Na entrada de férias, 2 de Agosto, a minha amiga Isilda Pegado, presidente da Federação Portuguesa pela Vida, publicou o artigo abaixo que além de fechar com chave de ouro um ano de combates, acaba por provar factualmente como a oposição ao Governo e ao PS tem o seu centro nevrálgico nos movimentos civis a favor da Vida e da Família, porque é aí, nas questões de civilização, que mais lhes dói encontrar resistência e alternativa...
Leis emblemáticas na governação socialista
As reformas emblemáticas que José Sócrates escolheu para definir a sua governação estão longe de ser consensuais
O primeiro-ministro elegeu como "reformas" emblemáticas do seu consulado a lei da PMA (reprodução artificial e uso de embriões humanos), a lei do aborto e a lei do divórcio. Disse-o perante o Congresso da Juventude Socialista [que teve lugar no fim de Julho no Porto]. A simbologia destas leis, que o primeiro-ministro quis realçar, não se compara com as centenas de outras que a governação socialista tem feito nas áreas da economia, da justiça, do ambiente, etc. Por isso o primeiro-ministro tem razão quando as elege para definir a sua governação...Mas estas não são leis de consenso. Pelo contrário, trazem à ribalta os debates mais acesos da actualidade em todo o mundo. A protecção da vida humana desde a concepção, o eugenismo, o comércio e experimentação em embriões, o aborto e a protecção do casamento e da família estão na ordem-do-dia. Em Itália, a campanha eleitoral que levou ao poder Berlusconi começou com o tema do aborto; em Espanha, o PP de Rajoy proibiu que a campanha versasse sobre a família e a protecção da vida humana; e, nos EUA, o debate sobre estas matérias está agora a levantar-se entre os candidatos à Presidência.Em Portugal, as referidas leis (PMA, aborto, divórcio) não passaram sem contestação social. Face à matriz social do país e à radicalidade das soluções legislativas, muitos foram os que, na sociedade civil, as têm contestado. São leis fracturantes, que o actual primeiro-ministro pretende levar pela frente "custe o que custar". Seguir-se-á o casamento para os homossexuais... e a eutanásia...Quem ousou, nestes três anos, de forma sistemática e firme, levantar o escudo para que aquelas leis não fossem aprovadas?Quem, na lei da PMA, teve uma posição firme e sustentada que levou ao Parlamento a primeira Petição de Referendo, de iniciativa popular, na história da democracia portuguesa? Quem, por todo o país, fez debates, acções de rua e distribuiu informação para que esta não tivesse sido aprovada no silêncio do Parlamento? Quem continua a invocar a ilegitimidade de uma lei (PMA) que no Tribunal Constitucional aguarda a declaração de inconstitucionalidade?Quem, ao longo de mais de dez anos, travou a legalização do aborto, em cada investida feita? Quem, no referendo, apelou à organização dos 15 grupos cívicos que, por todo o país, fizeram uma campanha que remou contra todos os poderes instituídos? Quem pediu a universitários, advogados e magistrados que, num curtíssimo espaço de tempo, fizessem algum esclarecimento sobre a lei do divórcio? Quem levou ao Parlamento uma Petição Popular para fazer parar a tão injusta lei do divórcio? A lei ainda não está promulgada...Em bonitas e fundamentadas páginas de História do século XIX, Vasco Pulido Valente (em Ir para o Maneta) demonstra como foram vencidas as Invasões Francesas. Só com a revolta popular, que se organizou em muitos pontos do país, foi possível vencer o invasor e a destruição. Hoje, os movimentos cívicos, de forma sistemática, têm levantado os escudos para travar o avanço das "leis emblemáticas do consulado socialista".Os movimentos cívicos que, em Portugal, defendem a subsidiariedade, a liberdade de educação, a família, a vida e a liberdade religiosa estão a fazer uma estrada.Foi neles que o PS encontrou a sua oposição. É com eles que Portugal pode contar para uma sociedade mais humana, livre e democrática.
Presidente da Federação Portuguesa pela Vida
Foi o diário da acção política de um deputado do PSD, eleito por Braga, e agora é-o de um cidadão que desejando contribuir activamente para a organização do bem comum, procura invadir esse âmbito (da política) com aquele gosto de vida nova que caracteriza a experiência cristã. O título "POR CAUSA DELE" faz referência ao manifesto com o mesmo título, de Comunhão e Libertação, publicado em Janeiro de 2003 (e incluído no Blog).
quarta-feira, setembro 03, 2008
O centro da oposição ao PS somos nós! :-)
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domingo, agosto 31, 2008
Terminaram as férias...! :-(

Embora este ano a minha experiência de férias tenha sido muito limitada (trabalhei em cerca de 2/3 dos dias de Agosto embora no conforto da casa do Minho) chego ao fim do mês já com ganas de retomar os combates e a vida normal ;-)
Mas também não deixa de ser verdadeiro o sentimento tão bem expresso neste desenho da genial série Calvin e Hobbes...
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quinta-feira, agosto 28, 2008
Chip nos automóveis: assim se vai a liberdade...! :-(
A promulgação pelo PR da autorização legislativa ao Governo para fazer uma lei que obrigará à colocação de chips electrónicos os nossos automóveis (ver abaixo texto do comunicado que acompanhou essa promulgação) é um momento gravissimo e histórico de perda de liberdade e de um indesejável caminho para aquele "Admirável Mundo Novo" do Aldous Huxley...
Podem inventar os sistemas de protecção de dados que quiserem...o facto indesmentível é que a partir do momento em que tais chips sejam colocados será possível localizar no tempo e no espaço, no momento ou anteriormente, onde andámos com o nosso carro!!!
E o mais preocupante é como se perde assim a liberdade sem um movimento de subvelação e indignação públicas, como se tudo não importasse e um estúpido "não tenho nada a esconder" (agora, nesse momento...:-) bastasse para ilibar uma lei controladora, abusadora e totalitária.
Se não estou em erro o PSD votou contra esta lei (contra a respctiva autorização-legislativa). Espero se proponha revogá-la nas próximas eleições...!?
A mensagem do PR foi esta:
Comunicado sobre a promulgação do diploma que autoriza o Governo a legislar sobre a instalação obrigatória de um dispositivo electrónico de matrícula em todos os veículos motorizados
O Presidente da República promulgou hoje como Lei o Decreto da Assembleia da República nº 240/X, que autoriza o Governo a legislar sobre a instalação obrigatória de um dispositivo electrónico de matrícula em todos os veículos motorizados.
O Presidente da República considera que as dúvidas quanto à limitação à reserva de intimidade da vida privada dos cidadãos que o novo mecanismo de identificação e detecção electrónica de veículos suscita, e que não foram dissipadas durante o debate parlamentar, poderão ser resolvidas pelo Governo no decreto-lei a aprovar ao abrigo da autorização contida na lei agora promulgada.
As questões colocadas pelo diploma em apreço ultrapassam em muito a experiência da “Via Verde” ou a regulamentação comunitária relativa ao Serviço Electrónico Europeu de Portagens. O que está em causa é, por um lado, a necessidade de assegurar, de uma forma vincada, que a tecnologia a utilizar não desvirtue, na prática, os objectivos ligados ao controlo do tráfego rodoviário e, por outro, assegurar, com muita clareza, que os dados pessoais registados sejam objecto da maior reserva e acompanhados de um sistema que garanta efectivamente tal reserva.
Trata-se, sem dúvida, de um domínio particularmente melindroso do ponto de vista da salvaguarda da esfera da vida privada dos cidadãos que exige uma adequada densidade normativa e um conjunto de garantias substantivas que o decreto-lei a emitir na sequência da lei de autorização legislativa deve contemplar, tal como foi transmitido por escrito pelo PR ao Governo.
28.08.2008
http://www.presidencia.pt/
Podem inventar os sistemas de protecção de dados que quiserem...o facto indesmentível é que a partir do momento em que tais chips sejam colocados será possível localizar no tempo e no espaço, no momento ou anteriormente, onde andámos com o nosso carro!!!
E o mais preocupante é como se perde assim a liberdade sem um movimento de subvelação e indignação públicas, como se tudo não importasse e um estúpido "não tenho nada a esconder" (agora, nesse momento...:-) bastasse para ilibar uma lei controladora, abusadora e totalitária.
Se não estou em erro o PSD votou contra esta lei (contra a respctiva autorização-legislativa). Espero se proponha revogá-la nas próximas eleições...!?
A mensagem do PR foi esta:
Comunicado sobre a promulgação do diploma que autoriza o Governo a legislar sobre a instalação obrigatória de um dispositivo electrónico de matrícula em todos os veículos motorizados
O Presidente da República promulgou hoje como Lei o Decreto da Assembleia da República nº 240/X, que autoriza o Governo a legislar sobre a instalação obrigatória de um dispositivo electrónico de matrícula em todos os veículos motorizados.
O Presidente da República considera que as dúvidas quanto à limitação à reserva de intimidade da vida privada dos cidadãos que o novo mecanismo de identificação e detecção electrónica de veículos suscita, e que não foram dissipadas durante o debate parlamentar, poderão ser resolvidas pelo Governo no decreto-lei a aprovar ao abrigo da autorização contida na lei agora promulgada.
As questões colocadas pelo diploma em apreço ultrapassam em muito a experiência da “Via Verde” ou a regulamentação comunitária relativa ao Serviço Electrónico Europeu de Portagens. O que está em causa é, por um lado, a necessidade de assegurar, de uma forma vincada, que a tecnologia a utilizar não desvirtue, na prática, os objectivos ligados ao controlo do tráfego rodoviário e, por outro, assegurar, com muita clareza, que os dados pessoais registados sejam objecto da maior reserva e acompanhados de um sistema que garanta efectivamente tal reserva.
