segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Notas pessoais sobre o resultado do Referendo

Vencidos mas não convencidos e ainda mais determinados

Com uma velocidade impressionante a vida normal reocupou o seu espaço: 2ª de manhã, levantar “o circo” deixado na Associação Comercial de Lisboa, à tarde regresso à advocacia. 3ª de manhã tratar do visto para viagem profissional e depois escritório. 3ª à noite embarquei para o Sal e depois para Santiago (Cabo Verde) de onde regressei sexta de madrugada. Ao fim da tarde e finalmente partida com a família para uns dias no Minho!
Na minha ausência um jantar ontem com 150 pessoas envolvidas na campanha e uma denúncia de que (como prevíramos) afinal não queriam aconselhamento nenhum…alguém tinha dúvidas? Que dizem agora todas aquelas almas "bem-intencionadas"?
Um destes dias, na RTP África, apareceu a Clínica de Oiã a reconhecer que faz 600 abortos por ano. Adivinhem como votaram os que o fazem? Cá por mim estou disponível para subscrever uma participação criminal…
Mas uma palavra sobre o que se passou em 11 de Fevereiro:
Não há como negar que aconteceu uma coisa que é muito má. Não negá-lo e ir até ao fundo deste sentimento é uma responsabilidade a que não podemos escapar. Mas o surpreendente é que quem o faz experimenta uma grande paz. Uma paz que nasce da serenidade de quem deu o seu melhor (andámos 10 anos a empatá-los, queridos amigos, e vendemos cara a nossa pele!) e também de quem sabe que tudo o que acontece, não nos pertence: vitória e derrota, conquista e perda, tristeza e alegria.
Desse balanço nasce também outra responsabilidade: que me chama esta circunstância a cumprir? Quais as novas exigências que me são feitas? Do que faço, o que é que acrescenta valor e constrói? Que vou e onde fazer a partir de agora?
Uma coisa que me impressionou foi a pergunta de um jornalista, no fim da noite de 11 de Fevereiro: “como é que perderam e o ambiente aqui (na Associação Comercial de Lisboa) parecia ser de quem ganha?”. A mesma constatação repetiu-se aliás em todos os jornais do dia seguinte. Não falam apenas da nossa serenidade, mas também da nossa alegria. Na resposta que lhe dei falei só dos elementos objectivos: a paz de quem deu tudo, o facto de ter crescido o campo do Não (temos mais votos, sabemos mais do assunto, estamos mais presentes no país inteiro), a continuidade que está sempre assegurada desta movimentação, porque tem origem em pessoas e realidades, que já cá estavam antes do referendo e vão continuar. Um exemplo: só durante a campanha nasceram duas novas associações.
Um outro perguntava: sente-se humilhado? Respondi que não: estava antes honrado de me ter sido dada a possibilidade de me ter batido por aquilo em que acreditava.
Conforme os dias passam, e depois de ter acordado meio estremunhado, com a sensação de um estranho em terra estranha, vai crescendo em mim um desejo de andar para a frente que já tem contornos precisos: arrumar os dossiers da campanha (apresentar contas, guardar as bases de dados, arrumar o material), encontrar uma sede permanente maior para a Federação e rapidamente reunir “as tropas”: para estar juntos, fazer o balanço e abraçar novas tarefas.
E recordo-me do que uma vez li num livro. É a fala do Barão, um dos personagens principais, a quem estavam a propor uma iniciativa ousada e difícil: “Impossível? Alguém disse impossível? Então temos de reunir já os mapas e preparar as nossas próximas campanhas!”.
É assim que me sinto meus caros leitores. Era só o que faltava se um referendo me tirava a vontade de lutar e servir!
Nota final: é mais fácil daqui a uns anos mostrar que o aborto legal é um disparate do que agora. O pessoal é assim: só vendo…
Junto o texto do Evangelho de dia 12 de Fevereiro como foi difundido pelo “Evangelho Quotidiano”. Impressionante.

