quarta-feira, março 28, 2007

Relato do encontro de CL com o Papa (na Zenit)

Papa alenta Comunhão e Libertação a «testemunhar beleza de ser cristão»
Ao encontrar-se com 80 mil participantes de uma peregrinação promovida por este movimento CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 27 de março de 2007 (ZENIT.org).-
Bento XVI convidou o movimento eclesial Comunhão e Libertação a «testemunhar a beleza de ser cristãos», seguindo os passos de seu fundador -- e grande amigo de Joseph Ratzinger -- Mons. Luigi Giussani.
Deixou esta mensagem aos seus membros neste sábado, ao receber mais de 80 mil participantes em uma peregrinação promovida por essa Fraternidade, por ocasião do vigésimo quinto aniversário de seu reconhecimento pontifício.
O encontro celebrou-se na praça de São Pedro, no Vaticano, num ambiente de festa que reflectia a longa amizade que une este Papa a Comunhão e Libertação, desde a época em que era professor universitário na Alemanha.
O primeiro pensamento do pontífice, no seu discurso, dirigiu-se a Mons. Giussani, a cujo funeral presidiu, sendo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em nome de João Paulo II, em 24 de fevereiro, há dois anos, na catedral de Milão.
Segundo o bispo de Roma, através de Mons. Giussani, o Espírito Santo suscitou um movimento «para testemunhar a beleza de ser cristão numa época nem que se difundia a opinião de que o cristianismo era algo cansativo e opressor».
«Mons. Giussani empenhou-se então em voltar a despertar entre os jovens o amor a Cristo, ‘Caminho, Verdade e Vida’, repetindo que só Ele é o caminho para a realização dos desejos mais profundos do coração do homem e que Cristo não nos salva sem respeitar nossa humanidade, mas através dela.»
«Desde o início ficou tocado, ferido, pelo desejo de beleza, mas não de uma beleza qualquer. Buscava a Beleza em si, a Beleza infinita que encontrou em Cristo», constatou. «O acontecimento que mudou a vida do fundador ‘feriu’ também a de muitíssimos seus filhos espirituais. E deu lugar às múltiplas experiências religiosas e eclesiais que formam a história de vossa grande e articulada família espiritual», declarou.
Deste modo, disse, Comunhão e Libertação oferece «uma possibilidade de viver de maneira profunda e actualizada a fé cristã, por um lado, com total fidelidade e comunhão com o sucessor de Pedro e com os pastores que asseguram o governo da Igreja; e por outro, com uma espontaneidade e uma liberdade que permitem novas e proféticas realizações apostólicas e missionárias».
Na sua intervenção, o Papa recordou também com emoção os encontros que Mons. Giussani tinha mantido com João Paulo II, em particular a audiência em que deixou a esse movimento a mensagem: «ide por todo o mundo e levai a verdade, a beleza e a paz que se encontram em Cristo Redentor». «Monsenhor Giussani fez daquelas palavras o programa de todo o movimento, e para Comunhão e Libertação foi o início de uma estação missionária que vos levou a oitenta países», recordou Bento XVI. «Hoje convido-vos a seguir por esse caminho, com uma fé profunda, personalizada e firmemente arraigada no Corpo vivo de Cristo, a Igreja, que torna Jesus contemporâneo entre nós», concluiu.
Comunhão e Libertação é um movimento eclesial cuja finalidade é a educação cristã madura de seus próprios seguidores e a colaboração com a missão da Igreja em todos os âmbitos da sociedade contemporânea. Nasceu na Itália em 1954, quando Mons. Giussani deu vida, a partir do liceu clássico «Berchet» de Milão, a uma iniciativa de presença cristã chamada «Juventude Estudantil». As siglas actuais, Comunhão e Libertação (CL), aparecem pela primeira vez em 1969. Sintetizam o convencimento de que o acontecimento cristão, vivido na comunhão, é o fundamento da autêntica libertação do homem. Um instrumento fundamental dos seguidores do movimento é a catequese semanal denominada «Escola de comunidade».

Petição lembra valores cristãos da Europa

Em menos de duas semanas 2603 cidadãos portugueses subscreveram esta Petição:

Nós, o povo da Europa, aqui afirmamos os nossos valores partilhados e reconhecidos na União Europeia de hoje e de amanhã assentes num legado cultural e histórico de matriz Cristã: respeito da dignidade humana e do direito, solidariedade e subsidiaridade, liberdade e responsabilidade. Nós defendemos também a garantia da liberdade de religião, do respeito dos crentes e não-crentes e do diálogo institucional com as Igrejas.
Assinado a 25 de Março de 2007, no 50º aniversário do Tratado de Roma, o acto fundador da União Europeia.

Fui com muito gosto um dos subscritores de uma iniciativa que coincide com a Petição Deus e a Europa em cuja promoção participei em Novembro de 2003 juntamente com o José Ribeiro e Castro, o Joaquim Galvão e o José Pedro Ramos Ascensão, entre outros. Também na mesma altura foi subscrito por quase metade dos membros do parlamento europeu o Manifesto de Bruxelas que ia no mesmo sentido. A Petição Deus e a Europa teve então 80 mil assinaturas, angariadas em apenas um mês, e esteve na origem da posição então tomada pelo Governo português de apoio a esta inserção no Preâmbulo da Constituição Europeia de uma referência às raízes cristãs da Europa.