Trata-se, sem dúvida, de um domínio particularmente melindroso do ponto de vista da salvaguarda da esfera da vida privada dos cidadãos que exige uma adequada densidade normativa e um conjunto de garantias substantivas que o decreto-lei a emitir na sequência da lei de autorização legislativa deve contemplar, tal como foi transmitido por escrito pelo PR ao Governo.
28.08.2008
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segunda-feira, agosto 11, 2008
Evangelho de hoje e impostos sobre a Igreja
Os impostos sobre a Igreja (seus ministros, imóveis e actividades) foi o que me lembrou a leitura do Evangelho de hoje. Regressarei depois ao tema, para já aqui fica:
Evangelho segundo S. Mateus 17,22-27.
Estando reunidos na Galileia, Jesus disse-lhes: «O Filho do Homem tem de ser entregue nas mãos dos homens, que o matarão; mas, ao terceiro dia, ressuscitará.» E eles ficaram profundamente consternados. Entrando em Cafarnaúm, aproximaram-se de Pedro os cobradores do imposto do templo e disseram-lhe: «O vosso Mestre não paga o imposto?» Ele respondeu: «Paga, sim». Quando chegou a casa, Jesus antecipou-se, dizendo: «Simão, que te parece? De quem recebem os reis da terra impostos e contribuições? Dos seus filhos, ou dos estranhos?» E como ele respondesse: «Dos estranhos», Jesus disse-lhe: «Então, os filhos estão isentos. No entanto, para não os escandalizarmos, vai ao mar, deita o anzol, apanha o primeiro peixe que nele cair, abre-lhe a boca e encontrarás lá um estáter. Toma-o e dá-lho por mim e por ti.»
Evangelho segundo S. Mateus 17,22-27.
Estando reunidos na Galileia, Jesus disse-lhes: «O Filho do Homem tem de ser entregue nas mãos dos homens, que o matarão; mas, ao terceiro dia, ressuscitará.» E eles ficaram profundamente consternados. Entrando em Cafarnaúm, aproximaram-se de Pedro os cobradores do imposto do templo e disseram-lhe: «O vosso Mestre não paga o imposto?» Ele respondeu: «Paga, sim». Quando chegou a casa, Jesus antecipou-se, dizendo: «Simão, que te parece? De quem recebem os reis da terra impostos e contribuições? Dos seus filhos, ou dos estranhos?» E como ele respondesse: «Dos estranhos», Jesus disse-lhe: «Então, os filhos estão isentos. No entanto, para não os escandalizarmos, vai ao mar, deita o anzol, apanha o primeiro peixe que nele cair, abre-lhe a boca e encontrarás lá um estáter. Toma-o e dá-lho por mim e por ti.»
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segunda-feira, julho 28, 2008
PSD (e casamento homossexuais): das vantagens da clareza
É um gosto verificar a clareza com que a líder do meu partido se tem pronunciado sobre a "magna" questão do casamento dos homossexuais (como diz um amigo meu: "além de tudo são parvos, porque casar é o que de mais desvantajoso há do ponto de vista fiscal e legal em Portugal"...:-)
Louve-se também a convicção e o estar disposta a "morrer" por isso. Assinale-se também a previsão da possível cobardia política de Sócrates...
Tudo isto a propósito da entrevista de Manuela Ferreira Leite ao Expresso no Sábado, 26 de Julho de 2008:
“Mantêm que o casamento tem subjacente a procriação?
Mantenho. Se perder votos, assumo as consequências de dizer o que penso. Não aceito é transformar um tabu noutro tabu. Há uns anos a homossexualidade era um preconceito e agora não o é, mas não queiram criar outro. A relação homem-mulher é diferente e assenta no valor da família. Não contribuo para desmoronar esse conceito.
Espera conhecer a posição de Sócrates sobre os casamentos homossexuais antes das eleições?
Bem gostaria mas não creio que ele caia nessa.”
Louve-se também a convicção e o estar disposta a "morrer" por isso. Assinale-se também a previsão da possível cobardia política de Sócrates...
Tudo isto a propósito da entrevista de Manuela Ferreira Leite ao Expresso no Sábado, 26 de Julho de 2008:
“Mantêm que o casamento tem subjacente a procriação?
Mantenho. Se perder votos, assumo as consequências de dizer o que penso. Não aceito é transformar um tabu noutro tabu. Há uns anos a homossexualidade era um preconceito e agora não o é, mas não queiram criar outro. A relação homem-mulher é diferente e assenta no valor da família. Não contribuo para desmoronar esse conceito.
Espera conhecer a posição de Sócrates sobre os casamentos homossexuais antes das eleições?
Bem gostaria mas não creio que ele caia nessa.”
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quarta-feira, julho 16, 2008
Sózinho em Lisboa...
Quando o José Sócrates acordou, descobriu que estava sozinho na Residência de S. Bento. Não havia ajudantes de ordens. Não havia ministros, não havia cozinheiros. Nem contínuos, nem mesmo os seus mais fiéis assessores e ministros mais próximos ele encontrou. Não havia ninguém!
Então José Sócrates pegou no carro e saiu para dar uma volta pela cidade para ver se encontrava alguém. Mas a cidade estava deserta. Não havia ninguém nas elegantes avenidas de Lisboa, e ele voltou para a Residência muito preocupado.
Daí a pouco,o telefone tocou. Era o António Costa.
- Zé?, disse o António Costa. És tu?
- Sim, sou eu!, repondeu José Sócrates, furioso. Mas o que é que se passa? Não está ninguém aqui em Lisboa? Assim, não pode ser. Assim, não dá! O que é que houve?
- É claro que não há ninguém. Nem em Lisboa nem no resto do país, meu amigo. Não te lembras do teu discurso de ontem à noite na televisão? Descontrolaste-te e disseste que quem não estivesse satisfeito com o teu governo que fosse embora, que mudasse de país.
- Eu?!? Eu disse isso!?! E agora?... Então quer dizer que ficámos só nós dois aqui em Portugal?
- Nós dois, porra nenhuma! Eu estou a telefonar de Paris...
Então José Sócrates pegou no carro e saiu para dar uma volta pela cidade para ver se encontrava alguém. Mas a cidade estava deserta. Não havia ninguém nas elegantes avenidas de Lisboa, e ele voltou para a Residência muito preocupado.
Daí a pouco,o telefone tocou. Era o António Costa.
- Zé?, disse o António Costa. És tu?
- Sim, sou eu!, repondeu José Sócrates, furioso. Mas o que é que se passa? Não está ninguém aqui em Lisboa? Assim, não pode ser. Assim, não dá! O que é que houve?
- É claro que não há ninguém. Nem em Lisboa nem no resto do país, meu amigo. Não te lembras do teu discurso de ontem à noite na televisão? Descontrolaste-te e disseste que quem não estivesse satisfeito com o teu governo que fosse embora, que mudasse de país.
- Eu?!? Eu disse isso!?! E agora?... Então quer dizer que ficámos só nós dois aqui em Portugal?
- Nós dois, porra nenhuma! Eu estou a telefonar de Paris...
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terça-feira, julho 15, 2008
Uma maldade futebolistica irresistivel ;-)
Recebida de um amigo portista como eu:
"NOVA ENTRADA NO GUINESS:
SLB - Único Clube do Mundo que esteve 8 dias na CHAMPIONS LEAGUE e sem perder um único jogo, foi eliminado!"
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Católicos: bem-vindo a casa! (Lindo!)
Subsidiariedade: é bom recordar que...
"Ao princípio era o Homem, não o Estado" Francisco Lucas Pires
Mais sobre subsidiariedade em: pack 3 livros doutrina social da Igreja (muito boa e acessível leitura de férias) e em Fondazione per la Sussidiarieta ou em http://www.novacidadania.pt/
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quarta-feira, junho 18, 2008
As Férias segundo Joseph Ratzinger (Bento XVI)
TEMPO DE FÉRIAS
Poder descansar (*)
Os discípulos colocaram a Jesus o problema do stress e do descanso.
Os discípulos regressavam da primeira missão, muito entusiasmados com a experiência e com os resultados obtidos. Não paravam de falar sobre os êxitos conseguidos. Com efeito, o movimento era tanto que nem tinham tempo para comer, com muitas pessoas à sua volta.
Talvez esperassem ouvir algum elogio por tanto zelo apostólico. Mas Jesus, em vez disso, convida-os a um lugar deserto, para estarem a sós e descansarem um pouco.
Creio que nos faz bem observar neste acontecimento a humanidade de Jesus. A sua acção não dizia só palavras de grandeza sublime, nem se afadigava ininterruptamente por atender todos os que vinham ao seu encontro. Consigo imaginar o seu rosto ao pronunciar estas palavras. Enquanto os apóstolos se esforçavam cheios de coragem e importância que até se esqueciam de comer, Jesus tira-os das nuvens. Venham descansar!
Sente-se um humor silencioso, uma ironia amigável, com que Jesus os traz para terra firme. Justamente nesta humanidade de Jesus torna-se visível a divindade, torna-se perceptível como Deus é.
A agitação de qualquer espécie, mesmo a agitação religiosa não condiz com a visão do homem do Novo Testamento. Sempre que pensamos que somos insubstituíveis; sempre que pensamos que o mundo e a Igreja dependem do nosso fazer, sobrestimamo-nos.
Ser capaz de parar é um acto de autêntica humildade e de honradez criativa; reconhecer os nossos limites; dar espaço para respirar e para descansar como é próprio da criatura humana.
Não desejo tecer louvores à preguiça, mas contribuir para a revisão do catálogo de virtudes, tal como se desenvolveu no mundo ocidental, onde trabalhar parece ser a única atitude digna. Olhar, contemplar, o recolhimento, o silêncio parecem inadmissíveis, ou pelo menos precisam de uma explicação. Assim se atrofiam algumas faculdades essenciais do ser humano.
O nosso frenesim à volta dos tempos livres, mostra que é assim. Muitas vezes isso significa apenas uma mudança de palco. Muitos não se sentiriam bem se não se envolvessem de novo num ambiente massificado e agitado, do qual, supostamente, desejavam fugir.
