segunda-feira, dezembro 05, 2005

Crucifixos e Liberdade

No Diário de Notícias, no destaque do correio dos leitores, no dia 30 de Novembro, e no Público de 2 de Dezembro (e neste caso com a nota final incluída...), apareceu o meu artigo em referência e que aqui transcrevo:

Crucifixos e Liberdade

A anunciada retirada de crucifixos das escolas públicas, por ordem do Ministério da Educação, tem pelo menos, em virtude da sua visibilidade, o mérito de tirar as dúvidas, a quem ainda as tivesse, de que existe uma ofensiva organizada, na linha da “melhor” tradição maçónica da 1ª República, da cultura fundamentalista do laicismo. Tem também o mérito de tornar claras e transparentes, duas situações: o domínio do Ministério da Educação por parte de grupos que comungam desse mesmo ideal (e por isso tão dedicados à criação de dificuldades ao ensino não estatal, em grande parte de origem religiosa) e também o que pode esperar a ingenuidade de alguns quando procuram dialogar ou esperam abertura de correntes de pensamento, para as quais a influência social e a presença pública da Igreja Católica são causa de enorme incómodo.

Tudo isto se agrava quando, em vez da simples inimizade, quem assim procede invoca valores que revela claramente não respeitar. Em concreto, a laicidade do estado e a liberdade religiosa. Por laicidade entende-se que as esferas política e religiosa, são autónomas. A esfera política não precisa de uma religião para se legitimar, justificar ou funcionar. Em contrapartida o estado é incompetente em matéria religiosa, não podendo imiscuir-se na fé individual nem na vida das igrejas. Quanto à liberdade religiosa entende-se como o direito de todos os homens a professarem a religião que entenderem ou a não professar nenhuma. Inclui também o direito ao exercício individual e comunitário da fé de cada um.

Ora, na retirada dos crucifixos, aquilo a que assistimos é contrário. Ou seja, a adopção do laicismo (aquela atitude que consiste em afastar a religião do espaço público) como religião do Estado. A violação da liberdade religiosa através da prática política da intolerância. Ao impedir as comunidades locais e escolares, que o desejem, de viverem as suas identidade, tradição e convicções, é vedado a milhares de portugueses fazer uma experiência pessoal, social e cultural que tem a sua origem numa realidade (o povo que se reconhece na igreja católica) que é mais antiga, neste território, que a nação portuguesa.

Para nós católicos, o ponto fundamental é este: o da liberdade. A liberdade de educarmos os nossos filhos como entendemos. A liberdade de termos connosco nos momentos decisivos da nossa vida colectiva aqueles que queremos como companhia. A liberdade de vivermos a nossa fé nas ruas e nas praças. A liberdade de criar e desenvolver as nossas instituições sociais. A liberdade de expressão para nós e para os nossos sacerdotes (ver nota). A liberdade de constituir e viver em família. Estamos convictos que defendendo a nossa liberdade, defendemos a liberdade de todos.

António Pinheiro Torres
Ex. deputado do PSD

Nota: em Portugal, este ano, em virtude seja de homílias seja de artigos na imprensa, houve já três sacerdotes a contas com a justiça penal ou com o “tribunal” dos media…

Querem mandar os Padres para a prisão?

Na passada 3ª feira, no jornal "O Diabo", publiquei este artigo (o assunto, o julgamento do Padre Nuno Serras Pereira, já consta de post anterior):

Querem mandar os Padres para a prisão?

Na semana passada, num dos juízos criminais de Lisboa, foi condenado a 130 dias de multa a um euro por dia (a pena prevista no Código Penal é de dois anos de prisão) o Padre Nuno Serras Pereira e absolvido o Padre José Luís Borga. Ambos eram acusados de crime de difamação pela Associação para o Planeamento da Família (que se reconhece em relatórios internacionais como uma das principais associações promotoras das campanhas em favor do aborto livre) na sequência da publicação do artigo (da autoria do primeiro) “Os Abortófilos”, no jornal do Entroncamento (dirigido pelo segundo). A todos os títulos o que se passou é grave.

Primeiro que tudo, porque constatou-se no decorrer do julgamento que a pretensa ofendida (a APF) não havia usado do direito de resposta que legalmente lhe assistia (e através do qual pela publicação de um esclarecimento poderia ter remediado o eventual dano junto dos menos de dois mil eventuais leitores do jornal). Antes deixava supor que usava o processo como meio de pressão sobre quem pensava de forma diferente. Por outro lado impressionou também que nas declarações das suas testemunhas, a APF não foi capaz de negar nem a exactidão das citações que o Padre Serras Pereira tinha transcrito, nem alguns dos factos constantes do artigo. Apesar disso a juíza do processo revelou com a sua decisão que não foi sensível a este aspecto do julgamento.