Trata-se de um combate que ainda não terminou e que mesmo que não venha a ser ganho, será sempre uma vitória. Como disse então o João Luís César das Neves: "depois deste debate já não é possível olhar para aquele Preâmbulo sem se recordar esta discussão. A ausência de referência ao cristianismo, gritará o nome de Cristo, como a sua tumba vazia no dia da Ressurreição!".

Estou de regresso de Roma: estive com o Papa (eu e uns milhares do Cl)!

Regressei ontem de Roma. O motivo foi o encontro com o Papa do movimento Comunhão e Libertação ao qual pertenço no passado Sábado. Uma audiência particular (toda a Praça de S. Pedro e um pedaço da Via della Conciliazione) por ocasião do 25º aniversário do reconhecimento pontificio da nossa Fraternidade.
Um momento grande de encontro com Pedro, de confirmação de um caminho de santidade e de certeza de que Cristo reina e vence. Vim de lá com vontade de amá-Lo mais.
Depois aproveitei e fiz umas férias com as minhas 3 filhas e a minha mulher. Uns dias belíssimos numa cidade extraordinária, onde se tropeça na História e o embate com a Beleza é constante.
Quem quiser conhecer Luigi Giussani (fundador deste movimento) pode começar pelo You Tube: http://www.youtube.com/watch?v=fN6XF_CoeE8 e/ou pedir-me um convite para o encontro da próxima sexta-feira, em Lisboa, com Julian Carrón, um Padre espanhol, que lhe sucedeu na condução do movimento.

Apresentadora de TV alemã causa polémica com revolução "antifeminista"


Apresentadora de TV alemã causa polêmica com revolução "antifeminista"

BERLIM, 23 Mar. 07 (ACI) .- Uma das jornalistas alemãs mais respeitadas e populares da televisão nacional, converteu-se em uma porta-bandeira da revolução "antifeminista" e assegura contar com o apoio de muitas mulheres para quem o êxito profissional não compensa a perda de uma genuína vida familiar.
Eva Herman é autora do best-seller "The Eva-Principle: Towards a New Feminity" (O Princípio de Eva: Para uma Nova Feminilidade). Acaba de publicar seu segundo livro "Querida Eva Herman" onde recolhe cartas de mulheres que apóiam seu rechaço da propaganda da auto-satisfação feminista.
Herman admitiu que lamenta ter se divorciado três vezes e tem publicado seu rechaço ao aborto.
Conforme recolhe a agência LifeSiteNews.com, Herman aborda o aborto como uma violação da mulher e culpa às leis abortistas de minimizar o trauma deste procedimento até fazê-lo equivalente a uma entrevista com o dentista.
Suas publicações rechaçam os objetivos feministas de emancipação, êxito profissional e auto-satisfação e propõe em troca os "fins radicais" da maternidade, o cuidado do lar e a associação matrimonial.
De acordo com os meios alemães, os livros de Herman formam parte de uma nova onda de antifeminismo na Alemanha, marcada por um crescente número de mulheres profissionais que rechaçam o êxito de uma carreira profissional para recuperar a vida familiar e a maternidade.
Herman alenta às mulheres a trocar os ambientes trabalhistas pelo "colorido mundo das crianças" e pede para descobrir seu "destino na nutrição do ambiente caseiro".
Segundo LifeSiteNews.com, Alemanha tem uma das taxas de natalidade mais baixas da Europa, com 1,3 filhos por mulher. A crise reprodutiva do país despertou os argumentos de um "novo feminismo", já que apesar dos maciços esforços governamentais por alentar às mulheres para que tenham mais filhos, os números não mudam.
http://www.eva-herman.de/

quinta-feira, março 22, 2007

240 mil pílulas do dia seguinte!!! Exijo um pedido de desculpas!

No Público de hoje confirma-se o que já era sabido: em 2006 foram vendidas 240 mil pílulas do dia seguinte (um aumento de 62% em relação a 2005)!
Exijo um pedido de desculpas:
a) aos "crentes" dos partidos do centro que defenderam a sua introdução no mercado ou nos acharam na altura uns exagerados quando diziamos que o consumo seria epidémico;
b) a todos os que promoveram a sua entrada em Portugal dizendo que a sua utilização seria "rara" e "apenas em circunstâncias excepcionais"...
c) aos médicos, cientistas "independentes", "autoridades morais" e outros que tais, que colaboraram na embusteirice;
d) aos membros da Comissão de Medicamentos do INFARMED que em circunstâncias inexplicáveis decidiram que o Norlevo seria de venda livre e não de receita obrigatória como o Tetragynon (o que provocou a demissão do então Presidente dessa Comissão, Dr. Serafim Guimarães)
e) a todos os jornalistas da escola da Fernanda Câncio que se deliciam a "anunciar" essas e outras belas ideias (como as da pílula abortiva ou dos sitíos onde se faz aborto clandestino) não percebendo que uma coisa é a notícia e outra o panegirico que resulta da conciliação entre essa abordagem e outras questões (como as do aborto livre ou em breve da eutanásia-não deve faltar muito para aparecer o choradinho dos suicidios clandestinos e dos medicamentos que à surrelfa dão o mesmo resultado...)
f) a todos os que estão a ler isto e que daqui a uns anos vão fazer uma cara muito surpreendida quando os números do aborto legal foram também esmagadores...
Tou realmente farto de uma malta que ignora a realidade (o que em certa medida é natural: quem está junto destas populações somos nós e desde 2000 que vemos como o fenómeno cresce) e ainda por cima nos atira para cima uma cara de "autoridade moral"! Como diz a minha mãe: arre, que a estupidez já é demais!
240 mil são 20 mil por mês, quase 700 por dia, 28 por hora.
É impossível determinar quantas vezes a pílula foi tomada "em vazio" (isto é: não houve fecundação, apenas a relação sexual), mas se num cálculo muito/muito modesto, dissermos que em apenas 10% dos casos a mulher estava grávida (ou para ser politicamente correcto: tinha havido fecundação), isso quer dizer 24 mil "coisas humanas" (para utilizar a expressão de Lidia Jorge e evitar polémicas...) que não chegaram a nidar (e depois desenvolver-se e depois nascer)!

