternas,
Padre Mário Rui Leal Pedras(Pároco de São Nicolau)
Nota de Comunhão e Libertação pela morte de João Paulo II
“A glória de Deus é o homem vivo”
«Amigos meus, sirvamos este homem, sirvamos Cristo neste grande homem com toda a nossa existência». Assim nos disse don Giussani à saída da sua primeira audiência com João Paulo II no início de 1979. Temos procurado realizar estas palavras em todos estes anos de vida do movimento de Comunhão e Libertação, segundo o objectivo que o próprio Papa nos confiou por ocasião de uma audiência em 1984: «”Ide por todo o mundo” (Mt. 28,19) é o que Cristo disse aos seus discípulos. E eu repito-vos “Ide por todo o mundo e levai a verdade, a beleza e a paz que se encontram em Cristo Redentor”. Este é o conselho que hoje vos deixo» (No 30º aniversário do nascimento de CL, Roma, 29 de Setembro de 1984).
Gratos, inclinamo-nos perante o cumprimento da vida do Papa, que exerceu a sua autoridade, antes de tudo, como testemunho pessoal de Cristo - «centro do cosmos e da história» (Redemptor hominis) -, perante o mundo com infatigável dedicação e sacrifício de si.
Na festa dos vinte e cinco anos do seu pontificado, don Giussani disse de João Paulo II: «Seguindo a vida do Papa nestes 25 anos, aquilo de que nos damos mais conta é que o cristianismo tende a ser verdadeiramente a realização do humano. Todas as suas viagens, como longa marcha para a morte, tiveram as suas razões na evidente unidade que corresponde ao génio do cristianismo: Gloria Dei vivens homo (a glória de Deus é o homem vivo)».
O Papa deixa o mundo mais cheio da humanidade de Cristo e a Igreja mais consciente de ser ela mesmo “movimento”.
«Amigos meus, sirvamos este homem, sirvamos Cristo neste grande homem com toda a nossa existência». Assim nos disse don Giussani à saída da sua primeira audiência com João Paulo II no início de 1979. Temos procurado realizar estas palavras em todos estes anos de vida do movimento de Comunhão e Libertação, segundo o objectivo que o próprio Papa nos confiou por ocasião de uma audiência em 1984: «”Ide por todo o mundo” (Mt. 28,19) é o que Cristo disse aos seus discípulos. E eu repito-vos “Ide por todo o mundo e levai a verdade, a beleza e a paz que se encontram em Cristo Redentor”. Este é o conselho que hoje vos deixo» (No 30º aniversário do nascimento de CL, Roma, 29 de Setembro de 1984).
Gratos, inclinamo-nos perante o cumprimento da vida do Papa, que exerceu a sua autoridade, antes de tudo, como testemunho pessoal de Cristo - «centro do cosmos e da história» (Redemptor hominis) -, perante o mundo com infatigável dedicação e sacrifício de si.
Na festa dos vinte e cinco anos do seu pontificado, don Giussani disse de João Paulo II: «Seguindo a vida do Papa nestes 25 anos, aquilo de que nos damos mais conta é que o cristianismo tende a ser verdadeiramente a realização do humano. Todas as suas viagens, como longa marcha para a morte, tiveram as suas razões na evidente unidade que corresponde ao génio do cristianismo: Gloria Dei vivens homo (a glória de Deus é o homem vivo)».
O Papa deixa o mundo mais cheio da humanidade de Cristo e a Igreja mais consciente de ser ela mesmo “movimento”.
Artigo de um amigo Padre (Duarte da Cunha), em missão em Timor, sobre o Papa João Paulo II
Um grande Papa...
Eis-me em Timor procurando acompanhar a Igreja toda que chora pelo Papa. As notícias vão chegando pela Antena 1, pela RTP i ou pela Rai Internacional. E vemos partir para junto dAquele a quem já há muito tinha dado a vida, um Papa que nos ensinou a tantos de nós, que só dando a vida a Cristo ela tem sentido.
Vão surgindo muitos comentários sobre o pontificado. Os primeiros vão ser muito elogiosos, depois virão os mais críticos. Provavelmente vamos ser bombardeados com tantos, que até pode acontecer que nos esqueçamos de procurar ter um olhar de fé, tal como o Papa sempre nos ensinou a ter. Ouviremos políticos, homens e mulheres de cultura, pessoas de várias religiões, alguns não crentes, e, claro, alguns católicos, bispos, padres, leigos...