Ora, este desenrolar do processo veio revelar que também em Portugal poderá vir a suceder aquilo que já é prática em alguns países democráticos. Ou seja, a manifestação de uma opinião contrária à mentalidade dominante nos “media” pode dar origem a processos judiciais e por vezes, resultar mesmo em prisão. Nessa medida tem razão quem declara que esse dia foi um dia negro para a liberdade de expressão em Portugal. Trinta anos depois do 25 de Abril ainda há quem pretenda exercer o exame prévio e a censura, quando for contrariado…

Nesse sentido impressiona muito a falta de cultura democrática da APF quando vem instaurar um processo por difamação alegando a falsidade (que não conseguiu demonstrar) dos factos invocados no artigo em causa. Ou quando se queixa da linguagem empregue que não só corresponde à tradição literária portuguesa da polémica, como não excede o tom habitual no debate político mais fervoroso. Perguntamo-nos pelo escândalo que causaria a instauração de processos por parte dos que defendem o Não ao aborto livre, sempre que as nossas posições são classificadas, na melhor das hipóteses, como hipócritas…

Mas engana-se quem pensar que assim nos atemoriza. Processos como estes vem mostrar a intolerância que se esconde por trás da apregoada tolerância daqueles que são favoráveis ao aborto livre: essa passa sempre pela exclusão de alguém. Mas, como dizia o poeta, haverá sempre alguém que resiste, haverá sempre alguém para dizer Não!

António Pinheiro Torres
Juntos pela Vida

Nota: a pergunta que intitula este artigo, faz referência ao estafado slogan de “eles querem mandar as mulheres para a prisão”…o seu a seu dono.

domingo, dezembro 04, 2005

Gays e artigo 13º da Constituição

Se não fosse uma desgraça, a repetida (e inevitável e fatal) invocação da actual redacção do artigo 13º da Constituição Portuguesa (refere-se ao príncipio da igualdade e prevê a "orientação sexual" como uma das razões em virtude da qual não se pode ser discriminado) deixar-me-ia "alegre e vingado" cada vez que recordo as vozes moderadas/razoáveis/modernas/consensuais que no grupo parlamentar do PSD acharam um exagero a oposição que eu e quase metade do mesmo grupo manifestámos à modificação do dito artigo, aquando da última revisão constitucional...
Como diz um amigo meu, doutorado e matemático, "quando um radical diz que 2+2=4, e outro diz que 2+2=10, há sempre um moderado que, perante o aplauso geral, diz que 2+2=7...!" :-)

Crucifixos e escolas: liberdade de educação!!!

Para perceber melhor o post anterior, e o título deste: http://www.liberdade-educacao.org (site do Fórum para a Liberdade de Educação, de que sou um dos fundadores).
Esta é a batalha sem a qual nunca haverá um sistema de educação decente e que funcione em Portugal!

Ainda os crucifixos e as escolas

Observa-me um leitor do Blog e também o Daniel Oliveira do BE que nós os católicos se quisermos, que ponhamos os nossos filhos em escolas católicas...ora aí está o problema real com que nos deparamos nós e qualquer português que tenha um propósito determinado quanto à educação dos seus filhos!! Ou nos sujeitamos ao ensino "oficial", "gratuito" (ou seja, pago com os nossos impostos porque "there is no a such thing as free lunches!"...) ou somos "ricos" e , do nosso bolso, pagamos os colégios católicos...! Ou seja, pagamos duas vezes a educação dos nossos! O problema real é esse! Em vez de um sistema normal e justo que seria o Estado dizer (e é isso o cheque ensino): "tome lá x contos por mês e inscreva o seu filho na escola que entender, estatal ou não, mas que tenha um projecto educativo com que o senhor concorde", o Estado português diz: "não me interessa o que queres para o teu filho, tens aqui a escola "pública", com o ensino que eu defino como o adequado para o teu filho, e que agora até exclui o crucifixo na sala de aula, e se não quiseres, tanto me faz, pagas os impostos e se tiveres dinheiro mete o teu filho na escola católica que entenderes...Ah, é verdade, vou continuar a tentar asfixiar essa escola, com regulamentos estupidos e exigências estapafúrdias, para ver se percebes que deves pôr o teu filho na escola estatal...maçónica e republicana que é o que convém ao teu filho, porque eu sei melhor do que tu o que é bom para ele..."
Enquanto as coisas estiverem assim, crucifixos nas escolas estatais é um minimo ético...! :-)