segunda-feira, março 19, 2007

Política e Padre António Vieira: desassombrado!

"Toda a política sem a lei de Deus, é ignorância, engano, desacerto, desgoverno, erro, ruína"

Em Sermão da Sexta-feira da Quaresma, 1662

E mai nada!

Viva o Norte, viva o Minho! (texto de Miguel Esteves Cardoso)

A minha mulher é do Norte.
Casei em Caminha (no Minho, no Norte)
A minha família é do Norte (Pai do Porto, Mãe de Braga).
O Futebol Club do Porto é do Norte.
No Norte o Não é mais forte.
Passo férias no Minho há 44 anos.
O Minho é o melhor do Norte.
Tenciono acabar os meus dias em Afife (no Minho, no Norte).

Eis um belíssimo texto sobre o Norte:

«Primeiro, as verdades.O Norte é mais Português que Portugal.As minhotas são as raparigas mais bonitas do País. O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela.As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantesque já se viram.Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo àvista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca.Verde- rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se brancoao olhar. Até o granito das casas.Mais verdades.No Norte a comida é melhor.O vinho é melhor.O serviço é melhor. Os preços são mais baixos.Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar umaninharia.Estas são as verdades do Norte de Portugal.Mas há uma verdade maior.É que só o Norte existe. O Sul não existe. As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira,Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta.Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista?No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntosfalam de Portugal inteiro.Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país.Não haja enganos.Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal.Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal.Mas o Norte é onde Portugal começa.Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo.Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muitopequenina. No Norte.Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa.Mais ou menos peninsular, ou insular. É esta a verdade.Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especialmas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso àparte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam doAlentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível aque chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muitoestragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem nãoquer a coisa.O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho. Tem esse defeito e essa verdade.Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é mpecável,porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses)nessas coisas.O Norte é feminino. O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulherportuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dánas vistas sem se dar por isso.As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-sesozinhos.Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham defrente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas,graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidaspelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coramquando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de umapanela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm osolhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dosbrincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada comoconduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas.São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Nortedeveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. EmViana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão,numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente. Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial.Só descomposturas, e mimos, e carinhos.O Norte é a nossa verdade.Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte sóporque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho quepreferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada portuguêsescolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.Depois percebi.Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de asdefenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o
"O Norte".Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a suapertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a umaterra maior, é comovente.No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Pontede Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita.O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os- Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parecevago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, paraas árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, paraadivinhar.O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nóstodos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm e dizer "Portugal" e "Portugueses". No Norte dizem-no a toda a hora, com amaior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos.
Como se fosse só um nome.
Como "Norte".
Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros.
Porque é que não é assim que nos chamamos todos? »

quinta-feira, março 15, 2007

"Despedida" ontem do Senhor D. Manuel Clemente

Foi belissima a Missa de ontem em S. Vicente de Fora (de "despedida" do Senhor D. Manuel Clemente que vai para Bispo do Porto)!
Um momento de comunhão e alegria como só existe na Igreja! A consciência de que ninguém se afasta quando parte em Missão e que quanto mais "atracados" a Cristo mais próximos estamos (ainda que fisicamente distantes).
Belas as palavras do Patriarca (percebe-se ali uma amizade especial e que é de sempre) e belas as palavras do Senhor D. Manuel Clemente (a falar do realismo cristão, deste mistério de se poder dizer "a realidade é Cristo" e da presença concreta, carnal e palpável, do Senhor da História, nos rostos daqueles que são a Sua Misericórdia para connosco).
Antes (assisti ao cortejo no exterior) a beleza de ver desfilar uma centena de Padres: rostos tão diferentes, mas homens que têm em comum o terem sido eleitos por Ele (por Ele!) para serem sua presença no mundo. Lindo!
Em muitos momentos da liturgia (perante tanta beleza, a grandeza do que vivemos e na presença da qual sempre estamos, a caridade infinda que nasce da Igreja, os Santos que tivemos ao longo dos tempos, a Fé simples do povo ali presente, etc.) pensava: que podem contra isto os Louçã e os Correia de Campos, a Câncio e a Belém, a Laicidade e República ou a APF, aquela gente triste e gasta, massacrada pela vida e descrente de que possa haver mais e melhor, que encontravamos nos debates públicos na campanha do referendo? Nada, rigorosamente nada.