Já se ouvem muito daqueles que elogiam o Papa por ter lutado contra a morte (quando o que vimos foi um homem a aceitar a morte à medida que ela se aproximava nos últimos anos, sem esconder, sem achar que só a vida activíssima pode ter lugar na sociedade)! O Papa lutou contra a morte, ou melhor, contra a cultura da morte, mas acolheu muito claramente a sua morte. Virão, sem dúvida, as análises sócio-políticas que não podem deixar de vincar a importância do Papa para as mudanças políticas que o final do segundo milénio viu acontecerem. O fim do comunismo, não há dúvida, muito lhe deve. Mas que ninguém se esqueça que a sua força estava no facto dessas e outras ideologias serem verdadeiramente contra o homem. Aquele Papa que acredita em Deus não podia deixar de denunciar como anti-humana as ideologias (socialistas ou liberais) que neguem a importância de Deus. O Papa foi, como tantos têm estado a dizer, um Papa dos Direitos do Homem, mas não se esqueçam esses e nós todos que de todos os Direitos o que ele melhor nos mostrou ser necessário defender é o Direito à vida, esse direito que pertence a cada ser humano desde o primeiro instante da sua existência como ser unicelular até à morte natural!
Outros falam do Papa do diálogo, que é sem dúvida uma das suas grandes características, mas alguns falam desta sua capacidade de dialogar à maneira do mundo, ou seja, um diálogo em que cada um diz o que tem a dizer e todos ficam na mesma! É verdade que João Paulo II reconheceu o valor de tantos que são diferentes, de pessoas doutras religiões, de gente com outras ideias políticas ou com diferentes perspectivas da sociedade, e todos se sentiram acolhidos. O Papa mostrou muito bem que não é a violência mas o amor que pode construir o futuro. Mas nunca o ouvimos dizer que as religiões ou as opiniões se equivalem, nem o vimos com medo de chamar as coisas pelo seu nome diante de quem quer que fosse. Nunca o vimos com respeitos humanos a calar a verdade. Para o Papa não havia fórum humano que estivesse fora da sua missão, ele ouvia, aprendia com todos, com cientistas e políticos, homens religiosos ou pessoas sem fé, mas também a todos dirigia a palavra. Nunca foi uma palavra de conveniência. Quando o Vigário de Cristo falava não perdia tempo em inutilidades, Cristo tem algo a dizer, o Papa punha ao Serviço do Senhor o seu ministério. Ele foi, por tudo isto e sem dúvida um homem de diálogo, mas porque vivia a experiência da certeza. Que certeza? Talvez seja isso que poucos jornalistas ou comentaristas (salvo a Aura Miguel) vão saber dizer. A certeza de que Cristo é o Senhor, está vivo, ama-nos e chama todos à conversão. O Papa é, de facto, um grande testemunho de Cristo, foi e sê-lo-á sempre. Ele mostrou-nos Cristo sem disfarces, sem adocicar a sua cruz, sem tentar adaptar. Por isso, o Papa mostrou-nos Cristo em todo o Seu esplendor, em toda a Sua atractividade. É isso que os jovens lhe agradecem. Com este Papa tantos descobriram Cristo e decidiram consagrar a sua vida e tantos outros acolheram o Evangelho da Família e da Vida nas suas vidas. É Cristo que este Papa nos tem dado. É Cristo que nós todos continuamos a querer e a amar.
O Papa tornou claro a quantos de coração iluminado pela fé o ouviram que Cristo está aqui e agora. Desde o início, Cristo Redentor do Homem, Cristo centro do cosmos e da história, foi o centro de toda a sua mensagem e de toda a sua vida. Cristo, com a força e o amor deste Papa, não foi relegado para uma esfera do religioso ou para um qualquer passado, não foi reduzido a um profeta ou a um revolucionário marxista. Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, entrou na vida de todos nós, neste quotidiano capilar das nossas vidas de trabalho, família, sofrimento e alegrias, e está mesmo presente. É de ontem, de hoje e de sempre. O Papa, até ao fim, disse-nos, muitas vezes mostrando com a sua própria vida, que Cristo está vivo. Como era claro quando este homem, que todos eram capazes de dizer que era um santo, denunciava os piores crimes, esses que até já há quem queira tornar um direito, como o aborto, a eutanásia, a guerra, não deixando nenhuma dúvida sobre o terrível que é a cultura da morte e sobre o importante que é construir uma cultura da vida e do amor. Donde lhe vinha essa coragem? D’Aquele que tudo pode, do Senhor da vida. Talvez seja essa a razão pela qual até aqueles que mais o criticavam não podiam deixar de o respeitar. O mundo tem muito poucos homens que experimentam e testemunham esta intimidade com Deus. Quem o quer seguir sabe muito bem que nestas coisas que tocam no essencial da vida humana não pode haver brechas, mas também pode contar com a mesma força de Cristo que vence todos os medos.