segunda-feira, novembro 28, 2005

Sobre os crucifixos nas escolas

Acabo de escrever um artigo de opinião, sobre o assunto em referência, que espero seja publicado poralgum dos grandes diários...?
Mas a questão também me suscita esta reflexão mais dirigida aos abismos da alma humana: como pode a existência, numa sala de aula, da figura de um homem crucificado, ser tão insuportável, que leva meia dúzia de pessoas a dar-se ao trabalho de elaborar um inventário “policial” das salas onde existe uma cruz e das escolas onde houve alguma manifestação religiosa? Como pode incomodá-las tanto uma imagem que, ao longo da história, representa não apenas o Deus que alguns adoram, mas também toda a excelência da humanidade: amor ao próximo, sabedoria, bondade, solidariedade, igualdade. Ou seja aqueles valores em que se fundamentam os direitos fundamentais, objecto de uma declaração universal e consagrados na constituição portuguesa. Que raiva e intolerância os move? Que lhes faz aquela figura de um crucificado?
Adorava perceber esta parte...!?

quarta-feira, novembro 23, 2005

Crescimento da SIDA em Portugal

As notícias desenvolvidas, ontem publicadas no Diário de Notícias ( www.dn.pt ), sobre o crecimento da infecção no mundo e em especial, em Portugal só surpreenderão quem persiste em reduzir a questão ao uso ou não de preservativo nas relações sexuais...
Como me dizia um Padre amigo, já há alguns anos, a política única de combate à doença (baseada na disseminação do conceito de sexo seguro e na distribuição de preservativos como a excelência da educação para a prevenção) consiste em termos práticos, em "soprar para a fogueira"...
E para que não se pense que me preocupa um mero objecto de borracha declaro desde já que sempre achei que, citando São Paulo, "senão podeis ser castos, ao menos sede cautos"...o problema está noutro lado:
- em não se educar para a sexualidade no âmbito do amor;
- em apresentar todos os comportamentos como moralmente equivalentes (a promiscuidade como a fidelidade, a heterosexualidade, como a homossexualidade, o sexo conforme está pensado na natureza e aquele que atenta contra esta, etc.);
- em não se informar cabalmente sobre as reais possibilidades do preservativo em prevenir essa específica doença sexualmente transmíssivel (no que estamos consideravelmente atrasados: nos Estados Unidos qualquer folheto da FDA diz, preto no branco, "o preservativo é o mais efectivo meio de protecção contra a transmissão do virus da SIDA mas não protege a 100%. A única protecção 100% eficaz é a abstinência");
- em não perceber que para tudo há um tempo próprio e que o início prematuro da vida sexual activa pode ser fatal e que a única coisa que a torna inevitável (a prematuridade) é a mentalidade dos educadores e de uma sociedade hipersexualizada onde a pornografia é uma forma habitual de comunicação que ganhou foros de cidadania, contra as evidências da experiência humana.
- em esta questão, em Portugal, ser tratada a nível do aparelho de Estado por pessoas irresponsáveis (que aliviam os próprios e pessoais traumas propondo uma vida que em muitos casos nem tem a coragem e quase sempre, nem a possibilidade, de viver) ou preconceituosas ao ponto de nem sequer repararem que a própria OMS tem um modelo chamado ABC, que recomenda como o adequado para fazer face a esta questão (e que no Uganda fez recuar as taxas de infecção): "Abstinence, Be faithfull e [só depois e se não for possível o anterior] Condom"...
Enquanto assim continuarmos a infecção continuará a progredir. Não será tempo de pararmos e pensarmos um pouco?

terça-feira, novembro 22, 2005

Juntos pela Vida, APF e Padre Serras Pereira

Parece que querem mandar os Padres para a prisão!
Sob a situação do título deste post os Juntos pela Vida emitiram o comunicado que abaixo reproduzo.
A quem me pedir para pinheirotorres@hotmail.com enviarei o artigo "Os abortófilos" que está na origem desta polémica e desta vergonha.
Nota: de acordo com as nossas informações, a APF prepara-se agora para desencadear processos contra outras pessoas e associações do Não. Vai ser uma festa...! :-)
O comunicado, diz assim:

A propósito de Padres no banco dos réus

Foi com grande consternação que os Juntos Pela Vida souberam da condenação do Pe. Nuno Serras Pereira no âmbito de um processo-crime no qual este sacerdote vinha acusado da prática do crime de difamação, em resultado de uma queixa apresentada pela APF (Associação para o Planeamento da Família), alegadamente ofendida pelo artigo “Os Abortófilos”, publicado no jornal do Entroncamento dirigido pelo Padre José Luís Borga.

Queremos por isso publicamente:

1. Manifestar a nossa solidariedade e total apoio ao Padre Nuno Serras Pereira. Sabíamos que em alguns países que vivem em democracia (EUA, Canadá e outros) a manifestação de uma opinião contrária à mentalidade dominante nos “media” pode provocar processos semelhantes e às vezes resultar em prisão. Verificamos agora que tal também pode suceder em Portugal.