Seria bom para nós, que continuamente vivemos num mundo artificial fabricado por nós, deixar tudo isso e procurarmos o contacto com a natureza em estado puro.
Desejaria mencionar um pequeno acontecimento que João Paulo II contou durante o retiro que pregou para Paulo VI, quando ainda era Cardeal. Falou duma conversa que teve com um cientista, um extraordinário investigador e um excelente homem, que lhe dizia: "Do ponto de vista da ciência, sou um ateu...". Mas o mesmo homem escrevia-lhe depois: "Cada vez que me encontro com a majestade da natureza, com as montanhas, sinto que Ele existe".
Voltamos a afirmar que no mundo artificial fabricado por nós, Deus não aparece. Por isso, temos necessidade de sair da nossa agitação e procurar o ar da criação, para O podermos contactar e nos encontrarmos a nós mesmos.
(*) Card. J. Ratzinger "Esplendor da Glória de Deus" Editorial Franciscana, 2007, pág. 161.
Poder descansar (*)
Os discípulos colocaram a Jesus o problema do stress e do descanso.
Os discípulos regressavam da primeira missão, muito entusiasmados com a experiência e com os resultados obtidos. Não paravam de falar sobre os êxitos conseguidos. Com efeito, o movimento era tanto que nem tinham tempo para comer, com muitas pessoas à sua volta.
Talvez esperassem ouvir algum elogio por tanto zelo apostólico. Mas Jesus, em vez disso, convida-os a um lugar deserto, para estarem a sós e descansarem um pouco.
Creio que nos faz bem observar neste acontecimento a humanidade de Jesus. A sua acção não dizia só palavras de grandeza sublime, nem se afadigava ininterruptamente por atender todos os que vinham ao seu encontro. Consigo imaginar o seu rosto ao pronunciar estas palavras. Enquanto os apóstolos se esforçavam cheios de coragem e importância que até se esqueciam de comer, Jesus tira-os das nuvens. Venham descansar!
Sente-se um humor silencioso, uma ironia amigável, com que Jesus os traz para terra firme. Justamente nesta humanidade de Jesus torna-se visível a divindade, torna-se perceptível como Deus é.
A agitação de qualquer espécie, mesmo a agitação religiosa não condiz com a visão do homem do Novo Testamento. Sempre que pensamos que somos insubstituíveis; sempre que pensamos que o mundo e a Igreja dependem do nosso fazer, sobrestimamo-nos.
Ser capaz de parar é um acto de autêntica humildade e de honradez criativa; reconhecer os nossos limites; dar espaço para respirar e para descansar como é próprio da criatura humana.
Não desejo tecer louvores à preguiça, mas contribuir para a revisão do catálogo de virtudes, tal como se desenvolveu no mundo ocidental, onde trabalhar parece ser a única atitude digna. Olhar, contemplar, o recolhimento, o silêncio parecem inadmissíveis, ou pelo menos precisam de uma explicação. Assim se atrofiam algumas faculdades essenciais do ser humano.
O nosso frenesim à volta dos tempos livres, mostra que é assim. Muitas vezes isso significa apenas uma mudança de palco. Muitos não se sentiriam bem se não se envolvessem de novo num ambiente massificado e agitado, do qual, supostamente, desejavam fugir.
Seria bom para nós, que continuamente vivemos num mundo artificial fabricado por nós, deixar tudo isso e procurarmos o contacto com a natureza em estado puro.
Desejaria mencionar um pequeno acontecimento que João Paulo II contou durante o retiro que pregou para Paulo VI, quando ainda era Cardeal. Falou duma conversa que teve com um cientista, um extraordinário investigador e um excelente homem, que lhe dizia: "Do ponto de vista da ciência, sou um ateu...". Mas o mesmo homem escrevia-lhe depois: "Cada vez que me encontro com a majestade da natureza, com as montanhas, sinto que Ele existe".
Voltamos a afirmar que no mundo artificial fabricado por nós, Deus não aparece. Por isso, temos necessidade de sair da nossa agitação e procurar o ar da criação, para O podermos contactar e nos encontrarmos a nós mesmos.
(*) Card. J. Ratzinger "Esplendor da Glória de Deus" Editorial Franciscana, 2007, pág. 161.
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terça-feira, junho 17, 2008
O PORTO NA CHAMPIONS!
Outra grande alegria!
Transcrevo a este propósito o email recebido sobre o assunto do meu amigo Pedro Sérgio:
Esperanças frouxas
O Comité de Apelo da UEFA revogou a decisão da primeira instância, mas, à imagem dos candidatos políticos derrotados, houve quem cantasse vitória, quando o bom senso e o rubor exigiam mordaça e não microfone. O F.C. Porto compreende a frustração do SLB durante o dia de hoje. Não é mais, de resto, que o reflexo de uma época de digestão desportiva complicada. A pressa revelada nas explicações exibe o que aconteceu durante toda a semana que passou.
Que fique claro: o SLB não ficou a ser parte do processo durante a sessão desta sexta-feira do Comité de Apelo da UEFA. Já o era há uma semana.
Tal como no relvado, no momento certo para expor argumentos e exibir dados, o F.C. Porto foi eficaz. Sem recorrer a fundamentos rebuscados, delgados e frágeis, inverteu a situação gerada em primeira instância. E volta a estar na UEFA Champions League, direito que assegurou com o melhor futebol que se viu em Portugal.
Tudo o resto são estratégias para tentar convencer os desprevenidos.
Pedro Sérgio
Transcrevo a este propósito o email recebido sobre o assunto do meu amigo Pedro Sérgio:
Esperanças frouxas
O Comité de Apelo da UEFA revogou a decisão da primeira instância, mas, à imagem dos candidatos políticos derrotados, houve quem cantasse vitória, quando o bom senso e o rubor exigiam mordaça e não microfone. O F.C. Porto compreende a frustração do SLB durante o dia de hoje. Não é mais, de resto, que o reflexo de uma época de digestão desportiva complicada. A pressa revelada nas explicações exibe o que aconteceu durante toda a semana que passou.
Que fique claro: o SLB não ficou a ser parte do processo durante a sessão desta sexta-feira do Comité de Apelo da UEFA. Já o era há uma semana.
Tal como no relvado, no momento certo para expor argumentos e exibir dados, o F.C. Porto foi eficaz. Sem recorrer a fundamentos rebuscados, delgados e frágeis, inverteu a situação gerada em primeira instância. E volta a estar na UEFA Champions League, direito que assegurou com o melhor futebol que se viu em Portugal.
Tudo o resto são estratégias para tentar convencer os desprevenidos.
Pedro Sérgio
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sexta-feira, junho 13, 2008
O Não ganhou! Hoje somos todos irlandeses! :-)

Que magnifica lição para todos os nossos políticos com medo de nos perguntarem pela nossa opinião e que querem construir a Europa nas nossas costas! Que magnifica derrota para todos os da agenda dos temas fracturantes e que escondidos nas estruturas europeias conspiram contra os países em que ainda há alguma sanidade mental (do coração e da razão)! Que magnífico dia! Mas já se está a ver: todos aqueles que acham que a Europa é uma coisa importante de mais para ser construída com a participação e a opinião dos europeus vão arranjar forma de contrariar o Não e qualquer dia teremos novo referendo até o Sim ganhar. É certinho...!
Mas já estou com ganas de arrancar para uma nova petição popular: pedir o referendo europeu...!?
Até lá algumas mensagens de amigos: "Nunca nos falham. Fantástico", "Aleluia Amen", "É o começo das vitórias do Não", "Lindo. Seremos sempre Não!" ;-)
Infelizmente não posso mais do que oferecer esta minha homenagem: um resumo do que encontrei sobre Saint Patrick Padroeiro da Irlanda:
The Story of Saint Patrick
Fifteen hundred and ten years have come and gone since the death of St. Patrick in 493, and argument is still going on as to where he was born. Were he in our midst today and questioned about the matter, he would probably reply as he replied to the same question soon after his second coming. To someone who was inquisitive as to his birthplace and nationality he said very gently that time would be better spent in learning the teaching of God than in putting questions concerning the race and country of himself and his followers. Some spend a great deal of time, too, contending that there were two Apostles named Patrick, and in all sorts of wise and unwise conjectures. Most of us are content to thank God for His great goodness and mercy and love in sending to our land an Apostle who planted the True Faith so firmly in the hearts of our fathers that centuries of persecution failed to uproot it, that it is still alive and glowing after the lapse of fifteen hundred years and that it has spread out from Ireland across the entire universe.
Early in the fifth century a pagan king of Ireland, Niall by name, returning from one of the customary raids of the period, brought among his captives a youth of gentle birth named Succoth, believed to the son of roman parents living in Britain or in France. The boy was sixteen years of age, hardy and strong, and someone changed his name to Patricius after his purchase as a slave by an Ulster chief named Milcho.
Sliabh Mis (Slemish)
He was set to herd sheep and survive on bleak Sliabh Mis (Slemish), a mountain in Antrim, and it was during this hard and lonely exile that his maturing of thoughts turned to God and His Holy Mother for courage and consolation. It was on the wind swept slopes of Slemish that he became a man of prayer. He learned the Irish language , grew to love the young people whom he came in contact, winning from them in return a love that perhaps helped him to escape from captivity at the end of six sad years.
The great St. Martin of Tours was his mother's brother, it is said, and to him the young man of twenty two made his way and pleaded for his instruction that would fit him to serve God and rescue souls from the slavery of paganism.
Four years later Saint Martin entrusted the student Patricius to Saint Germanus of Auxerre under whom he was sent to Pope Celestine. When his consecration as bishop took place the Pope yielded to his earnest appeal to be allowed to go back to Ireland, the place of his captivity, to bring the people he had grown to love to a knowledge of the True Faith. To Ireland he came, then, in 432, and his coming led to a new life, not for the Gael alone, but for the people of many nations to whom unselfish missionaries with hearts aflame have been going out in multitudes for over fifteen hundred years bearing the teaching and the light and the love of Christ Crucified to all the darkened places of the world, under the inspiration of the memory of St. Patrick who brought the saving grace of God to their own land long ago.