E no entanto, este homem consciente e sofredor pelo mal todo que o mundo insiste em gerar, era um homem alegre, alguém que ria e fazia rir, um homem que brincava e fazia as pessoas à sua volta estarem bem dispostas. Nunca o vimos com a alegria própria do distraído, sempre o vimos com a alegria do santo que, vivendo conscientemente da fé, tem esperança e por isso sabe que a ressurreição é um facto. A esperança que nos ensinou não foi a utopia de que o mundo será o paraíso, mas também nunca foi uma coisa que nos dispensasse do empenho dramático na construção dum mundo mais conforme ao plano de Deus. Ele deu-nos a esperança em Cristo: mostrou que não somos deste mundo e deu-nos força para fazer deste mundo uma casa onde Cristo reine mesmo. Falava da importância de construir um mundo melhor, e muitos se comprometeram a partir da sua palavra, mas nunca deixou de lembrar que esse mundo só é melhor se Deus estiver presente, se o coração de cada homem e cada mulher abrir as portas a Cristo. A frase mais vezes repetida em tantas e tão variadas ocasiões o Papa pegou-a do Concílio: “Na realidade, o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente” (GS 22).
O Papa da certeza sobre Cristo é, por isso, o Papa que não deixou que o fim do segundo milénio e o início do terceiro tivesse declarado que Deus não existia, ou que relegasse Deus para um longínquo céu. O Papa tornou claro que Deus está presente e que precisamos dele. O Papa foi, de facto, um homem de fé, alguém para quem acreditar não era uma coisa marginal aos problemas sociais, ou algo que passava ao lado da vida. Este é o Papa que nos libertou das filosofias racionalistas ou idealista para afirmar que existe uma autêntica relação entre a fé e a razão. Culturalmente, até entre teólogos, havia quem julgasse que a fé e a razão nada tinham que ver uma com a outra, e, a partir desta separação tornavam a religião uma coisa à margem da vida, o Papa disse, mas mais do que só falar, mostrou na sua vida e morte, que só em Deus e com Deus o homem se realiza verdadeiramente, só na fé a razão alcança o seu cume, mas fé sem razão não é cristã.
O Papa que nos anunciou Cristo e que nos mostrou a sua presença na vida só podia ser um Papa de Nossa Senhora. Um Papa filósofo, teólogo, professor... mas nem por isso menos simples na devoção. A devoção a Nossa Senhora com a oração do Terço é uma marca evidente da fé cristã, algo que todos sentiam ser profundamente autêntico no Papa e algo que fazia os mais simples sentirem o Papa como um dos seus. O Papa reza a Nossa Senhora porque acredita mesmo na Encarnação de Deus. O Papa de Nossa Senhora é o Papa que não nos deixou com uma simples experiência religiosa, não falou só na importância de procurar Deus mas mostrou-nos uma presença real e encarnada, a presença de Cristo, do Verbo eterno do Pai que se fez homem no seio daquela jovem de Nazaré. O Papa de Nossa Senhora é, além disso, o Papa que sabe que Nossa Senhora, por ser mãe de Deus, por ser a Mãe do Redentor, é, de facto, alguém excepcional e não seria inteligente quem sabendo disto não se socorresse dela. O Papa totus tuus mostrou como a humanidade redimida, a começar por Maria, está chamada a viver uma vida completamente nova e, por isso, confiou nela, confiou a ela o mundo, consagrou ao seu Imaculado Coração o mundo inteiro, sabendo que a Mãe do Céu a todos protege, ele sabe bem que pode confiar porque ele mesmo experimentou essa protecção e desde 13 de Maio 1981 considerava-se um miraculado de Nossa Senhora.
O Papa de Nossa Senhora é o Papa da Eucaristia. Termina a vida na Páscoa do Ano da Eucaristia, mas ao longo destes 26 anos quantas vezes não nos comovemos ao vê-lo celebrar a Missa. Talvez agora alguns venham falar das suas homilias, que nos arrastavam a todos, mas não podemos esquecer, como se fosse secundária, a força interior com que as palavras e o silêncio da Missa eram vividos. Fosse na pequena capela privada ou fosse diante de uma multidão de jovens, o Papa quando celebrava a Missa colocava toda a sua pessoa nesse acto. E isto porquê? Porque na Missa é Cristo que está presente. O mesmo que Maria concebeu, na Sua verdadeira humanidade e divindade, está presente no altar! O Papa da Missa é, ainda, o Papa da Adoração, daqueles longos e sempre profundos olhares para Cristo na custódia, no sacrário, nas mãos do sacerdote, nas suas próprias mãos. É o Papa que pede ao Senhor que fique connosco, que permaneça presente no nosso mundo.
O Papa da Adoração é o Papa que pôs o mundo inteiro a rezar. Para ele não havia ninguém para quem Cristo não fosse tudo. Convocou os jovens, as famílias, os idosos e as crianças, os trabalhadores, os pobres e os políticos, os deficientes e os atletas, os artistas e os consagrados, a todos convidou a adorarem Deus presente com a oração e com uma vida que tivesse a ousadia da santidade. O Papa insistiu para que não tivéssemos medo de ser santos. Porque acreditou mesmo na presença e na força de Cristo, ele sabia que nos podia pedir para ser santos. Ele sabia que a santidade, embora conte com todo o nosso empenho, é sobretudo uma graça, um dom que Deus quer dar a todos. O Papa ajudou-nos a não ter vergonha da santidade, ajudou-nos a perceber que vale a pena o nosso pouco esforço, porque Deus o abençoa infinitamente. O Papa da santidade é o Papa dos grandes desafios morais. O Papa que não se contentou com o pouco mas nos propôs o máximo. O Papa que se arriscou a este desafio é aquele que mostrou como nada disto é abstracto ou impossível e, por isso, nunca até ele alguém tinha dado à Igreja tantos modelos de santidade empenhando a sua autoridade nas beatificações e nas canonizações.