2. Testemunhar, em virtude de termos assistido à audiência de julgamento, que no processo ficou demonstrado que:

a) A APF não se socorreu, junto do jornal do Entroncamento, do “direito de resposta” como legalmente lhe era garantido, reagindo assim em termos normais a um artigo de opinião com que pretensamente se terá “ofendido”;

b) A APF não pediu no processo qualquer indemnização cível;

c) A APF usou o processo apenas para exercer uma inaceitável pressão sobre o Padre Nuno Serras Pereira e outras pessoas que sobre a APF e quem defende o aborto, fazem o mesmo juízo ou avaliação.

d) Correspondiam à verdade não apenas as citações incluídas no artigo em causa, como as situações descritas no mesmo. Isto mesmo foi confirmado pela testemunha Maria José Alves (membro destacado da Associação).

3. Reafirmar que a APF é hoje, como o é desde longa data, uma organização cuja grande preocupação política é a obtenção do aborto livre em Portugal, conforme nomeadamente se pode verificar de qualquer abaixo-assinado movido pelo mesmo propósito, da presença sistemática dos seus membros nos debates sobre o aborto, em posição favorável ao mesmo, ou até de declarações de Duarte Vilar quando descreve em relatórios internacionais da IPPF a actuação da sua organização e a caracteriza como desempenhando um papel determinante nessa batalha política. Nenhum problema existe nesse facto se simultaneamente a APF não fosse a organização tentacularmente mais instalada a nível de aparelho de Estado, nas questões da educação sexual e planeamento familiar, e através dessa posição desenvolva uma actividade persistente de formação das mentalidades no mesmo sentido dos seus objectivos políticos.

4. Acusar a APF de falta de cultura cívica e democrática. Ficou assim patente aos olhos de todos a intolerância que se esconde na posição de tantos tolerantes…

5. Lembrar que no debate político e naquele que versa sobre o aborto em especial, a temperatura da expressão sobe com frequência e que quem não é capaz de aguentar essas oscilações não deve frequentar essas paragens… Não é por acaso a palavra hipocrisia (que acreditamos é universalmente entendida como insultuosa) aquela que mais frequentemente é chamada à colação para descrever a atitude daqueles que se opõem ao aborto livre? E, apesar disso, há memória de algum processo judicial mandado instaurar por alguma dessas pessoas ou associações? Haja pois uma tolerância real, porque aquela da APF, já o sabíamos, passa sempre pela exclusão de alguém…

6. Informar a APF e todas as pessoas e organizações que defendem o aborto livre que manobras de pressão como esta não nos atemorizam. Apesar de, aqui sim, parecer que há quem queira mandar os outros para a prisão, fiquem sabendo que, como dizia o poeta, haverá sempre alguém que resiste, haverá sempre alguém que diga Não!

7. Declarar o dia de hoje como um dia negro para a liberdade de expressão em Portugal. 30 anos depois do 25 de Abril há por aí uns senhores que se dão mal com a democracia e querem repôr o “lápis azul”.

Lisboa, 21 de Novembro de 2005

A Direcção dos Juntos pela Vida

domingo, outubro 30, 2005

Aborto: referendo chumbado e Juntos pela Vida

A trapalhada e a precipitação parlamentar do Partido Socialista (muito empurrada pelo BE) terminaram como era fatal: num estouro! A direcção de grupo parlamentar mais inepta de sempre (e totalmente nas mãos do Dr. Louçã) provocou o Presidente da República e entalou o Primeiro-Ministro...o que valeu ao país foram o sentido de responsabilidade do Presidente, a coragem do Primeiro-Ministro e a cultura democrática de ambos. Bem como a independência do Tribunal Constitucional. O futuro se verá...
Entretanto a Associação Juntos pela Vida, publicou o seguinte

COMUNICADO

1. A Associação Juntos pela Vida
· Saúda o Primeiro Ministro, Eng. José Sócrates e o PS pela decisão de não retirar aos portugueses a possibilidade de decidirem em referendo sobre a liberalização do aborto em Portugal.
· Saúda o Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio pela decisão de remeter ao Tribunal Constitucional a questão.
· Denuncia as posições totalitárias e anti-democráticas do PCP e do BE de forçarem a alteração da lei do aborto na Assembleia da República. Em especial o BE que em menos de dois meses defendeu uma posição e a sua contrária sem se aperceber do ridículo espectáculo que deu aos portugueses.