When Patrick the consecrated missionary, accompanied by a few disciples landed at a small Meath harbour in 432, he was summoned to the presence of the High King of Ireland, Laoire, who was then at Teamhair (Tara) for the celebration of the pagan summer festival. Fearing obstruction and perhaps attack on the way from the hill of Slane, near which he had landed, to Tara, tradition tells us that the saint composed and recited aloud the beautiful prayer Lureach Phadraig, The Breastplate of Saint Patrick.
Saint Patrick's Breastplate
Christ be with me
Christ be before me
Christ be behind me
Christ be within me
Christ be beneath me
Christ be above me
Christ be at my right
Christ be at my left
Christ be in the fort
Christ be in the chariot seat
Christ be in the ship
Christ be in the heart of everyone who thinks of me
Christ be in the mouth of everyone who speaks of me
Christ be in every eye that sees me
Christ be in every ear that hears me
The King of Ireland was kind and generous, even though he did not himself embrace the True Faith. Having questioned Patrick and listened with attention and respect to his explanation of the mission on which he had been sent by the Vicar of Christ, Laoire gave him permission to travel and teach and preach throughout the land.
The conversion of Ireland is the only bloodless spiritual revolution in history, as well as the most successful. Patrick traversed most of the country, blessing and extending the missionary work that had been done by others before his arrival, adapting pagan festivals and customs and linking them with feasts of the Saints in a way that won for the wise, far seeing, understanding Apostle the lasting love of the people.
That love and wisdom and zeal and understanding have been borne by the missionary successors of Saint Patrick all over the world and account for the mysterious appeal the Feast of Ireland's Patron Saint has for many races in many lands down to this very day in which we live. His humility, his holiness, his courage , his gentle heroism, his wisdom and his love of men have won for him the gratitude and homage and remembrance of the whole Christian world.
Fifteen hundred and ten years have come and gone since the death of St. Patrick in 493, and argument is still going on as to where he was born. Were he in our midst today and questioned about the matter, he would probably reply as he replied to the same question soon after his second coming. To someone who was inquisitive as to his birthplace and nationality he said very gently that time would be better spent in learning the teaching of God than in putting questions concerning the race and country of himself and his followers. Some spend a great deal of time, too, contending that there were two Apostles named Patrick, and in all sorts of wise and unwise conjectures. Most of us are content to thank God for His great goodness and mercy and love in sending to our land an Apostle who planted the True Faith so firmly in the hearts of our fathers that centuries of persecution failed to uproot it, that it is still alive and glowing after the lapse of fifteen hundred years and that it has spread out from Ireland across the entire universe.
Early in the fifth century a pagan king of Ireland, Niall by name, returning from one of the customary raids of the period, brought among his captives a youth of gentle birth named Succoth, believed to the son of roman parents living in Britain or in France. The boy was sixteen years of age, hardy and strong, and someone changed his name to Patricius after his purchase as a slave by an Ulster chief named Milcho.
Sliabh Mis (Slemish)
He was set to herd sheep and survive on bleak Sliabh Mis (Slemish), a mountain in Antrim, and it was during this hard and lonely exile that his maturing of thoughts turned to God and His Holy Mother for courage and consolation. It was on the wind swept slopes of Slemish that he became a man of prayer. He learned the Irish language , grew to love the young people whom he came in contact, winning from them in return a love that perhaps helped him to escape from captivity at the end of six sad years.
The great St. Martin of Tours was his mother's brother, it is said, and to him the young man of twenty two made his way and pleaded for his instruction that would fit him to serve God and rescue souls from the slavery of paganism.
Four years later Saint Martin entrusted the student Patricius to Saint Germanus of Auxerre under whom he was sent to Pope Celestine. When his consecration as bishop took place the Pope yielded to his earnest appeal to be allowed to go back to Ireland, the place of his captivity, to bring the people he had grown to love to a knowledge of the True Faith. To Ireland he came, then, in 432, and his coming led to a new life, not for the Gael alone, but for the people of many nations to whom unselfish missionaries with hearts aflame have been going out in multitudes for over fifteen hundred years bearing the teaching and the light and the love of Christ Crucified to all the darkened places of the world, under the inspiration of the memory of St. Patrick who brought the saving grace of God to their own land long ago.
When Patrick the consecrated missionary, accompanied by a few disciples landed at a small Meath harbour in 432, he was summoned to the presence of the High King of Ireland, Laoire, who was then at Teamhair (Tara) for the celebration of the pagan summer festival. Fearing obstruction and perhaps attack on the way from the hill of Slane, near which he had landed, to Tara, tradition tells us that the saint composed and recited aloud the beautiful prayer Lureach Phadraig, The Breastplate of Saint Patrick.
Saint Patrick's Breastplate
Christ be with me
Christ be before me
Christ be behind me
Christ be within me
Christ be beneath me
Christ be above me
Christ be at my right
Christ be at my left
Christ be in the fort
Christ be in the chariot seat
Christ be in the ship
Christ be in the heart of everyone who thinks of me
Christ be in the mouth of everyone who speaks of me
Christ be in every eye that sees me
Christ be in every ear that hears me
The King of Ireland was kind and generous, even though he did not himself embrace the True Faith. Having questioned Patrick and listened with attention and respect to his explanation of the mission on which he had been sent by the Vicar of Christ, Laoire gave him permission to travel and teach and preach throughout the land.
The conversion of Ireland is the only bloodless spiritual revolution in history, as well as the most successful. Patrick traversed most of the country, blessing and extending the missionary work that had been done by others before his arrival, adapting pagan festivals and customs and linking them with feasts of the Saints in a way that won for the wise, far seeing, understanding Apostle the lasting love of the people.
That love and wisdom and zeal and understanding have been borne by the missionary successors of Saint Patrick all over the world and account for the mysterious appeal the Feast of Ireland's Patron Saint has for many races in many lands down to this very day in which we live. His humility, his holiness, his courage , his gentle heroism, his wisdom and his love of men have won for him the gratitude and homage and remembrance of the whole Christian world.
quarta-feira, junho 11, 2008
Euro 2008: o Futebol e o Papa Bento XVI
Recebi esta por email de um amigo muito sério em tudo quanto transmite e cuidadoso e rigoroso nas citações que divulga. A de hoje é sobre o Futebol e o Papa Bento XVI, então Cardeal Ratzinger. Assim vai dar outro (maior) gosto ver os jogos do Euro!
Jogo e Vida: a propósito do campeonato de mundo de futebol.
Cardeal Joseph Ratzinger
Regularmente, cada quatro anos, o campeonato do mundo de futebol afirma-se como um acontecimento que reúne à sua volta centenas de milhões de pessoas. Dificilmente um outro fenómeno mundial consegue alcançar uma tão vasta influência. Isso mostra que este fenómeno toca algo constitutivo do ser humano, e leva-nos a perguntar pela razão da força que este desporto tem.
O pessimista dirá que acontece o mesmo que na antiga Roma. Os slogans das massas eram: panem et circenses, pão e circo. Pão e jogo seriam os valores duma sociedade decadente, que não conhece fins superiores. Mesmo que aceitemos esta informação, não seria de maneira nenhuma o suficiente.
Mais uma vez teria que se perguntar: Onde reside a fascinação deste jogo, que se apresenta com a mesma importância que o pão? Podíamos responder olhando novamente para Roma, dizendo que o grito pelo pão e pelo jogo mais não é que a expressão do desejo duma vida paradisíaca, uma vida de fartura sem esforço e da realização da liberdade. Na realidade, é o que se insinua com o jogo: uma actividade totalmente livre, sem o limite dos fins e da necessidade, e que, no entanto, mobiliza e satisfaz todas as energias do ser humano.
Nesta perspectiva, o jogo seria uma tentativa de regresso ao paraíso, a fuga da seriedade escravizante do dia-a-dia com a sua disciplina, para a seriedade livre, sem imposições, que, justamente por isso, se toma mais bela.
Nesse sentido, o jogo ultrapassa, em certo modo, a vida do dia-a-dia; mas tem também, sobretudo na criança, ainda um outro carácter. É exercício para a vida. Simboliza a própria vida e é dela uma antecipação descontraída.
Parece-me que a fascinação do futebol consiste, essencialmente, em que reúne em si estes dois aspectos de forma convincente. Primeiro, obriga o homem a dominar-se, de tal forma que, através do treino, ganha o domínio sobre si mesmo. Com o domínio supera-se e, superando-se, toma-se mais livre. Mas também lhe ensina a disciplina do conjunto: como jogo de equipa, obriga-o a subordinar o próprio ao todo. Une-os num objectivo comum. O sucesso ou o insucesso de um está ligado ao sucesso e ao insucesso do todo.
Por fim, ensina o respeito mútuo, onde a aceitação de regras por todos respeitadas, faz com que apesar da contenda como adversários, subsista, por fim, aquilo que os une e unifica.
Além disso a liberdade do jogo, quando realizada de forma correcta, transforma a seriedade do jogo contra o adversário em liberdade, logo que o jogo termina. Os espectadores identificam-se com o jogo e com os jogadores, e participam no seu empenho e na sua liberdade, ora apoiando, ora protestando. Assim, os jogadores tornam-se símbolo de suas vidas. Isto reflecte-se nos próprios atletas. Eles sabem que os homens se sentem em si representados e confirmados.