As minhas filhas e o referendo do aborto

Tenho pena de ainda não ter aprendido a colocar imagens aqui no Blog...
Gostava de mostrar um cartão (acompanhado de uma flor, agora já murcha...) e de um auto-colante da campanha (que diz: "Sou feliz porque nasci. Obrigado Pais") que me apareceu colado na porta do nosso quarto, do lado de fora, uns dois dias depois de 11 de Fevereiro passado. Foram as minhas filhas (17, 15 e 11 anos, respectivamente) que o puseram lá.
Diz assim:
"Independentemente da opinião deste mundo estúpido,nós estamos felizes por termos nascido, e por terem passado dificuldades para nos darem a vida, e ainda mais por nos terem ensinado o dom da vida. É tudo o que importa. Obrigado!"
Lindo! É mesmo tudo o que importa. Fiquei comovido.
E como os abortistas não têm filhos e não querem que nasçam mais crianças, daqui a uns anos falamos...
Notas: em Portugal neste momento entre 7 a 10% das famílias entram na classificação de "numerosas" (aquelas em que há 3 ou mais filhos). Essas mesmas famílias são aquelas em que vivem 25% das crianças portuguesas! Eleitoralmente, isto está no papo :-)
Se a isso acrescentarmos a observação daquele americano especialista em demografia (numa entrevista à revista Visão): "ninguém é capaz de dizer que mutação cultural vai suceder nas nossas sociedades, quando são as pessoas religiosas as que têm (mais) filhos", é fácil de prever que os vencedores de hoje terão um reinado muito curto :-)

segunda-feira, março 12, 2007

Joana Amaral Dias e a liberdade

Bom artigo o de Joana Amaral Dias, hoje no DN, sobre a progressiva perda de liberdade que se está a dar na nossa sociedade com os sitemas policial, de cruzamento de dados e outras medidas de "higiene" pessoal ou social: http://dn.sapo.pt/2007/03/12/opiniao/sisi_a_controladora.html
Por um lado é pena que Joana Amaral Diasnão perceba que também no direito à Vida se joga uma questão de liberdade (qualquer dia por razões económicas, de higiene e outras, é o Estado que decide quem pode nascer e quando...), mas por outro estou convencido que não faltarão muitas décadas para vivermos num daqueles sistemas totalitários (descritos por Aldous Huxley entre outros) e nesse momento serão os católicos e os do BE os principais protagonistas da guerrilha da liberdade humana...
Mas se o bom senso e um uso adequado da razão fossem já a regra, podíamos evitar ter de chegar a esse dia...

quarta-feira, março 07, 2007

Primeiro-Ministro preocupado com a demografia

PM novamente preocupado com a demografia

A APFN congratula-se por o Primeiro-Ministro ter manifestado hoje a sua preocupação com a crise demográfica em Portugal, crise essa que se irá agravar por Portugal se ter tornado o primeiro país do mundo a liberalizar o aborto em plena crise demográfica, aumentando, assim, o número de recordes em originalidades nacionais.
A APFN estranha que o PM tenha defendido o exclusivo recurso à "importação" de emigrantes para vencer esta crise, versão moderna da vinda de bebés de Paris no bico de cegonhas. Com efeito, as estatísticas mostram que, não só é cada vez menor o número de emigrantes que procuram Portugal, como é cada vez maior o número dos que regressam aos seus países e de jovens portugueses que saem para o estrangeiro, uma vez que Portugal continua a praticar uma cada vez mais acentuada política anti-natalista e anti-família, em flagrante contraste com a esmagadora maioria dos nossos parceiros europeus.
A APFN apela ao Primeiro-Ministro para que, enquadrado num plano global de apoio à natalidade para fazer frente ao cada vez mais pronunciado Inverno demográfico:
1 - Motive os municípios portugueses a seguirem as melhores práticas de apoio às famílias com filhos que já foram adoptadas por um número crescente de municípios portugueses, e de que a Câmara Municipal de Vila Real é o melhor exemplo;
2 - Que, no quadro do Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos dê primeira prioridade ao aumento da natalidade em Portugal, designadamente:
Fim de todas as medidas discriminatórias contra as famílias com filhos, designadamente na extravagante discriminação fiscal entre casados e divorciados (mais uma das originalidades lusas)
Adopção em Portugal das melhores medidas anti-discriminatórias e de apoio às famílias com filhos praticadas, com sucesso, na Europa, e de que a França é o melhor exemplo comprovado, uma vez que o número médio de filhos por casais aí imigrados é precisamente igual aos desejados e desejáveis 2.1;
A APFN manifesta toda a sua disponibilidade para colaborar neste desafio a que o país tem que responder com sucesso, uma vez que o mínimo que um país pode pretender para o século XXI é existir quando este chegar ao fim.
6 de Março de 2007
APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas

domingo, março 04, 2007

Arrumando papeis: "O Referendo, a Política e o Futebol", um artigo de Pedro Afonso

Uma tarde de Domingo é uma boa altura para arrumar papeis...passam diante dos meus olhos umas centenas de folhas de papel em que estão os quase quatro meses da campanha do Não (Novembro a Fevereiro). Alguma nostalgia e a eterna dúvida se era possível ter feito melhor, fazendo de outra forma qualquer...?
Entre esses papeis, este artigo do Pedro Afonso, retirado de www.mulheresemaccao.org. Num momento do debate em que os políticos retomaram as rédeas dos trabalhos, é bom recordar a total natureza civil do movimento do Não.