2. A Associação Juntos pela Vida continua empenhada em discutir soluções sociais para esta questão social e por isso desafia os deputados na AR a
· Adjudicarem o estudo sobre a realidade do aborto em Portugal conforme a resolução aprovada há mais de dois anos e que continua a sofrer um incomprensível “veto de gaveta” da AR;
· Debaterem em plenário a petição que mais de 217 mil portuguesas e portugueses dirigiram aos Senhores deputados solicitando mais e melhores políticas de apoio à família e à maternidade;
· Denuciarem as intenções poucos claras e nada fundamentadas do Ministério da Saúde em promover o negócio do aborto à custa dos impostos dos portugueses.

3. A Associação Juntos pela Vida opõe-se inteiramente à liberalização do aborto, violação directa do direito à vida da criança não nascida. Mais, opõe-se ao aborto enquanto agressão à mãe que o realiza, dado os laços inquebráveis que unem sempre e em qualquer circunstância família, mãe e filho.

4. A Associação Juntos pela Vida declara mais uma vez o seu compromisso em dar todo o apoio às mulheres, mães e famílias que dele precisem, para que em Portugal não se possa dizer “eu abortei pois não tinha outra solução”.

Lisboa, 28 de Outubro de 2005

terça-feira, outubro 25, 2005

Portugal e a depressão nacional

Recebido de um amigo, há já alguns dias:
"Vivemos, num país mesmo triste...até o Furacão Vince, quando se apercebeu que vinha para Portugal, passou rapidamente a Depressão."... :-)

segunda-feira, outubro 24, 2005

Aborto, referendo e Presidente da República

De um amigo, recebi este comentário, que subscrevo integralmente:
"Sampaio há três dias: “não cabe ao presidente pronunciar-se sobre rumores.”
Sampaio vária vezes: “quando no estrangeiro o presidente não comenta assuntos de política interna”
Nunca mais chegam as eleições?"... :-)

Aborto, Referendo e Presidente da República

Recebi este comentário, de um amigo, que subscrevo completamente:
"Sampaio há três dias: “não cabe ao presidente pronunciar-se sobre rumores.”
Sampaio vária vezes: “quando no estrangeiro o presidente não comenta assuntos de política interna”
Nunca mais chegam as eleições?"

domingo, setembro 25, 2005

A Televisão e os pirómanos (artigo de Pedro Afonso)

O meu amigo Pedro Afonso, Psiquiatra, enviou-me este artigo de sua autoria que penso, atenta a sua condição profissional, deve ser levado em conta:

A televisão e os pirómanos

Neste verão arderam mais de 180 000 hectares de terreno por todo o país. As várias televisões noticiaram a tragédia em longas horas de emissões. Para além dos excepcionais factores climatéricos, a falta de limpeza das matas, etc., parece existir um certo consenso que muitos dos incêndios tiveram “mão criminosa”.

Constata-se que tem havido frequentemente uma abordagem sensacionalista deste fenómeno por parte de alguma comunicação social, por exemplo, com jornalistas a colocarem em risco (a meu ver desnecessariamente) a sua própria vida ─ com fagulhas acesas por todo o lado, a tossirem em directo para os microfones intoxicados pelo fumo ─ , ou apresentando com dramatismo algumas vítimas desta calamidade.

É sabido que actualmente a luta pelas audiências conduz a um tipo de jornalismo que não relata somente a tragédia, como também procura expor (muitas vezes até à “náusea”) as reacções emocionais das vítimas dessa mesma fatalidade, criando deste modo uma espécie de “dupla notícia”.

Não pretendo defender qualquer tipo de censura, mas antes reflectir sobre a forma como a cobertura jornalística desta catástrofe, poderá ela própria estar a contribuir (involuntariamente) para aumentá-la.

Certamente, que para além de alguns interesses económicos que estarão por detrás de alguns fogos, e de outras motivações psicopáticas, muitos deles serão obra de pirómanos.

Sabemos que há situações especiais cujo tratamento jornalístico deverá obedecer a determinados critérios. Um dos exemplos clássicos é o suicídio. Após a notícia de um suicídio, surgem frequentemente fenómenos de imitação, com a ocorrência de vários suicídios em cadeia. Por isso, este é um assunto que deve ser tratado com a maior delicadeza e ponderação uma vez que pode colocar em risco pessoas que se encontram numa situação de grande fragilidade, necessitando apenas de um pretexto para porem termo à vida. Um dos famosos exemplos foi dado por Goethe, através da publicação do seu livro Os sofrimentos do jovem Werther (1774). O sucesso deste romance trouxe consigo uma série de graves problemas, já que influenciados pelo seu romantismo, jovens leitores por toda a Europa, lançaram-se nas suas paixões e tomados por um sentimento de liberdade acabaram por se suicidar em larga escala.