Naturalmente que tudo isto pode ser adulterado por uma mentalidade comercial, que tudo submete ao rigor sombrio do dinheiro. Assim, o desporto deixa de o ser e transforma-se numa indústria, um mundo fictício de dimensões assustadoras. Mas mesmo este mundo fictício não poderia subsistir, se não tivesse um substrato positivo, subjacente ao jogo: o exercício preliminar da vida e a travessia da vida como caminhada em direcção ao paraíso perdido. Em ambos os casos, trata-se de procurar uma disciplina para a liberdade. Na aceitação de regras da convivência, nos confrontos e no encontro consigo mesmo. Na medida em que reflectimos nisto, tendo o jogo como ponto de partida, talvez possamos aprender de novo a vida. No jogo torna-se claro algo fundamental: o homem não vive só de pão. Na realidade, o mundo do pão não é mais que a antecâmara do que é efectivamente humano, o mundo da liberdade. Mas a liberdade vive de regras, da disciplina que a convivência e a recta oposição, a independência do êxito exterior e da arbitrariedade nos ensina, tornando-nos, assim, verdadeiramente livres.
O Jogo e a vida - se reflectimos em profundidade, o fenómeno do campeonato do mundo de futebol pode ser mais do que uma diversão.
Fonte: "Esplendor da Glória de Deus", Cardeal Ratzinguer, Ed. Franciscana, 2007, pág. 187
Jogo e Vida: a propósito do campeonato de mundo de futebol.
Cardeal Joseph Ratzinger
Regularmente, cada quatro anos, o campeonato do mundo de futebol afirma-se como um acontecimento que reúne à sua volta centenas de milhões de pessoas. Dificilmente um outro fenómeno mundial consegue alcançar uma tão vasta influência. Isso mostra que este fenómeno toca algo constitutivo do ser humano, e leva-nos a perguntar pela razão da força que este desporto tem.
O pessimista dirá que acontece o mesmo que na antiga Roma. Os slogans das massas eram: panem et circenses, pão e circo. Pão e jogo seriam os valores duma sociedade decadente, que não conhece fins superiores. Mesmo que aceitemos esta informação, não seria de maneira nenhuma o suficiente.
Mais uma vez teria que se perguntar: Onde reside a fascinação deste jogo, que se apresenta com a mesma importância que o pão? Podíamos responder olhando novamente para Roma, dizendo que o grito pelo pão e pelo jogo mais não é que a expressão do desejo duma vida paradisíaca, uma vida de fartura sem esforço e da realização da liberdade. Na realidade, é o que se insinua com o jogo: uma actividade totalmente livre, sem o limite dos fins e da necessidade, e que, no entanto, mobiliza e satisfaz todas as energias do ser humano.
Nesta perspectiva, o jogo seria uma tentativa de regresso ao paraíso, a fuga da seriedade escravizante do dia-a-dia com a sua disciplina, para a seriedade livre, sem imposições, que, justamente por isso, se toma mais bela.
Nesse sentido, o jogo ultrapassa, em certo modo, a vida do dia-a-dia; mas tem também, sobretudo na criança, ainda um outro carácter. É exercício para a vida. Simboliza a própria vida e é dela uma antecipação descontraída.
Parece-me que a fascinação do futebol consiste, essencialmente, em que reúne em si estes dois aspectos de forma convincente. Primeiro, obriga o homem a dominar-se, de tal forma que, através do treino, ganha o domínio sobre si mesmo. Com o domínio supera-se e, superando-se, toma-se mais livre. Mas também lhe ensina a disciplina do conjunto: como jogo de equipa, obriga-o a subordinar o próprio ao todo. Une-os num objectivo comum. O sucesso ou o insucesso de um está ligado ao sucesso e ao insucesso do todo.
Por fim, ensina o respeito mútuo, onde a aceitação de regras por todos respeitadas, faz com que apesar da contenda como adversários, subsista, por fim, aquilo que os une e unifica.
Além disso a liberdade do jogo, quando realizada de forma correcta, transforma a seriedade do jogo contra o adversário em liberdade, logo que o jogo termina. Os espectadores identificam-se com o jogo e com os jogadores, e participam no seu empenho e na sua liberdade, ora apoiando, ora protestando. Assim, os jogadores tornam-se símbolo de suas vidas. Isto reflecte-se nos próprios atletas. Eles sabem que os homens se sentem em si representados e confirmados.
Naturalmente que tudo isto pode ser adulterado por uma mentalidade comercial, que tudo submete ao rigor sombrio do dinheiro. Assim, o desporto deixa de o ser e transforma-se numa indústria, um mundo fictício de dimensões assustadoras. Mas mesmo este mundo fictício não poderia subsistir, se não tivesse um substrato positivo, subjacente ao jogo: o exercício preliminar da vida e a travessia da vida como caminhada em direcção ao paraíso perdido. Em ambos os casos, trata-se de procurar uma disciplina para a liberdade. Na aceitação de regras da convivência, nos confrontos e no encontro consigo mesmo. Na medida em que reflectimos nisto, tendo o jogo como ponto de partida, talvez possamos aprender de novo a vida. No jogo torna-se claro algo fundamental: o homem não vive só de pão. Na realidade, o mundo do pão não é mais que a antecâmara do que é efectivamente humano, o mundo da liberdade. Mas a liberdade vive de regras, da disciplina que a convivência e a recta oposição, a independência do êxito exterior e da arbitrariedade nos ensina, tornando-nos, assim, verdadeiramente livres.
O Jogo e a vida - se reflectimos em profundidade, o fenómeno do campeonato do mundo de futebol pode ser mais do que uma diversão.
Fonte: "Esplendor da Glória de Deus", Cardeal Ratzinguer, Ed. Franciscana, 2007, pág. 187
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terça-feira, junho 10, 2008
Referendo europeu na Irlanda: quem vota Não nunca se engana... ;-)
Pode é nem sempre vencer...! lol.
Só Deus sabe o prazer que daria uma vitória do Não no referendo europeu na Irlanda! Seria um Não àquela burocracia redonda de Bruxelas mas também a todos os abortistas que se aproveitam destas instâncias internacionais para espalharem os seus erros e domarem os povos mais resistentes aos seus propósitos...
Seria também uma lição sem igual a toda uma classe política que se crê arrogantemente intérprete de uma vontade que tem medo de auscultar.
Porque ou a Europa regressa à sua raiz e a União à ideia dos seus pais fundadores (todos católicos "por acaso") ou então não é mais de que um prenúncio de um "Admirável Mundo Novo" em que a liberdade é uma memória.
Força grande Irlanda!
Só Deus sabe o prazer que daria uma vitória do Não no referendo europeu na Irlanda! Seria um Não àquela burocracia redonda de Bruxelas mas também a todos os abortistas que se aproveitam destas instâncias internacionais para espalharem os seus erros e domarem os povos mais resistentes aos seus propósitos...
Seria também uma lição sem igual a toda uma classe política que se crê arrogantemente intérprete de uma vontade que tem medo de auscultar.
Porque ou a Europa regressa à sua raiz e a União à ideia dos seus pais fundadores (todos católicos "por acaso") ou então não é mais de que um prenúncio de um "Admirável Mundo Novo" em que a liberdade é uma memória.
Força grande Irlanda!
domingo, junho 01, 2008
Há muito tempo que intuo (acho mesmo que quando fui responsável por uma empresa industrial com 50 funcionários posso dizer que fiz experiência) que o fim do Serviço Militar Obrigatório foi um perfeito disparate. Creio também já publiquei sobre o assunto um artigo do mesmo autor daquele que reproduzo abaixo.
Diz bem do estado a que chegámos e como estamos à mercê de uma tribo mais ou menos bárbara e que não tenha escrupulos em invadir-nos. Nesse dia a Europa cai como um castelo de cartas...?
Leiam pois este que me chegou por email:
A BELA SITUAÇÃO A QUE CHEGÁMOS
“O único local em que o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”
Lema da Escola de Karate Shotokan da A.E.I.S.T.
Jornais e televisões ingleses, em passado recente, davam conta das conclusões de um estudo encomendado pelo Ministério da Defesa Britânico mandado efectuar na sequência de se ter verificado a desistência de cerca de um quarto dos voluntários para as Forças Armadas de Sua Majestade durante a recruta. O estudo concluiu e o respectivo Chefe de Estado Maior das Forças Armadas (CEMGFA), corroborou publicamente, que a dificuldade de retenção dos candidatos a militar (num regime muito louvado de voluntariado puro …), se resumia na dificuldade que os mancebos actualmente têm em “aguentar” a disciplina castrense. Tal é fruto da evolução da sociedade, que faz com que os jovens cheguem à idade adulta sem qualquer tipo de organização mental, hábitos de trabalho, disciplina de vida, referências morais sedimentadas, nem dispensarem uma panóplia variada de cómodos e artefactos de diversão (por ex, terem um toca CDs no quarto), e reagirem muito mal a que se lhes eleve a voz. E afirmava pesaroso o CEMGFA (nós ouvimos): “os jovens chegam até nós, sem qualquer tipo de respeito ou deferência …”. E acrescentava, que dadas as facilidades actuais, jovem que se aborreça na recruta, telefona para casa (por telemóvel obviamente) e a sua mãezinha vem de imediato buscá-lo!
E por isto tudo, o relatório recomendava que se abrandasse a disciplina, facilitasse a vida aos recrutas, se melhorassem um certo número de instalações e da parafernália electrónica e, “last, but not least”, se melhorasse o acesso aos preservativos alargando generosamente a distribuição das respectivas máquinas! No fim, o malfadado general (mais um a fazer o frete …), sossegou os seus concidadãos afirmando que tudo se iria fazer para que o produto acabado, não perdesse a qualidade. Presume-se, é bom de ver, com a ajuda do Harry Potter!