2ª feira da VI semana comumHoje a Igreja celebra : Santa Eulália de Barcelona, virgem e mártir, +304 Santo : “Porque é que esta geração exige um sinal?” Evangelho segundo S. Marcos 8,11-13.Apareceram os fariseus e começaram a discutir com Ele, pedindo-lhe um sinal do céu para o pôr à prova. Jesus, suspirando profundamente, disse: «Porque pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo: sinal algum será concedido a esta geração.» E, deixando-os, embarcou de novo e foi para a outra margem. Da Bíblia Sagrada Comentário ao Evangelho do dia feito por : Santo (Padre) Pio de Pietrelcina (1887-1968), capuchinho CE,57 ; Ep 3,400s (Um Pensamento)
“Porque é que esta geração exige um sinal?”
O mais belo acto de fé é o que sai dos teus lábios em plena obscuridade, no meio dos sacrifícios, dos sofrimentos, o esforço supremo de uma vontade firme em fazer o bem. Como um raio, este acto de fé dissipa as trevas da tua alma; no meio dos relâmpagos da tempestade, ela eleva-te e conduz-te a Deus.A fé viva, a certeza inquebrantável e a adesão incondicional à vontade do Senhor, eis a luz que alumia os passos do povo de Deus no deserto. É esta mesma luz que resplandece a cada instante em todo o espírito agradável ao Pai. Foi também esta luz que conduziu os magos e os fez adorar o Messias recém-nascido. É a estrela profetizada por Balaão (Nm 24,17), o archote que guia os passos de todo o homem que procura Deus.Ora esta luz, esta estrela, este archote, são igualmente o que ilumina a tua alma, o que dirige os teus passos para te impedir de vacilar, o que fortifica o teu espírito no amor de Deus. Tu não a vês, tu não a compreendes, mas isso não é necessário. Tu só verás trevas, certamente não as dos filhos da perdição, mas sim as que rodeiam o Sol eterno. Tem por certo que esse Sol resplandece na tua alma; o profeta do Senhor cantou a seu respeito: “na tua luz é que vemos a luz” (SL 36,10).

Impressionante, não é?

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Balanço de uma campanha: vale a pena dizer Não!

Vale a pena dizer Não

Debates e sessões de esclarecimento, encontros com a comunicação social e eventos de carácter científico, grandes encontros populares de encerramento no Porto e Lisboa, Évora e Braga. As grandes manifestações dos dois últimos fins-de-semana: milhares de pessoas na Fonte Luminosa, e, depois em Vila Real e Viseu, Faro, Porto e Setúbal. Apetece antecipar o balanço, tirar conclusões.

Revejo as sessões públicas em que me foi possível compreender pelo menos uma coisa: podemos paradoxalmente ser todos contra o aborto, mas há quem só o queira tornar legal. Preferimos que não haja nem legal nem clandestino. Não se percebe porque haja de ser tolerada uma realidade ilegal e branqueados os que vivem da exploração da fragilidade do outro. Dotados de inteligência e razão, somos convidados a encontrar outras soluções e não ceder ao conformismo e à resignação.

Recordámos sem cessar a humanidade do embrião ou feto a que todos, quando acontece em nossas casas, chamamos filho. Ninguém se pode sentir autorizado a dispor sobre a vida, parafraseando Lídia Jorge, “dessa coisa humana”… Quando aborta, uma mulher vê destruída não apenas essa “coisa”, mas também, com uma assustadora probabilidade, a própria vida. E, revendo o “Happy Birthday” de um rapper norte-americano (disponível no You Tube), também a vida do seu pai e de todos à roda. Mesmo que seja legal (como o é nos Estados Unidos e, em alguns estados, até aos 9 meses). Repetimos à saciedade as palavras de Clara Pinto Correia: o aborto não resolve problema nenhum e “apenas torna a vida pior do que, para alguns, ela já é”.

Procurámos explicar porque é que o juízo sobre um facto (o aborto), não é um juízo sobre a mulher que aborta. Que a lei penal não usa a qualificação do sujeito (criminoso ou criminosa) mas palavras objectivas: facto, acto, conduta, ilícito. Que a lei protege a vida do bebé e da mãe quando é a sua última defesa contra a pressão de quem a quer fazer abortar. Que a lei aponta uma estrada e a sua validade não se mede pela verificação de infracções. Que a lei que protege a vida humana, com as excepções das normas introduzidas em 1984, não é mais severa do que a que protege a propriedade informática, o ambiente ou o bom-nome de cada um. Denunciámos por isso a incoerência daqueles que não evitaram quando podiam o que qualificam como o “escândalo dos julgamentos” (nascido da forma como os usam). E que se a resposta no referendo fosse sim o “escândalo dos julgamentos” prosseguiria para toda a mulher que abortasse fora de estabelecimento oficial ou autorizado até às 10 semanas e para toda a que abortasse depois dessa aleatória data. Dúvidas houvessem e o Eng.º Sócrates se encarregou, nos últimos dias, de nos confirmar que a pergunta é sobre a liberalização…

Vimos juntarem-se a nós amigos novos. Muita gente de muitos lados. Verificámos como é possível a coexistência de perspectivas diferentes, ângulos diversos, histórias separadas, axiologias variadas. Em comum: dizer Não à liberalização.

Verificámos estupefactos como se vende uma proposta coxa como se fosse o melhor dos mundos. Limitámo-nos a testemunhar o que nos tem acontecido ver ao longo destes últimos anos: milhares de mulheres e crianças salvas. Aqui reclamámos: se umas dezenas de associações fizeram o que fizeram, o que não faria um Governo que estivesse disposto a aplicar em politicas adequadas, o que está disponível para gastar, por uma cegueira ideológica muito datada, no aborto livre e legal!