O referendo, a política e o futebol

Regra geral, os debates nos órgãos de comunicação social estão limitados a duas áreas temáticas: a política e o futebol. Os intervenientes, por sua vez, também não variam muito. No fundo, se percorrermos os vários canais de televisão, as rádios e os jornais, vamos encontrar quase sempre os mesmos protagonistas. A juntar-se a eles, temos os comentadores desportivos e políticos. O círculo encerra-se e, ao fim de algum tempo de os ouvir, quase que adivinhamos aquilo que cada um vai dizer. Numa palavra, torna-se um perfeito enfado depararmos sempre com as mesmas caras e os mesmos discursos.

O cidadão comum sabe, porém, que o seu dia-a-dia tem muitos outros problemas, mas que só chegam à agenda da comunicação social quando adquirem contornos dramáticos ou de escândalo. A rotina instalou-se e a realidade é-nos retratada de uma forma filtrada e parcial. Essa realidade, no entanto, vai muito além daquilo que nos é mostrado e dos temas que conseguem ter tempo de antena. Há outros assuntos importantes, e existem ainda outros intervenientes, para além dos habituais, e que merecem ser escutados.

Tivemos recentemente um exemplo disso, com o referendo sobre o aborto. Assistimos a uma sociedade civil mobilizada, viram-se novas caras, ouviram-se outras opiniões, o que acabou por ser uma lufada de ar fresco na monotonia em que se tornaram os debates na comunicação social.

Mas, o mais interessante foi observar que muitas das pessoas que intervieram durante esta campanha tinham diversas profissões: médicos, advogados, professores, biólogos, sociólogos, etc. Talvez por essa razão, as suas intervenções pareciam-nos mais genuínas e mais motivadas por convicções pessoais do que por interesses políticos. A confusão instalou-se, chegando ao ponto de se verificar que algumas pessoas tradicionalmente posicionadas à direita, defenderam o “Sim”, e outras (embora em menor número), habitualmente mais conotadas com um pensamento de esquerda, defenderam o “Não”. Por outro lado, os políticos sentiram o incómodo desta intromissão por parte da sociedade, num palco que lhes é habitualmente reservado. Diria mesmo que, em muitos casos, os próprios políticos fizeram o papel de outsiders, tal era a preparação e a qualidade da argumentação de muitos dos outros protagonistas deste referendo.

A comunicação social percebeu isso. E, apesar de, no início o ter feito timidamente, acabou por dar tempo de antena a estes novos interlocutores da sociedade civil. Finalmente surgiram caras novas e discursos diferentes. Sentiu-se que algumas destas intervenções estavam mais perto das pessoas. Pareciam ser mais genuínas, uma vez que não apresentavam uma linguagem demasiado fechada  normalmente utilizada pelos políticos.

As regras do jogo mediático alteraram-se temporariamente. Por essa razão, muitos dos comentadores ficaram pouco à vontade. As suas análises e artigos de opinião foram, em muitos casos, pobres em termos de conteúdo argumentativo, contudo repletos de carga ideológica, chegando mesmo a desaparecer a linha que separa o comentário da própria actuação política. Ao mesmo tempo, percebia-se que muitas vezes não estavam à altura de criticar as inúmeras intervenções proferidas por uma sociedade civil muito bem capacitada em várias áreas (por exemplo, no direito e na medicina). Aliás, aquele não era definitivamente o tipo de comentário que estavam habituados a fazer, visto exigir uma preparação técnica superior que só a especialização permite.

Julgo, por fim, que se abriu uma brecha neste círculo fechado. Foi uma lição e um sinal dos tempos. Chegou a altura de quebrar este autismo. A sociedade civil precisa de intervir mais, é preciso dar-lhe esse espaço porque todos temos a ganhar com isso.

Pedro Afonso - Psiquiatra

sábado, março 03, 2007

Salas de chuto: que chatice a ONU dizer o contrário!

Como é natural a ONU veio declarar que a existência de salas de chuto (como aquelas que em Portugal por via da alucinação socialista serão abertas em breve) é incompatível com os compormissos internacionais de combate à droga, materializados numa série de tratados, subscritos entre outros países, por Portugal.
Que responde o militante do PCP João Goulão, presidente do IDT, sempre tão pressurosos em citar experiências internacionais quando estas coincidem com o seu preconceito ideológico?
Que não importa a opinião da ONU e que em Portugal se vai avançar com as salas de injecção assistida...!
Elucidativo.
Nota para quem quiser mais informação sobre o assunto: www.referendo-droga.org (era o site do Movimento pró-referendo da droga que existiu entre 2000 e 2001 e que é um repositório de muita informação sobre esta matéria).

Da ingenuidade dos admirados com o Sim ao aborto

Se não fosse triste, daria vontade de rir a admiração que alguns agora revelam perante a forma como o Sim radical tomou conta das operações, mostrando a verdadeira face dos abortistas: o que eles querem mesmo é que as mulheres abortem, que nenhuma dificuldade exista e que se lixe (para não haver discussão, uso a expressão da Lídia Jorge) a "coisa humana".
A que me refiro? Entre outros, o último artigo de Pedro Lomba no DN e às declarações de Miguel Relvas (deputado do PSD), no parlamento (admirado por constatar que nunca passou disso, nas mãos dos bloquistas e amigos: de uma cereja no cimo do bolo, um burguês utilizado para exibição pela frente proletária, um guardanapo de papel utilizado e deitado fora quando já não é necessário).
Para os que seguem menos estes assuntos (abençoados!):
1. A maioria de esquerda na AR tornou facultativo o aconselhamento da mulher que quer abortar (excluindo mesmo desse aconselhamento os médicos que se tiverem manifestado como objectores de consciência...!)
2. Os deputados do PSD usados pelo movimento do Sim foram excluídos das negociações e elaboração da lei do aborto...
Há gente que nunca aprende mesmo...!

