quinta-feira, novembro 19, 2009

Nova campanha, novo referendo

Com a Apresentação Pública hoje às 14h00 da Iniciativa Popular de Referendo da Plataforma Cidadania e Casamento (um referendo ao casamento entre as pessoas do mesmo sexo) temos uma nova campanha...
Diferenças com momentos anteriores?
- enquanto em outros momentos a consciência da necessidade de propôr um referendo nascia de certos meios e partia para a sociedade, neste caso a iniciativa vai de encontro a um clamor, e melhor ainda, uma exigência, da sociedade
- sinal disso é o movimento compreende gente nova chegada de outros sectores e outras confissões (ou "profissão" laica) o que torna esta iniciativa civica ainda mais apaixonante e interessante
De qualquer das formas e como católico impressionou-me esta frase do Evangelho de hoje:
"Quando se aproximou, ao ver a cidade, Jesus chorou sobre ela."
Na verdade que seja preciso chegar ao ponto de se ter que discutir uma proposta como esta mostra uma civilização que, no limite do precipício, diz "é necessário um passo em frente!"...;-)
Ou como dizia um amigo meu: "só perguntar isso, já é uma vergonha...!" lol!

17 comentários:

Anónimo disse...

Desagrade-lhe ou não, tenha ou não Jesus chorado sobre a (abismal) comunidade homossexual de Jerusalém (sugestiva exegese, e cristianíssima, de tão tolerante (!), o casamento entre pessoas do mesmo sexo será a breve trecho uma realidade cultural no nosso país. O (grande) facto é apenas esse (e não há Josué que lhe valha: as muralhas de uma Jericó civilizada que resiste – hélas! – não hão-de cair desta vez às mãos de um tribalismo católico cada vez mais entrincheirado). Talvez fosse oportuno, no entanto, explicitar o resto que elide, com oportuníssimo recato: o que v. detesta mesmo são os homossexuais (mas, hélas again, nós instalámo-nos mesmo no lugar cívico que há muito nos cabia – afinal, votamos, pagamos impostos, exercemos e sofremos os deveres e direitos dos demais cidadãos – de que a sua igreja alcançou enxotar-nos durante séculos).

Luís Bernardo Campos disse...

Não sou católico praticante, mas defendo o referendo ao casamento homossexual e, sobretudo, um maior esclarecimento sobre a relação entre o casamento e a adopção. Quaria também felicitá-lo pelas causas que abraça, em troca de nada.

João disse...

Sou católico praticante e no entanto não me revejo nada nas suas palavras e sabe porquê? Porque tenho todo o direito de opinar sobre algo mesmo acima da igreja era só o que faltava ser manipulado pela velha igreja.
Acima de tudo só demonstra que não é a favor da igualdade mas cada um com cada qual eu até percebo que a homofobia vos leve a pensar assim pois quem age assim sabe que a verdade dos factos vai levar muitos de vós conhecidos ou não a saírem em paz dos armários e aí sim aleluia! Ainda hoje recebi um comunicado da paróquia onde frequento que teria de assinar a petição caso não assinasse poderiam me ex comungar(isto é normal num estado de direito?), mas em que mundo é que vivemos, nos retrógrados ou quê?! Haja igualdade acima de tudo.

Antonio Pinheiro Torres disse...