Aceitámos discutir tudo e suportámos pacientemente todos os insultos. Fomos moderados escutando as objecções de quem as quis formular. Demos as nossas razões em todo o lado e perante todas as audiências. Á nossa volta vimos crescer um povo e uma cultura da Vida. Independentemente do resultado (o beco fechado da vitória do Sim ou o caminho aberto a todas as possibilidades da vitória do Não), depois de uma mobilização cívica sem precedentes, a Vida cresceu em Portugal. Razões de sobra para dizer que valeu a pena.

António Pinheiro Torres
Mandatário dos Juntos pela Vida

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

De como se ameaça o povo se ele não votar "bem"...

Assisto incrédulo a como o Primeiro-Ministro e os partidários do Sim se permitem ameaçar o povo se ele não votar "bem"...
1. Se o povo não ocorrer ao referendo (uma das poucas hipóteses que têm de expressão política fora do sistema dos partidos), não há mais referendos para ninguém...! Isto é: quem muito legitimamente desejar abster-se porque não quer mudar a lei actual, mas não se sente confortável a votar Não, fica a saber: o Eng. Sócrates tira-lhe (a ele e a nós todos) o referendo! "Bem feita que devias votar Sim"...
2. Se o povo votar Não também fica a saber que o Eng. Sócrates quer tudo ou nada: aborto livre ou nada. Isto é: afinal o que o Sim quer, não é o fim dos julgamentos e da ameaça da prisão (a que a proposta ontem dos independentes do Não, acolhida pelo PSD e pelo PP, já dá resposta). O que quer mesmo é o aborto livre. Se o povo não lhes dá? Afinal dizem: "estamos nas tintas para os julgamentos e a ameaça da prisão".
É bonito de se ver este apego à democracia. Que só serve se coincidir com a vontade deles, está visto...!

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Às vezes o coração não bate nunca...

A afirmação espantosa e contra toda a evidência de Mário de Sousa no Público de hoje de que "às dez semanas não bate um coração", só tem uma explicação: passou-se de vez (veja-se algumas das coisas espantosas que este costuma afirmar em diversas secções do www.referendo-pma.org ) ou então falava de coração no sentido de Giussani: como aquele complexo de anseios profundos de cada homem (beleza, felicidade, paz, bondade, etc.) e nesse caso reconhecia que às vezes, parece, este não bate nunca...!?
Será o caso? ;-)

Da vantagem do aborto não ser liberalizado e da vergonha do clandestino

Os meus apontamentos de campanha estão completamente anárquicos, mas é o preço que paga quem está no centro da campanha (não se chega a "gozá-la" e tem-se pouco tempo para escrever), mas de vez em quando lá vai um copy paste, como este de um mail de uma amiga:

Num estudo realizado nos EUA, 72% das mulheres interrogadas afirmaram
categoricamente que se o aborto fosse ilegal nunca o teriam feito; 24%
exprimiram dúvidas sobre se o teriam feito ou não; Somente 4% das
interrogadas afirmaram que teriam feito o aborto ainda que ele fosse ilegal.
(Cf. Aborted Women: Silent No More, David Reardon, Chi­cago, Loyola University
Press, 1987)".

Já agora, um comentário adicional: o aborto clandestino, na dimensão que se diz ter em Portugal, só é possível porque o Governo não se empenha decididamente contra ele. Não havia necessidade (como dizia o outro) de ser tão acessível e, nessa medida, quem o tolera, divulga e, desta maneira, o promove, é objectivamente responsável (ainda que subjectivamente não o deseje) pelas histórias dramáticas que as páginas de campanha do Sim (no "Diário de Notícias") vem contando. Como também, acrescente-se, da difusão de todas as formas quimicas de o praticar.
Por último: nunca vi campanha de publicidade tão barata como a da clínica dos Arcos. O que aquela mulher se deve rir, à custa do provincianismo de quem a erigiu em "opinion maker"...!

Crianças maltratadas e aborto (na Rússia)

Um dos "argumentos" dos abortistas é que as desgraças que acontecem infelizmente com tantas crianças, não teriam lugar com o aborto livre até às 10 semanas (isto é, se as suas vidas fossem suprimidas, não viriam a sofrer o que sofrem...!).
este artigo de hoje no Correio da Manhã, referente à Rússia (um país onde os abortos pela primeira vez na história dos países com aborto livre SUPLANTARAM o número de nascimentos, já colo aqui essa notícia!) vem demonstrar que os maus tratos infantis não se evitam com o aborto livre. leiam só:

2007-02-02 - 00:00:00Rússia - Hospital investigadoBebés amordaçados por causa do choroÉ um caso que está a chocar a Rússia. A Procuradoria russa está a investigar acusações segundo as quais o pessoal de um hospital da localidade de Yekaterinburg amordaçava bebés. O motivo era simples: evitar ouvir as crianças a chorar.
d.r.O ‘crime’ dos bebés foi chorar
De acordo com a BBC, o caso só veio a público depois de um paciente ter escutado os choros ‘atenuados’ dos bebés, todos eles órfãos. A testemunha ocular recorreu ao seu telemóvel e gravou tudo, sendo visível nas imagens uma série de bebés, em fila, com as bocas tapadas, ao que parece com fita adesiva. Refira-se que o paciente chegou a aproximar--se de uma enfermeira para lhe pedir explicações, sendo que esta o aconselhou a meter-se na sua vida. No entanto, o paciente conseguiu comprovar, posteriormente, que as fitas haviam sido retiradas das bocas das crianças. A referida funcionária já não trabalha no hospital, tendo sido já aberta uma investigação criminal. A unidade hospitalar alega que os bebés foram silenciados da referida forma por dispor de muito pouco pessoal para cuidar das crianças. Saliente-se que este caso está a merecer uma ampla cobertura por parte dos meios de Comunicação Social russos e internacionais.MILHÕES DE CRIANÇAS NA RUAO caso envolvendo estes bebés sem pais ocorre numa altura em que é cada vez mais preocupante o drama dos chamados ‘órfãos sociais’ existentes na Rússia. Apesar de ninguém saber ao certo o seu número, são em elevado número os que vivem nas ruas, longe dos pais, alcoólicos, a cumprirem penas de prisão ou sem condições económicas. Segundo números oficiais, há entre 100 mil e cinco milhões de crianças abandonadas na Rússia.
Paulo Madeira com agências

Justiça Popular: um artigo de Paulo Geraldo

Justiça popular

Nos casos em que crianças pequenas foram maltratadas e assassinadas, foi muito difícil impedir que multidões iradas exercessem a chamada "justiça popular" sobre os presumíveis culpados, frequentemente familiares, e conseguir que fossem julgados pelas autoridades. Ainda bem que se conseguiu impedi-lo, porque também uma pessoa carregada de culpas é uma vida, e tem sucedido muitas vezes que os anos passados na prisão purificam essas vidas e as nobilitam.
Mas essa reacção popular, instintiva e pouco pensada, mostra bem como trazemos dentro de nós uma aversão natural a actos desse género.
Sempre que uma pessoa adulta faz consciente e voluntariamente um mal a uma criança, manifesta que não é senão lixo humano. Independentemente de esse adulto ser homem ou mulher, rico ou pobre, famoso ou desconhecido, poderoso ou não. Independentemente do que diga qualquer lei que os homens façam.
A gravidade de um mal que se faça será maior sempre que a vítima for mais inocente e mais indefesa. E matar é o pior de todos os males, porque ao tirar a vida a alguém se lhe tira, com ela, todos os outros bens.
O início da vida humana é uma questão pacífica. Na comunidade científica não existe nenhuma polémica sobre este assunto. A vida começa no momento da concepção, conforme se aprende em todos os livros de medicina de todas as universidades do mundo. Qualquer mulher grávida sabe que tem dentro de si o seu filho, que é habitada pela presença de um outro ser. Nenhum saber humano, da biologia à filosofia, passando pela experiência, chega a uma conclusão diferente.
O aborto é bastante mais grave do que o que se fez nesses casos infelizes que referi no início. O feto nem sequer pode gritar ou tentar fugir. É mais indefeso. E é mais inocente: não teve nem mesmo tempo para dizer uma pequena mentira, para partir um copo, para uma birra, para tentar escapar-se a lavar os dentes antes de dormir.
É bom que nos sintamos tocados pelo sofrimento de outras pessoas. Pelo das mulheres que têm dentro de si um filho que não desejam, evidentemente. Tal como pelo dos que estão doentes, dos que perderam um filho, dos que não podem ter filhos, dos que perderam a mãe, dos que não vêem, dos que não andam, dos que não se mexem...
Mas não é admissível permitir que os sofrimentos de alguém, ou outros interesses seus, se resolvam com a morte de uma pessoa inocente. A civilização cresceu sobre o fundamento de que isso não deve nunca ser feito. Só assim os homens se juntaram e fizeram aldeias e cidades e países. Só assim se associaram a outros homens em vez de se juntarem a lobos.
A humanidade uniu-se para se libertar de Hitler. E condenou o seu pensamento de suprimir os seres humanos "inconvenientes", que incluía o aborto. E declarou solenemente: "A criança, dada a sua imaturidade física e mental, precisa de protecção e cuidados especiais, incluindo protecção legal apropriada, tanto antes como depois do nascimento". (Declaração dos Direitos da Criança - aprovada em Assembleia Geral da ONU em 20.11.1959, sublinhado meu).
Agora sabemos que Hitler não morreu: que procura dominar, desta vez sem espingardas, as leis e as mentalidades; que se infiltra nos lugares de onde se pode governar e influenciar os homens.
Há uma coisa em que nunca se deve tocar: a vida do inocente. Os problemas devem resolver-se sem tocar no intocável, para que a civilização continue.
Certamente, assim dará mais trabalho; mas para isso temos a inteligência e a capacidade de amar. Possuímos capacidades maravilhosas: somos capazes de minorar sofrimentos, de fazer nascer sorrisos, de tornar becos sem saída em alamedas floridas. Basta que não nos contentemos com andar pelo mundo olhando apenas para nós mesmos, dirigindo todos os nossos gestos para o nosso umbigo.