Igreja e Maçonaria: não há novidades.

Convém sempre lembrar o assunto, porque muitas vezes reina a confusão...:

Não há novidades por parte da Igreja sobre pertença à maçonaria
Declara o regente da Penitenciaria Apostólica ROMA, sexta-feira, 2 de março de 2007

(ZENIT.org).- Pode um católico entrar na maçonaria? A esta pergunta respondeu negativamente o congresso celebrado nesta quinta-feira na Faculdade Pontifícia Teológica São Boaventura. O encontro, celebrado em colaboração com o Grupo de Pesquisa e Informação Sócio-religiosa da Itália (GRIS), foi presidido pelo bispo Gianfranco Girotti O.F.M. Conv., regente do Tribunal da Penitência Apostólica, que declarou que o juízo da Igreja sobre esta matéria não mudou.
A Igreja, recordou, sempre criticou as concepções e a filosofia da maçonaria, considerando-as incompatíveis com a fé católica. O último documento oficial de referência é a «Declaração sobre a Maçonaria», assinado pelo então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Joseph Ratzinger, em 26 de novembro de 1983.
O texto afirma que os princípios da maçonaria «sempre foram considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja; em conseqüência, a afiliação à mesma continua proibida pela Igreja». «Os fiéis que pertençam a associações maçônicas se encontram em estado de pecado grave e não podem acudir à santa comunhão», acrescenta a declaração assinada pelo atual Papa. O sacerdote Zbigniew Suchecki O.F.M. Conv., especialista na matéria, recordou o número 1374 do Código de Direito Canônico, que diz que quem se inscreve em uma associação que maquina contra a Igreja deve ser castigado com uma pena justa; quem promove ou dirige essa associação, deve ser castigado com proibição.
«As tentativas de expressar as verdades divinas da maçonaria se fundamentam no relativismo e não coincidem com os fundamentos da fé cristã», afirmou o especialista na matéria.
No encontro, participaram expoentes das associações maçônicas e grandes professores.
Dom Girotti fez referência às declarações de alguns sacerdotes que publicamente se declaram membros da maçonaria, e pediu a intervenção de «seus diretores superiores», sem excluir que «da Santa Sé possam vir medidas de caráter canônico».
ZP07030204

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Notas pessoais sobre o resultado do Referendo

Vencidos mas não convencidos e ainda mais determinados

Com uma velocidade impressionante a vida normal reocupou o seu espaço: 2ª de manhã, levantar “o circo” deixado na Associação Comercial de Lisboa, à tarde regresso à advocacia. 3ª de manhã tratar do visto para viagem profissional e depois escritório. 3ª à noite embarquei para o Sal e depois para Santiago (Cabo Verde) de onde regressei sexta de madrugada. Ao fim da tarde e finalmente partida com a família para uns dias no Minho!
Na minha ausência um jantar ontem com 150 pessoas envolvidas na campanha e uma denúncia de que (como prevíramos) afinal não queriam aconselhamento nenhum…alguém tinha dúvidas? Que dizem agora todas aquelas almas "bem-intencionadas"?
Um destes dias, na RTP África, apareceu a Clínica de Oiã a reconhecer que faz 600 abortos por ano. Adivinhem como votaram os que o fazem? Cá por mim estou disponível para subscrever uma participação criminal…
Mas uma palavra sobre o que se passou em 11 de Fevereiro:
Não há como negar que aconteceu uma coisa que é muito má. Não negá-lo e ir até ao fundo deste sentimento é uma responsabilidade a que não podemos escapar. Mas o surpreendente é que quem o faz experimenta uma grande paz. Uma paz que nasce da serenidade de quem deu o seu melhor (andámos 10 anos a empatá-los, queridos amigos, e vendemos cara a nossa pele!) e também de quem sabe que tudo o que acontece, não nos pertence: vitória e derrota, conquista e perda, tristeza e alegria.
Desse balanço nasce também outra responsabilidade: que me chama esta circunstância a cumprir? Quais as novas exigências que me são feitas? Do que faço, o que é que acrescenta valor e constrói? Que vou e onde fazer a partir de agora?
Uma coisa que me impressionou foi a pergunta de um jornalista, no fim da noite de 11 de Fevereiro: “como é que perderam e o ambiente aqui (na Associação Comercial de Lisboa) parecia ser de quem ganha?”. A mesma constatação repetiu-se aliás em todos os jornais do dia seguinte. Não falam apenas da nossa serenidade, mas também da nossa alegria. Na resposta que lhe dei falei só dos elementos objectivos: a paz de quem deu tudo, o facto de ter crescido o campo do Não (temos mais votos, sabemos mais do assunto, estamos mais presentes no país inteiro), a continuidade que está sempre assegurada desta movimentação, porque tem origem em pessoas e realidades, que já cá estavam antes do referendo e vão continuar. Um exemplo: só durante a campanha nasceram duas novas associações.
Um outro perguntava: sente-se humilhado? Respondi que não: estava antes honrado de me ter sido dada a possibilidade de me ter batido por aquilo em que acreditava.
Conforme os dias passam, e depois de ter acordado meio estremunhado, com a sensação de um estranho em terra estranha, vai crescendo em mim um desejo de andar para a frente que já tem contornos precisos: arrumar os dossiers da campanha (apresentar contas, guardar as bases de dados, arrumar o material), encontrar uma sede permanente maior para a Federação e rapidamente reunir “as tropas”: para estar juntos, fazer o balanço e abraçar novas tarefas.
E recordo-me do que uma vez li num livro. É a fala do Barão, um dos personagens principais, a quem estavam a propor uma iniciativa ousada e difícil: “Impossível? Alguém disse impossível? Então temos de reunir já os mapas e preparar as nossas próximas campanhas!”.
É assim que me sinto meus caros leitores. Era só o que faltava se um referendo me tirava a vontade de lutar e servir!
Nota final: é mais fácil daqui a uns anos mostrar que o aborto legal é um disparate do que agora. O pessoal é assim: só vendo…
Junto o texto do Evangelho de dia 12 de Fevereiro como foi difundido pelo “Evangelho Quotidiano”. Impressionante.