Caros comentaristas: primeiro que tudo obrigado por terem feito os vossos comentários. É um gosto ter a ocasião de debater e isso vai-se tornando coisa rara tanto as pessoas insistem em não contactar e falar com as outras, baseadas no preconceito. Obrigado, pois, do fundo do coração.
Percebo que seja dificil de compreender que o que me move não é homofobia "de jeito maneira" (escrevo assim porque estou em São Paulo, uma cidade aliás onde a parada Gay reune, segundo me dizem cerca de dois milhões de pessoas entre os propriamente ditos, os curiosos, os festeiros e os simpatizantes da causa).
O meu ponto é precisamente o contrário: não existindo na ordem juridica ocidental nenhum direito ou obrigação, à face do direito, que derive de uma especifica actuação sexual (por baixo ou por cima, em pino ou deitado, com a mulher, o amigo, a prima, o gato, sozinho ou em grupo) acho que assim as coisas se devem manter e que o Estado não tem nada que saber da nossa intimidade e, na fórmula feliz da Maria José Nogueira Pinto, "legislar a espreitar pelo buraco da fechadura".
Pensar o contrário é não só uma intolerável intromissão na nossa liberdade como fonte necessária de grandes injustiças (veja-se que em Inglaterra duas lésbicas gozam de uma isenção de imposto sucessório que foi negada a duas velhinhas adoráveis, irmãs, que desde sempre viviam juntas e que pretendiam usufruir do mesmo regime favorável das parcerias civis...).
O facto de realmente o meu juizo sobre a homossexualidade (o comportamento, não sobre os que a praticam ou o são) não ser favorável nem me ser indiferente os meus filhos e próximos e amigos ou qualquer um enveredarem eventualmente por esse caminho (imagino-os a lerem isto e como o Bart Simpson naquele episódio em que aquela personagem moralista diz ter uma coisa muito importante a anunciar e ele, Bart, cruza os dedos, fecha os olhos e com expressão intensa de desejo diz "gay...gay...gay...!" lol!) posso jurar nunca me foi motivo de qualquer particular antipatia (ou simpatia [salvo em uma ou duas personagens de cinema, como aquele da "Última saída para Brooklyn" a que a sensibilidade tem de estar muito entupida para não se dar ao trabalho de se interessar]) com ninguém uma vez que o meu ponto de fascinio com a humanidade está noutro lado (na vida e coração vibrantes que se percebem na humanidade e naquela imensa dignidade de todos e cada um).
Já agora: há hoje em dia situações que do ponto de vista juridico não fazem qualquer sentido? Sim. Mas para isso não é preciso nem o casamento, nem coisa nenhuma. Basta respeitar os principios do direito em Portugal e nos respectivos ramos juridicos introduzir as mudanças que se impõem.
Mas enfim, estou disponivel para continuar a conversa (e já agora obrigado às palavras simpáticas de um terceiro que aqui escreveu!)
Um abraço
Antonio Pinheiro Torres

Anónimo disse...

Tenho para mim que este tipo, lá no fundo no fundo, é gay! É que tanta homofobia junta faz-me pensar em recalcamento...

Antonio Pinheiro Torres disse...

Devo confessar que a minha unica conexão com a homosexualidade está em que como algumas só gosto de mulheres...de resto nunca dei por nada...
Mas também confesso que já me passou pela cabeça que no fundo o problema com a histeria do orgulho gay está de facto numa homossexualidade mal assumida.
Mas admito que os nossos gaydar estejam ambos errados...?
Grande abraço e obrigado pelo comentário

*JjS* disse...

Não sou propriamente um defensor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Também não milito na causa do casamento entre pessoas de sexo diferente, mas o estado normativo da sociedade estabelece algumas discriminações que em nome da justiça urge resolver. Homossexuais e heterossexuais têm ao seu dispor algumas alternativas ao casamento. Reconheçam-se a uns e a outros e, a quem quiser que possa casar com quem quiser.
Caros cristãos, estamos a falar da sociedade e da justiça entre as pessoas civis. Não há que haver referendo para fazer justiça. As religiões não se deviam meter nisso. Se o quiserem fazer em relação ao "santo matrimónio" que o façam.
E, já agora, o que é que os católicos têm feito em relação aos abusos sexuais recorrentes por parte de inúmeros padres católicos?
Jesus, teria chorado sobre isso... ou teria morrido de vergonha em maior paixão.

Anónimo disse...

Mas também confesso que já me passou pela cabeça que no fundo o problema com a histeria do orgulho gay está de facto numa homossexualidade mal assumida.

Poderia esclarecer melhor o seu ponto de vista?

Anónimo disse...

O caluteiro vai pagar a quem deves!
Político da treta. Tenha vergonha.

Antonio Pinheiro Torres disse...