Este é o Papa da Igreja. O Papa que deu a verdadeira interpretação do Concílio Vaticano II, o Papa da Lumen Gentium e da Gaudium et Spes foi o Papa que deu força à Igreja. Essa Igreja que se sentia velha rejuvenesceu, encheu-se de jovens, viveu a primavera com o Jubileu, está comprometida com o mundo para anunciar a todos Jesus Cristo, para que cada homem encontre Cristo no seu caminho e com ele percorra a sua vida. O Papa da Igreja que nasce da Eucaristia, da Igreja católica e universal, é também o Papa que procurou a comunhão com os outros cristãos. Com que força ele experimentava o desejo do próprio Jesus quando pedia ao Pai para que todos fossem um! Mas sabia e mostrou bem que esse caminho da unidade não é o do relativismo, é o caminho da conversão e da verdade, por isso um caminho que compromete estruturas e doutrinas, mas sobretudo os corações, por aí devemos começar o ecumenismo. E o Papa deu provas evidentes de que é possível avançar.
O Papa que fez todos estes desafios rompeu também com os ideais dos que se deixam convencer pelas delícias mundanas, que agradam à superfície mas esvaziam o coração, é o Papa que nos disse com todas as letras que há pecados que não têm razão de ser, que há mal objectivo, que a consciência é sagrada, mas não pode decidir tudo sozinha, tem de aprender, tem de conhecer a Lei de Deus. É, por isso, o Papa do Evangelho da Vida, o Papa da centesimus annus, que denunciou os males sociais, que fez frente aos grandes do mundo quando estes se lançavam na aventura da guerra, que não se deixou convencer pela normalização da contracepção, o Papa que não cedeu à superficialidade. Este é o Papa da moral cristã, não do moralismo que se reduz a regras, mas da moral que vai buscar os seus fundamentos à verdade do homem, é o Papa que insiste para que vejamos o esplendor da Verdade e coloquemos a nossa vida no seu caminho. O Papa que uns chamavam conservador e outros reformador, era o Papa que não se deixa definir por critério humanos mas defende a verdade do homem em todas as questões. O Papa que apela ao respeito humano é o mesmo que ensina que há maneiras humanas e grandiosas de viver a sexualidade. O Papa da moral sexual exigente é, por isso, o Papa da teologia do corpo. O Papa que mostrou a grandeza do amor humano e da sexualidade não podia deixar de ser o Papa que denunciaria as reduções que a cultura erótica, dominante e facilitista, insiste em propor.
Este é, por outro lado e ao mesmo tempo, o Papa da misericórdia. Só quem não teme a verdade revelada por Deus sobre o homem tem coragem para dizer, mesmo que seja contra corrente, que há bem e mal. Quem diz o que o homem é pode dizer como o homem deve agir. Mas o Papa quando diz o que deve ser a humanidade sabe, porque a fé cristã sempre assim ensinou, que o homem está marcado pelo pecado original, tem em si uma ferida que o torna estranhamente propenso para o pecado. Porém, a fé também ensina que já aconteceu a vitória do perdão. Quem conhece esta verdade, quem vive a Páscoa de Cristo, também sabe que a última palavra não é o nosso pecado, mas a misericórdia de Deus. Só alguém que não esquece as fragilidades humanas nem se esquece que mesmo assim o homem nunca deixou de ser imagem de Deus, pode falar de misericórdia. Este Papa não fingiu que não havia pecado nem contou só com as forças do homem, ele acredita em Cristo que é mesmo o Redentor do Homem, ele acredita que o Pai é mesmo Rico em Misericórdia, e, por isso, não se limita a dizer que Deus nos desculpa, mas mostra que Deus nos quer salvar, ele sabe que o Pai ao dar-nos o Espírito que vivifica quer que descubramos e vivamos a verdade plena das nossas vidas, colocando realmente a nossa liberdade em jogo, deixando o pecado e abraçando o caminho da santidade.
O Papa que anunciou a Redenção e a Misericórdia é o Papa do Jubileu. Tudo preparou para que celebração dos 2000 anos de Cristo não fosse apenas uma comemoração mas se tornasse a experiência viva nos corações e na sociedade da presença de Jesus Cristo, nascido há dois mil anos mas verdadeiramente ressuscitado e vivo. O Papa deu-nos um Jubileu que foi uma autêntica experiência da presença de Cristo, uma porta aberta para passarmos e entrarmos na comunhão da Igreja e com a Santíssima Trindade.