2ª feira da VI semana comumHoje a Igreja celebra : Santa Eulália de Barcelona, virgem e mártir, +304 Santo : “Porque é que esta geração exige um sinal?” Evangelho segundo S. Marcos 8,11-13.Apareceram os fariseus e começaram a discutir com Ele, pedindo-lhe um sinal do céu para o pôr à prova. Jesus, suspirando profundamente, disse: «Porque pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo: sinal algum será concedido a esta geração.» E, deixando-os, embarcou de novo e foi para a outra margem. Da Bíblia Sagrada Comentário ao Evangelho do dia feito por : Santo (Padre) Pio de Pietrelcina (1887-1968), capuchinho CE,57 ; Ep 3,400s (Um Pensamento)
“Porque é que esta geração exige um sinal?”
O mais belo acto de fé é o que sai dos teus lábios em plena obscuridade, no meio dos sacrifícios, dos sofrimentos, o esforço supremo de uma vontade firme em fazer o bem. Como um raio, este acto de fé dissipa as trevas da tua alma; no meio dos relâmpagos da tempestade, ela eleva-te e conduz-te a Deus.A fé viva, a certeza inquebrantável e a adesão incondicional à vontade do Senhor, eis a luz que alumia os passos do povo de Deus no deserto. É esta mesma luz que resplandece a cada instante em todo o espírito agradável ao Pai. Foi também esta luz que conduziu os magos e os fez adorar o Messias recém-nascido. É a estrela profetizada por Balaão (Nm 24,17), o archote que guia os passos de todo o homem que procura Deus.Ora esta luz, esta estrela, este archote, são igualmente o que ilumina a tua alma, o que dirige os teus passos para te impedir de vacilar, o que fortifica o teu espírito no amor de Deus. Tu não a vês, tu não a compreendes, mas isso não é necessário. Tu só verás trevas, certamente não as dos filhos da perdição, mas sim as que rodeiam o Sol eterno. Tem por certo que esse Sol resplandece na tua alma; o profeta do Senhor cantou a seu respeito: “na tua luz é que vemos a luz” (SL 36,10).

Impressionante, não é?

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Balanço de uma campanha: vale a pena dizer Não!

Vale a pena dizer Não

Debates e sessões de esclarecimento, encontros com a comunicação social e eventos de carácter científico, grandes encontros populares de encerramento no Porto e Lisboa, Évora e Braga. As grandes manifestações dos dois últimos fins-de-semana: milhares de pessoas na Fonte Luminosa, e, depois em Vila Real e Viseu, Faro, Porto e Setúbal. Apetece antecipar o balanço, tirar conclusões.

Revejo as sessões públicas em que me foi possível compreender pelo menos uma coisa: podemos paradoxalmente ser todos contra o aborto, mas há quem só o queira tornar legal. Preferimos que não haja nem legal nem clandestino. Não se percebe porque haja de ser tolerada uma realidade ilegal e branqueados os que vivem da exploração da fragilidade do outro. Dotados de inteligência e razão, somos convidados a encontrar outras soluções e não ceder ao conformismo e à resignação.

Recordámos sem cessar a humanidade do embrião ou feto a que todos, quando acontece em nossas casas, chamamos filho. Ninguém se pode sentir autorizado a dispor sobre a vida, parafraseando Lídia Jorge, “dessa coisa humana”… Quando aborta, uma mulher vê destruída não apenas essa “coisa”, mas também, com uma assustadora probabilidade, a própria vida. E, revendo o “Happy Birthday” de um rapper norte-americano (disponível no You Tube), também a vida do seu pai e de todos à roda. Mesmo que seja legal (como o é nos Estados Unidos e, em alguns estados, até aos 9 meses). Repetimos à saciedade as palavras de Clara Pinto Correia: o aborto não resolve problema nenhum e “apenas torna a vida pior do que, para alguns, ela já é”.