(Paulo Geraldo)

terça-feira, janeiro 30, 2007

Caminhada pela Vida no Domingo passado: eramos 15 mil!

Vejam neste vídeo colocado no Youtube a realidade da Caminhada pela Vida em Lisboa (mais de 20.000 pessoas), neste dia 28 de Janeiro. Uma realidade que os media não "viram" (na medida em que se tivesse estado igual multidão pelo Sim, a comunicação social rebentaria de fotografias, reportagens e referências...).
http://www.youtube.com/watch?v=rOKNGtZgAAw

De uma amiga recebi este mail:

Assunto: Reuters.com - Anti-abortion march in Portugal - 1/28/2007 9:32:53 PM - 15.000 PESSOAS

Segundo a Reuters: 15.000 pessoas na Caminhada pela Vida em Lisboa a 28 de Jan

Homenagem à isenção e qualidade jornalista em Portugal ...!

No fim da Caminhada fui ao site da Agencia Lusa e qual o meu espanto quando dei de caras com a reportagem que referia estarem 2.000 pessoas, fui ao Portugal Diário 7.000 a 8.000. Rendida achei melhor aguardar pelas edições em papel do dia seguinte.

E no dia seguinte, nada de novo a registar.

É lamentavel, mas o que safa os Portugueses que estamos interessados em ler FACTOS é o acesso à Internet que nos dá acesso à informação, e não à opinião ou à manipulação.

Se querem ter uma aproximação sobre QUANTAS PESSOAS foram à Caminhada pela Vida não nos resta alternativa senão ir ao site de uma das Agências de Informação mais prestigiadas do mundo, a agência Reuters.

Foi a fonte que mais se aproximou dos números relatados por inúmeros agentes da PSP aos quais fui perguntando e me respondiam com unanimidade 20.000 a 25.000 pessoas!

Reuters.com - Anti-abortion march in Portugalhttp://today.reuters.com/tv/videoStory.aspx?storyID=67c334e8f21641f8927a7a6f16c1585ebc258674

Democracia?
Livre acesso à informação?
ou Ditad.... é melhor nem escrever senão lá vem a censura, as escutas telefónicas ou o desvio de emails!

Breves apontamentos da campanha do Não

Verifico com pena que quem está tão imerso numa campanha, não consegue encontrar uns minutos para um post...
Alguns apontamentos:
- a nossa campanha está a correr bem e a mensagem a passar;
- independentemente do resultado final, a cultura da vida cresce;
- o resultado é hoje uma incógnita (o que é estraordinário visto a vantagem do Sim e os meios partidários que usam, contra os nossos simples esforços de cidadãos);
- entre nós a unidade cresce e é evidente.
- independentemente do resultado, no dia 12 continuamos nas nossas associações o que sempre fizemos: estender a mão e não apontar o dedo, dar espaço à Vida.
- é um privilégio para qualquer um (do Sim ou do Não) poder bater-se pelos ideais em que acredita e participar numa campanha política (no sentido nobre do termo: como serviço do bem comum). Sinto-me honrado por fazer parte deste momento da história do meu país (porque, não tenhamos ilusões: o resultado de 11 de Fevereiro marcará o país para o bem ou para o mal na questão central da Vida e Dignidade humanas em Portugal).

quinta-feira, janeiro 18, 2007

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Mulher condenada em Tribunal por causa de Ovos de Cegonha (e o aborto, senhores?)

Mulher Condenada em Tribunal por causa de Ovos de Cegonha

Saberão os nossos leitores [do boletim Infovitae] que em Portugal é crime partir (abortar) ovos de cegonha (independentemente do número de semanas de gestação).

Este link é sobre uma senhora que foi condenada por ter derrubado ninhos com ovos de cegonha:

http://www.diramb.gov.pt/data/basedoc/TXT_JN_8888_1_0001.htm

terça-feira, janeiro 16, 2007

Incrível! Reino Unido: Embriões híbridos de animais e humanos em discussão pública

Aprendi com o meu pai que nada nos deve espantar no Cinema porque a realidade ultrapassa-o sempre em fantasia, imaginação e incredibilidade...
Apetece-me esfregar (peço desculpa pela veemência da expressão...) esta notícia do Público, de 12 de Janeiro, nas caras confiantes e animadas de todos os "moderados, equilibrados e progressistas", que fui encontrando ao longo da discussão sobre a lei da procriação medicamente assistida...
"Que não" diziam eles, exageros destes não eram possíveis...leiam só:

Reino Unido Embriões híbridos de animais e humanos em discussão pública

Criar embriões que sejam uma mistura de células de humano e de outro animal seria legal no Reino Unido, mas a autoridade que regula as experiências deste tipo prefere lançar um debate público antes de as autorizar. Num comunicado ontem divulgado, a Autoridade para a Fertilidade e Embriologia Humanas do Reino Unido (HFEA, na sigla em inglês) diz que poderia permitir a criação de embriões híbridos, solicitada por cientistas do Kings College de Londres e do Instituto de Células Estaminais do Nordeste de Inglaterra (Newcastle), para investigar as potencialidades terapêuticas das células estaminais assim criadas. Mas a HFEA prefere que a sociedade se pronuncie sobre este tema, e só depois emitir um parecer. "No Outono, quando a consulta estiver terminada, vamos considerar os pedidos", disse a directora da HFEA, Angela McNab. Fraude Equipa dos EUA que colaborou com Hwang em causaA equipa de Gerald Schatten, o cientista norte-americano que colaborava com o sul-coreano Hwang Woo-suk, acusado de falsificar artigos sobre a clonagem de embriões humanos para obter células estaminais, está a lidar com outras acusações de falsificação. Em causa estão imagens de um artigo científico submetido para publicação na revista Nature, em que a sua equipa relatava ter obtido culturas de células estaminais a partir de embriões e macaco, anunciou uma porta-voz da Universidade de Pittsburgh, à qual Schatten está ligado, citada pela agência noticiosa AP. O artigo em causa nunca chegou a ser publicado, e as suspeitas não caem directamente sobre Schatten, mas sobre um membro da sua equipa, o sul coreano Park Jong-hyu, que também integrava a equipa de Hwang. Estas revelações surgem no contexto de um inquérito interno da Universidade de Pittsburgh, cujas conclusões não foram ainda tornadas públicas - a notícia surge em resultado de uma investigação própria da AP.

Aborto: A Maior das Humilhações (um artigo do Padre Nuno Serras Pereira)

A Maior das Humilhações

Nuno Serras Pereira
11. 01. 2007

Em 1998, Luz de Vasconcellos e Souza convidou-me para um café, depois de jantar, em casa de seus pais. Para além da Luz, estavam sua mãe, Sofia de Melo Breyner Andresen, Pedro Líbano Monteiro (não confundir com o antigo quadro do BCP, de quem é parente) e parece-me que também um jovem, de que agora não recordo nem a fisionomia nem o nome.

Conversou-se sobre assuntos vários entre os quais, surgiu naturalmente, pela sua proximidade, o do referendo sobre a liberalização do aborto. Sofia também esse tema com a simplicidade e profundidade luminosas que lhe eram habituais. De tudo o que lhe ouvi, o que mais me marcou foi uma pequena partilha que culminou numa breve sugestão. Disse: “Uma vez mostraram-me fotografias de fetos abortados. O que mais me impressionou foi o seu ar de humilhação (ou de humilhados). Espalhem imagens dessas com a frase: «aqueles que ninguém quis amar»”.

Já não recordo, ao certo, quais as razões ou circunstâncias que nos levaram a não concretizar a proposta que brotou do seu desabafo. Mas ela gravou-se-me de tal sorte na mente que ainda hoje a recordo como se me tivesse sido feita há 10 minutos.

De facto, a humilhação não consiste em ser julgado por ter prevaricado, por ter cometido um crime, a grande humilhação, a maior das humilhações é não ser reconhecido e respeitado por aquilo que se é, um ser humano, uma pessoa; é ser aniquilado, na fase de maior vulnerabilidade, pela decisão despótica de quem o gerou; é ser vítima da renúncia geral à sua protecção e da conjura comum para o destruir.

Aborto: uma frase de Mahatma Ghandi

"Parece-me tão claro como o dia, que o aborto é um crime.»

Apoiar a Família em vez do aborto: um exemplo da Alemanha

Na campanha do Não fizemos um desafio ao Governo: está disponível em caso de vitória da Vida a utilizar os mesmos recursos destinados ao aborto legal até às 10 semanas, no apoio às famílias e às grávidas em dificuldade?
Porque não têm coragem de responder?
Não é melhor financiar nascimentos do que abortos?