Mas, de novo, como no tempo dos Apóstolos, houve quem o ouvisse e houve quem se fechasse. O mundo depois do Jubileu não se tornou um paraíso, o mundo, porém tem agora de maneira mais viva, gente que sabe que Jesus é o Redentor do homem, que experimenta a alegria da comunhão com Deus, que não teme a santidade. Por isso o Papa não deixou que o Jubileu fosse um tempo fechado em si.
O Papa do Jubileu é, então, o Papa da Igreja que se põe em marcha. Se Cristo é tudo, como calar o encontro que tivemos? O Jubileu fez-nos pôr ao largo e lançar as redes. Não se seguem tempos de descanso mas tempos para gastar as forças na missão. O Papa da missão é ele mesmo o Papa missionário, das viagens e dos grandes embates culturais. Por todo o mundo é preciso ir, por todo o mundo o Papa foi e mostrou que não há cultura, não há povo, não há país onde a Missão do Redentor não deva ou não possa chegar. Com o seu exemplo muitos se lançaram nas missões, muitos novos movimentos se espalharam pelo mundo, por esse mundo pobre ou rico que não conhecia Cristo ou se tinha esquecido dele mas continuava à espera da salvação. O Papa de Cristo é o Papa que, até ao fim, não deixou de levar a Igreja a dizer a todos os homens: “abri as portas do vosso coração a Cristo”.
Agora parte, mas não deixa a Igreja na mesma, virá outro e Cristo continuará a ser para o novo Papa e para toda a Igreja aquilo que João Paulo II nos ensinou. Nós somos a sua geração, um povo que está pronto. Contamos com a intercessão de Karol Wojtyla, comprometemo-nos com a sua herança: amar a Cristo, amar a Igreja, anunciar a todos os povos que Cristo está vivo e salva-nos do mal e da morte.
P. Duarte da Cunha
(3 de Abril de 2005)
Eis-me em Timor procurando acompanhar a Igreja toda que chora pelo Papa. As notícias vão chegando pela Antena 1, pela RTP i ou pela Rai Internacional. E vemos partir para junto dAquele a quem já há muito tinha dado a vida, um Papa que nos ensinou a tantos de nós, que só dando a vida a Cristo ela tem sentido.
Vão surgindo muitos comentários sobre o pontificado. Os primeiros vão ser muito elogiosos, depois virão os mais críticos. Provavelmente vamos ser bombardeados com tantos, que até pode acontecer que nos esqueçamos de procurar ter um olhar de fé, tal como o Papa sempre nos ensinou a ter. Ouviremos políticos, homens e mulheres de cultura, pessoas de várias religiões, alguns não crentes, e, claro, alguns católicos, bispos, padres, leigos...
Já se ouvem muito daqueles que elogiam o Papa por ter lutado contra a morte (quando o que vimos foi um homem a aceitar a morte à medida que ela se aproximava nos últimos anos, sem esconder, sem achar que só a vida activíssima pode ter lugar na sociedade)! O Papa lutou contra a morte, ou melhor, contra a cultura da morte, mas acolheu muito claramente a sua morte. Virão, sem dúvida, as análises sócio-políticas que não podem deixar de vincar a importância do Papa para as mudanças políticas que o final do segundo milénio viu acontecerem. O fim do comunismo, não há dúvida, muito lhe deve. Mas que ninguém se esqueça que a sua força estava no facto dessas e outras ideologias serem verdadeiramente contra o homem. Aquele Papa que acredita em Deus não podia deixar de denunciar como anti-humana as ideologias (socialistas ou liberais) que neguem a importância de Deus. O Papa foi, como tantos têm estado a dizer, um Papa dos Direitos do Homem, mas não se esqueçam esses e nós todos que de todos os Direitos o que ele melhor nos mostrou ser necessário defender é o Direito à vida, esse direito que pertence a cada ser humano desde o primeiro instante da sua existência como ser unicelular até à morte natural!
Outros falam do Papa do diálogo, que é sem dúvida uma das suas grandes características, mas alguns falam desta sua capacidade de dialogar à maneira do mundo, ou seja, um diálogo em que cada um diz o que tem a dizer e todos ficam na mesma! É verdade que João Paulo II reconheceu o valor de tantos que são diferentes, de pessoas doutras religiões, de gente com outras ideias políticas ou com diferentes perspectivas da sociedade, e todos se sentiram acolhidos. O Papa mostrou muito bem que não é a violência mas o amor que pode construir o futuro. Mas nunca o ouvimos dizer que as religiões ou as opiniões se equivalem, nem o vimos com medo de chamar as coisas pelo seu nome diante de quem quer que fosse. Nunca o vimos com respeitos humanos a calar a verdade. Para o Papa não havia fórum humano que estivesse fora da sua missão, ele ouvia, aprendia com todos, com cientistas e políticos, homens religiosos ou pessoas sem fé, mas também a todos dirigia a palavra. Nunca foi uma palavra de conveniência. Quando o Vigário de Cristo falava não perdia tempo em inutilidades, Cristo tem algo a dizer, o Papa punha ao Serviço do Senhor o seu ministério. Ele foi, por tudo isto e sem dúvida um homem de diálogo, mas porque vivia a experiência da certeza. Que certeza? Talvez seja isso que poucos jornalistas ou comentaristas (salvo a Aura Miguel) vão saber dizer. A certeza de que Cristo é o Senhor, está vivo, ama-nos e chama todos à conversão. O Papa é, de facto, um grande testemunho de Cristo, foi e sê-lo-á sempre. Ele mostrou-nos Cristo sem disfarces, sem adocicar a sua cruz, sem tentar adaptar. Por isso, o Papa mostrou-nos Cristo em todo o Seu esplendor, em toda a Sua atractividade. É isso que os jovens lhe agradecem. Com este Papa tantos descobriram Cristo e decidiram consagrar a sua vida e tantos outros acolheram o Evangelho da Família e da Vida nas suas vidas. É Cristo que este Papa nos tem dado. É Cristo que nós todos continuamos a querer e a amar.