Ora aqui temos mais um exemplo desta desgraçada civilização ocidental, desta vez pela mão da velha “Albion”, que dispõe (ainda) de um dos melhores exércitos do mundo e onde se suporia habitarem mentes mais atinadas. É que, de facto, e lamentavelmente o relatório em vez de apontar as causas profundas e bastas que levaram a este estado de coisas e os remédios para as mesmas (que são da responsabilidade de todo o governo e não apenas do ministro da Defesa), se limita a constatar com fatalidade a triste realidade e a propor acções sobre os efeitos. O que só irá agravar as causas e afastar para as calendas gregas a resolução dos problemas. Daqui a pouco tempo surgirá outro estudo a propôr qualquer coisa do género: quartos para unidos de facto; casas de banho para homossexuais, heterossexuais, transexuais, mistas, bi e outras que se inventem; camarões grelhados para o lanche; shows de “strip” antes do recolher; massagens após a instrução de “aplicação militar” (leve); intervalos obrigatórios nos exercícios, para o pessoal poder telefonar à namorada(o) etc. Um etcetera que apenas encontrará limites na degradação da coluna vertebral (vulgo caracter) dos envolvidos e, claro, no dinheiro disponível. Todavia pensamos, que tudo isto só se irá inverter quando houver um susto grande e se, nessa altura ainda houver capacidade de reacção. O assunto é grave e não se limita a um ou dois países: vai do Atlântico aos Urais e por isso é de muito mais difícil resolução. É uma espécie de fim do império romano, que acabou por caír quando os cidadãos romanos deixaram de querer defender a cidade e contrataram “bárbaros” para protegerem as suas fronteiras. Os bárbaros, ao fim de algum tempo, e já que estavam lá dentro, acabaram por tomar a cidade. Quando uma qualquer tribo aguerrida de “tártaros” se aperceber deste estado de coisas e chegar à fronteira, bastar-lhes-à levantar a cancela (se esta ainda existir ou não tiver sido aberta antes), e tomar conta de território e populações, sem disparar um tiro. É, apenas, uma questão de tempo.
João José Brandão Ferreira
TCOR PILAV (R)
Diz bem do estado a que chegámos e como estamos à mercê de uma tribo mais ou menos bárbara e que não tenha escrupulos em invadir-nos. Nesse dia a Europa cai como um castelo de cartas...?
Leiam pois este que me chegou por email:
A BELA SITUAÇÃO A QUE CHEGÁMOS
“O único local em que o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”
Lema da Escola de Karate Shotokan da A.E.I.S.T.
Jornais e televisões ingleses, em passado recente, davam conta das conclusões de um estudo encomendado pelo Ministério da Defesa Britânico mandado efectuar na sequência de se ter verificado a desistência de cerca de um quarto dos voluntários para as Forças Armadas de Sua Majestade durante a recruta. O estudo concluiu e o respectivo Chefe de Estado Maior das Forças Armadas (CEMGFA), corroborou publicamente, que a dificuldade de retenção dos candidatos a militar (num regime muito louvado de voluntariado puro …), se resumia na dificuldade que os mancebos actualmente têm em “aguentar” a disciplina castrense. Tal é fruto da evolução da sociedade, que faz com que os jovens cheguem à idade adulta sem qualquer tipo de organização mental, hábitos de trabalho, disciplina de vida, referências morais sedimentadas, nem dispensarem uma panóplia variada de cómodos e artefactos de diversão (por ex, terem um toca CDs no quarto), e reagirem muito mal a que se lhes eleve a voz. E afirmava pesaroso o CEMGFA (nós ouvimos): “os jovens chegam até nós, sem qualquer tipo de respeito ou deferência …”. E acrescentava, que dadas as facilidades actuais, jovem que se aborreça na recruta, telefona para casa (por telemóvel obviamente) e a sua mãezinha vem de imediato buscá-lo!
E por isto tudo, o relatório recomendava que se abrandasse a disciplina, facilitasse a vida aos recrutas, se melhorassem um certo número de instalações e da parafernália electrónica e, “last, but not least”, se melhorasse o acesso aos preservativos alargando generosamente a distribuição das respectivas máquinas! No fim, o malfadado general (mais um a fazer o frete …), sossegou os seus concidadãos afirmando que tudo se iria fazer para que o produto acabado, não perdesse a qualidade. Presume-se, é bom de ver, com a ajuda do Harry Potter!
Ora aqui temos mais um exemplo desta desgraçada civilização ocidental, desta vez pela mão da velha “Albion”, que dispõe (ainda) de um dos melhores exércitos do mundo e onde se suporia habitarem mentes mais atinadas. É que, de facto, e lamentavelmente o relatório em vez de apontar as causas profundas e bastas que levaram a este estado de coisas e os remédios para as mesmas (que são da responsabilidade de todo o governo e não apenas do ministro da Defesa), se limita a constatar com fatalidade a triste realidade e a propor acções sobre os efeitos. O que só irá agravar as causas e afastar para as calendas gregas a resolução dos problemas. Daqui a pouco tempo surgirá outro estudo a propôr qualquer coisa do género: quartos para unidos de facto; casas de banho para homossexuais, heterossexuais, transexuais, mistas, bi e outras que se inventem; camarões grelhados para o lanche; shows de “strip” antes do recolher; massagens após a instrução de “aplicação militar” (leve); intervalos obrigatórios nos exercícios, para o pessoal poder telefonar à namorada(o) etc. Um etcetera que apenas encontrará limites na degradação da coluna vertebral (vulgo caracter) dos envolvidos e, claro, no dinheiro disponível. Todavia pensamos, que tudo isto só se irá inverter quando houver um susto grande e se, nessa altura ainda houver capacidade de reacção. O assunto é grave e não se limita a um ou dois países: vai do Atlântico aos Urais e por isso é de muito mais difícil resolução. É uma espécie de fim do império romano, que acabou por caír quando os cidadãos romanos deixaram de querer defender a cidade e contrataram “bárbaros” para protegerem as suas fronteiras. Os bárbaros, ao fim de algum tempo, e já que estavam lá dentro, acabaram por tomar a cidade. Quando uma qualquer tribo aguerrida de “tártaros” se aperceber deste estado de coisas e chegar à fronteira, bastar-lhes-à levantar a cancela (se esta ainda existir ou não tiver sido aberta antes), e tomar conta de território e populações, sem disparar um tiro. É, apenas, uma questão de tempo.
João José Brandão Ferreira
TCOR PILAV (R)
segunda-feira, maio 26, 2008
Presidenciais americanas: as diferenças...:-)
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O Peso do Chumbo: artigo de Santana Maia sobre a Ministra da Educação e as reprovações
«O ser humano raramente aprende o que julga que já sabe.» (João Seabra)
O PESO DO CHUMBO
Parece que a ministra da Educação começou agora a perceber que as reprovações são o principal cancro do nosso sistema de ensino. Mais vale tarde do que nunca. Fraústo da Silva já tinha percebido isso há mais de vinte anos e os finlandeses há mais de quarenta. É uma daquelas evidências que só mesmo os cegos intelectuais não conseguem ver. Sendo certo que, a fazer fé no que para aí se ouve e escreve, só talvez daqui a trinta anos a maioria dos professores e comentadores vai perceber isso. Por alguma coisa, somos um dos países mais atrasados da Europa.
Antigamente, recorde-se, ninguém era obrigado a andar na escola mas todos sabiam que quem conseguisse obter qualquer qualificação académica, por pequena que fosse (2º ano, 5º ou 7º ano dos liceus), conseguiria facilmente um bom emprego. Por isso, a escola organizava-se para exigir competências e conhecimentos a quem queria obter aqueles diplomas, segundo o princípio «quem sabe passa, quem não sabe chumba». E das duas uma: ou a pessoa tinha capacidade para atingir os objectivos propostos ou não tinha e não lhe restava outra alternativa senão abandonar a escola e ir trabalhar.
Hoje, com a escolaridade obrigatória, os alunos, tenham ou não tenham capacidade, não podem abandonar a escola. A escola tanto é para quem quer ser doutor como para quem quer ser pastor. E não me parece que um pastor necessite de saber tanto de Biologia como um médico. Agora o que é absolutamente imoral, criminoso e ilógico é o Estado obrigar um aluno a andar nove anos na escola, impondo-lhe, todos os anos, um programa e objectivos que sabe que ele não consegue e não tem capacidade para atingir.
E qual é a consequência desta estupidez defendida por professores e comentadores? Antigamente, o problema ficava resolvido com o abandono escolar. Mas hoje, os alunos com menor capacidade, porque estão proibidos de abandonar a escola, vão reprovando todos os anos e acumulando-se nas turmas, alterando completamente o seu equilíbrio e sem qualquer vantagem para o sistema, porque as turmas ficam piores, quer a nível de comportamento, quer de conhecimentos.
Ou seja, a reprovação dos alunos, sem que estes possam abandonar a escola, tem duas consequências inevitáveis para a turma onde vão ser inseridos: diminuição da qualidade do ensino e aumento dos problemas disciplinares.
Com efeito, se a maioria dos alunos é repetente, o professor não pode leccionar a pensar nos dois ou três alunos que revelam algumas capacidades. Além disso, porque não se pode chumbar uma turma inteira (e ainda bem, porque, caso contrário, no ano seguinte ainda seria pior), acaba a maioria dos alunos por passar por antiguidade, mesmo tendo-se a consciência de que pouco sabem para o merecer.
Quero com isto dizer que, se os alunos não reprovassem no ensino obrigatório, a qualidade de ensino melhoraria? Obviamente, porque a percentagem de bons e maus alunos por turma mantinha-se constante, uma vez que ambos sairiam do sistema ao mesmo tempo: os primeiros para a universidade, os segundos para o mercado de trabalho. Além disso, porque os alunos com mais dificuldades nunca abandonariam o seu escalão etário, os problemas disciplinares derivados da mistura, na mesma turma, de garotos de doze anos com matulões de quinze acabariam. Sem esquecer que é mais enriquecedor para qualquer pessoa ouvir, durante nove anos, coisas diferentes do que ouvir sempre a mesma coisa.
Isso não significa, no entanto, que Nuno Crato também não tenha razão quando defende que nenhum aluno deveria subir de nível sem dominar os conceitos do nível anterior. Mas isso não implica, obviamente, que o aluno tenha de reprovar.