Um pirómano tem um comportamento incendiário deliberado, repetitivo e que não visa o lucro, sabotagem, retaliação ou qualquer forma de expressão política. O acto incendiário é normalmente precedido de um aumento de tensão ou activação afectiva. Estes indivíduos experimentam um prazer intenso, uma gratificação e alívio da tensão quando ateiam incêndios. Podem ser indiferentes às consequências dos fogos ou sentirem mesmo uma satisfação pela perda de bens e haveres. São frequentemente espectadores do incêndio, mostrando interesse nos vários aspectos relacionados com o fogo, podendo inclusivamente participarem na sua extinção. Deste modo, existe por parte do indivíduo, uma fascinação, atracção e curiosidade pelo incêndio e seu contexto situacional.

Em suma, o pirómano não pode ter maior prazer do que assistir a uma reportagem televisiva pormenorizada da sua “obra”: o fogo.

Estou convicto que este verão assistimos pela televisão a um concurso nacional de pirómanos! Imagino-os colados ao ecrã do televisor tentando perceber qual deles é que conseguiu atear o maior incêndio! Por isso, há que repensar no futuro sobre a forma como deve ser feita a reportagem jornalística deste tipo de catástrofe, de modo a não amplificar o próprio fenómeno piromaníaco.

Ao contrário do que acontece com as bruxas, no caso dos pirómanos é preciso acreditar neles, porque existem de facto!

Pedro Afonso

pedromafonso@netcabo.pt

Sobre a Ota: história de dois aeroportos

De um bom amigo, meu colega na legislatura anterior, recebi este texto que a ser verdadeiro (não o pude confirmar e não é de sua autoria), seria trágico. Publico-o porque não tendo mais do que o bom senso para me orientar e fiando-me no que fui lendo, considero esta história da Ota, um verdadeiro disparate. Estando porém com muito gosto disposto a ser convencido do contrário (porque este tipo de projectos arrastam sempre muitos sectores económicos e, nesse sentido, são bons) até porque muito aliviado ficaria se não fosse um novo elefante branco...
Mas o texto diz isto:
"Uma história de 2 aeroportos:
Áreas: - Aeroporto de Málaga: 320 hectares;
- Aeroporto de Lisboa: 520 hectares.
Pistas: - Aeroporto de Málaga: 1 pista;
- Aeroporto de Lisboa: 2 pistas.
Tráfego (2004): - Aeroporto de Málaga: 12 milhões de passageiros, taxa de crescimento, 7% a 8%ao ano.
- Aeroporto de Lisboa: 10,7 milhões de passageiros, taxa de crescimento4,5% ao ano.
Soluções para o aumento de capacidade:
Málaga: - 1 novo terminal, investimento de 191 milhões de euros, capacidade 20milhões de passageiros/ano. O aeroporto continua a 8 Km da cidade e continua a ter uma só pista.
Lisboa: - 1 novo aeroporto, 3.000 a 5.000 milhões de euros, solução faraónica a40Km da cidade."
É de causar calafrios, não é?

sábado, setembro 24, 2005

Candidatura à Presidência da República de Luís Botelho Ribeiro

Luís Botelho Ribeiro, Professor na Universidade do Minho, decidiu candidatar-se à Presidência da República. Conheço-o de há uns anos para cá no âmbito da movimentação civica de defesa da Vida. Estivemos já juntos numa "operação" recente e conheço-lhe a generosidade e o empenho que põe nas coisas em que acredita.
O que me parece mover esta candidatura é sobretudo um desejo de participação civica, de que Portugal não desista de si próprio e que os políticos e os partidos que nos goveram não detenham o monopólio da possibilidade de expressão pública e exercício do poder. Depois existem algumas ideias mais originais (tipo a deslocação da Presidência da República para Guimarães) que tem sobretudo a movê-las o desejo de chamar a atenção para problemas reais do país (no exemplo, a excessiva concentração de poder em Lisboa).
Comprometido como estou desde há muito com uma outra (e ainda não anunciada ;-) candidatura presidencial não o poderei apoiar. No entanto desejo-lhe as maiores felicidades, sobretudo nesta fase de angariação das indispensáveis 7.500 assinaturas!
Para quem quiser saber mais: http://www.botelhoribeiro.org/

quarta-feira, setembro 14, 2005

Por uma política autárquica de família!

A Associação Famílias emitiu ontem esta carta aberta que aqui reproduzo por nela estarem incluídos os prinicpais pontos de uma política como a reivindicada no título deste post.
Parabéns ao Dr. Carlos Gomes (o presidente da Associação) pela iniciativa!