O Papa tornou claro a quantos de coração iluminado pela fé o ouviram que Cristo está aqui e agora. Desde o início, Cristo Redentor do Homem, Cristo centro do cosmos e da história, foi o centro de toda a sua mensagem e de toda a sua vida. Cristo, com a força e o amor deste Papa, não foi relegado para uma esfera do religioso ou para um qualquer passado, não foi reduzido a um profeta ou a um revolucionário marxista. Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, entrou na vida de todos nós, neste quotidiano capilar das nossas vidas de trabalho, família, sofrimento e alegrias, e está mesmo presente. É de ontem, de hoje e de sempre. O Papa, até ao fim, disse-nos, muitas vezes mostrando com a sua própria vida, que Cristo está vivo. Como era claro quando este homem, que todos eram capazes de dizer que era um santo, denunciava os piores crimes, esses que até já há quem queira tornar um direito, como o aborto, a eutanásia, a guerra, não deixando nenhuma dúvida sobre o terrível que é a cultura da morte e sobre o importante que é construir uma cultura da vida e do amor. Donde lhe vinha essa coragem? D’Aquele que tudo pode, do Senhor da vida. Talvez seja essa a razão pela qual até aqueles que mais o criticavam não podiam deixar de o respeitar. O mundo tem muito poucos homens que experimentam e testemunham esta intimidade com Deus. Quem o quer seguir sabe muito bem que nestas coisas que tocam no essencial da vida humana não pode haver brechas, mas também pode contar com a mesma força de Cristo que vence todos os medos.
E no entanto, este homem consciente e sofredor pelo mal todo que o mundo insiste em gerar, era um homem alegre, alguém que ria e fazia rir, um homem que brincava e fazia as pessoas à sua volta estarem bem dispostas. Nunca o vimos com a alegria própria do distraído, sempre o vimos com a alegria do santo que, vivendo conscientemente da fé, tem esperança e por isso sabe que a ressurreição é um facto. A esperança que nos ensinou não foi a utopia de que o mundo será o paraíso, mas também nunca foi uma coisa que nos dispensasse do empenho dramático na construção dum mundo mais conforme ao plano de Deus. Ele deu-nos a esperança em Cristo: mostrou que não somos deste mundo e deu-nos força para fazer deste mundo uma casa onde Cristo reine mesmo. Falava da importância de construir um mundo melhor, e muitos se comprometeram a partir da sua palavra, mas nunca deixou de lembrar que esse mundo só é melhor se Deus estiver presente, se o coração de cada homem e cada mulher abrir as portas a Cristo. A frase mais vezes repetida em tantas e tão variadas ocasiões o Papa pegou-a do Concílio: “Na realidade, o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente” (GS 22).
O Papa da certeza sobre Cristo é, por isso, o Papa que não deixou que o fim do segundo milénio e o início do terceiro tivesse declarado que Deus não existia, ou que relegasse Deus para um longínquo céu. O Papa tornou claro que Deus está presente e que precisamos dele. O Papa foi, de facto, um homem de fé, alguém para quem acreditar não era uma coisa marginal aos problemas sociais, ou algo que passava ao lado da vida. Este é o Papa que nos libertou das filosofias racionalistas ou idealista para afirmar que existe uma autêntica relação entre a fé e a razão. Culturalmente, até entre teólogos, havia quem julgasse que a fé e a razão nada tinham que ver uma com a outra, e, a partir desta separação tornavam a religião uma coisa à margem da vida, o Papa disse, mas mais do que só falar, mostrou na sua vida e morte, que só em Deus e com Deus o homem se realiza verdadeiramente, só na fé a razão alcança o seu cume, mas fé sem razão não é cristã.