A escolaridade obrigatória impõe, apenas, um novo conceito de turma. Todas as turmas deveriam ser constituídas, em princípio, por sessenta ou setenta alunos, devendo todas as disciplinas ter três níveis (que funcionavam, em simultâneo, em cada turma e em salas diferentes): iniciação/recuperação, médio e alto. Ou seja, durante a escolaridade obrigatória, os alunos passariam sempre de ano, podendo, no entanto, não passar de nível. Nada obstaria, assim, que um aluno do 9º ano, por exemplo, frequentasse a sub-turma de nível III a Matemática, de nível II a Português e de nível I a Inglês.
Agora o que não se compreende é que se obrigue um aluno que reprovou a três ou quatro disciplinas a repetir o mesmo programa às outras dez disciplinas em que teve aproveitamento, para mais quando o destino de muitos deles é ir para servente de pedreiro, pastor ou varredor. Ou será que os alunos ficam melhores varredores se andarem nove anos na 1ª classe?
Santana-Maia Leonardo : http://sol.sapo.pt/blogs/contracorrente
O PESO DO CHUMBO
Parece que a ministra da Educação começou agora a perceber que as reprovações são o principal cancro do nosso sistema de ensino. Mais vale tarde do que nunca. Fraústo da Silva já tinha percebido isso há mais de vinte anos e os finlandeses há mais de quarenta. É uma daquelas evidências que só mesmo os cegos intelectuais não conseguem ver. Sendo certo que, a fazer fé no que para aí se ouve e escreve, só talvez daqui a trinta anos a maioria dos professores e comentadores vai perceber isso. Por alguma coisa, somos um dos países mais atrasados da Europa.
Antigamente, recorde-se, ninguém era obrigado a andar na escola mas todos sabiam que quem conseguisse obter qualquer qualificação académica, por pequena que fosse (2º ano, 5º ou 7º ano dos liceus), conseguiria facilmente um bom emprego. Por isso, a escola organizava-se para exigir competências e conhecimentos a quem queria obter aqueles diplomas, segundo o princípio «quem sabe passa, quem não sabe chumba». E das duas uma: ou a pessoa tinha capacidade para atingir os objectivos propostos ou não tinha e não lhe restava outra alternativa senão abandonar a escola e ir trabalhar.
Hoje, com a escolaridade obrigatória, os alunos, tenham ou não tenham capacidade, não podem abandonar a escola. A escola tanto é para quem quer ser doutor como para quem quer ser pastor. E não me parece que um pastor necessite de saber tanto de Biologia como um médico. Agora o que é absolutamente imoral, criminoso e ilógico é o Estado obrigar um aluno a andar nove anos na escola, impondo-lhe, todos os anos, um programa e objectivos que sabe que ele não consegue e não tem capacidade para atingir.
E qual é a consequência desta estupidez defendida por professores e comentadores? Antigamente, o problema ficava resolvido com o abandono escolar. Mas hoje, os alunos com menor capacidade, porque estão proibidos de abandonar a escola, vão reprovando todos os anos e acumulando-se nas turmas, alterando completamente o seu equilíbrio e sem qualquer vantagem para o sistema, porque as turmas ficam piores, quer a nível de comportamento, quer de conhecimentos.
Ou seja, a reprovação dos alunos, sem que estes possam abandonar a escola, tem duas consequências inevitáveis para a turma onde vão ser inseridos: diminuição da qualidade do ensino e aumento dos problemas disciplinares.
Com efeito, se a maioria dos alunos é repetente, o professor não pode leccionar a pensar nos dois ou três alunos que revelam algumas capacidades. Além disso, porque não se pode chumbar uma turma inteira (e ainda bem, porque, caso contrário, no ano seguinte ainda seria pior), acaba a maioria dos alunos por passar por antiguidade, mesmo tendo-se a consciência de que pouco sabem para o merecer.
Quero com isto dizer que, se os alunos não reprovassem no ensino obrigatório, a qualidade de ensino melhoraria? Obviamente, porque a percentagem de bons e maus alunos por turma mantinha-se constante, uma vez que ambos sairiam do sistema ao mesmo tempo: os primeiros para a universidade, os segundos para o mercado de trabalho. Além disso, porque os alunos com mais dificuldades nunca abandonariam o seu escalão etário, os problemas disciplinares derivados da mistura, na mesma turma, de garotos de doze anos com matulões de quinze acabariam. Sem esquecer que é mais enriquecedor para qualquer pessoa ouvir, durante nove anos, coisas diferentes do que ouvir sempre a mesma coisa.
Isso não significa, no entanto, que Nuno Crato também não tenha razão quando defende que nenhum aluno deveria subir de nível sem dominar os conceitos do nível anterior. Mas isso não implica, obviamente, que o aluno tenha de reprovar.
A escolaridade obrigatória impõe, apenas, um novo conceito de turma. Todas as turmas deveriam ser constituídas, em princípio, por sessenta ou setenta alunos, devendo todas as disciplinas ter três níveis (que funcionavam, em simultâneo, em cada turma e em salas diferentes): iniciação/recuperação, médio e alto. Ou seja, durante a escolaridade obrigatória, os alunos passariam sempre de ano, podendo, no entanto, não passar de nível. Nada obstaria, assim, que um aluno do 9º ano, por exemplo, frequentasse a sub-turma de nível III a Matemática, de nível II a Português e de nível I a Inglês.
Agora o que não se compreende é que se obrigue um aluno que reprovou a três ou quatro disciplinas a repetir o mesmo programa às outras dez disciplinas em que teve aproveitamento, para mais quando o destino de muitos deles é ir para servente de pedreiro, pastor ou varredor. Ou será que os alunos ficam melhores varredores se andarem nove anos na 1ª classe?
Santana-Maia Leonardo : http://sol.sapo.pt/blogs/contracorrente
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quinta-feira, maio 22, 2008
Cónego Melo: a minha homenagem e a nossa saudade!
Com muita pena não consegui participar em nenhum dos ofícios fúnebres pelo Cónego Melo e também ainda não lhe tinha feito aqui referência (a ele ou à sua morte). O artigo que reproduzo abaixo do João Mendia diz melhor do que eu sou capaz da grandeza da vida e santidade de uma enorme figura da Igreja de Braga e portuguesa. Ter-me-ei encontrado com ele não mais de meia dúzia de vezes e falámos por telefone outras tantas sobretudo quando fui deputado por Braga. Guardo dele a imagem de um gigante. Uma pessoa muito prática e direita ao assunto, mas também muito aberta e de espírito largo. Impressionou-me particularmente a sensibilidade política porque e posta ao serviço do povo que à Igreja está confiado. Um pormenor pitoresco: o nosso último encontro foi já noite longa, debaixo de uns arcos, em plena cidade de Braga, junto do Governo Civil, uma breve troca de papeis e poucas impressões. Foi um encontro como ele era: discreto, eficaz, conciso, com noção de que tudo servia um Bem maior.
Um grande abraço Senhor Cónego Melo e aí do Céu vele por nós católicos na política, uma terra de perigos e adversidades, onde procuraremos honrar a sua tradição de coragem e ousadia! E agora mergulhado na bondade divina reze por aqueles desgraçados daqueles deputados que não foram capazes na AR de respeitar um Voto de homenagem na sua morte ou o minuto de silêncio que se lhe seguiu...quando (e eu fui testemunha disso na 9ª legislatura) esses mesmos desgraçados subscreveram todos os Votos por todos os "bichos-careta" e sabe Deus a desgraça que alguns deles foram na própria vida...!
O artigo a que faço referência acima é este:
Cónego Melo no esplendor da luz
João de Mendia
Expresso, 080517
(Conde de Resende e lugar-tenente em Portugal da Ordem de Cavalaria de Santo Sepulcro salienta o papel de Eduardo Melo Peixoto durante o PREC)
Morreu um homem bom. Morreu um homem caridoso. Morreu um homem independente. Morreu um homem de fé. Morreu um patriota. Morreu o senhor ‘cónego Melo’, monsenhor Eduardo Melo Peixoto.
Quem não tiver Cristo no coração, como dizia o filósofo, é inevitavelmente pertença de outros homens. O cónego Melo teve, e terá sempre, Cristo no coração. E se isso se passava por força das velhinhas e fortes tradições da sua Braga natal, fortificou-se pela vida fora pela inteligência, pela investigação e pela inestimável vocação de servir a Igreja, e através dela todos nós.
As suas fortes e firmes convicções foram dos principais alentos para aqueles que viam na condução da vida pública, nos tempos do PREC, o advento de um perigoso fim anunciado, quando eram poucas as hipóteses de grande resistência, resistia ele, e muito bem, por todos nós. A pessoa deste homem caridoso e justo, motivador e transmissor de confiança, foi uma das principais razões de se resistir e de se não desistir de ter razão. Que quase todos tínhamos, mas que poucos a defendiam. O senhor cónego Melo foi, assim, um dos patriotas a quem a história vai ficar a dever que o descalabro se não tenha verificado.
É óbvio que não era inocente a circunstância deste homem ter tirado partido da feliz realidade de fazer parte da hierarquia da Igreja, pela simples razão de que é exactamente sob a protecção dessa mesma Igreja de Roma que todos nos colocamos quando nos atacam. E a defesa que sentimos vinda do sr. cónego Melo não foi senão, igualmente, o renovar e o reviver da convicção segundo a qual a tenebrosa ditadura comunista que se instalava em Portugal nos primeiros anos do PREC iria ter tempos difíceis. ‘Milagre’ que todos esperávamos, mas que poucos colaboraram para que ele acontecesse.
