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quinta-feira, maio 10, 2012

Testamento Vital

Lê-se hoje na imprensa (jornal i) que depois de recebido o parecer da Comissão Nacional de Protecção de Dados se encaminha para o seu termo a discussão na especialidade e na Comissão Parlamentar de Saúde dos projectos de lei relativos às Directivas Antecipadas de Vontade ou Testamento Vital.
Quando se começou a falar desta matéria em Portugal e falando com um médico amigo fui confirmado em que não só para certas forças políticas esta é uma ante-câmara de discussão e introdução disfarçada da Eutanásia (como se conclui do útil mapa comparativo feito pela Comissão e que se encontra aqui) como aquilo que se visa prevenir (o encarniçamento terapêutico bem como outras situações limite de saúde) já encontram a sua resposta na ética e práticas médicas.
Mas, sobretudo, e como ele explicava o "Testamento Vital" (entre aspas porque para um jurista o emprego da palavra Testamento tem na nossa ordem júridica, um significado incompatível com o objecto da futura lei) é como "te perguntarem no fim de uma feijoada ao almoço, o que vais querer jantar"...isto é, na ocasião, a pessoa encontra-se incapaz de prever o futuro e a fome e desejo que terá (e quando) mais tarde. Analogicamente, em situação de boa saúde, dispor sobre o que queremos ou não quando esta nos faltas e/ou em condições limite que são aos milhares em possibilidade, é completamente imprevisivel e até, diria, arriscado (posso dispor que não quero isto ou aquilo e na altura perante a aflição e eventualmente até sem me poder expressar a única coisa que eu pretenda seja sair com vida sem me importar com o caminho até lá). Como ele me explicava: "podes agora dizer que não queres ser ligado a um ventilador, mas mais tarde, estendido no meio da estrada, em perigo de vida, e sendo esse o único meio de safar-te, só me agradecerás se eu não levar em consideração esse teu desejo então expresso"...
Mas, enfim, as coisas são o que são e os projectos de lei estão aí e o processo recebendo como sempre a participação e protecção dos "moderados de serviço" (inclusive com a pretensão boazinha do "assim eles não poderão fazer passar a Eutanásia...). Assim sendo esperemos a Assembleia da República decida pelo melhor...
Nota: há uma confusão nos projectos do centro-direita que merece reflexão: sendo verdade que a hidratação e a alimentação em casos limite podem significar uma agressão (em linguagem não médica: estômago e intestinos tão desfeitos que já não processam nada e provocam mais mal-estar) estes não são "tratamentos" mas cuidados de suporte de vida (a par da higiene pessoal), cuja admissibilidade de se dispôr sobre eles, significa em termos práticos o acesso por decisão individual à Eutanásia...veja-se nesta questão este importante documento retirado do site do Vaticano e recorde-se a história da Eluana...

sábado, abril 28, 2012

Na morte de Miguel Portas



Tenho andado muito impressionado com a morte de Miguel Portas. A razão mais próxima é ditada pela amizade pelo irmão Paulo de quem fui colega muitos anos no Colégio São João de Brito e com quem depois me fui cruzando na política, sobretudo em momentos relacionados com as questões fracturantes.

A outra razão é que há nesta morte um coro de simpatia, admiração e saudade, que vai muito além daquele habitual coro de dar por bom ou melhor do que era, aqueles que morrem. Um dos sinais dessa diferença é que esse mesmo "coro" conta com vozes de todos os quadrantes (isto é, não o celebram a ele só os "do seu clube", mas também adversários de todos os azimutes). Outro sinal é que mais do que a história política a laude de Miguel Portas assenta muito na própria humanidade (defeitos incluídos em artigos de alguns dos seus amigos mais próximos) e na forma como combatia e na dúvida que não deixou em ninguém de que o fazia pelo bem comum assim como o entendia.

Impossivel quando ainda não passou um ano evitar a analogia com o que se passou com Maria José Nogueira Pinto. Ambos tão diferentes nas opções, caminhos e histórias pessoais, mas tendo em comum essa forma de ser e estar (e, também, curiosamente, origem no mesmo meio social).

Uma última nota. Na Sábado transcrevem esta frase retirada do Expresso de 23 de Julho de 2011: "Ao chegar ao fim da vida, quero poder olhar para trás e dizer: 'terei feito algumas asneiras, mas no conjunto posso partir, lá para onde for, com tranquilidade'". Agora que já chegou onde Deus sempre o esperou na Sua infinita Misericórdia que surpresa e encantamento não serão os seus...;-)

quarta-feira, novembro 12, 2008

Eutanásia: uma embriaguez de morte

Hoje no Público três páginas sobre o assunto no suplemento respectivo. Dias antes dois arigos: uma provocação de Rui Nunes da Associação Portuguesa de Bioética (que raio lhe deu para ter começado sózinho um debate que ninguém pedia e com um interesse tão grande nele?) e uma boa resposta da Isabel Neto da Associação Nacional dos Cuidados Paliativos (para ver uma história dos cuidados paliativos em Portugal: http://www.historiamedicinapaliativa.ubi.pt/index2.htm).
Lê-se e não se acredita. Vem-me à mente aquela "embriaguez da morte" em que parece estar mergulhada a nossa civilização...
Como não há razões para esperar nada, desespera-se e busca-se um último conforto e satisfação: a morte. Que tristeza!
Mas é bom começarmos já a ir buscar os mapas, limpar as armas e estudar o terreno. Na calma de hoje está já a véspera de mais uma batalha, onde nos encontraremos mais determinados que nunca!