O Papa que nos anunciou Cristo e que nos mostrou a sua presença na vida só podia ser um Papa de Nossa Senhora. Um Papa filósofo, teólogo, professor... mas nem por isso menos simples na devoção. A devoção a Nossa Senhora com a oração do Terço é uma marca evidente da fé cristã, algo que todos sentiam ser profundamente autêntico no Papa e algo que fazia os mais simples sentirem o Papa como um dos seus. O Papa reza a Nossa Senhora porque acredita mesmo na Encarnação de Deus. O Papa de Nossa Senhora é o Papa que não nos deixou com uma simples experiência religiosa, não falou só na importância de procurar Deus mas mostrou-nos uma presença real e encarnada, a presença de Cristo, do Verbo eterno do Pai que se fez homem no seio daquela jovem de Nazaré. O Papa de Nossa Senhora é, além disso, o Papa que sabe que Nossa Senhora, por ser mãe de Deus, por ser a Mãe do Redentor, é, de facto, alguém excepcional e não seria inteligente quem sabendo disto não se socorresse dela. O Papa totus tuus mostrou como a humanidade redimida, a começar por Maria, está chamada a viver uma vida completamente nova e, por isso, confiou nela, confiou a ela o mundo, consagrou ao seu Imaculado Coração o mundo inteiro, sabendo que a Mãe do Céu a todos protege, ele sabe bem que pode confiar porque ele mesmo experimentou essa protecção e desde 13 de Maio 1981 considerava-se um miraculado de Nossa Senhora.
O Papa de Nossa Senhora é o Papa da Eucaristia. Termina a vida na Páscoa do Ano da Eucaristia, mas ao longo destes 26 anos quantas vezes não nos comovemos ao vê-lo celebrar a Missa. Talvez agora alguns venham falar das suas homilias, que nos arrastavam a todos, mas não podemos esquecer, como se fosse secundária, a força interior com que as palavras e o silêncio da Missa eram vividos. Fosse na pequena capela privada ou fosse diante de uma multidão de jovens, o Papa quando celebrava a Missa colocava toda a sua pessoa nesse acto. E isto porquê? Porque na Missa é Cristo que está presente. O mesmo que Maria concebeu, na Sua verdadeira humanidade e divindade, está presente no altar! O Papa da Missa é, ainda, o Papa da Adoração, daqueles longos e sempre profundos olhares para Cristo na custódia, no sacrário, nas mãos do sacerdote, nas suas próprias mãos. É o Papa que pede ao Senhor que fique connosco, que permaneça presente no nosso mundo.
O Papa da Adoração é o Papa que pôs o mundo inteiro a rezar. Para ele não havia ninguém para quem Cristo não fosse tudo. Convocou os jovens, as famílias, os idosos e as crianças, os trabalhadores, os pobres e os políticos, os deficientes e os atletas, os artistas e os consagrados, a todos convidou a adorarem Deus presente com a oração e com uma vida que tivesse a ousadia da santidade. O Papa insistiu para que não tivéssemos medo de ser santos. Porque acreditou mesmo na presença e na força de Cristo, ele sabia que nos podia pedir para ser santos. Ele sabia que a santidade, embora conte com todo o nosso empenho, é sobretudo uma graça, um dom que Deus quer dar a todos. O Papa ajudou-nos a não ter vergonha da santidade, ajudou-nos a perceber que vale a pena o nosso pouco esforço, porque Deus o abençoa infinitamente. O Papa da santidade é o Papa dos grandes desafios morais. O Papa que não se contentou com o pouco mas nos propôs o máximo. O Papa que se arriscou a este desafio é aquele que mostrou como nada disto é abstracto ou impossível e, por isso, nunca até ele alguém tinha dado à Igreja tantos modelos de santidade empenhando a sua autoridade nas beatificações e nas canonizações.
Este é o Papa da Igreja. O Papa que deu a verdadeira interpretação do Concílio Vaticano II, o Papa da Lumen Gentium e da Gaudium et Spes foi o Papa que deu força à Igreja. Essa Igreja que se sentia velha rejuvenesceu, encheu-se de jovens, viveu a primavera com o Jubileu, está comprometida com o mundo para anunciar a todos Jesus Cristo, para que cada homem encontre Cristo no seu caminho e com ele percorra a sua vida. O Papa da Igreja que nasce da Eucaristia, da Igreja católica e universal, é também o Papa que procurou a comunhão com os outros cristãos. Com que força ele experimentava o desejo do próprio Jesus quando pedia ao Pai para que todos fossem um! Mas sabia e mostrou bem que esse caminho da unidade não é o do relativismo, é o caminho da conversão e da verdade, por isso um caminho que compromete estruturas e doutrinas, mas sobretudo os corações, por aí devemos começar o ecumenismo. E o Papa deu provas evidentes de que é possível avançar.