Caro JjS:

Falo copy-paste do seu comentário para intercalar os meus:

Não sou propriamente um defensor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Também não milito na causa do casamento entre pessoas de sexo diferente, mas o estado normativo da sociedade estabelece algumas discriminações que em nome da justiça urge resolver.
AM: essas e outras novas surgidas da consagração do casamento ou parecerias gay onde elas existem (o que apesar da festa já havida ainda não acontece em Portugal onde o processo legislativo ainda vai no adro...). Exemplifico: o regime das parcerias civis no Reino Unido prevê umas isenções fiscais na sucessão entre estes (homossexuais). Ora, duas senhoras velhinhas, irmãs, de já avançada idade, que viviam juntas há uns 60 anos, decidiram pedir para as respectivas sucessões, as mesmas isenções. Foi-lhes negado! Porque não tinham uma parceria civil entre si...ou seja, como uma delas dizia: "faltou-nos ser lésbicas"...

Homossexuais e heterossexuais têm ao seu dispor algumas alternativas ao casamento. Reconheçam-se a uns e a outros e, a quem quiser que possa casar com quem quiser.
AM: não subscrevendo a última parte (casa quem é de sexo diferente, I am sorry...) subscrevo a primeira: o que não falta no direito é instrumentos para obviar às situações de injustiça e dificuldades postas pela novidade destas formas de convivialidade (homossexuais ou outras). Exemplo: era só o que faltava que um "desgraçado" (um de nós) só pudesse ser visitado nos cuidados intensivos por familiares ou conjugues! É um direito constitucional ser-se visitado por quem se quiser e entenda, incluindo também o respectivo parceiro amoroso do mesmo sexo! Ou seja, o que se tem de mudar aí é o direito hospitalar. Idem no arrendamento (Miguel e João vivem em economia comum há anos, a renda está apenas em nome de um, à morte dele claro que deve transmitir-se o respectivo direito ao outro, idem se foram irmãos nas mesmas circunstâncias), etc., etc.
Caros cristãos, estamos a falar da sociedade e da justiça entre as pessoas civis. Não há que haver referendo para fazer justiça. As religiões não se deviam meter nisso. Se o quiserem fazer em relação ao "santo matrimónio" que o façam.
AM: do fundo do coração declaro e atesto que a minha posição pro-referendo não tem nada a ver com o facto de ser católico, que sou ("encardido" mesmo diria ;-). E que o facto de existir uma forte componente de católicos no movimento pro-referendo não é instrinseco mas sociológico (em país de maioria católica é normal que isso se reproduza noutros contextos).
E, já agora, o que é que os católicos têm feito em relação aos abusos sexuais recorrentes por parte de inúmeros padres católicos?
Jesus, teria chorado sobre isso... ou teria morrido de vergonha em maior paixão.´
AM: é verdade que é uma vergonha, que em muitos sitios o assunto foi mal tratado e que tudo isso é completamente condenável (cito o Papa Bento XVI). Mas a ligação com o nosso assunto agora é remoto a não ser por via da homossexualidade desses Padres mas que eu saiba esses não pretendem casar...
Um abraço e obrigado pelos seus comentários!

Antonio Pinheiro Torres disse...

Caro Anónimo (supondo seja o mesmo, o autor dos dois comentários?): fiz copy-paste dos mesmos abaixo:

1) "Mas também confesso que já me passou pela cabeça que no fundo o problema com a histeria do orgulho gay está de facto numa homossexualidade mal assumida.
Poderia esclarecer melhor o seu ponto de vista?"

Pode resultar de um mau conhecimento da realidade homossexual (embora o mesmo me tenha sido repetidamente afiançado por alguns) mas quem vive bem com aquilo que faz não anda a proclamá-lo aos sete ventos nem pretende para si uma coisa que está em contradição com o que quer. Isto é, quem escolhe ou lhe acontece ser homossexual, sabe à partida que se põem de fora algumas hipóteses que lhe estão vedadas pela natureza das coisas (procriação, certos contratos, etc.). E se for feliz com essa vida, não casar ou não ter filhos, é o lado para o qual se deita melhor...!?
Como dizia um desses tais meus amigos "isto dos gays incomoda-nos muito..."