Casais recebem para ter filhos
2007/01/08 20:33 Sara Marques - http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=759443&div_id=291
Países com natalidade baixa atribuem incentivos. Subsídios de nascimento, abonos, compensação para os pais que queiram deixar o emprego, licenças de maternidade e ajudas na educação, são algumas medidas. Em Portugal nascem cada vez menos bebés

O ano começou com uma boa notícia para as futuras mães da Alemanha. Para incentivar a natalidade, o Governo decidiu atribuir um subsídio, que pode chegar aos 25 mil euros.
Nas últimas décadas, as taxas de nascimento na Alemanha caíram a um ponto que autoridades consideram «alarmante». A taxa de fertilidade média é de 1,37 filho por casal, bem abaixo da média de 2,1 considerada necessária para manter a população em nível estável.
A legislação previa que pais que decidissem ter filhos podiam receber até 7,2 mil euros por um período máximo de dois anos. A partir de 1 de Janeiro, com a entrada em vigor da nova lei, podem receber até dois terços do salário durante um ano, no valor máximo de 25,2 mil euros.
Medidas semelhantes têm vindo a ser adoptadas em vários países. A França, país que possui uma das taxas de natalidade mais altas da Europa, anunciou recentemente um pacote de medidas para conciliar a maternidade com a vida profissional e estimular as mulheres a terem um terceiro filho.
As francesas que derem à luz um terceiro filho poderão usufruir, se assim desejarem, de uma licença de maternidade mais curta (de três anos para um) mas mais bem remunerada, com cerca de 750 euros por mês.
A estas medidas somam-se auxílios mais elevados para as despesas com as crianças, creches gratuitas, descontos em restaurantes, supermercados, cinemas e transportes públicos e ainda actividades extra-escolares a preços reduzidos.
O regime de Segurança Social francês prevê vários subsídios para as famílias, entre os quais o de nascimento (830 euros), o de base (166 euros por mês, até aos três anos) e o de início de aulas para os agregados desfavorecidos - 265 euros. Além disso, há também benefícios fiscais para os casais com filhos.
Actualmente, a França tem uma taxa de natalidade de 1,9 filho por mulher e é, depois da Irlanda, o país da Comunidade Europeia com os melhores índices.
Na Suécia considerado pela ONU como «o melhor sítio do mundo para ter filhos», um dos pais pode ficar em casa por um ano com 80 por cento do ordenado. A assistência pré-natal é gratuita e há uma rede de creches privadas de preços controlados.
Fernando Castro, presidente da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN), disse ao PortugalDiário que em países nórdicos como Suécia, Dinamarca e Noruega há ainda uma compensação estatal, caso um dos pais decida desempregar-se ou sub-empregar-se para ficar em casa com os filhos.
Em Espanha, os pais têm direito a subsídio de risco na gravidez, abono de família que aumenta a partir do segundo filho e subsídio de nascimento para o terceiro filho e seguintes.
Em Portugal, o abono de família é determinado em função dos rendimentos, não sendo atribuído aos agregados familiares com um rendimento superior a 1875 euros mensais. No primeiro ano o valor é maior e vai diminuindo conforme a criança fica mais velha. E não existem apoios para a educação, a guarda de crianças ou famílias monoparentais.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2005 nasceram 109.457 crianças em Portugal. Com um índice de fecundidade de 1,4 filhos por mulher, que tem vindo a diminuir, «Portugal continua a não assegurar a renovação de gerações e o défice de nascimentos ronda os 55 mil por ano», explicou o presidente da APFN.
O Algarve é a zona do país onde se regista um aumento mais constante da taxa de natalidade nos últimos anos, segundo dados do INE. 16 por cento dos bebés que nasceram em 2003 no Algarve são filhos de mãe estrangeira, na maioria de mulheres ucranianas e brasileiras.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Um poema impressionante (dedicado aos abortistas)

Que me chegou por mail. A origem parece ser http://sol.sapo.pt/blogs/filosorfico/default.aspx de Renato de Azevedo

SEM NOME

Era tão pequeno,
que ninguém o via.
Dormia, sereno,
enquanto crescia.
Sem falar, pedia
-porque era semente-
ver a luz do dia,
como toda a gente.
Não tinha usurpado
a sua morada.
Não tinha pecado.
Não fizera nada.
Foi sacrificado
enquanto dormia.
Esterilizado
com toda a mestria.
Antes que a tivesse,
taparam-lhe a boca,
- tratado, parece,
qual bicho na toca.
Não soltou vagido.
Não teve amanhã.
Não ouviu: «-Querido...»
Não disse: «-Mamã...»
Não sentiu um beijo.
Nunca andou ao colo.
Nunca teve o ensejo
de pisar o solo,
pezito descalço,
andar hesitante,
sorrindo, no encalço
do abraço distante.
Nunca foi à escola,
de sacola ao ombro,
nem olhou estrelas
com olhos de assombro.
Crianças iguais
à que ele seria,
não brincou com elas,
nem soube que havia.
Não roubou maçãs,
não ouviu os grilos,
não apanhou rãs
nos charcos tranquilos.
Nunca teve um cão,
vadio que fosse,
a lamber-lhe a mão,
à espera de um doce.
Não soube que há rios
e ventos e espaços.
E invernos e estios.
E mares e sargaços,
e flores e poentes,
E peixes e feras
- as hoje viventes
e as de antigas eras.
Não soube do mundo.
Não viu a magia.
Num breve segundo,
foi neutralizado
com toda a mestria:
Com as alvas batas,
máscaras de entrudo,
técnicas exactas,
mãos de especialistas
negaram-lhe tudo
(o destino inteiro...)
- porque os abortistas
nasceram primeiro.