O Papa que fez todos estes desafios rompeu também com os ideais dos que se deixam convencer pelas delícias mundanas, que agradam à superfície mas esvaziam o coração, é o Papa que nos disse com todas as letras que há pecados que não têm razão de ser, que há mal objectivo, que a consciência é sagrada, mas não pode decidir tudo sozinha, tem de aprender, tem de conhecer a Lei de Deus. É, por isso, o Papa do Evangelho da Vida, o Papa da centesimus annus, que denunciou os males sociais, que fez frente aos grandes do mundo quando estes se lançavam na aventura da guerra, que não se deixou convencer pela normalização da contracepção, o Papa que não cedeu à superficialidade. Este é o Papa da moral cristã, não do moralismo que se reduz a regras, mas da moral que vai buscar os seus fundamentos à verdade do homem, é o Papa que insiste para que vejamos o esplendor da Verdade e coloquemos a nossa vida no seu caminho. O Papa que uns chamavam conservador e outros reformador, era o Papa que não se deixa definir por critério humanos mas defende a verdade do homem em todas as questões. O Papa que apela ao respeito humano é o mesmo que ensina que há maneiras humanas e grandiosas de viver a sexualidade. O Papa da moral sexual exigente é, por isso, o Papa da teologia do corpo. O Papa que mostrou a grandeza do amor humano e da sexualidade não podia deixar de ser o Papa que denunciaria as reduções que a cultura erótica, dominante e facilitista, insiste em propor.
Este é, por outro lado e ao mesmo tempo, o Papa da misericórdia. Só quem não teme a verdade revelada por Deus sobre o homem tem coragem para dizer, mesmo que seja contra corrente, que há bem e mal. Quem diz o que o homem é pode dizer como o homem deve agir. Mas o Papa quando diz o que deve ser a humanidade sabe, porque a fé cristã sempre assim ensinou, que o homem está marcado pelo pecado original, tem em si uma ferida que o torna estranhamente propenso para o pecado. Porém, a fé também ensina que já aconteceu a vitória do perdão. Quem conhece esta verdade, quem vive a Páscoa de Cristo, também sabe que a última palavra não é o nosso pecado, mas a misericórdia de Deus. Só alguém que não esquece as fragilidades humanas nem se esquece que mesmo assim o homem nunca deixou de ser imagem de Deus, pode falar de misericórdia. Este Papa não fingiu que não havia pecado nem contou só com as forças do homem, ele acredita em Cristo que é mesmo o Redentor do Homem, ele acredita que o Pai é mesmo Rico em Misericórdia, e, por isso, não se limita a dizer que Deus nos desculpa, mas mostra que Deus nos quer salvar, ele sabe que o Pai ao dar-nos o Espírito que vivifica quer que descubramos e vivamos a verdade plena das nossas vidas, colocando realmente a nossa liberdade em jogo, deixando o pecado e abraçando o caminho da santidade.
O Papa que anunciou a Redenção e a Misericórdia é o Papa do Jubileu. Tudo preparou para que celebração dos 2000 anos de Cristo não fosse apenas uma comemoração mas se tornasse a experiência viva nos corações e na sociedade da presença de Jesus Cristo, nascido há dois mil anos mas verdadeiramente ressuscitado e vivo. O Papa deu-nos um Jubileu que foi uma autêntica experiência da presença de Cristo, uma porta aberta para passarmos e entrarmos na comunhão da Igreja e com a Santíssima Trindade.
Mas, de novo, como no tempo dos Apóstolos, houve quem o ouvisse e houve quem se fechasse. O mundo depois do Jubileu não se tornou um paraíso, o mundo, porém tem agora de maneira mais viva, gente que sabe que Jesus é o Redentor do homem, que experimenta a alegria da comunhão com Deus, que não teme a santidade. Por isso o Papa não deixou que o Jubileu fosse um tempo fechado em si.
O Papa do Jubileu é, então, o Papa da Igreja que se põe em marcha. Se Cristo é tudo, como calar o encontro que tivemos? O Jubileu fez-nos pôr ao largo e lançar as redes. Não se seguem tempos de descanso mas tempos para gastar as forças na missão. O Papa da missão é ele mesmo o Papa missionário, das viagens e dos grandes embates culturais. Por todo o mundo é preciso ir, por todo o mundo o Papa foi e mostrou que não há cultura, não há povo, não há país onde a Missão do Redentor não deva ou não possa chegar. Com o seu exemplo muitos se lançaram nas missões, muitos novos movimentos se espalharam pelo mundo, por esse mundo pobre ou rico que não conhecia Cristo ou se tinha esquecido dele mas continuava à espera da salvação. O Papa de Cristo é o Papa que, até ao fim, não deixou de levar a Igreja a dizer a todos os homens: “abri as portas do vosso coração a Cristo”.
Agora parte, mas não deixa a Igreja na mesma, virá outro e Cristo continuará a ser para o novo Papa e para toda a Igreja aquilo que João Paulo II nos ensinou. Nós somos a sua geração, um povo que está pronto. Contamos com a intercessão de Karol Wojtyla, comprometemo-nos com a sua herança: amar a Cristo, amar a Igreja, anunciar a todos os povos que Cristo está vivo e salva-nos do mal e da morte.
P. Duarte da Cunha
(3 de Abril de 2005)
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