Procurámos explicar porque é que o juízo sobre um facto (o aborto), não é um juízo sobre a mulher que aborta. Que a lei penal não usa a qualificação do sujeito (criminoso ou criminosa) mas palavras objectivas: facto, acto, conduta, ilícito. Que a lei protege a vida do bebé e da mãe quando é a sua última defesa contra a pressão de quem a quer fazer abortar. Que a lei aponta uma estrada e a sua validade não se mede pela verificação de infracções. Que a lei que protege a vida humana, com as excepções das normas introduzidas em 1984, não é mais severa do que a que protege a propriedade informática, o ambiente ou o bom-nome de cada um. Denunciámos por isso a incoerência daqueles que não evitaram quando podiam o que qualificam como o “escândalo dos julgamentos” (nascido da forma como os usam). E que se a resposta no referendo fosse sim o “escândalo dos julgamentos” prosseguiria para toda a mulher que abortasse fora de estabelecimento oficial ou autorizado até às 10 semanas e para toda a que abortasse depois dessa aleatória data. Dúvidas houvessem e o Eng.º Sócrates se encarregou, nos últimos dias, de nos confirmar que a pergunta é sobre a liberalização…

Vimos juntarem-se a nós amigos novos. Muita gente de muitos lados. Verificámos como é possível a coexistência de perspectivas diferentes, ângulos diversos, histórias separadas, axiologias variadas. Em comum: dizer Não à liberalização.

Verificámos estupefactos como se vende uma proposta coxa como se fosse o melhor dos mundos. Limitámo-nos a testemunhar o que nos tem acontecido ver ao longo destes últimos anos: milhares de mulheres e crianças salvas. Aqui reclamámos: se umas dezenas de associações fizeram o que fizeram, o que não faria um Governo que estivesse disposto a aplicar em politicas adequadas, o que está disponível para gastar, por uma cegueira ideológica muito datada, no aborto livre e legal!

Aceitámos discutir tudo e suportámos pacientemente todos os insultos. Fomos moderados escutando as objecções de quem as quis formular. Demos as nossas razões em todo o lado e perante todas as audiências. Á nossa volta vimos crescer um povo e uma cultura da Vida. Independentemente do resultado (o beco fechado da vitória do Sim ou o caminho aberto a todas as possibilidades da vitória do Não), depois de uma mobilização cívica sem precedentes, a Vida cresceu em Portugal. Razões de sobra para dizer que valeu a pena.

António Pinheiro Torres
Mandatário dos Juntos pela Vida

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

De como se ameaça o povo se ele não votar "bem"...

Assisto incrédulo a como o Primeiro-Ministro e os partidários do Sim se permitem ameaçar o povo se ele não votar "bem"...
1. Se o povo não ocorrer ao referendo (uma das poucas hipóteses que têm de expressão política fora do sistema dos partidos), não há mais referendos para ninguém...! Isto é: quem muito legitimamente desejar abster-se porque não quer mudar a lei actual, mas não se sente confortável a votar Não, fica a saber: o Eng. Sócrates tira-lhe (a ele e a nós todos) o referendo! "Bem feita que devias votar Sim"...
2. Se o povo votar Não também fica a saber que o Eng. Sócrates quer tudo ou nada: aborto livre ou nada. Isto é: afinal o que o Sim quer, não é o fim dos julgamentos e da ameaça da prisão (a que a proposta ontem dos independentes do Não, acolhida pelo PSD e pelo PP, já dá resposta). O que quer mesmo é o aborto livre. Se o povo não lhes dá? Afinal dizem: "estamos nas tintas para os julgamentos e a ameaça da prisão".
É bonito de se ver este apego à democracia. Que só serve se coincidir com a vontade deles, está visto...!

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Às vezes o coração não bate nunca...

A afirmação espantosa e contra toda a evidência de Mário de Sousa no Público de hoje de que "às dez semanas não bate um coração", só tem uma explicação: passou-se de vez (veja-se algumas das coisas espantosas que este costuma afirmar em diversas secções do www.referendo-pma.org ) ou então falava de coração no sentido de Giussani: como aquele complexo de anseios profundos de cada homem (beleza, felicidade, paz, bondade, etc.) e nesse caso reconhecia que às vezes, parece, este não bate nunca...!?
Será o caso? ;-)

Da vantagem do aborto não ser liberalizado e da vergonha do clandestino

Os meus apontamentos de campanha estão completamente anárquicos, mas é o preço que paga quem está no centro da campanha (não se chega a "gozá-la" e tem-se pouco tempo para escrever), mas de vez em quando lá vai um copy paste, como este de um mail de uma amiga:

Num estudo realizado nos EUA, 72% das mulheres interrogadas afirmaram
categoricamente que se o aborto fosse ilegal nunca o teriam feito; 24%
exprimiram dúvidas sobre se o teriam feito ou não; Somente 4% das
interrogadas afirmaram que teriam feito o aborto ainda que ele fosse ilegal.
(Cf. Aborted Women: Silent No More, David Reardon, Chi­cago, Loyola University
Press, 1987)".

Já agora, um comentário adicional: o aborto clandestino, na dimensão que se diz ter em Portugal, só é possível porque o Governo não se empenha decididamente contra ele. Não havia necessidade (como dizia o outro) de ser tão acessível e, nessa medida, quem o tolera, divulga e, desta maneira, o promove, é objectivamente responsável (ainda que subjectivamente não o deseje) pelas histórias dramáticas que as páginas de campanha do Sim (no "Diário de Notícias") vem contando. Como também, acrescente-se, da difusão de todas as formas quimicas de o praticar.
Por último: nunca vi campanha de publicidade tão barata como a da clínica dos Arcos. O que aquela mulher se deve rir, à custa do provincianismo de quem a erigiu em "opinion maker"...!