10 semanas: um compromisso entre o infanticidio e o direito à vida!

Lê-se e não se acredita...:
"É necessário um compromisso entre o direito à vida e o direito ao planeamento familiar. Não há planeamento familiar eficaz sem a possibilidade de, como solução de recurso, abortar. Efectivamente, todos os meios contraceptivos falham, por vezes, seja por razões técnicas seja por falha humana. O direito à vida sugeriria que a vida humana deveria ser protegida desde o instante da concepção. O direito ao planeamento familiar requeriria a possibilidade de abortar até ao fim da gravidez -- tal como de facto é permitido nalguns países -- ou até mesmo de efectuar infanticídios -- tal como é praticado noutros países. O aborto até às dez semanas de gravidez é um compromisso bastante restritivo, mas ainda assim realista, entre essas duas posições extremas. Ele permite garantir que o planeamento familiar efectivo é possível, mas sem uma violação intolerável do direito à vida."
Passaram-se!!!!????
Esta "preciosidade" está em "argumentos do sim" do www.euvotosim.org. Não é notável!?

As 200 mil assinaturas dos grupos civicos do Não

Encerrado este primeiro período extenuante de mobilização para a constituição dos grupos civicos, assisto divertido ao espanto da comunicação social (e também ao incómodo do Sim) com a potência social dos grupos do Não (15 grupos contra 5 do Sim, 200 mil assinaturas no total).
É preciso estar muito distraído ou querer cegar quem lê jornais ou adormecer os políticos dos partidos, para ficar surpreendido com mais uma demonstração de força de um amplo movimento social de defesa da Família e da Vida que hoje em dia, tem mais implantação que muitos partidos e uma representação eleitoral não negligenciável.
Quem desde 1998 venha seguindo estes movimentos civicos não se espanta com a capacidade organizativa mas verifica quotidianamente que no espectro político português existe uma força civil que não precisa da comunicação social para se desenvolver e crescer e cujo êxito corresponde tão só ao facto de coincidir com os anseios profundos de um povo que não se submete aos ditames da mentalidade comum.
Um povo de homens livres, de famílias convictas e agentes sociais empenhados, que parte agora para uma campanha de afirmação positiva da Vida, dedicada ao esclarecimento e à mobilização, que pode obter um resultado confirmador da modernidade e progressismo de quem afirma que os direitos humanos devem prevalecer sobre os interesses pessoais e que para o drama do aborto há outros caminhos, outras respostas, outras soluções.
A minha maior preocupação com o referendo, não é perder ou ganhar. A cultura da Vida crescerá sempre em qualquer das circunstâncias.
O meu receio é que ao resultado (seja qual for) não sucedam iniciativas em politicas públicas favoráveis à Vida, à Família, à Natalidade e aos apoios sociais...
Será sempre bom continuar a proteger, através da lei penal, a mulher e os seus filhos. Mas ideal era haver um empenho político sério. Haverá, à esquerda e à direita, quem o queira?

O Diário de Notícias e a Igreja Católica

É comovente o desvelo e a atenção filial com que o Diário de Notícias segue as indicações dadas pelos Bispos da Igreja Católica e até a prática religiosa a que convida os seus repórteres... :-)
Ele é idas a Fátima e ao Terreiro do Paço, Missas assistidas (ou participadas...?) em todo o país, declarações de Bispos reproduzidas e comentadas...um mimo!
Quem diria que o mais anti-clerical dos nossos jornais, se havia de transformar num retrato fiel e diário da actividade da Igreja católica...! :-)
Fossem todos os católicos como o Diário de Notícias e este país era outro! lol!

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Convenção do Não: contentamento e um presente

Passei hoje o dia caído para o lado...na ressaca da Convenção Nacional dos Grupos do Não...
Foi um momento emocionante de encontro, de constatação de que partimos para esta campanha com uma rede operacional que cobre o país inteiro e que a vitória no dia 11 de Fevereiro só depende do trabalho de esclarecimento que estamos dispostos a realizar.
Mas uma passagem pelo correio electrónico, antes de me deitar, impunha-se e encontro este poema que me foi enviado por uma amiga do Diz que Não. Deixo-o pelo que representa como gesto de amizade e por aquilo que diz: assim somos nós com este País!

«Hora

Sinto que hoje novamente embarco
Para as grandes aventuras,
Passam no ar palavras obscuras
E o meu desejo canta --- por isso marco
Nos meus sentidos a imagem desta hora.

Sonoro e profundo
Aquele mundo
Que eu sonhara e perdera
Espera
O peso dos meus gestos.

E dormem mil gestos nos meus dedos.

Desligadas dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias
De expectativa e de segredos
Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando.

Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.

E de novo caminho para o mar. »

Sophia Mello Breyner