2)"O caluteiro vai pagar a quem deves!
Político da treta. Tenha vergonha."

Não sei a que situação de calote se refere...? Mas suspeito se refira ao facto de em virtude da minha entrada para o parlamento (estava antes num escritório de advogados do qual abdiquei para me dedicar a full-time à AR) me ter despistado totalmente no pagamento das quotas da Ordem dos Advogados entre Janeiro e Junho de 2004 (6*37,5€=225€), data em que ficou suspensa a minha inscrição, como é natural. Ora, tendo estado entre Março de 2002 e Março de 2005 completamente absorvido com as minhas funções de Advogado ou porque nao fui ao escritório ou por qualquer outra razão (igualmente lamentável) não me dei conta do facto. Como quando sai do parlamento fiquei desempregado (só voltei para um outro escritório e reinicie a minha vida pofissional em Abril de 2006) não dei pelo assunto senão em Outubro de 2005 porque googlando o meu nome dei com um comentário sobre esse facto no Blog Renas e Veados que num post de 18 de Novembro de 2004 dava conta desse facto (obrigado!). E por isso no mesmo dia (31 de Outubro de 2005) liquidei a quantia em divida. Desde então voltei ao devido pagamento em ordem e em dia, como convém ;-)
Curiosidade: na carta dirigida ao Conselho Geral da Ordem escrevi: "o meu gosto por pertencer à Ordem é inversamente proporcional ao desleixo manifestado na regularização da minha situação" ;-)
De "calotes" na minha vida é o que me lembro (houve outro de que me dei conta no outro dia, uma assinatura de jornal regional durante dois ou três anos de parlamento que liquidei no mês passado quando estava a arrumar uns papeis desse tempo, que, pelos vistos não abonou muito a minha honestidade...lol!) mas se houver mais algum, que seja do seu conhecimento, não hesite em me avisar!
Um abraço e obrigado pela ocasião que me dá de explicar que pelo menos duas vezes na vida fui de uma distracção completamente inexplicável, que muito me envergonha! Mas também confesso não tenho a mania que sou perfeitinho ;-) E se tivesse, os factos me desmentiriam lol!
Outra nota: vou aproveitar e fazer copy-paste disto no dito blog!

Antonio Pinheiro Torres disse...

Fui agora ao Renas e Veados mas não deixam pôr comentários e parece-me ter morrido (o Blog)...que azar!

Anónimo disse...

VAMOS CRIAR UM PARTIDO POLÍTICO PARA ELIMINAR ESTA ABERRAÇÃO.

Antonio Pinheiro Torres disse...

Obrigado pelo seu comentário. Suponho se referisse ao casamento gay como sendo a aberração contra a qual seria necessário criar um partido político. Na minha opinião:
a) não é útil ao combate politico a criação de partidos "de causas" (aliás já existe, recentemente, o PPV: http://portugalprovida.blogspot.com/) e as "causas" defendem-se melhor no interior do actual sistema partidário (que infelizmente resistiu "valentemente" à introdução de partidos novos como o acima, o MEP ou o MMS)
b) a reivindicação do referendo e a rejeição do casamento e adopção gay existem de facto e por isso vale a pena continuar com a campanha iniciada pela Plataforma Cidadania e Casamento (ressalvando que houve pessoas de muitos tipos e com muitas diversas razões a assinara a respectiva petição). Acompanhe-nos por isso a partir do www.casamentomesmosexo.org A luta continua! ;-)
Cumprimentos!

Anónimo disse...

Pensei que a aberração seria o ex-deputado... pena! Já estava a ficar entusiasmado...

Antonio Pinheiro Torres disse...

Confesso que também se me ocorreu a mesma ideia...mas depois achei exagerado (atendendo à minha dimensão) ser necessário um partido político para acabar comigo...lol!

Anónimo disse...

Como dizia um amigo seu, isto dos gays incomoda muito??????
Tipo... o que dizer das famílias numerosas católicas!? Puta de raça maligna...