Carta Aberta a todos os Candidatos Autárquicos

Associação Famílias Setembro de 2005

Caro Candidato:

Aproxima-se o período de campanha eleitoral que culmina em 9 de Outubro com a (re)eleição de (novas) equipas de gestão das autarquias. Por isso, e na sequência daquela, ultimam-se os programas eleitorais que, espera-se, irão merecer a leitura atenta por parte de todos os eleitores. Espera-se, consequentemente, que os projectos sejam claros e os compromissos neles contidos sejam cumpridos. Por outro lado, o exercício consciente da cidadania pressupõe que os eleitores se informem e esclareçam antes do acto eleitoral. São estas duas condições essenciais da liberdade.

Como instituição voltada para a Família, sociedade anterior ao Estado e seu fundamento, queremos interpelar todos os interessados (Partidos, Coligações ou Independentes), a questionarem-se sobre qual o papel e importância que desejam atribuir às famílias, todas as famílias. Numa perspectiva convergente dos princípios da subsidiariedade, da solidariedade e complementaridade queremos propor, sugerir, algumas medidas que poderiam e deveriam estar incluídas em todos os projectos eleitorais preocupadas com o bem comum, com o bem de cada individuo e com o das famílias.

Assim, propomos que a nível autárquico, as preocupações acima sugeridas, possam revestir, entre outras, as seguintes sugestões:

- apoiar e incentivar a promoção de medidas de preparação para a conjugalidade e parentalidade;

- criar ou apoiar a criação de gabinetes de aconselhamento, orientação e mediação familiares;

- promover medidas que favoreçam a conciliação entre o trabalho e a vida familiar (p.ex. encerramento das actividades comerciais ao Domingo);

- apoiar a criação de uma rede de serviços de proximidade de apoio à maternidade (creches, apoio domiciliário, lavandarias sociais, etc);

- divulgar, de forma sistemática, os direitos/deveres da Família;

- fomentar e apoiar medidas para as crianças e jovens de famílias mais carenciadas, em áreas de formação pedagógica e social;

- desenvolver e apoiar medidas que beneficiam cidadãos em risco de exclusão social (idosos, deficientes, etc);

- criar dinâmicas de promoção da cultura, do desporto e de lazer para serem vividas e participadas em Família (acesso facilitado a actividades culturais, desportivas ou de lazer a Famílias, de acordo com o agregado familiar);

- melhorar as acessibilidades de todos os locais dependentes das autarquias, sobretudo para os deficientes;

- inscrever, como obrigatório, nos procedimentos de aprovação de novos equipamentos sociais, culturais, desportivos, de lazer ou familiares, a garantia efectiva da acessibilidade a todos os cidadãos de forma autónoma;

- dinamizar e/ou apoiar planos municipais de prevenção das toxicodependências e de violência familiar em articulação com outras entidades públicas ou privadas;

- celebrar e/ou apoiar a celebração das grandes datas relacionadas com as Famílias: DIA DO PAI, DIA DA MÃE, DIA INTERNACIONAL DA FAMÍLIA e DIA NACIONAL DOS AVÓS;

- desenvolver projectos para a erradicação da pobreza;

- dar particular atenção para os gravíssimos problemas da habitação e desemprego;

- incentivar a igualdade de oportunidades para mulheres e homens.


Estas são algumas medidas que nos permitimos sugerir aos Candidatos Autárquicos. Esperamos que o nosso contributo, livre e espontâneo, mereça a atenção daqueles e que a Família ocupe nos seus programas a centralidade fundamental desta comunidade, tal como refere a DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS e a nossa CONSTITUIÇÃO.


Braga, 2005 / Setembro/ 13

segunda-feira, setembro 12, 2005

30 dias sobre a morte de um santo (Padre Gomes do Algarve)

Faz hoje 30 dias que morreu um santo. O Padre Jerónimo Gomes, fundador do SOS Vida, do Algarve. Um homem que levando a sério o empenho no Não ao aborto de 1997 e 1998, se muniu de um telemóvel disponível 24 sobre 24 horas, e se dedicou a ajudar as grávidas em dificuldades que o procuravam. Resultado? Cerca de três centena e meia de bébés salvos do aborto, uma equipe de profissionais em seu torno, alguns (pouco) meios, entre os quais uma carrinha equipada de aparelho de ecografia.
Como quase todos os santos não tinha um feitio fácil...e não ficou isento de alguns erros (como aquele de publicar uns folhetos com aquelas imagens falsas de taiwan em que se viam alguns asiáticos a comer fetos, pretensamente abortados). Mas essa era também a sua grandeza e a raiz da sua santidade: uma entrega total à Igreja, presença de Deus no mundo, à causa da defesa da vida, que arrastou a sua vontade e a sua capacidade de risco. Só quem fica quieto em sua casa é que não comete erros!
Santo? Sim. Pela obra e também porque santo não é o homem que peca, mas o que, mais rapidamente, depois do pecado, se dá conta do mesmo, se arrepende e diz: "Mas Tu, ó Cristo, és tudo!".
Agora no céu, junto do Senhor da Vida, pode o Padre Gomes continuar empenhado nesta nossa comum batalha, olhando por nós. Essa será a intenção da Missa que o Padre Duarte celebrará, na sua Paróquia do Alto do Luniar, hoje (12 de Setembro, segunda-feira) às 18h15.
Nota: não é preciso ser católico para defender a Vida, mas num país como Portugal, constata-se que a os católicos constituem a maioria das fileiras pró-vida. Se formos a um país protestante, a maioria do pró-vida, também o será. E por aí adiante quanto a países muçulmanos, ateus, budistas, etc. O pró-vida é sempre um retrato do país.