Dadas a coragem e a inteligência deste cavaleiro da Ordem do Santo Sepulcro e Deão da Sé Primacial de Braga, o combate ao comunismo instalado em Lisboa era por ele feito de forma eficiente e, sobretudo, onde lhes doía. Razão pela qual acabaram por se desenfrear os ataques sem qualquer limite tanto à instituição da Igreja como à pessoa do monsenhor. Mente-se, deturpa-se, altera-se, inventam-se as situações mais graves e insultuosas usando para isso as armas a que os comunismos e outras coribecas nos habituaram de há muito. Mas a serenidade daquela rocha portuguesa tudo tolera e absolve, não perdendo nunca de vista o sacerdote que nunca deixou de ser. É que, à semelhança de outro, ele tinha razão.
Faz falta, o senhor cónego Melo. Muita falta. E vai fazer ainda mais falta para combater não os velhos inimigos contra quem ele nos ensinou a lutar mas os novos. Aqueles que nos enfraquecem a única arma com que o cónego Melo os venceu em toda a linha: as convicções.
Um grande abraço Senhor Cónego Melo e aí do Céu vele por nós católicos na política, uma terra de perigos e adversidades, onde procuraremos honrar a sua tradição de coragem e ousadia! E agora mergulhado na bondade divina reze por aqueles desgraçados daqueles deputados que não foram capazes na AR de respeitar um Voto de homenagem na sua morte ou o minuto de silêncio que se lhe seguiu...quando (e eu fui testemunha disso na 9ª legislatura) esses mesmos desgraçados subscreveram todos os Votos por todos os "bichos-careta" e sabe Deus a desgraça que alguns deles foram na própria vida...!
O artigo a que faço referência acima é este:
Cónego Melo no esplendor da luz
João de Mendia
Expresso, 080517
(Conde de Resende e lugar-tenente em Portugal da Ordem de Cavalaria de Santo Sepulcro salienta o papel de Eduardo Melo Peixoto durante o PREC)
Morreu um homem bom. Morreu um homem caridoso. Morreu um homem independente. Morreu um homem de fé. Morreu um patriota. Morreu o senhor ‘cónego Melo’, monsenhor Eduardo Melo Peixoto.
Quem não tiver Cristo no coração, como dizia o filósofo, é inevitavelmente pertença de outros homens. O cónego Melo teve, e terá sempre, Cristo no coração. E se isso se passava por força das velhinhas e fortes tradições da sua Braga natal, fortificou-se pela vida fora pela inteligência, pela investigação e pela inestimável vocação de servir a Igreja, e através dela todos nós.
As suas fortes e firmes convicções foram dos principais alentos para aqueles que viam na condução da vida pública, nos tempos do PREC, o advento de um perigoso fim anunciado, quando eram poucas as hipóteses de grande resistência, resistia ele, e muito bem, por todos nós. A pessoa deste homem caridoso e justo, motivador e transmissor de confiança, foi uma das principais razões de se resistir e de se não desistir de ter razão. Que quase todos tínhamos, mas que poucos a defendiam. O senhor cónego Melo foi, assim, um dos patriotas a quem a história vai ficar a dever que o descalabro se não tenha verificado.
É óbvio que não era inocente a circunstância deste homem ter tirado partido da feliz realidade de fazer parte da hierarquia da Igreja, pela simples razão de que é exactamente sob a protecção dessa mesma Igreja de Roma que todos nos colocamos quando nos atacam. E a defesa que sentimos vinda do sr. cónego Melo não foi senão, igualmente, o renovar e o reviver da convicção segundo a qual a tenebrosa ditadura comunista que se instalava em Portugal nos primeiros anos do PREC iria ter tempos difíceis. ‘Milagre’ que todos esperávamos, mas que poucos colaboraram para que ele acontecesse.
Dadas a coragem e a inteligência deste cavaleiro da Ordem do Santo Sepulcro e Deão da Sé Primacial de Braga, o combate ao comunismo instalado em Lisboa era por ele feito de forma eficiente e, sobretudo, onde lhes doía. Razão pela qual acabaram por se desenfrear os ataques sem qualquer limite tanto à instituição da Igreja como à pessoa do monsenhor. Mente-se, deturpa-se, altera-se, inventam-se as situações mais graves e insultuosas usando para isso as armas a que os comunismos e outras coribecas nos habituaram de há muito. Mas a serenidade daquela rocha portuguesa tudo tolera e absolve, não perdendo nunca de vista o sacerdote que nunca deixou de ser. É que, à semelhança de outro, ele tinha razão.
Faz falta, o senhor cónego Melo. Muita falta. E vai fazer ainda mais falta para combater não os velhos inimigos contra quem ele nos ensinou a lutar mas os novos. Aqueles que nos enfraquecem a única arma com que o cónego Melo os venceu em toda a linha: as convicções.
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terça-feira, maio 20, 2008
Nova Lei do Divórcio: uma Petição, o casamento e os afectos
Decorre neste momento e "online" uma Petição contra a nova lei do Divórcio com a qual se pretende (uma vez reunidas as indispensáveis 4 mil assinaturas) fazer sentir no parlamento (com aquele número de subscritores a discussão em plenário é obrigatória) a justa indignação da sociedade portuguesa com uma lei que destrói o contrato de casamento e lançaria a parte mais fraca no momento do divórcio numa situação completamente desprotegida. Está em http://www.forumdafamilia.com/peticao/ e recomendo vivamente a assinatura.
Entretanto recebi este email que reproduzo:
O líder parlamentar do PS esclarecia o povo com este “sound-byte”: «o casamento deve assentar no afecto e não nos deveres». Brilhante. Já imagino o seguinte diálogo na intimidade familiar lusa: – Ó querida não vou levar os miúdos à escola porque descobri o meu afecto pela vizinha do r/c esquerdo. Para além de ingénua, a frase de Alberto Martins, é mais um sintoma da infantilização da nossa sociedade. É um absurdo pensar que o casamento e a família se baseiam apenas no afecto, esquecendo a responsabilidade. Reparem que isto nada tem de moralismo. Claro que o Estado não deve olhar pela fechadura das famílias portuguesas, nem compete à lei regular a sexualidade. Mas o casamento é uma coisa diferente. Precisa de protecção jurídica porque existem filhos e a estabilidade familiar é um importante capital social.
Estudos mostram os efeitos prejudiciais do divórcio sobretudo nos filhos: Why marriage matters: Twenty-one conclusions from social sciences. Nos últimos 25 anos o número de divórcios na Europa aumentou mais de 50%. O recente relatório Evolution of the Family in Europe (2007) refere que mais 21 milhões de crianças foram afectadas por 13,5 milhões de divórcios. Claro que as razões não são apenas legais, mas a lei e as políticas públicas devem promover a estabilidade do casamento sobretudo para proteger as crianças.
Excelente este artigo de opinião do Paulo Marcelo, para ler na íntegra aqui
Entretanto recebi este email que reproduzo:
O líder parlamentar do PS esclarecia o povo com este “sound-byte”: «o casamento deve assentar no afecto e não nos deveres». Brilhante. Já imagino o seguinte diálogo na intimidade familiar lusa: – Ó querida não vou levar os miúdos à escola porque descobri o meu afecto pela vizinha do r/c esquerdo. Para além de ingénua, a frase de Alberto Martins, é mais um sintoma da infantilização da nossa sociedade. É um absurdo pensar que o casamento e a família se baseiam apenas no afecto, esquecendo a responsabilidade. Reparem que isto nada tem de moralismo. Claro que o Estado não deve olhar pela fechadura das famílias portuguesas, nem compete à lei regular a sexualidade. Mas o casamento é uma coisa diferente. Precisa de protecção jurídica porque existem filhos e a estabilidade familiar é um importante capital social.
Estudos mostram os efeitos prejudiciais do divórcio sobretudo nos filhos: Why marriage matters: Twenty-one conclusions from social sciences. Nos últimos 25 anos o número de divórcios na Europa aumentou mais de 50%. O recente relatório Evolution of the Family in Europe (2007) refere que mais 21 milhões de crianças foram afectadas por 13,5 milhões de divórcios. Claro que as razões não são apenas legais, mas a lei e as políticas públicas devem promover a estabilidade do casamento sobretudo para proteger as crianças.
Excelente este artigo de opinião do Paulo Marcelo, para ler na íntegra aqui
quarta-feira, maio 14, 2008
Sócrates e fumar no avião
Claro que dá gosto apanhar em falta quem anda sempre a pregar um moralismo insuportável e uma ditadura higienista como a da ASAE mas folgo em saber que ainda resta um pingo de humanidade, fraqueza e limites, gosto pela vida e pelas coisas boas, na vida do nosso Primeiro ;-)
O que é absurdo é que não seja possível pelo menos no mundo ocidental eu ter a liberdade de, se o desejar, viajar de avião, debaixo de uma atmosfera "insuportável" de fumo, só porque um louco de um higienista se lembrou que ele não gostando, então mais ninguém podia fazê-lo...!
Depois, quando faltam as liberdades mais básicas, claro que tudo se transforma num "caso" e o absurdo impera! (veja-se o Processo de Kafka)
Resumindo e concluindo: que o nosso Primeiro tenha a coragem de dar a todos os portugueses a liberdade que justamente se deu e funcionem as leis do mercado: havendo fumadores que pretendam viajar em aviões em que lhes seja possível fumar, que isso seja permitido.
O que é absurdo é que não seja possível pelo menos no mundo ocidental eu ter a liberdade de, se o desejar, viajar de avião, debaixo de uma atmosfera "insuportável" de fumo, só porque um louco de um higienista se lembrou que ele não gostando, então mais ninguém podia fazê-lo...!
Depois, quando faltam as liberdades mais básicas, claro que tudo se transforma num "caso" e o absurdo impera! (veja-se o Processo de Kafka)
Resumindo e concluindo: que o nosso Primeiro tenha a coragem de dar a todos os portugueses a liberdade que justamente se deu e funcionem as leis do mercado: havendo fumadores que pretendam viajar em aviões em que lhes seja possível fumar, que isso seja permitido.
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