domingo, setembro 11, 2005

Hoje, 12 de Setembro, filme "A Vida no Ventre" no National Geographic

Da Associação das Famílias Numerosas recebi esta notícia.
Num momento em que a sanha abortista está particularmente empenhada na realização de um referendo e em que provavelmente serão incapazes de dedicar uma palavra ao grande interessado nesta discussão (o bébé, maior ou mais pequeno, que está na barriga da sua mãe), filmes como estes (que resultam da colocação de uma câmara de filmar no interior de uma mulher grávida) tornam evidente que a grande questão do referendo será: "que protecção acha deve ter a vida humana em Portugal?".

Exmos Senhores

É com grande alegria que se avisa que o extraordinário documentário "Vida no Ventre", produzido pela National Geographic, com imagens espectaculares da vida intra-uterina, desde a concepção até ao nascimento, vai ser de novo apresentado no canal National Geographic, na TV Cabo, na próxima segunda-feira, 12 de Setembro, às 20:00 (http://www.tvcabo.pt/TV/ProgramacaoTv.aspx?programId=1542303&channelSigla=NG ).

É uma excelente oportunidade para se gravar e divulgar essa gravação, sobretudo a quantos continuam a afirmar que a vida humana começa mais tarde, pelo que deve ser permitido matar-se essa vida, contra toda a evidência científica que salta aos olhos de todos neste documentário!

Recomenda-se, ainda, que mostrem aos vossos filhos e outras crianças, para que vejam como eram "dentro da barriga da Mãe".

A versão em qualidade internet pode ser vista no nosso site em http://http://www.apfn.com.pt/documentario/index.htm .

DIVULGUEM!

Cumprimentos

Artigo sobre Pedro Santana Lopes

No "Correio da Manhã" de 11 de Agosto passado, Luís Filipe Menezes escreveu um artigo genial, intitulado "Sonho de noite de Verão". O link para esse artigo é: http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=169940&idselect=109&idCanal=109&p=0 . A ideia é simples, brilhante: descrever tudo o que se está a passar no país, mas como protagonistas, não os actuais membros do Governo, mas os do XVIº Governo Constitucional (chefiado por Santana Lopes). Tipo: "o PM Santana Lopes foi de férias para o Quénia e o Ministro Bagão Félix demitiu-se três semanas depois de apresentar as contas portuguesas em Bruxelas"... :-)
O efeito é imediato: se factos actuais tivessem tido por protagonistas os membros do Governo Santana Lopes, o que não teria sido!!! "PM mata gazela rara no Quénia e assunto será debatido na ONU"... ou "Se nem o Ministro das Finanças está com ele mais do que umas poucas semanas, e em desacordo com o plano de investimentos, como podem os portugueses dormirem sossegados?"... etc., etc.
A conclusão não pode ser outra senão a de que o Governo Santana Lopes foi alvo da maior barragem de fogo dos media, de que há memória na história da democracia portuguesa. E por isso não me desaparece esta sensação de que do ponto de vista político, a dissolução da Assembleia da República, foi um golpe de estado constitucional. E que, do ponto de vista humano, Santana Lopes foi vitima de uma injustiça desproporcionada a qualquer fraqueza de que possa ser acusado.

domingo, abril 17, 2005

A limitação de mandatos políticos

A discussão em torno da proposta de limitação de mandatos dos políticos, mostra bem o ponto as que chegamos e a falta de respeito por si próprios que os políticos têm. A ideia peregrina que a corrupção e outros fenómenos menos recomendáveis se combatem limitando o tempo do mandato dos políticos, diz pelo menos duas coisas: para quem nos governa, a possibilidade de corrupção tem a sua variável dominante no tempo (e não no carácter de quem corrompe e é corrompido, nem no sistema legal e administrativo que facilita essas ocorrências) e os políticos, pelo menos pelo decorrer do tempo, são todos corruptos...!
Isto para já não falar na liberdade que é retirada ás pessoas de elegerem quem muito bem entendem e pelo tempo que o entenderem!
Enquanto formos por este caminho, não vamos a lado nenhum...!